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História Simples Assim - Capítulo 1


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Notas do Autor


Tudo o que eu tenho pra dizer está nas notas finais, não perde seu tempo e leia logo a fic.

Se houver erros, me perdoe, a one é muito longa e eu a li milhares de vezes pra ver se acho erro. Ainda vou dar mais olhadas, então, mais uma vez, não perde seu tempo e leia!

Capítulo 1 - Capítulo único


 

Ergueu mais uma vez o copo cheio de tequila, gritando com toda sua força enquanto assistia um dos seus colegas de trabalho arrasar no karaokê. Jungkook cantava muito bem e possuía uma voz belíssima. Taehyung ignorava o fato de que o Jeon era o único homem menos bêbado da roda de amigos e que esse, provavelmente, era o motivo de estar ganhando de lavada de todos que ousavam o desafiar em uma canção. Tae teve um momento que tentou, mas já não conseguia enxergar as malditas letras no telão, então acabou voltando para sua cadeira com um muxoxo.

O Kim já não sabia o quanto havia bebido, mas sabia que todos ali tinham motivos para comemorar. Todos ali trabalhavam para a mesma empresa, mudando apenas alguém aqui e ali que atribuíam de cargos diferentes, mas sempre sendo um conhecido do outro. Taehyung, na verdade, era bastante social e não havia um rosto ali sequer que não conhecia, seja como amigo ou como alvo de fofocas.

Enfim, a questão era: A sua empresa estava no pico do reconhecimento. Taehyung é corretor de imóveis e naquele mês de março fora onde as vendas subiram em quase cinquenta por cento. Ou seja, muito dindin para o bolso de todo mundo. Eles trabalhavam em comissão, então quanto mais venda, maior seria o lucro. Taehyung ainda se perguntava como em março as famílias decidiram sair para comprar uma casa nova, mas isso não importava tanto, afinal. Estaria com seu salário em mãos em não muito tempo.

– Lembro-me daquele maldito Senhor Joy. – Taehyung sibilou. Deu mais um longo gole na sua bebida, a terminando em questão de segundos. Era um bebum de carteirinha. É aniversario de alguém? Recorria ao álcool. Um funeral do tio por parte de pai que quase nunca viu na vida? Mais álcool. – O cara foi difícil, mas eu consegui.

– Sim, me lembro também. – Quem falou fora Jimin, outro que não conseguia fechar a boca para bebidas e fofocas. Por isso era melhor amigo de Taehyung. – Yona que estava com ele antes, certo?

A garota citada apenas revirou os olhos com a cara debochada que recebeu do Park. Não havia conseguido convencer o móvel para o comprador, então Taehyung fora designado como última alternativa para salvar o caso, e de fato ele conseguira. O Kim gargalhou, pouco se importando se cuspira na face da coitada e depois encarou Jimin.

– Mulheres. – Encheu o copo até o topo e soprou os cabelos longos para fora da testa. – O que fariam sem nós homens, hum? – Jimin sorriu e estendeu o copo. Os dois brindaram.

– Provavelmente não venderiam nem dez por cento do que vendem sem uma ajudinha nossa. – Os dois terminaram suas bebidas em um único gole.

– Diferente de nós, elas sempre precisam ser protegidas. – Taehyung sorriu de lado. – Me pergunto o quão horrível deve ser uma mulher. Como é ser tão fraco e não poder se defender? E o gasto? Por que gastam tanto com roupas e joias?

– Não faço a mínima ideia. – O Park dera de ombros, não enxergava nada que estivesse a um palmo de distancia. No dia seguinte lamentaria ter bebido tanto.

– Vocês são dois idiotas. Ser mulher é o maior orgulho que existe, sem nós, vocês sequer existiriam. – Yona que antes estava calada, se pronunciou irritada e com a face vermelha. Aqueles dois só falavam asneiras.

Taehyung gargalhou como se tivessem lhe dito a melhor das piadas.

– Volte para o seu quartinho rosa e deixa que os homens se divirtam pelo trabalho duro. – Por mais que tivesse dito isso, era Taehyung que estava quase desmaiando sobre a mesa. – Afinal, quem ganhou seu caso foi este idiota aqui ou esqueceu?

– O Senhor Joy era um pervertido assediador ou esqueceu? Você cuidou dele por causa disso!

– Se não fosse uma mulherzinha não precisaria trocar comigo. – Taehyung abanou com a mão, fazendo pouco caso daquilo. – Mas esqueça, eu fui melhor e não seria alguém com seios que conseguiria se sair tão bem neste ramo como eu. Foi uma boa ideia trocar, você o perderia de toda forma.

– Você irá se arrepender de suas palavras, seu hipócrita. – Yona rosnou e se levantou, saindo do local fumegando.

Taehyung não conseguiu avistar a mulher indo para longe, pois logo seus olhos pesaram e sua cabeça foi pendendo para frente, até o sono vencer e o Kim desmaiar ali mesmo.

(Simples Assim)

Quando Taehyung finalmente acordou, virou-se rapidamente saindo da cama e caindo contra o chão, a ânsia fora tão grande que não conseguiu segurar. Foi pego de surpresa. Tudo o que comeu e bebeu noite passada fora despejado contra seu carpete felpudo, estaria xingando até o vento se não estivesse tão desesperado para que aquela situação passasse.

Levantou com as pernas bambas e se apoiou na cama. Olhou ao redor, estava em seu quarto. Porém, se lembrava apenas de estar aproveitando com o pessoal do trabalho até cair de bêbado. Oh, sim. Bebeu até desmaiar. Resmungou um palavrão ao se levantar, estava tonto e desgovernado. Andou até seu banheiro às cegas e apoiou as palmas de suas mãos na pia. Quando se encarou no espelho, não gritou de susto porque sabia que o tal monstro que reluzia no espelho era ele.

Escovou os dentes com a barriga roncando. Fez uma careta. Havia vomitado não fazia nem cinco minutos e já estava faminto. Quando saiu da suíte, encarou a porcalhera que fizera no quarto.

– Hoseok irá me degolar. – Suspirou e coçou a barriga enquanto abria a porta e saia do cômodo.

O cheiro de ovos e salsicha fritando lhe deu forças para caminhar até a cozinha, se deparando com a visão de costas larga e pele amostra. Bufou. Hoseok tinha um belo de um corpo e não hesitava quando se tratava de exibi-lo. Taehyung tinha inveja. Enquanto o Jung, seu amigo e com quem compartilhava o apartamento, tinha uma barriga sarada e com alguns músculos, Taehyung se conformava apenas com sua pancinha.

– Bom dia, papai. – Taehyung sentou e encarou confuso Hoseok pelas palavras. Quando este se virou, o Kim pôde ver que este sorria com um ar zombado. Qual era a graça? – Sério que não se lembra de nada? – Taehyung uniu as sobrancelhas e esperou que Hoseok esclarecesse, mas este apenas lhe encarava curioso. – Nada? – Taehyung deu de ombros, com seus olhos alternando da frigideira com aquela fritura deliciosa para as íris escuras de Hoseok. O mais velho apenas suspirou, deixando a comida na mesa e se sentando. – Um dos seus amigos me ligou ontem e me pediu para te trazer pra casa. E só para constar, não saia mais para beber justo no dia em que eu tiver um encontro, eu tive que desmarcar com o cara. Você me entendeu?

Taehyung formou uma careta desgostosa. Hoseok era gay assumido, havia momentos que Taehyung realmente não se importava com isso, mas também não conseguia imaginar Hoseok beijando um cara. Ainda parecia grotesco e nojento demais.

– Isso ainda não explica a do papai. – Hoseok então começou a rir.

– Você me confundiu com, sei lá, alguma mulher e começou a flertar comigo. – O sorriso de Hoseok era grande, enquanto os lábios de Taehyung puxavam para baixo. – Disse que iríamos aproveitar a noite e que era para eu te chamar de papai. Estou apenas fazendo o que pediu, papai. – O Jung piscou, seria realmente sedutor se Taehyung não estivesse indignado.

Flertou com um homem? Céus, onde estava com a cabeça? Mas como Hoseok dissera, o confundiu com uma mulher. Apenas isso explicava. Taehyung gostava de mulher.

– Ah, que horror. – Passou a mão na testa e limpou o suor. Trajava seu pijama de inverno, o Jung provavelmente não pensou que iria fazer calor no dia seguinte. Taehyung agora estava estressado, com dor de cabeça, fome e com... Nojinho. – Apenas esqueça.

– Impossível. – Hoseok se levantou e pegou sua garrafa de água. Taehyung já conhecia de cor sua rotina e sabia que ele estava indo para a academia. – Estou saindo! – Hoseok começou a calçar seus sapatos relaxadamente.

Taehyung bufou.

– Quando chegar não me acorde. – Enfiando tudo de uma vez na boca, engoliu e bebeu seu suco. Levantou também e estava se dirigindo até seu próprio quarto, quando de repente parou e falou. – Ah, e eu vou dormir no seu quarto.

– Tá, mas por quê?

– Eu vomitei no meu. – Respondeu sem enrolar muito. Hoseok arqueou as sobrancelhas e estava com um sorrisinho nos lábios. – Te dou cinquenta se você limpar para mim. – Taehyung formou um bico e uniu as mãos em súplica.

Hoseok fechou os olhos e suspirou antes de abri-los.

– Fechado. – O Jung deu as costas e saiu.

Taehyung se jogou na cama assim que entrou no quarto de Hoseok, a cama já estava desarrumada então não se preocupou quando rolou nela até cair os lençóis e travesseiros. Havia almofadas demais naquela cama. Finalmente fechou os olhos e esperou o sono lhe colocar para baixo. Estava quase conseguindo tal feito quando uma vontade de urinar surgiu.

Levantou preguiçosamente e se dirigiu até a suíte do colega. Eram apenas dois quartos, porém os dois tinham seus próprios banheiros e Taehyung agradecia por isso. Cada um tinha sua privacidade e não iria acontecer imprevistos, afinal. Hoseok era gay, não? Quem garantia que ele não iria de repente o achar atraente demais e acabasse por tentar algo?

Desceu as calças e tentou agarrar seu amiguinho, porém seus dedos apenas sentiram o vento. Taehyung tentou mais algumas vezes até desistir e olhar para baixo.

– CARALHO!

No lugar de seu tão amado e conhecido pênis, Taehyung tinha uma vagina. Simples assim.

Taehyung fechou os olhos. Só podia estar sonhando, pois não havia como aquilo estar acontecendo. Era irreal. Impossível. Abriu os olhos e inspirou fundo antes de encarar sua genitália novamente.

– Não! – O Kim começou a respirar rapidamente, sem controle. Baixou as calças e abriu as pernas. – Não! Não!

Lentamente seu dedo indicador se designava para aquela área rosada, com o coração a mil, e quando finalmente encostou e definitivamente sentiu o toque, Taehyung então percebeu que aquilo era de verdade e que era seu. Aquilo estava em seu corpo.

A visão embaçou por alguns poucos segundos antes de Taehyung recuperar a direção. Desceu o olhar novamente. Não, seu pau não estava de volta.

Ouviu-se batidas na porta.

– Taehyung, eu esqueci meu celular. – A porta fora abrindo lentamente e Taehyung quase não teve reflexo de correr e fecha-la com força, não pensando que poderia ter cortado a mão fora ou esmagado o nariz de certo alguém. – Mas que porra! – Hoseok exclamou irritado. – Abre essa merda! – O Jung não era conhecido como alguém que usufruía de tanta paciência quando estava atrasado para a sua tão querida academia.

Taehyung trancou a porta quando viu que Hoseok logo venceria a batalha de empurrões. Afastou-se lentamente e sentou no vaso, com as mãos nos cabelos. Céus! Sequer sentia suas bolas enquanto sentava. Apenas o liso da tampa. Era desconfortável e gelado.

Abriu as pernas mais uma vez e encarou seu sexo. Abriu a boca e dela saiu lufadas de ar pesadas. Como isso aconteceu? Levantou a cabeça quando os gritos de Hoseok ficaram mais furiosos.

– Já vai, caralho! – Taehyung gritou, levantando de onde estava e zanzando pelo banheiro a procura do maldito telefone. Encontrou-o na pia e o pegou. – Não abre a porta. – Taehyung fora lento em destrancar, com medo que o Jung de repente socasse a madeira com força, mas se surpreendeu quando, enfiando apenas a cabeça pela fresta, encontrou o olhar irritado de Hoseok. – Aqui...

– Qual é a sua?

– Vagina... – Murmurou.

– O que? – Hoseok lhe deu as costas e saia do quarto em pisadas fortes e rápidas.

– Nada... – Apenas observou o amigo sair do quarto. Ele não havia descoberto nada e aquilo foi aliviante. Porém, logo o sentimento foi substituído por um de desespero. Fechou a porta com força e se encarou no espelho longo. Virou de um lado para o outro. Se encarou de costas e por fim de frente. Quase vomitou.

Colocou seu pijama rapidamente e correu para fora do banheiro e em seguida do quarto. Adentrou o seu e definitivamente quase vomitou com o cheiro. Hoseok não limpou a sujeira. Ignorando os odores que rondavam pelo cômodo, correu até seu celular e o agarrou, discando o número com seus dedos trêmulos.

Estava ligando para Jimin, mas não sabia se este atenderia. O Park bebera tanto quanto Taehyung e poderia não ter acordado ainda.

– Alô? – A voz saíra sonolenta e baixa. Jimin estava sim dormindo, entretanto fora acordado pelo toque do celular. Após alguns segundos, sem saber bem o que dizer, ouviu-se o suspiro de Jimin. – Quem é?

– Sou eu...

– Ah, Oi. Qual a boa? ‘Cê tá bem? – Jimin se sentou na cama enquanto coçava os olhos e bocejava em seguida. Esticou as pernas e o braço livre, sentindo a sensação gostosa pelo corpo.

– Não. – Taehyung engoliu com força e passando a mão lá embaixo para se certificar que ainda estava com ‘aquilo’, continuou. – Aconteceu uma coisa.

– Finalmente se pegou com o Hoseok? – Jimin gargalhou, porém quando não ouviu nem uma bronca de Taehyung ou até mesmo risada debochada, se calou. Ficou preocupado. – O que foi?

– Você precisa vir aqui, Jimin. – Taehyung tirou a mão de lá quando percebeu que estava ficando esquisito demais. Jimin entortou a boca, havia acabado de acordar e estava com preguiça. – É sério.

Jimin encarou seus pés com meias e tentou alcança-los, estava se alongando para aquele dia. Quando de fato não conseguiu encostar em seu dedão, bufou e se jogou de qualquer forma na cama.

– Beleza. Que horas?

– Agora. – Taehyung desligou a chamada e jogou seu celular na cama. Se deitou no colchão e ignorando o mal cheiro no local, uniu suas pernas até seu peitoral e se balançou de um lado para o outro por aproximadamente dez minutos até parar e começar a murmurar suas ideias. – Se Jimin ver então existe, se não ver eu ‘tô louco. É isso.

Ouviu-se o som de batidas na porta, Jimin já deveria ter passado pela portaria, era um visitante frequente e geralmente o porteiro não interfonava, então não se admirou pelo amigo já estar ali. Se levantou e andou com as pernas abertas e lentamente até a porta, a abrindo e puxando um Jimin confuso pela mão.

– Eu acordei de manhã e não ‘tava sentindo nada, absolutamente nada. Me escutou? Na-da! – Taehyung gesticulou exageradamente com suas mãos, apontando para o que tinha entre as pernas. – Até que fui ao banheiro e vi isso!

Jimin se sentou no sofá da sala, enquanto o amigo estava em pé no centro. O Park desceu o olhar até onde este indicava e depois formou uma careta.

– Não entendi. Esqueceu-se de depilar ou... – Moveu os ombros de forma circular e também apontou para o V entre as pernas de Taehyung. – Encolheu? – Jimin então arregalou os olhos. – É uma espinha? Ah! – Jimin bateu nas próprias coxas e revirou os olhos, não notando o olhar alarmante de Taehyung. – Não tem problema, eu já tive uma na bunda uma vez, não te disse? Dói pra–

– Jimin! – O Park pulou assustado e encarou Taehyung com os olhinhos arregalados. Por que ele estava gritando? – Eu por acaso estou rindo?!

Jimin olhou de um lado para o outro e depois encarou amedrontado um Kim com a face retorcida.

– Não?

Taehyung cobriu o rosto. Não acreditava que faria aquilo, mas precisava de respostas e além do mais, fazia parte do seu plano. Podia estar louco e vendo coisas, ou Jimin iria ver ‘aquilo’ e Taehyung confirmaria que agora possuía uma...

Agarrou o lado das calças e suspirou antes de descer. Fechou os olhos e abriu os braços, esperando o tom de voz do amigo reverberar pela sala, porém foi agraciado com o sombroso silencio. Abriu um dos olhos e se deparou com um Park Jimin de olhos fechados.

– Abre os olhos. – Pediu.

– Não. – Negou veemente. Taehyung abriu a boca indignado com a resposta. – Olha, eu gosto muito de você e até que acho você atraente, mas eu não curto sexo com o melhor amigo. – A boca de Taehyung formou uma linha reta. Ele andou até seu amigo com cuidado, com o pijama ainda no meio das coxas, e agarrou a cabeça de Jimin.

– Abre a porra dos olhos e me diz que eu não ‘tô doido.

– Tá sim, você está pode apostar. E sabia que forçar alguém a fazer sexo é considerado estupro? – Taehyung gemeu de frustração e balançou a cabeça de Jimin de um lado para o outro com força, sendo empurrado da mesma forma grosseira depois. – Para! Seu filhote de... – Foi em câmera lenta que o olhar de Jimin desceu e pareceram séculos até que Jimin tomasse alguma expressão sem ser aquela de olhos meio abertos e a boca não muito diferente. – Ah...

Taehyung esperava mais do que aquela reação. Quando finalmente teve o olhar de Jimin, se espantou quando este começou a rir.

– Você... – Parou para gargalhar. – Desde quando você... – Apontou para o lugar onde deveria se encontrar seu pau, mas não estava. – Tem uma... – Jimin ficou sem ar e suas pernas foram para o alto enquanto gargalhava com vontade.

– Jimin! Jimin me escuta! – Taehyung levantou afoito seu pijama e acenou para Jimin, que se encontrava agora jogado no sofá enquanto se espocava de rir. – Eu acordei assim!

Jimin tomou alguns segundos para respirar até enfim encarar um Taehyung atordoado.

– A noite foi longa, então. – Então, parecendo cair na real, a expressão de Jimin se tornou uma séria e preocupada. – Você pensou nas consequências? E como você pagou? É tão caro. Sabe que não tem volta, né?

– Caralho Jimin, você está me escutando? – Tae sentou no sofá em uma só pisada. Se moveu inquieto, estranhando estar sentado por cima daquilo. – Eu não fiz cirurgia nenhuma! Hoseok foi me buscar ontem e me trouxe pra casa. Eu já acordei com isso!

Jimin ficou em silencio por algum tempo, encarando a face espantada de Taehyung. O coração do Kim estava a mil, Jimin certamente viu ‘aquilo’, então não estava maluco.

– Impossível. – Jimin murmurou encarando Taehyung de forma desconfiada.

– Sim, exatamente isso! – Tae levantou exasperado e apontou novamente para o local. – Eu tenho uma vagina, Jimin. Uma vagina!

– Isso é... – Jimin encarou o chão de forma assustada. – Insano. – suspirou.

– É maluquice, loucura, bruxaria, macumbice. – Taehyung disse tudo que veio a mente, até palavras que sequer existem. – É macumba! Jogaram-me uma praga! – Agarrou os braços e se esfregou. Olhando de um lado para outro como se temesse ser atacado. – Eu ‘tô enfeitiçado, Jimin.

– Credo, chega ´pra lá. – Jimin passou por cima do sofá e encarou a face chorosa de Taehyung. – Espero que não pegue. – Se abaixou, ficando com apenas metade da cabeça amostra.

– Jimin! – Taehyung estendeu os braços, procurando apoio, enquanto as lágrimas desciam e escorriam por suas bochechas. – Eu vou morrer? Jimin, eu vou morrer? – Taehyung tentou passar por cima do sofá também, não conseguindo e tendo metade do corpo pendurado. Jimin já se encontrava com as costas contra a parede oposta.

– Claro que não, Tae. Não diz besteiras, você só tá com uma... – Riu sem humor. – perseguida.

Taehyung de repente parou de chorar e sua face mudou para uma irritada.

– Não chama essa porra de perseguida. Eu não tenho uma perseguida! – Taehyung socou o estofado. – Quer saber? Se for contagioso que se foda você! – Taehyung pulou pelo sofá e correu até Jimin.

O Park gritou e correu ao redor da sala, tendo um Kim com as bochechas vermelhas e ainda com lágrimas nos olhos em seu encalço.

– Para, Taehyung! – Jimin agora se mantinha afastado de Taehyung na cozinha, mantendo a mesa os separando. – Taehyung, senta! – Ditou como se o Kim fosse um cachorrinho. Se fosse, não seria nada obediente.

– O caralho! – Taehyung então começou a chorar novamente, puxando a cadeira e se sentando, sem perceber obedecia ao mandato do amigo. – Que saudades do meu caralho.

Jimin revirou os olhos.

– Se importa de eu chamar sua flor de perseguida e não seu pau de caralho? – Jimin sobressaltou quando ouviu o baque da mão de Taehyung contra a mesa. Suspirou emburrado. – Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – Se sentou meio acanhado, encarando um Taehyung com bico nos lábios e limpando o choro com os dedos.

– Eu não sei o que fazer com isso! – Taehyung fungou e Jimin entortou a boca com nojo ao ver todo o catarro pelo rosto bonito do Kim. – Não acredito que isso está acontecendo comigo. Justo comigo!

Certo silencio se propagou pelo apartamento, ouvindo às vezes apenas o som das leves fungadas de Taehyung e sua respiração pesada.

– Será que funciona?

Taehyung encarou confuso Jimin. Do que ele está falando?

– O que?

– Será que... isso. – Apontou aleatoriamente para baixo. – Funciona?

Taehyung revirou os olhos e fungou, limpando o rosto para em seguida dar de ombros.

– Tô com vontade de mijar. – Murmurou baixo e Jimin abriu a boca exageradamente.

– Então vamos lá! – Se levantou afoito, indo até Taehyung e o puxando a força. Tae puxou seu braço de volta.

– Como assim “vamos lá”?

– Eu quero ver, dã! – Taehyung encarou Jimin indignado, cobrindo sua parte da frente. O Park revirou os olhos.

– Mas é claro que não, tá maluco? – Taehyung correu até o banheiro do quarto de Hoseok, sabendo que no seu estaria cheirando mal pelo vômito ainda não limpo. Sentiu Jimin em seu encalço então foi mais rápido em entrar, fechar a porta e trancá-la.

– Ah, não, Tae! Por favor, me deixa ver! – Jimin bateu na porta enquanto pedia em um muxoxo. Estava muito curioso.

Taehyung andou até o vaso e desceu as calças, se sentando em seguida. Inspirou fundo e soltou o ar lentamente. Relaxou.

– Oh! Oh! – Alarmou-se o Kim ao que sentia o alívio em seguida. – Tá saindo. – Fechou os olhos com força, forçando seu corpo a relaxar com medo de fazer parar.

– Como tá? – Jimin questionou, sua voz saiu abafada então não era difícil saber que ele estava com a cabeça contra a porta. – Me deixa ver.

Taehyung assim que terminou, não sabia mais o que fazer. Deveria se limpar, certo? Não. Não tocaria naquilo novamente. Não podia. Começou a se balançar, esperando que o excesso saísse com o movimento. Não deu certo. Bufou e encarou o papel higiênico ao lado.

– Porra...

– O que foi? O que tá acontecendo? – Encarou a porta irritado, Jimin era um fofoqueiro chato para caramba. – Tá doendo?

– Fica quieto! – Enrolou um pedaço na mão e desceu, mordeu o lábio inferior enquanto se limpava. Jogou o papel fora e levantou-se, subindo as calças e se sentindo mais leve. – Feito! – Deu a descarga.

Andou até o espelho e encarou seu corpo. Não parecia que de longe ele possuía ‘aquilo’. Passou o dedo levemente pelo local e fez um muxoxo.

– Tá tudo bem? – Jimin estranhou o silencio.

– O que eu faço agora?

Os dois mergulharam em um silêncio coberto de dúvidas. Eram várias perguntas que surgiam na cabeça de Taehyung, nenhuma delas com resposta.

(Simples Assim)

Taehyung sonhava com o dia em que acordaria e se depararia com seu pau novamente, mas quando passava a mão a cada dia que acordava e sentia o liso no lugar, sentia vontade de chorar. Passou-se mais uma semana de trabalho. Escondeu de todos os amigos, menos Jimin, o que havia acontecido consigo. Aquilo não tinha explicação. Simplesmente acontecera e Taehyung não sabia como desfazer.

Quando abriu os olhos, imediatamente desceu sua mão direita até seu sexo, sentindo sua palma passar reto pelo lugar. Ainda com ‘aquilo’. Geralmente, quando em público com Jimin, a chamava de Flor, era menos vergonhoso do que outros nomes. E eles tratavam do assunto como se estivessem falando sobre uma mulher. Coisas como “Você viu a Flor de manhã?” que Jimin sempre perguntava quando se viam no trabalho. Era seu modo de questionar se ela ainda estava lá. E Taehyung sentia a angustia ao perceber que ela ainda estava lá.

Se levantou e se espreguiçou. Andou até seu banheiro, estava se acostumando a andar daquele jeito e agora não se preocupava em esmagar os ovos quando andava de bicicleta. O problema de verdade era quando coçava, Taehyung não sabia o que fazer, às vezes apertava, ora ou outra tentava uma beliscada, mas sempre acabava se machucando.

Estranhou quando sentiu uma leve ardência no lugar. O que estava acontecendo desta vez?

Assustado, ligou para Jimin e procurou por ajuda.

– Sei lá, você deve estar assado. – Jimin disse de modo tão descontraído como se estivesse falando do clima, mas para Taehyung fora o fim do mundo. Assado? Como? Estranhou ao ouvir a risada do Park. – Deixou o Hoseok meter a colher, foi?

– Jimin, cala essa boca antes que eu meta a minha colher em um lugar que você não vai gostar. – Ameaçou Taehyung com a voz rosnada. Jimin pouco se sentiu ofendido, rindo depois de ouvir a frase.

– Você não tem uma colher, tem um pote de mel. – Taehyung desligou.

Após perceber que não teve respostas, ligou novamente.

– Se lavou direitinho? – Jimin atendeu assim.

– Como assim? – Questionou confuso.

– Ai, Taehyung. Se você não lavar direitinho, fica sujinho. – Taehyung odiou o modo como ele falava.

– Eu não vou tocar nisso. Tá maluco?

– Você nunca se importava quando saia com mulheres. Criou medo? – A voz de Jimin ficou abafada e soltava ecos, Tae não entendeu o motivo até ouvir o som da descarga.

– Você tá se ouvindo? Agora eu tenho uma dessas, porra! Isso é esquisito. É... é... – Taehyung não conseguia colocar em palavras o quanto aquilo era difícil. – Não dá. Vou me matar, Jimin. Adeus.

– Para de drama. Agora tá parecendo uma mulher, cheio de drama. – Taehyung choramingou, se sentindo menosprezado com a frase tão rude do amigo consigo. De certa forma, se sentiu ofendido. Mas ele não era uma mulher, certo?

Não era. Repetia isso várias vezes em sua cabeça como um mantra.

– Certo. O que eu tenho que fazer?

– Passa uma pomada para assaduras, mas antes se lava direito.

Taehyung foi fazer o que Jimin disse, mantendo a ligação no viva a voz. Doeu um pouco quando se lavou. Assim que terminou, se enxugou e se preparou para o desafio. Ainda nu, abriu apenas um pouco suas pernas e com a pomada para assaduras tirada do armário do banheiro, levou seu dedo melecado até o local.

– Ah!

– O que foi? Se machucou?

– É... Estranho. – Taehyung moveu o dedo levemente, sentindo até mesmo um pouco de cócegas. – Se parece como pequenas montanhas. – Murmurou. – Até que não é tão mal. – Finalmente desceu o olhar para o que fazia. Taehyung então se lembrou do que as mulheres tinham ali e desceu mais seu dedo. – Oh!

– O que tá acontecendo? – Jimin até mesmo desligara a televisão, ansioso e curioso pelo que o amigo estava fazendo. Alguns segundos se passaram e Jimin estranhou o silêncio arrebatador. – Taehyung? – A boca de Jimin se curvou para baixo assim que ele ouvira um rouco gemido que certamente saíra da boca do seu amigo. – O que... – Uma arfada. – Não acredito que você tá–

– Oh, porra. – Taehyung começou a rir, estava se sentindo extasiado. – Jimin! Se eu continuar fazendo isso... – Taehyung movia os dedos rapidamente, se esfregando. – Isso é insano! – Mais uma gargalhada.

– Tae... – Jimin afastou o celular quando os gemidos ficaram mais altos. – Você precisa ir ao médico, e depois iremos a um psicólogo. Você precisa de um. – Jimin desligou a chamada. – Talvez não só você. – Murmurou.

(Simples Assim)

Hoseok estava desconfiando dele. Taehyung sabia. O Kim também não sabia como explicar ao amigo com quem dividia o apartamento que agora tinha uma Flor. Era loucura e o Jung não iria acreditar. Poderia até mesmo achar que estaria caçoando de sua cara e do fato de ser gay. Taehyung certamente não queria discutir. Odiava discutir com Hoseok.

O problema era: Não sabia atuar. Então, desde aquela situação no banheiro, Hoseok parecia que queria a qualquer momento entrar no lugar consigo. Seja para usar a privada ou secar o cabelo. Isso porque ele dizia que sua ducha não estava funcionando ou que somente Taehyung tinha um secador naquela casa. Ou seja, Hoseok agora tomava banho no seu banheiro. Taehyung não se importava contanto que não fosse ao mesmo tempo que ele. Queria manter distancia, assim guardaria seu segredo.

A dificuldade maior era que gostaria muito de dividir com ele o que estava acontecendo, mas tinha medo. Taehyung estava confuso desde que tudo começou.

Enquanto tomava banho, o Kim pensava como seria se Hoseok soubesse da verdade. Ele acreditaria? O ajudaria? O negligenciaria? O comeria?

Taehyung deixou o sabonete cair com o pensamento. Jimin e suas malditas brincadeiras estava metendo coisas na sua cabeça. Hoseok o acharia uma aberração, assim como o próprio Taehyung se achava.

O Kim perdeu as contas de quantas vezes tivera que expulsar Hoseok do banheiro apenas para que ele usasse. O Jung ficava irritado, dizendo que não precisava de tudo aquilo e que por mais que fosse gay, acima de tudo eram amigos e que ambos eram homens e tinham a mesma estrutura. Taehyung só conseguia pensar em duas coisas. Primeiro: Ele não tinha a mesma estrutura do corpo de Hoseok. O Jung tinha músculos. Taehyung tinha gordura. Segundo: Ele certamente, com toda a certeza, não tinha ‘aquilo’ que Hoseok mais queria destacar. Com certeza não tinha.

Então se sentia tímido e com medo se ele descobrisse. Por isso, quando saíra da ducha e tentou andar até seu roupão de banho, estancou no lugar ao que avistava a silhueta de Hoseok abaixada sob a pia, ele caçava algo nos armários. Para Hoseok ocorrera tudo rapidamente, tanto que quase não captou o que aconteceu, mas para Taehyung tudo se passou em câmera lenta. Hoseok parecendo notar sua presença e virando o rosto, Hoseok sorrindo e em seguida seu sorriso sumindo enquanto seu olhar descia, e o olhar espantado quando Hoseok enfim avistou aquilo. O Jung tentou se levantar, mas bateu a cabeça no armário, xingando. O que deu tempo suficiente para Taehyung sair correndo, molhado e assustado, do banheiro.

Taehyung sem ter para onde correr, sabendo que Hoseok o alcançaria facilmente no seu próprio quarto, saiu do lugar e correu para o quarto alheio. Tudo isso despojado de roupas. Se jogou na cama deste e se cobriu até o último fio de cabelo. Implorava para que Hoseok não lhe seguisse.

Diferente do que queria, ouviu os passos chegando mais perto e uma respiração calma, diferente da sua. Seu coração começou a bater feito louco quando uma parte do colchão se afundou com o peso do Jung. Ele estava perto.

– Tae? – Sentiu a mão de dedos finos onde seria sua cabeça, mas acabou pegando a parte de baixo de seu antebraço. Taehyung se arrepiou. – Podemos conversar?

– Não. – Respondeu baixinho.

Hoseok suspirou e retirou sua mão, alisando suas coxas para que o suor dali secasse. Pigarreou e pensou antes de falar.

– Escuta. Não tem problema nenhum isso, tá bom? – Não sabia bem como acalentar o outro, era a primeira vez que acontecia aquilo com ele. – É normal as pessoas se sentirem diferentes e... Não se identificarem, sabe? – Taehyung abriu os olhos, não enxergando nada devido ao lençol. Abaixou um pouquinho para que pudesse encarar os olhos de Hoseok, se espantou quando ele já o encarava. Não disse nada, no entanto.  – Você não tem culpa de nada e seja lá a forma como for, quem você é ou o que, eu vou te aceitar. Da mesma forma que você me aceitou. – Tocou no próprio peito, sorrindo acolhedor. O peito de Taehyung se aqueceu e ele se perguntava o motivo.

– Você não me acha estranho? – Quis saber e se espantou por sua voz ter saído embargada.

– Claro que não. Você é perfeito da sua forma e será assim contanto que se sinta feliz consigo mesmo. – Hoseok se sentiu bem quando viu um sorriso surgir na face de Taehyung. – Ser Trangênero não é nenhum pecado. – O Jung uniu as sobrancelhas, ficando confuso quando o tal sorriso de Taehyung sumiu e este assumiu uma face confusa. Taehyung ao assimilar o que estava acontecendo, entrou em desespero. – O que foi? Falei algo errado?

– Você acha que eu sou transgênero? – Questionou, apenas para ter certeza. Hoseok hesitou antes de responder.

– Sim, ué. Você... tinha um pinto e agora tem uma... Enfim, mudar de sexo não é nada anormal hoje em dia. – Sorriu um sorriso meio torto ao pensar melhor. – Talvez não aqui na Coréia, mas está tudo bem entre nós. – Foi rápido em dizer a última frase, com medo de Taehyung entender errado.

– Eu não mudei de sexo! – Taehyung agora estava alarmado e não sabia se gritava ou chorava. Céus. Se perguntava novamente: Por que comigo?

– Eu me lembro muito bem de você ter um saco... – Hoseok tinha medo de soar rude, afinal. Taehyung dizia ser hétero e demonstrava um medo anormal de que Hoseok acabasse o ‘atacando’ sexualmente, o que nunca aconteceria.

– Eu... – Bufou e agarrou os cabelos, se sentando direito em seguida para explicar melhor sua situação. Manteve o lençol sobre suas coxas, cobrindo seu íntimo. – Eu não sou transgênero, meta isso na sua cabeça. – A primeira reação que teve fora ficar irritado.

– Mas–

– E eu não desejo me tornar uma mulher e nem nunca desejarei! – Apontou um dedo em Hoseok, antes de abaixa-lo e começar a fungar, piscando para segurar as lágrimas. – Não é como se você fosse acreditar mesmo... – Limpou a região dos olhos, não querendo deixar a água salgada descer. – Não é como se fosse normal alguém sair por aí dizendo “Acordei e tinha uma vagina, irra”. – Taehyung levantou seu olhar até Hoseok, não se sentindo nada surpreso com a sua expressão confusa. – Mas foi isso que aconteceu. Um dia eu tinha um pau e agora eu tenho... – Bufou e revirou os olhos. – Uma flor.

Taehyung desviou o olhar para suas coxas, brincando com a pele um pouco exposta, mas não se importava. Logo Hoseok se afastaria e o encararia como o ser humano mais maluco da face da Terra, criando histórias para tentar fazer sentido algo que tinha de tudo menos coesão.

Se assustou quando sentiu um braço quente passar ao redor de seu ombro e agarrá-lo pelo braço. Taehyung encarou Hoseok. O Jung sentiu um aperto no peito ao notar os olhos brilhantes e assustados de Taehyung.

– Me explica isso melhor. – Taehyung suspirou.

– Não tem muito sentido, mas... Naquele dia que eu vendi vários imóveis e comemorei com meus amigos e você foi me buscar, você lembra? – Continuou ao ter a confirmação de Hoseok. – No dia seguinte eu fui usar o banheiro e... – Não segurou o choro. Taehyung se considerava alguém bastante forte sentimentalmente, mas naquele momento se sentia um bagaço. Uma mistura de emoções que não conseguia assimilar, nem no pulsar esquisito que sentia lá embaixo com Hoseok tão perto, sendo capaz de sentir seu aroma masculino. – Eu a vi e fiquei tão assustado. Pensei até que fosse um sonho, mas não era. – Agarrou o tronco de Hoseok como se dependesse daquilo para se salvar de alguma coisa. – Hoseok, não era! – Chorou copiosamente, sentindo o afago gostoso da mão de Hoseok em seus cabelos e a mão transpassada por seus ombros em um carinho no braço que agarrava. Taehyung se sentia acolhido e quente.

Mas tinha algo estranho. Tão estranho que precisou chegar mais perto de Hoseok.

– A gente vai dar um jeito nisso, ok? – Taehyung assentiu como um filhotinho e o abraçou mais apertado. Queria sentir o máximo possível da pele alheia, por isso, com uma das mãos passou por baixo da camisa de Hoseok, sentindo sua mão se aquecer imediatamente. Suspirou ao que unia com mais força suas pernas, a pulsação lá incomodando mais. O que está acontecendo? Taehyung não conseguia impedir sua outra mão de descer mais, quase chegando ao cós da calça do Jung. – AH! – Hoseok se levantou imediatamente, quase caindo de tão afobado. Taehyung piscou, parecendo cair na real. – Eu vou... Eu vou lá na cozinha. Eh, comer algo. – Hoseok praticamente correu para fora do quarto.

Taehyung encarou as próprias mãos e notou que lá embaixo já estava calmo novamente. Tae lentamente enfiou a mão direita e passou por lá, abrindo a boca exageradamente, espantado ao que sentiu algo viscoso.

Mordeu o lábio inferior para não soltar um palavrão, mas era o que queria.

(Simples Assim)

Taehyung encarava Hoseok irritado, enquanto este apenas passava mais uma página da revista calmamente. Será que ele não notava os olhares que os dois recebiam? Estavam aguardando por uma consulta, Taehyung quase fumegou com o pensamento, com um ginecologista. Quando Hoseok o acordou e o mandou se vestir, apenas o fez por ainda estar com vergonha do que fez no dia anterior. Porém, teria recusado na certa se tivesse lhe perguntado os motivos.

Hoseok havia marcado uma consulta com um ginecologista para o Kim. Este que não sabia onde enfiar a cara já que Hoseok havia pegado a única revista da mesinha de centro dali. Foi quando finalmente Taehyung entendeu. Hoseok não estava calmo como aparentava, estava fazendo justamente aquilo que Taehyung queria, escondendo o rosto dos olhares inquisidores das mulheres. 

Suspirou, cruzando as pernas e colocando as mãos sobre o colo como se aquilo fosse o suficiente para esconder seu problema que tinha ali.

– Kim Taehyung. – A secretária do local chamou seu nome e o Kim pensou em fingir que não era consigo, mas não havia como fazer aquilo. Levantou devagar, como se aquilo fosse lhe passar toda a coragem que necessitava e andou até a mulher que o encarava séria. – Escute bem, aqui se consulta apenas mulheres, se o senhor quiser–

– Que falta de educação. – Taehyung se espantou com Hoseok surgindo ali tão de repente. Passando o braço direito sobre seus ombros. – Escute aqui você. – apontou o dedo para a moça. Taehyung se mantinha calado, não querendo se meter no assunto, era vexame demais para um só dia. – Ele aqui na verdade é ela. Você é uma mulher de muito mau caráter por julgar sem saber.

A moça encarou os documentos do Kim antes de responder.

– Mas seus documentos–

– Ela é transgênero. Se sente bem dessa forma. Onde foi parar a sua educação? – Hoseok a encarava como se realmente estivesse irritado. Taehyung se perguntava se ele estava.

– Eu sinto muito, senhorita... – Taehyung sentiu as bochechas vermelhas e abaixou o rosto, se virando e se escondendo nos braços de Hoseok.

– Você o magoou. – Hoseok lhe abraçou de volta, demonstrando chateação em sua voz e expressão. – Vamos querido.

Hoseok lhe puxou e os dois voltaram para os bancos que estavam antes. Taehyung ao levantar a cabeça, encontrou o leve sorrisinho de Hoseok.

– Você é doido?

– Acha que ela acreditou? – Hoseok ignorou sua pergunta e Taehyung encarou a secretária, ela já o olhava, mas desviou rapidamente. Tae murmurou em concordância. – Ótimo. Não passei vergonha atoa.

Taehyung riu. O Kim se sentiu bem por Hoseok parecer confortável em abraçá-lo, talvez já não o estranhasse pelos acontecimentos anteriores. Taehyung não os esqueceria facilmente, no entanto. O modo como seu corpo respondeu ao de Hoseok foi um tanto... Diferente. Nunca sentiu uma atração tão fora do normal. Via Hoseok quase todo dia sem camisa, e nunca sentia nada antes além da inveja.

Depois de um longo tempo, Taehyung ouviu seu nome ser chamado, e ainda com os olhares das mulheres focados neles, os dois adentraram a sala gelada da clínica. Assim que o doutor se virou para ambos, Taehyung pôde notar sua expressão se retorcer em dúvida. Ele encarou uma ficha em mãos e depois os encarou.

– Tivemos algum erro? – Questionou o médico.

Taehyung encarou Hoseok, em busca de ajuda. O Jung suspirou cansado e adquiriu uma expressão séria para encarar o médico.

– Ele é transgênero. – Taehyung abaixou a cabeça. Céus, que vergonha. Nem se fosse trans de verdade, Taehyung não iria sair falando para todo mundo, não no país em que viviam onde ser alguém privado era algo além do essencial, era o natural. – Seu nome é... Taeyon. Os documentos são recentes. Ela apenas não fez a cirurgia ainda.

Taehyung encarou o médico que agora colocava luvas de plástico nas mãos e a máscara.

– Certo, me perdoe se os insultei. – Taehyung ficou feliz ao ver os olhos sorrirem simpático, se sentindo mais confortável. Mas ainda assim se perguntava: Por que um homem? Ele era um tarado? – Tire suas roupas, senhor Kim.

A boca de Taehyung foi ao chão.

– O que? – Hoseok lhe cutucou com força na costela e Tae sorriu amarelo. – Certo. – Ele foi para o pequeno banheiro que o médico lhe indicou e retirou suas vestimentas, Taehyung não ficou nem um pouco feliz naquela roupa de hospital que com apenas um soprar de vento todos poderiam ver o que ele tinha por baixo, ou se apenas virasse de costas. Se sentia tão exposto.

O homem lhe levou até uma balança e o pesou. Taehyung ficou curioso com seu peso e quando o viu, seu cenho franziu. Estava com 64 quilos. Havia emagrecido desde quando? Bom, não se importou. Aquilo soara bem para ele.

A pior parte foi quando o doutor lhe mandou deitar naquela maldita cadeira. Taehyung aceitou até a parte de sentar-se de frente com o médico, onde ele quase podia ver suas partes íntimas, mas colocar seus pés ali e se abrir? Nunca.

– Não! – O médico limpou o suor da testa ao que Taehyung virava a cabeça para o outro lado com os braços cruzados e negava mais uma vez seus pedidos.

– Tae, faz logo isso, ou não quer saber que porra está acontecendo aí? – Na metade da frase a voz de Hoseok já soara arrastada, ele não queria deixar muito implícito para o medico algum problema. Taehyung entendeu o problema, mas da mesma forma, não iria se abrir para aquele homem.

– Sinto muito, mas não farei isso.

– Não terei como fazer a consulta sem examina-lo. – O médico dizia manso. Taehyung gostou dele, mas da mesma forma não se sentia confortável para aquilo. – Vamos, senhor Kim. Serei rápido. Em alguns segundos terei terminado. – Taehyung selou os lábios e cruzou as pernas.

Hoseok bufou.

– Abre logo isso! – O médico se virou para Hoseok que estava atrás.

– O senhor é o que para ele? – Tanto Hoseok quanto Taehyung o encararam confuso. – Irmão? Amigo? Parceiro?

– Eu sou... – Hoseok não sabia o que dizer.

– É meu amigo. – Taehyung respondeu no lugar, o que achou certo dizer. O médico se virou para ele novamente.

– Se sentiria mais confortável se ele saísse? – A pergunta deixou Taehyung alarmado. Será que Hoseok ficaria bravo? Apenas concordou com a cabeça. – Por favor, se retire para que eu possa examina-lo.

Hoseok ficou abismado com a expressão suplicante do homem. Ele estava louco para terminar aquilo. Suspirou e encarou Taehyung que desviou o olhar imediatamente.

– Certo. Qualquer coisa estarei logo ali. – Apontou para onde achou que estariam os bancos em que estavam sentados antes e saiu. Não sem antes dar uma última olhada no amigo.

Assim que a porta se fechou, Taehyung encarou o médico. Inspirou a expirou lentamente antes de se apoiar na grande cadeira e subir suas pernas, notou que elas tremiam, e o processo de apoia-las foi torturante e difícil.

– Você é virgem?

Mais um choque para o pobre coração de Taehyung. O Kim já havia feito sexo, mas quando era um homem e trajava de órgãos genitais masculinos.

– Eh... Não?

– Hum. – Taehyung levou seus dedos até a boca e os mordeu quando ele sentiu os dedos gelados cobertos com as luvas lhe abrirem. Foi a pior sensação de todas. – Consigo ver seu hímen, talvez não tenha ido até o fim. Você sangrou?

Confuso, Taehyung apenas negou.

– Eu não fiz nada. – Tae ignorou as sobrancelhas unidas do homem, ele estava com aquela máscara desde o começo, mas podia identificar os olhares facilmente. Ele estava confuso. – Não fiz sexo. – Com isso, completou mentalmente.

– Certo. – Taehyung achou que terminaria por aí as perguntas e os toques, entretanto mais uma vez estava enganado. – Como está o ciclo menstrual?

– Puta que pariu... – Murmurou.

– O que? Desculpe, não entendi. – Taehyung não sabia o que responder.

– Eh... Eu não sei. – Apenas foi sincero.

– Está irregular? – Estava? Tae negou. – Então está regular?

– Sim. – Achou que era o certo dizer aquilo. Regular parecia bom. O médico assentiu e se levantou. Taehyung imediatamente fechou as pernas.

O Kim viu as mãos do homem levantarem aquela roupa ridícula e irem diretamente para seus mamilos. Agarrou os pulsos dele com força.

– Não faça isso! – Ambos se encararam assustados. Tae se afastou alarmado e desceu a roupa. – Está bom por hoje? É o suficiente?

– Preciso checar seus seios, senhor Kim. – Tae ficava agradecido por ele lhe chamar de modo masculino, era a única coisa que apontava que ele era um homem ali.

– Não permitirei. – Mais uma vez cruzava os braços. O médico suspirou.

– Certo, não farei.

Em seguida, entraram em uma conversa profissional sobre a saúde íntima de Taehyung, e quando este saíra finalmente da sala totalmente vestido, encarou um Hoseok que mais uma vez escondia a face com a revista. Ambos se encararam. Tae caminhou até ele.

– Como foi? – O Kim lhe ignorou e foi até a mulher. Hoseok o observou conversarem e Tae marcar mais uma consulta para o próximo mês. – Tae?

– Eu tô bem. Vamos antes que levemos um tiro pela costa. – Taehyung saíra rapidamente dali.

Hoseok antes de sair, notou o olhar julgador da mulher próxima da porta. Bufou. Era parecido com o de todas ali.

– Ela é uma mulher! – Apontou pela porta de vidro para um Taehyung que já estava andando para fora do local. Assim Hoseok também saiu.

Hoseok o seguiu e notou a expressão séria de Taehyung. Queria perguntar o que estava havendo com ele, mas não perecia ser um bom momento.

Taehyung estava confuso, fizera uma consulta com um ginecologista, descobriu que era virgem novamente e apenas se perguntava quando aquilo iria acabar, ou melhor, por que aquilo acontecera de início? O que fez para merecer um castigo tão grande? Andou em passos pesados até a primeira farmácia que avistou. Hoseok o seguia feito um cachorrinho. Achou engraçado compara-lo a um.

Tae caminhou até o corredor de sabonetes íntimos femininos, o médico lhe indicou um, então achou que devesse comprar logo. Avistou a marca na última prateleira. Esticou seu braço, mas o mais alarmante não foi apenas o fato de que não alcançou, mas sim porque estava na ponta dos pés e ainda assim o objeto não estava em suas mãos.

– Mas o que?

– Deixa que eu pego. – Hoseok era alto o suficiente para alcançar e logo o produto estava nas mãos do Kim. Taehyung se virou e encontrou o sorriso simpático e brilhante do Jung. Formou um bico confuso.

– Eu não era mais alto que você? – Questionou. Hoseok o encarou confuso, parecendo se tocar depois do assunto.

– Hum. É mesmo, né?

– Querem ajuda? – Uma atendente apareceu com um sorriso.

– Não! – Tae respondeu ríspido e se dirigiu até o balcão. Mais uma vez Hoseok o seguiu, não sem antes murmurar um pedido de desculpas para a mulher.

– O que foi aquilo? – O Jung perguntou confuso assim que o alcançou.

– Aquilo? Aquilo o que? O fato de eu estar encolhendo ou de eu ter negado a ajuda dela? – Hoseok deu um passo para trás com tamanha raiva Taehyung lhe encarou. – Eu já ‘tô por aqui com você, Hoseok. – Taehyung apontou para a testa e se virou novamente para o balcão.

Tae pagou pelo sabonete íntimo, porém antes de recebê-lo notou o sorriso da mulher do balcão.

– Homens. – Ela revirou os olhos.

Tae não demorou em raciocinar o que estava acontecendo ali.

– Céus. – Mais uma vez saiu em pisadas rápidas de um local e Hoseok o seguira.

– Tae, espera! – Hoseok correu para alcançar o Kim que não se importava com a caminhada nada convencional, o menino estava quase para correr.

 Taehyung parou e Hoseok teve que impedir seus passos abruptamente antes que acertasse o mais novo. Se alarmou quando notou que seus ombros subiam e desciam. Queria enganar a si mesmo de que o garoto apenas lembrara-se de uma piada engraçada e agora ria, mas sabia que Taehyung apenas liberava o que estava sentindo. Taehyung parecia não conseguir mais conter seus sentimentos, diferente de como era antigamente.

– Isso é... – Tae fungou. – Isso é cruel. – Taehyung se virou para Hoseok, ainda com a sacola em mãos, dificilmente conseguiu secar suas lágrimas. – Por que fariam isso comigo, Hyung?

Hyung? Taehyung quase nunca o chamava assim. Hoseok se sentiu sem saída, não sabia o que fazer, então apenas estendeu os braços e acolheu Taehyung em uma abraço apertado.

– Seja o que for, a gente vai sair dessa juntos. – O Jung sentiu os dedos finos lhe abraçarem de volta.

Aquilo foi o suficiente para Taehyung parar de chorar, secar suas lágrimas e respirar fundo. Se afastou do mais velho, o encarando determinado.

– Eu quero comer, me paga um lanche. – Hoseok riu e Taehyung o acompanhou com um sorriso presunçoso.

– Simples assim?

– Simples assim.

(Simples Assim)

No dia seguinte fazia muito calor, então Taehyung não viu problema algum em diminuir sua quantidade de roupas. Trajava uma calça e camisa social, acompanhado de sandálias de couro, tinham uma aparência moderna. Taehyung necessitava estar bem vestido, seu trabalho não o obrigava a apenas ter uma boa lábia, mas como uma boa aparência. Então, havia ousado com um pouco de maquiagem no dia.

Estava bonito, se sentia bonito. Porém, começava a se incomodar com tal característica quando recebia olhares incessantes enquanto passava. Aquilo incomodava. Primeiramente pensou que havia algo no seu rosto, talvez tenha exagerado no rímel e agora parecia apreciador de heavy metal, depois pensou ter algo preso no dente e foi conferir no banheiro, até mesmo cheirou por baixo das axilas. Estava impecável e cheiroso. Depois foi entender o verdadeiro motivo.

Um tapa na bunda enquanto usava a impressora. Ouviu a risada de um dos seus colegas de trabalho. O que havia acontecido ali? Aquilo fora uma brincadeira? Taehyung a odiara. Queria ter gritado com o autor, mas não podia, não por estar em um local público, mas porque o homem era simplesmente um Deus ali. Vendia feito uma beleza e comprar briga com ele seria comprar briga com os superiores, Taehyung não queria arriscar perder seu emprego.

Levantou seu olhar e percebeu o de Yona. Ela encarava com rancor o cara que antes incomodava os pensamentos de Tae. Ela provavelmente viu aquilo. Seus olhares se esbarraram.

– Ele é um babaca, você se acostuma. – Ela murmurou. Taehyung imediatamente sentiu... Que não estava só ali. Sorriu levemente para retribuir a moça e a observou dar as costas ao local. Ela havia apenas pegado mais uma xícara de café.

Mais tarde, seguira com mais um cliente. O homem queria uma casa ampla, com quintal e acompanhada de piscina. Vários quartos e banheiros. Então, o Kim foi prestativo em procurar e achar uma casa com todos os requisitos do comprador. Queria agradá-lo o suficiente para que comprasse a casa. O homem era bem vestido e tinha uma expressão séria, que contradizia com seu sorrisinho de lado que dava vez ou outra. Taehyung conhecia esse tipo de gente, cheio de si. Sabia que seria uma venda fácil. Era apenas esbanjar o luxo que eles caiam feito patinhos na compra.

– É uma bela casa.

– Sim, ela é. Possui três banheiros e cinco quartos. Dois são suítes maravilhosas. E como solicitado, um quintal com mais de 200 metros quadrados acompanhado de uma piscina com a capacidade de vinte e seis mil litros de água. Também possui um porão e... – Taehyung fora listando calmamente com um sorriso ansioso, enquanto apontava para onde se encontrava o local, estava de costas para o homem naquele momento e mal notou sua aproximação até sentir uma mão em sua cintura permear até que lhe agarrasse e algo um pouco duro o cutucar nas nádegas.

– Você está incluso?

Taehyung petrificou, ainda com a mão estendida de quando inocentemente explicava o que possuía na casa. Sua voz sumira por milésimos de segundos. Por que não conseguia falar? Seu coração batia desenfreado, com medo de se virar e enfrentar o que estava por vir. Se sentiu impotente, um miserável.

Sentiu um calafrio sombrio na coluna quando o comprador aproximou sua boca do seu pescoço para beijar. Tae estava com nojo, mas estava tão assustado que não conseguia se mover. Por quê?

– P-Por favor... – Seus olhos ardiam e o menino estava em estado de puro pavor, não queria continuar sendo tocado, estava com nojo.

– Por favor o que? – Ele achava que estava implorando por mais? Não, Tae queria correr imediatamente dali.

Lágrimas começaram a descer por seus olhos e Tae fungou enquanto seu corpo tremia inteiro. Ouviu um resmungo insatisfeito e o alívio foi gritante quando os toques finalmente cessaram.

Tae se manteve de cabeça baixa, limpando as lágrimas que não paravam de cair. Havia sido tocado sem seu consentimento. Não fora agredido, mas Taehyung sentia que sim. Se virou e saiu do local, ignorando a possível compra que poderia ter vendido. Não poderia mais encarar um homem como aquele, tinha que sair dali.

Pegou o carro da empresa e dirigiu de volta para a sede. Quando chegou, deixou o carro no seu devido lugar e subiu, ainda estava com a face vermelha, mas não podia sair sem simplesmente dar um comunicado. Quando o elevador se abrira para ele depois de alguns minutos de espera, Taehyung não teve tempo suficiente de esconder o rosto de Yona e de mais uma mulher, era uma loira com curvas muito grandes para uma coreana, conhecia seu nome, Jungmin. As duas o encararam confusas.

– O que houve, Taehyung? – Sem mais alternativas, o Kim entrou no elevador encolhido.

– Não é nada. – Resmungou baixinho. Pode observar pela visão periférica as duas se encarando. Esperou que elas se mantivessem caladas, mas acabou se enganando quando avistou Yona chegar mais perto.

– O que aconteceu? – A face dela estava tão preocupada, parecia verdadeiro. E o toque dela em seu ombro direito não lhe causou repulsa. As lágrimas voltaram sem permissão e Taehyung quase perdeu as forças das pernas. Apoiou sua costa na parede e respirou fundo para se acalmar.

– Meu comprador, ele... Ele tentou me assediar. – Ele não tentou, ele havia o assediado, mas parecia mais fácil contar assim. Parecia menos pior. – Ele tentou me tocar e eu... Eu não consegui me mover. – Fungou e limpou o nariz, não querendo parecer nojento na frente das duas. – Eu não consegui nem empurrar ele, eu petrifiquei.

– Minha nossa, Taehyung. Você tem que relatar isso–

– Não. – Respondeu veemente. – Não quero criar confusão. Irei apenas me ausentar hoje, amanhã estarei bem. – Yona parecia discordar, mas suas palavras foram de apoio em sua decisão.

Após assinar um comunicado, Taehyung pegara sua bicicleta e logo estava de volta para casa. Não era muito longe, por isso nunca achou que necessitasse do carro da empresa para se locomover. A pedalada fora bastante tensa, mas serviu como consolo para Taehyung que sentiu-se acalmar enquanto voltava para seu lar.

Quando adentrou finalmente seu apartamento, o ar estava gelado. Avistou a porta do quarto de Hoseok aberta. Retirou suas sandálias e caminhou até o sofá, se sentando. Era bom se sentir acolhido pelo lugar. Estava se sentindo seguro entre aquelas paredes.

– Voltou cedo. – Hoseok murmurou concentrado em algo no celular, enquanto caminhava lentamente até o centro da sala. O olhar de Taehyung caiu lentamente sobre ele e sorriu leve, ele estava novamente sem camisa. – Adivinha o que eu fiz? Lasa... Ei, o que houve? – O Jung largou o aparelho e se sentou ao seu lado e Taehyung não se importou se pareceu invasivo demais abraça-lo. Conheciam-se há quase dois anos, sentia que era livre para fazer aquilo de vez em quando. – Tae? – Hoseok acariciou os fios da testa, os tirando para lhe dar uma melhor visão dos olhos vermelhos de Taehyung.

– Só me abraça um pouquinho. – Murmurou. Tinha a mania de ficar sonolento após chorar, como um mecanismo de defesa. Se algo o deixava triste ao ponto de chorar, logo se sentiria cansado e não pensaria mais no assunto enquanto estivesse no mundo dos sonhos. E a pele de Hoseok era morna em um nível incrível. Não sentia calor, se sentia bem. O Jung devolveu o aperto, deitando sua cabeça contra a de Taehyung.

Permaneceram assim por mais um tempo. Taehyung já reconhecendo seu corpo suficientemente bem, preferiu ignorar aquela pulsação que começou quando sentiu com mais afinco o cheiro de Hoseok. Deixou seu rosto contra o pescoço dele, sentindo seu perfume. Suspirou e ficou contente quando soube que Hoseok se arrepiou.

– Vai me contar o que aconteceu? – Por mais que achasse que o Jung estivesse incomodado, a voz dele parecia indicar o contrário. Calma. Serenidade. Taehyung não se sentiu infortúnio para Hoseok.

– Um cliente tentou me tocar hoje. – Mais uma vez falara dessa forma. Parecia não conseguir contar da pior forma possível para ninguém. Não sabia se falaria desse jeito para Jimin, então achou melhor não ter se encontrado com ele enquanto saía.

O corpo de Hoseok pareceu ficar tenso, Taehyung sentiu porque o tocava. Ficou com medo de sua reação. Como seria? Diria que Taehyung devia ter feito alguma coisa e não apenas ter ido embora com o rabo entre as pernas? Não queria ouvir aquilo. A vontade de chorar retornou e piscou os olhos para evitar.

– Está tudo bem. – O abraço se tornou mais apertado. Taehyung fechou os olhos como se aquilo o fizesse sentir melhor o toque alheio. – Já passou. Você ‘tá aqui e ‘tá seguro comigo.

Depois de suas palavras, Taehyung realmente queria que Hoseok estivesse com ele naquele momento. Talvez em todos que fossem o fazer se sentir assim, iria se sentir seguro. As carícias voltaram com mais afinco, Tae agradeceu por isso.

– Você me faz tão bem. – Murmurou ao que apertava com mais força Hoseok contra si. Na hora não pareceu ter sido uma coisa tão estranha para se dizer. Tae também não avistou as bochechas vermelhas de Hoseok.

– Que bom. – O Jung riu sem graça.

Taehyung se aproximou, o cheiro do mais velho parecendo se intensificar e mudar totalmente o seu modo de pensar. Taehyung esfregou uma de suas pernas contra a do Jung. Ouviu um resmungo deste, mas nada que demonstrasse que o outro não estava se agradando com os toques.

Por que estava fazendo aquilo? Não sabia, mas achou melhor parar, então se afastou lentamente e sorriu.

– Vou tomar banho. – Se levantou e caminhou lentamente até seu quarto. Precisava de um banho, se livrar de tudo o que aconteceu hoje com um banho bem gelado. Parecia uma boa ideia.

Se lavou, cuidou bem de sua higiene lá embaixo e saiu do quarto já com seu pijama. Taehyung encontrou de cara Hoseok na cozinha preparando a janta deles. Sorriu com a doçura do mais velho. Encarou o pedaço de lasanha no prato e agradeceu. Eram coreanos, mas Hoseok amava fazer pratos estrangeiros, não era atoa que os armários eram repletos de cereais. O Jung amava as tais raspinhas de lápis, como Taehyung chamava para provocar.

Taehyung notou uma garrafinha de coca cola sobre a mesa e decidiu que era uma boa bebida. A pegou e tentou abri-la, e a estranheza ao não ter sucesso não demorou a vir.

– Ué. – Murmurou e tentou novamente com toda sua força abrir a maldita garrafa. – Oh, porra.

– Deixa que eu abro. – O Jung pegou e abriu facilmente. Taehyung não era mais forte que Hoseok, mas também nunca foi fraco o suficiente para não conseguir abrir uma coisa tão insignificante como aquela.

– Não vai se achando o príncipe encantado, não. – Taehyung comentou com um bico desgostoso, não acompanhando a risada de Hoseok.

Quando terminaram a refeição, decidiram assistir a um filme. Não escolheram comédia por opção, era apenas o que estava passando na televisão e era um gênero que agradava bastante. Prepararam pipoca e assistiam com a legenda em coreano “Cada um tem a gêmea que merece”. Taehyung certamente adorava aquele filme. Sempre dava boas risadas com ele.

Não percebeu quando terminou já deitado sobre o peitoral de Hoseok. Pensou em mudar de posição, entretanto, Hoseok aparentava estar bastante confortável e nada incomodado com sua presença invadindo seu espaço pessoal. Lentamente moveu sua mão até o estomago do mais velho, sentiu sua respiração e sua mão começar a suar devido à troca de calor. Suspirou. Odiava que seu corpo reagisse de modo tão fácil. Notava tantos caras pela rua, realmente se odiou por isso, mas parecia inevitável não encarar uns bíceps fortes aqui e ali, ou um par de mãos grandes que poderiam fazer um estrago com um corpo tão frágil. Subiu sua perna direita até ela se encontrar totalmente por cima de uma das pernas de Hoseok.

Se manteve calado, esperando algum resmungo de desconforto, mas apenas ouviu o som dos botões do controle sendo pressionados. Hoseok mudava o canal mais uma vez. Ele parou em um filme de romance.

Sem querer, ou talvez não, seu olhar se direcionou para o colo do Jung. Notou o volume ali, e não se incomodou por achar aquilo tão atraente. Ele parecia volumoso sem ao menos estar excitado. Foi se aproximando mais com seu corpo, bem lentamente para não causar estranheza no outro, até sentir seu íntimo se roçar com a cintura de Hoseok. Se esfregou em movimentos pequenos e quase podia delirar com o leve estímulo.

Oh, sim. A parte boa era que Taehyung não precisava de muito para se sentir ligado, nem de esforço para subir. E descobrira a melhor das sensações se tocando sozinho. Seu orgasmo simplesmente durava muito. Taehyung revirava os olhos de prazer, como agora. Mordeu o lábio inferior, aplicando mais força no atrito enquanto tentava não gemer.

Hoseok estava tenso, mas não falava nada, nem o expulsava. Taehyung só esperava não parecer desagradável para o Jung. Foi subindo por onde se esfregava, ansiando por subir naquele colo que parecia tão... Rebolável.

Ainda sem virar o olhar para Hoseok, subiu lentamente até se encontrar sentado na pélvis do Jung. Mantinha o rosto pressionado contra seu peito, com medo de ver sua expressão. Ele podia não estar gostando daquilo e apenas não tinha coragem de o empurrar. Enfim sentiu o volume contra seu íntimo. Taehyung quase gemera em deleite enquanto esfregava lá, para frente e para trás em passadas longas e delirantes.

Arfava descontrolado, o estímulo estava tão impossível que soltava pequenas lamúrias de vez em quando. Agarrou o estofado ao lado de Hoseok para que assim conseguisse mais pressão. Sua boca se abriu e um gemido mudo saiu, pressionar era tão bom. Taehyung podia sentir algo sair de si lá embaixo, o deixando mais escorregadio, sabia o que era.

Se espantou com um par de mãos ágeis indo de sua cintura e descendo diretamente até suas nádegas. Taehyung não segurou o gemido rouco que saíra quando Hoseok também investiu contra. Pôde sentir os olhos enxerem de lágrimas pelo prazer intenso. Nunca achou que rebolar no colo de um homem fosse ser tão maravilhoso. Hoseok era maravilhoso.

Mudou para movimentos circulares, sentindo agora o pênis de Hoseok mais duro, batendo de frente contra seu sexo. Taehyung se moveu até que o falo do Jung estivesse bem no meio e novamente subiu e desceu contra aquele corpo.

Gemeu o nome de Hoseok, incapaz de controlar a intensidade dos seus movimentos. Aquele homem o atraia de uma forma tão forte que pouco conseguia se controlar, talvez nada. Nunca pensou que estaria assim, de forma tão entregue para alguém. O Jung massageou suas bandas e rebolou deliciosamente sob o corpo de Taehyung.

O filme que passava já não tinha atenção nenhuma de Hoseok. O Kim se sentiu bem quando ouviu uma arfada e em seguida a lufada de ar quente contra seus fios de cabelo. Hoseok também estava achando prazeroso. Sem pensar muito, ou que aquela era a primeira vez que tocava outro homem, Taehyung direcionou sua mão direita entre eles, a penetrando no short de tecido fino de Hoseok. Os dois encararam a cena do Kim retirando o pênis endurecido para fora. Taehyung começou a bombeá-lo lentamente e aplicando pressão.

Taehyung não parou de se esfregar contra o Jung, seu sexo estava sobre uma das pernas dele, ainda tentando de forma um pouco falha conseguir prazer naquela esfregação. Porém, não conseguia quando toda a sua atenção era focada em tocar naquele pau inchado e bonito.

A mão de Hoseok lhe acompanhou e logo os dois estavam cuidando daquele órgão duro juntos. O Jung incitou o Kim a aumentar o movimento e este logo obedeceu. Em alguns minutos de masturbação, Hoseok gozou. Gemendo contido.

Taehyung saiu de cima dele, parecendo entender finalmente o que fizeram. E o que mais o chocou era que ele não estava arrependido, apenas com medo. Encarou o corpo arfante e cansado ao seu lado. Hoseok estava de olhos fechados, ainda com o sexo para fora. Taehyung ainda que levemente amedrontado, guardou-o novamente sob o short, voltando a se deitar em seguida.

Taehyung encarou o teto e mordeu o lábio. Fora a primeira vez que masturbou outro homem. Taehyung sequer sentia atração por caras antes de tudo aquilo acontecer, e ainda se perguntava o motivo de Hoseok chamar tanto a sua atenção.

Ouviu uma leve risada e encarou o dono dela.

– Uau. – Hoseok ainda estava de olhos fechados, parecendo atordoado. – Só uau. – Riu.

Taehyung gostou daquela reação e seu coração se encheu de alivio. Ele havia gostado e não parecia... Com nojo. Porém, ainda se sentia preocupado. Céus, nunca havia feito algo parecido na vida e certamente nunca pensou que faria. A vida era mesmo cheia de surpresas, uma delas se encontrava entre as pernas de Taehyung.

– Você gostou? – A dúvida estava excruciante e por isso Tae não conseguiu se conter ao perguntar. Queria saber, afinal. Havia feito tudo correto? Errou em alguma coisa?

– Foi bem gostoso. – A resposta lhe agradou. Taehyung imediatamente se sentiu satisfeito. A parte boa do que portava entre as pernas era que não teria que se cuidar sozinho porque ainda poderia estar duro se tivesse um pênis, Tae não sofria mais disso. Porém, não havia como negar que a vontade de sentir aquele prazer intenso era enorme, mas não sabia se poderia fazer aquilo na frente de Hoseok. Ele possuía uma vagina e talvez não fosse agradá-lo o ver se tocando. – Quer ajuda? – Taehyung se espantou quando o Jung se virou de frente, passando a mão sobre o seu braço largado no sofá. O carinho era gostoso, e logo Taehyung sentiu a conhecida fisgada naquele lugar.

Hoseok se lembrava de que ele agora tinha uma flor, certo?

– Não precisa... – Murmurou. A verdade era que queria muito ser tocado, deveria ser mais delicioso do que apenas ele, mas não tinha certeza se Hoseok se lembrava do que acontecera.

– Não esquenta. – O Jung portava um sorriso sedutor, quase como se zombasse da expressão assustada do Kim, este que engolira a saliva com força ao que sentia a mão de Hoseok ir até o seu íntimo. – Só relaxa.

Ele adentrou o seu pijama e Taehyung esperou pelo momento que Hoseok retiraria sua mão dali às pressas ao senti-lo. O Kim, no entanto, teve que agarrar o estofado do sofá ao sentir aqueles dedos quentes demais tocar sua pele sensível. Mordeu o lábio e institivamente abriu mais as pernas, ao mesmo tempo em que queria muito fechá-las.

O gemido que soltou com o contato fora bastante vergonhoso, mas não esperava que ser estimulado daquela forma fosse ser tão maravilhosamente bom. Hoseok movera os dedos de forma circular sobre o que Taehyung aprendera se chamar clitóris. O Kim realmente pesquisara tudo direitinho. Surpreendeu Taehyung que Hoseok brincasse com aquele feixe de nervos de forma tão descontraída. Ele não achava estranho? Não sentia repulsa?

Taehyung quase fechou as coxas quando sentiu um dedo descer mais, brincando de entrar bem pouquinho no seu buraquinho. Tae mordeu os lábios com força e descontroladamente remexia a cabeça. Eram sensações demais, fortes demais. Ele não conseguia aguentar. Sentia-se contrair fortemente.

Foi em uma tentativa assustadora de Hoseok adentrar sua vagina que Taehyung segurou o braço deste.

– Poderia não... – Não completou sua frase e esperava que Hoseok captasse sua mensagem. Taehyung lembrou das coisas que descobriu com o ginecologista e não queria arriscar perder a virgindade com ‘aquilo’ dessa forma.

– Tudo bem. – Hoseok respondeu calmamente, chegando mais perto de Tae e parecendo se ajeitar melhor para o que faria a seguir.

E Taehyung quase desmaiou com a sensação. Ele movia seus dedos freneticamente, esfregando e pressionando seu sexo. Tae manteve a mão agarrando o braço de Hoseok na parte que estava por fora do pijama, mas inconscientemente foi descendo até que quase chegasse aos dedos de Hoseok, estava o segurando apenas para incentiva-lo a continuar. O braço livre ele usara para se manter calado, Hoseok estava perto demais e para Tae seria vergonhoso gemer tão alto em seu ouvido.

Taehyung se sentia ensandecido, não controlava o quadril contra o sofá. Às vezes levantava minimamente, depois se colava no estofado como se sua vida dependesse disso.

Hoseok sabia o que estava fazendo e Taehyung se perguntava como. Ele não era gay? Não gostava de outro tipo de coisa? Como podia estar fazendo aquilo tão bem? O Jung era majestoso.

Parecendo notar que estava prestes a gozar, Hoseok aumentara a velocidade dos movimentos, ainda tomando cuidado para que não machucasse Taehyung. Logo, sem conseguir se controlar, o Kim alcançou o que tanto estimava. O imenso prazer que era gozar com aquela maldita vagina.

Poderia odiá-la às vezes, mas nunca deixaria de se sentir tão feliz em tê-la quando se tratava do seu próprio orgasmo. Por que era tão bom? Não se comparava ao que tinha antes.

Seu quadril se remexia feito louco, rebolando enquanto ainda buscava até o mínimo prazer naquela masturbação do Jung. Quando enfim se sentiu entorpecido e incapaz de se mover, seu corpo relaxou.

O braço de Hoseok saiu de seu pijama e Taehyung observou o quanto estava melado. Ele havia feito aquilo? Esperava que não fosse sempre assim. Quando fosse se levantar, se sentiria sujo lá embaixo e sabia que iria direto para o banheiro tomar outro banho.

A ficha caiu verdadeiramente depois. Ele e Hoseok haviam transado, não é? Ele havia feito sexo com um homem?

Bem, não que Taehyung fosse ser considerado homem se biologicamente falando.

– Oh! – O que passou na sua cabeça poderia ser a questão mais idiota de todas, mas como um curioso nato, Taehyung precisava saber. Apoiou-se com os cotovelos no sofá e se virou para o que estava ao seu lado. – Isso foi sexo gay ou hetero?

Hoseok lhe encarou confuso. E isso lá importava?

– O que?

Taehyung encarou o nada e voltou a se deitar, com o olhar preso no teto.

– Esquece.

Mas a dúvida se manteve. Ele era uma mulher?

(Simples Assim)

Os pensamentos de Taehyung estavam repletos de perguntas enquanto varria aquele chão que, em sua visão, estava repleto de sujeira. Tae estava trajando suas roupas mais leves e com a ajuda de um emburrado Jimin, os dois limpavam o apartamento. Hoseok se encontrava fora, trabalhando na sua tão amada academia, e por mais incrível que parecesse, a relação deles não se tornou nem um pouco conturbada. Na realidade, para Taehyung, estranho fora se despedir apenas com um aceno para o amigo. Tae sentia que tanto ele quanto Hoseok poderiam ter feito mais do que somente aquilo.

Talvez um abraço? Ou até mesmo um beijinho na bochecha? Soava bem para o Kim.

– Poderia me ajudar a morrer? – Taehyung estava tão imerso em seus pensamentos que quase esquecera que o Park lutava para manter o sofá elevado para que o Kim pudesse varrer por baixo. Tae imediatamente o fez de modo desengonçado, apenas porque vira o quão vermelha se tornaram as bochechas e a testa de seu melhor amigo. – Obrigado. – Agradeceu em uma lufada de ar, sentindo dor nas costas pelo esforço.

Ao sentir certo lugar doer, Taehyung imediatamente levou a mão até a barriga, massageando mesmo que sentisse que somente aquilo não seria o suficiente para aliviar.

– Eu estou preocupado. – Disse as palavras enquanto voltava a varrer o chão, levando para longe a terra que retirara sob o sofá. – Quer dizer, Jimin eu sou ou não uma mulher?

– Por que está perguntando isso ‘pra mim? – Jimin apontou para si próprio, com uma cara tão confusa quanto os pensamentos de Taehyung. – E eu lá sei. – Deu de ombros, pegando um pano para limpar os móveis. – Além do mais, por que me chamou ‘pra fazer faxina? Isso é coisa de mulher, não? Já não responde a sua pergunta?

Taehyung, por algum motivo desconhecido por ele, se sentiu irritado com a frase do Park e sem pensar muito, respondeu de forma rude.

– E por que isso é serviço da mulher? O homem não suja também? Se ele caga, é a mulher que tem que limpar a privada ‘pra ele?!

Jimin elevou as mãos em sinal de rendição, nos olhos demonstrando um pouco do seu medo.

– Me desculpe. – Sorriu torto. – Me expressei mal.

Taehyung bufou, ao mesmo tempo em que levava as mãos até o local que doía outrora.

– Está doendo. – Resmungou ao que formava uma careta e largava a vassoura para ajudar Jimin com os móveis. Ouviu a risada de Jimin.

– O Hoseok foi muito violento, por acaso? – O Park o encarou maliciosamente, mas Tae não pareceu notar ao que limpava o rack que suportava a televisão.

– Ele não me penetrou. – Deu de ombros.

Em seguida, ouviu-se o baque do joelho de Jimin contra a mesinha que este limpava ao que se levantou como se tivesse sentado pelado sobre um formigueiro das maiores e mais violentas formigas. Jimin se perguntava se havia ouvido direito o que saíra da boca do Kim.

– Como é?

Foi então que Tae notou a burrada que fez. Encarou Jimin com a face ainda em choque.

– Eh... – O Kim não sabia o que falar. – Aconteceu. – Sorriu sem jeito.

– Como assim aconteceu? Me conta essa história direito. – Ainda surpreso Jimin quase prensou Taehyung contra o rack que ele limpava. Como sempre sendo o curioso, não querendo dar espaço ou manter portas entre eles, Jimin agora encarava olho a olho seu amigo.

– Aconteceu Jimin. Não enche! – Mas contrariando a sua tentativa de manter Taehyung preso, Jimin fora empurrado brutalmente pelo Kim que logo caminhou até a cozinha. Aos olhos do Park, Taehyung estava apenas fugindo.

– Não tem como algo assim simplesmente acontecer. – Jimin seguiu Taehyung ao que este tirava todas as cadeiras da mesa para que pudesse varrer por baixo desta. – Isso não é algo feito simplesmente no ‘vápiti vúpiti’.  Tem o clima, tem os beijos. – Gesticulava enquanto falava.

– Não teve beijo. – Taehyung não conseguia alcançar o centro da mesa e começava a se estressar. Sentia que estava ficando irritado facilmente desde que acordara, mas agora percebeu que se tratava de um Park Jimin que não calava a boca. – Me ajuda aqui.

– Eu quero saber isso direito, Tae. Me conta logo! – Mesmo brigando com Taehyung, Jimin tentara com todas as forças empurrar aquela mesa dali. Falhando miseravelmente. A mesa não se moveu sequer um centímetro. – Não consigo.

– Talvez, se calasse a maldita boca, tivesse força para mover uma simples mesa. – Jimin revirou os olhos.

– É impossível, não vê? – Park começou a se assustar com a face irritada de Taehyung.

Contrariando talvez as leis da física na concepção de Jimin, Taehyung pareceu criar forças do além quando agarrara com as duas mãos a mesa e a empurrara longe. Suspirando e com as bochechas vermelhas pelo esforço, voltou a varrer o chão.

– Quando eu passar o pano quero que suma daqui. – Direto e reto, Taehyung não se preocupou em ofender o amigo que agora se tornava uma companhia indesejada ali.

– Quer saber? – Jimin jogou o pano que usava antes no chão, apontando o dedo em seguida para Taehyung que se apoiou na vassoura e aguardou a bronca. – Você me perguntou se era ou não uma mulher e aqui está sua resposta, meu caro amigo. – Jimin respirou fundo antes de dizer. – Você é uma mulher! Chata, encrenqueira e exigente. Acrescente maníaca por limpeza, birrenta e que gosta de foder com o amigo gostoso e não contar para o melhor amigo como foi. Passar bem, dona Kim!

Jimin lhe dera as costas e Taehyung sabendo que este não ficaria com raiva para sempre e que daqui a algumas horas ligaria todo manso para perguntar como foi o sexo com Hoseok, o Kim apenas lamentou ter perdido aquela ajudinha extra na faxina. Era seu dia de folga e queria limpar aquele cubículo até o cantinho mais inusitado.

– Tenha cuidado. – Jimin acenou ainda de costas, abrindo a porta e dizendo antes de sair.

– Park Jimin sempre toma cuidado.

Ao ouvir o som da porta fechando, estranhamente Taehyung se sentiu solitário naquele apartamento. Incrivelmente reclamava que o achava pequeno demais, mesmo que fosse o suficiente para que ele e Hoseok vivessem bem, sempre que acabava batendo o pé em algum móvel. Soltando um muxoxo baixinho, Tae voltou a varrer a cozinha. Quando levantou da cama, comeu feito um dragão a comida feita pelo Jung e não contou quantas tigelas de cereais havia ingerido depois do café da manhã, mas sabia que fora o suficiente para que Hoseok notasse a pouca quantidade na caixa de suas amadas ‘raspinhas de lápis’ e fosse lhe dar uma bronca depois.

Taehyung suspirou ao que depois do que pareceram horas, terminou de varrer e limpar os móveis. Lavou o banheiro e organizou o estoque de comida. Até mesmo tirou uns minutos para guardar devidamente os filmes de comédia que Hoseok mantinha ao lado da televisão para quando este sentisse vontade de relaxar vendo um bom filme, e seus jogos em ordem alfabética no outro lado.

Seus pés doíam e o Kim não demorou em tomar um banho demorado e revigorante, usando apenas cueca e um grande moletom lhe cobrindo a parte superior. Encarou o relógio e viu que passava das seis horas, naquele momento pensou em Hoseok e que este já deveria ter saído do amado trabalho.

Como se fosse obra de seres cósmicos, a porta se abrira em seguida e Taehyung prestou bem atenção nos sons que Hoseok fazia ao retirar os sapatos e bufar cansado. Quando ele entrou em seu campo de visão, por algum motivo Taehyung suspirou. Por que seu amigo era tão delicioso?

Bom, Taehyung nunca prestou atenção nisso antes, mas parecia notar agora.

– Oi. – Hoseok murmurou enquanto andava calmamente até a cozinha. – Eu comprei frango frito. Você quer? – Naquele momento os olhos de Taehyung pareceram brilhar e Hoseok apenas riu ao notar a face feliz do Kim. Todo saltitante Taehyung seguiu o Jung até a cozinha e o observou colocar a caixa cheirosa na mesa que havia limpado com tanto zelo. Suspirou ao que sentia uma dorzinha incomoda no baixo ventre. Formou um bico inconformado com os lábios que não foi demorado a ser notado pelo Jung. – O que houve?

– ‘Tô com dor. – Murmurou e forçou uma expressão triste para Hoseok, em seguida andando encolhidinho até alcança-lo com seus braços. – Me abraça.

Hoseok estranhou aquela carência toda e duvidou que Taehyung tivesse feito algo de errado. Por isso, mesmo devolvendo o abraço quentinho de Taehyung, rodou os olhos pelo que pôde do apartamento, procurando algum erro. Talvez ele tivesse quebrado alguma decoração de porcelana que o Jung adorava comprar, lavado e encolhido alguma roupa de trabalho sua, mas não avistou nada de início. Ainda sim, em seu âmago não deixou de estar desconfiado.

Isso até notar que Taehyung começara a resmungar e fungar com a cabeça em seu ombro.

– Dói mesmo...

Hoseok lhe afagou os cabelos e ignorando a fome que sentia, caminhou com Taehyung até o sofá.

– O que você ‘tá sentindo? – Questionou ao que colocava Taehyung sentado de lado em seu colo. Rápido e rudemente, Tae tirou a cabeça de seu pescoço e lhe encarou irritado.

– Falei que ‘tô com dor. Por acaso é burro? Eu ‘tô falando grego? – Hoseok arregalou os olhos e manteve a expressão espantada ao que encarava a face de Taehyung mudar para uma arrependida. – Ai, desculpa, Hobi. – Tae lhe abraçou novamente e cheirou o cangote do Jung profundamente. Hoseok não cheirava mal quando voltava da academia, pois tratava de se banhar antes de voltar para casa. – Eu me sinto tão estranho.

O Kim esfregou a bochecha no ombro de Hoseok, agora que tinha a companhia deste não se sentia tão sozinho. Fora um dia realmente difícil, considerava.

– Tudo bem, Tae. – Ainda confuso Hoseok lhe massageou a coluna em um carinho gostoso e aplicando um pouco de força, notando a expressão de deleite de Taehyung em seguida. Percebendo o êxito no que fazia, continuou. – Não se preocupa com isso.

– Eu só quero um pouco de atenção, sabe? – Com apenas uma remexida no colo e Hoseok não demorou em entender que tipo de atenção Taehyung queria. Sorriu.

– Uhum. – Deu um beijo leve em sua têmpora. – Posso te dar atenção, se quiser.

Parecendo ir contra com todas as suas intenções, Taehyung sorriu feliz e parecendo inocente demais até. Hoseok logo mudou essa linha de raciocínio ao que o Kim se levantou para que pudesse sentar de pernas abertas em seu colo. Apenas naquele momento o Jung notou o quão sexy Taehyung estava parecendo. Agarrou-lhe a cintura sem pudor e apertou, ouvindo um arfar sair da boca alheia.

– Você é tão bom pra mim. – Tae sorriu e Hoseok sentiu a nostalgia lhe atingir. Não era a primeira vez que Taehyung dizia aquilo.

Ignorando isso, Hoseok direcionou sua boca à de Tae, iniciando um beijo lento e sem língua, apenas para que o clima pudesse começar a esquentar. Taehyung iniciou uma série de reboladas no colo de Hoseok e percebeu que simplesmente adorava fazer aquilo. Passaria a fazer com mais frequência, mesmo que a situação nem sempre fosse favorável, Tae simplesmente começara a se viciar em fazer aquilo naquele homem.

Hoseok lhe trouxe com mais força contra sua pélvis, apenas para que suas intimidades se friccionassem com mais força e deixasse o ato do Kim mais delicioso. Tae gemeu sensível. Céus, aquilo lhe deixava desnorteado. Apertou os braços de Hoseok, apenas para que tivesse onde descontar aquele prazer incrível que sentia. Fincou as unhas com força ao que começara a quicar contra o pau de Hoseok, sentindo seu buraquinho contrair quando o falo batia certeiro ali. Taehyung podia jurar que sentia até seu interior pulsar ansioso. Queria tanto aquilo.

– Você é muito gostoso. – Hoseok desceu suas mãos até a bunda de Taehyung, massageando as bandas e apertando com força desnecessária. Ele estava apenas de cueca, então é claro que Tae sentiu com intensidade aquilo. As mãos do Jung pareciam pegar fogo. Taehyung gemeu alto e cortou imediatamente aquilo, ainda achava vergonhoso soltar suas lamúrias de prazer tão perto assim do ouvido do Jung.

– Hoseok, eu quero fazer. – Arfando e ofegante, parando de rebolar, encarou com a face sôfrega o Jung. – Vamos fazer, por favor. – Subiu suas mãos fogosas até o pescoço do mais velho, arranhando todo o caminho por onde os dedos esguios passavam. Beijou-lhe os lábios rápido. – Hum?

Hoseok queria muito. Sentia que se não fizesse nada ou ficasse apenas nos toques das mãos, iria explodir de frustração depois. É claro que sabia que seria maravilhoso se fosse apenas isso, mas... novamente, Hoseok queria tanto. O corpo era de Taehyung e aquilo era obviamente um sinal verde. Por que não?

– Eu vou te comer bem gostoso. – Cochichou na orelha de Taehyung apenas esperando pelo arfar desejoso que sabia que ele soltaria. Notou rapidamente que Tae era uma bolinha sensível ali. Desceu suas mãos até as coxas e as arranhou, dando um tapa na esquerda no lugar que fora judiado pelas unhas e massageando após isso. A excitação estava tão grande que sentia a calça e a cueca apertada ao redor de seu pênis. Piorou ainda sua situação quando Taehyung voltou a quicar, esfregando-se nele.

Sem vergonha alguma e com o Kim parecendo não ligar, Hoseok direcionou sua destra até o íntimo deste, sentindo o local úmido. Taehyung ainda usava cueca e já havia dito que por mais que pudesse usar a outra peça íntima, só faria quando lhe pagassem um milhão de dólares, ou seja, Hoseok notou que era vergonhoso e horrível demais para Taehyung usar uma calcinha. O Jung até mesmo concordava que ele ficava melhor com a peça que estava agora. Ou melhor, sem ela, se tratando das circunstâncias que estavam no momento.

– Hyung, por que é tão bom? – Taehyung permanecia de olhos fechados, agarrou seus ombros com força e se pressionou para baixo. Desta vez, quem gemera fora Hoseok ao que sentia seu falo ser apertado contra sua roupa e Taehyung. Batendo na bunda esquerda de Tae com a destra, Hoseok ditou rouco pelo tesão.

– Tira a roupa.

O Kim se levantou e começou a se despir apressadamente, até mesmo o incomodo que sentia antes de tudo aquilo começar pareceu ter evaporado. Hoseok aproveitou para abrir a braguilha da calça, levantar o quadril do sofá enquanto apoiava as costas no estofado e descer a peça junto com a cueca, ficando nu da cintura para baixo. Queria ter tirado a regata que usava, mas Taehyung não lhe deu tempo quando sentou-se apressadamente em seu colo e lhe beijou fogoso.

Tae não estava nervoso, mas ansioso. Sentia aquele lugar tão quente e pulsante que até mesmo ignorava por sentir algo viscoso descer pelo meio de suas pernas. Apenas confirmou aquilo quando sua pele se encontrou com a de Hoseok e ele escorregou facilmente ali. Sim, algo estava molhado e era ele mesmo.

Ao iniciarem outro beijo, o Jung direcionou sua mão até o meio das pernas de Taehyung, massageando o feixe de nervos e o sentindo completamente úmido. Tae já parecia mais que pronto. O modo como apertava seu pescoço e nuca com as mãos, demonstravam o quanto ele queria logo aquilo. Afastou-se dele apenas para que pudesse ver o que fazia. Bombeou duas vezes seu pênis com sua destra antes de direcioná-lo até o buraquinho de Taehyung. Poderia ter lhe questionado sobre a posição, porém Tae não parecia disposto àquilo quando afobadamente lhe ajudou a direcionar a glande no lugar certo.

– Pronto? – Hoseok lhe deixou beijos pelo pescoço e massageou a lateral de seu corpo com a mão livre. Taehyung não respondeu, mas sentiu sua cabeça se mover positivamente.

Então, lentamente ele desceu. Hoseok mordeu o lábio inferior ao que ajudava Taehyung a forçar seu corpo para baixo. O suspiro frustrado saiu dos lábios de Hoseok ao que não entrou de primeira. Taehyung se remexeu e tentou de novo. O Kim gemeu em uma mistura de dor com prazer ao que sentiu a cabecinha entrar.

Não havia esquecido daquele detalhe, mas admitia sem vergonha alguma que a vontade de sentar naquele pau assim que o vira fora tão grande que sequer se importou. Bom, agora se importava.

– Porra. Caralho. – Xingou baixo para que Hoseok não ouvisse, mas pela forma que o agarrava, sabia que este tinha lhe ouvido com certeza.

Rebolou e subiu seu corpo, retirando apenas um pouco o pênis do seu intimo, para descer mais novamente. Os centímetros de Hoseok sendo engolidos pouco a pouco. Taehyung suspirou de boca aberta, soltando a lufada de ar no pescoço de Hoseok que já se encontrava arrepiado.

O Jung só queria se mexer. O interior dele era apertado e aquilo era prazeroso ao extremo. Hoseok sabia que depois daquilo tudo, se Taehyung desistisse – o que não parecia estar longe de acontecer, pela expressão de dor que ele tinha –, o Jung outro dia iria implorar para prova-lo de novo.

Porém, contrariando seus pensamentos pesarosos, Taehyung desceu mais, acolhendo mais do pênis de Hoseok até que sentissem seus quadris se tocando. Hoseok quase soltara um xingamento pela felicidade, mas calou-se e beijou calmamente os ombros nus de Tae ao que este permanecia com a expressão dolorosa no rosto.

– Você é lindo. – O beijou nos lábios, massageando seus braços e descendo as mãos arteiras até chegar à cintura alheia. – Muito lindo.

Tae nada respondera, apenas se focava no que acontecia lá embaixo. Sentia o aperto e também sentia o quanto lentamente se ajustava a ele.

O Kim subiu lentamente, apenas alguns centímetros ao que a curiosidade do que sentiria lhe acometeu, e então, desceu rapidamente em seguida. Hoseok e ele gemeram. Aquilo havia sido maravilhoso, tanto que Tae sentiu suas pernas tremerem mesmo estando sentado. Quis repetir, e o fez. Subiu lentamente e desceu naquele pau que considerou delicioso. Continuou assim, calmamente, até que logo pegou ritmo, sendo acompanhado pelos quadris ágeis do Jung.

Logo os dois batiam contra, afim de que aquele encaixe e desencaixe se repetissem milhares e milhares de vezes. Tae parou de se importar com os seus gemidos e mordia os ombros de Hoseok em um ato impensado. O prazer era grande e sentia que poderia explodir de excitação. Subiu até que quase a glande saísse, para descer com tudo novamente. Sem conseguir assimilar o prazer intenso, Taehyung sentiu lágrimas ameaçarem sair de seus olhos e os fechou com força, apenas porque não conseguia os manter abertos.

Hoseok não controlava mais a força com que apertava o quadril de Taehyung, mesmo que este não conseguisse acompanhar o ritmo que queria ditar com as mãos, subia e descia o quadril com agilidade, metendo naquele acastanhado de forma habilidosa. Gemeu em seu ouvido, querendo que ele percebesse o quanto estava louco por mais dele.

O sofá fazia sons estranhos, as molas reclamavam e o ruído do assento saindo do lugar pelas investidas fortes e rápidas eram ignoradas pelos dois.

Taehyung estava entrando em combustão. Por vezes o prazer era tanto que quase chegava a parar de quicar, rebolando um pouco para descansar as pernas e voltando a subir e descer com gosto no colo de Hoseok. Agarrou os cabelos deste com as duas mãos e apertou sem medir sua força. Estava com tanto tesão que não se importava mais se poderia acabar machucando a si mesmo se acabasse investindo errado.

Tae quase gritou de frustração quando levantou com tanta vontade querendo descer com força, e acabou tirando o membro do Jung de si. Mais rápido que o reflexo de Hoseok, Tae direcionou novamente o pênis em sua vagina, descendo com tudo, como queria antes. Gemeu alto e levantou a cabeça, arqueando a coluna. Hoseok segurou-lhe pelas costas, com medo que este caísse do sofá. Aproveitando a posição, beijou-lhe o pomo-de-adão, mordeu e chupou a pele alheia com força, às vezes não conseguindo pela força como Tae se movia rapidamente. O Kim estava sedento.

O ápice de tudo fora quando Hoseok começou a mover o quadril e suas investidas não acertavam apenas um lugar assim como vários. Até que acertou um em específico que, surpreendendo Taehyung, o fizera gritar. Que porra havia sido aquilo?

– De novo! Faz de novo! Aí! – Mesmo que mandasse Hoseok repetir, quem mais se esforçou para que acertasse aquele lugarzinho fora o próprio Kim. Céus, aquilo lhe levou para outro mundo.

Até que o Jung começou a investir ali, acertando seu ponto G até que Taehyung enxergasse apenas o branco. Seus olhos se reviraram sob as pálpebras e Hoseok lhe agarrou novamente, grunhindo ao que Tae puxava com demasiada força seus fios de cabelos. O gemido fora tão alto que Hoseok até mesmo duvidaria que nenhum vizinho tivesse ouvido, mesmo que as paredes fossem grossas. O aperto fora tão grande em seu pau que Hoseok se praguejou por não ter conseguido segurar por mais um tempo, queria continuar sentindo aquele menino sobre ele. Gozou em jatos fortes no interior dele, xingando e espremendo os olhos.

Tae permaneceu quicando de centímetro a centímetro até que parasse e deitasse a cabeça no ombro esquerdo de Hoseok, não se importando com a saliva que saia de sua boca, sujando o ombro e a roupa que o Jung usava. Gemeu quando, sem aviso, Hoseok lhe beliscou o mamilo esquerdo. Estava fraco demais para dizer alguma coisa. Tremia como se estivesse com tanto frio, mas estava extasiado, grogue demais para até mesmo falar.

Hoseok descansou a cabeça contra o estofado, cansado demais igual ao Kim. Ambos molhados de suor dos pés a cabeça. Respirando ofegante, tentava recuperar o folego, conseguindo antes do Kim. Sorriu.

– Uau. – Ficou surpreendido novamente com o quanto Taehyung poderia ser intenso. Acariciou os cabelos dele, notando que permanecia com a cabeça contra seu ombro. – Você ‘tá bem? – Se preocupou, afinal. Taehyung permanecia tremendo.

Reduzindo-lhe o aperto no peito de medo por tê-lo machucado, Taehyung esfregou a bochecha no seu ombro e ronronou. Estava quase dormindo.

– Sinto-me drenado. – Hoseok gargalhou brevemente. Não se sentia diferente do outro, afinal. – Obrigado, Hyung. – Um beijinho fora deixado na pele de seu ombro e logo as íris negras de Taehyung eram direcionadas ao Jung. – Foi incrível. – Sorriu, sendo acompanhado pelo Jung.

– Pode me contatar sempre quando quiser fazer amor. – As sobrancelhas subiram e desceram em um gesto engraçado e desleixado, mas o coração de Taehyung pulou desenfreado quando analisou melhor a frase de Hoseok. Não disse nada, entretanto.

Estavam fazendo amor.

Um sorriso encantado se abriu em Taehyung, logo se desfazendo ao que ambos ouviram o barulho do ronco do estomago de Hoseok.

– Não comi ainda... – As bochechas do Jung estavam vermelhas.

Tae gargalhou do momento engraçado.

– Você é uma graça. – Taehyung realmente tentou fazer força para desconectar-se de Hoseok, mas espantou-se quando não conseguiu levantar mais que dois centímetros, logo voltando à posição inicial. Perdera suas forças e suas pernas falhavam. – Uh-Oh...

– Eu ajudo você. – Hoseok o segurou por baixo dos braços e fez força, com isso, Taehyung se impulsionou para subir e sair de cima do Jung. O que os dois menos esperavam era ver manchas de vermelho sobre o pênis do mais velho. – Oh, caramba.

– Mas que porra é essa? – Assustado e sentando de forma desengonçada ao lado de Hoseok, Taehyung olhou para baixo. – Puta merda! Puta merda!

(Simples Assim)

Taehyung choramingou ao que mais uma vez sentia aquela dor aguda apoderar de seu baixo ventre. De forma lenta e dengosa virou-se na sua cama e ficou com o rosto afundado sobre o travesseiro. Ouviu o som da porta se abrindo e não precisou se virar para descobrir quem era, logo a voz de Hoseok reverberou pelo quarto.

– Eu ‘tô saindo ‘pra fazer compras, quer ir comigo? – A voz era mansa, isso porque o Jung já havia levado tanto esporro de Taehyung aquele dia que sentia que se apenas suspirasse na frente do Kim, seria expulso do apartamento que dividiam. O Jung apenas teve como resposta o silencio de Taehyung. O medo de abrir a boca para perguntar de novo era enorme, então sem querer arriscar sua pele nisso, apenas tentou fechar a porta levemente. Porém, parou ao que ouviu o resmungo abafado de Taehyung. O problema era que não havia entendido nada. – Eu não entendi.

– Chocolate, seu tonto! Doce, açúcar! Teu cú com mel! – Hoseok tremera com o grito.

– Meu–

– Da marca Pierre Marcolono. – Taehyung esperou por uma resposta de Hoseok, mas os dois apenas se encararam por alguns segundos. O que foi suficiente para que a carranca do mais novo piorasse. – É surdo, por acaso?

– É Marcolini, meu anjo. – Hoseok murmurou fraquinho.

– Foda-se! – O Kim gritou. Porém, resmungou de dor e voltou a se deitar sobre o colchão. – Ah, que dor. Que dor.

Hoseok se aproximou preocupado e estendeu as mãos para tocar Taehyung, recebendo um tapa em uma delas. Se afastou assustado.

– Você quer algum remédio? – Questionou enquanto massageava a mão judiada.

Taehyung inspirou fundo, de olhos fechados, os abrindo para falar de forma surpreendentemente calma.

– Chocolate Pierre e uns docinhos. Me trás uma coxinha, também. – Suas mãos estavam sobre o baixo ventre e Taehyung portava de uma expressão mórbida. – De frango.

Hoseok engoliu a saliva com força.

– Tudo bem. – Hoseok concordou com a cabeça e caminhou na ponta dos pés, encarando a porta como se ela zombasse dele. O Jung sentiu que algo poderia o acertar pelas costas a qualquer momento.

– Espera! – Hoseok estancou no lugar com a ordem e se virou com os olhos arregalados, sentindo a sensação de pena em seguida ao que vislumbrou a expressão chorosa e tristonha de Taehyung. – Eu vou com você, ‘tá bem? – A voz saíra embargada e Taehyung portava de uma aura frágil demais para alguém que antes parecia capaz sugar almas apenas com o olhar raivoso.

– Tudo bem. – Hoseok fora incapaz de negar. Taehyung parecia tão acuado.

Agora a luta interna de Hoseok era se segurar para não rir. Taehyung levantou a coluna do colchão bem lentamente, ficando sentado. Desceu uma perna, depois outra, então apoiou as mãos na beira da cama e com toda a calma do mundo levantou até ficar ereto. Um passo, depois outro. Taehyung parecia pisar em cascas de ovos.

– Esse absorvente me irrita. – Hoseok não segurou o sorriso enquanto olhava Taehyung ajeitar sem escrúpulos o tal absorvente. – Sai toda hora do lugar.

– Talvez deva comprar os seus próprios, a vizinha não vai poder te emprestar toda hora. – Hoseok se calou ao receber um olhar mortal de Taehyung.

– Eu sei.

Os dois caminharam para fora, Taehyung sempre com as mãos no lugar onde doía e resto do caminho fora dentro do táxi. Tae se recusava a andar, mas também se recusava a ficar em casa esperando pelo Jung. Hoseok bem que queria que ele ficasse, sua mente já alertava que se o Kim fosse junto, seria mais fácil dele pedir mais comida se a visse com os próprios olhos.

Quando adentraram o mercado, Taehyung passou direto pelo carrinho, o que resultou em um apressado Hoseok para retirar o carrinho de supermercado do lugar e correr para alcançar um menino pequeno e resmungão.

– Quero esse e esse. E... hum, leva esse também. – Taehyung sequer encarava os olhos de Hoseok enquanto colocava potes de sorvete de vários sabores no carrinho. Hoseok fora quem choramingou desta vez.

– Nem passamos pelo corredor de alimentos ainda. – Parecendo ouvir suas preces, Taehyung saiu caminhando para fora daquele corredor. A felicidade de Hoseok durou pouco quando o Kim se deu o trabalho de pegar o que era necessário para casa, já que logo se encontravam ‘presos’ no corredor de limpeza. – Tae, anjo. Vai demorar muito aí?

– Fica quieto, Hoseok. ‘Tô tentando decidir entre sabão em pó limpeza profunda ou perfume suave. – Taehyung não se preocupou em tirar o olhar das caixas que analisava, mantendo uma expressão concentrada e pensativa. Hoseok pensou ter se passado pelo menos cinco minutos até o Kim colocar uma das caixas dentro do carrinho e seguir caminho. O suspiro de alívio fora grande. Logo, o Jung o seguia com o carrinho com a mesma expressão tediosa desde que chegaram ao local.

Hoseok soltou um suspiro irritado quando Taehyung parou mais uma vez, e realmente abrira a boca para reclamar.

– Ah, fala sério! Você–

– Quem ele pensa que é? – Hoseok encarou com uma expressão confusa as costas de Taehyung por um tempo até ouvir o som de resmungos de outras pessoas que encaravam algo mais a frente, junto com Taehyung. Hoseok se moveu para frente de Tae, e avistou um homem e uma mulher brigando no mercado em frente. Estavam de frente com a porta de vidro e por isso podiam ver bem. – Que cretino.

– Você não sabe o motivo de eles estarem brigando. – O Jung tentou acalmar o mais novo acariciando suas costas ao que notou o olhar enfurecido deste. Olhar este que não diminuiu em nada sua intensidade mesmo com as carícias. - Vamos–

– Ainda assim! Olha para ele, está machucando ela a puxando desse jeito! – Tae gesticulou com as mãos. Hoseok o segurou quando o Kim deu um passo para frente, parecendo pronto para intervir. – Me larga, Hoseok.

– Não. Você não quer puxar briga com aquele cara. – Respondeu de forma séria.

Taehyung puxou o braço com força e voltou a encarar o casal que brigava.

– Ah, se eu quero. – Murmurou e desatou a correr antes que Hoseok o agarrasse novamente. Taehyung saiu do supermercado e se aproximou dos dois que chamavam a atenção das pessoas ao redor. Estavam em frente a um mercado pequeno que vendia carnes, uma sacola com carne e algumas verduras estava no chão perto da mulher.

– Eu disse ‘pra você não gastar meu dinheiro, sua vagabunda! – O home gritou, balançando rudemente o braço da mulher.

– Precisamos comer, seu idiota! Meus filhos não comem desde essa manhã! – Ela gritou de volta, tentando a todo custo puxar seu braço do agarre. – Me solta!

– Sua–

– Solta ela! – Taehyung puxou o braço da moça e os dois quase perderam o equilíbrio quando finalmente se soltaram dos braços do outro. – Não fique a destratando desse jeito. Quem você pensa que é?!

– Não se mete ou vai levar o que é teu!

– Cale a boca, Kim Hyun! – A moça acertou um tapa no braço do mais alto, se abaixando para catar a sacola com a comida e levantando furiosa. – Vá fuder com uma de suas piranhas e me deixa em paz. – Ela tentou se virar, esquivando-se quando o homem chamado Hyun tentou agarrá-la mais uma vez.

– Eu estaria fazendo isso se não tivesse gastado o meu dinheiro. – A face dele estava vermelha e demonstrava o quão furioso estava. A expressão de Taehyung não estava diferente.

– Você tem pensão para pagar, filho da puta. Saia daqui! – Ela gesticulou como se enxotasse um animal de rua.

Surpreendendo a todos que encaravam a cena, o tal Hyun acertou um soco na mulher, que perdeu o equilíbrio e caiu no chão fortemente. Naquele momento, Taehyung somente via o vermelho quando se lançou contra o agressor, o jogando contra o chão. Hyun rolou um pouco no chão e proferiu palavrões para o Kim.

– Não ouse machucá-la, seu verme! – Taehyung sentiu ser agarrado pela cintura e se contorceu nos braços da pessoa até reconhecer o cheiro e a voz de Hoseok que clamava por calma. – Vou chamar a polícia!

Como se tivesse proferido as palavras mágicas, Hyun se levantou apressado e saiu correndo do local, tendo de desviar de algumas pessoas curiosas. Tae não gostou daquilo, queria acertá-lo com mais socos e chutes. Entretanto, se acalmou quando notou a mulher de antes já de pé vir em sua direção.

– Obrigada. – Ela soltou um suspiro e encarou o lugar por onde Hyun havia fugido e Tae se sentiu mal ao ver a pequena mancha de sangue perto de sua boca. – Acho que se não fosse por você, ninguém me ajudaria. – Ela sorriu.

Ainda nos braços de Hoseok, Taehyung sentiu seu peito comprimir-se.

– Você não deveria estar com ele. – O mais novo murmurou triste. – Você é preciosa demais para um cara como ele. – Ela pareceu encantada e sorriu mais grandemente com as palavras impensadas de Taehyung.

– Que fofo. – Ela limpou a roupa e segurou mais firmemente a sacola, ainda mantendo um sorriso no rosto. – Não sou a única que passa por isso, garoto. Mas obrigada por se importar. – Ela se virou. – Não estou com ele, estou me mudando em dois dias. Até mais. – Acenou antes de ir.

Notando que o clima se tornou mais calmo e que nada anormal iria acontecer, as pessoas começaram a se dispersar dali. Taehyung no entanto, ainda mantinha uma expressão confusa no rosto.

– O que eu fiz? – Ouviu-se um bufar e o Kim sentiu o ar quente bater contra sua orelha e se arrepiou.

– Uma grande idiotice. – Hoseok o largou e andou até ficar de frente para um Taehyung ainda perdido em pensamentos. – Você quer morrer? E se ele estivesse armado? – O Jung não conteve a expressão desgostosa, estava completamente irritado pela ação impensada de Taehyung.

– Ela precisava de ajuda, Hyung. – Murmurou. – Eu pensei... – Se calou. Hoseok elevou uma das sobrancelhas, curioso.

– O que? Você pensou no que?

– Eu pensei no que as mulheres sofrem e que... Eu a vi precisando de ajuda e não quis que ela fosse mais uma. Nenhuma mulher merece passar por isso. – Encarou o chão, triste e com um bico nos lábios. – Desculpa, Hyung. – Uniu as mãos, querendo passar uma pose inocente para o mais velho.

Hoseok suspirou encarando o céu. Revirou os olhos e voltou a encarar um Taehyung nada arrependido.

– Tudo bem, eu só fiquei preocupado e... – Ergueu os braços, mostrando as sacolas que carregava. – Tive que pagar tudo e sair correndo. Acho que esqueci de comprar muita coisa.

Taehyung gargalhou.

– Que amigo corajoso você tem. – O Kim encarou confuso o dono da voz, encontrando um garoto branquelo e fofo, sorrindo pequeno. – O que você fez foi incrível e eu concordo com você.

Tae uniu as sobrancelhas encarando o outro dos pés à cabeça.

– Quem é tu?

– Yoongi! – Hoseok abriu um grande sorriso e caminhou para o rapaz que sorria igualmente grande, os dois se abraçaram e Taehyung não gostou nada daquilo. – O que faz aqui?

– Compras. – Riu. – Fico feliz de encontrar você por essas bandas, Hobi. – Taehyung direcionou um olhar inquisidor para Hoseok como se perguntasse “Hobi?”. Porém, foi totalmente ignorado pelo Jung.

– Pois é, quem diria. – Os dois mantiveram a troca de olhares até Taehyung coçar a garganta de forma alta, tanto que chegou a doer, mas o Kim não iria demonstrar aquilo.

– Vamos para nossa casa, Hyung? – Taehyung intensificou a palavra possessiva de forma nada disfarçada. Os dois alheios se encararam envergonhados e mantiveram-se os risinhos até Tae se sentir enjoado. – Hyung! – Gritou.

– Oi! – Hoseok assustado gritou de volta.

– Vamos embora. – O Kim não esperou o consentimento alheio e partiu para fora dali com uma expressão irritada.

– Ah, claro. Tchau Yoon, mais tarde a gente se fala. Vê se me manda uma mensage–

Hoseok não fora capaz de terminar ao que sentiu o colarinho de sua camisa ser puxada com força, o obrigando a andar para longe.

(Simples Assim)

Tae agarrou com força a beirada da bancada e forçou com mais força seu corpo a ir para frente e colidir contra o de Hoseok. Suspirou ao que rebolava no pau que ia e vinha contra seu íntimo, se enterrando de forma rápida e forte.

O Kim repetiu o nome do mais velho, várias e várias vezes em súplica, implorando com os olhos cobertos de lágrimas para que ele nunca parasse. Hoseok não conseguiria parar de meter naquele interior macio e apertado, sentia que seria um pecado se o fizesse. Continuou investindo contra o menino, lhe segurando as coxas para que se mantivesse abertinho para ele. Permaneceu socando seu quadril com força contra o mais novo que não conseguiu se manter sentado e deitou-se sobre o balcão, ajudando seu Hyung a manter suas pernas abertas.

Hoseok largou suas coxas ao que o Kim tratou de fazer aquele trabalho e se apoiou no balcão, com as mãos próximas ao rosto de Taehyung e voltou a socar seu pênis contra o interior do Kim rapidamente. Taehyung não conseguiu gemer seu nome já que a força com que era estocado o impedia até mesmo de falar direito.

Não conseguiu segurar por mais tempo o orgasmo e se sentiu ir ao céu quando o prazer intenso lhe alcançou, contraindo-se fortemente, levando Hoseok junto. Ambos gemeram quando alcançaram o prazer juntos. Ofegantes, aguardavam até que suas respirações voltassem um pouco ao normal. O Jung saiu de dentro de Taehyung e o ajudou a descer do balcão da cozinha.

– Eu só estava cortando cenouras, como fomos acabar assim? – Tae gargalhou enquanto falava, se segurando no balcão ao que observava Hoseok catar sua roupa, que consistia em uma blusa branca folgada e cueca, e lhe entregar. Hoseok lhe acompanhou na risada.

– Eu tenho fetiche por cenoura, sabe? – Os dois gargalharam da desculpa esfarrapada do mais velho.

Taehyung foi surpreendido ao receber um beijo rápido e carinhoso assim que os dois terminaram de se vestir. Sentiu a mão quente de Hoseok lhe acariciar no rosto e sorriu fechando os olhos, abrindo para encarar uma expressão estranha no amigo. Parecia admiração. Taehyung mesmo confuso gostou daquilo e sorriu mais ainda, sentindo um estranho friozinho no baixo ventre.

Formou uma careta.

– Acho que vou menstruar de novo. – Afastou Hoseok e caminhou até a sala, se sentando no sofá e sabendo que estava sendo seguido pelo outro. – Ah, odeio isso. – Revirou os olhos e apoiou os pés no sofá, se deitando de forma desengonçada.

O Jung logo se sentou e colocou as pernas longas do Kim sobre suas coxas, massageando com o intuito de relaxá-lo.

– Vamos ver um filme, que tal? – Intensificou no aperto quando notou a expressão relaxada e deleitosa de Taehyung. – Assim você esquece isso.

– Eu tenho que terminar a sopa. – Murmurou, mesmo que não demonstrasse esforço nem vontade nenhuma de terminar a janta. Hoseok franziu o nariz em uma careta.

– Odeio sopa de cogumelos. Podemos pedir comida? – Taehyung logo abriu os olhos antes fechados e encarou Hoseok de forma séria.

– Não. – A resposta fora ríspida e Hoseok abriu a boca indignado.

– Mas, por quê?

Taehyung virou o rosto para o outro lado e Hoseok moveu a cabeça tentando seguir o olhar dele. A resposta demorou a vir.

– Porque eu ‘tô gordo. – O Jung achou a expressão descontente de Taehyung completamente fofa. Porém, não deixou de gargalhar pelo comentário.

– Que absurdo. – Bateu em uma das coxas e apertou. – Você está gostoso. – Piscou. Mas aquilo não pareceu suficiente para Taehyung que tirou suas pernas de cima e saiu do sofá, caminhando de volta para a cozinha. Hoseok suspirou derrotado, sabendo que teria sopa de cogumelo para o jantar. – Tudo bem. Entendi. – Se levantou e seguiu o Kim. Acabou se deparando com a visão que teve quando entrou naquela cozinha anteriormente, de um Taehyung cortando cenouras com uma roupa transparente e de cueca. Mordeu o lábio inferior. – Que tal se a gente–

– Pega a cebola pra mim e cala a boca. – Hoseok revirou os olhos. Porém, foi fazer o que foi mandado. Quando entregou a cebola para Taehyung, tentou sorrir fofo.

– Então, depois a gen–

– Prepara um suco, por favor. – O sorriso sumiu. Hoseok encarou Taehyung irritado, recebendo um olhar igual. – Você trabalha numa academia e quer ficar comendo porcaria toda noite, Hoseok! Eu não aguento isso, cara. – Taehyung assustou Hoseok quando jogou a faca com força dentro da pia. – Não é você que tá engordando feito um porco na véspera de Natal!

– Você... – Hoseok apontou preocupado para o rosto de Taehyung. – Você ‘tá chorando? – Tae cobriu o rosto e fungou.

– Não... – Murmurou e secou o rosto. – É culpa da cebola.

Hoseok abriu a boca, mas não soube o que falar. Sem alternativas, o Jung apenas esticou os braços e acolheu Tae em um abraço apertado. Permaneceram no aperto por algum tempo até Hoseok achar tudo aquilo estranho. Não quis falar disso, no entanto. Taehyung sempre fora estranho e surpreendente de qualquer forma.

Era por esses e vários motivos que Hoseok estava...

– Sopa de cogumelo parece bom. – Beijou os fios do mais novo e se afastou para encará-lo nos olhos. – Vou fazer suco de tomate, sei que gosta. – Tae sorriu pequeno e agradeceu.

Ambos ficaram para lá e para cá pela cozinha, de vez em quando se trombando e trocando um beijo quando acontecia. O lugar nunca esteve tão repleto de risinhos cumplices e bochechas coradas como antes. Quando enfim a comida estava pronta, Hoseok acabou comendo a maior parte da sopa, se surpreendendo com o quão boa estava. Já Taehyung, mesmo depois de reclamar sobre o peso apenas para que recebesse elogios sobre o seu corpo, logo, sentado de forma despojada no sofá, já enchia a barriga com o sorvete que comprara no supermercado com Hoseok há duas semanas.

Foi pensando nesse dia que acabou fazendo um ato heroico e bonito, que Tae se lembrou de certo branquelo que o Kim não foi com a cara desde o começo.

– Hoseok. – O citado enfiou mais uma colher cheia de sorvete de chocolate na boca e murmurou, sem tirar os olhos da televisão. – Olha ‘pra mim. – O Jung o encarou e depois uniu as sobrancelhas quando notou a expressão séria de Taehyung. Se perguntou o que havia feito de errado naquele momento. – Quem era aquele?

É claro que Hoseok não iria se lembrar, mas Taehyung estava, sem querer admitir, encontrando uma razão para gritar com o outro.

– Aquele quem? – Taehyung formou uma careta desgostosa.

– Não se faça de sonso. – Hoseok realmente não estava e no fundo Taehyung sabia disso. A careta confusa do mais velho era realmente sincera.

– Não estou. – O Jung se remexeu inquieto. – De quem está falando?

– Daquele branquelo com cara de arara, com aquela boca sem dente, e aqueles olhos cor de merda. Desse branquelo. Desse! Desse! – Taehyung começou a apontar para o nada, como se o próprio Yoongi tivesse se materializado no chão para onde o Kim apontava. Hoseok até mesmo olhou, mas recebeu uma tapa na coxa por ter desviado o olhar do mais novo. Resmungou chateado e massageou a coxa.

– Ele é um amigo, anjinho. – O biquinho de Hoseok quase desarmou Taehyung.

– Que amigo é esse que faz você parecer estar em uma cena de dorama? – Tae largou o pote de sorvete, o que fez Hoseok pensar que a coisa era realmente séria. O Kim e aproximou ao mesmo tempo em que um Jung Hoseok se encolhia. Tae nem parecia ser o menor ali. Mesmo que tivesse mudado em alguns aspectos, o mais novo ainda conseguia colocar o medo tremendo em Hoseok.

– É meu amigo desde a faculdade. Nossos prédios eram próximos e... Tae, saia de cima de mim. – Taehyung mal notou que já estava se debruçando sobre Hoseok apenas para que ele visse sua evidente expressão de insatisfação.

Tae se afastou e suspirou, arrumando os cabelos.

– Vocês já saíram juntos? – Questionou.

– Já. – Respondeu simples.

– Já?! – Tae arregalou os olhos e Hoseok o encarou mais confuso ainda.

– Sim... – Foi então que o Kim percebeu que não havia sido claro. – O que foi, meu dengo?

Hoseok estava tentando desarmá-lo, sabia disso.

– Você já dormiu com ele? – Um silencio prevaleceu no lugar, mas não durou tanto quando Hoseok pareceu entender algo e sorriu.

– Ah.

– Ah? Como assim “Ah”? – Taehyung pegou o pote de sorvete esquecido e enfiou uma grande porção na boca, encarando Hoseok desconfiado.

– Já entendi. – Um risinho e Tae sentiu toda sua paciência ir se esvaindo.

– Não me olha assim.

– Assim como? – Hobi elevou e desceu as sobrancelhas com um sorriso presunçoso.

– Vou te socar.

– Não vai. Sabe o que você vai fazer? – O Jung foi se aproximando, deixando um Taehyung cada vez mais desconcertado. – Você vai sentar no meu–

– Vou dormir. Boa noite. – Tae se levantou as pressas e correu para seu quarto, entrando e fechando a porta antes que um certo Hoseok decidisse invadir.

Suspirou e agarrado ao pote de sorvete se deitou na cama, comendo de vez em quando até que pegasse no sono, o que o Kim sabia que iria demorar. Deixou o pote vazio sobre o criado-mudo perto de sua cama e se virou de barriga para cima. Já fazia tanto tempo que Taehyung era uma mulher que já havia se acostumado. E também perdeu as contas dos dias que estava com uma maldita Flor.

Já fazia algum tempo que não verificava mais ao acordar e não se questionava quando essa punição iria terminar. Aprendeu a viver com ela e sabia que para o seu caso não havia solução. Porém, o Kim gostava de pensar que poderia viver feliz com aquilo. Notou o como estava diferente de antes. Não apenas suas características físicas como sua própria personalidade. Se tornou mais sentimental e empático também. Criou amizade com pessoas que nunca pensou que iria e até mesmo um estranho relacionamento com seu amigo. Sabia que o seu eu de antigamente nunca teria ajudado aquela moça, nunca teria ficado com raiva junto dela ou ofendido junto dela, ele teria apenas ignorado e ido embora. Querendo ou não, Taehyung gostava de pensar que aquilo ao mesmo tempo em que era uma maldita punição, era uma pequena benção. Claro que se pudesse escolher, voltaria a ter um pênis. Obvio que sim.

Mas o orgasmo com uma vagina é tão malditamente melhor.

– Não! – Taehyung riu e bagunçou os cabelos.

Fechando os olhos, sentiu finalmente o sono lhe atingir.

Quando o dia chegou, Taehyung levantou de forma sonolenta, e levantou da cama grogue. A fome estava tão arrebatadora que se questionava se deveria comer ou tomar banho primeiro. Sorriu ao sentir o cheiro característico de bacon.

Decidiu comer. Se levantou e caminhou até a cozinha enquanto bocejava. Encontrou mais uma vez a visão de Hoseok sem camisa fazendo o café da manha e parou alguns instantes para admirar. Já não invejava aquelas costas, apenas a desejava. Na pontinha dos pés chegou perto do mais velho e lhe abraçou.

– Bom dia. – Fora agraciado com a voz rouquinha de Hoseok e esfregou a bochecha manhosamente na pele descoberta dele.

– Bom dia. – Se afastou e tirou um pedaço do bacon já frito para comer. – Hoje eu estava querendo um café da manhã coreano. – Murmurou e forçou um biquinho chateado. Hoseok o encarou parecendo frustrado.

– Sério?

– Brincadeira. – Saiu da cozinha sorrindo e achando fofa a carinha quase triste que Hoseok dera.

Decidiu por tomar banho primeiro. Era uma manhã de sábado e não sairia para trabalhar igualmente como o Jung. Tirou sua roupa dentro do banheiro do seu quarto e esticou os braços até ouvir os ossos estralarem. Adentrou o box e começou a se banhar.

Não demorou muito na área dos cabelos, logo descendo as mãos para sua genitália. Foi quando sentiu o volume a mais que tinha ali. Abriu os olhos e os sentiu arder. Fechou e rapidamente lavou e passou as mãos. De forma afoita, saiu de baixo da ducha e desceu o olhar.

– Finalmente! – Taehyung encarava o seu júnior de forma estonteante enquanto balançava para lá e para cá. – Que saudade desse movimento! – Gargalhou e começou a pular, logo saindo e se secando com a toalha. – Finalmente! Finalmente! – Se vestiu totalmente errado. Demorou para enfiar a cueca e segurou o grito de dor quando a puxara com muita força, quase esfolando suas bolas com o tecido. Colocou a calça moletom e saiu do quarto ainda enfiando a blusa pela cabeça. – Hoseok! – O Jung já estava virado para o Kim e não demorou até ter o olhar desde vidrado nele. Um sorriso fora o suficiente para agitar o coração de Tae.

– O que, meu anjo?

Tae abriu os braços e sorriu grandemente.

– Agora eu sou macho.

Um olhar confuso de Hoseok fora o suficiente para Taehyung revirar os olhos.

– Como assim?

– Meu amigo voltou!

– Que legal. – Hoseok sorriu. – Que amigo?

Tae bufou e abaixou os braços. Apontou para a frente de suas calças.

– Meu pinto.

O Jung arregalou os olhos.

– Tae!

– Hoseok!

– Tae! – O sorriso do mais velho cresceu.

– Hoseok! – O do Kim cresceu junto.

– Namora comigo?

Silêncio.

O sorriso de Taehyung fora diminuindo aos poucos e conforme o tempo ia passando e a preocupação e medo do Jung iam aumentando, o sorriso do mais velho ia diminuindo junto. Tae coçou a garganta e encarou o Jung de forma acanhada. Hoseok ao notar aquilo, sorriu novamente.

– Me desculpa. – O Kim murmurou. – Mas eu sou homem de novo, então...– Deu de ombros.

O sorriso de Hoseok morreu e ele não entendeu os motivos alheios.

– Sim, você... Eu esperava por isso. – Sorriu forçado. – Mas nós–

– Eu não era eu, entende? – Taehyung sorriu nervoso. – Eu era uma mulher e tinha desejos de uma.

O Jung colocou as mãos na mesa e suspirou, sentindo seu coração ir se partindo aos poucos com o que acontecia. Realmente não esperava por aquela reviravolta. Pareciam tão felizes juntos e estava louco para que pudesse chamar o outro de namorado, se tornar alguém mais íntimo ainda. Não demorou para perceber que havia se apaixonado, mas não esperava que Taehyung não sentisse o mesmo.

– Entendo... – Não teve coragem de encarar o mais novo então desceu seu olhar.

– Eu ainda ‘tô meio confuso com o que aconteceu. – Tae apertou a barra da camisa que usava, mas logo encarou seu celular no balcão e o pegou. – Parte ‘pra outro, Hyung. – Andando de costas até a porta da sala, murmurou. – Desculpa.

Tae ligou para Jimin louco para contar ao amigo o que havia acontecido, mesmo que tivesse um estranho incomodo no peito. Sabia que era de felicidade.

(Simples Assim)

Não era felicidade, Tae logo notou isso com o passar dos dias. Cinco dias, Taehyung havia contado. O Kim não queria aceitar que havia realmente criado sentimentos por outro homem, mas sempre que se deparava de frente com Hoseok pelo apartamento, a vontade de abraçá-lo era enorme e a de beijá-lo era quase gritante.

Havia noites que quase se levantava da cama para ir permear entre os lençóis do Jung, logo retesando e voltando para sua própria cama na metade do caminho.

Ainda permanecia amigo de Yona, e sempre que acontecia algo de ruim com a menina, Taehyung logo tratava de ajuda-la. Não queria que algo como o que havia passado acontecesse com mais ninguém, por isso, mesmo com certo medo, fora reclamar sobre a segurança dos funcionários com seu chefe. O que não esperava era que fosse ser ouvido claramente e que lhe diriam que iriam tomar as providencias. Taehyung estava feliz com isso.

Apenas com isso, afinal.

Ao acordar cedo pela manhã, não sentiu o cheiro de bacon que sempre sente pela manhã. Depois que tomou seu banho e vestiu uma bela roupa para ir trabalhar, saiu do quarto e se deparou com Hoseok fazendo um café da manhã típico coreano. Suspirou.

Sem camisa.

– Novamente... – Murmurou.

– Oi? – Hoseok se virou e Tae se assustou com isso. Ele havia o escutado?

– O que? – Questionou confuso.

– O que você disse? – Hoseok o encarou curioso.

– Eu? Não disse nada. – O Jung assentiu e sorriu fraco.

– Ah. Pensei ter ouvi algo. – Se virou e colocou arroz branco em duas tigelas. – Senta aí.

Por mais que às vezes se tratassem casualmente, nunca deixava de ter situações que acabava lembrando os dois dos momentos que passavam juntos. Como quando sentavam no sofá juntos, o que acontecia quase a todo momento, e acabavam lembrando do que havia acontecido ali várias vezes. Ou até do fato de ocorrer uma pequena briga e algum deles soltar frases constrangedoras. Ou, no pior dos casos também, quando Hoseok adentrava o banheiro alheio para secar os cabelos e se deparava com um Taehyung tomando banho. Sabiam que não se tratariam como antigamente quando, como amigos apenas iriam brigar ou gritar um com o outro, mas como amantes se sentiam envergonhados e fugiam.

Taehyung se considerava o pior entre os dois, sempre encarando demais, falando demais e demonstrando demais. Em certas ocasiões, provocava propositalmente o desconforto entre ambos apenas para que, no desespero de algum deles ou no ato de coragem, algo acontecesse. Como nas tentativas frustradas de colocar um filme onde o Kim sabia que aconteceria algo quente e esperava que aquilo despertasse alguma chama apagada.

– Você ouviu? – Tae tirou o olhar da sopa e encarou Hoseok.

– O que?

Hoseok sorriu minimamente e revirou os olhos. Taehyung achou aquilo atraente. Sim, sua atração não havia diminuído em nada.

– Eu disse que abriu uma nova Burguer King a umas duas quadras daqui. – Hoseok parecia bastante confortável na visão de Taehyung. Talvez ele já não sentisse as mesmas coisas que antes. De qualquer forma, não o culpava. – Você também quer ir?

Tae suspirou. Aquilo vendia hambúrgueres e refrigerante, coisas que apenas engordavam. Não era um lugar para casais. Enfim, não era um encontro.

– Quero, pode ser.

– Ótimo. Depois do trabalho a gente se encontra, então.

Mesmo que considerasse aquilo, Taehyung ficou ansioso para sair com Hoseok. Errou algumas vezes no trabalho, falando números e coisas erradas de vez em quando das casas que apresentava, se corrigindo logo depois. Não conseguiu comer direito, sentindo o frio na barriga lhe incomodar toda hora. Fora ao banheiro duas vezes somente naquela tarde. E nem mesmo a conversa fiada de Jimin sobre um tal cliente bonitinho que parecia nunca decidir qual casa comprar de propósito, lhe tirava a atenção por mais do que dois minutos.

Não era um encontro, mas Taehyung estava nervoso. Não era um encontro, mas Taehyung queria que fosse.

Enfim, quando chegou no local, soube com toda a sua graça e certeza que não era um encontro pelo simples fato de que quando esperava somente a presença de Hoseok na mesa, encontrara de brinde, a de Yoongi junto.

Tae pensou ter disfarçado o seu ciúme e ódio pelo branquelo, mas quando fizeram os pedidos e o Kim queria pedir seu favorito sanduíche de frango que Hoseok bem sabia e dissera “Sanduíche de Yoongi”, levou a repreensão de Hoseok, então soube que não estava sendo nada discreto, e depois de algum tempo, não se importou em nada com isso. Ambos, Hoseok e Yoongi, se mantiveram em uma conversa alegre até o momento dos lanches ficarem prontos. Depois disso, o clima fora apenas ficando pior.

Os três se mantinham em silencio enquanto desfrutavam de seus lanches, nenhum dos três pares de olhos ousava se encontrar, mesmo que Taehyung teimasse em encarar o de um certo branquelo.

– Então, Yoongi. Como vai a vida? Você trabalha? Faz faculdade?... Tem namorada? – Questionou Taehyung com o mínimo de desprezo na frase, escondendo o desgosto com o que viam. Por que eles estavam sentados lado a lado e apenas Taehyung deixado sozinho no lado oposto.

– Ah! Eu trabalho, sou arquiteto e estou trabalhando em um projeto incrível pra uma escola. – Sorriu fofamente o Min, cutucando com o ombro o Jung ao seu lado que sorriu orgulhoso. O olho esquerdo de Taehyung abriu e fechou, enojado daquele garoto. – Estudar a gente nunca pode parar, não é? – Gargalhou e Taehyung o acompanhou da sua forma forçada, acabando por ter dois pares de olhos assustados quando a encenação foi péssima. O Kim tossiu. – Bom... Eu namoro, sim.

– Ah! – O sorriso maquiavélico de Taehyung aumentou e seu desgosto por aquele menino também. – Então você namora? E como é o relacionamento de vocês dois?

– Tae... – Hoseok o encarou repreensor pela pergunta nada educada. Porém, ganhou o olhar fingido de Taehyung que deu de ombros.

– Tudo bem, Hoseok. – Yoongi tocou na mão do citado, o que causou um ataque de nervos em Taehyung. – Eu namoro e nosso relacionamento é incrível. Ele é um homem incrível.

– Ah. Homem? Você namora um homem?

– Sim, eu sou gay. – Taehyung sentia na testa o olhar de Hoseok queimar, mas fingiu não notar.

– Hoseok também é, sabia? – Apontou pro Jung, finalmente notando o olhar dele que variava de confuso para bravo.

– Sim, sabia...

– E seu namorado? Ele é muito desconfiado? – Taehyung apoiou o queixo na mão direito, fingindo um interesse genuíno ao Min.

– Desconfiado? – Uma risadinha. – Claro que não. Ele não precisa desconfiar de mim, eu sou bastante fiel. – Yoongi respondeu com convicção e com um sorriso encantador nos lábios.

– Ah, é mesmo?

– Taehyung! – Ouviu-se um xingamento sair da boca de Hoseok. Taehyung direcionou seu olhar de poucos amigos para o Jung.

– O que?

– Não. Faça. Isso!

Yoongi encarou Taehyung e depois Hoseok, alternando algumas vezes os olhares entre eles até parecer entender algo e se espantar.

– Oh, cara. Vocês... Estão juntos?

– Nã–

– Sim! Algum problema? – Taehyung voltou a sentar corretamente na cadeira acolchoada, lançando um olhar desafiador a Yoongi.

– Não, claro que não. Eu... Eu sinto muito se pareci atrevido, eu... Eu sou assim com todo mundo. Eu não quis parecer fura olho, ah, quer dizer... Eu... – Yoongi não sabia o que falar e gaguejou mais um pouco até se calar constrangido enquanto seu olhar não saia da mesa. Não ousaria encarar aquele garotinho que botava medo apenas com o olhar.

Taehyung sabia que Hoseok agora o encarava confuso, apenas isso. Notava seu olhar. Porém, fingindo plenitude que não lhe cabia realmente, pegou o copo de refrigerante e sugou do canudo até fazer o som característico de quando resta apenas gelo. O silêncio foi bastante constrangedor para os dois sentados lado a lado, menos para o Kim que sentia certa quentura no peito. Não sabia se era raiva, ciúme ou felicidade por ter colocado o tal Yoongi em seu devido lugar.

– Meu refrigerante acabou. Hoseok, pega–

– Eu pego! – Yoongi pegou o copo e levantou da mesa apressado, fugindo dali e do clima tenso. Taehyung sorriu, O Min estava apenas atrás de uma desculpa para sair daquela pressão esmagadora que era seu olhar.

– O que deu em você? – Sabia que levaria bronca de Hoseok, então apenas colocou as mãos atrás da nuca em uma posição relaxada.

– Em mim? Nada. Estava apenas brincando.

– Você o assustou. Ele quase se cagou na calça e fala sério, Taehyung! Chamou ele de infiel sem usar as palavras. – Hoseok estava indignado com os atos do mais novo.

– Ah, qual é? Até parece! Vocês que estavam de Nhem nhem nhem desde o começo. Não tenho culpa se foi o que pareceu! – Se defendeu, já sentindo a irritação o assolar.

– Foda-se! – Taehyung abriu a boca indignado e assustado. Sentiu-se ofendido. – Quando ele voltar você vai desmentir tudo o que disse. E vai pedir desculpas.

– Por quê? – Taehyung retirou as mãos de trás da cabeça e as apoiou na mesa, se inclinando para mais perto de Hoseok e o encarando irritado. – É tão ruim assim ficar comigo?!

– Eu não disse isso, não coloca palavras na minha boca. – Hoseok bufou. – E não vem bancar a vítima, foi você quem me deu um fora semana passada.

– Eu não te dei um fora! – Taehyung bateu as mãos na mesa, pouco se importando com o drama que fazia e a atenção que chamava. Talvez alguns de seus hormônios ainda estivessem alterados.

– Ah, não? E a frase “Parte pra outro” significa o que para você? – Hoseok repetiu a posição de Taehyung, os dois ficando cara a cara agora.

– Bom... – Taehyung recuou minimamente, desviando o olhar para depois encarar Hoseok com os olhos brilhantes propositalmente em uma falsa inocência. – Soa como “Preciso de um tempo” para mim.

Hoseok voltou a se sentar, com um olhar descrente. Desviando os olhos de Taehyung apenas para virar o rosto e soltar uma risada soprada, ainda que incrédulo.

– Então, eu não entendi direito, é isso?

– Erros de interpretação acontecem muito entre casais, é normal. Relaxa. – Taehyung sorriu, não demorando a receber uma risada ainda meio brava do Jung.

– Você é um cretino.

– E você é meu.

– Simples assim?

– Simples assim.

Se encararam sorrindo pelo que pareceram minutos longos, mas logo o Jung notou a ausência de alguém.

– Ele já não deveria ter voltado? – Hoseok procurou Yoongi com os olhos, sem sucesso algum.

– Será que ele foi ao banheiro? – Taehyung não ligava muito, entretanto.

– Acho que ele foi embora. – Hoseok bufou. – Você sabe realmente como assustar alguém

Taehyung sorriu e piscou um dos olhos.

(Simples Assim)

– Eu não concordei com essa merda!

– Fica quieto, Taehyung.

Silêncio.

– Relaxa. Assim eu não vou conseguir preparar você.

Taehyung resmungou.

– Prefiro quando eu tinha uma vagina.

Hoseok gargalhou.

– Pronto. Agora lá vai.

– Tudo bem.

Ouviu-se apenas o som do farfalhar dos lençóis e em seguida um gemido de dor.

– Eu disse ‘pra relaxar, se você não relaxar eu não consigo enfiar!

– ‘Tô tentando!

Silêncio.

– Ai! Isso dói, porra. – Tae choramingou.

– Esquece.

– Espera, espera! – Ambos se encararam. – Você pode me preparar com a língua de novo? – Tae sorriu sapeca.

– Ah, fala sério. – Hoseok revirou os olhos, parecendo contrariar o que queria transparecer já que em seguida desceu pelo corpo de Taehyung.

Silêncio.

Em seguida, som de beijos e gemidos.

– Oh, isso é bom. – Taehyung resmungou. – Uh! Oh! De novo... – Uma risada contida. – Isso. – Tae fez carinho nos cabelos de Hoseok. – Delícia. Ah!

Hoseok subiu novamente pelo corpo de Tae.

– Vou tentar de novo.

– Beleza. – Taehyung respondeu entorpecido.

Silêncio.

– Ai, caralho!

– Dane-se!

O grito de Taehyung pôde-se ser ouvido por todo o apartamento.

Depois, o silêncio. Alguns resmungos e choramingos de Taehyung.

– Você rasgou minhas pregas...

Hoseok gargalhou.  

O som de farfalhar fora ouvido novamente, desta vez de forma mais constante, acompanhando os movimentos de Hoseok que começara a investir contra Taehyung.

– Isso é bom... Ah! Ah...

Ambos em seu mundinho, Taehyung sequer notou as várias mensagens que eram mandadas de forma desesperada por um Park Jimin para seu celular.

 

“Tae...” (14:15)

“Me liga, aconteceu algo” (14:15)

“É sério, me liga agora!!!” (14:17)

“Socorro, Taeee!” (14:18)

“Aconteceu comigo também...” (14:19)

“O que eu faço?!” (14:19)

“Que porra...???” (14:20)

“Tô fudido” (14:25)

 

– Ah! Vai, Hyung! Assim! Isso! Tão gostoso...

As investidas ainda se mantinham, entretanto, de repente Taehyung parara de gemer, adquirindo uma expressão séria no rosto. Então se ouviu o som de queda e um gemido de dor de Hoseok, este que se encontrava caído da cama massageando a lombar após ser empurrado brutalmente por Taehyung.

– Tae?

O Kim se levantou e não se importando nem um pouco com a nudez, correu afoito para o banheiro do namorado.

– Preciso vomitar. – Taehyung sequer conseguira terminar a frase direito, já se debruçando sobre a privada e liberando todo o almoço. Hoseok havia feito um delicioso peixe cozido e se sentia triste por colocar tudo para fora.

– Tae? – Hoseok apenas ouvia os resmungos de Taehyung, portando uma expressão preocupada enquanto tentava se levantar, sentindo dor e apenas ficando sentado com as costas contra a cama. – Você ‘tá bem? Já não é a primeira vez que vomita essa semana.

– Eu... – Tae não respondeu ao que necessitou voltar com a cabeça para dentro da privada e esvaziar o estomago.

Silêncio em seguida.

Taehyung se perguntava o que havia comido de estragado.

Já Hoseok formava um beicinho e se lembrava de que há algumas semanas atrás Taehyung era mulher e até mesmo menstruava.

Seu coração errou uma batida e Hoseok pensou ter visto a luz no fim do túnel por milésimos de segundos.

Sorriu em seguida.

– Não... – Depois gargalhou. – Claro que não. – A risada ficara mais alta e Tae apareceu na porta do banheiro com uma cara abatida.

– O que fo–

– Eu disse não! – Taehyung arregalou os olhos.

Silêncio novamente.

– Tae.

– Hum? – O Kim coçava os olhos despreocupado.

– Você fez um teste de gravidez? – Tae o encarou confuso, e depois desatou a rir.

– Que? Hyung, eu sou um homem, não engravido. – O Kim seguiu até a cama e se sentou, formando uma leve caretinha. – Volta pra cama, hum?

– Mas você já foi uma mulher.

Silêncio.

Ambos se encararam sérios.

Depois os dois começaram a rir.

– Hyung, você é tão engraçado!

– Eu sou, né?

As gargalhadas cessaram.

Silêncio.

– Porra... – Tae resmungou e agarrou os cabelos.

– Eu ‘tô lascado. – Hoseok encarava o nada de olhos arregalados.

 

 

 


Notas Finais


eu não sei o motivo de eu estar com tanto de medo de ser cancelada ultimamente, enfim...
Essa estória é completamente doidona, sabia?? Meu irmão disse que queria pq queria uma fanfic onde um dos caras mudavam de sexo, ele mesmo queria escrever, daí perdeu o pique e adivinha em quem bateu o santo? Isso mesmo, eu...
Gente, espero que vcs gostem desse tipo de fic. E para quem tá confuso, Taehyung realmente se tornou mulher, ou seja, a maioria da fic é meio hétero, mas no fim se tornou nosso amorzinho gay com uma surpresa.

Eu devia tá att meu bb MMI, mas to indo aos poucos, vcs sabem como eu sou preguiçosa hehehehe
gente, não coloquei a Tag de gravidez masculina pq queria muito que esse fim fosse uma surpresa, mas estou com medo de ser cancelada por isso haha... haha.

E pessoal, uma nota importante, vcs sabiam que na Coréia do sul apenas dois sul coreanos conseguiram oficialmente mudar de nome? Tipo, eles mudaram de sexo e conseguiram mudar os documentos. Pois é, ai o que aconteceu com o Tae foi ao contrário, ele mudou os documentos mas não fez a cirurgia (era o que Hoseok queria passar). Enfim, lá ainda é um lugarzin meio fechado pra isso e sem lei.

E eu quero recomendar uma música pra vcs, como amiga mesmo, eu usei ela pra escrever e editar também (não a fic toda): Stuck In Love - Kim Kyunghee. Ela é calma, incrível, boa e magnífica ksksksks

Enfim, espero ter conseguido passar a mensagem que eu queria. Até outro dia em que eu aparecer por aqui. Beijão!!


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