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História Silêncio em alto mar - Capítulo 1


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Notas do Autor


O Euron Greyjoy descrito no texto abaixo é pertencente aos livros de As Crônicas de Gelo e Fogo, e, portanto, sua aparência é diferente da descrita na série.

Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 1 - Único.


O vento e a chuva chicoteavam contra os ombros dos Nascidos de Ferro à medida que navegavam em direção ao leste de Westeros. Eram castigados com brisas fortes e inconstantes que sopravam contra as velas do Silêncio, uma das melhores embarcações das Ilhas de Ferro, enquanto alvorecia por detrás de grossas nuvens escuras. Desafiando a tempestade vindoura, os homens puseram-se a puxar as longas velas negras que compunham o único mastro do navio para serem levados pelo vendaval que se formava. 

Seus tripulantes, em sua maioria, eram mulatos altos e fortes, com tatuagens visíveis por todo o corpo e portavam pequenos aneis, braceletes e brincos de metais preciosos. Eram Nascidos de Ferro, teimosos e duros na queda. Mas, claro, com outros tripulantes à altura, trazidos de todas as partes de Westeros pelo Olho de Corvo. 

Eram inconstantes. Vez ou outra, mesmo sem usar palavras, se desentendiam ao manter o navio em funcionamento e sacavam suas adagas. Alguns dos mulatos paravam ao redor para ver a briga acontecer. E, em questão de segundos, o sangue era derramado pelo chão do convés, que, não por acaso, era completamente vermelho, assim como o casco, para ocultar o sangue do qual vive encharcado.

Contudo, o conflito se dissipava rapidamente ao ouvir o som do crivo metálico da bota de seu capitão. O rangido do casco ao seu caminhar era a única coisa audível em alto mar, além, claro, das ondas chocando-se contra o Silêncio e os raios e trovões que escravizavam os mares.

Guardaram, rapidamente, suas adagas e voltaram para suas respectivas posições no navio. Engoliam a seco a dor de seus ferimentos e o rancor do conflito pois temiam, acima de tudo, Euron Greyjoy, seu Capitão.

O homem caminhou lentamente até o tripulante ferido, com seus cabelos negros dançando sobre a ventania e cobrindo o tapa-olho de seu olho esquerdo, que, de acordo com seu sobrinho, era seu olho negro coberto de malícia. Aproximou-se do rapaz sentado, que pressionava o ferimento em seu ombro, e curvou-se um pouco para que pudesse sussurrar em seu ouvido.

—Mas que bagunça fizeste— disse Euron, apoiado no outro ombro do tripulante. O rapaz, recém-chegado, respirava ofegante, enquanto olhava temeroso no olho direito de seu Capitão, que era tão azul quanto o próprio mar. Seus lábios, ainda pálidos e azulados devido aos últimos goles que dera em sua garrafa de Sombra da Tarde, guardavam algo que se assemelhava a um sorriso malicioso— Vai limpar isso ou terei que puní-lo com uma saborosa caneca de urina de nossa tripulação?— perguntou. Em instantes, o jovem deixara seu remo de lado e dera lugar a um esfregão para limpar o convés. 

Olhares eram desferidos pelo restante dos marinheiros para seu capitão. Olhares felizes e gloriosos pela humilhação que o jovem fora submetido. De certo, Euron Greyjoy sabia muito bem como punir ou torturar alguém. Se sua tripulação pudesse falar, a esta altura, estariam gritando e festejando a ameaça do Capitão.

Mas não. Nem um único som era projetado pela tripulação de mudos que compunha o Silêncio. Algumas pessoas enlouqueceriam ao considerar a ideia de navegar por meses sem uma voz ou uma única música. Euron, em contrapartida, apreciava tal cenário de calmaria e quietude. "Se não falam, não podem me comprometer", pensava ele. Exatamente por isso, o Senhor Ceifeiro de Pyke, como era conhecido, cortara cada uma das línguas de seus tripulantes, para garantir que nenhum deles contaria os segredos sombrios de suas pilhagens. Nem uma gota de remorso sequer, essa havia sido a melhor decisão que Euron um dia tomara.

Ouvira um pequeno estralar de dedos, enquanto assistia ao jovem limpar o próprio sangue. Ao olhar para trás, viu que Cragorn, um rapaz alto, careca e com uma tatuagem marcante de um pássaro em seu peito e que assumira o leme na ausência do Capitão, apontava para a frente.

Levantou-se dos degraus que estava sentado e caminhou até a proa do Silêncio, parecendo movimentar-se perfeitamente junto do navio, sem cambalear uma só vez com o balanço do mesmo, algo que Euron já fazia por instinto. Olhou para baixo, apreciando, por um breve instante, a figura de sua proa; a donzela de ferro negro, com seus olhos madrepérolas e sua boca retirada, assim como a tripulação.

Desviando seu olhar, notou, ao longe, a cidade em ruínas de Essos. Ver a destruída Valíria significava que estavam entrando no Mar Fumegante, o perigoso e assombrado por demônios. E não só isso, pouco mais ao leste de Valíria, conseguira ver um galé com quatro feiticeiros de Qarth, aos quais, sem pestanejar, declararia guerra, usando de seus canhões no convés inferior. Euron Greyjoy estava pronto, não temia o Mar Fumegante e nem os feiticeiros.

—O que está morto não pode morrer— disse Euron, iniciando uma das orações do Deus Afogado antes de dirigirem-se ao galé. Após breves segundos sem resposta, lembrou-se que sua tripulação não era capacitada de responder-lhe e deixou que um pequeno riso escapasse do canto de seus lábios pálidos— Mas volta a erguer-se, mais duro e mais forte— completou.


Notas Finais


Apenas um trechinho aleatório que surgira em minha mente.
Euron Greyjoy é, sem dúvidas, um personagem incrível e, infelizmente, pouco explorado no decorrer da série e dos livros assim como o restante de seus irmãos. Àqueles que se interessarem, recomendo pesquisar mais sobre a história do personagem e, claro, a rebelião Greyjoy.

"Nós não semeamos".


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