História Sieben Jahre - Capítulo 10


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Categorias Fairy Tail
Personagens Acnologia, Anna Heartfilia, Happy, Kyouka, Lucy Heartfilia, Mavis Vermilion, Sayla, Zeref
Tags Acnolu, Magia, Novela, Romance, Suspense, Tailfairy, Tartaros
Visualizações 191
Palavras 4.087
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


(´;ω;`)(´;ω;`)(´;ω;`)
Boa leitura!

Capítulo 10 - Veneno Demoníaco


Fanfic / Fanfiction Sieben Jahre - Capítulo 10 - Veneno Demoníaco

Ano de 792

Montanha Negra

Quarto do Acnologia



Lucy ainda estava reclusa no quarto do Dragão Negro, mas com fome, bebericou um copo de vinho, pegou a bandeja de comida e cambaleou até a janela, onde se apoiou na borda da parede e colocou uma uva na boca. O suco doce desceu pela garganta, e ela quase soltou um gemido, mas tratou de se recompor, exigindo de si mesma concentração no assunto em questão: fugir.

Ela havia contado a Polluska e a alguns membros da Fairy Tail sobre os seus planos. Polluska até sabia que ela queria visitar a fortaleza. O mais provável era que agora ela já tivesse uma ideia de aonde ela fora. Iria atrás dela? Ou batê-la-ia com a vassoura por ousar desobedecer? Apesar de ter sido compreensiva com a sua dor, sabia que a rosado não perdoaria uma desobediência proposital.

Ela virá, garantiu a si mesma. Precisa de ti para ajudar Makarof.

Mas, ao olhar pela janela, Lucy foi recebida tão somente por árvores e neve. Mesmo assim, não se deixou abater. Polluska podia estar em qualquer lugar. Mas ela ficou parada ali mesmo, se deixando ver por qualquer um, colocou outra uva na boca e tamborilou os dedos no vidro. Estou aqui. Já me viu? Ela precisava sair o mais rápido possível. A cada segundo que passava, a loucura daqueles homens parecia se aprofundar nela. Ela imaginara seu carcereiro de cueca, pelo amor das estrelas.

Com sorte, Polluska a veria, explodiria a porta da frente e a resgataria. Bum.

Pronto. Terminou. Não, espere. Volte tudo. Ela não queria Polluska dentro daquelas paredes. Não seria páreo para Acnologia e os demais. Ela teria de distrair Acnologia, quem sabe dar um jeito de nocauteá-lo e fugir. Para fora da fortaleza e colina abaixo. Era melhor encarar o frio e a força que a transtornava do que a ameaça de morte que ela encontrara ali.

Então... como distrairia aquele homem? Meditando sobre o assunto, ela devorou todo o cacho de uvas. Depois, se concentrou na carne e no queijo, bebericando vinho entre um bocado e outro, as vezes esforçando-se para fazer Happy engolir alguma coisa. Em questão de minutos, só restavam farelos e meia garrafa de vinho. Nunca provara nada mais saboroso. O presunto fora coberto com açúcar mascavo, um suculento presente para suas papilas gustativas. O queijo estava macio, nada pesado, fazendo perfeito contraste com as uvas. O vinho, excelente.

Tudo bem, o lugar tinha umas coisinhas a seu favor. Mas comida não seria razão para ficar. E que tal sexo? É claro que não, pensou, sentindo outra vez aquele estranho formigamento no ventre. Aquilo era... Ela entrou em súbito alerta interno, sentindo algo parecido com a calmaria que precede uma tempestade devastadora. O que ela sentiu não foi exatamente dor, mas havia algo de errado em seu corpo. Seu coração bateu uma vez. E duas. Ela engoliu em seco, esperando.

Então, a tempestade chegou.

Seu sangue congelou, mas, mesmo assim, gotículas de suor afiadas como cacos de vidro brotaram em sua pele. Arrastando-se por cada centímetro da pele, como teias venenosas. Ela soluçou, choramingou, tentou arranhá-las. Mas elas não saiam, e Lucy já conseguia vê-las. Estavam nela. Nela, com suas linhas de seda fugidias. Um grito irradiou em sua garganta no exato momento em que foi atacada por uma onda de tontura, de modo que o som não passou de um gemido.

Ela teve que se agarrar à janela para ficar de pé. A bandeja caiu com estardalhaço.

Logo a estonteante neblina se tornou uma dor, e a dor, uma faca afiada, cravando-se na barriga dela e subindo até o coração. Ela se levantou, arfando e gemendo ao mesmo tempo. Luzes fortes brilharam diante os olhos numa série de cores ofuscantes.

O que havia de errado com ela? Veneno?

Ah, Deus, será que as teias ainda estavam nela?

Sentiu outra pontada de dor e se curvou.

— Acnologia! — chamou com voz fraca.

Nada. Nenhum passo.

— Acnologia! — gritou, projetando o nome dele com toda a força que lhe restava. Tentou caminhar até a porta, mas não conseguiu forçar seu corpo a se movimentar.

Novamente, nada.

— Acnologia! — Por que o quer? Pode ter sido ele quem fez isto — Acnologia. — ela não sabia como tirar o nome dele dos lábios — Acnologia.

Teias negras lhe serpentearam a visão, comprimindo-a, cobrindo o arco-íris de cores ultravivas.

— Acnologia. — sua voz já não passava de um rouco sussurro, uma súplica trêmula.

Sentiu um aperto no estômago; sua garganta começou a inchar e se fechar. Então, de repente, já não conseguia mais respirar. Todas as células de seu corpo gritavam, gritavam, gritavam. Preciso de ar. Preciso respirar. Ela caiu no chão, tão fraca que não aguentava o próprio peso. Preciso me livrar das teias. Sem força, sem energia.

A garrafa de vinho caiu como se quisesse demonstrar solidariedade, derramando o resto do líquido vermelho perto de Lucy. Ela perdeu o foco por completo, o mundo ruiu e desapareceu por inteiro, restando apenas trevas.




Acnologia não conseguia acreditar no que via.

— Isto é... isto é... impossível. — ele esfregou os olhos com a mão calejada, mas a visão não desapareceu.

— Obviamente, não foi o cheiro de Lucy que senti. — Kyouka deu um soco na parede. Poeira pairou no ar e lascas de pedra caíram no chão. Jackal se limitou a rir.

Sehila assoviou de modo reverente.

— Uma humana que quer brincar.

No outro lado do quarto de Tempester, havia uma mulher. Idosa, espremendo-se contra a parede, como se quisesse fundir-se a ela. Tremia e fitava os homens com olhos arregalados de pânico. Medo?

Não, Acnologia percebeu. Não era medo. Os seus olhos de um carmim desgastado os fuzilava furiosos. Seu queixo parecia trincado, como se estivesse mordendo a língua para não gritar um palavrão.

— O que ela faz aqui? — ele perguntou de modo autoritário.

— Não use este tom! — rebateu Mard Geer — Foste tu quem começou tudo com sua linda Isca. — rebateu, chamando-o a razão.

Grunhindo baixo, Acnologia diminuiu a distância entre os dois.

A mulher sussurrou algo.

— Achei que já houvéssemos resolvido isso. — disse ele — Modere o linguajar ao falar dela, ou sofrerá.

Mard Geer não recuou.

— Conheces a rapariga há quanto tempo? Algumas horas? Mal falou com ela. Ela deveria estar implorando por clemência agora, e devíamos arrancar todos os segredos dela e ficar sabendo se há mais Caçadores lá fora e o que estão planeando.

— Ela tentou me salvar quando fui apunhalado. Ela tentou me salvar de vocês poucos minutos atrás.

— Tudo falso.

Provavelmente. Ele dissera a si mesmo exatamente aquilo, mas, pelo jeito, não conseguia se importar. Não conseguiu antes, e não conseguia naquele instante. Mais frustrado consigo mesmo do que com Mard Geer, desta vez, ele entregou os pontos. Ele encarou Tempester.

— Porque ela esta aqui? — perguntou, recomposto, mas não menos cético.

Na verdade, com o máximo de compostura do qual ele era capaz no momento.

Tempester olhou de relance para Mard Geer, que fez um gesto com o queixo em direção ao corredor. Entendendo, os outros demónios se retiraram. Todos sussurraram, agitados. Tempester foi o último a sair e logo fechou e trancou a porta. Acnologia espreitou seus amigos, que, em sua maioria, o encaravam com a mesma desconfiança. Nunca havia acontecido algo daquele tipo antes. Nenhum deles jamais levara mulher alguma para dentro de casa, nem mesmo Kyouka (que ele soubesse), e, naquele momento, haviam duas humanas simplórias o seu território. Era surreal.

— E então? — ele estimulou.

Mard Geer explicou que encontrou a velha seguindo uma trilha pela montanha. A rosada percorria um determinado números de metros por cada hora e consultava a rosa-dos-ventos, como se já soubesse do feitiço de desnorteamento que encantava a montanha. A velha chegou no portão de pedra oculto e proferiu algumas palavras abrindo-o. Assim ela entrou e foi capturada.

Acnologia escutou, perplexo. Foi tomado por um fluxo de choque e horror que formou ondas em seu sistema nervoso.

— Mas porque motivo uma humana caquética de daria ao esforço...

A resposta surgiu por si mesma, e ele apertou os lábios. Eu fiz isso, ele se deu conta. Eu sou o responsável. Desafiei o meu pai ontem à noite, até o insultei. Aquilo só podia ser uma forma de retaliação. Consternado, olhou de relance para Jackal. O guerreiro olhava para ele com um brilho severo nos olhos dourados. Então, ele se virou e espalmou as mãos enluvadas sobre o espelho pendurado logo acima de sua cabeça. Seu reflexo era lúgubre.

Ainda no dia anterior, os dois haviam afirmado que não se importavam se os deuses resolvessem puni-los. Achavam que nada podia ser pior do que sua situação atual.

Estavam errados.

A humana podia ser uma verdadeira Caçadora.

— Não podemos permitir que ela viva! — disse Tempester, interrompendo os pensamentos sinistros de Acnologia — Mas não podemos mata-la também. Isso revelaria a nossa localização para Zeref.

Kyouka deu outro soco na parede, grunhindo com força. Havia cortes de um vermelho furioso em seus antebraços, e eles abriram novamente com a força do impacto, espalhando manchas de sangue sobre a pedra prateada.

— Esse falso deus deve saber da nossa sede de sangue. — mostrou os dentes num esgar —. Porque fariam isso? — perguntou pelos verdadeiros deuses.

— Eu sei porquê — replicou Acnologia sombriamente.

Todos os olhos se voltaram para ele.

A vergonha lhe caiu pesada nos ombros quando relatou o que fizera.

— Jamais imaginei que isso fosse acontecer… — ele terminou de falar, demonstrando certa fraqueza — Não sabia que Zeref havia começado a formar humanos. Mas estava nos seus planos, só pensei que demoraria.

— Nem sei o que dizer. — disse Mard Geer.

— Eu sei. Merda! — respondeu Sehila.

Acnologia lançou a cabeça para trás e encarou o teto.

Pensei que o meu pai me ignorava.

— Achas que a loira também é um castigo? — perguntou Tempester.

Ele trincou o maxilar.

— Sim. — claro que ela era um castigo. Ele já havia pensado nisto; a hora em que chegara, o jeito com que ela lhe assombrara a mente e lhe incitara os desejos. Entretanto, ele concluíra que os deuses eram responsáveis por aquil. — Os Comandantes de Zeref devem ter conduzido os Caçadores até nós, sabendo que eles usariam Lucy e como ela me afetaria.

— Só amaldiçoou os deuses depois que Mard Geer foi convocado. E mais, ainda não os havia amaldiçoado quando Lucy apareceu pela primeira vez nas câmaras! — observou Jackal — Eles não tinham como saber o que faríamos ou diríamos.

— Não? Talvez eles não a tenham mandado, mas com certeza está sendo usada por eles de alguma forma. — era a única explicação para a intensidade de seus sentimentos por ela — Vou cuidar dela! — ele acrescentou de modo ameaçador, mas todos os músculos de seu corpo se enrijeceram, implorando para que retirasse o que dissera. Ele não retirou. — Vou cuidar de todas elas.

— Como? — perguntou Sehila, olhando para ele de cenho franzido.

Sombrio, ele disse:

— Vou matar a loira primeiro e depois esta velha. — rosnou. Já fizera coisas piores. Porque não acrescentar aquilo à lista? Porque não sou um animal selvagem. Ele só atacava para se defender de perigos futuros.

Não seria melhor do que um miserável dragão, aqueles que ele tanto odiou, reduzido a apenas uma razão de existir: causar dor. Mas, como fora ele quem levara aquele tormento para dentro de casa, cabia a ele resolver. Mas seria ele capaz de destruir Lucy? Descobriu que não queria saber a resposta.

— Não podes mata-las agora! — disse Mard Geer, com a cara tão fechada quanto a de Acnologia — Tu sabes que isso incitaria o sangue draconiano a fluir e tu vaporizarias tudo em Earthland.

— Estou ouvindo, seus desgraçados nojentos! — uma voz feminina gritou detrás da porta, a velha — Se vocês fizerem alguma coisa, juro pelo Rei que mato todos vocês.

Mais uma vez, todos pararam em silêncio.

Kyouka abriu um sorriso sardônico.

— Uma façanha impossível, mas eu quase gostaria de assistir à tentativa.

Ela socou o umbral da porta.

— Soltem-me! Soltem-me, ouviram?

— Estamos ouvindo, mulher. — disse Tempester — Tenho certeza de que até os mortos conseguem ouvi-la.

Era perturbador ver o demónio bronzeado, o mais sério de todos, fazendo piada. Ele só recorria ao humor quando a situação estava feia. Aquilo era um pesadelo. Após séculos de rígida rotina, Acnologia, de repente, tinha uma mulher para interrogar e depois destruir antes que ela pudesse ser usada contra ele. Ele tinha de mata-la para ajudar os amigos. E tinha que apaziguar os deuses. Deuses que ele nem sabia como abordar.

Aqueles Titãs eram entidades desconhecidas. Se Acnologia pedisse clemência e eles ordenassem que ele fizesse algo de atroz, algo que se recusasse a fazer, a situação, com certeza, ficaria bem pior do que já estava.

— Porque eu não toco nelas? — sugeriu Jackal, voltando-se para o grupo. Seus olhos eram tão luminosos e verdes quanto os da moça dentro do quarto. Enquanto os olhos dela estavam cheios de raiva, os dele eram cheios de desespero — Se elas acabarem morrendo por causa de uma explosão, ninguém vai precisar ficar de consciência pesada. — a não ser a dele. A maldição que ele carregava o competia a isso.

— Não! — disse Mard Geer no mesmo instante em que Sehila gritou:

— De jeito nenhum!

— Nada de explosões. — concordou Tempester — Depois que começa, fica impossível controlar. E tu sabes que isto é uma montanha de neve. Uma avalanche mal controlada por cobrir a vila inteira.

— Podemos isolar os corpos! — disse Jackal, claramente determinado, mas o sorriso masoquista brilhando como os seus dentes serrados.

Tempester suspirou novamente.

— Isso não vai funcionar, e sabes disso. A explosão é incontrolável.

— Explosão? — berrou a velha — Vão explodi-la? Foi por isso que a atraíram para cá? Seus nojentos, asquerosos e repugnantes montes de...

— Quieta! — ordenou outra voz feminina. — Não os provoque, Humana. — Sehila, ordenou, ela que não falava muito — Pretendo usar-te nos meus novos experimentos e tens de ficar calada ate lá.

A velha resmungou algo e calou-se. Acnologia gostou de sua coragem. Lembrava o jeito de Lucy quando ela o defendera na cela e quando exigira que ele levantasse a camisa. Ela queria fugir, seus olhos brilhavam de vontade, mas não fugira. Só de lembrar, o sangue de Acnologia esquentava e seu corpo enrijecia. Ela chegara a tocar em seu ferimento, despertando algo dentro dele. Algo que ele não havia compreendido.

Ternura, talvez?

Ele balançou a cabeça, rejeitando a ideia. Combateria aquele sentimento até o ultimo suspiro, o que aconteceria dentro de 13 horas, pensou amargamente. Ele não sentia e nem viria a sentir ternura pela Isca, ou pelo castigo divino, ou o que quer que ela fosse.

E ele provaria aquilo; da próxima vez em que a visse, ia possuí-la de uma vez, com investidas fortes... Ela ia gemer e gritar seu nome. Ela ia lhe apertar a cintura com as coxas e…

Não, não.

Espontaneamente, a imagem se redesenhou em sua cabeça, transformando-se para agradar o seu dragão interior. Ela estaria de barriga para baixo, de mãos e joelhos atados. Seus lindos cabelos lhe estariam cobrindo as costas elegantes, como se fossem uma cascata, e ele os agarraria, puxaria. O pescoço de Lucy se arquearia; seus lábios se entreabririam num ofego de prazer e dor. Ele ia entrar e sair daquele abrigo húmido. Apertada. Sim, ela seria mais apertada do que um punho. Os testículos dele iam estar bem entre as pernas dela.

Quando eu finalmente tiver Lucy em minha cama, serei gentil. Lembra?

Aquele pensamento foi ignorado. Ela imploraria, pedindo mais, e ele daria. Ele iria...

— Isto está ficando cansativo. — Mard Geer o empurrou o Dragão Negro com força, e ele bateu com as costas na parede — Estas arfando e suando, e seus olhos estão começando a brilhar com um hollow de almas. Prestes a explodir, Acnologia?

A imagem de Lucy, nua e excitada, desapareceu, e aquilo enfureceu o dragão, que tentou pular através da pele de Acnologia para atacar. Acnologia também percebeu que estava rosnando, sedento por outra visão daquelas.

— Acalme-se, Acnologia. — a voz serena de Tempester atravessou a confusão mental — Se continuar assim, seremos forçados a acorrentá-lo. E então, quem matara Lucy, hã?

Seu sangue gelou, e ele ficou mais sóbrio. Eles fariam aquilo mesmo, ele sabia que fariam, e não admitia ser acorrentado. Não durante o dia. À noite, sim. À noite, ele era uma ameaça e não tinha outro jeito. Sou uma ameaça agora. Mas se ele fosse preso naquele momento, quando se agarrava com dificuldade à sua própria consciência, seria o mesmo que admitir a derrota e parar de tentar ser qualquer coisa que não um demônio.

Ele percebeu que estavam todos de olhos postos nele.

— Desculpa. — ele resmungou. Havia algo de muito errado com ele. Aquela dança perigosa com o dragão era inteiramente ridícula. Pior, era constrangedora. Eles costumavam se enfrentar, mas não assim. Talvez precisasse passar mais tempo no treino. Ou então de mais um embate com Mard Geer.

— Tudo bem? — perguntou Tempester. Quantas vezes ele seria obrigado a repetir a pergunta naquele dia?

Acnologia assentiu de má vontade.

Mard Geer levou os braços para trás das costas e observou cada um deles.

— Como isso está resolvido, vamos discutir a razão pela qual eu vos trouxe para cá.

— Vamos discutir a razão pela qual temos as humanas aqui. — intrometeu-se Sehila.

— Em vez de deixá-las na cidade. Sim, temos um trabalho a fazer, mas isso não explica...

— As mulheres estão aqui porque, se provasse a Zeref que estamos aqui, não teríamos hipóteses de vencer qualquer batalha contra ele com o nível de Etherano de agora. — disse Mard Geer, interrompendo-o — E eu quis que visse esta para que não acabassem matando-a caso a flagrassem perambulando pela fortaleza. Se ela conseguir se soltar, levem-na ao quarto de Tempester outra vez e tranquem a porta. Não falem com ela, não a machuquem. Até darmos um jeito de liberar Mard Geer desta ordem, as mulheres serão nossas hóspedes contra a vontade. Certo?

Um por um, os homens assentiram. O que mais poderiam fazer?

— Por enquanto, podem deixá-la comigo e relaxar. Descansem. Vão fazer o que têm a fazer. Em breve, tenho certeza de que vocês serão requisitados.

— Eu, por mim, pretendo beber até cair. — Kyouka esfregou a mão no rosto — Mulheres em casa. — resmungou. E acrescentou ao se afastar: — Porque não convidamos a cidade inteira para uma festa?

— Uma festa seria divertida. — disse Jackal, achando graça outra vez — Pode me ajudar a esquecer esse negócio de morar só com um bando de homens. — Então, ele também se foi.

Kyouka não disse nada. Apenas desembainhou uma lâmina e desceu o corredor pisando firme, sem deixar dúvida do que pretendia fazer. Acnologia teria se oferecido para cortá-la, açoitá-la ou espancá-la, poupando assim Kyouka da agonia da autoimolação, mas ele já havia se oferecido antes, e a resposta era sempre um ríspido ‘não’.

Ele entendia a necessidade que Kyouka tinha de fazer aquilo sozinha. Ser um fardo era quase tão repugnante quanto ser amaldiçoado. Todos eles tinham maldições, literalmente, e Kyouka não queria piorar a situação para ninguém. No momento, contudo, Acnologia teria recebido de bom grado qualquer distração.

— Até mais tarde, otários! — disse Jackal — Vou voltar para a cidade. — finas linhas de tensão se delinearam em seus olhos; olhos que, naquele momento, emanavam um tom de ouro embotado em vez de brilhar de satisfação. — Não tive mulher ontem à noite nem hoje de manhã. Essa história toda… — ele fez um gesto com a mão em direção à porta — …fez uma sacanagem com a minha agenda. E não no bom sentido.

— Vá! — disse Mard Geer.

O guerreiro hesitou e olhou de relance para a porta. Ele lambeu os lábios.

— A não ser, é claro, que me deixes entrar no quarto...

— Vá. — Tempester gesticulou, impaciente.

— Quem perde são elas. — Jackal encolheu os ombros, deu meia-volta e se foi.

Acnologia sabia que devia se oferecer para tomar conta das mulheres. Afinal, era provavelmente por causa dele que elas estavam lá. Mas precisava ver Lucy. Não, não precisava. Queria. Melhor assim. Ele não precisava de nada. Menos ainda de uma humana com motivos questionáveis que já estava marcada para morrer.

Mas ele percebeu que, como não sabia o que os deuses fariam em seguida, ele não queria desperdiçar mais nenhum momento. Procuraria Lucy, mesmo não tendo dominado o dragão por completo. Além do que, ele talvez jamais fosse ficar calmo em se tratando daquela mulher. E era melhor fazer o que queria fazer logo, antes que fosse forçado a... Ele nem suportava imaginar.

— Mard. — ele começou.

— Vá! — repetiu seu amigo. — Faça o que precisar para se controlar. Sua mulher...

— Lucy está fora de discussão! — reagiu Acnologia, já sabendo o que ele queria dizer. Sua mulher é um problema que precisa ser resolvido o mais rápido possível. Ele também sabia disso.

— Apenas tire-a de sua cabeça e, depois, faça o que precisar ser feito para que ao menos parte de nossas vidas volte ao normal.

Acnologia assentiu e deu meia-volta enquanto parte de si se perguntava se sua vida normal era algo ao qual valesse a pena retornar.

Entrou no seu quarto sem saber direito o que iria encontrar. Lucy adormecida? Lucy nua e de banho recém-tomado? Lucy pronta para brigar?

Lucy pronta para o prazer?

Para sua irritação, o coração batia descompassado. As palmas das mãos estavam suando. Tolo, ele se censurou. Não era um humano, um servo do medo, nem inexperiente. Ainda assim, não sabia exatamente como lidar com aquela mulher, aquele... castigo. O que ele não esperava era encontrar Lucy inconsciente, caída no chão, cercada por uma poça escarlate — sangue? — que lhe empapava os cabelos e as roupas.

As trevas lhe causaram um calafrio.

— Lucy? — sofreou. No mesmo instante, ele foi para o lado dela, se abaixou, gentilmente a virou e tomou nos braços. Vinho, era só vinho. Graças aos deuses. Havia gotículas sobre seu rosto extremamente pálido que pingaram sobre ele. Ele quase sorriu. Será que ela havia bebido muito?

Ela era tão leve que ele nem sentiria que a tinha nos braços se não fosse o formigamento que passou da pele dela para a dele.

— Lucy, acorde.

Ela não acordou. Na verdade, parecia ficar cada vez mais inconsciente; o movimento detrás de suas pálpebras cessando. Ele sentiu um nó na garganta e pronunciou com dificuldade as palavras seguintes.

— Acorde por mim.

Nem um gemido, nem um suspiro.

Preocupado com sua falta de reação, ele a carregou para a cama, arrancando-lhe o casaco molhado e jogando de lado. Apesar de não querer soltá-la, ele a deitou sobre o colchão e segurou-lhe o rosto com as mãos. A pele estava gelada.

— Lucy.

Nada de resposta.

Será que ela... Não. Não! Ele sentiu o estômago afundar como se tivesse engolido bolas de chumbo ao colocar a palma da mão acima do seio esquerdo de Lucy. Primeiro, ele não sentiu nada. Nada de batidas, fortes ou leves. Quase rogou uma praga aos céus. Então, de repente, ouviu uma batida fraca. Uma longa pausa. Mais duas batidas fracas.

Ela estava viva.

Seus olhos se fecharam brevemente, os ombros afundando de alívio.

— Lucy. — Ele a balançou gentilmente. — Vamos, linda. Acorde. — o que havia de errado com ela, em nome do seu pai?

Ele não tinha nenhuma experiência com mortais bêbedos, mas achava que havia algo de errado. A cabeça pendeu para o lado; as pálpebras continuaram fechadas. Seus lábios tinham um bonito, mas nada natural, tom azul. O suor lhe descia pela testa. Ela não estava simplesmente bêbada. Será que ela havia ficado doente depois de passar a noite na cela? Não, ela teria dado sinais antes. Será que Jackal havia tocado nela sem querer? Certamente, não. Ela não estava explodindo.

Então, o quê?

— Lucy.

Não posso perdê-la. Ainda não.

Ele não se cansara dela ainda, não a tocara como sonhara tocar, não falara com ela. Ele piscou os olhos, surpreso. De repente, se deu conta de que queria conversar com ela. Não apenas saciar sua vontade dentro daquele corpo. Não apenas interrogá-la. Mas conversar. Conhecê-la e descobrir o que fizera dela a mulher que era.

Todos os pensamentos de matá-la evaporaram; em seu lugar, brotaram ideias claras de salvá-la.

— Lucy. Fale comigo. — grunhiu. Ele a sacudiu de novo, sentindo-se impotente e sem saber o que fazer. Ela continuava a irradiar frio, como se tivesse sido banhada em gelo e posta para secar ao vento ártico. Ele puxou as cobertas e fez uma espécie de túnel ao redor dela, tentando envolvê-la em calor — Lucy. Por favor.

Enquanto ele olhava, hematomas foram se formando debaixo dos olhos grandes.

Seria aquele o castigo dele, então? Assistir enquanto ela morria lenta e dolorosamente?

A sensação de impotência se intensificou. Por mais forte que ele fosse, não podia forçá-la a responder. Ela estava, definitivamente…

Morrendo!


Notas Finais


Próximo: Humana Fraca.
No cry! 😖


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