História Silêncio - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Assédio, Machismo, Preconceito, Racismo
Visualizações 16
Palavras 654
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Violência

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu vou falar de um assunto delicado... Então... Quem é sensível eu sugiro que não leia.

Capítulo 1 - É preciso comentar


Fanfic / Fanfiction Silêncio - Capítulo 1 - É preciso comentar


Sete anos, sete anos, sete anos, sete anos, sete anos, sete anos.



SETE ANOS.

Eu tinha exatos sete anos quando aconteceu, nós éramos muito amigos. Eu tinha sete e ele quatorze, era como um irmão pra mim e minha família, saíamos na rua, comíamos, brincávamos, fazíamos quase tudo juntos, eramos como unha e carne, até mesmo esporte nós fazíamos juntos. E foi justamente fazendo esporte que aconteceu. 

Eu amava aquele esporte, como eu amava fazer ginástica, mas depois daquilo toda vez pisava no solo, eu me lembrava. Se eu fechasse os olhos eu ainda podia  perfeitamente visualizar aquele dia.

"Bia, vem comigo beber água?"

E eu fui com ele, porque não? Nós seríamos rápidos e como sempre apostariamos corrida para ver quem chegaria primeiro, mesmo eu sabendo que seria ele por ser mais rápido que eu, mesmo que tivéssemos a mesma altura. Ele bebeu sua água cantarolando enquanto eu pulava de uma lado para o outro me aquecendo e esperando para usar o bebedouro também, mas quando chegou a minha vez ele disse que ia no banheiro e eu só assenti com um manear de cabeça. Eu só não esperava que ele me puxasse pelo braço com força.

O pânico e o desespero que eu senti quando ele me agarrou por trás, foi horrível. Ele se esfregou e sussurrou que seria rapidinho e que ninguém precisaria saber, contanto que fossemos para uma das cabines.

Aquilo pareceu acontecer tão lentamente na minha cabeça, mas sei que foram em fração de segundos. Acho que se eu não tivesse reagido, lhe dando uma cotovelada para lhe afastar e chutando suas partes baixas, para enfim me livrar e sair correndo com tudo o que eu tinha... Eu não sei o que teria acontecido.

Lembro-me perfeitamente que quando eu estava para chegar na quadra onde treinavamos, ele conseguiu me alcançar, mas não me segurou mais, ele precisou apenas gritar comigo para me fazer parar e encará-lo.

"Bia, eu juro que se você contar isso para alguém, seja para a sua mamãe ou minhas irmãs, você vai me pagar caro. Estou falando sério."

E então ele subiu na minha frente me dando um tapinha no meu bumbum, me deixando para trás paralisada por uns segundos. e ao chegar lá ainda fui questionada, com olhares tortos e narizes torcidos, o por que de termos demorado tanto. E eu contei? Claro que eu não contei, disse apenas que demoramos porque eu tive que ir no banheiro. Como eu poderia contar? Eu tinha só sete anos e ele quatorze, eu estava tentando me recuperar de algo que eu sequer pensei que um dia passaria na idade que eu tinha, e ainda fui ameaçada. Eu não podia contar.

Eu não podia.

Anos depois eu descobri que ele agora segurava uma arma, mas não para nos proteger, e sim para lutar contra quem nos protege. Talvez... Talvez se eu tivesse dito algo... Talvez, só talvez, ele não estivesse onde ele está hoje, talvez ele pudesse ter ensinado as outras pessoas a não fazer o que ele fez. Talvez ele tivesse sido uma pessoa melhor... Mas não, eu não falei. Porque não tive coragem.


A culpa foi minha...?

Então por favor papai, não me diga que o racismo, homofobia, machismo e muitos outros vão deixar de existir se pararmos de falar sobre ele. Meus ancestrais não lutaram tudo isso para eu ficar calada agora, as pessoas não vão me respeitar, pessoas não vão mudar, elas vão continuar fazendo comentários racistas, machistas, homofóbicos, e as mulheres vão continuar sendo assediadas. Elas não vão mudar, se eu calar a minha voz, então não me peça para me calar. Porque eu não vou, eu nunca mais vou me calar.

Nunca mais vou permitir que mais uma "Bia" seja assediada, que seja alvo de mais um racista ou homofóbico, para que ela nunca mais tenha de se sentir culpada pela crueldade alheia. Enquanto eu viver eu não vou parar de lutar.


Notas Finais


"Até que pra uma negra você é bonitinha."
"Preferia quando eles ainda eram escravos"
"Você parece um menino com essas roupas, use roupas mais femininas, os meninos gostam de meninas mais femininas."
"É que é a primeira vez em anos que eu não te vejo de short, tive que aproveitar. Haha"
"Você tá começando a engordar, melhor tomar cuidado ou ninguém vai te querer."
"Você sabe que isso não existe não é? Você é só uma bi não assumida"
"Você sabe que ao dizer que se sente atraída por todos você está se taxando de puta não é?"
"Sabe que não é certo se sentir atraída por mulher não é? Você é nojenta!"
"Você sabe que não existe esse negócio de transexualidade não é?"
"Você é feminista? Que vergonha! Põe a b* pra fora aí pra ver se você não se depila msm"
"Feminismo é tão desnecessário"
"Feminicídio é só mais mi-mi-mi"

— // —

"Tive que ouvir que eu tava errado por falar que seu povo me lembra Hitler, carregam tradições escravocratas, e não aguentam ver um preto livre!"( ~Djonga)

Eu digo por experiência própria que se calar não é a melhor opção. Eu podia mencionar muitas outras merdas que eu ouvi só esse ano, mas daria outra oneshot. Graças a Deus, todo o sofrimento que eu passei e ainda passo, serviram para que eu pudesse amadurecer, serviram para que eu pudesse responder a altura de quem sempre me pôs pra baixo. Mas eu sei que existem pessoas que não conseguem, que deixam o sofrimento delas derrubá-las, e assim como eu, muito outros estão lá por essa minoria que não consegue e tem medo de se defender. Porque peixe que nada sozinho morre, mas o cardume sobrevive. Temos que nos unir contra aqueles que nos ofendem, mostrar para eles que somos mais e que não vamos nos calar. Não mais.
Ou não vamos regredir.

Desculpem o desabafo mas eu tava muito indignada com uns papo que eu tava batendo com uns amigo aí, e pra não matar um eu escrevi isso aí.

Amo vcs e até qualquer outra hora.

P.s: Odeio o meu teclado aaaaaaaa


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