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História Simpatia - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oieee

Essa história é uma threeshot. Eu tenho ela planejada desde o ano novo. Os capítulos já estão bem definidos e eu estou escrevendo o segundo. Eu não sei exatamente definir o que é isso aqui, mas espero que vocês gostem.

Beijo

Capítulo 1 - Encontro


Bakugou aumentou o volume da música em seu fone de ouvido. A multidão que se aglomerava no metrô era irritante. Todos de branco, celebrando o fim de mais um ano infernal. Não havia lógica alguma naquele evento. E daí que esse caralho havia acabado? Como se o ciclo não se repetisse… O término de 365 dias de merda, iniciando outros 366 dias piores ainda (com um dia a mais pelo desgosto do ano bissexto). 

 

No fim da noite restava apenas um monte de gente bêbada, propensa a confusão, cheirando a urina velha e cerveja barata. E que graça isso tinha? 

 

Ainda recordava-se do ano passado quando além desses fatores, a mãe o havia obrigado a realizar todas aquelas simpatias ridículas. Comer sete malditas uvas e guardar a porra dos caroços da carteira. Cueca vermelha para que lhe desse um genro, nora ou qualquer outra pessoa ou coisa que não o deixasse mais tão sozinho. Três pulos com uma perna só e a taça estúpida na mão. O inferno na Terra. Precisava ser muito idiota para acreditar naquelas coisas! 

 

E pior, ela queria enfiá-lo naquele ritual de novo! Quando acreditou que não tinha mais desculpas e que seria obrigado a sumir para não ter que enfrentar aquela merda toda novamente, recebera uma oportunidade para substituir alguém como garçom,  com urgência, em um aplicativo de bicos. Era uma grana boa e um excelente pretexto para fugir. Estaria em uma das festas mais restritas da cidade, no mirante do hotel UA, com um monte de gente esnobe e metida a besta, que com toda certeza o deixaria irritado, mas não o importunaria.

 

O mirante ficava em uma torre altíssima, com paredes de vidro que permitiam uma vista ampla e belíssima da cidade iluminada durante a noite, principalmente sob as cores dos fogos de artifício. Dessa parte, Bakugou até gostava. As luzes, os estrondos, as explosões. Forte, luminoso e marcante. As pessoas se perdiam por minutos completos apenas esperando pelo próximo estouro. Talvez ele se identificasse um pouco.

 

Entrou na cozinha recebendo o uniforme de garçom com o nome do desistente na tag que deveria usar durante a noite. Ficou meio puto por isso, mas e daí que todos aqueles idiotas chamassem ele pelo nome errado? Faria alguma diferença? Trocou-se de imediato e aguardou a reunião que definiria as atividades de cada um e as instruções para lidar com situações inusitadas. Um monte de babaquices. Pegou as taças e a garrafa de Prosecco e partiu em direção ao salão, que começava a encher com pessoas vestidas em roupa de gala. Já havia feito aquilo antes. Correria tudo bem. 

 

E serviu, uma, duas, dez, cinquenta taças. Ouviu poucos agradecimentos, contudo recebeu algumas gorjetas. Com o passar das horas, Bakugou sentiu que socaria o próximo que olhasse para ele com olhar de superioridade, ou que falasse gracinhas.  

 

Tentava se esgueirar pelo salão quando um homem esbarrou em seu braço com muita força, fazendo-o derrubar praticamente uma garrafa inteira e quase quebrá-la. Sorriu de ódio, sentindo o sangue ferver. Quando virou para encará-lo, um homem de cabelos vermelhos colocou uma mão em seu ombro, tentando tranquilizá-lo.

 

- Você está bem? Eu vi que a culpa não foi sua. Se quiser, posso falar com seu chefe e…

 

Era só uma garrafa, que nem seria descontada nem nada. Havia muita gente importante ali. Por menos de meio segundo considerou deixar passar. Mas foi então que...

 

- UM MERDINHA COMO VOCÊ NÃO SERVE NEM PARA SER GARÇOM! SABE QUANTO CUSTA ESSE TERNO QUE VOCÊ ACABOU DE DESTRUIR?

 

Era o que queria ouvir e melhor, ver. O cara além de ser babaca, segurava com força o pulso de uma outra garçonete, que tentava se soltar de todo modo, pedindo por ajuda. Estalou o pescoço e foi em direção ao homem.

 

A festa deu espaço para que o garçom fizesse seu show: atirou a garrafa longe, tornando o som do vidro quebrando audível apesar da música alta. Pegou o sujeito pelo pulso, fazendo-o soltar a garota, enquanto o imobilizava. O outro tentou se soltar, buscando pisar no pé de Bakugou, que agarrou a gola da camisa fina e o atirou contra piso de madeira, dando-o alguns pontapés, seguido por socos. O alvo não soube sequer se defender.

 

Katsuki sentiu braços ao seu redor, juntando os seus próprios ao tronco, enquanto se debatia, gritando palavras de ódio e tentando cuspir sobre o homem quase inconsciente. Apenas conseguia visualizar a cabeleira vermelha do outro homem que o segurava. 

 

Quando finalmente conseguiu se soltar, ainda irritado, notou que o gerente passava rapidamente pela multidão, tentando alcançar o resultado lamentável para aquela briga, que, com toda certeza, geraria um processo contra o autor dos socos e o hotel.

 

A equipe de primeiros socorros entrou às pressas e passou completamente batida pelos ricaços que já haviam recebido o devido entretenimento da noite. Bakugou chegou  se questionar se alguém ali gostava daquele homem. Talvez tivesse perdido a paciência com a pessoa certa. 

 

A garçonete o abraçou e agradeceu, explicando que o homem a estava importunando continuamente, tentando assediá-la e não soube aceitar um não como resposta. 

 

Ela lhe deu um cartão e disse que poderia contar com ela para o que precisasse. Katsuki acenou com a cabeça, um tanto envergonhado.

 

A verdade é que estava fodido e talvez precisasse daquela ajuda. Mas não a pediria. Seu orgulho jamais permitiria. Arcaria com as consequências do que fez. Estava pronto para se reportar ao gerente que vinha raivoso em sua direção quando percebeu que o ruivo, ainda ao seu lado, agarrou sua mão e correu, não o dando outra escolha a não ser fazer o mesmo. Se embrenharam pelas pessoas até alcançarem a escadaria de incêndio, subindo rapidamente e saindo no terraço, logo acima do mirante. 

 

- Essa foi por pouco! - Disse o ruivo, com as mãos nos joelhos, um pouco ofegante. - Você está bem?

 

- Que porra você pensa que está fazendo?

 

- Te ajudando!

 

- Eu não pedi a sua ajuda!

 

- Você tem alguma ideia de quem é o cara que você acabou de meter a porrada lá embaixo? Eu pediria ajuda até aos céus se fosse você. 

 

- Ele mereceu aquela merda, mas eu não fujo das coisas que eu faço. Eu não precisava da sua generosidade para "me salvar". Lido com os meus problemas muito bem sozinho. 

 

- E isso é másculo para um caramba!

 

- Que porra você está falando?

 

- Sei lá… É só que… Tu encarou a briga independente do quanto isso ia te ferrar e agora quer lidar com as consequências independente do problema. Eu queria ser um pouco mais assim, às vezes. 

 

Bakugou envergou a sobrancelha. O outro homem sentou-se sobre uma espécie de concreto que levava à caixa d'água e pôs-se a admirar a noite, de costas para o garçom. 

 

- Desculpa te atrapalhar. Eu só achei que seria legal tentar te ajudar… Uma mão lava a outra. Você fez algo bem legal. 

 

O funcionário do hotel bufou e foi na direção do outro. 

 

- Você não atrapalhou, exatamente. Eu… Vai ser melhor, de qualquer maneira, se eu falar com o gerente com os ânimos mais calmos, lá embaixo. 

 

- E você está mais calmo?

 

- Estou puto para um caralho. Mas já estive pior. 

 

- Você… Vai voltar pra lá?

 

- Vou. Você vem?

 

- Não… Vou ficar mais um pouco. A vista dos fogos é melhor aqui de cima mesmo...

 

- Hum… Então… Eu vou indo. 

 

O garçom achou estranha a sensação que tinha. Por algum motivo, não queria sair dali. Havia uma espécie de conforto. Pensou em voltar, caso não fosse retirado do hotel pelos seguranças. Olhou para o homem de cabelos vermelhos e terno mais uma vez. Ele estava completamente relaxado, com as mãos apoiadas no concreto e as pernas balançando levemente. Sentiu um pouco de inveja, não se lembrava da última vez que esteve em paz. 

 

Colocou a mão sobre a alça da porta e a puxou. E puxou novamente. E puxou e empurrou algumas vezes com bastante força e ódio no coração. Nada da porta abrir.

 

- Está tudo bem aí?

 

Bakugou chutou a porta, deixando um leve amassado insignificante e machucando o próprio pé. Segurou-o, esbravejando de dor. 

 

- PARECE TUDO BEM PARA VOCÊ?

 

- Não… É que… 

O de cabelos vermelhos levantou-se às pressas, sem saber exatamente o que fazer.

 

- Por causa da sua gracinha, nós dois estamos trancados aqui em cima!

 

- Desculpa, eu não…

 

- MERDA!

 

- Veja pelo lado bom…

 

- Não existe a porra de um lado bom! Eu não devia ter aceitado esse trabalho…

 

- Essa é a melhor vista da cidade, sem a muvuca que está lá embaixo e...

 

Era muita conversinha e Bakugou não queria ouvir. Por um segundo acreditou que era melhor estar na casa da mãe, comendo sabe-se lá quantas uvas ou o que mais ela inventasse para aquele ano. Fez uma careta. Havia feito um monte de simpatias, mas o cenário em que estava era a prova mais completa que elas davam era azar. Bufou, irritado. Sentou-se no chão, flexionando as pernas e apoiando a cabeça sobre as mesmas.

 

- … Sem contar que nessa altura do campeonato os caras lá embaixo nem lembram mais do que aconteceu! Relaxa um pouco, vai dar tudo certo. 

 

Katsuki acenou com a cabeça. Odiava aquela positividade sem sentido. O outro homem sentou ao seu lado, sorrindo de leve, mas chateado e passou os dedos no amassado da porta, de leve.

 

Ficaram ali, algum tempo, em silêncio. Ambos tentaram quebrar a barreira existente ao mesmo tempo.

 

- Como…

 

 O participante da festa fez sinal para que o outro continuasse. 

 

- Como a gente vai sair daqui?

 

- Daqui a pouco aparece alguém. Aqui é um ótimo lugar para um casal ter um momento romântico. Duvido que os seguranças estejam alheios a isso.

 

Bakugou inspirou o ar de maneira pesada, frustrado. O rapaz de cabelos vermelhos tentou continuar a conversa.

 

- Por que está trabalhando de garçom no ano novo?

 

- Por causa do dinheiro???

 

- Não… Quero dizer… Pode parecer coincidência demais, mas esse uniforme é meu. 

 

Katsuki enrugou a testa tentando entender a frase dita pelo outro. E então lembrou da Tag em suas roupas. Eijiro Kirishima, estava escrito. Esse era o nome do cara sentado ao seu lado. 

 

- Eu ia trabalhar para conseguir uma grana extra. Mas uma amiga minha é filha do diretor do hotel e uma coisa leva a outra, acabei como convidado, no último instante. Me perdi dela, mas, sei lá, estou feliz de ter encontrado você. 

 

Eijiro sorria de maneira boba e o garçom achou até um pouco fofo. Aquele cara era um idiota. 

 

- Eu vim para fugir da minha mãe, na verdade. Meu relacionamento com ela está longe de ser dos melhores e no ano novo as coisas chegam  a um novo patamar de insuportável. Ela acha que tudo tem que ser do jeito dela ou simplesmente não é. E porra, eu não sou obrigado a ceder a todas as chantagens emocionais que ela faz. A gente sempre briga, eu acabo cedendo às merdas dela… Só que que, às vezes, eu só quero um pouco de paz. 

 

- Lá embaixo está longe de ser uma paz.

 

- Eu sei. Eu só… AAAAAAAAAA

 

Kirishima colocou o braço sobre os ombros do outro, tentando mostrar apoio. 

 

- Eu meio que entendo. Família pode ser bem complicado.  

 

- Você também tem problemas?

 

- Eu tenho é saudade. Faz quase um ano que não vejo minhas mães. Elas não concordaram muito quando vim para essa cidade, mas as coisas ficaram melhores desse jeito. Eu precisava crescer também. Eu sinto que ficava muito dependente delas o tempo todo. Acabava que eu não me sentia como eu mesmo. Mas mesmo assim…

 

- Mães!

 

- Mães…

 

- E para que você veio para essa merda de cidade afinal? Não é como se tivéssemos muitas atrações por aqui. 

 

- Eu me candidatei para trabalhar em um estúdio de arte pequeno. Não é lá grandes coisas, mas eu achei que seria uma oportunidade de fazer alguns contatos e talvez ganhar um espaço para começar a expor. Não sei se a minha arte vai conseguir chamar atenção, mas, às vezes, acho que realmente eu sou bom nisso. Aí tenho feito uns bicos ali e aqui para sobreviver. 

 

- Eu estou meio nessa também. De sobreviver, digo. Eu tinha tudo planejado sobre a minha carreira até perceber que não era nada daquilo e agora eu estou meio que tentando me encontrar. 

 

- Você parece muito seguro para simplesmente não saber o que quer.

 

- Mas por ser muito confiante de mim mesmo que eu tive coragem. Uma hora você tem a porra do emprego dos sonhos, na merda empresa dos sonhos, depois de fazer o caralho da faculdade dos sonhos. Aí, se sente vazio. E percebe que aquilo tudo era só uma ilusão que você criou para você mesmo e que tem que buscar outras coisas.

 

- Acho que se tivesse um espumante aqui, poderíamos brindar aos novos caminhos. E às ótimas mães, que são péssimas mães. 

 

- Esse seria um péssimo brinde.

 

- Eu disse que era bom com arte, não com brindes. 

 

Katsuki sorriu de lado com aquela bobeira. Encarou o chão. Se perguntou há quanto tempo estariam ali e por quanto tempo mais ficariam. E, por um breve momento, não se importou e sequer percebeu os primeiros estrondos dos fogos. 

 

- Hey, parece que já é meia-noite! Vamos ver mais de perto. 

 

Kirishima levantou-se, batendo na própria calça e estendendo a mão, que foi prontamente segurada pelo outro. Não havia espaço para mais nada. As luzes preenchiam o céu com esplendor. Cores, desenhos, feitios. O peito transbordando de algo que nenhum dos dois sabia explicar, mas tinha a ver com completude. Katsuki dividia o olhar entre os fogos e o homem ao seu lado. Ficaram ali, embasbacados até o último estalo. Foi quando Eijirou se manifestou, ainda olhando o céu limpo, sem soltar a mão de Bakugou.

 

- Pode parecer sorte, mas, já pensou como as coisas convergiram para esse momento acontecesse? Parece que só era para ser. 

 

- Ah não, você também acredita nessas coisas?

 

- Não tem como não acreditar. Você só está aqui porque eu desisti do trabalho. Outra pessoa poderia ter sido chamada. E tem mil idiotas nessa festa, mas você brigou com o que estava do meu lado. Sabe, pode parecer estranho, mas fazia muito tempo que eu não ficava tão confortável com alguém. Fico feliz de poder te conhecer.

 

- Ter ficado preso aqui com você até que não foi tão ruim. Quero dizer… Poderia ter sido pior. 

 

O homem de cabelos vermelhos abriu um sorriso de imediato, que deixou o garçom um pouco envergonhado. Observou as feições do outro: os olhos cativantes, a cicatriz na sobrancelha, o sorriso doce. Sabia que precisava vê-lo novamente. Pedia o telefone? Perguntava onde era o tal estúdio? Redes sociais? E se Kirishima achasse que… 

 

Antes que ele concluísse o raciocínio, a porta foi aberta por um segurança, que segurava uma lanterna na direção dos dois. 

 

- HEY, o acesso ao terraço é proibido! Eu vou ter que pedir para os senhores descerem. E você, o que está fazendo fora da cozinha?

 

Kirishima pediu desculpas, se soltou de Bakugou e olhou para trás, encarando-o, enquanto esse foi na direção do segurança. Desamarrou o avental com a tag com certa dificuldade, entregou na mão do segurança com pressa e afirmou:

 

- Diga a eles que eu me demito.

 

Correu, pois precisava ter certeza que encontraria o outro. Procurou por todos os cantos e nada. Talvez Eijiro houvesse encontrado a amiga e os dois estariam em algum quarto agora. Talvez, nem amiga fosse. Desgostou um pouco dessa ideia. Estava tão obcecado em encontrá-lo que se permitiu esquecer o que queria fazer quando saísse pela porta do terraço. Terminou por deixar a festa. Se tivesse problemas, o encontrariam de algum modo.

 

Possuía o nome do outro, o encontraria de alguma maneira. Foi então que percebeu que nunca havia dito o seu próprio. E se arrependeu.

 

A procura foi mais difícil do que parecia. Eijirou não possuía uma rede social sequer. Seu nome quando jogado no google dava pouquíssimas informações. Se perguntou se era realmente questão de sorte. E se fosse? E se o que o houvesse levado a Kirishima fossem as simpatias ridículas que sua mãe acreditava? Por fim, cedeu. Buscou por "simpatias para reencontrar alguém". E se nem isso desse certo, buscaria pela sorte ele mesmo.
















 



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