História Silver Laced Betta - Capítulo 24


Escrita por:

Visualizações 5
Palavras 1.629
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 24 - Vulturi pt.1


Fanfic / Fanfiction Silver Laced Betta - Capítulo 24 - Vulturi pt.1

Camille

Eu sempre soube que subiria em um altar, acompanhada de meu pai, para ser vendida a alguém por uma razão qualquer. A despeito de minha venda, eu sabia que teria ao menos um aliado na multidão. Os olhos dele eram iguais aos meus, sempre foram, sempre seriam. E no entanto, enquanto ambos encarávamos o teto do quarto dele, em nossa versão de vinte e um anos de idade de um forte de travesseiros, eu sabia que tanto eu quanto Kurt tentávamos processar o mesmo tipo de dissociação.

O casamento aconteceria no dia seguinte, ao pôr do sol. E não era de noite ainda. Mas tínhamos fechado as cortinas, porque não era a mesma coisa com a luz sobre o rosto. Felicidades ou não, ainda estávamos sendo separados de uma maneira cruel. Anéis de noivado e vestidos brancos eram o corte final, e doía.

—Às vezes eu imagino como seria se tivéssemos decidido que não queríamos nada com a coroa. O quão mais pacífico seria dormir à noite. — ele suspirou, ainda encarando o teto.

—Eu estaria me preparando para outro casamento, agora. Teria um anel de ouro preto com pedras brancas. — respondo, me sentindo tão exausta quanto ele soa.

—Seria tão bom não viver sob a sombra de três ancestrais que fizeram as escolhas erradas.

Eu concordo com ele. Se Agni Calore tivesse sido um pai melhor, talvez Seraphine não tivesse crescido fraca, faminta, apenas saciada pelo poder. Se Marsala Nolle tivesse insistido na importância de sua filha, talvez ela não tivesse visto em seu corpo morto, ainda quente, a oportunidade de sua vida. Talvez se Ishan ou Brandt tivessem visto o potencial bélico de sua irmã, ela não tivesse estado tão disposta a arrancar a coroa ardente de suas mãos. Mas pais Calore costumavam ter o péssimo hábito de só se importar com os herdeiros, rainhas com pouco espírito guerreiro viam nas filhas apenas uma futura esposa, e herdeiros criados por pais displicentes não viam no feminino um perigo. Seraphine Calore era filha das consequências, e pagou com moeda de ferro aquilo que os irmãos compravam com ouro. Tinha posto o reino a seus pés pela força, não pelo amor. E ainda assim, foi fraca demais para fazer a última coisa, a única que faltava para assegurar a permanência de seus descendentes no trono. Porque um Calore ainda era um Calore, e ela não podia passar os irmãos pela espada. E sou obrigada a discordar. Não serei a fraca. Minha paz só se consegue com minha descendência no trono.

—A paz se conquista, Kurt. Você esquece daqueles que nos prejudicaram, e você esquece o que nós ainda temos a perder, e as dignidades que ainda precisamos roubar para acertar com um sussurro aquilo que deveria ter sido respondido com guerra quando aconteceu. Você me pertence assim como eu pertenço a você, e até que tudo esteja dito e feito você não esquecerá, e não escolherá ferro a fogo. Eu serei rainha, e gerarei um rei para este trono, e você, meu irmão, me prestará tributo como me deve por sustentar isso em seu lugar.

A única resposta dele foi fechar os olhos por um longo momento, e por fim assentir em concordância.

—E como sempre, eternamente serei grato que a coroa não me cabe à cabeça, não é assim, irmã?

—É assim. Não baixe a guarda, Kurtis, nunca. Eu posso ser a rainha, mas você é quem dorme com a filha do aço. Com a única que restou. — sorrio, acho graça na ideia. — Talvez eu permita que o filho de Cantrix herde a fortuna Samos. Seria uma bondadezinha. Não matar aço com aço.

—Às vezes eu me preocupo com sua sanidade. — ele sorri, e beija minha testa. Esta é uma pequena paz.

—Eu sou tão normal quanto você.

—Então talvez estejamos ambos loucos.

***

A imagem que me encara de volta do espelho é muito mais majestosa do que deveria. Parece que, afinal, o papel de rainha pudica nunca me coube. Um número de damas da corte também me rodeia, mas não adianta. São como pardais perto de uma águia. Pardais belos e coloridos, sem dúvida, mas pardais de qualquer forma, quebradiços, pequenos, substituíveis.

Uma pequena multidão de criadas vermelhas circula pelo quarto, ajustando vestidos e penteados, embora o maior número delas seja dedicado à apresentação da futura rainha. A melhor aparência dessa é fundamental. Algumas damas em especial possuem um número um pouco maior de criadas em torno delas. A futura rainha é benevolente. A despeito de seus fiascos anteriores com a mídia, ela está disposta a conceder a essas damas um lugar de honra segurando sua capa. A Titanos está vestida de lilás, um vestido sem armação, justo em seu corpo, e em várias camadas tecidas com pequenos cristais prateados por cima de cetim. Não tem mangas, apenas tiras que partem do centro do decote e circundam seus ombros, e o tecido cobre seus pés completamente. O da Osanos por outro lado, era verde no busto e se desfazia em azul na barra, sem mangas nem alças. A barra tinha penas em todo o entorno, e os sapatos dela também não eram visíveis. Minha mãe não vestia branco, nem vermelho. Assim como Ignacia, vestia preto puro, de gola alta e mangas compridas, brilhante de pedrinhas pretas por toda a peça, e seu kokoshnik era pequeno comparado aos que ela normalmente usava.

Elas não vestiam branco nem vermelho. Porque esse encargo era meu, e meu apenas. Toda a armação que faltava aos trajes das outras crescia na minha saia. O vestido era branco, mas na fenda aberta no tecido, desde o centro do decote até os pés, dava espaço para a seda vermelha que era mais leve do que o resto. As mangas eram longas, mas abertas, de cima a baixo, e meus braços eram envoltos em renda vermelha delicada. Meu cabelo, usualmente bem preso, estava em maioria solto sobre meus ombros, em cachos suaves e escuros. Sobre eles, o conhecido peso da tiara de Alix. Tinha me afeiçoado por aquela tiara.

Também no cômodo e fazendo o papel feminino exigido da família real, estava a apaixonada, tola, encantada noiva de meu irmão. Sua real fantasia não conhece limites e nunca coincide com o mundo onde deveria viver. Esme Titanos estava, afinal, certa sobre alguma coisa em sua frívola vida: Eirian nunca foi apropriada para a corte. Ela era muito mole, muito fraca, muito enganável. Os dias correm e cada vez menos entendo o que Kurtis vê nela. Talvez seja apenas o prospecto do poder, tavez ele simplesmente goste da ideia de estar totalmente no controle de tudo que estará dentro de nossa Casa — e talvez goste do Viper pelo motivo oposto, os deuses sabem que é impossível controlar esse um. Eirian veste prata raiado de preto, em listras verticais. As partes prata são paetês, e as pretas, seda. A barra do vestido é mais alta na frente, mostra seus sapatos cravejados de pedrinhas pretas. Ao menos essa imbecil sabe se vestir.

As criadas terminam os últimos retoques no ajeito da tiara no meu cabelo. Não uso véu. Véu é para pureza, para bondade, para modéstia, e nenhum desses me pertence. Sou uma águia, e águias não conhecem a pureza, um conceito inventado e imposto por homens. Orel, diria minha mãe. Mas meu pai discordaria, diria vultur. Sunteți vulturi de foc. Ele diria. Vocês são águias de fogo. E eu me veria obrigada a concordar, a despeito de este voo ser apenas meu. Elas trazem, enfim, o último detalhe. A capa em forma de asas, de seda e barra de penas pretas, presa nos ombros de meu vestido por uma faixa de pele de raposa vermelha.

Equipada de suas asas, a águia pode, finalmente, voar.

***

A multidão grita, e dá vivas, e torce, e comemora. Eu sei que, a essa hora, há brindes em minha honra em bares prateados da nação inteira — e talvez em bares vermelhos também, já que, embora eu esteja consciente de que eles tem toda razão para nos odiar, eu convenci Leonard de que, embora sejam pobres, todo cidadão deve poder brindar à saúde dele. Ele gosta da ideia de ser amado, embora queira me convencer de que está fazendo isso como um agrado a mim. Toda família de vermelhos recebeu uma garrafa de champanhe. Leonard pode ser estúpido demais para ser amado, mas eu não sou.

Toda garotinha de Norta deseja ser eu. Sou uma rainha, sou uma rainha, sou uma rainha. Oh, bem. Pelo menos, quando entro na Corte Real, com Esme e Parthenope segurando a cauda de meu vestido e meu pai me levando pelo braço, pareço com uma.

A multidão de nobres me encara enquanto passo pelo caminho em direção ao altar. Sorrio como se não fizesse esforço, e mantenho os olhos fixos em Leonard — desculpe, rei Leonard, que parece até bem bonito para um monstro vestido de branco e prata — e no juiz escolhido para oficiar o casamento.

Pareço demorar um século para chegar até eles. Depois que Dante me deixa no altar, sorrio para meu noivo como se realmente desse a mínima para ele. E mais um éon se passa de juras eternas, amor e cumplicidade. Como se eu já não tivesse jogado tudo aquilo no lixo antes mesmo de pensar em recitar. Os únicos juramentos que eu acato são juramentos de sangue, eu concluo. Então, depois de eras de juras falsas, os dedos cobertos de uma camada fina de alumínio de Leonard encontram os meus, cobertos de chamas pequenas. Ambos os poderes se extinguem pacificamente, e ele finalmente se inclina na minha direção. Com uma mão em minha cintura, ele me beija como se não estivéssemos sendo assistidos pela nação inteira. Embora ache estúpido, posso admirar a audácia do ato. Ele não perde por esperar. Eu nunca jurei que a vida dele seria pacífica e longa.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...