História Sign of the times - Capítulo 4


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Categorias Harry Styles, Niall Horan, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags Harrystyles, Segundaguerra
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Palavras 2.261
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eai, babes
O que acharam da nova música do Harry? Eu amei
Me contem nos comentários ;)

Capítulo 4 - 004 - Your name


— Me ajude aqui, venha! — Aproximei-me da mulher sentada na ponta da cama com a perna do britânico sobre o colo. A saia de seu vestido claro já se encontrava rubra.

Prendi a respiração quando aquele cheiro forte atingiu minhas narinas. Juliet tinha uma agulha já com uma linha escura junto. Ao seu lado, uma pinça grande, que agarrava um projétil pequeno. Aquilo explicava os gritos ouvidos por mim do lado de fora, próxima a aeronave, há alguns metros da residência.

— Segure a perna dele! Não vou conseguir costurar se ele continuar a dificultar meu trabalho. 

Com as mãos trêmulas, dei a volta na cama e me sentei próxima a coxa esquerda dele, posicionei meus dedos envolta de sua panturrilha e fiz força tentando imobilizá-lo. A verdade era que ele era muito mais forte que nós duas e estava descontrolado. Também pudera, Juliet havia extraído uma bala que ela mesma havia colocado nele sem nenhum anestésico.

Aquilo por si só já era tortura.

Virei meu rosto e passei a encarar a vista da janela semi aberta ao meu lado, tamanha era a minha repulsa ao estar numa situação daquelas.

Eu sabia que ele era uma ameaça. Vi quando tinha tentado me matar. Os soviéticos tinham os britânicos como inimigos e vice e versa, mas para mim eles eram pessoas como nós, só que falavam outra língua e viviam numa cultura diferente da nossa. Éramos todos feitos de carne e osso, sangramos igual e sentimos igual. E naquele momento, eu sentia a dor dele.

Apesar de parecer doido e de ir contra tudo o que eu acreditava, quando me virava e olhava em seu rosto sujo, molhado pelo suor e lágrimas, eu o sentia!

Aquilo era uma novidade enorme para mim. Porque apesar de na minha conversa com Cornélia na noite anterior eu ter dito para ela aprender a sentir, eu estava me referindo a sentir as pessoas que amamos, não um completo desconhecido! Ainda mais alguém que quase tinha atirado contra mim e me via como inimiga. 

— Prontinho. — Larguei sua perna, levantando-me rápido, ainda tonta ao processar aquela nova informação. — Vá até a cozinha, esquente um pouco de água, por favor. — Acenei com a cabeça indo até a saída, olhando para ele de canto de olho.

Estava silencioso, ainda chorava, com o braço sobre a testa, que estava descoberta a aquela altura. Ela provavelmente tinha tirado seu capacete na minha ausência, notei também uma de suas botas num canto qualquer do cômodo.

— Isso é sangue! — Não havia sido uma pergunta. Cornélia encarava minhas mãos atônita. Não me surpreendi com sua reação nem com a das outras, eu teria a mesma. 

— E-Ele morreu? 

— Não. Está vivo. — Não olhei para Elizabeth ao respondê-la, apenas coloquei a água para esquentar e me mantive calada, a fim de encerrar o assunto. 

Juliet passou pela cozinha praticamente voando, subindo as escadas. Retornou um tempo depois, com uma trouxa pendurada no ombro, lançando-me um olhar significativo. Entendi o recado e desliguei o fogo, pegando a panela com cuidado e despejando uma bacia grande, fiz o mesmo caminho feito por ela encontrando-a inclinada sobre o corpo na cama.

— Deixe no chão. — Disse sem ao menos se virar. Inclinei minha cabeça curiosa, logo, suas mãos foram descendo pelo peitoral do homem. — Me ajude mais uma vez, sim? Depois você poderá ir tomar seu café da manhã.

Cheguei mais perto da cama.

Eu não sabia se ainda tinha estômago para comer alguma coisa.

— Tire o outro calçado. 

Desamarrei sua bota, arrancando-a de seu pé coberto pela meia escura. Juliet terminava de desabotoar o casaco grosso que ele vestia. O machucado no lado direito de seu tronco o fez voltar a reclamar de dor quando foi despido.

— Porcos nojentos. — Praguejou ao analisar a peça verde militar, que continha a bandeira da Inglaterra juntamente com o brasão da Força Aérea Real. Ele a encarou como se pudesse entendê-la, mas nada fez ou disse, não parecia ter forças. 

O desgosto em sua expressão era quase palpável. Juliet não precisava de tradução quando seus olhos claros ficavam praticamente em chamas enquanto ela falava. Era um ódio tão grande, que nem mesmo eu, que convivia com ela há algum tempo, já havia visto nela ou em outro ser humano.

A mulher se levantou, indo atrás de algo na espécie de maleta de primeiros socorros. Eu já havia visto antes,  quando ocasionalmente alguém adoecia ou se machucava. Ela realmente tinha muitos medicamentos consigo, e muito material médico. Clint poderia tê-la ajudado a conseguir tanta coisa, afinal, ele era um velho amigo de seu falecido marido, e a tinha ajudado a bolar seu plano para abrigar algumas crianças em sua casa. 

Retornou com uma tesoura grande, o homem e eu ficamos tensos no mesmíssimo instante ao vê-la investir contra ele com aquele objeto pontiagudo. Ela puxou o tecido verde, encardido de terra e ferrugem, e o cortou num único movimento, exibindo o peito do soldado, que para a minha total surpresa, era repleto de tatuagens. 

— Um hematoma, e dos grandes. — Puxou o que restou do tecido para o lado, revelando uma grande mancha arroxeada. 

Terminou de rasgar sua blusa, deixando seu tronco nu. Encarei seu corpo intrigada. Algumas cicatrizes, muitos desenhos espalhados, mas o que me deixou curiosa foi aquela borboleta, bem no centro de seu peitoral. 

— Pode ir tomar café, Grace. Eu assumo por aqui. — Me dispersei, saindo do quarto, vendo-a pegar a tesoura novamente e começar a rasgar suas calças. Fechei a porta atrás de mim e soltei o ar que nem ao menos tinha percebido que segurava.

 

***


 

Após um tempo dentro do quarto dos fundos, provavelmente banhando o corpo do soldado, ela veio ao nosso encontro anunciando que iria para um banho e que quando retornasse explicaria tudo.

Não sabia muito bem como Juliet iria conseguir a proeza de explicar o inexplicável para aquelas crianças. Eu, que estava lá quando tudo aconteceu antes mesmo de ela chegar, já não saberia dizer o que havia acontecido ali, naquela manhã chuvosa. 

Claro que eu não tinha o mesmo conhecimento e experiência que Juliet tinha com guerras e afins, afinal de contas, eu havia nascido num período de “paz”, pouco depois do tratado de Versalhes ter sido assinado. Aquilo, tecnicamente, deu aos meus pais uma esperança de um mundo melhor e sem conflitos, onde eles poderiam criar uma família. Infelizmente a família numerosa que papai queria não foi possível, já que minha mãe desenvolveu uma doença que a deixou infértil logo após meu nascimento.  

 Era por aquele motivo que eu havia sido criada da melhor maneira que eles conseguiam, ambos me deram o amor que guardavam para todos os filhos que queriam ter, concentrando todo aquele sentimento em mim. E eu não poderia ser mais amada.

Juliet ficou viúva durante a primeira guerra num confronto com os ingleses. Apesar de um outro atrito lhe trazer memórias póstumas do marido, o modo como a mulher nutria um sentimento ruim pelo britânico nos fundos da casa me fazia perceber que ela ainda queria vingança. Assim como todos os loucos que apoiaram aquela ideia insana de provocar outra guerra. 

Apesar dos pesares eu não a achava uma pessoa ruim, não antes de vê-la querer torturar um homem e conspirar para que ele fosse entregue a um inimigo. Mas também nunca consegui enxergar nela a imagem de alguém totalmente altruísta, eu sabia que ela não estava fazendo um favor aos meus pais abrigando-me num ambiente seguro. Minha hospedagem ali havia custado caro, assim como a das outras meninas. Juliet não fazia caridade, não dava ponto sem nó, e principalmente, não ajudava sem ter certeza se o que fez lhe seria benéfico depois.

— Tem um homem na casa, não tenho como omitir a presença dele a vocês. Já que esta é uma situação completamente imprevisível, vamos ter que estabelecer algumas regras daqui por diante.

Sentadas no sofá, a observamos falar caladas. Fazia tempo que não tínhamos uma reunião como aquela, muito menos se tratando de um assunto tão sério. A última vez que nos reunimos tínhamos discutido sobre as divisões das tarefas de casa. Poderia não parecer, mas a residência de Juliet havia virado de cabeça para baixo quando todas nós chegamos com nossas bagagens, modos e idades completamente diferentes.  

— Ninguém entra no quarto sem autorização e muito menos sozinha. A única que poderá entrar sozinha, mas sob a minha supervisão é Grace, que irá ficar encarregada dele. 

— E quanto às tarefas externas? 

— Continuarão sendo dela, o homem não lhe tomará tanto tempo assim e sua estadia aqui é por tempo limitado. — Respondeu a Elizabeth. — A única coisa que mudará para que Grace não fique sobrecarregada é sobre a tutela de Cornélia, que passará a ser sua responsabilidade junto das gêmeas. — A menina de cabelos rebeldes me encarou tristonha, não apenas por ter que ficar com Elizabeth a maioria do tempo, mas também por gostar de passar o tempo comigo. 

Eu não entendia bem o motivo, mas tinha gostado de ficar encarregada de cuidar do soldado. Tinha ciência de que Juliet não havia usado a palavra “cuidar” propriamente dita porque não era aquele seu objetivo. Ela não queria que o britânico tivesse uma boa estadia ali, em sua casa, porém sabia que precisava conservar sua saúde para quando fossem buscá-lo.

 — Quanto tempo ele ficará conosco? — Indaguei.

— Eu não sei, tenho que fazer algumas ligações, informar que tenho um inimigo em minha casa e veremos o quando alguém estará disponível para vir apanhá-lo.

— Vai mesmo entregá-lo nas mãos deles? — Estremeci ao imaginar as barbaridades que o exército soviético poderia fazer com um britânico naquela altura do campeonato.

— Mas é claro, Grace! Eu já te disse e repito agora, em frente às outras para deixá-las avisadas desde já. Não quero que sintam pena daquele homem asqueroso, não quero que confiem nele, muito menos que sejam boas com ele. Trata-se de um inimigo e de um homem muito perigoso, ele tentou atirar em você hoje cedo. — A boca das crianças se abriu num “O” perfeito.

— M-Mas estamos seguras com esse homem aqui? — Cornélia perguntou enquanto os pelos de seus braços eriçaram.

— Sim, ele já está desarmado e machucado, duvido que na situação em que se encontra possa tentar nos atacar. Mas todo cuidado é pouco, por isso só quero que Grace tenha contato com ele. — Todas concordaram em silêncio. — Estamos entendidas então. Vão, podem começar a preparar o almoço. 

Elizabeth e as outras foram para a cozinha, já Juliet permaneceu na sala mas precisamente próxima a estante onde ficava o telefone. Não tínhamos autorização para usá-lo, mas também não víamos motivo para querer ligar para alguém. Nossos pais continuavam sem uma localização certa e o confinamento em que estávamos não nos permitia receber notícia alguma. 

Aquela era uma das poucas regiões que não foram dissipadas pelo exército soviético, já a minha havia sido uma das últimas. O exército Soviético estava usando uma estratégia chamada terra arrasada, contando com o tal “General inverno”, atearam fogo em casas, comércios e fazendas para que nenhum soldado inimigo encontrasse mantimentos, apenas ruínas. A medida em que iam avançando as tropas acabavam perdendo homens para o inverno rigoroso russo, sem mantimentos, num frio imensurável e pior, em território inimigo. 

Enquanto encontrassem o caminho vazio, as tropas iam avançando, e quando já estivessem longe demais para poder recuar, eram pegos de surpresa. Nosso exército planejava vencê-los pelo cansaço da longa caminhada. Para atacá-los quando já não tinham mais forças.

Para mim era tão covarde quanto entregar um homem machucado nas mãos de homens sadios e com uma sede enorme de vingança. 

Tudo naquela guerra era cruel demais para mim, eu entendia que havia muitas questões por trás de todos aqueles combates, porém não entrava em minha cabeça que a única solução que os governantes encontravam era aquela, se enfrentar até a morte de milhões de homens. 

Era devastador ver tudo aquilo acontecendo, meu coração se despedaçou ao ter que deixar minha casa, ver meus vizinhos que lutaram tanto para construir a deles terem que deixa-lá para trás. Juliet sempre dizia que estávamos seguras ali, já que sua residência era afastada da cidade, que não havia sido incluída na rota traçada pelos inimigos.

Mas, se o britânico não estava na rota, o que ele fazia sobrevoando aquela área?

Subi para o andar de cima e me tranquei num dos banheiros. As meninas estariam ocupadas com o preparo da comida, e Juliet tentando ligar para seus contatos. Geralmente ela demorava a encontrar algum contato com tempo disponível para falar, visto que estávamos em plena terceira guerra mundial. A mulher havia sido instruída a ligar apenas quando necessário. E naquele momento sua ligação era realmente necessária. 

Desdobrei os papéis estendendo-os sobre a tampa fechada do vaso sanitário, e ali, sentada sobre o chão frio, comecei a tentar entender o que eram aqueles mapas e o que significavam aquelas palavras amontoadas, que mais pareciam códigos. 

Haviam alguns pontos demarcados por riscos vermelhos, algumas regiões descartadas com um “x” e o que parecia ser a região onde ficava a residência de Juliet, que era o último ponto demarcado do mapa. Apesar de não ser familiarizada com o que quer que fosse aquilo, eu entendi que poderia ser a rota que a aeronave havia feito antes de cair. Mas como os britânicos adivinharam que as casas naquela região não haviam sido incendiadas eu não sabia. E a única pessoa que poderia me responder aquela e muitas outras perguntas estava naquele quarto no andar debaixo.

Na última página, rabiscado no verso, estava algo que Juliet tanto queria saber quando o capturamos do lado de fora. O nome dele.

 



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