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História Side By Side - Narusaku - Capítulo 12


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Notas do Autor


Oiii? Como vocês estão?

Esse capitulo aqui, já adianto, é meio que um "desapego" daquela chatice que estava sendo a Sakura melancólica demais. Sim kkk eu também tenho agonia disso mesmo que eu seja a autora. Mas fazer o que, preciso fazer esses momentos mais parados. Mas fiquem tranquixs que nesse cap as coisas já começaram a dar uma agitada. Todavia, ainda tem muito o que acontecer.

Mas eu não vou ficar enrolando demais aqui, então boa leitura!

Capítulo 12 - Capítulo 12


Sentiu a cama afundar atrás de si, mas permaneceu na mesma posição, esperando que ele acreditasse que ela realmente estava dormindo.  Não queria olhar para ele, nem mesmo falar.

Se pudesse, aliás, abriria uma outra dimensão, em outro universo, preso no espaço-tempo para jogá-lo lá junto a todas as suas mais recentes frustrações. Quem sabe, junto a todas que ele mesmo fora o responsável de lhe causar.

Desde o início, desde o primeiro momento onde teve a oportunidade de se aproximar dele, em nenhum aspecto, esteve em vantagem.

É até engraçado lembrar como ela e Ino discutiram sobre o amor que as duas carregavam por ele e como Sakura se gabou por ter ficado no mesmo time que o garoto que tanto dizia amar.

Ela realmente achou que aquilo era uma vantagem comparado a todas outras questões. Que se ele fizesse o mínimo das obrigações sociais para com ela, já seria o suficiente. Porque, para Sasuke, era um sacrifício precisar olhar nos olhos dela para falar algo. Ou então, ser obrigado a responder algo tão óbvio como as perguntas dela sobre ele estar bem.

E ok, seria injusto demais dizer que ele continuou a agir desse mesmo modo depois de tudo. Sasuke aprendeu a respeitar os sentimentos das pessoas, aprendeu também a ouvir. Mas nada que fizesse dele menos egocêntrico.

Até quando se trata de pensar nos outros, ele consegue ser egoísta com as menores coisas.

Ouvir de Naruto aquela barbaridade acabou com o resto do seu dia. Já não estava sendo um bom aniversário, mas sobre isso não esperava muito, de todo modo. E embora tivesse se animado com o presente do amante e todo o sentimento envolto nele, não esperava que o de Sasuke pudesse ser tão cruel.

“– Ele quer levar a Sarada-chan com ele.

– Então agora ele se importa com o tempo que passa com a filha?

Ele mudou dos olhos dela para o chão. Respirou fundo buscando forças que o ajudassem a dizer aquilo sem imaginar o rosto tão belo sendo tomado pela tristeza. Mas precisaria ser forte por ela, então voltou a encara-la com seriedade e tentou.

– Ele quer levar ela para sempre, Sakura-chan.”

Precisou prender a respiração para não fazer barulho com o choro que iniciou. Não daria o gosto de ele vê-la derrotada. Ainda que fosse o único modo pelo qual ele a fez parecer desde então.

E como se não bastasse estar sendo difícil deitar junto a ele, ou existir no mesmo mundo que ele, relembrar das palavras de Naruto conseguiu tornar tudo ainda pior.

Como ele poderia tirar a única coisa boa que restou dela?

Ela já não tinha mais como fugir para o quarto dos pais e pedir abrigo, nem mesmo correr para sua Shishou em busca de conselhos ou ao menos o afago carinhoso em sua cabeça dado pelo antigo sensei.

Naruto até poderia ajuda-la, mas exigir algo dele seria cruel demais, considerando que sua vida está tão trágica quanto.

A única pessoa que lhe restaria como apoio, a única que ela, realmente, poderia dizer que é sua, seria Sarada. Quem Sasuke, injustamente, gostaria de levar para bem longe dela.

Sentiu-o virar na cama, aparentemente de frente para as costas dela. Sua única mão, a direita, atravessou o lençol e contornou a cintura fina. Os dedos da derme sempre tão quente se encontraram com a fria dela, mas, incrivelmente, como seria em outrora, aquilo não a aqueceu. Sakura não conseguir se sentir acolhida nos braços dele.

Não como sentiu com Naruto.

“– Eu sei que é difícil e, acredite, eu lutei muito para tentar guardar isso de você. Mas sei que é direito seu saber. – Não deixou de dizer uma palavra sequer sem apertar o corpo mole e frio dela junto ao de sua filha sonolenta em seu colo.

Se pudesse, pegaria ela no colo junto a menina e correria para bem longe, protegendo-as de todo e qualquer mal.

– Eu juro que vou tentar resolver isso. Juro pela minha vida que o Sasuke nunca poderá tirar sua filha de você. – Ela levantou a cabeça e o olhou com lágrimas nos olhos. Ele também chorava. – Não enquanto eu estiver vivo. Ele não te fará ainda mais infeliz.”

O pior de tudo, depois de descobrir a real intenção de Sasuke, foi perceber que não teria nada a fazer quanto a isso. Poderia espernear, tentar esconder a filha ou qualquer outra coisa, mas nada adiantaria porque, na primeira oportunidade, a menina faria questão de ir com o pai sem nem mesmo olhar para trás.

E ela não poderia se sentir mais hipócrita. Passou um tempo criticando a falta de reação de Naruto quanto aos próprios problemas, mas, quanto aos dela, nem mesmo uma mão foi capaz de erguer para mudar alguma coisa.

Então, diante disso, decidiu quando chegou em casa e os encontrou na sala conversando, que dessa vez, pelo menos dessa, seria egoísta e não pensaria na alegria da filha. Não permitiria que o homem que amou pela maior parte de sua vida tirasse de si o que lhe restou. Nem que para isso precisasse criar uma nova guerra.

Apesar de que Naruto tenha lhe dito para não contar a Sasuke que ela soube dos planos dele e, nem mesmo, arrumar briga com ele por isso antes que o Uzumaki arranjasse uma solução, decidiu resolver isso por conta própria. Uma mulher com seus trinta e dois anos na cara deveria ter vergonha de depender da ajuda de outros. Não foi ela que sempre lutou pela independência? Que sempre clamou pela oportunidade de resolver as coisas pelo próprio esforço? Pois então, ela o faria.

Todos dizem conhece-la pela coragem e força, mas Sasuke repele toda essa imagem dela sem nenhum esforço. E é isso que deveria lutar contra. Mesmo que seja difícil olhar nos olhos dele sem temer perder as forças das pernas.

Ele pareceu estar insatisfeito com o toque e se aproximou ainda mais do corpo dela. Puxou-a sem muito esforço até que ela estivesse encostada a ele por completo, mas Sakura não tardou a tirar a mão de cima de si e voltou para a beirada da cama, o mais longe que pôde dele.

Pela primeira vez, não sentiu aquela euforia que costumava ter quando ele a tocava mais intimamente. Pelo contrário, sentiu uma ânsia estranhamente desconfortável.

Mas ele não ficou satisfeito com a atitude dela. Se aproximou novamente do corpo esguio e tentou abraça-la, o que só não se concretizou porque Sakura, sem hesitar, se levantou da cama junto ao seu travesseiro e seguiu rumo a porta. Não conseguiria dormir mais essa noite ao lado dele. A passada se passou em claro.

Todavia, ele conseguiu ser ainda mais rápido e a puxou, jogando-a de volta para cama e subiu em cima dela se sentando em sua barriga.

O quarto estava escuro, mas a luz avermelhada do Sharingan iluminou o rosto irritado dele. Sakura evitou olhar para ele. Focou em seu peito nu.

– Você não costumava negar os meus toques, Sakura.

Ela riu de escarnio e cruzou os baraços sobre o próprio colo.

– Eram tão poucos que eu nem percebia. – Arriscou ser irônica sem acreditar que realmente estava fazendo esse tipo de coisa com ele lhe olhando prestes a devorá-la. Não sexualmente, é claro.

Ele avançou para ainda mais perto dela, se deitou sobre o seu corpo e deixou que os rostos estivessem bem rentes um ao outro.

– Você nunca reclamou. – A voz dele, mesmo baixa, conseguia ser tão dura como se estivesse sendo dita claramente. – O que aconteceu com você, em? Não me deseja mais?

Ele desativou o Sharingan, sabia que isso não assustaria mais como antigamente, além de que não seria capaz de feri-la de algum modo. Ela o encarou dessa vez, olhou diretamente para os olhos dele, com uma segurança que nunca teve antes.

Talvez fosse o ódio. Sim, com certeza era o ódio lhe dando toda a coragem necessária para se impor a ele.

– Você fala como se me desejasse, Sasuke.

Se lembrou das milhares de vezes em que precisou incitá-lo por conta própria sendo que, dessas, somente algumas resultaram em uma noite realmente quente. Quando diz que transou com ele umas três ou quatro vezes não mente. De resto, tudo que tiveram foram algumas preliminares feitas por ela ou alguns beijos mais ousados.

Sempre o respeitou nesse quesito. Ele nunca foi do tipo que aprecia contatos físicos e, para ela, o relacionamento sempre foi mais emocional do que físico. O que agora, depois das duas transas extremamente proveitosas com Naruto, onde ela pôde sentir prazer sem precisar insistir por isso, deixou de ser suficiente.

Se envolver com Naruto nesses últimos dias foi como se fosse muito mais do que os treze anos com Sasuke. Ela se sentiu amada, compreendida; se sentiu gente, uma mulher adulta e não somente a garota boba e apaixonada. Se sentiu retribuída.

Por um momento, por um misero feixe de memória, se recordou das vezes em que teve a oportunidade de escolher Naruto. Mas não se arrependeu por tê-lo repelido naquela época. Era imatura, pouco sabia da vida. E, mesmo que fosse capaz de se apaixonar por ele naquela época, não teria passado por toda a evolução que foi se decepcionar com Sasuke.

Isso, ela deveria tirar algo bom disso.

Claro que não largaria a melancolia tão fácil, mas deveria considerar a parte onde deixou de buscar aceitar o pouco ao invés de exigir por mais. Ela deveria, se já tivesse essa mesma cabeça há anos atrás, ter exigido do Sasuke que ele correspondesse a altura. Mas temeu que isso o espantasse e, pensando bem, não seria tão ruim que o fizesse.

Na verdade, a única coisa negativa que tiraria disso tudo seria não ter sua filha. Pensar nisso a fez voltar a ficar para baixo e Sasuke notou a mudança brusca na intensidade do olhar dela, mas, em sua perspectiva, aquilo foi somente mais um efeito da passividade dela.

É sempre assim, ela sempre abaixa a cabeça no final.

Mas Sakura não quis ser passiva a ele mais uma vez, fora somente um momento em que se lembrou da descoberta de horas atrás, mas, como desejou, isso a motivou a olhá-lo mais uma vez com aquela mesma bravura. Que mais uma vez foi interpretado mal por ele.

Sasuke pensou que aquilo pudesse ser o consentimento dela para que investisse em sua ideia. Não que tivesse a necessidade de tocá-la ou ser tocado por ela, mas viu a oportunidade e pensou que isso talvez pudesse ajuda-lo a trazer aquela mesma Sakura amorosa e inativa de antes.

Avançou em um beijo urgente. Sua boca capturou a dela com pressa, invadindo-a com sua língua que só não conseguiu terminar o serviço por causa barreira que a dela criou. Sakura tentou afasta-lo de si, mas ele fez ainda mais força sobre o rosto dela, restando somente que ela o mordesse para repeli-lo.

Ele voltou tão rápido quanto chegou, se sentando dessa vez na cama. Ele a olhava irritado com a mão na boca ensanguentada, encarando-a com puro ódio.

– Você me mordeu? – Ele olhava para a própria mão indignado, observando o pouco sangue de seus lábios cortados pelos dentes dela. – Você tem noção do que acabou de fazer?

– Você – apontou para o rosto dele erguendo a parte de cima de seu corpo – você tem noção do que acabou de fazer? Eu não te dei permissão para me tocar desse jeito, Sasuke.

– Somos casados, Sakura. – Bateu na mão dela de leve, afastando-a de frente do seu rosto. – Acha que eu faria algo do tipo se não fôssemos?

Riu descrente balançando a cabeça em negação, desviou o olhar para qualquer outro ponto do quarto escuro e voltou a olha-lo imbatível.

– Casados? Você ainda se lembra disso?

– Não começa, você sabe que eu...

– Que se foda o que você faz lá fora, Sasuke. – O viu retroceder uns milímetros para trás. Talvez fosse o seu tom duro e alto ou então o modo diferente pelo qual nunca usou com ele, mas a questão é que isso o surpreendeu e por pouco não deixou escapar um sorriso. Estava orgulhosa de si mesma. – Você não pode dizer que somos casados porque assinamos a droga de um documento anos atrás dizendo isso. Papel não é nada, aquilo apodrece e deixa de existir em um piscar de olhos. O que move um relacionamento vai além do físico.

– Não seja ridícula.

– Se eu sou ridícula somente por não aceitar suas decisões egocêntricas, então, de fato, eu realmente sou. – Deu de ombros.

Esperou encontrar algum vestígio de medo nela. Algo que o fizesse entender esse comportamento absurdo. Mas não tinha nada. As batidas do coração dela estavam agitadas pelos movimentos bruscos, mas não em uma frequência que entregasse medo; a respiração regulada e o olhar não fora desviado, permaneceu preso ao seu como se não o temesse.

Seja lá o que estivesse acontecendo, aquela ali não é a Sakura que ele conhece.

 – O que aconteceu com você?

– Você aconteceu.

– Você não pode reclamar de algo que passou sua vida inteira aceitando, Sakura. – Tentou agir de forma imbatível como ela. De todo modo, nunca foi do tipo que se exalta por coisas inúteis como aquilo estava sendo. Talvez quando ainda era uma criança, mas agora é um adulto e não tem tempo para perder assim. – Não importa o que diga, eu continuo sendo o seu esposo.

– Não por muito tempo.

– O que quer dizer com isso?

Ela não respondeu, continuou a encara-lo sem mexer um milímetro de seu rosto.

– Me responda! – Gritou. Não se importou se iria acordar sua filha. Quem sabe isso pudesse ser a prova para ela entender que não precisaria da mãe para viver bem. Que Sakura não se importa tanto assim com ela ao ponto de preservar o casamento dos dois.

Sua conversa mais cedo com a filha havia sido bem proveitosa. Conseguiu avaliar a capacidade dela como ninja, ficando satisfeito com a habilidade da menina e o avanço de seu doujutsu, além de conseguir convencê-la a largar a ideia idiota de seguir carreira como Hokage.

Não poderia imaginar de onde ela tirou esse absurdo. Talvez fosse influência do Naruto. Mas nada disso importou. Depois de tudo, garantiu que ela viesse a ter como objetivo o mesmo que o seu depois da guerra. Ser o mais forte possível, não machucar inocentes e reconstruir o clã. Sendo o último ainda mais importante.

Mas percebeu que ainda falta muito em Sarada para ela conseguir aturar as dificuldades da vida com êxito. A menina cresceu em um mundo de paz, nunca vivenciou uma batalha árdua além das que tem em missões de rank baixo, ademais que Sakura nem mesmo se esforçou para ensinar a ela sobre as experiências que tiveram no tempo de guerra.

Sua ideia de leva-la consigo não poderia ter vindo em momento melhor. Conseguiria, não somente garantir que a filha terá toda a atenção que merece, como ensinaria ela a largar todas as futilidades que ainda carrega.

Pensar na possibilidade de ver a filha agindo como Sakura estava fazendo naquele momento o enojou.

Não que não gostasse que ela tivesse atitude. Pelo contrário, sempre torceu para que Sakura deixasse de ser aquela menina tola e ingênua de antes. Mas não quando se trata dele. Foi a passividade dela que mais o agradou. Foi saber que ela seria devota a ele ao ponto de ajuda-lo a seguir com seus objetivos. Só não poderia imaginar que, além de não estar fazendo bem a sua parte como mãe, ela resolveu agir como uma criança birrenta.

– Você ainda não me respondeu Sakura. – Soou mais paciente dessa vez, mas sem deixar de demonstrar sua irritação com aquele assunto estranho.

– Eu não quero mais estar presa a você, Sasuke. Não quero depender de algo que eu não tenho e sei que nunca terei.

– Você não pode dizer uma besteira como essa sem pensar no peso de suas palavras. O que você...

– Eu sei muito bem do que eu estou falando! – O interrompeu. – Você é um estranho na minha vida, Sasuke! É um estranho na vida da Sarada! – Mordeu os lábios tentando segurar as lágrimas que passaram a fazer seus olhos arderem querendo sair. Mas não iria chorar na frente dele. – E ainda acha que tem o direito de tirar ela de mim.

Então era isso, ela sabia sobre os planos dele.

Mas como poderia ter descoberto?

Ele não havia contado nem mesmo para Sarada, estava esperando o momento certo para que tivesse a certeza de que a menina não iria negar. Porque ele não a tiraria dali contra a vontade dela. Disso ele não seria capaz. Só faria se ela, por vontade própria, aceitasse ir com ele.

O que estava parecendo que iria acontecer, até Sakura descobrir.

Pensando bem, só poderia haver uma pessoa capaz de contar a ela. Amaldiçoou a boca solta de Naruto.

– É por isso que está agindo assim? Porque eu quero finalmente dar a atenção que você tanto exige como pai?

Ela achou surpreendente o modo como ele passou a se vitimizar. Logo ele a pessoa sempre tão segura de si, sempre tão intocável. Quis rir da cara dele e esfregar uma porção de verdades que contrariam toda a sua postura superior, mas se segurou. Talvez Naruto estivesse certo e arrumar briga com Sasuke fosse, de fato, um caminho sem volta e prejudicial não só para ela, como também para filha e, na pior das hipóteses, para a paz na vila.

– Você acha que tirar ela daqui é a solução? – Perguntou indignada. – Tirar ela da mãe, de casa, dos amigos... Sasuke, ela não é você! Aquela menina precisa viver como um ser humano normal, não perdida pelo mundo com alguém que não vai dar o mínimo de atenção que ela merece.

– Mais atenção que você dá a ela eu garanto que darei.

– Ah pronto... – Levou os dedos indicadores às têmporas e massageou buscando paciência. – E o que te garante que eu não dou atenção a ela? – A troca de olhares entre os dois naquele momento foi acirrada. Ele, como agiria naturalmente, não desviou e ela, movida pela raiva e adrenalina, tampouco. – Eu dou a minha vida por ela, Sasuke.

– Você não tem dado a sua vida o suficiente. – Respondeu amargo.

De todo o modo, mesmo que soubesse o quanto Sakura ama a filha, ela nunca seria capaz de amar como ele faz. A menina é uma Uchiha, a única além dele. Sarada não é somente uma pessoa especial, é um legado. Ela é o futuro do seu clã. E é por isso, somente por isso, que ele jamais deixaria de dar a filha a melhor das atenções.

Não seria uma casa que faria a menina ser uma pessoa melhor, nem amigos ou então a presença da mãe. Seria saber para que ela veio ao mundo.

Ela veio para salvar o nome extinto e trazer vida ao clã que se foi.

Mas Sakura não entenderia isso. Ela vive presa a um sentimentalismo que Sasuke chamaria de perda de tempo. Ela e Naruto são tão parecidos que ele seria capaz de dizer que são um só. Com a diferença que o outro ainda sabia correr atrás de lutar ao invés de chorar e lamentar.

E tudo bem, quando ele foi embora, Sakura correu atrás de ficar mais forte e, de fato, ficou. Mas ela parou por aí. Se fosse uma mulher segura de si. Se ela pensasse em si mesma mais do que pensou em Sasuke, seria muito maior do que é hoje.

E Sasuke não seria egoísta ao ponto de dizer que não a admiraria se fosse assim. Talvez a considerasse ainda mais. Mas ele nunca botou esperanças em uma mudança do tipo, então se prendeu a fragilidade dela.

Por isso que vê-la agir assim é tão difícil de engolir.

E isso lhe trouxe muitas paranoias.

Pensar na possibilidade de ela ter criado algum tipo de autoestima pareceu tosco demais e também não é possível que fosse somente para desafiá-lo e obrigá-lo a insistir nela. Porque Sakura não é burra e sabe que Sasuke não é do tipo que insiste.

Então só poderia ser a terceira opção.

Sakura nunca foi uma pessoa capaz de tomar as próprias decisões pensando em si mesma. Ela sempre precisou ter algo para se apoiar. E essa coisa sempre foi Sasuke.

Ela ficou forte para correr atrás dele; se tornou uma peça importante na vila para impressionar a ele – pelo menos foi como ele interpretou; aos dezenove anos saiu da vila largando tudo e todos para trás em uma viagem com ele; aos vinte já estava grávida, prestes a dar continuação ao clã que, também, pertence a ele.

Sakura moldou toda a vida dela envolta de Sasuke, então ele não poderia imaginar que ela é capaz de fazer as coisas por conta própria. O que o levou a imaginar que só poderia ter uma única opção.

Se ela deixou de usa-lo como bode expiatório de seus objetivos, só poderia significar que, diante disso, ele já não seria mais o seu alicerce.

E isso não o agradou.

[...]

– Já estava me perguntando quando você iria me chamar pra virmos aqui.

Sasuke não respondeu, continuou a olhar para o macarrão sendo preparado atrás do balcão onde apoiava seu único braço.

Naruto já poderia imaginar que tinha algo além daquele mal humor usual dele. Em seus olhos tinha raiva, ele parecia bufar como um touro prestes a atacar. E ele pôde deduzir, também, o motivo disso.

– Imagino que não me chamou para saudar os velhos tempos. – Respondeu tentando esconder o receio em sua voz.

– Você contou a ela. – Ele ainda não olhava para Naruto, mantinha seu olhar preso em um único ponto.

Era isso. Naruto já imaginava que Sakura não aguentaria segurar isso sozinha, mas temeu que ela pudesse ter arrumado uma briga grande com ele. E dada a feição do Uchiha, não duvidaria disso.

– Desculpa, Sasuke, mas ela tem direito de saber que você quer tirar a filha dela.

– Ela também é a minha filha, Naruto! – Respondeu ainda mais irritado. Seu tom sobressaiu ao costumeiro, chamando atenção de alguns ao seu redor. Mas não se importou. – Ela é mais minha filha do que da Sakura. Aquela menina é uma Uchiha, ela é sangue do meu sangue.

Ficou sem palavras. De onde ele conseguia tirar tanta coragem para dizer um absurdo como aquele como se fosse a maior das verdades?

Naruto sentiu uma vontade súbita de bater com a cabeça do amigo no balcão metalizado, de ensinar a ele umas poucas e boas, mas seria tão problemático quanto se fosse com Sakura a fazer.

Ele havia prometido a ela com a jura de convencer Sasuke a manter a menina ali, então, assim como pediu a ela para manter a calma, teria que fazer o mesmo.

– Você acha mesmo que será suficiente para a Sarada-chan? Você já teve muitas ideias idiotas, Teme, mas essa conseguiu ser a pior.

Sasuke pareceu avaliar a fala do amigo, mas não como se considerasse mudar de ideia, parecia mais que estava analisando os próprios pensamentos. Suspirou fundo e jogou o peso do corpo para o encosto da cadeira. Ele parecia cansado. Talvez de ser visto como o inimigo da situação mesmo que em sua cabeça pensasse estar fazendo o certo pelo bem da menina e não uma maldade.

Ele não tiraria a filha de Sakura por odiar ela ou por não se importar com os sentimentos dela. Tiraria porque a filha merece muito mais do que a mulher pode dar, porque ela não é firme como somente os Uchihas conseguem ser para ensinar uns aos outros seus deveres e valores.

Tudo que ela poderia ensinar a menina é como ser uma boa pessoa. Nada além disso. Sakura é fisicamente forte, mas Sasuke não poderia dizer o mesmo de seu psicológico.

– Você também é pai, Naruto. – O olhou depois de muito tempo. – Sei que também faria o possível para dar o melhor para os seus filhos.

A fala de Sasuke fez com que Naruto desmanchasse a feição tranquila dando lugar a uma mais melancólica. Ele abaixou a cabeça e a apoiou no balcão metálico do Ichiraku. Ele deveria pensar em fazer o melhor para os filhos, apenas não saberia como.

Ele sabe lutar, sabe liderar a vila e dizer algumas palavras bonitas, mas cuidar de pessoas tão dependentes dele e tão sensíveis a estímulos, são outros quinhentos.

– Mas parece que você está pensando no que é melhor para você e não no que é melhor para ela.

– Não é bem assim, Naruto.

–É sim! – Rebateu irritado. – O que a Sarada-chan pensa disso?

– Ela ainda não sabe.

– Não sabe? – Levantou a cabeça e voltou a olhar o amigo. – Sasuke, você não pode decidir as coisas pelas pessoas assim, achando que sabe o que é melhor para elas.

– A Sarada ainda é uma criança e eu posso sim de...

– Não é disso que eu estou falando. – O impediu de continuar. – Essa sua decisão não vai mudar somente a vida da sua filha como também a da mãe dela. Da sua. Acha mesmo que depois de doze anos vocês vão conviver bem um com outro?

– É questão de necessidade agora, Naruto.

– Que necessidade, Sasuke? – Se exaltou. Em mais de vinte anos, nunca viu o amigo dizer tantas besteiras de uma única só vez. – Desde quando você liga para as necessidades de alguém? Você só se importa com o que te afeta, o resto que se dane.

– A vida da minha filha me afeta. – Respondeu no mesmo tom. Sua vontade era sair no soco com Naruto. Quem sabe ele deixasse de agir como um idiota e entendesse o seu lado. – Minha filha merece viver bem. Merece ser amada, não infeliz e só como eu fui. Como você foi! – Apertou o punho e desviou o olhar. – Ainda mais agora, depois de tudo...

– Depois de quê, Sasuke? Do que você está falando?

Naruto nunca foi bom com meias palavras e isso é um fato conhecido. Mas Sasuke parecia não querer ser tão claro. Fosse por receio, fosse por ainda estar avaliando suas conclusões. Mas a única coisa que Naruto tirou daquilo ali é que se tratou de algo verdadeiramente grave.

– Depois de saber que a mãe dela é uma vadia traidora.

O ar de Naruto sumiu, o cheiro do rámen sendo preparado se tornou enjoativo e todo o som em volta dele se abafou como se tivessem tapado seus ouvidos.

Seus olhos se arregalaram quase saindo de órbita e os lábios trêmulos pelo pânico.

 

Pois é, aquilo foi verdadeiramente grave.

 

Muito mais do que poderia imaginar.


Notas Finais


Eeita, abaixa que o corno tá vindo kkkkkkkkkkkkkkkkk

Como vocês puderam ver, nesse capitulo a Sakura já começou a tomar uma iniciativa e o Sasuke passou a suspeitar do inevitável. Já saiu furando todo mundo com o chifre dele kkkkkk
Ai que horror, a autora aqui não é a favor de traição não, ta? Eu repudio esse tipo de atitude e muito! Isso aqui é ficção e como todos estamos com raiva do Sasuke, é valida a zoação kkkkk 😂😂

Mas enfim, espero que tenham gostado e espero vocês na próxima. Beijão e até logo!!!


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