História Silent pain - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Osomatsu-san
Personagens Choromatsu Matsuno, Ichimatsu Matsuno, Juushimatsu Matsuno, Karamatsu Matsuno, Matsuyo Matsuno, Matsuzou Matsuno, Osomatsu Matsuno, Todomatsu Matsuno, Totoko Yowai
Tags Tougou
Visualizações 38
Palavras 12.996
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Promessa sombria


Fanfic / Fanfiction Silent pain - Capítulo 8 - Promessa sombria

No corredor do hospital tudo era silencioso , os irmãos se sentavam nas cadeiras de espera , todos juntos ainda tremendo por conta da adrenalina gerada em levar o irmão até ali . 
Havia sido uma confusão de policiais quando enfim eles chegaram a casa ao socorro dos Matsunos , mas tudo o que os irmãos queriam ver era uma ambulância . 
Estavam em pânico , já que Osomatsu não lhes respondia , temiam o pior , mas também não sabiam o que podiam fazer além de ficar próximo ao irmão ferido, contendo o sangue do irmão de vazar de vez com as próprias mãos, chorando e entrando em pânico enquanto ele sucumbia a inconsciência , provavelmente em seguida para a morte .
 
Mas por sorte seguido dos policiais , que levaram Tougou sobre custódia, a ambulância logo veio com seu ressoar típico que lhes trouxe certa esperança . 

Os  paramédicos os afastaram de Osomatsu , oa Matsunos apesar de relutantes agiram rápido em deixar que o levassem , sabiam bem que o irmão não tinha muito tempo , não quando seu sangue jorrava tanto de seu corpo que as mãos dos cinco estavam todas banhadas , como se tivessem enfiado-as em um balde cheio de sangue , e não as posto sobre os ferimentos de bala do mais velho para tentar estancar um pouco e ganhar tempo para o mais velho .

Se já fora horrível ver Osomatsu levar os tiros estava sendo pior ainda vê-lo sangrando e perdendo a cor do rosto , mesmo quando estava sendo levado pelos paramédicos , em sua inconsciência doentia onde seu corpo mole os fazia ter a triste sensação de já estava de fato morto . 

Os cinco se reuniram perto da ambulância , meio perdidos e chocados com toda a situação , quando Osomatsu já estava dentro do automóvel o azulado entre os irmãos tratou de assumir a frente abordando um dos paramédicos que ainda se encontrava do lado de fora . 

- E…ele va…vai ficar bem ?!….

Pergunta Karamatsu sem saber formular o que realmente queria perguntar e estava em sua cabeça a algum tempo desde de que viu o irmão tombar com os dois tiros certeiros que lhe sugavam a vida tão rápido ,  “ Ele vai viver?” , mas era no momento algo que insistia em prender em sua garganta , não , ele não tinha tanta coragem assim , por isso tremia os joelhos  mesmo a perguntar aquilo de uma forma mais amenizada . 

O paramédico o olhou impaciente , olhando para Osomatsu de modo preocupado logo em seguida , ele estava com pressa , muita pressa , e isso era um mal sinal , também parecia indeciso do que dizer , pois certamente não tinha boas notícias , mas também não queria deixar em pânico os parentes do paciente , não mais do que já estavam  . 

- Seu irmão esta vivo , só está inconsciente , agora mantenham a calma , temos que ser rápidos a partir daqui , tudo depende disso  , quem vira na ambulância ? 

Pergunta o paramédico encarando os cinco gêmeos de forma decisiva , tinha pena deles , podia ver o sofrimento em seus olhos , e o medo , mas não podia consolar ninguém agora , não se quisesse manter o paciente vivo . 

- Eu vou . 

Fala o azulado rapidamente depois de dar uma leve troca de olhares com os outros que pareciam assustados demais com a ideia de ter que continuar a assistir o irmão morrer lentamente sem que pudessem fazer muito além e olhar e lamentar   . 
Na verdade os quatro casulas pareciam abalados demais para sequer falar , Karamatsu não queria que eles tivessem que ir junto ao mais velho ferido , afinal se Osomatsu chegasse a morrer …..bem nem ele estava preparado para isso , seus joelhos tremiam de medo quando subiu na ambulância acenando para os irmãos o mais confiante que pode . 
Antes de partirem viu que todos os quatros acabaram por entrar em um carro de polícia que foi seguindo a ambulância por todo o percurso , eles viriam também , mas não veriam o que Karamatsu teria que enfrentar agora . 

Ele sentou no banquinho destinado a si bem ali no canto , meio aliviado pois sua adrenalina estava tão forte que talvez acabasse tombando ali dentro , piorando ainda mais as coisas  . 
Os paramédicos logo trabalhavam em volta de Osomatsu a fim de analizar os danos e ir logo o tratando na ida ao hospital . 
Eles o aplicaram sangue , logo depois de perguntar ao segundo Matsuno qual tipo era o dele , depois disso o azulado tratou de desviar o olhar cobrindo o rosto com as mãos enquanto sentia todo seu corpo tremer , o som da ambulância era alto e a rua lá fora podia ser vista , passando rápida como um raio devido à velocidade do veículo  . 
Passou a olhar pela pequena janela , mas nem isso o distraia do estado precário do irmão mais velho que a centímetros de si estava sendo tratado pelos paramédicos . 

Arriscou umas duas olhadas , mas não gostou nada do que via , eles estavam tirando o moletom domais velho , o jogando de lado analisando seu peito completamente ensanguentado e roxo . 

Não olhou mais depois disso , não conseguiria , sentia que a cada olhada o profundo desespero de já ser tudo tarde de mais lhe cresceria no peito como um bicho papão que começará pequeno em sua mente , mas que crescia cada a vez mais a cada visão de relance que tinha do rosto , antes bem vivo e sacana , que parecia agora um retrato mórbido e triste do que conhecia , como se o irmão tivesse saído de uma foto em preto em branco onde ele seria “o fantasma que não deveria estar ali” .

Karamatsu junta as mãos sobre o colo , ele sente então o telefone de totty vibrar contra o seu bolso , quase esqueceu que ele estava ali , havia o colocado assim que finalizou a ligação para ambulância , as marcas vermelhas de seus dedos ainda brilhavam na tela o fazendo ter que limpá-las com a própria manga de seu moletom . 
Era uma chamada de seu pai , podia lê-la na tela , só não sabia se tinha coragem o suficiente para atender no momento , seus sentimentos estavam a flor da pele e ele não queria ser aquele que diria ao pai que enfim haviam achado Osomatsu…mas as coisas estavam bem ruins.  

Apesar disso ele atende logo ouvindo a voz preocupada do patriarca contra o telefone .

- Aonde vocês estão ?! V..vocês ….

- Pai ….a..achamos Osomatsu …n..nós já estamos com ele …

- Como assim estão com ele ?!! E…e Tougou ?!! 

Pergunta Matsuzou assustado, Karamatsu estremece após a menção do nome . 

- Foi preso , a polícia o levou ….eu..eu estou aqui com Osomatsu …os outros estão vindo atrás de carona com a polícia …

- E..está aí ?! Aí aonde ?! Para onde estão indo ?! Estão vindo aqui para casa ?! 

Pergunta Matsuzou em urgência , o filho trinca os dentes por um momento , sentindo seus sentimentos se aflorarem novamente , apesar de seu esforço não conseguiu conter o tom choroso de sua voz a seguir . 

- P…pai ….no..nós estamos em uma ambulância ….e…ele …está machucado ….muito machucado , aquele maldito machucou ele …..

Fala o segundo irmão usando a manga de seu moletom para limpar as lágrimas , ali a diante os paramédicos finalizavam os primeiros socorros , olhando então para o acompanhante de Osomatsu com pena , mas sem dizer nada . 

A linha ficou em silêncio por um tempo , nem mesmo a respiração do Matsuno mais velho era ouvida , ele parecia assimilar o que Karamatsu o dissera . 

- Karamatsu ….o quanto ele esta machucado ? O que houve ? Fale para min . 

Pede Matsuzou devagar , a voz falhando um pouquinho contra o telefone , tentava parecer calmo para que enfim pudesse passar certa confiança para o segundo filho , mas de modo algum parecia funcionar para nenhum dos lados . 

- E…eu não sei bem , ele …ele já estava bem machucado …o… braço quebrado ….os pés ..estão feridos também …e…e….meu deus ele atirou nele…..a..agente não pode fazer nada ….ele  atirou nele pai ! Eu não sei o que fazer …os …os outros precisam de ajuda …mas eu não sei ….

As lembranças ruins voavam em sua mente o fazendo tremer por inteiro , era como se ao falar com o pai a fina cortina que ainda o aliviava da realidade , seu próprio choque , fosse retirada por um puxão forte e impiedoso . 

- Se acalme , fique calmo , está bem ? Eu já estou indo para aí , fique com seus irmãos , fiquem calmos , já estou indo …..

- Mas ….e …e mamãe ? 

- Eu a levarei comigo …mas …não creio que seja bom contarmos a ela , já está passando muito mal , acho ….acho que teremos que deixá-la no hospital também …..para onde estão o levando? 

Pergunta Matsuzou , parecia tão abalado quanto o filho , mas sabia melhor se controlar , afinal já tinha uma boa prática , aquilo já lhe aconteceu de forma semelhante uma vez , e ele teve de pegar as rédeas da situação e cuidar , a muitos anos , de Osomatsu quando ele foi pela primeira vez ao hospital . 
Dias negros fazem pessoas mais fortes , ou era isso que alguns dizem , para Matsuzou aquilo fazia sentido , mas de forma alguma lhe preparava para o que chamavam de “dias negros” , a dor era sempre a mesma , ou pior , a diferença era que sabia lidar com situação , pelo menos nos momentos em que tinha que lidar com ela , quando estava sozinho em prantos em casa de nada lhe adiantava sua” experiência”, tudo que tinha era dor que ela causava . 

Karamatsu lhe disse o nome do hospital logo depois de perguntar a um dos paramédicos , que o respondeu rapidamente lhe dando um olhar compreensivo . 
O final da viagem foi rápido , mas também demorado na visão dos Matsunos que acompanhavam tudo de perto , afinal o mundo ainda parecia submerso em gelatina , e eles não tinham outra opção além de esperarem ansiosos o fluxo lento se seguir . 

Chegaram no hospital e logo o irmão foi levado para longe dos cinco pelos apressados médicos e enfermeiros que se amontoaram para organizar tudo o que o Matsuno precisaria dali a diante . 

E agora , depois de uma enfermeira vir e os consolar por uns minutos , os instruído a esperar por ali e garantido que fariam de tudo pelo irmão, estavam na situação em que estavam , como ordenado os cinco esperavam,  impacientes  , se sentindo reprimidos e temerosos , a falta do irmão criando um vácuo terrível entre eles , enquanto cada um ficava em silêncio , com o medo sendo a única fonte de sentimento que os dominava no momento atraindo pensamentos terríveis que os fazia temer o pior . 

Haviam limpado as mãos antes de se sentarem, como a enfermeira também os instruiu  , essa foi uma das piores partes , já que Todomatsu, Ichimatsu e Jyushimatsu choravam compulsivamente ao fazê-lo , já os outros dois tentavam controlar os menores , mas ao mesmo tempo não conseguindo controlar a si mesmos , era difícil saber que o sangue em suas mãos era o sangue de Osomatsu , aquilo os fazia encarar a realidade que batia na porta dos Matsunos de forma abrupta e sem misericórdia . 

Se sentaram , e agora esperavam , cheios de medo , deram mais uma rápida ligação para o pai, que conversou com cada um os consolando dizendo que estava a caminho, e explicando que a mãe ainda estava ruim , mas acordada , já Totoko iria os acompanhar também até o hospital  , já havia acordado e dividia a preocupação de todos , mas tentava ao máximo manter a mãe dos sêxtuplos calma , já que ela parecia a toda hora à beira de mais um colapso nervoso , isso sem saber o real estado do filho mais velho  . 

Por fim eles chegaram , a mãe logo foi encaminhada para um dos quartos do hospital com mais uma crise nervosa , os médicos decidiram a manter por ali para que se acalmasse e ficasse de observação . 
Já Matsuzou e Totoko se juntaram aos cinco gêmeos que os encararam em sua chegada com olhares tristes e pesarosos , eles logo se juntaram ao grupo tentando levantar a moral e desviar a atenção dos irmãos , mas era difícil , quando eles mesmo não conseguiam parar de pensar que em algum lugar por ali Osomatsu podia estar morto ou morrendo . 

A noite já virava o início da manhã quando o médico veio pelo corredor carregando uma prancheta , olhou em volta atentamente os procurando , não teve dificuldades de os reconhecer afinal, fora Totoko e Matsuzou, os cinco irmãos eram uma cópia viva de seu paciente . 
Já os cinco sabiam ser ele o médico que ficará por conta de Osomatsu pois quando chegaram ele havia acompanhado a maca de Osomatsu com um olhar de urgência tão grande quanto os dos irmãos que foram impedidos a continuar na cola do mais velho por um de seus enfermeiros  . 

- Vocês são a família do paciente , não são ? 

Pergunta ele assim que se vê de frente ao grupo que o olha cheios de temor  , o único a ter coragem a responder foi o próprio Matsuzou que assumiu a liderança na família como já pretendia ao chegar no hospital. 

- Sim , nós somos ….osomatsu ….Osomatsu ..ele …

- Ele está vivo , já está em um quarto privado  . 

Fala o médico rapidamente antes que eles deduzissem o pior , todos  o olham mais animados , pareciam aliviados, mas o alívio não duraria muito , disso o médico sabia , já que tinha muito mais a falar .  

- Ele …então ele esta bem ?! 

Pergunta Jyushimatsu animado olhando para o médico cheio de esperança, os outros  compartilhavam o sentimento encarando o mais velho com ansiedade  

- Sinto informar que não , ele está em um estado crítico , além dos tiros ele também tem vários ferimentos sérios pelo corpo, os pés sofreram lesões terríveis e um dos braços está infeccioso por ter sido quebrado e não tratado, a cabeça tem uma pequena contusão e também há ferimentos causados por espancamento por todo o corpo , tivemos que fazer uma cirurgia por agora com urgência para retirar as balas e reparar os ossos , por isso seu irmão está muito fraco , estamos usando todo o sangue que temos para que ele se mantenha estável . Como são muitos ferimentos estamos tratando os mais graves primeiro , para depois cuidar dos outros , se não ele não aguentará . 

Informa o médico , eles o olham aterrorizados , estavam mais preocupados por conta dos tiros do que qualquer coisa , haviam se esquecido em meio ao pânico que o estado do mais velho era ainda pior , já que faziam dias que ele escondia seus verdadeiros ferimentos e que por conta disso alguns deles podiam estar terrivelmente ruins . 

- Mas ….mas ele vai ficar bem ? Não é ? 

Pergunta Karamatsu depois de um breve silêncio desconfortável que o médico não ousou quebrar , já que sabia que tinha de dar tempo para a família processar a informação . 

- Nos fizemos o máximo , e continuaremos fazendo , mas tudo depende do senhor Osomatsu ,tenho que deixá-los informados que o estado dele e bem grave e que por agora ele está em um coma induzido pelo próprio corpo , mas não quer dizer não há chances dele sobreviver .  

Os irmãos se entreolham preocupados , Totoko abaixa o olhar para os próprios pés enquanto o patriarca da família encarava o homem de jaleco como se este fosse o próprio presságio de morte do filho bem diante de si .  

- P…podemos vê-lo ? 

Era Choromatsu, sua cabeça estava baixa e ele evitava olhar para o homem de jaleco branco que olhava com pena para o grupo que parecia em choque , e com razão . 

- Não , ainda não , ele ainda está fraco e precisamos ficar de olho nele, assim que ele melhorar um pouco também temos que tratar os ferimentos restantes , presumo que ainda demorará um tempo até que possam vê-lo  .

Fala o homem , mas logo se cala , os irmãos a partir dali não ouviram mais , olhando para o nada com olhos anuviados e cheio de dor . 
Não viram muito do que se passou a seguir , ou até o viram , mas preferiam não se lembrar muito sobre o ocorrido . 

O médico se foi , o patriarca encarou os filhos , cheio de dor , Totoko cobriu o rosto com a mãos passando a chorar sendo logo acompanhada por Jyushimatsu e Todomatsu, os outros ficaram em um silêncio preocupante . 
Só se juntaram aos outros em seu estado choroso quando se viram sozinhos no quarto do hospital que agora a matriarca da família estava ligada à um soro e inconsciente , a visão da mãe daquela maneira só piorava as coisas , parecia que cada vez mais a família desmoronava por conta de Tougou , que enfim pareceu conseguir o que queria . 

Quando voltaram para casa aquele dia o silêncio foi a pior coisa , isso e o atmosfera pesada que todos sentiam os pressionar a cada momento , ninguém ousou quebrar o silêncio , era como se fosse um novo tabu naquela casa , onde se falassem seria um desrespeito ou a quebra de uma lei importante . 
O pai ficou em seu quarto , os cinco preferiam não o incomodar , ele precisava ficar sozinho , eles sabiam bem , podiam ouvir de vez em quando seu lamentar baixo , eles sabiam que ele não iria querer que o vissem assim . 

Já eles próprios não sabiam como lidar com situação , era como se de um dia pro outro Tougou tivesse pisado na realidade deles , trazendo um pesadelo a muito esquecido . 

Tougou …..Karamatsu podia se lembrar bem , do momento em que aquele homem perverso puxou o gatilho , o rosto dele e sua voz hedionda . 
Nem queria imaginar o que ele havia feito com Osomatsu todo o tempo em que eles se mantiveram alheios da situação do mais velho , já sabia sobre o espancamento , ele realmente não precisava de mais , talvez não aguentaria , talvez saber o derrubaria assim como fazia com os outros , que pareciam piores a cada minuto , principalmente Ichimatsu e Choromatsu . 
Ele podia ver os irmãos , mais calados do que os outros , encolhidos e reclusos, o olhar perdido , era difícil até chamá-los , e de quando em quando o segundo mais velho podia vê-los tremer e chorar pelos cantos .
Jyushimatsu e Todomatsu também não estavam melhores , mas pelo menos eles haviam comido alguma coisa e buscado conversar sobre o assunto , ou até sobre coisas banais para se distraírem , haviam tentando ajudar os outros dois mas haviam desistido já fazia um tempo , já que não obtinham respostas . 

Já si , bem ….Karamatsu estava seguro de uma coisa , agora que Osomatsu não estava presente ele era o mais velho , e tinha que lidar com a dor de seus irmãos, seria algo que o avermelhado confiaria a si para fazer , tomar seu lugar e cuidar dos casulas . 
Mas seu aniki tinha que lhe desculpar , pois se ele chegasse mesmo a morrer o azulado sabia que ele iria aonde fosse para matar Tougou em contrapartida . 
Ele em si não era alguém violento ou vingativo , mas tudo o que sentia agora era uma raiva mal contida , misturada com a dor terrível da preocupação em perder o irmão , e já havia decidido , jurando para si mesmo que o faria , pois sentia como se tudo fosse uma pequena e maligna bomba em coração , que explodiria assim que a notícia de que seu irmão morreu por causa das garras malignas daquele homem . 

Mas por hora, ele buscaria fazer o melhor , cuidar de seus irmãos , como Osomatsu gostaria que fizesse , assumiria a liderança por enquanto , e tentaria unir a família para que não acabassem se perdendo antes que o mais velho tivesse a chance de melhorar . 

- Choromatsu . 

Chama o azulado ao se aproximar do irmão , ele se sentava ao chão escorado a parede num canto perto do armário  , tinha em mãos um mangá qualquer , mas Karamatsu sabia bem que o irmão não estava lendo . 

- Choromatsu…quer que eu toque para você ? 

Pergunta ele se sentando ao lado do irmão , Jyushimatsu e Todomatsu que se encontravam próximos encaravam o segundo irmão encorajadores . 
O terceiro Matsuno  não deu resposta , seu olhar era anuviado e triste , e parecia desinteressado , cansado demais para falar . 
Já Ichimatsu se encontrava deitado no sofá também ali adiante , seu rosto se voltava para lado oposto por isso não podiam vê-lo , mas sabiam bem que ele estava acordado . 

Sem mais delongas o azulado pega seu violão tocando notas calmas e leves , como uma canção de ninar . 
Eles ouvem , cada um em silêncio ouvindo o som calmo tocado pelo irmão , ao seu lado Karamatsu repara que o irmão havia fechado os olhos , ele lhe dá um sorriso triste continuando a tocar as notas de forma suave que aos poucos foi levando os outros Matsunos para um sono mais tranquilo do que tiveram nas últimas tentativas de descansar . 

Quando todos estavam dormindo Karamatsu se levantou , indo até a janela do quarto , observa o céu estrelado , de relance a imagem de Osomatsu vem a sua mente , bem ali ao seu lado a alguns anos atrás , lhe dizendo que eles dois eram os que mais gostavam de ficar por ali observando o céu , e que por conta de tal eles deveriam ser os mais caretas da família , dizendo que só verdadeiros virgens se encantavam tão facilmente com as estrelas . 

O segundo filho coloca as mãos contra a boca enquanto luta para as lágrimas serem contidas , mas elas dessem de forma insistente enquanto ele tenta afastar a lembrança suave da típica brincadeira do avermelhado que agora lhe trazia tanta dor . 

Os próximos dias também foram de fato ruins , Karamatsu se lembrava bem deles , já que fez seu máximo para deixar os irmãos em um estado de espírito melhor do que estavam, Totoko-chan acabou por aparecer, junto de Chibita e Hatabo, até mesmo Ayami , animando um pouco os Matsunos , mas não durou muito , mesmo com as vistas Choromatsu e Ichimatsu não mostravam muitas melhoras , sua mãe também não , está que havia voltado do hospital a algumas semanas depois do ocorrido sombrio da noite do sequestro . 
Só ficava em seu seu quarto dormindo como se estivesse em coma , quando acordada não fazia muitas perguntas , e ninguém parecia ter coragem de repetir as palavras do médico sobre estado de Osomatsu . 

Também havia a imprensa , a história de Osomatsu logo se espalhou como fogo e todos queria saber um pouquinho sobre o caso de vingança que trazia tanto terror para aquela família , que em si já chamava a atenção se tratando se sêxtuplos . 
Mas eles não incomodaram por muito tempo , não quando foram xingados por Matsuzou que perdeu a paciência quando enfim voltou ao hospital para saber notícias do filho e foi abordado por enorme grupo de repórteres . 

“ Não quero saber de seus malditos programas e jornais ! Isso aqui não é um circo em que podem aproveitar para ganhar leitores e audiência ! Meu filho está no hospital ! Nos deixem em paz ou vou processar todos vocês !!! “

Aquilo os debandou , é claro que não foi por conta de não quererem atrapalhar mais a família que já penava com a tragédia do ocorrido,  e sim por causa da menção dos processos . 
Apesar disso os jornais lançaram algumas reportagens sobre o assunto, mesmo sem as entrevistas , e logo Karamatsu e Todomatsu, os únicos que saiam de casa de maioria das vezes para fazer compras , uma vez ou outra eram perguntados sobre o assunto por conhecidos e vizinhos curiosos .

Um mês inteiro se passou , e Osomatsu continuava internado , um pouco melhor mas ainda apresentando vários riscos, mas os médicos já se mostravam mais positivos , os ferimentos mais leves haviam sido tratados com sucesso , e isso era uma boa notícia  . 
Foi no final do primeiro mês que eles enfim receberam a permissão de visitar Osomatsu ,a  família se juntou no corredor , de frente ao quarto do mais velho , 312, onde já podiam ouvir os bipes incessantes das máquinas que agora o mantinham vivo . 

Matsuzou não entrou no quarto , esperou no corredor com a mulher enquanto esperava os filhos saírem para que pudesse entrar . 
Matsuyo não dizia nada , mas parecia já ter uma ideia sobre a real situação ali sem que lhe dissessem sobre o assunto , não entraria no quarto ,pois sabia o que aconteceria se fizesse . 
Havia se recuperado a pouco tempo de seu ataque nervoso, e não queria voltar para seu estado de antes , tentaria se manter firme , para ficar junto aos outros cinco , assim como havia feito anos antes . 
Ficava triste por ter de colocar o peso de tudo nos ombros do marido , mas sentia que mesmo se quisesse ela não conseguiria ajudar , e de modo algum conseguiria encarar o filho no hospital . 

Já os irmãos entraram , temerosos mas ansiosos por enfim poder ver Osomatsu mais uma vez , com a relação que sempre tiveram era estranho não vê-lo sempre , e a falta que fazia era quase sufocante , não conseguiam ver o típico seis se tornando cinco, nunca cogitaram tal hipótese , mas aquilo era um medo que agora assombrava seus pesadelos  .
Quando enfim estavam lá dentro , cada um meio afastado da cama do irmão , ficaram observando o estado do mais velho um tanto chocados . 

Osomatsu não parecia em nada de como se lembravam , sua cabeça estava deitada de forma rente ao travesseiro de uma forma pouco natural , estava meio inchada com uma touca de faixas e gazes espalhadas por todo o rosto, este branco feito cera  . 
A máquina que o ajudava a respirar , o entubando,  se mantinha ali fazendo o som profundo do respirar do Matsuno enfermo, ele também era ligado a outras máquinas , havia um saco de sangue que pingava a cada segundo uma gotinha vermelha de forma ininterrupta indo direto na veia do mais avermelhado  . 
Seu braço quebrado estava engessado e protegido ao lado do corpo imóvel  , já seus pés estavam enfaixados com varias camadas de faixa e fita , fazendo parecer que o mais velho do sêxtuplos usava um par de sapatos grossos e grandes para si . 
No peito as coisas se complicam ainda mais , a gaze e a faixa por ali eram bem grossas e espessas e se moviam para cima e para baixo bem devagar devido ao respirar entrecortado , podiam ver seu volume pelo fino lençol que cobria o corpo fraco inerte por baixo . 

Não podiam acreditar que aquele era mesmo Osomatsu , ele parecia muito delicado , muito ferido e fraco para ser o irmão mais velho hiperativo e inconsequente que conheciam , não podiam ver nem um resquício de seu típico sorriso sapeca no rosto do Matsuno que encaravam agora , só a máscara pálida de alguém que dormia a muitos anos e que provavelmente não acordaria mais .

Karamatsu que focava o olhar no irmão enfermo acaba por desviar o olhar , assim como os outros três , ali perto de si Ichimatsu caia de joelhos as mãos cobrindo os olhos enquanto começava a tremer compulsivamente  . 
Ele logo se aproxima para ajudar o irmão , Jyushimatsu e Choromatsu juntam-se a si tentando manter o irmão em pé , mas este ja tinha o corpo mole , hiperventilando enquanto ficava tão  branco quanto o irmão hospitalizado  . 

O quarto Matsuno foi hospitalizado aquele dia, ver o mais velho daquele jeito o quebrará por dentro , o fazendo entrar em colapso . 
Os irmãos tentaram o acalmar , mas nada lhe fazia efeito , o medo de perder alguém próximo a si corrompia Ichimatsu de modo que tudo o que seu corpo encontrou como resposta a seu pânico foi deixá-lo em um estado de inconsciência . 
Os enfermeiros o levaram o deixando descansar ali por um dia antes de enviá-lo para casa , ainda desacordado . 
Ichimatsu passou então a ficar no colchão qua todos dividiam a maior parte do dia  , mais silencioso é estático do que antes , a mãe sempre vinha ficar consigo sentando ao seu lado e segurando sua mão , os irmãos tentavam conversar consigo , mas nunca obtinham resposta reais só murmúrios . 

A casa agora parecia ainda maior e vazia , o silêncio reinado ainda mais que antes . 
Até Karamatsu agora se sentia deprimido demais para fazer muita coisa além de se deitar e encarar desolado os outros que também pareciam perdidos com aquela situação  . 
Ele fecha os olhos sentado no sofá colocando os braços sobre a cabeça , e reza para que as coisas fiquem melhores . 
 

Depois do incidente com Ichimatsu Karamatsu e o pai foram os únicos a ir ver Osomatsu regularmente , de vez em quando um dos casulas os acompanhava , mas era quase nunca , já que tinham medo de acabar como Ichimatsu perdendo então as últimas defesas que tinham contra aquilo tudo que acontecia tão rápido em suas vidas . 

Em uma das voltas do hospital o azulado encarou estático o patriarca se debruçar contra o volante do carro , as lágrimas lhe escapando como nunca o segundo irmão havia presenciado em toda sua vida . 

- P…pai …o…o que foi ? V…você não está se sentido bem ? 

Pergunta Karamatsu encarado o patriarca de forma preocupada , temia que ele sofresse o mesmo que Ichimatsu , ele mesmo quase entrava em colapso também toda vez que vinha e encarava o estado frágil do irmão , e aquele dia então as coisas estavam mais delicadas ,  em sua visita receberam a notícia que Osomatsu havia tido uma recaída e que teria de ser levado a mais uma cirurgia, está na qual Matsuzou se viu obrigado a assinar papéis atrás de papéis autorizando a própria conta e risco que o filho fosse mais uma vez sucedido a uma arriscada cirurgia para que mantivessem ele vivo . 

- Sinto muito , sinto muito mesmo …..seu irmão ……seu irmão …eu deveria ter protegido ele , mas falhei , como falhei a muitos anos trás …eu….deixei aquele homem levar ele , de novo e de novo , e agora …eu …eu …sabia que algo assim aconteceria  , mas …mas mesmo assim …acreditei que um milagre aconteceria de novo e Osomatsu voltaria para casa são e salvo  , acreditei mesmo …..mas no fim , foi só o desespero de um velho tolo , sinto muito , vocês não mereciam isso  , nem vocês e nem sua mãe …..

Sua voz era dolorosa , Karamatsu não sabia o que dizer , sabia que o pai não tinha culpa , e que se culpava por algo que não havia nada o que fazer , mas ….de certa forma ele também se sentia assim , todos sentiam , afinal Osomatsu sofreu dias na mãos de Tougou sem que ninguém da família percebesse , a culpa o afligia também, a de agora e a de muitos anos atrás  , e sugava suas forças em consolar o pai naquela questão , não conseguiu dizer nada , só abraçou o pai sendo recebido com gratidão . 

Os dois se puseram a chorar , ficando ali por um tempo antes de enfim voltar para casa novamente e reencontrar os outros membros da família ainda em seu estado estático e silencioso . 
Não contaram sobre a cirurgia , por motivos óbvios , a família não precisava de mais notícias ruins , por enquanto só os dois saberiam , e rezariam para que o Matsuno mais velho passa-se por aquilo e se recuperasse logo . 

Mais um mês se passou e os médicos agora diziam que Osomatsu em si estava bem , mas não sabiam quando ele iria acordar . 
Já fora um grande alívio para a família saber que o avermelhado enfim não estava em condições de risco , apesar de ainda estar bem ferido ,e que agora eles podiam ter mais esperanças que enfim ele voltaria para casa , mas a espera era árdua e deixava todos meio impacientes . 
Apesar da melhora ainda havia um certo receio em visitar o mais velho , já que ele ainda parecia delicado como papel , apesar da cor ter voltado um pouco a seu rosto . 
Mas a notícia teve seu efeito , e logo a matriarca e Ichimatsu pareciam mais vividos e sociáveis , deixando seu estado de dormir o dia todo ou simplesmente se locar em algum canto da casa imóveis e silenciosos  . 

A família estava otimista , mas o medo ainda não havia abandonando seus corações , afinal sabiam bem o significado da palavra “coma” , e não restavam dúvidas que aquela também era uma realidade que eles precisavam temer , agora até mais do que a morte do Matsuno mais velho . 

Foi no quarto dia do segundo mês que Karamatsu finalmente decidiu agir para puxar os irmãos de vez do estado monótono em que se encontravam . 
Foi até uma mercearia próxima onde por fim comprou algumas guloseimas que todos eles gostavam junto com algumas bebidas , levou para casa colocando em cima da mesa sobre o olhar dos irmãos que pareciam meio insertos com ação do segundo mais velho . 

- Venham já aqui , acham mesmo que Osomatsu vai perdoa-los se ficarem agindo dessa forma morta enquanto ele está fora ? 

Pergunta o azulado recebendo um olhar triste dos irmãos , pareciam sentir mais pena do azulado com sua tentativa do que receio sobre o que Osomatsu acharia ou não   . 

- Ânimo ! Ele me disse uma vez que ele não estivesse por perto era para eu puxar a orelha de vocês no lugar dele , e é isso que vou fazer , então podem pegar essas coisas e comerem feito os neets que vocês são ! 

Fala ele fazendo uma de suas poses exageradas , mas no fundo se sentia meio apreensivo que os irmãos não fossem aceitar bem aquela mudança , já que não pareciam querer voltar a seu normal , ou melhor , não conseguiam , a melancolia os deixava depressivos demais para fingirem que estava tudo bem .

- …...Aquele baka …..sempre falando coisas assim . 

Fala Choromatsu baixinho recenbendo o olhar apreensivo do azulado  , mas ele logo se move se sentando na mesa conhecida , logo os outros o seguem em silêncio , todos menos Ichimatsu que se mantém em um canto encolhido junto à seu gato laranja que a dias tentava confortar o dono da melhor forma possível . 

Karamatsu se aproxima de si levando com sigo uma barra de chocolate que ele sabia que o quarto filho gostava , ele a ergue para si , o Matsuno roxo a encara , os olhos cheio de melancolia , depois olha para o mais velho que lhe dava um sorriso triste mas de certa forma confiante . 

- Vamos lá , se junta com a gente , não podemos ficar depressivos para sempre , Osomatsu com certeza vai nos encher para sempre se o fizermos, sabe como é , vai nos chamar de maricas ….

Fala Karamatsu calmamente em um tom de brincadeira que falhava um pouco devido à situação,  por um momento pensou que enfim Ichimatsu recusaria o ignorando por completo  , mas logo sente a barra ser retirada de sua mão pelo menor que se levanta aos poucos . 
Ainda encarando a barra,  agora em suas próprias mãos , Ichimatsu para ao lado do segundo irmão . 

- Arigatō . 

Karamatsu sorri , vendo o último de seus casulas se juntar à mesa das guloseimas , logo ele se vai também , e todos acabam por comer tudo o que foi comprado . 
Naquele dia o pai e a mãe também se juntaram a eles , trazendo alguns lanchinhos , dessa vez preparados pela mãe e não comprados em uma mercearia qualquer , para se reunirem naquele quarto que a tantos anos os sêxtuplos ocupavam . 
E ficaram assim ate de noite , só reunidos compartilhando do momento que antes lhes pareceria tão comum , mas que agora os consolava um pouco . 
O álbum de fotos da família logo foi pego e eles se puseram a relembrar cada acontecimento ali , quando enfim se deitaram para dormir todos se sentiam mais leves pensando nas lembranças que compartilhavam com carinho , a esperança mais forte que nunca em seus corações que agora , ainda ansiosos , esperavam pela notícia que chegaria dali a duas semanas , onde finamente Osomatsu Matsuno voltaria para ocupar o lugar que inconscientemente os irmãos sempre deixavam reservado a si quando se deitavam  . 

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 O quarto extremamente branco incomodou seus olhos assim que os abriu vagarosamente , sua mente acordando com lentidão  , a luz em volta deixa tudo ainda mais claro e irradiante  , para alguém que estava desacordado a algum tempo aquilo era meio doloroso de se ver . 

Ele foca a visão depois de um tempo em que sua mente se clareia  , fica surpreso ao reconhecer um quarto de hospital , ele olha para baixo reparando em suas pernas e braços engessados , podia sentir também a touca de faixas que cobria sua cabeça tirando um pouco da visão de seu olho esquerdo , e seu pulso do braço bom enfaixado . 
Podia sentir umas dorzinhas incômodas por todo o corpo, sua cabeça mesmo pulsava  , mas pelo o que passou aquilo não era lá grande coisa , ainda se lembrava bem do que sentiu quando o martelo acertou seus dois pés , e era uma comparação como o fogo do inferno e chama de uma fogueira  . 

Estava sozinho , por um momento pensou que talvez aquilo fosse só um sonho delirante de alguém que estava morrendo na vida real por conta dos tiros que tomou , mas tudo parecia muito realista para um sonho , e ele sentia a mente clara como o dia , os pensamentos voando  rápido por seu cérebro que até agora pouco estava “desligado”. 
Ele ergue o braço bom encarando ainda surpreso o soro que havia ali , não conseguia acreditar que estava vivo …..que Tougou não havia concluído seu plano …ele ….Tougou ….

Ele se ergue de repente assustadiço , sente as bandagens o espremerem e seu peito arde em uma dor tão agonizante que ele tem de se deitar de novo , sua cabeça tem uma pequena vertigem enquanto os aparelhos a sua volta bipavam como se o xingasse por seu movimento brusco  . 
Mas sua aflição era maior do que a dor por isso a superou rápido , ele olha em volta, agora assustado , como se de qualquer canto Tougou pudesse aparecer , sorridente e coberto de sangue , trazendo consigo a terrível notícia que ele havia posto um fim em toda a sua família…

“ ….Afinal você está em um hospital garoto , e isso pelo que me lembre era contra as regras”

Ele sente o corpo se arrepiar de medo , sem se importar com o braço engessado ele ergue as mãos cobrindo o rosto enquanto sentia seu corpo inteiro tremer . 
Depois de um tempo seu simples receio se tornou pavor , começou a ter certeza que Tougou havia matado sua família , que ele agora estava sozinho , com o sangue de todos eles em suas mãos . 

Sem se importar com as máquinas que se interligavam a si  Osomatsu se levanta, arrancando os aparelhos um a um sem hesitação . 
Usando o único braço ele consegue descer até o chão usando uma força que só seu medo e desespero poderiam proporcionar , seus ferimentos rugem de dor , e ele sente uma queimação terrível no peito , acompanhada da pulsação na cabeça que parecia piorar quase o arrastando para a inconsciência assim que se viu no chão . 
Mas ele aguentou , firme , estava em pânico e por isso conseguia ultrapassar os limites um pouquinho . 
Não conseguiria andar com as pernas , nem usar o braço engessado  , mas isso não o impediu de continuar ,  passando então a se arrastar com o braço bom em direção ao que parecia um telefone ali perto em uma mesinha baixa perto da poltrona de visitantes  .
Estava quase próximo ao telefone , e a um provável desmaio assim que o tocasse ,  quando a porta do quarto foi aberta , ele ergue o olhar cheio de pavor pensando ser Tougou  , mas logo se acalma um pouco a ver de quem se tratava. 
Já a enfermeira o olha apavorada, havia vindo rápido por conta das leituras dos aparelhos , pensou se tratar de uma recaída , mas ali estava ela encarando seu paciente fugitivo , que de alguma forma estava fora da cama , se aproximando com rapidez ela trata de se por ao lado de Osomatsu o colocando em uma posição mais confortável , deitado sobre o chão de modo que seus ferimentos fossem um pouco poupados , mas ele se debatia cheio de medo .  

- O….o que pensa que esta fazendo ?! Em hipótese alguma você poderia sair da cama! Fique calmo !

Fala ela o olhando preocupada , ela logo aperta um botão ao lado da cama ao se erguer um pouco , continua ao lado do Matsuno o segurando de forma cuidadosa . 

- Por favor! Eu tenho que saber ! Ele pode ter pego eles ! Todos eles ! Eu não sei o que houve ! Me solte ! Talvez ..talvez eu possa convencê-lo …! 

Exclamava o Matsuno para a moça , em sua mente ela o atrapalhava , ele precisava saber com urgência o que houve com sua família , ou tentar impedir que acontecesse , mas como se falassem línguas diferentes a enfermeira não o ouvia o segurando com mãos fortes que tentavam ao máximo deixá-lo imóvel . 

Outras acabaram por chegar se juntando a ela , logo ele sente uma agulhada no braço que de pouco a pouco foi acalmando seus nervos , o fazendo parar de se debater quase por completo, seu pânico continuava lá , mas agora era como se tivesse esquecido o que iria fazer até então , afinal ele ligaria para quem …? 

Ele se deixa levar quando as outras enfermeiras o carregam com cuidado o recolocando  na cama , religando os aparelhos em si , os olhares repreendedores e ao mesmo tempo compreensivos o encarando com certa urgência nos olhos , e medo de que o que tivesse feito acabaria por complicar ainda mais a sua situação . 

- Peguem mais sangue , ele vai precisar mais que o soro agora  ! 

Fala uma delas , outra tratava de ajeitar Osomatsu em uma posição favorável , a primeira de todas pegava algumas bandagens e utensílios médicos em um armarinho ali perto . 

- Fique quieto . 

Pede a segunda delas , logo elas tiram as bandagens do peito de Osomatsu , que até então ele mesmo não havia percebido estarem cobertas de sangue . 
Ele fecha os olhos por um momento , não querendo ver os próximos procedimentos das moças,  estava cansado de ver o próprio sangue , e tinha medo de encarar os ferimentos de tiros que ele sabia que haviam ali . 
Sentiu um pouco de dor, como pinicadas de agulhas e cortes, meio leves por conta do calmante que elas haviam lhe injetado para que parasse de se debater, logo as mulheres já o enfaixavam novamente , ele abriu os olhos depois que tudo pareceu pronto , encarando as quatro com um olhar meio vazio  . 

- Fique de olho nele , ele passou por muito , ainda deve estar em choque . 

Fala uma das enfermeiras para a primeira que havia entrado em seu quarto , as três que haviam chegado depois logo saíram rapidamente levando suas bandagens ensangüentadas . 
Osomatsu encara desanimado a primeira enfermeira que parada ali perto ainda encarava a porta de entrada do quarto, onde suas companheiras haviam sumido de vista , estava com a cara de quem quisesse dizer algo e tivesse se lembrado só agora , mas as outras já haviam partido.  
Depois de um tempo de silêncio ela o olhou , Osomatsu não se preocupou em desviar o olhar . 

- Você deve estar bem assustado , não é ? Deveríamos ter deixado alguém aqui vigiando para quando você acordasse , mas sabe …estávamos pensando que você de fato entraria em um coma longo de anos a fio . 

Fala ela se aproximando da cama do paciente que a olhava em um misto de aflição e choque .

- M…minha família …o…oque houve com eles ? E…eles …eles …

- Estão bem , não se preocupe , você agora tem que descansar , está muito ferido , e  já se esforçou mais do que deveria . 

Fala ela com ternura , de forma repreendedora ao fim , afinal olhava para o peito do Matsuno que ainda mostrava um resquício de sangue nas bandagens . 
Mas Osomatsu não lhe deu muita atenção , ele a olhava desconfiando a analisando com cuidado e ainda cheio de medo . 
Ela percebe seu olhar , adquirindo um pouco de pena em seu olhar antes repreendedor . 

- Não estou mentido para você , não se preocupe , sua família esta mesmo bem , aquele homem foi preso novamente , e bem ….seus familiares estão mais preocupados com você do que qualquer coisa , vem aqui todo dia desde de que você foi internado em coma . 

Explica ela , o Matsuno ainda se sentia meio desconfiado , mas não discutiu . 
Ele de fato acreditava que sua família havia sido morta , e eles mentiam para si só para que se comportasse,  e também por pena, já que agora estava sozinho e desesperado, havia perdido tudo com que se importava   . 

Depois de alguns minutos , em que Osomatsu entrou em seu estado de silêncio melancólico,  enfermeira chamou outra pedindo então para que ligasse para os Matsunos avisando que Osomatsu havia acordado , havia feito questão de dar a ordem na frente do paciente , mas mesmo assim o medo em seu coração não se aquietou . 

Osomatsu ficou no quarto sob o olhar atento da enfermeira, esperavam , ambos um pouco impacientes . 
Osomatsu por conta de seu pânico e desconfiança , causados pelo medo de que Tougou havia cumprido sua promessa da pior forma . 
Já a enfermeira queria que Osomatsu se acalmasse logo , podia ver as leituras na tela que lhe mostravam sua ansiedade , seus olhos estavam cheio de pânico , e ela não duvidava que ele sucumbisse a mais um ataque assim que o calmante passa-se o efeito . 

Mas para a surpresa , de Osomatsu , e o consolo da enfermeira , depois de meia hora um enfermeiro jovem surgiu diante dele no quarto para avisar que os irmãos do Matsuno foram os primeiros a chegar e  estavam agora no hospital esperando a ordem para entrar e ver o paciente . 

- Viu, não estávamos mentindo , eles estão bem e vieram te ver . 

Fala enfermeira assim que o outro abandonou o quarto , Osomatsu a olha parecendo aliviado , mas logo sua expressão adquire um tom meio sombrio . 

- Vocês …podiam não contar a eles sobre o que houve quando eu ….acordei ? E….eu …não quero que eles pensem …

Pergunta ele parecendo envergonhado , a enfermeira concorda saindo do quarto logo em seguida , é claro que não podia cumprir aquela promessa , afinal tinha que avisar aos familiares que Osomatsu sofreria com estresse pôs-traumático por um tempo, seu desespero ao acordar era uma prova que seu seu trauma teria de ser tratado  . 

Osomatsu espera , ansioso e um pouco temeroso em ver os irmãos , não sabia o que pensariam , nem se o perdoariam por ter escondido sobre Tougou e os metido naquilo tudo . Ficou em silêncio de olhos fechados até ouvir a porta do quarto ser aberta , quando abriu os olhos de novo encarou um a um ,todos cópias exatas suas ,   mas completamente diferentes ao mesmo tempo , reconhecia cada um com facilidade , Karamatsu , Choromatsu, Ichimatsu, Jyushimatsu e Todomatsu . 
Cada um agora bem ali diante de si , lhe trazendo um alívio que ele não poderia dizer em palavras , nem pensou muito sobre isso , ou a sombra irritante que cobria seu coração poderia despertar , e assim ele desabaria bem ali na frente dos irmãos . 
Não queria isso , principalmente por que eles agora o encaravam em silêncio , chorosos com as expressões demonstrando um alívio quase tão desesperado quanto o seu .

- Vieram ver o aniki ? Fico feliz ! Assim me sinto amado pelos meus otoutos  ! 

Fala o Matsuno mais velho brincalhão erguendo o dedo indicador da mão boa bem de frente ao rosto . 
O irmãos ainda o encaravam da porta , o olhares tristonhos e chorosos encarando o mais velho de forma preocupada , ainda estavam perto da porta , mas Osomatsu não parecia reparar tal coisa . 
Estava ocupado lutando contra a sombra que o incomodava antes , está agora que derrubava todas as suas barreiras , trazendo à tona sentimentos que ele nem mesmo sabia que guardava por ali , no amontoado que ele havia prendido e jogado fora por conta dos dias em que era refém de Tougou .   

- Bem , não fiquem tão deprimidos , não foi nada para min , agora eu ainda tenho uma história legal para contar para as garotas , há,há , quem diria que um neet podia ser tão resistente?!  dois tiros ! As cicatrizes vão ficar bem legais , não é ?

- Osomatsu -niisan ….

Murmura Choromatsu olhando para o mais velho sério , atras de si os outros acompanhavam seu olhar   . 
Mas ele continuou como se não o tivesse ouvido ,  seu sorriso já falhava um pouco e sua mão tremia , os sentimentos guardados querendo aflorar com tudo agora que via seus irmãos ali em pé diante de si . 

- Totoko-chan já veio me ver ? ….aposto ….aposto como ela esta irada , há,há , mas agora estando como estou vocês vão ter que me mimar um pouquinho …….

Ele para , encarando o olhar sério dos irmãos , as lágrimas então lhe escapam , o corpo tremendo de alívio , o medo recluso e o desespero de todos os dias terríveis que teve de passar vazando como se o Matsuno fosse uma garrafa de água cheia além da conta . 

Os irmãos não esperam um convite , eles se aproximam se juntando em volta do mais velho de forma protetora enquanto esse entrava em prantos , chorando como nunca eles antes o haviam visto chorar . 

- Ba…baka ! Nunca mais fale essas merdas sobre ser irmão mais velho de novo , você tem que parar com essa mania idiota de lidar com tudo sozinho !

Fala Todomatsu choroso enquanto abraçava o irmão no lado do braço engessado . 

- Você podia ter morrido ! Não venha dizer essas coisas imbecis , nós deveríamos ter matado aquele bastardo ! 

Fala Karamatsu de frente ao mais velho , assim como os outros deixava as lágrimas cair , abandonando seu usual “eu normal “, assim como também abandonado sua pose que ele adquiria esses dias , se mantendo forte para o consolo dos menores, agora ele só se juntava aos outros deixando seus sentimentos reclusos vazarem   . 

- Nii-san não…não faça mais isso ! 

Pede Jyushimatsu em prantos 

- Nos o matamos se você fizer ! 

Completa Ichimatsu enquanto escondia o rosto no ombro do irmão enfermo , o único calado era Choromatsu que encarava o mais velho atentamente, parado bem a frente a cama  , Osomatsu ergue o olhar para si meio apreensivo que enfim ele não o perdoaria .  

- Tsk, bakamatsu . 

Fala esverdeado com um sorriso falho para logo depois se juntar aos outros no abraço coletivo , não foi preciso dizer mais nada , logo os irmãos se reúnem em silêncio e passam a chorar juntos de dor e alívio . 

Seus pais entraram no quarto depois de alguns minutos , o irmãos logo trataram de abrir espaço , já que a mãe já veio em direção a Osomatsu  o abraçando com lágrimas nos olhos , o pai se pôs ao seu lado do mesmo modo , deixando as lágrimas caírem tanto por culpa quanto por alívio . 

-Ho Osomatsu ! Por que você não me disse , por que ! Não sabe como me senti quando descobri , a…aquele homem …ele ….fez coisas terríveis com você ! 

Fala a mãe chorosa ao pé do ouvido do filho , este sorriu , aliviadíssimo por poder ter os pais nos braços daquela forma , por poder dizer a verdade sem medo , e o principal , por estar livre.

- Não foi nada , ele não podia machucar vocês , isso já estava bom . 

Fala ele com um sorriso triste , o pai então o olha meio irritadiço , as lágrimas ainda nos olhos , o que os irmãos , atrás de si  , queriam dizer assim que ouviram a declaração do mais velho , o pai logo assumiu para falar olhando para o filho como se lhe desse uma bronca , ou seria assim se ele não estivesse chorando ao mesmo tempo  . 

- Nunca mais faça algo assim seu filho desnaturado , não sabe como nos sentimos , seus irmãos estão arrasados , você podia ter morrido !! Vo…você assustou todo mundo ! Não se esconde coisas da família !! Nunca ! Você deveria ter contado ! Se era por conta de risco todos deveríamos estar juntos , custe o que custasse !! 

O pai fala , aquilo lhe surpreendeu um pouco , a todo na verdade , já que Matsuzou não era um homem que levantava a voz , principalmente em uma ocasião como aquela . 
Osomatsu o olha surpreso , logo o patriarca lhe abraça também o recolhendo cheio de sentimento  , e apesar do leve incômodo de suas bandagens Osomatsu se sentia completamente confortável e feliz , ficaram assim por um tempo , depois se separaram , os pais limpando as lágrimas dos olhos assim como os seis filhos , todos sentindo que um mal grande e sombrio havia finalmente desaparecido , dessa vez para sempre , já que receberam a notícia a alguns dias que Tougou recebeu uma prisão perpétua sem condicional  além de ser transferido para uma prisão mais distante que com certeza não lhe daria chances de fuga .   

Após a chegada da família não demorou muito para os amigos irem visitá-lo também , Chibita veio junto de Totoko , essa lhe deu uma abraço forte chorando em seu ombro e lhe xingando de coisas que Osomatsu nem conhecia . 
Já o amigo baixinho lhe deu um de seus udons , depois é claro de receber a permissão do médico , dizendo que aquilo o curaria mais rápido do que qualquer remédio .

Logo depois vieram Hatabo e ayami , ambos chorosos demais para dizer qualquer coisa para o Matsuno mais velho , que só riu apreciando a vinda dos amigos , é claro que ficou um pouco surpreso da parte de Ayami , já que ele era próximo a família mas nunca pareceu se importar realmente .  
 Dayon e Deakapan apareceram também  , lhe trazendo presentes , uma touca de frio e um elixir para fortalecer os ossos . 

Até mesmo Atsushi , um amigo de Todomatsu acabou por vir , se apresentando e dizendo que estava ali para ajudar se qualquer um precisasse , é claro que Osomatsu logo readquiriu seu humor antigo , sorrindo sugestivo para Totty . 

- Ora essa totty ….quando você ia nos apresentar seu …..

Mas o irmão o calou tampando sua boca antes que continuasse , os outros riram enquanto o próprio Atsushi se encontrava confuso mas rindo diante do nervosismo de Todomatsu. 

- Volte a ficar inconsciente seu irmão mais velho inútil . 

Fala Todomatsu brincalhão enquanto Osomatsu ria da sua cara vermelha por conta de sua brincadeira . 

Os dias correram rápido a partir dali , e Osomatsu agora recebia visitas quase que diariamente, seus amigos e família sempre vindo os visitar para anima-lo , e eles sabiam bem que era necessário que o fizessem . 

Osomatsu parecia ter voltado a seu normal , mas estava mentalmente perturbado , traumatizando com tudo o que teve de passar, e enfermeira e os médicos tiveram a certeza de que a família havia entendido sobre isso , os reunindo para discutir como tratá-lo e como melhorar seus sintomas , foi uma conversa difícil , mas acabaram por aceitar bem a nova realidade . 
Osomatsu estava melhor que esperavam , agindo quase normalmente , apesar de que as vezes ficasse estranhamente calado , mas era só isso , as coisas então pioraram quando finalmente recebeu a visita de um par de policiais , os mesmo que no início daquilo tudo haviam vindo o interrogar na rua . 

Osomatsu os encarou em desagrado é um pouco de receio , afinal sabia bem do por que estavam ali  , os irmãos se retiraram de má vontade por ordem do próprio pai , este por sua vez que insistiu em ficar e ouvir o que eles perguntariam ao avermelhado . 

Fora uma interrogação longa e bem difícil para o Matsuno  , pois eles queria um depoimento de tudo o que houve , desde de o início , Osomatsu é claro se lembrava bem , mas sua voz ao contar era meio baixa e fantasmagórica, como se de repente lhe tirassem toda a vida e um simples e triste gravador passasse a falar em seu lugar , não ele mesmo   , demonstrando bem o choque mental que havia sofrido com cada acontecimento . 

Quando por fim os polícias se viram satisfeitos Osomatsu os parou , os chamando de forma meio urgente assim que fizeram menção de se levantar das cadeiras que haviam sido postas próximas a sua cama. 
Matsuzou olhou o filho confuso , os policiais também , Osomatsu sabia que tinham razão em sua confusão , mas tinha algo que ele queria saber , algo que o atormentava em seus pesadelos , até mesmo na época em que estava sozinho naquilo tudo , dormindo no sofá separado dos irmãos , machucado cheio de medo e dor . 

- Q…quantas pessoas ….Tougou …..já matou ? 

Pergunta ele, sua voz tinha um toque sonhador e temeroso  , não ergueu a cabeça para encarar os presentes , sabia bem que deviam o olhar surpresos ou até mesmo pasmos  , principalmente o pai que além de surpreso parecia preocupado e repreendedor . 

- Por que quer saber ? Não acho uma boa ideia …sabe você já está bem abalado …

Tenta dizer o policial mais velho , mas o avermelhado o interrompe , seus olhos brilhando sombrios cheio de ansiedade diante a questão   .

- Eu preciso saber ……e …e…algo que me assombra , desde de pequeno ….m…mas eu não me lembrava então …..

Ele olha para o policial , dessa vez não evitaria seu olhar , queria saber aquilo , ou continuaria a assombra-lo para sempre , isso era bem verdade , mas havia mais também , ele entendia bem por que sua pergunta deveria parecer meio louca agora , depois do que passou . 
De certa forma era um informação inútil que não tinha nada a ver consigo ,mas algo , uma lembrança e um estalo incômodo em sua mente o fazia querer saber . 
Ele sabia bem de qual lembrança se tratava , a muito tempo atrás , que o causava aquilo , acima de qualquer moral ou base que ele tinha como justificativa para querer saber , e essa era a morte , ou ele deduzia ter sido a morte , do homem de muito anos atrás , quando ele e Tougou o abordaram junto a sua mulher e ele acabou esfaqueado , sendo abandonado para morrer junto à esposa em prantos . 

Não era para se sentir daquela forma , ele sabia , ele era uma vítima também naquele dia  , mas de alguma maneira o fato de estar lá o interligou aos assassinatos de Tougou, o fez se sentir envolvido  . 
Ele queria saber , pois além disso tudo uma duvida o corria por dentro , não a dúvida sobre a coragem ou não de Tougou matar alguém , ele sabia bem que ele o faria mais rápido do que respirar , mas sim a dúvida de algo que ele lhe disse a muito tempo , que de vez em quando podia ser ouvida em seus pesadelos , como se estivesse sendo dita ao pé de seu ouvido durante a noite  , a voz de Tougou repercutindo como na vez que ele lhe falou , o abalando mais do que havia reparado na hora , já que temia por si mesmo na época . 

- Por favor , só …preciso saber…..ou não vou poder seguir em frente …

Fala ele por fim , da uma leve olhada para o pai , tentando passar um ar firme e corajoso , mas sabia que não podia esconder muita coisa do patriarca , e também sabia que todos ali deviam achar que ele passava por mais uma fase de seu trauma , e talvez estivesse mesmo,  mas queria saber , e saberia . 

O policial o olhou meio em dúvida , não sabia se dizia ou não ao rapaz, tão ferido e abalado a sua frente algo como aquilo , que poderia o perturbar mais do que ajudar , mas sabia também , só de olhá-lo , que se não lhe contasse ele arranjaria um jeito de saber . 
Uma olhada rápida ao pai , que lhe acenou de forma triste em concordância , o convenceu afinal a dizer o que sabia , o que era até bastante , afinal ele havia sido encarregado pelo caso , semi abandonado de Tougou a dois anos . 

- No total pelo que sabemos são 21 pessoas , todas ao longo da vida criminosa que ele teve mais para o centro do país , ele era bem conhecido , trabalhava em gangues , mas …digamos sempre foi mais um lobo solitário e acabava sempre saindo dos grupos e andando sozinho fazendo seus crimes por conta própria  . Também houve casos de brigas que ele se envolveu, dos tipos de brigas de beco onde morrem muitos desses marginais ao mesmo tempo ….fazem como uma pequena guerra …sabe ? Mas …bem …..isso ele era mais jovem ….daí não conseguimos fazer mais ou menos uma estimativa de quantos ele….

-  Essas pessoas  que você disse no começo …..elas eram ….vítimas dos assaltos ? 

Sua voz era baixa , mas seus ouvidos estavam atentos para a repostas . 

- Seis pessoas foram confirmadas em assaltos comuns de casa , três jovens e três idosos , ele entrou em um grupo criminoso por volta dos 20 anos e matou todos os companheiros após uma briga interna , eram 15 no total , de resto não sabemos bem , mas estipulam que em brigas de gangue ele tenha matado uns ….

- 100 , foram …100 .

A voz do Matsuno foi baixa e sombria , o policial o olhou surpreso e incomodado , assim como os outros no quarto . 

- O…Osomatsu ….c..como você sabe disso ? 

Perguntou Matsuzou da forma mais delicada que pode erguendo o olhar para o filho de modo preocupado . 

- E…ele…..m..me .. disse ….bem …não com todas as palavras ….

O Matsuno riu , uma risada triste enquanto encarava as próprias mãos , o pulso enfaixado e o braço engessado . 

- Então era isso que me incomodou , eu sabia que ele não estava falando de animais ….

Fala Osomatsu sombriamente , parecia falar mais consigo mesmo demonstrando uma expressão triste e sarcástica . 
De repente o policial se viu interessado se aproximando mais da cama olhando para o enfermo com um brilho de interesse , atrás de si seu parceiro mais jovem erguia apressado o bloco de notas que ele havia guardado a pouco tempo . 

- O que ele lhe disse ? 

A pergunta simples ficou no ar por momento , o policial quase a repetiu pensando que Osomatsu não havia o ouvido , mas logo ele ergue o olhar , com um sorriso triste e cheio de medo e ressentimento . 

- Quando eu era pequeno e ….bem ele ainda morava lá em casa e eu …acabei por fazer uma tentativa de chamar meus pais durante a noite ….

Ele parou por um momento relembrando , ao seu lado o pai o olhava surpreso , quase horrorizado , era primeira vez que Osomatsu contava realmente sobre o que lhe houve na infância , não haviam conseguido tirar muito do menino traumatizado de muitos anos atrás . 

- ….para me ameaçar ….ele disse ….disse que ele já havia matado três pessoas  , 15 gatos , três sapos e ….100 moscas ….pensei que queria fazer uma piada de mal gosto na época …mas aquilo sempre me assombrou , ainda mais quando ….quando eu o vi esfaquear um homem em um assalto …na mesma época . 

Todos da sala o olharam meio pasmos , não tinham informações de nada daquilo , e realmente mesmo que ele pensasse que não estava dizendo nada demais Tougou havia dito ao garoto de muitos anos a sua lista de mortes , condecoradas por si mesmo , de forma causal e em tom de sarcástica brincadeira . 
Os números batiam tão bem que não havia como discutir , e o policial não duvidava que alguém como Tougou contasse suas vítimas como se fosse algo para se tirar vantagem , e de fato era …para o mundo em que vivia .
Também seu modo sarcástico de classificar aqueles que o irritavam como diferentes animais, como “mosca” “gato” “sapo”  em sua brincadeira eram bem típicos de si , o policial sabia bem , já que havia tido algumas conversas com o próprio Tougou nos anos em que ele ainda estava preso , mas logo desistiu de tentar tirar algo do homem , ele era como um Raposo cheio de artimanhas e piadinhas secas , e não se abalava muito nem física nem psicologicamente , pelo menos não com as horas a fio de entrevistas dos policiais , aquilo o divertia .  

Os gato de que falará deveriam ser seu antigo grupo assassinado , os sapos os idosos , as moscas aqueles que ele matou e nem deveria se lembrar bem da época da juventude a ponto de serem comprados com os insetos , já os únicos referidos como pessoas deveriam ser alguns infelizes , talvez os três jovens , que tenham cruzado consigo e visto o que não deveriam ter visto sendo mortos não por o irritar mas por simples acaso . 

O parceiro mais jovem do policial logo anotou tudo dando um olhar assertivo ao veterano quando este o olhou indagador . 
Osomatsu se calou , voltando a encarar as mãos , sua mente agora estava a mil com a nova e desgostosa descoberta , não sabia como se sentir , mas um vazio sombrio cobria seu interior agora , era como se sentiu quando Tougou o levou de lá para cá para fazer assaltos consigo , ou quando ficou à espera de seu destino quando Tougou o deixou no quarto escuro da odiosa casa que tinha sido palco para sua segunda tragédia . 

- Estamos gratos com sua cooperação Osomatsu-san , você foi corajoso , as informações que nos deu provavelmente podem colocar Tougou na prisão pro resto da vida dele , sei bem que você quer isso mais do que qualquer um . 

Fala o policial formalmente antes de ir embora , mas Osomatsu não lhe deu muita atenção , coisa que não foi de muito interesse do mais velho que acenou para o parceiro e logo saiu dali. 

A partir da visita da polícia Osomatsu ficou calado por um bom tempo , duas semanas em seu estado meio frio e sombrio . 
A família se preocupou achando que de uma só vez o Matsuno mais velho havia voltada a casca vazia que ele se tornou a muitos anos atrás quando ainda criança após o trauma inicial com a primeira temporada com Tougou , sabiam que as coisas haviam sido piores agora , mas tinham esperanças que por ser já um adulto Osomatsu não se afetaria tanto , foi que pareceu quando ele acordou , mas agora viam que negligenciavam o real teor do que aconteceu e do que ele sentia por dentro  . 

Eles não estavam com ele , não viram nada , e o que achavam ser ruim nem chegava perto da realidade que ele teve de enfrentar sozinho , mas agora eles sabiam bem , principalmente Matsuzou que havia ouvido de primeira mão o depoimento do filho para a polícia , onde todos os detalhes do terror forma expostos . 
Não disse nada aos outros , mesmo com a insistência dos mesmos em saber , mas aquilo não ajudaria em nada , o depoimento havia perturbado o próprio patriarca , a família e ele mesmo podiam perceber , não queria que eles se culpassem ainda mais , e Osomatsu também não , lhe pediu para que mantivesse silêncio , e assim o fez . 

Mas essas duas semanas passaram bem lentas , Osomatsu ainda estava no hospital , mas a cada dia um membro da família dormia consigo no quarto e a cada dia eles recebiam o mesmo relato sobre o estado frio do mais velho dos sêxtuplos, o desânimo e melancolia em conversar ou comer. 
Ele parecia distante , como se revivesse todos os episódios ruins que sofreu na infância e agora todas as noite, assim como antigamente,  ele acordava , só agora não gritava pelo pai em busca de ajuda  , só arfava tremendo , os olhos perdidos em um canto qualquer do quarto . 

Foi difícil vê-lo assim , nem as visitas dos amigos o animavam muito , ele não parecia da bola para nada , a única coisa que o despertava um pouco eram as poucas menções que faziam sobre os próprios acontecimentos que o levaram a ficar assim , mas logo eles trataram de não conversar sobre na frente de si .

Foi como mágica que no fim dessas duas semanas que se seguiu ele pareceu melhorar rapidamente , os olhos voltando a ter algum brilho e seu interresse e humor típico renascendo da melancolia que o apreendera desde de o depoimento . 
Os irmãos de início ficaram receosos de falar consigo ,com medo de que a qualquer fala descuidada o irmão fosse carregado novamente para aquela terra distante que o fazia ter um olhar vago e meio morto . 
Mas isso não aconteceu  , na segunda feria da terceira semana o aniversário dos sêxtuplos havia chegado , e com isso o humor do mais velho também veio junto dele . 
Houve só uma pequena comemoração no hospital, com direito a um bolo  , somente com as pessoas haviam vindo o visitar participando da festa  , mas aquilo foi suficiente para animação de todos finalmente chegar até o avermelhado que sorriu e brincou com os amigos e a família pela premeria vez desde de o encontro com os policiais .

Seu problema psicológico não havia sumido , eles sabiam , e nem sumiria , nem em um ano ou dois , ele sempre se lembraria , era um fato . 
Ele era como aquelas pessoas que vão a guerra , para elas a guerra nunca abaria , pois haviam marcas profundas em seu ser que não as deixaria esquecer . 
Mas Osomatsu estava bem , ele passaria por isso junto da família , e sua família era bem grande para que enfim ele não se visse perdido sem ninguém . 

Perder a memória sobre o assunto já havia se provado infrutífero e até perigoso , sendo uma cosia que eles não queriam repetir nunca mais  , por isso a família optou por métodos tradicionais procurando ajuda em uma clínica onde só  tratavam do assunto . 
De certa forma ajudavam , mas a intervenção deles próprios era importante , eles sabiam também que no fundo Osomatsu nunca mais seria o mesmo , era triste , mas não podiam se deprimir por isso , ele estava vivo e bem , e logo voltaria para casa , pois a alta não estava longe de acontecer . 

Assim que pode retirar a touca de faixas da cabeça eles o liberaram para voltar para casa , onde o Matsuno pediu, após a mãe e o pai ofereceram a própria cama para si ,  para que ficasse em seu lugar típico junto aos irmãos , mesmo que ainda estivesse com ferimentos mais sérios sendo tratados . 

Os dias se seguiram normais , cada dia mais e mais o velho Osomatsu assumindo o lugar e ocupando seu lugar de direito entre os Matsunos . 
De certa forma não havia o por que estranhar isso , não era como se a intervenção de muito tempo atrás da hipnose havia feito algo além de sumir com as memórias dos sêxtuplos por um tempo , no fundo eles já eram sequelados pelo acontecido e suas personalidades foram sendo criadas afetadas por aquilo , mesmo que não soubessem disso . 
Entre eles a de Osomatsu era a mais visível , a família podia ver agora os traços que antes eles ignoravam ou simplesmente não sabiam existir . 
Seu jeito de esconder seus sentimentos e sua maneira de sempre querer deixar a família o mais próxima possível , tudo era por causa daquilo , e era algo que não mudaria , não sem a ajuda e insistência dos outros . 

Mas tudo passou , como todas as coisas sempre passam na vida , e logo que Osomatsu pode andar novo , com muletas , as coisas estavam quase que esquecidas . 
E claro que nunca se esqueceriam de fato , mas seguiriam a vida normalmente , fingindo , como muitos faziam e fazem pelo mundo , que nada havia acontecido . 

Osomatsu temia que um dia Tougou voltasse, era algo que ele guardava para si mesmo , mas os irmãos sabiam bem o que sentia , mesmo que ele não disse-se com todas as letras  . 
Era um medo que ele teria de conviver , pois não  importa o que os irmãos dissessem para si , nem seus pais, amigos ou polícias  , mesmo que o homem estivesse morto ainda assim durante a noite ao som de um barulho entranho ou andando por uma rua meio deserta , ele sempre teria e impressão que Tougou sairia das sombras para pega-lo , arrastando-o para escuridão , de onde não sairia nunca mais . 

Mas no fim tudo passava , o medo também passava , ninguém vinha lhe pegar ele sempre voltava para casa e sobrevivia outro dia para contar a história . 
Tudo havia acabado , e ele estava de novo bem em casa , os dias que se passavam , tudo ficando a cada dia cada vez mais para trás em seu passado . 
Ele sabia que ele sempre se lembraria , da dor , do medo , e de tudo o que o fazia temer ficar sozinho , ou dormir de noite com medo de pesadelos , o forçando a ficar encarando os irmãos , já adormecidos , falando baixinho a estranha mas útil cantiga que haviam lhe ensinado na clínica para que acalmasse  . 
O sorriso de Tougou e sua risada maligna nunca sairiam de sua memória , mas ele estava bem apesar disso , pois agora não estava de todo sozinho , as mentiras haviam sido todas lavadas , e agora seus irmãos e seus pais sabiam de tudo e estavam seguros  , e ele os tinha ao seu lado mais uma vez como uma família normal ……..só ……não podia impedir o furacãozinho que sempre viveria dentro de si , aquele que sempre o lembraria que Tougou estava por aí , só esperando para que um dia ele voltasse e cumprisse sua terrível promessa .


Notas Finais


Acabou !! O que acharam ? Era como esperaram ? Acharam o final ...bem ...um final feliz ?


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