História Silver Laced Betta - Capítulo 12


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Palavras 1.049
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Matrizes funcionais


Fanfic / Fanfiction Silver Laced Betta - Capítulo 12 - Matrizes funcionais

A tarde fria ressoava com um choro desesperado de mulher. Como sempre, os pais estavam em viagem e Kallai era Kallai. Que o rumor não saísse dali, quem falasse teria a língua cortada. Não falavam, mas só onde ele pudesse ouvir. A pior parte, a digna de rumor, era que quem chorava não era a vermelha. Quem chorava era a irmã dele, uma audácia que talvez ele estivesse disposto a permitir, mas só porque sua sede de sangue estava para ser aplacada.

"Você conhece as regras." Ele tinha dito à vermelha. E ela conhecia. Não se encontre com outras pessoas. Não fale sobre isso. Não crie problemas que possam correr por aí e gritar sua ilegitimidade. O problema é que aceitá-las nunca tinha sido escolha dela.

Ele abrira a porta sem um som. Lotte o viu primeiro, mas já estava resignada com seu destino. Aqueles que trabalhavam com prateados ganhavam o suficiente para sua família, mas raramente duravam o suficiente para morrer naturalmente, e, acima de tudo, aqueles que contrariavam a vontade de um deles. Elisa tinha continuado sorrindo e falando, e tinha sido tão doloroso ver a expressão morrer nos olhos dela quanto era vê-la perder a compostura agora.

Estava ajoelhada na pedra fria e manchada. Um lembrete constante de tudo que já tinha acontecido ali. Lotte não chorava. Não esboçava expressão. Elisa tinha os olhos inchados, era segurada por Catrice, tentava sem sucesso impedir o irmão. Gritava como um animal ferido, e talvez o fosse.

Tinha os pés e mãos presos por grilhões e seus joelhos arranhavam contra a pedra. Kallai estava com raiva. Ela podia ver aquilo nos olhos dele, nas mãos inquietas, nos ombros tensos. Ele era belo, ela admitia, mas da mesma maneira como um escorpião é belo, com sua carapaça brilhante e movimento rápido; nada que ele fizesse ou palavra doce que dissesse dissolveria a aura de perigo que ele carregava, sua prontidão para o ataque. Ele gostava do ataque. Era seu estado natural, a batalha. Não importava o quanto Elisa fosse boa, ela nunca venceria o irmão numa luta justa; ele era a guerra, ele era a morte, ele era a pestilência, e Elisa era só Elisa. Charlotte temia por quem quer que viesse a ser a esposa dele. Quem quer que fosse, ela esperava que fosse o sangue, que fosse a fome, que fosse fumaça e ossos, porque apenas alguém tão duro poderia sobreviver a tudo que ele era.

Aquela não era uma execução pública. Uma desculpa esfarrapada era suficiente para permitir que ele matasse quem quisesse, então ele o fazia, só para deixar bem claro: quem mandava ali era ele e nunca de novo ela ousasse tocar no que lhe pertencesse.

—Alguma última palavra? — ele se ajoelhou ao lado dela, segurando seu rosto com uma mão e alguma força.

—Espero que o inferno seja quente, queime seus ossos, e faça seu sangue ferver como prata derretida, Kallai. — ela respondeu, docemente, o olhando nos olhos. Sabia que a outra a perdoaria pela ausência de seu afeto a ela porque pensava a mesma coisa.

—Se você já não fosse uma mulher morta eu a mataria for isso. — ele apertou os dedos na pele dela, e como último insulto, a beijou. Ela tentou mordê-lo, mas ele foi mais rápido. — Sua bastardinha. — ele riu. — Cheque o inferno para mim, sim?

E naquilo, Lotte começou a gritar. Elisa gritou junto. A dor desta era emocional, daquela, ardente, queimando, mas não quente, nunca quente. O sangue congelava nela, bloqueava, e  em pouco tempo, ela não gritava mais, não podia. Era agora, uma estátua fria.

Quando não havia mais chance de salvar a vermelha, ele a soltou, e Elisa foi solta também. Ela chorava sobre o corpo frio. Negava e implorava, acima de tudo, rugia. A fome da fera tinha sido saciada, ela se recolhia. A irmã padecia da perda, não queria crer no gelo à frente de seus olhos.

Mas Kallai não olhou para trás. Nenhuma ladra merecia suas condolências.

***

Catrice encarava com ódio os pais, dentro do navio.

A viagem do palácio de Greatwoods até o rio Capital tinha já sido um tormento. Elisa não chorava mais, estava resignada em seu luto. Não comia. Kallai parecia satisfeito consigo mesmo em um nível enojante.

E os pais não faziam nada. Se muito, Helenka era apenas uma serva perto do marido, e Catrice a odiava por isso. Ludano não era nenhum deus, e Helenka era uma Blonos, ele nunca poderia matá-la, então por que ela se resignava? A prisão dela era mental.
Não importava, e ela os odiava mesmo assim.

A viagem de barco era igualmente torturante, ela pensou, rosnando para seu suco de laranja, até que uma mão em seu ombro interrompeu os julgamentos da Gliacon mais nova.

—Eu tenho uma coisa para mostrar a você. — sorriu timidamente Helenka, e por mais que não estivesse com vontade, ela não podia se recusar.
A mãe a levou até o escritório do navio. Lá, trancou a porta. Ela estava ficando curiosa, embora não fosse admitir. O que a mãe tinha para mostrar que valesse a tranca?

Uma caixa pequena foi posta na mão dela. Pouco maior que um CD, e mais grossa que um livro.

—O que é isto. — ela levantou uma sobrancelha.

—Isso é uma desculpa. — Catrice começou a rosnar.

—Nada que você me dê vai compensar por-

—Eu não estou tentando compensar por nada. — Helenka a interrompeu. — Isso é uma desculpa porque não é isso que eu quero mostrar. Mas se alguém perguntar, é. — e abriu a gaveta da mesa, trancada com painel eletrônico. A filha queria retrucar, mas esperou, a curiosidade atiçada.
Ela retirou papéis, e os pôs na mesa. Catrice se debruçou sobre eles.

—Isso é um contato de casamento...! — ela disse, mais para si mesma do que qualquer outra coisa. — De quem...-

—Kallai. — ela sorriu timidamente outra vez. — Eu conheço a máquina de guerra que saiu de mim, Catrice, não ache que não sei. Portanto, eu pessoalmente escolhi a noiva dele.

—Isso não muda nada! — ela esbravejou. Helenka riu.

—Ah, muda sim, minha querida. Muda tudo. Monstros não perduram sem seus meios, e mulheres Arven não se dobram, não se prostram, não se quebram. A noiva dele nos há de dar sossego. Em uma carapaça adorável. A beleza de Dumali Arven é tão comentada quanto sua habilidade.



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