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História Siegrid - Perdida em Abismos - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Décimo Primeiro.


Fanfic / Fanfiction Siegrid - Perdida em Abismos - Capítulo 24 - Décimo Primeiro.

Eu voltei para o forte com um dente principal de Lua no meu pescoço. Prendi o outro no pescoço de Crepúsculo, que pareceu agradecido. A bagunça ainda estava formada. Algumas pessoas ajudavam a separar os mortos. Eram muitos corpos.

Reconheci Olívia, a garota alta que não gostava de mim. Ela estava perfurada no peito e com a roupa rasgada em um canto mais afastado do forte. Seus olhos estavam abertos e vagos. Eu os fechei e fiz uma breve oração por sua alma. Por mais que ela me odiasse, ela tinha seus motivos, e eu não poderia jamais desejar que ela morresse.

Um Maltês passou por mim e eu o chamei.

— Tem uma aliada aqui.

Ele veio até ela e a levou para junto dos outros corpos. Segui para dentro da instalação. Denzel surgiu a minha frente, parecia já ter se lavado do sangue.

— Você está bem. — Eu o abracei forte. Ele retribuiu o abraço.

— Você também. — Sua voz era alivio completo.

— Tamyra? — Perguntei e busquei em seus olhos prévias de sua resposta.

— Ela está, teve alguns cortes simples, por causa da muralha caindo..., mas nada grave.

Eu assenti e o abracei de novo.

— Adelyn, no entanto, — Ele começou — está a passar por um procedimento. Acredita-se que se sair com vida perderá uma das pernas.

— Coitada! Quem mais tem notícias?

— Reese quer que você vá ver ele. Ou pelo menos é a informação que Luke me passou.

Eu olhei confusa, nem sabia que Luke sabia que eu falava com Denzel. Mais confusa ainda com Reese querendo me ver depois do que conversamos.

— Reese? Tem certeza?

— Sim, ele está ferido. Luke e Katarina estão bem.

Eu assenti.

— Tyrese?

— Ele está bem, ele que está comandando a ala dos feridos, então está bem ocupado. Você sabe, druidas nunca deixam de ser druidas.

Eu assenti. Amava aquele homem de todo coração.

— Onde fica esta ala? Preciso falar com Tyrese — Expliquei.

— Está no pavilhão norte... Onde era um dos salões de baile.

Eu assenti e o abracei forte de novo. Segui para dentro do forte, estava tudo quieto, o luto deixava os lugares quietos, as cabeças barulhentas e os corações doloridos, eu acho. Passei por uma saleta e ouvi alguns sussurros. Aquele acumulado de vozes sussurradas que perturbava o silêncio total do lugar. Não resisti em olhar pela porta. Kasar estava de pé muito próxima de Haldor, ele tinha uma de suas mãos pousadas no quadril de Kasar e a outra acariciava seu queixo. Eram toques íntimos demais.

Eles falavam muito baixo para que eu pudesse ouvir. Kasar abaixou o olhar e encostou seu rosto no peito dele. Ela poderia me ver se abrisse os olhos, me retirei.

Pavilhão norte! Pensei com firmeza meu destino, engolindo tudo que havia dentro de mim depois do que eu acabava de ver. Talvez estivesse anestesiada pela dor da perda de Lua. O que era mais um tapa quando já se estava toda fodida, não é mesmo? 

Chegando lá, várias pessoas feridas gemiam de dor em todo o cômodo, amontoadas no chão, envolvidas em lençóis. Aqui o silêncio era distante. Só havia dor e agonia. Era péssimo. Era palpável. Tyrese estava de pé a sair da outra saleta, onde ficava uma espécie de sala intima de bailes.

Ele enxugava as mãos com o olhar preocupado olhando para Tamyra, que estava em pé. Fiz o que pude para não correr e não desrespeitar o sofrimento dos adoecidos. Abracei Tyrese antes que ele visse quem eu era. Não demorou muito para suas mãos me acolherem.

— Siegrid, minha querida.

— Lua... — Eu disse lutando contra o nó que se armava em minha garganta.

Ele não precisou de mais nada, apenas me envolveu em um abraço mais forte.

— Sinto muito, Siegrid. — Ouvi Tamyra dizer atrás de mim. Agarrei sua mão sem soltar Tyrese.

Não passou muito até que Tyrese teve que se afastar para cuidar dos enfermos. Eu abracei Tamyra até que a voz de Reese me chamou atenção. Ele chamou meu nome algumas vezes. Eu andei em sua direção. Ele estava com um curativo que protegia todo seu abdômen. Estava sem camisa com as mesmas calças que usava na guerra.

Eu segurei sua mão. Ele estava pálido.

— O que houve? — Perguntei.

— Depois que você se afastou, uns três sulistas reconheceram meu irmão — Ele falava devagar. Como se aquilo fosse muito difícil para ele. Eu apertei mais sua mão. — Diabos, Siegrid — Ele deu um sorriso fraco — Se apertar minha mão com tanta força, pelo menos irá me distrair da dor na barriga.

— Pare de graça. Está doendo tanto assim? Sua barriga, quero dizer.

— Sim. — Ele me olhou. Seus olhos em geral tão maliciosos estavam quase solícitos.

— Como você arrumou isso aí?

— Como eu ia dizendo, eles viram meu irmão. Acho que reconheceram. Dois seguraram Katarina por trás. E três foram para cima do meu irmão. Meu irmão estava saindo de si, porque os caras começaram a pegar em Katarina, sabe? Para provocá-lo. Eu me meti, obviamente. Mas eu era um. Antes do Lobo de Norge me ajudar, eu acabei ganhando um buraco novo no meio da barriga.

— Você se sacrificou pelo seu irmão?

— Claro, Siegrid. Eu sei que tu pensas que eu sou sem coração, mas eu amo Luke, entende? E eu acho que posso entender o que ele sentiu quando viu Katarina daquela forma.

— Até parece, Reese. — Revirei os olhos.

— Eu sei que eu fiz tudo errado com você, eu não havia visto a gravidade das minhas atitudes com você até o casamento de Katarina. Eu te dei todo o espaço que você quis nesse meio tempo. Eu queria muito que você me perdoasse. Eu gosto de você, já lhe disse isso... — Ele fez uma pausa e pensou nas próprias palavras — Eu amo você, Siegrid.

Eu ri

O que me restava além de rir? Mas não porque era engraçado, era um riso histérico.

— Está bem, Reese, você me ama.

— Eu prometo que não irei mais incomodá-la, irei respeitar qualquer pedido seu. Posso me redimir da forma que for, mas por favor me perdoe.

Olhei para sua cara cansada. E se ele morresse? Ele merecia morrer com meu perdão? Ou ele merecia arder no inferno? Se eu queria o perdão de Kasar pelo que eu fiz, eu deveria começar a me perdoar, e perdoar quem eu culpei. Quem sabe assim em vida eu encontraria a paz. Afinal, ele está tentando. E perdoar não significa que irei correr para seus braços, apenas liberto a nós dois da única coisa que ainda nos une. A mágoa.

— Está bem, Reese. Eu te perdoou. Pare de choramingar agora, e trate de melhorar essa barriga. Seu irmão precisa de você, mas por favor me esqueça. Arrume outra para amar, e não use suas merdas de sedução com ela. A ame de verdade e espere pelo tempo dela.

Ele acariciou minha mão lentamente. Com um sorriso fraco nos lábios pálidos. Deve ter perdido muito sangue para estar tão pálido. Eu não esperava que minhas palavras fizessem grande diferença para ele, e que ele fosse de fato melhorar como pessoa, mas é a fé que move o mundo. Eu depositava agora nele a fé de que eu estaria livre de me lamentar pelo nosso encontro, e de que isso venha a servir de aprendizado para ele em algum nível.

— Obrigado, Siegrid. Eu não sei se você está só me silenciando ou se realmente me perdoa, mas obrigado. Significa muito para mim.

Eu dei um beijo em sua testa, a fim de demonstrar a sinceridade dos meus sentimentos de perdão. Soltei sua mão e me virei para ir para fora do cômodo. Kasar estava parada na porta, com os olhos fixos em mim e em Reese. Sua expressão era séria e misteriosa. Difícil dizer o que ela sentia ao ver isso. Difícil dizer se ela sentia alguma coisa.

Comecei a andar na sua direção, ela me deu as costas e saiu do cômodo. Apertei o passo. Quando estava fora da ala de enfermaria corri e puxei seu braço. Ela ergueu sua sobrancelha olhando para minha mão em seu braço. Como uma ameaça silenciosa. Soltei imediatamente.

— Precisamos conversar, Kasar. — Eu disse. — Chega disso...— Mexi as mãos fazendo um movimento de vaivém entre ela e eu. Insinuando a distância entre a gente.

Seus olhos verde água nunca soaram tão críticos, tão céticos. Eu senti um arrepio correr pelo meu corpo quando percebi que para ela eu era uma estranha. Seu olhar não era cheio de amor, cheio de fraternidade. Tive o instinto de me encolher e me abraçar, mas não o fiz.

— O que exatamente, Siegrid? Parece que o mundo continuou seu curso desde a última vez que nos vimos.

— Acho que eu posso dizer o mesmo sobre você, Kasar.

Ela deu um passo à frente ficando bem próxima de mim, mas não era para me beijar ou me abraçar. Um brilho frio passou seu olhar enquanto me encarava quase sem piscar. Sua boca era uma linha fina e raivosa.

— Você queria o que? Que eu fosse embora e lamentasse para sempre que você me traiu? Eu fui atrás de fechar a ferida que você abriu dentro de mim, Siegrid.

— Eu posso ver que o curativo é um homem alto, forte, moreno!

Ela riu de forma irônica e deu mais um passo à frente, e eu dei mais um para trás.

— Você não pode estar falando sério. Depois do que você me fez você tá com ciúmes de Haldor?! Vamos falar sobre seu beijo na testa de Reese. Parece que minha presença só atrapalhou o casal, afinal foi eu sair daqui e você correu para cair nos braços dele de novo! Não me admira que ele não esteja casando com você, já que já tem você em seus lençóis quando quer.

O que?!

— Você não disse isso!

— Eu disse sim!

— Você por acaso casou com Nancy? Comigo? Com Haldor?! — Eu gritei.

— Quem disse que eu dormi com Haldor?! — Ela gritou de volta. Ela continuava avançar na minha direção, enquanto eu dava passos para trás. Logo eu estava encurralada contra a parede.

— Então me diga que não dormiu!

Ela endireitou a postura, e afastou seu rosto do meu. Seu olhar era sério e levemente ressentido. Podia ouvir os seus miolos pensando no que havia dito.

— Eu sabia. E você ousa querer insinuar que eu que me entrego fácil. Aliás, eu te digo mais, Kasar, ou Kayser, seja lá que porra de nome imbecil você tenha arrumado nessa crise de dor de cotovelo, eu sou mesmo fácil, sabe por que?! Eu não quero casar, eu quero me divertir. E eu tenho me divertido muito.

Ela arregalou os olhos, mas logo voltou ao seu olhar impassível anterior. Mas arrastou seu foco para outro lugar. Virou para fitar a parede ao nosso lado. Eu sabia que a tinha machucado. Eu não sei se queria isso. Eu queria poder voltar atrás e retirar tudo que eu disse.

— Desculpe... eu... — Eu disse.

Ela voltou a olhar para mim, havia um brilho nos seus olhos difícil de distinguir. Raiva?

Sem pensar, eu comecei a dizer tudo que surgiu em minha mente, em uma avalanche emocional que eu desabei nela. Iria para o tudo ou nada. Eu queria resolver essa situação, e aprendi com Reese que quando falamos o que sentimentos damos a chance de reconciliação. De paz. Seja no ódio ou no amor.

— Kasar. Eu sei que eu feri você... Eu não quero brigar, não mais. Eu queria te contar tudo que tem em meu coração agora se você estiver disposta a ouvir. — Ela me olhou e fez um aceno muito sutil com a cabeça, aquele brilho misterioso de raiva continuava a emoldurar seu olhar sedutor — Eu sei que eu te machuquei e eu sei que 3 ou 4 meses não irão apagar isso. Existe um espaço entre a gente... e não é físico. Não é porque você foi embora. Nós abrimos esse buraco entre a gente. Nós duas erramos uma com a outra repetidas vezes, e de alguma forma isso foi maior que nosso amor, não sei como, porque sempre que eu penso em como me sinto sobre você, parece que é meu sentimento é muito maior que qualquer coisa. Primeiro com Nancy, quando por um erro eu acreditei que você a amava e não a mim, quando eu achei que você não lutaria por mim.

“Depois, Reese... Honestamente, Kasar... Eu não sei o que houve com ele. Eu queria ter dito isso antes, mas não sabia. Nem quando eu assumi o que houve eu consegui falar em voz alta. Eu não sei se queria estar com ele. Reese admitiu ter usado seus poderes de sereia em mim. Ele me seduziu quando eu estava confusa pelos meus desejos, quando eu estava quebrada por ter você longe de mim e nos braços dela

Eu entendo que você buscou no Haldor algo, porque eu fiz a mesma coisa. Eu me enrosquei no lençol de outras pessoas à procura do que você sempre me dava. Não era Reese, no entanto. O que você acabou de ver fora apenas eu perdoando-o pelo mal que me fez”

— Como assim você o perdoou?! — Agora a feição de raiva enrugando sua testa era nítida.

— Sei lá, Kasar, não fazia sentido. — Dei de ombros — No fim odiá-lo me mantinha mais presa a ele do que livre. E eu queria ser livre, eu queria perdoar a mim. Eu precisava seguir com a minha vida, não?

Ela assentiu, mas o bico birrento que seus lábios faziam eram claros para mim que conhecia aquela carinha tão bem. Coloquei a mão em seu queixo e uma caricia suave.

— Não faça essa cara. Você me parte o coração quando fica assim.

— Você me parte o coração quando não enxerga o óbvio. — Ela disse — Eu deveria saber, o que eu mais amava em você era sua cegueira. Como você sonhava que um dia casa...— Ela parou de falar. Sua postura ficou levemente tensa.

— É, eu queria casar com você.

— Achei que tinha dito que queria se divertir e não casar.

— Eu queria casar com você. Outra pessoa não serve, e você foi embora. O que me machucou muito, porque aquela noite eu achei que você ia me perdoar, eu me enchi de esperanças. Você brincou com meus sentimentos partindo sem dizer adeus.

— Eu sei. — Ela fechou os olhos e respirou fundo — mas eu tive que escolher entre os seus sentimentos e os meus. E depois de tanto tempo me sacrificando por todo mundo eu resolvi ser um pouco egoísta. Eu sei que não foi certo, eu peço desculpas se seu coração acabou no meio do o caminho, mas eu precisava desse tempo. Eu precisava... — Ela respirou fundo — Eu descobri que minha vida fora uma mentira, Siegrid. Eu não sou do Norte, eu não sou de Bohemia. Eu sou de Norge! Uma terra longe daqui. Além água. Nós somos descendentes de espíritos antigos, criaturas meio homem meio lobo. Eu cresci acreditando que meus cabelos eram amaldiçoados, eu cresci acreditando que ninguém me queria, o que me fazia aceitar qualquer meio amor como uma dádiva. Acho que pode imaginar minha cara quando eu descobri que existia um monte de gente igual a mim. Com esses malditos cabelos brancos.

Eu sorri.

— Eu amo seus cabelos brancos, você foi a primeira e única mulher que me chamou a atenção desde o início, Kasar.

— Kaysar é meu nome de nascimento, como fui levada o nome foi se perdendo... e começaram a me chamar de Quasar, por alguma razão a escrita permaneceu parecida com Norgeniano. — Ela ignorou meu flerte.

— Desculpe ter chamado de imbecil. Eu só fiquei enciumada que Haldor a chamava a assim.

Ela assentiu.

— Eu queria encontrar algum jeito de que fosse possível te amar de novo. — Eu admiti. — Eu senti muito a sua falta, todos esses dias. Nem que fosse apenas para te espiar andar por aí. Eu perdi tudo no último ano, minha família, minha honra, minha inocência, o direito de pertencer ao forte, Lua, você — Eu abaixei minha voz e desviei o olhar — Eu queria muito ter você de volta.

— Sigi...— Ela sussurrou o apelido carinhoso, cheio de afeto, cheia de súplica. Como se eu tivesse finalmente atingido ela em seu ponto fraco. Eu sentia tanta falta disso, dessa voz, desse apelido, dos seus braços. Doía, doía como o diabo.

Eu apoiei meu corpo na parede, temendo que meus joelhos me traíssem. Ela encostou a testa na minha. Ficamos de olhos fechados. O único som no cômodo eram nossas respirações em sincronia bailando no pequeno espaço entre nossos corpos.


Notas Finais


https://www.youtube.com/watch?v=IwktQfHtavE

Já havia falado desse vídeo antes, mas foi na época que eu estava escrevendo este capítulo

"Há coisas que eu queria dizer, mas eu estava com muito medo. Há coisas que eu deveria ter te contado e agora é muito tarde. O que tivemos era lindo, eu não queria ter estragado tudo. Todos os dias eu penso sobre a verdade. Eu queria que eu fosse corajosa o suficiente para amar você.
Tirar todas as paredes que eu construí, como ninguém nunca fez antes. A pior parte é não saber se nós eramos destinadas a ficar juntas"
(tradução da letra da música feita por mim, então huahauha).
Mas é isso, eu achei a musica por acaso em playslists que usava pra escrever e achei a letra muito a cara de Kaysar e Siegrid nesse 3 livro, então. Fora que amo trilhas sonoras hauhauhaa. Espero que gostem xD


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