História Silence - Capítulo 32


Escrita por: ¢

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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Mistério, Mutismo Seletivo
Visualizações 81
Palavras 1.958
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Não voltei com o tiro porrada e bomba já depois do cap anterior.
Ainda.

Capítulo 32 - Through The Storm


Fanfic / Fanfiction Silence - Capítulo 32 - Through The Storm

“I'll take you through the storm

Those rainy days

Those windy moments

Those freezing nights”

— Pete Masitti & John Barrow


 

Com certeza uma viagem espontânea a Madrid não podia ser tão má.

Yuna impediu o riso ao sentir o sarcasmo pingar através dos próprios pensamentos.

A escapadela chegou cedo e repentina. Perguntava-se se tinham adivinhado que Victor iria aparecer ou planejavam contatá-lo depois. De qualquer forma, ela já tinha sorte de ter ido junto.

Nyle sentava-se do outro lado da cama naquele quarto de hotel. O cenário não caía bem com a tensão no ar, as cores quentes das paredes sangravam até à colcha onde seu namorado descansava, quieto como o silêncio do momento.

Aquele lugar fora feito para tempos diferentes; não para o rosto desolado de Nyle que espelhava o seu.

— Vamos? — Ele ergueu os olhos azuis para ela, vazios.

— Já comeu? — Ela suspirou.

— Não. — O queixo de Nyle subiu, surpreso. — Vamos buscar nosso café da manhã espanhol.

Sem sorrisos.

Nyle levantou-se e acompanhou-a pela porta. O corredor do hotel estendia-se interminável. O chão aveludado e a tinta clara não escurecia com a distância, era com certeza mais luxuoso que o último que visitou.

Pareciam séculos desde a última vez que tinha falado com Victor, ou Romeo.

Muito provável que estivessem melhor que eles.

Não queria que Nyle se importasse com os problemas dela naquele momento, por motivos muito mais humildes que os anteriores. Escolheu com cuidado a comida no seu prato. O café da manhã espanhol não era tão diferente do português, pelo menos torradas estavam sempre iguais. Terminou ao pousar um copo colorido de suco de laranja a adornar o tabuleiro.

Nyle já estava sentado numa das mesas, Yuna relaxou à sua frente.

Uma miríade de memórias amargas consumiram-na. Como uma tempestade, um trovão, e jurou ver Katie sentada ao seu lado, os pés balançavam de trás para a frente ritmados como pingos de chuva, acompanhavam aquele olhar nervoso e descontente.

Deixou a nuvem pairar sobre si.

— Está tudo bem? — Ele sempre notava.

Yuna mordeu a torrada e esperou que servisse como resposta. As náuseas sufocavam, cada migalha entupia sua garganta.

— Sim. — Suspirou. — E você? Onde estão seus pais?

— Nem por isso. — Suas sobrancelhas ergueram-se, sentiu-se mal pela desonestidade. — Visitaram o escritório agora, devemos voltar em breve.

— O que você acha que vai acontecer?

— Até encontrarmos a Chloe? Provavelmente nada. — Nyle mal a olhava, e seu reflexo na xícara de chá desvanecia. — Seria estúpido agir agora. Mas não duvido que façam uma relocalização depois.

Partilharam o mesmo arrepio, ela quis segurar sua mão.

— Se alegrem, vocês os dois. — Uma voz familiar ecoou por trás de Nyle e fez Yuna erguer os olhos para a mãe dele. Ofereceu-lhes um sorriso leve, seu sogro não parecia tão ansioso em unir-se à charada. Ainda assim, pareciam mais calmos que esperado.

— Podemo-nos sentar?

— Claro — disse Yuna ao deixar a torrada a meio esquecida no prato.

Nyle não disse uma palavra, esperava. Foi constrangedor para dizer o mínimo. Seus pais insistiam no cenário de viagem em família, a opção era aguardar que a mãe dele quebrasse o gelo.

— Então, melhores notícias primeiro. — Nyle fixou os olhos nela. — Não vêm uma ameaça na investigação do Liam, especialmente considerando suas circunstâncias. — Yuna mordeu o lábio. — Mas querem saber a motivação.

— Tem uma queda pelo Adam e quer encontrar a Chloe por ele. — Yuna encolheu os ombros.

— Liam sempre teve os esquemas mais estranhos, não é? — Riram do comentário do pai de Nyle. — De qualquer jeito, acho que vocês deviam ter uma conversa séria quando voltarem, perguntar por que começou de verdade.

Yuna e Nyle assentiram, não podia deixar de sentir-se suja. Todos os últimos encontros com seus amigos seguiam aqueles padrões.

— Não é uma ameaça porque vão relocalizar o Romeo, né?

O tempo congelou com a pergunta, medo não devia ser ouvido, não tão alto.

Seu sogro revelou uma reação ligeira, fitava o filho com firmeza e cuidado, eram tão parecidos. No entanto, Yuna sabia que Nyle pedia um “não”, e os segundos de espera pesavam no ar.

— Bem… é complicado — disse. — A parceria que garante a proteção do Romeo está indecisa, e visto também estarem a cuidar da Chloe, querem encontrá-la primeiro.

— Que são as piores notícias. — De repente, Yuna arrependeu-se da falta de comida no seu prato. As tonturas eram implacáveis a cada mudança afiada de assunto. — O FBI acha que falharam completamente em encontrar a motivação de Carter, sua estrutura e objetivo.

— O que isso quer dizer? — A voz de Nyle tremia.

— Quer dizer o que quer dizer — respondeu seu pai. — Foi uma falha da parte deles, e admitiram. A  polícia judiciária agiu mediante seus relatórios, os guiou para falhas como aquela com o Victor. A maior ameaça é como se enganaram na estrutura de Carter. — Yuna não se sentia no direito de ouvir aquela conversa. — Seus afiliados não funcionam como pensávamos, estão por todo lado e provavelmente nem são complacentes.

— Então temos que procurar por todo o mundo?

— Neste momento vamos tomar tudo passo a passo, garantir que o Romeo está seguro acima de tudo. Seria ideal saber o que realmente querem antes de fazer alguma coisa, mas Romeo nunca nos contou.

— E não vamos forçá-lo. — Yuna apertou a mão de Nyle.

— Não vamos, mas ele ainda é a única pessoa que pode saber, o que o torna um alvo gigante, especialmente se houver chance que comece a falar — assegurou seu pai. — Carter parece mais preocupado com essa possibilidade que qualquer coisa.

— Passinhos de bebê — continuou sua sogra. — Primeiro temos que saber por que Liam começou a investigar.

Os dois assentiram. Liam era bastante teimoso, mas ainda não era a tarefa mais difícil a lhes ser designada

— Vamos também informar os pais da Chloe sobre a situação mais profundamente. — Yuna tentou não discutir, o fato de terem escondido de seus pais desde o início ainda a fazia fumegar de raiva. — Lhes oferecemos informação básica logo depois do desaparecimento para deixarem de culpar o Adam, mas agora é urgente.

— Por que só agora? — Foi a vez de Nyle apertar sua mão.

— Era parte do programa especial de segurança, algumas das regras foram alteradas e podemos contar-lhes.

— Por que me falaram antes?

Estava mais calma, irritar-se apenas abria caminho para inventarem desculpas.

— Temos nossas razões, você foi uma vantagem no processo de investigação e muito próxima da Chloe. Teve a função com a Chloe que Nyle tem com o Romeo, entende? Um cuidador e apoiante mais próximo e seguro, que pode oferecer informação mais clara em emergências por acompanhá-la todos os dias.

Sem discussões, muito ainda não fazia sentido. Podia confiar neles, não tinha dúvidas. No entanto, era difícil concordar com tudo, por muito que não soubesse a história toda. E aparentemente nem os investigadores sabiam.

— O mais importante é que vamos voltar depois de amanhã.

---

A última vez que tinha viajado para fora do país surgiu por razões distintas; e as memórias teimavam em arrastar-se de volta para a mente.

Não queria lutar. Era Madrid, afinal, ruas recheadas, um passeio com seu amado. Esquecia-se, pela primeira vez, o porquê de estar ali.

Impossível não se lembrar do mesmo país, cidade diferente, companhia diferente.

Barcelona sempre fora uma viagem de sonho para Chloe, era mais difícil para ela viajar, como quase tudo. Apesar disso, a permissão foi garantida a tempo do verão. Acompanhada dos pais de Nyle, certo, mas mal foram uma inconveniência.

— Está entusiasmada para seu voo às sete da manhã? — perguntou Yuna com um sorriso.

Chloe tinha ficado acordada a noite inteira fazendo as malas. Prática como sempre, mudava tudo nos últimos momentos ao aperceber-se que era mais fácil ter todos os documentos e identificação numa mala pequena ao invés da mochila. Assim como moveu grande parte da roupa para a mochila caso perdesse a bagagem, o normal.

— Temos tempo para dormir no avião, temos todo o tempo do mundo!

Yuna não pôde evitar levar Katie, aquela viagem estava fora de questão se significasse deixá-la uma semana sozinha com sua mãe.

— E se eu me perder e não souber o que falar? — A pequena juntou-se a elas no quarto. A casa de Chloe era mais próxima do aeroporto.

— Faça o maior drama possível. — Yuna cotovelou a amiga, que riu alto o suficiente para que seus ouvidos vibrassem ao relembrar.

Como se estivesse ao seu lado de novo.

— Ou vá para uma loja perto e te encontramos, português não é muito diferente de espanhol, eles vão te entender. — Sua irmã pareceu mais calma, não estava ansiosa ao viajar, até estava feliz. Talvez foram os últimos tempos em que aquele brilho nos olhos não era raro.

Chloe sorriu.

— De qualquer jeito, nunca te vamos perder, menina.

E então partiram.

Seu romance com Nyle, ainda novo, implorava por muita insistência de Chloe, que se oferecia casualmente para cuidar de Katie a toda a hora.

Mas não eram apenas as memórias doces com ele que a sufocavam no momento, pois ele estava ao seu lado numa capital estrangeira perto o suficiente para ser desconfortável.

Foi a sua vez de mostrar-lhe a cidade. Bem, o pouco que viu com uma pesquisa na internet. Encontrou hamburgueria no centro da cidade onde as conversas ressoavam altas, vívidas, e o pôr do sol fundia-se com a multitude de luzes, o local perfeito.

Nyle não estava interessado em ficar pelo hotel, muito menos ela. Como sempre, perderam-se, comeram, falaram, riram. Deram as mãos quando o momento certo se apresentou. Recordava-se daquele riso genuíno dele que ultrapassa o ar denso e quente daquela noite de verão e fê-los esquecer que mal sabiam onde estavam.

Nunca estavam perdidos juntos.

Foram noites no hotel com Katie a contar-lhe tudo sobre os momentos partilhados com Chloe e os pais de Nyle. Tudo o que tinha visto, as novas palavras que tinha aprendido… a comida que experimentou.

— Você sabia que “extraño” significa que gosta da comida? — Chloe sorriu sentada no chão em frente à cama.

Katie arregalou os olhos e Yuna riu do lado da irmã mais nova. Ao olhá-la, tentou encontrar resquícios de travessura, mas logo entendeu que as garotas estavam falando a sério, bem, o máximo que puderam no momento.

— Oh.. eu pensei que a Chloe falou que a comida era estranha, me senti muito mal pelo garçom.

Ambas riram de novo, Katie corou antes de render-se à gargalhada coletiva.

— O melhor elogio seria ter comido tudo, pequena.

Yuna respirou fundo.

Chloe estaria tão desapontada; e muito antes dela, Katie iria.

Só que não era tão fácil como lembrar-se e fixá-lo, mudar de ideias e seguir em frente. Certo, Chloe podia se desiludir, sempre foi uma de suas maiores apoiantes durante aquele problema. Mas estava sumida, tinha que entender, talvez entendesse, talvez não. Chloe nunca fora tão compreensiva como era intuitiva. E na maioria das vezes, tinha razão.

E, bem, Katie estava morta.

Então tinha lutado pelo quê aquele tempo todo?  

A questão podia apenas ser evitada, e a resposta mantida entre sorrisos condescendentes e abraços não solicitados. Na maioria das vezes, escondia-se nos olhares profundos que esperavam que ela quebrasse, e assim livrarem-se do peso de responder.

Todos se libertavam menos ela.

Não havia objetivo nem razão. Anos a lutar, a viajar, a falar, a apoiar e ser apoiada pelos que amava. Tudo perdido em segundos. Por que quereria escalar aquele buraco?

Por que submeter-se a isso?

Por que se incomodar?

Em segundos, tudo podia perder-se.

Assim como o tempo que demoraria para cair da ponte que atravessavam no momento. Rápido como a maneira que Nyle analisava a altura, quieto ao amenizar o aperto na sua mão, escapava tão lentamente, mas rápido o suficiente para ela olhá-lo e esquecer.

Apertou-o, recebendo sua atenção dispersa.

— O que se passa? — perguntou, como se programado no cérebro.

— Vamos comer qualquer coisa.

 


Notas Finais


Até ao próximo, com o Adam <3


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