História Silver Laced Betta - Capítulo 25


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 25 - Vulturi pt. 2


Fanfic / Fanfiction Silver Laced Betta - Capítulo 25 - Vulturi pt. 2

Kurtis

A corte nortana nunca passa uma oportunidade de ficar bêbada. A despeito da ousadia do rei que pusemos no trono — e cujas ações enojavam-nos a todos — um casamento era um casamento. Champanhe era abundante, e, embora Cami não fosse nada aversa a este, ambos sabíamos que ela preferia uísque, vermelho e dourado, e que ela só o conseguiria quando os respeitáveis nobres lordes estivessem todos entorpecidos o suficiente para tentar dançar com suas senhoras uma batida Calore, extremamente guiada por tambores rápidos, a mesma que Cami havia usado como base para sua apresentação na Prova Real, e que estava fadada a acontecer em todo casamento Calore. A primeira dança seria de Leonard, uma valsa, que então arrastaria a corte para uma sequência de valsas. Depois disso, quando estivéssemos todos consideravelmente mais bêbados, viriam as batidas, lideradas por mim e Camille, e então por nossos pais. A mãe podia não ter nascido Calore, mas era bem educada nelas, como seria dever de uma senhora de nossa Casa.

Não éramos uma Casa muito grande, nós Calore. Eu, Cami, Ignacia, que por não estar casada ainda era uma de nós, nossos respectivos pais, e primos distantes — Theodore Calore e sua esposa Peonie Iral, ambos já idosos e pais tardios, e suas duas filhas, Cora e Louise. Como parentes da noiva, sentávamos com os Samos, por diminutos que fossem seus números. E como bons prateados, fazíamos questão de mostrar que éramos melhores nisso do que o resto da corte, pois afinal, uma habilidade indispensável para um bom lorde è saber fazer cara de paisagem quando está totalmente chapado.

Tudo bem, talvez não chapado — no meu caso apenas, pois tenho certeza de que a maior parte da corte se dopa com alguma porcaria todos os dias só para sair da cama — mas certamente ao menos um pouco bêbado. Só um pouco.

Eirian tinha finalmente conseguido o que queria — distribuíra aos tablóides ela mesma as notícias de nosso noivado — e de certo modo eu também. Preocupante. Sabe como dizem, só uma coisa consegue ir bem por vez, e, sendo quem sou, preferia, pelo bem de tudo que era sagrado, que estivesse indo bem na esfera política. Não que fosse ruim finalmente ter resolvido minha maldita vida amorosa, mas seria muito pior se eu estivesse falhando em todo o resto.

O casamento de Bellarius não fora nem de longe tão grande, embora não por falta de dinheiro — com a situação de Cantrix onde estava, todas as partes envolvidas desejavam andar com aquilo o mais rápido possível e mais longe dos olhos públicos quanto possível. Naquela noite, ele podia ter beijado a noiva, mas eu beijei o noivo. Não me olhe assim. Se Cantrix não soubesse sobre nós seria uma tapada maior do que a cadela de companhia da irmã de Bel, Roslyn. Roslyn não parecia de todo feliz com a situação, no casamento. Ela não parecia sentir nada. Os pais deles certamente se orgulhariam de ter uma filha tão composta, mas eu cria que fosse mais provável que ela estivesse frustrada por ainda estar solteira quando um ano antes estivera muito perto de casar ela mesma. O fato de que Minerva Merandus comparecera àquela recepção certamente não a fizera feliz.

Não demorou tanto quanto eu havia esperado de um casamento real para que o banquete fosse dado por secundário e Leonard — desculpe, rei Leonard, o monstrinho — levasse Camille — reitero com mais prazer, rainha Camille — para o espaço de dança, seguido pelo silêncio e pelos olhos de toda a corte, de diplomatas estrangeiros dos países que ainda iam com a nossa cara, e das famílias mais ricas e influentes de dentro e fora do país.

Foi lindo. Quer dizer, de um ponto de vista estético. Eu, particularmente, queria que Leonard queimasse no mármore do inferno. E, para minha apreensão, não era o único. Não porque ódio ao rei fosse incomum na corte, mas porque se tinha alguém que queria, podia, e iria transformar aquilo em um fiasco seria ninguém mais ninguém menos que Callum. Talvez naquele momento eu tivesse previsto um desastre, mas entenda, não é como se eu pudesse fazer nada de início. Callum estava bebendo muito mais do que deveria, e isso é algo, considerando que se esperava que todo adulto hábil bebesse além da conta naquele dia. Vi Zach o encarando de esguelha — ele definitivamente estava planejando fazer algo que não deveria, mas pela expressão do Merandus, ele não se importava tanto com Callum ainda ter uma cabeça sobre os ombros para interferir.

Voltando às pessoas importantes, em breve minha presença também foi requisitada junto ao rei e à rainha no espaço de dança, por ninguém mais óbvio do que minha noiva. Que os deuses permitam que ela nunca conheça a extensão de minhas ofensas. Por mais que a ame me veria forçado a transformá-la em mais um número em minha lista de mortos. Há lealdades que o casamento não sobrepuja.

Cerca de hora ou duas depois do começo das valsas, o salão pareceu ter bebido o suficiente para seguir com o cronograma. Camille estava sorridente como sempre em público, mas alerta. E eu não podia culpá-la, estava do mesmo jeito.

Enfim, Leozinho se afastou de sua esposa — o fato faz-nos querer revirar os olhos em voz alta, mas é o que é — e entregou-a a mim, para então se afastar e observar das bordas enquanto bebericava champanhe. Os outros se afastam também, observam com atenção. Minha irmã parece finalmente sorrir com alívio.

—Pronta?

—Como nunca estarei.

À deixa de suas palavras, a música recomeça, mas rápida, cheia de agudos afiados e graves solenes. Soa como soaria um machado de batalha se fosse um som. Giramos, muito e rápido, um no eixo do outro e em consequência um do outro. A dança é pura causa e efeito, e a primeira música é totalmente nossa. Somente então, entre vivas e aplausos, outros se juntam a nós. Nossos pais, parentes, e alguns corajosos, unidos em função daquilo. Ah, bem. Se Leonard não queria tentar, não era problema nosso.

***

A festa minguou depois de várias horas. Obviamente porque a maioria dos presentes estava bem bêbada. Mas seria mal educado que saíssem em peso antes do rei e da rainha se retirarem.

Tinha dado a falta do antigo príncipe herdeiro fazia algum tempo. Não foi surpresa ver sentinelas chamarem o novo rei, discretamente, e este sair da festa. Foi uma surpresa, apesar, que, minutos depois, a minha presença tenha sido requisitada. E fui obrigado a ir. Camille lançou em minha direção um olhar interrogativo. Balancei a cabeça, não havia nada com que ela deveria se preocupar. Bem. Pelo menos eu não tinha.

Eirian questionou enquanto era levada, depois de mim. Tínhamos ambos ideias diferentes sobre o que estava por acontecer, e eu temia que as ideias dela fossem as corretas. Ela tinha assistido a mãe ser executada, e podia muito bem imaginar horrores piores do que os que eu já havia executado.

Estávamos sendo levados para um dos jardins internos do palácio, nos andares superiores, um com uma grande cúpula de diamante similar às paredes do Palacete do Sol. Era um jardim circular, apto para abrigar espetáculos da realeza. E pelos sentinelas de guarda em todo o perímetro, parecia que era exatamente o que estava para acontecer.

Ouvi palmas, lentas e claras, vindas de apenas uma pessoa, antes de ver Leonard. Parecia realmente com um rei naquele momento, mas não porque sua aparência fosse real, e sim porque era monstruoso. O sorriso que sorria era torcido, o riso que saía por entre dentes que pareciam afiados era quase um rosnado. Seu olhar era maníaco. Talvez naquele momento eu percebesse o quanto ele era bom em parecer bondoso e composto, porque ninguém ficava daquele jeito apenas com a coroa.

—Ah, finalmente temos uma platéia digna. Não que haja algo digno nessa sua irmãzinha, Callum. Todos nós sempre soubemos o quanto ela era dolorosamente inadequada para uma princesa. — ele virou para o antigo príncipe enquanto dizia a última frase.

Callum era seguro por dois sentinelas, e o que ele poderia ter manipulado com seu poder estava fora de seu alcance, não porque estivesse longe, mas porque já estava sob o domínio de Leonard, e este era mais forte do que ele. Ele sangrava nos cantos da boca, tinha o lábio partido, e um olho roxo. Estava um pouco curvado, então eu tinha certeza de que o rei tinha acertado outros lugares do corpo.

Nem eu nem minha noiva fomos soltos pelos sentinelas que nos trouxeram ali. Pelo contrário, eles apenas agarraram mais forte. E com razão, já que ela tentou correr para o irmão no momento em que o viu. Gritou, esperneou, mas os sentinelas estavam muito melhor preparados. Tinha certeza de que entre meus dois captores havia pelo menos um ninfóide.

—Se você calar essa boca talvez eu faça isso tudo mais rápido. Nunca suportei sua barulheira infernal. — Leonard voltou a rir, e um pedaço de aço se retorceu em torno dos dedos dele para formar um soco inglês com pontas afiadas. O metal estava totalmente fora do alcance dela, e eu sabia que isso tomava uma concentração absurda dele. — Esse seu irmão bastardo se achou forte o suficiente para decidir que queria pôr uma faca no meu pescoço. E no meio do meu casamento! Eu pensaria que tio Maximus o tinha criado melhor que isso. Por sorte, um de meus sentinelas quebrou o braço dele assim que resolveu chegar perto. — e fechou essa declaração com um soco no estômago do Samos. As pontas voltaram pingando prata. Ela gritou, e mesmo eu me vi lutando contra o aperto dos sentinelas. Eu poderia facilmente me livrar deles num corpo a corpo, mas Eirian não precisava saber disso. A morte de Callum era boa para nós. — Você vê, Callum? Nem a sua irmã liga para o quanto você sofre. Se ela tivesse ficado quietinha como a cadelinha que ela é, teria sido tudo muito mais rápido. Mas como ela não liga... — e acertou de novo no mesmo lugar. Dessa vez ele gritou, mas nenhuma palavra além disso. Ela gritou junto dele.

O ritual macabro com a soqueira continuou até que o Samos estivesse incapaz de ficar de pé sozinho. Então, Leonard decidiu que era hora de acertar o rosto com as pontas. Não foi bonito. Era desconcertante ter de assistir àquela cena, mas eu o fiz mesmo assim. Afinal de contas, a culpa era minha. Eu tinha dado a ele o poder para executá-la.

Quando o antigo príncipe estava desfigurado, e acordado apenas por um triz, o resto do metal que Leonard estava mantendo sob controle se refez na forma de uma tesoura, do tamanho de uma espada e mortalmente afiada. A tesoura se aproximou e fechou sobre o pescoço de Callum, ao que Eirian gritou como se sua vida dependesse disso. Talvez dependesse mesmo, de certo modo.

A cabeça rolou pelo chão do jardim, deixando um rastro de sangue prata, até parar nos pés dela, que chorava convulsivamente. Leonard jogou a soqueira por cima do ombro e deixou a tesoura cair no chão com um clang. Tirou do bolso um lenço, e limpou as mãos com ele, enquanto passava por Eirian. Parou bem ao lado dela, e sorriu.

—Fique claro que esse é o destino dos traidores. Podem voltar para a festa, você e o Calore. O espetáculo acabou.



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