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História Siegrid - Perdida em Abismos - Capítulo 12


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Notas do Autor


Galeris
Cuidado com o corona, lavem as mãos. Se puderem fiquem em casa.

Quem tá aí de quarentena no tédio; espero que minhas histórias ajudem ;)

Capítulo 12 - Capítulo Décimo Segundo


Fanfic / Fanfiction Siegrid - Perdida em Abismos - Capítulo 12 - Capítulo Décimo Segundo

Eu senti uma mão tocar meu ombro. Olhei para o lado e um garoto de cabelos ruivos me encarava com curiosidade. Sinceramente agora que eu olhava para ele eu tinha dúvidas se ele era loiro ou ruivo, já que o tom ficava exatamente entre as duas cores.

— Está tu... Wow! –  Ele interrompeu a frase assim que seus olhos analisaram melhor meu rosto.

— Oi, estranho – Eu disse.

— Estranho.... Você é a cara de Keefer!

Respirei fundo, eu estava tentando fugir de Keefer, não estava nos meus planos explicar a um estranho que eu era sua filha perdida.

— Não! Você é Kaysar?! – Ele falou em um tom de voz estupidamente animado. –  Eu sou Bjarne! O vizinho! Kaysar!

Seria pedir muito para que ele fosse infeliz? Só um pouquinho infeliz.

— Eu não creio que é você! Preciso chamar minha mãe, ela não vai acreditar.

Em um movimento rápido agarrei seu pulso impedindo de ir. Ele me encarou, o sorriso sumira de seu rosto juvenil e a confusão se instalou em suas feições. Eu estava com cara de poucos amigos, provavelmente.

— Bjarne – Eu tentei soar o mais calma possível. – Vamos deixar sua mãe fora disso por enquanto, está bem? – Soltei seu pulso e respirei fundo.

 — Desculpe, é que eu meio que... – Ele parecia escolher bem as palavras antes de usá-las – Eu... eu passei a minha vida inteira...

Eu fiquei de frente para ele e o interrompi colocando meu dedo indicador em seu lábio silenciando.

— Bjarne... Eu acabei de descobrir que meu pai está desaparecido, minha mãe criou duas crianças sozinhas por minha causa, por causa do meu sumiço. Eu não quero lidar com as expectativas de mais alguém no momento, está bem?

Ele assentiu meio cabisbaixo

— Perdão. – Se limitou a dizer.

Eu sai andando literalmente deixando o passado para trás. Precisava encontrar Haldor a todo custo. Passei pelas primeiras vendinhas próximos ao cais. Haldor estava a conversar com uma jovem enquanto Delanir brincava com um garoto um pouco mais novo que ela.

Eu confesso uma parte de mim, uma pequena parte de mim, se sentiu enciumada que Haldor estivesse de conversinha com uma dama. Mas os sentimentos que eu queria afogar eram muito mais profundos e sombrios que quaisquer ciúmes.

Andei em sua direção destemida e puxei suas mãos, pedindo perdão e licença a dama que lhe dirigia a palavra. Haldor olhou-me em uma confusão sem tamanho.

— Como foi com sua mãe? – Ele perguntou enquanto eu continuava a puxá-lo contra sua vontade para dentro da cidade.

— Haldor! – Eu o empurrei contra o muro de uma casa – Algumas pessoas descontam suas frustrações em comida, outras em bebidas, eu... Bem, eu não sei qual é meu modo preferido até o momento, Haldor, mas eu preciso muito esquecer da minha vida por um segundo.

Dito isso, beijei sua boca com ânsia pelo seu toque. Haldor ficou hesitante, retribuiu o beijo, mas se demorou a pôr as mãos ao redor do meu corpo. Parei o beijo e o encarei.

— Há algo errado? – Perguntei.

— Kasar... Eu quero muito ajudar-te a esquecer do que quer que seja, mas primeiro, estamos no meio da rua. Segundo, eu não quero que você tenha a mim por uma frustração, eu quero que seja algo ciente, algo que você queira.

Respirei fundo, era doce que ele pensasse no meu bem-estar, era doce que ele não quisesse que eu fizesse coisas que podia me arrepender, mas honestamente não estava acostumada com tamanho protecionismo.

— Senão for com você, vai ser com outro.

Ele arregalou os olhos completamente assustado com a minha frase.

— Não senhora. – Ele agarrou meu quadril, puxando-me para perto, fazendo com que meu corpo inteiro sentisse o dele. Uma sensação de calor se espalhou por mim, trazendo a meu peito um fervilhar. Isso era suficiente, nesse segundo eu estava dividida entre odiá-lo por querer me impedir de cometer meus erros, e ao mesmo tempo era refém do seu olhar tão próximo, da sua voz mandona. Era como hipnose, eu deveria dizer.

Eu o beijei de novo, desta vez ele me beijou com vontade. Por um segundo pensei que estávamos a sós, pois a decência havia nos deixado.  Eu sentia que minhas pernas fraquejariam a qualquer momento. Como se meu corpo não pudesse suportar a ausência de seu toque, mas estávamos no meio da rua, então agarrei seus cabelos, já que era tudo que eu poderia agarrar.

Eu senti seu corpo reagir ao meu, contra meu ventre, houve uma urgência dentro de mim, querendo tocá-lo. Eu o afastei. Se continuasse este beijo, eu tiraria sua roupa na frente de qualquer um, nem que fosse o Papa.

— Acho que isso é o suficiente de esquivas para meus reais problemas. – Eu disse.

— Eu não achei o suficiente.

Ergui a sobrancelha em questionamento e ele me puxou pelo quadril novamente, me fazendo girar em 180 graus. Parei encostada a parede que antes ele estava encostado, e ele me beijou novamente. Tomando-me como sua pela audácia de sua língua contra a minha. Puxei seu cabelo comprido na nuca e cravei as unhas da outra mão na pele de seu pescoço. Haldor gemeu de dor e tesão. Mas estávamos na rua, onde em geral não se era permitido nem dar beijinhos de bom dia.

Paramos em seguida. O encarei por tempo demais, sentindo aquela conexão pecaminosa perdurar entre nós dois. Eu estava pensando nele sem roupas, e ele provavelmente estava a me imaginar sem roupas também. Bem, ele já vira boa parte quando me viu apenas de chemise.

— Não conte a Delanir. – Foi tudo que eu disse enquanto eu me afastei dele. Ele tinha razão, qualquer coisa que eu fizesse além de um beijo eu iria me arrepender. E eu estava sorrindo feito boba ao pensar nos nossos amassos furtivos de cinco minutos atrás.

Como toda felicidade é efêmera, eu deveria pensar no que estava a me aguardar. Eu não podia fugir da realidade para sempre. Eu iria ao evento com Keefer, eu iria me dar a oportunidade de conhecer tudo por aqui. Se foi minha culpa ou não que meu pai saiu, que tudo desandou como andou. Se não há quem culpar ou a quem não culpar, tanto faz...

Eu estava aqui agora.  Com um homem que poderia me trazer alegria, com uma família que possuía o mesmo sangue que eu.

Você, Siegrid, bem, você ainda está aqui dentro também, mas eu iria te arrancar para fora de mim, não importa o quanto doesse, não importa se isso fosse uma mutilação. Você não cabe mais na minha vida.



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