História Silente Devoção - Capítulo 12


Escrita por: e Rosenrot9

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Aldebaran de Touro, Mu de Áries, Saori Kido (Athena), Shaka de Virgem
Tags Aldebaran, Drama, Saint Seiya, Shaka, Superação, Traição
Visualizações 115
Palavras 4.806
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Prometi que não demorava, não foi?

A espera valeu a pena, porque consegui desenvolver o capítulo muito melhor de maneira separada, e um cap que achei que teria 2000 palavras agora tem quase 5000 e ainda ficaram coisas legais para o próximo.

Eu planejava usar outra capa para o capítulo, uma imagem do Mu bem bravo com roupa de treino, PORÉM eu lembrei dessa fanart da Rosenrot e não teve como. ELA É PERFEITA KKKKKKKKKKKKK
Não que as coisas vão acontecer como estão retratadas na imagem, mas tem todo um conceito por tras e...a foda-se vão ler logo o capítulo que vcs vão entender uahuhauhah

Capítulo 12 - A influência terrível do ciúme ditado pela paixão.


Fanfic / Fanfiction Silente Devoção - Capítulo 12 - A influência terrível do ciúme ditado pela paixão.

— Boa tarde moças! Será que posso interromper o balé das duas?

Virgem e Áries interromperam os golpes, surpreendidos ao se voltarem na direção da voz e encontrarem ninguém menos que o Cavaleiro de Fênix, de braços cruzados e um ar debochado no rosto a encara-los.

♈ *** ♍ *** ♌

Imediatamente Shaka e Mu abandonaram a postura de luta e sérios encararam o Cavaleiro de Bronze petulante. O silêncio que pairou pelos três era tenso e desconfortável, mas logo foi interrompido por Virgem.

— Obviamente que sim, afinal creio que ainda tenho tempo até as próximas audições para o Bolshoi. —— o loiro disse com voz tranquila, para a surpresa do ariano ao seu lado.

Ikki não respondeu, em vez disso encarou Shaka por alguns segundos antes de descruzar os braços, dar um sorriso debochado e estender a mão para cumprimentar a ambos de modo descontraído.

— Posso saber ao que devemos o ar da sua graça por esses lados, Cavaleiro de Fênix? — o loiro inquiriu assim que soltou o aperto de mão forte do jovem.

— Burocracia irritante, entrega dos relatórios das missões... Essa baboseira toda que a Saori gosta. — Ikki torceu os lábios demonstrando seu desagrado com os protocolos militares do Santuário — Aparentemente estava em atraso com meus deveres de “Cavaleiro” — resmungou — Depois da reunião e da bronca da patricinha mimada, resolvi dar uma volta por aqui e avistei vocês brincando de lutinha e vim bater um papo.

A forma desrespeitosa como Ikki tratava a ambos e também a deusa incomodava muito o ariano, que permanecia calado apenas observando o diálogo que se desenrolava a sua frente. Estava ciente da fama que o Cavaleiro de Fênix possuía por ser extremamente grosseiro e mal educado, porém seu maior incômodo era com a forma natural e quase “íntima” com que Shaka lidava com ele.

Virgem era um Cavaleiro que impunha respeito, ninguém lhe dirigia a palavra com tamanha insolência e ficava por isso mesmo, muito menos alguém de patente inferior. Só que além de Shaka não ter repreendido Fênix, ele havia respondido o jovem rapaz com igual informalidade e agora conversava descontraidamente com ele.

Mu sabia que por causa da luta que os dois travaram no Templo de Virgem na época em que os garotos invadiram o santuário, eles haviam se aproximado e cultivado uma espécie estranha de amizade após a ressurreição dos Cavaleiros. O que o lemuriano não imaginava era até que ponto essa amizade havia chego, e levando em consideração a maneira como Ikki os abordou e a reação extremamente descontraída do virginiano, a afeição entre ambos era muito maior do que Áries supunha.

A constatação desse fato foi o suficiente para mexer com todos os nervos de Mu de um modo que nunca havia acontecido antes.

A revoada de borboletas em sua barriga desapareceu afugentada por uma injeção de adrenalina que agora corria por sua circulação em velocidade astronômica, fazendo as veias de seu pescoço saltarem e pulsarem enlouquecidas, tamanho era a irritação que sentia pela cena que transcorria diante de seus olhos.

Ciúmes.

O ariano jamais conhecera o amargor do ciúme, nem mesmo quando fora traído por Aldebaran esse sentimento se fez presente. Havia sofrido sim com a traição, mas por conta do engano, da mentira e da deslealdade. Agora Shaka estava ali bem na sua frente, cheio de gracinhas com Fênix e no maior papo com ele, enquanto era ignorado solenemente. Combustível mais do que o suficiente para inundar os lábios de Mu com o gosto amargo de fel que só o mais terrível ciúme proporcionava.

A cena toda era um completo absurdo em sua mente. Nem ele, o melhor amigo do loiro era tão invasivo daquela forma. Para piorar Shaka além de não se importar, ainda dava trela para o japonês.

Obviamente ele, Mu, estava sobrando.

O ciúme doentio e avassalador que tomou conta de todo o seu coração, o faz odiar Ikki naquele mesmo instante, sua ira sobrando também para Shaka, que era culpado por permitir aquela intimidade toda. Mu usava toda sua força de vontade para não se atirar entre os dois, mandar o Cavaleiro de Bronze embora a tapas e arrastar Virgem pela mão para bem longe daquele abusado.

— ... pois é, faz tempo mesmo. — sem se dar conta do que acontecia, o jovem continuava a conversar com o indiano — Mas foi bom! Acho que o Mu gostaria de ter noticias do pivete encapetado que ele largou lá com a gente. Né não Mu? — Ikki se voltou para o lemuriano.

Só então Fênix e Virgem notaram que algo acontecia devido o semblante fechado do outro. Áries estava com o rosto vermelho e os lábios tão comprimidos que mal podiam ser vistos, enquanto encarava os dois e apertava os punhos com força.

Shaka arqueou uma sobrancelha, estava confuso diante da postura hostil do amigo.

Já Ikki foi mais direto:

— Que foi Mu? Me achou gato e quer um beijo? — riu não levando a carranca do ariano a sério.

— Não te dei liberdade para falar comigo desse modo, Cavaleiro de Bronze! — Mu respondeu com tanta agressividade que fez morrer o riso nos lábios do jovem japonês — Se tem notícias do meu aprendiz, diga de uma vez e poupe meu tempo e meus ouvidos.

— Mu! — Virgem exclamou surpreso com o destempero aparentemente sem explicação do amigo lemuriano.

— Eita! Calma, carneirão! Dormiu do avesso? Não precisa me dar cabeçada nem afiar os cascos pra cima de mim não, eu vim em paz. — para comprovar suas palavras o jovem levou uma das mãos ao bolso e retirou de lá um envelope e o estendeu ao ariano — Aqui, é pra você Mu, Kiki pediu que eu lhe entregasse essa carta, o moleque esta com saudade.

Aquele gesto pareceu abrandar a fúria ciumenta do tibetano, mas apenas um pouco.

Mu tomou o envelope da mão estendida com um gesto brusco e certa urgência. Não via Kiki a muitos meses, desde que ele fora passar uma temporada no Japão a fim de aprimorar seu treinamento e sentia falta do aprendiz. Por alguns instantes a atenção de Áries se desviou dos dois cavaleiros a sua frente para a caligrafia conhecida no envelope onde podia-se ler “Para o Mestre Mu”, grafado em tinta preta.

Shaka, que estava mais perdido que cego em tiroteio, sem entender porque Mu um homem conhecido por sua gentileza estava sendo tão grosseiro com Fênix, aproveitou a oportunidade para tentar amenizar o estranho comportamento do amigo tibetano e quem sabe acalmar seus ânimos.

— Que notícia boa Mu! — o indiano se aproximou do ariano com um sorriso discreto — Dias atrás estávamos justamente falando sobre Kiki, lembra? Obrigado Ikki, tenho certeza de que essa carta chegou em boa hora. Volta hoje ainda para Japão? — inquiriu ao jovem japonês ao se voltar para ele.

— Bem que eu queria, mas vai levar uns dias até Saori me designar as novas missões. Até lá fico por aqui.

— Que bom! — Shaka disse com entusiasmo e se voltou para o ariano tentando anima-lo — Mu, se você responder a carta nos próximos dias, Ikki poderá entregar sua resposta a Kiki.

Mas a animação do loiro não alcançou o amigo tibetano. Áries ergueu os olhos do papel e com a expressão dura e fechada respondeu ao indiano de forma rude.

— Não preciso dos favores de Cavaleiro de Bronze nenhum. Sou muito bem capaz de teleportar uma carta para meu aprendiz a qualquer instante Shaka. Já cansei de treinar. Pode continuar com seu amigo, não vou mais atrapalhar a prosa de vocês. Passar bem.

Sem esperar resposta o lemuriano se virou e saiu pisando duro. Nem mesmo as investidas de Aldebaran conseguia tira-lo do sério daquele modo e tão rápido. Diante do olhar perplexo de Virgem e Fênix, caminhou até a arquibancada, pegou a camisa jogada, a colocou de qualquer jeito e foi embora sem nem olhar para traz, visivelmente irritado.

— Rapaz... O que foi isso? Alguém esqueceu de colocar as ferraduras de pelúcia pro coice sair macio. — o jovem japonês comentou ao ver o ariano já distante se retirando da arena

Nem Ikki nem Shaka haviam entendido aquela atitude de Mu, fora tudo tão rápido e descabido que ainda tentavam processar porque ele havia reagido de forma tão agressiva sem motivo aparente.

— Eu não sei. Mu não é assim. Ele está passando por um momento difícil, mas... mas eu também não entendi. — Shaka respondeu com aparente tranquilidade, mas em seu íntimo ser tratado daquela forma pelo homem que amava, ainda mais sem ter feito nada, doeu.

Imediatamente a mente do loiro começou a trabalhar em muitas hipóteses, uma pior do que a outra. Primeiro Mu ficou distante quando saiu da prisão, agora era grosseiro consigo de um jeito que nunca fizera antes, estaria ele bravo? Chateado com algo que dissera?

Fênix notou a pequena ruga de preocupação que o virginiano formou no belo rosto e se colocou na frente dele.

— Relaxa lora, o carneirinho deve estar assim por causa do galho que levou. — a voz de Ikki retirou Shaka de seus pensamentos.

— Você já está sabendo?

— Quem não está? Só se fala disso.

— Tem razão. Os últimos acontecimentos não fizeram bem a ele, eu nunca o vi assim em anos de amizade.  — a preocupação de virgem era palpável no tom de sua voz, que caminhou até a arquibancada e pegou a própria camisa e a vestiu — O menino... também já soube? — perguntou receoso pelo conteúdo da carta de Kiki.

— Não. O pestinha se quer sabe que Mu ficou “desaparecido”.

Shaka suspirou aliviado.

— Melhor assim, Kiki é muito apegado ao mestre, mas também a Touro. Tenho certeza que a notícia da separação além de atrapalhar o seu treinamento, tornará essa separação ainda mais dramática. É melhor que o garoto saiba na hora certa, de preferência pelo próprio mestre. 

Ikki acenou positivamente com a cabeça.

— Relaxa, eu não faço o tipo fofoqueiro.

— Eu sei. Agora se me der licença eu já vou, o treino acabou para mim. Se quiser depois passe em virgem para conversarmos com mais calma.

O cavaleiro de Fênix não respondeu, apenas acenou em despedida, cruzou os braços e observou o virginiano ir embora caminhando na mesma direção em que Áries havia se retirado instantes antes.

♈ *** ♍ *** ♌

Não muito tempo depois, sentado embaixo de um frondoso damasqueiro em um local afastado do santuário, Mu buscava se acalmar e entender seus próprios sentimentos.

Sob a luz agradável do fim da tarde tentara ler a carta de Kiki, mas fora em vão. Não conseguia se concentrar nas palavras que via no papel, pois era atormentado pelas imagens de Shaka “todo alegrinho” conversando com o maldito Fênix.

— Ele quer me enlouquecer.— resmungou ao devolver a carta ao envelope e coloca-lo no bolso, desistindo da leitura.

Frustrado, o lemuriano correu os dedos pela testa e pelos cabelos presos, ainda mais irritado ao se dar conta de que o que sentia era o mais puro e dolorido ciúmes, pois em sua cabeça a amizade do indiano era única e exclusivamente sua, vê-lo tão descontraído com outro era como receber uma apunhalada no peito.

“Mas que droga! Seu melhor amigo sou eu, Shaka! Desde quando você é de ficar de risinho frouxo com o aquele grosseirão do Fênix?” — Praguejava mentalmente.

Ao mesmo tempo em que era consumido pela raiva ciumenta, sentia culpa. Fora rude com os dois, não que se importasse com aquele moleque metido, mas Shaka não merecia aquele tratamento. Porém mesmo tendo consciência de seu erro, Mu não era capaz de conter seu impero furioso.

A famosa explosão de ira irracional ariana nunca se mostrou tão verdadeira como naquele momento. Ira essa que só se agravou quando avistou Shaka de Virgem caminhando a passos rápidos em sua direção.

Mu sentiu os pelos da nuca se eriçarem, o coração acelerar e as mãos tremerem. Imediatamente fora arrebatado por um grande dilema: Encher a cara bonita do loiro de tapas ou de beijos.

Como não podia fazer nem um, nem outro, era melhor ir embora.

O indiano era a última pessoa que queria ver naquele instante, por isso nervoso se levantou apressado no intendo de deixar o local. Precisava sair, pois tinha plena certeza que não seria capaz de controlar a própria língua e falaria ainda mais desaforos ao amigo.

Mas Shaka não facilitou as coisas para si.

Virgem conhecia o lemuriano mais do que ninguém, por isso fora até aquele damasqueiro, pois sabia que era sobre a sombra de suas folhas que Mu se refugiava quando estava bravo ou nervoso com alguma coisa e queria sossego, já haviam dividido aquela sombra várias vezes no passado, um habito da infância que o tietano não havia perdido, visto que fora exatamente sentado a sombra da arvore frondosa que o encontrara.

Confuso e ofendido com a postura do amigo, Shaka estava ali exatamente para esclarecer o que foi aquela cena ridícula na arena. Amava Áries, mas nem por isso aceitaria que ele o tratasse daquela forma rude sem motivo algum. Queria desfazer o mal entendido, fosse ele qual fosse.

Conforme se aproximava percebeu que Mu não gostou de vê-lo ali, e assim que o notou se levantar e começar a se retirar do local apertou o passo e correu até ele, alcançando o lemuriano em poucos segundos.

— Espere! Eu quero falar com você. — chamou ao tocar no ombro do lemuriano.

Mu parou a caminhada e se voltou para Shaka dando uma bufada de descontentamento por não ter conseguido escapar.

— Falar o que Shaka? Achei que estivesse ocupado demais conversando com seu amigo flambado! — quando Áries se deu conta a resposta acida já havia escapulido de sua língua afiada.

— Mu! — o loiro afastou a mão com o qual tocava o amigo — O que deu em você?

— O que deu em mim? Nada, Shaka! absolutamente nada!

— Então por que está sendo tão rude? Você não é um homem de grosserias e nem eu, muito menos Fênix, te demos motivos para tal tratamento.

De novo o indiano defendia Ikki.

Por mais que Mu tentasse se acalmar e raciocinar de maneira correta, o ciúme não deixava. Só de ouvir Shaka citar o jovem japonês sentiu o sangue borbulhar de raiva. Sua pressão arterial subiu ao ponto de deixar visível o pulsar dos vasos em sua testa. Sabia que estava fora de sua razão, Virgem não merecia sua ira, mas assim como não podia controlar a paixão arrebatadora que sentia por ele também não era capaz de conter aquele ciúme corrosivo que agora o comandava.

— Não? Aquele moleque insolente foi desrespeitoso desde o momento em que nos abordou. — Áries tentou se justificar.

— Por Buda, Mu! É por isso? — Shaka indagou incrédulo — Estamos falando do Ikki, a cada dez palavras que ele fala, onze são insultos. Não se deve levar a sério o modo bronco que ele tem.

— Que conveniente! — o lemuriano cruzou os braços — Está aqui tirando satisfações comigo por conta de uma ou duas respostas atravessadas que dei, mas aquele desabusado petulante pode ofender até a nossa deusa que não devemos levar a sério.

— Mu de Áries! — a voz soou firme e séria — Você sabe que essa acusação velada não é verdade.

— Sei? Só o que eu vejo é você defendendo aquele frangote que chamou a deusa Athena de patricinha mimada.

Shaka arregalou os olhos fazendo uma lufada de Cosmo ricochetear contra o rosto de Áries e uma nuvem de poeira e folhas voarem ao redor dos dois. Não estava acreditando nos absurdos que ouvia do tibetano. Com o rosto fechado em zanga encarou-o firme.

— Pare com isso! Fênix é sim um jovem bruto, grosseiro e sem educação alguma, isso é um fato irrevogável, não adianta esperar dele alguma gentileza. Entretanto mesmo que seus modos sejam terríveis ele me ensinou uma valorosa lição quando lutamos e sou grato por isso. Aprendi ver mais do que mostram as aparências, enxergar e ouvir além das asneiras que ele fala, absorvendo apenas o que é bom.

— Se veio até aqui para acoita-lo poupe o meu e o seu tempo Shaka, e me deixe ir embora.

— Eu não o estou acoitando! Se eu estou aqui é porque diferente dele que é apenas um “moleque petulante”, Você, Mu de Áries, é um homem honrado e gentil. Nunca foi de seu feitio ser agressivo sem motivos e eu quero saber o que está acontecendo.

Áries descruzou os braços, apertou os punhos e comprimiu os lábios em uma careta.  Mesmo que reconhecesse verdade nas palavras do loiro a sua frente, o lemuriano não poderia se explicar sem ao mesmo tempo confessar seus mais íntimos sentimentos. Angustiado e nervoso, divisou discretamente os olhos de um azul profundo a encara-lo na espera de uma resposta.

Precisou morder os lábios com força para segurar a língua e conter a verdade que desejava gritar em plenos pulmões: “Ciúmes, Shaka! Eu sinto raiva e estou sendo corroído pelo ódio agora que percebi que eu não sou mais o seu único amigo. Estou completamente mordido de ciúmes de você, seu monge loiro maldito, porque eu te amo! Porque eu estou profundamente apaixonado por você e já que esse amor é impossível, eu queria ter ao menos a exclusividade da sua amizade!”.

Não poder extravasar seus verdadeiros sentimentos só nublavam ainda mais a razão de Mu, fazendo-o ficar mais angustiado e enfurecido. Não que estivesse conseguindo esconder totalmente o que sentia, mas o rosto vermelho, os lábios comprimidos, a testa franzida, os punhos serrados e a respiração acelerada eram apenas como pequenas nuvens de fumaça e gás, expelidas de um pico rochoso e que escapam até a superfície sem perigo aparente, mas que são oriundas do interior da montanha onde um vulcão em plena atividade, um inferno de magma incandescente e borbulhante, se esconde prestes a explodir.

— Sabe qual o problema, Shaka? Exatamente isso que você disse.

— Como assim? — o indiano ficou ainda mais confuso.

 — As pessoas me têm como uma ovelha dócil e mansa, um palerma sempre com um sorriso no rosto ou carinha de dó. — Mu ocultou a verdade dando voz a outros sentimentos inflamados por sua ira — Você pelo jeito também se esqueceu que sou um regido por Áries, que tenho fogo correndo em minhas veias! — estendeu o braço de forma enérgica — Por conta disso agora vem me exigir satisfações do porque não engoli calado os desaforos de Fênix.

— Não é nada disso, Mu! Por Buda! Esta interpretando mal minhas palavras...

Exasperado o indiano tentou remediar mais uma vez, mas Mu não o deixou continuar dando vasão a sua fúria.

— Estou? Pois eu acho que não. Estou farto de me tomarem por cordeiro manso, um tolo indulgente e brando. — falava com voz grave e elevada visivelmente alterado, sem dar chance de resposta ao outro — Talvez seja esse meu grande erro. Por isso Aldebaran acha que o adultério não foi algo grave, que ainda tem chances de obter o meu perdão, afinal não passo de um pacóvio agno!

— Por Buda! Olha a sandice que está falando, Mu! Uma coisa não tem nada haver com a outra. — Shaka estava perplexo com as afirmações descabidas e com o rompante agressivo do lemuriano.

— Não? Pois Touro achou que podia me fazer de idiota e você acredita que eu tenho que ser gentil com um frangote maluvido e rude só porque ele caiu nas suas graças. — muito bravo, Mu apontou o dedo para Shaka e deu um recado trincando os dentes —  Pois preste bem atenção, Shaka de Virgem! Eu não vou ficar agradando aquele moleque apenas porque é seu amiguinho. Não se esqueça de que no passado foi a mim que você pediu ajuda para salvar Fênix, para trazê-lo de volta da dimensão onde estavam presos. Pois saiba que eu fiz aquilo por você, não por ele! Não pense que vou deixar Ikki me desrespeitar apenas para não te desagradar. E tem mais, já que são tão próximos aproveita para tomar chai e treinar com ele, pois meu tempo é escasso. Só toma bastante cuidado porque se forem parar na puta que pariu de outra dimensão de novo, não adianta me contatar implorando pra salvar o rapazote, porque eu tenho mais o que fazer e não vou mover um fio de cabelo para teleporta-lo.

Horrorizado e de olhos arregalados, o indiano mal conseguia absorver aquele monte de impropérios ditos por Mu.

Estava nítido o descontrole do ariano, assim como percebeu que tudo o que ele, Shaka, falava era mal interpretado e distorcido pelo amigo, por isso agora estava sem saber o que dizer. Temia que qualquer pronunciamento seu agravasse ainda mais aquela discussão absurda. Respirou fundo, fechou os olhos e procurou toda calma, sabedoria e paciência que possuía em seu âmago para lidar com o ariano furioso a sua frente, se Mu estava sendo controlado pela insanidade da ira, Shaka não estava.

Alguns instantes se passaram tendo apenas o silencio desolador e a respiração afiada do ariano entre eles, até que Virgem deu um longo suspiro e reabriu os olhos.

— Você está tão alterado que foi completamente dominado pela ira. Perdeu completamente o controle sobre o que sai da própria boca, Mu! — Virgem disse procurando manter serenidade aparente — Não sei o que despertou em você o gatilho para tamanha fúria, mas eu te conheço à anos e sei que suas palavras estão envenenadas pelo furor da cólera, por isso não irei leva-las em consideração. Eu compreendo que está passando por momentos extremamente difíceis e que mechem com o juízo até do mais sensato dos homens. Sei também que ninguém é de ferro e que todos estamos fadados a dias ruins. Ainda assim isso não lhe dá o direito de descontar em mim ou em qualquer outro suas frustrações. Você está errado e eu vejo no fundo dos seus olhos que sabe disso. — Shaka pregava suas poderosas íris azuis diretamente no mar verde furioso que habitavam os olhos do tibetano. Com certo alívio percebeu que Mu não o contestou, ao contrário, mesmo exaltado parecia prestar atenção ao que falava sem intensão de interrompe-lo, por isso prosseguiu — Pensei que ao te procurar para conversarmos eu poderia ajuda-lo mais uma vez, mas eu estava enganado.

O virginiano deu um passo para frente diminuindo a distância entre eles. Sem se mover, o ariano tentava conter sua respiração acelerada sem desviar os olhos de Virgem. Segurava seus ímpetos com muito custo, pois sua língua coçava para responder o virginiano a todo instante, mas não queria mais brigar. Sabia que estava errado e já que toda vez que abria a boca por ela escapavam um monte de besteiras, mantinha-a bem fechada comprimindo os lábios.

— É por isso que vou me retirar e deixa-lo em paz, Mu, para que consiga se acalmar e refletir sobre o que quer que esteja te afetando dessa forma tão intensa. — Shaka elevou um dos braços e tocou o ombro do amigo, apertando sutilmente na forma de um afago consolador. O gesto foi acompanhado pelos olhos de Mu, que não o impediu ou se moveu, permitindo o toque — Tenho plena certeza de toda essa fúria tipicamente ariana vai passar e a razão voltará a sua mente tão rápido quanto acaba uma tempestade de verão. Quando estiver mais calmo, se quiser conversar e desabafar o que te atormenta sabe onde me procurar. — a voz de virgem então se tornou mais baixa, quase um sussurro e ao prosseguir deixou escapar uma pequena nota de tristeza e mágoa — Você sabe que eu o tenho com muito apreço, Mu. É meu amigo de longa data, o mais íntimo dos poucos que tenho. Eu não preciso de ninguém para treinar ou tomar chai comigo, passei anos em reclusão absoluta e me acostumei com a solidão. Ainda assim, o Templo de Virgem sempre esteve e sempre estará de portas abertas para você. O receberei com prazer pronto para dividirmos um bule fumegante de chai ou uma prosa agradável, da mesma forma que eu sempre estarei disposto a trocar alguns golpes na arena quando desejar.

Assim que se calou, o Cavaleiro de Virgem afastou-se de Mu, fechou os olhos e lhe deu as costas deixando-o sozinho.

Shaka foi embora sem olhar para traz e com o coração partido. Nunca em toda sua vida havia discutido com o lemuriano e a experiência se mostrou extremamente dolorosa. Amava aquele lemuriano de todas as formas imaginadas, vê-lo lhe dirigir aquelas palavras rudes ferira seu coração, mesmo que houvesse dito que não. Havia partido antes que Mu, sem querer, pudesse magoa-lo ainda mais.

O lemuriano, por sua vez, observou o Cavaleiro de Virgem caminhar para longe completamente estático. Os olhos arregalados ardiam secos incapazes de piscar enquanto acompanhavam cada passo que Shaka dava para longe de si. A medida que que o indiano se distanciava o ar se tornava mais denso e difícil de inalar, fazendo o peito de Áries subir e descer descompassado. Quando a figura do loiro se tornou apenas um ponto distante no horizonte e sumiu, uma inundação tomou conta dos belos olhos verdes, aliviando a secura com lágrimas abundantes que transbordavam e molhavam todo o rosto de Mu.

As últimas palavras de Shaka foram como bofetadas e o atingiram de tal forma que se tornaram o estopim para o vulcão que Áries continha dentro de si entrar em erupção, mandando para a superfície todo o magma borbulhante, aquela torrente de emoções conflitantes e avassaladores com as quais não conseguia lidar.

O ciúme o havia feito dizer palavras cruéis e egoístas ao amigo. Palavras das quais agora se arrependia amargamente.

Todo o corpo do ariano sacudia e balançava incontrolavelmente quando um soluço escapou por entre seus lábios trêmulos, dando voz ao pranto engasgado em sua garganta.

— Seu grandessíssemo idiota!... Energúmeno imbecil! — praguejou soluçante, comprimindo os olhos com raiva. A voz soou embargada devido ao choro intenso.

Sua intensão era ofender a Shaka, que apesar de magoado ainda o tratava com gentileza e agora fazia com que se sentisse miserável. Porém, no fundo sabia que todas as injúrias eram direcionadas a si mesmo. Sentia-se péssimo, culpado e acima de tudo estúpido.

Exausto emocionalmente, se sentou ali mesmo sobre a grama rala que cobria o chão de terra, dobrou as pernas e apoiou os braços nos joelhos na intenção de esconder o rosto entre eles. Estava envergonhado e tentava de alguma forma esconder-se de si mesmo.

Shaka tinha toda a razão em tudo o que lhe dissera, ele, Mu, não era assim, não era um homem rude, destemperado, regido pelas emoções de forma desordenada. Havia magoado o amigo, sabia disso, havia visto a tristeza nas safiras azuis do indiano antes delas se esconderem por baixo das pálpebras de Shaka, e tudo isso por conta do que? De um ciúme doentio, oriundo da paixão maldita que parecia ruir com todas as bases sólidas e certezas de sua vida.

Agora entendia os contos e romances, as decisões e conflitos absurdos retratados nos livros.

A paixão emburrecia!

Era doce veneno, saboroso aos lábios, mas que silenciosamente penetrava o sistema nervoso de seu portador e matava todos os neurônios, transformando o apaixonado em um ignóbil.

— Por que você faz isso comigo? — mais uma vez não soube se sua indagação era para Shaka ou se questionava à própria paixão o motivo de tamanho tormento.

Não chorava dessa maneira desde que fugira para Jamiel.

Era até irônico, pois se em seu lar ele pranteou porque havia sido magoado e perdido um relacionamento, agora ele soluçava, engasgando-se de remorso por ter magoado a quem amava e pela perspectiva de um relacionamento que nunca teria.

Os valores eram completamente diferentes. Então por que a dor de ter magoado Shaka lhe parecia infinitamente maior?

A resposta lhe surdiu certeira no mesmo instante: Porque amava Virgem infinitamente mais.

Essa constatação só piorou ainda a onda de soluços e a torrente de lágrimas que molhavam seu braço, seu rosto e escorriam por seu pescoço até lhe molhar a camisa.

Estava condenado.

Sem forças para combater mais nenhuma emoção que o arrebatava, aproveitou que estava sozinho e oculto pela escuridão da noite que surgia, cobrindo o céu com seu manto de estrelas, para dar vasão a todo aquele tormento e aliviar suas dores.

Entregue a seu sofrimento o ariano não se deu conta de que, na realidade, não estava completamente só.

Muito distante, sentado no alto de uma coluna em ruinas, um jovem de olhos tenazes havia observado toda a cena atentamente, ocultando seu cosmo e sua presença de ambos os Cavaleiros de Ouro.

Assim que confirmou suas suspeitas, Ikki se levantou soltou um riso debochado com o canto dos lábios.

— Tsc, tsc, tsc... Dois idiotas! — estalou a língua dentro da boca — Quem diria, o carneirinho colocando as garrinhas de fora...  E o outro mais tapado que uma mula. Pior cego é aquele que não quer ver lorona... — falou para si mesmo — Acho que vou ficar mais uns dias por aqui só pra ver esse quengal pegar fogo.

Fênix riu divertido mais uma vez e saltou da coluna em direção ao chão, desaparecendo noite a dentro, decidido a estender sua estadia no Santuário.

 


Notas Finais


Sobre a imagem do cap, agora dá pra entender melhor, é o ciume do Mu que faz o Ikki afastar Shaka dele...entenderam?
Espero que tenha ficado bem claro que não existe nenhum tipo de interesse romântico entre Ikki e Shaka. Não se iludam, não vou fazer um quarteto, Aldebaran já me dá trabalho demais.

Enfim, quero saber a opinião de vocês sobre o cap e se era por isso que esperavam, ou se consegui surpreender alguem. Um pouco de pimenta é bom pra não deixar a fic morna, além disso eu queria mostrar um outro lado da personalidade do Mu, aquele pertencente ao signo de regimento. Afinal esse homem é um ARIANO NÉ NÃO? Se não der umas escorregada na banana, dedo no cu e gritaria de vez em quando devolve que tá com defeito. E que melhor gatilho para descontrolar esse carneirinho que um ciúme lascado do lorão?

Um beijo pra vcs..e até o próximo cap.

ps: pacóvio agno significa idiota bonzinho/manso e é da época do Shion de sunga... Com quem vcs acham que Mu aprendeu?

Link para a fanart da Capa no Tumblr da Rosenrot.
https://rosenrotstuff.tumblr.com/post/160570875511/the-true-lovers

Grupo no face com as minhas fics e das meninas - Fics trio ternura
https://www.facebook.com/groups/1522231508090735/

Grupo do Mushakismo, espaço reservado apenas para Mu x Shaka:
https://www.facebook.com/groups/554678934699718/


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