História Simplesmente Acontece (EM REVISÃO) - Capítulo 37


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Arden Cho, Comedia Romantica, Gay, Gravidez, Hetero, Jimin, Kim Woong, Menção Hopekook, Park Jimin, Pockyx, Romance, Simplesmente Acontece
Visualizações 2.011
Palavras 16.231
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIEEEE
ÚLTIMO
CAPÍTULO
MAS
ANTEEEEEEES, quero falar algó MUITO SÉRIO com vocês!

Assim, eu vi que algumas pessoas tiveram dúvidas (nem tantas), mas mesmo assim, acho justo esclarecer não só para essas pessoas, mas sim para todas as leitoras!

"Como a Woong teve coragem de transar com o Jin, sendo que quase foi estuprada por ele?"
É, vocês estão se perguntando isso, eu sei. Se eu fosse uma leitora de mim mesma, tbm ficaria confusa kkkkkkkk

Lembra da Woong contando ao Jimin, no capítulo anterior, que a sociedade vinha e dizia que ela deveria se sentir "feliz" com o que ocorreu, com ela quase sendo estuprada?
Essa Woong que quase foi estuprada tinha apenas 17 anos! DEZESSETE GENTE! E sim, eu posso dizer que 17 é uma idade que ainda pensamos em muitas coisas. Tem gente que amadurece cedo, tem outras que não. Eu, aqui, que tenho 18 ainda estou aprendendo a amadurecer, to aprendendo a viver, tentando ser idependente. É bem difícil haha
Mas o que quero dizer é que a Woong realmente desculpou Jin, mesmo ela tendo a pulga atrás da orelha, cutucando e dizendo que ele não se arrependia, ela o perdoou, por que? Porque a sociedade fez uma lavagem cerebral nela! E nem vem querer dizer que não. Sabe o que eu ando vendo por aí? Que o nosso corpo não é nosso, ele é da sociedade, quem nos define é ela, quem nos define é um chefe, quem nos define é um pai, quem nos define não é nós, é a sociedade. Eu passo muito por isso, onde eu quero fazer algo no corpo e não posso porque tenho que respeitar o meu avô ~desabafo aqui kkkkkkkk
A Woong de dezessete anos morreu quando conheceu o Jimin! Ele a mudou, ele a fez abrir os olhos, ele a protegeu, ELE mostrou quem o Jin era de verdade. Se vocês relerem a fic, irão ver em como a Woong não gostava que o Jimin e o Jin ficassem perto um do outro, porque ela sabia que o cara dela não gostava do Jin. Que o pensamento dele era distorcido dos outros. O Jimin é diferente do Jin, ele respeita uma mulher, ele respeita uma grávida, ele ajuda os amigos, ele respeita a família.
Vocês reparam que esses dois personagens são diferentes, certo? Certo.
Mas essa é a grande e pura verdade. A Woong de dezessete anos morreu quando começou a viver ao lado de Jimin, quando experimentou do novo, do diferente, quando ela realmente conheceu o AMOR de verdade.

Era só isso que eu queria dizer, quem ainda estiver com dúvidas, pode perguntar, responderei pelos comentários.


VAI TER TEXTÃO NAS NOTAS FINAIS MEUS PITÉIS! HAHA ~humor mudou em um estalo haha

Capítulo 37 - Simplesmente aconteceu (Fim)


Fanfic / Fanfiction Simplesmente Acontece (EM REVISÃO) - Capítulo 37 - Simplesmente aconteceu (Fim)

WOONG

Eu não sabia nem o que dizer, na verdade… eu sabia, só não conseguia. Talvez aquela realmente era a casa perfeita? Tipo aquelas casa da barbie, com dois andares, jardim, piscina, e todas aquelas coisas, só que sem a cor rosa exagerada, e sem aqueles closets enormes, mas era aquela casa que fazia você se aquecer, se sentir bem, fazia você respirar. E quando eu fiz isso, senti o cheiro de novo, os móveis brancos, em tons distorcidos para cinzas, as paredes tinham a cor branca também e eu já pensava em Kang as riscando com algum giz de cera, o que me deixaria… risonha, e talvez Jimin puto, mas no fim Kang nos tiraria um sorriso.

Eu sorri com meus olhos marejados enquanto andava até o meio da sala com Kang em meus braços, assim como eu, ele olhava tudo ao redor. E em seguida eu olhei para Jimin, que tinha um sorriso no rosto.

Ele realmente tinha comprado outra casa, e que parecia mil vezes melhor que a outra, em um condomínio fechado, com um jardim grande, piscina, churrasqueira, e meu Deus… essa casa é linda. Eu pisquei quando ele me olhou, de novo, com aquele sorrisão, e então, eu suspirei fundo e soltei aquele: oh Jimin… e ele riu baixinho, finalmente se aproximando e me acolhendo em seus braços.

Eu o apertei com força e Kang resmungou de novo, ele estava ficando meio chatinho, nem sabia porquê, mas quando ele olhava para nós, ficava tranquilo. Dê uns tempos pra cá, Kang tem ficado ignorante com Namjoon, não sabia porquê, mas ele apenas gostava de ficar com Nick, é… meu filho estava ficando homem mais cedo do que eu pensei. O pior era que Nick as vezes o olhava estranho, mas de um jeito engraçado e que me tirava risadas.

Eu nem mesmo sei como posso descrever esses últimos dois meses em que eu, Jimin e Kang ficamos lá, mesmo recebendo amparo da minha mãe e dos pais dele, queríamos ficar ali, nos sentíamos tão em casa, Nick e Nam ficavam eufóricos, gostavam de nossa presença, mas eu via que estava atrapalhando a transa diária deles. Teve uma noite em que eu acordei para ir ao banheiro e escutei a voz de Nick dizer: eles vão ouvir, Nam. E ainda mais as risadinhas dela se sobressaltando ao baque da cabeceira contra a parede. É, eu fiquei beeem traumatizada. Jimin e Kang dormiram pesado naquela noite, e eu apenas fiquei rindo internamente, e só depois peguei no sono.

Eu sempre soube que Nick e Nam, além das discussões, são um casal pervertido, não compartilhamos muitas coisas sobre nossas transas, o que tem pra compartilhar? Mas a verdade é que Nick me disse que os dois conseguem se entender no colchão, que é um momento de carinho… sei lá, mas isso não quer dizer que fora da cama eles não se entendem, mas eu sei o que ela quer dizer. Eles conseguem se amar ainda mais embaixo do edredom enquanto bagunçam o lençol.

Eu beijei o pescoço de Jimin, enquanto sentia ele fazer um carinho nas minhas costas.

— A piscina é bem diferente por fotos, amor. — Sussurrou em um tom baixinho e eu ri, toda animada.

Entrelacei meus dedos ao dele, caminhando devagar, a casa era diferente da outra, além de ter um sistema de segurança melhor, era mais ampla, a sala então… enorme, a cozinha nem se fala, parecia menos apertada que a outra, o balcão americano era maior. Mas então, o fundos, foi de tirar o fôlego, meus olhos se sobressaltaram enquanto meus olhos varriam ao redor. A piscina estava limpa, com a água transparente, e meu sorriso somente se alargou, sentindo a mão de Jimin deslizar pelo meu quadril. A grama era bem verde, em um tom forte, tinha rosas pelo muro, contornando a cerca que separava da outra casa, e também tinha uma árvore, não era grande, mas era tão bonita, eu fiquei completamente boba com a imagem a minha frente.

Eu não sabia como os meses tinham passado depressa, e via como Kang estava para alcançar nove meses. Eu sabia que tinha torrado muito a paciência do casal mais complicado da face da terra, e sabia que nada no mundo faria Nick não se agarrar a mim. Eu via como ela me olhava preocupada, ora ou outra os olhos marejados, assim como Sun, que foi me visitar, que soube de toda a história do colegial, que eu preferi esconder e engolir com água, e logo depois tudo voltou como vômito. Foram dores de cabeça constante, Jimin um pouco irritado por ver que eu não queria me abrir tão fácil, porque no momento que eu senti as mãos de Jin no meu pescoço, em meu corpo, eu me lembrei… me lembrei de quando ele tirou meu vestido, me lembrei de quando ele tocou o meu seio, me lembrei de quando a língua dele se arrastou pelo meu corpo, e eu senti nojo de mim, e me perguntei: por que eu transei com ele naquele bar? Por que eu fiz tudo isso? Por que? Eu definitivamente era uma idiota, nunca realmente havia colocado o pé no freio, parar e pensar em todas essas coisas. Mas então, naquele dia, foi tão fácil botar tudo pra fora, foi fácil demais ficar no colo de Jimin, como uma criancinha, e ser ninada por ele, ouvir ele sussurrar, e cantar, pela primeira vez, no meu ouvido.

Jimin nunca cantava pra mim, e por mais que eu implorasse, ele tinha aquela vergonha, e ficava vermelho e meio emburrado, mas ele sempre cantou para Kang, o segurava e sussurrava aquelas palavras doces, fechava os olhos e dava uns passinhos pelo quarto. Meus olhos sempre ficavam borbulhando, como se tivessem explodindo corações por eles. Mas naquele dia… foi tudo tão delicado, quando ele cantou pra mim, eu não ousei dizer absolutamente nada, mas quando ele terminou, eu o olhei e sussurrei: sua voz é mais bonita de perto. Jimin riu, me beijou e me apertou.

No dia do julgamento, eu não soube realmente como comecei a chorar perto da advogada, e vendo Jimin do outro lado do palanque, os olhos me transpassando coragem, mesmo com Jin me provocando, e com aquela voz, pedindo que eu deslizasse, que eu caísse, mas eu não caí, eu me reergui.

Na noite, eu não havia dito nada, mas Jimin sabia que eu estava acordada quando eu senti Kang e ele atrás de mim, com aquelas duas mãozinhas em meu corpo (a de Jimin e de Kang), não sabia porque, mas mesmo a mão de Jimin sendo pequena, era forte, e boa… demais.

— Oh meu Deus, é tudo tão lindo, Jimin. — Eu falei, andando pela calçada que separava da grama. Tirei minhas sapatilhas, sentindo a calçada quente abaixo de meus pés, quando pisei na grama, descalça, eu sorri e andei pelo gramado enquanto sorria para Kang. Ele olhava, assim como eu, tudo apaixonadamente, com os olhos brilhantes e perdidos, ora ou outra ele encarava a piscina, e eu acho que isso foi o que mais o animou.

— Eu posso ensinar ele a nadar. — Ouvi a voz de Jimin e sorri, meu Deus, ele estava tão bonito com aquela camisa branca, todo solto, e finalmente ele sorria na minha direção, depois de tudo que passamos, eu finalmente estava vendo os riscos no rosto dele, daquele jeito fofo que derretia meu coração e me deixava completamente boba.

— Podemos colocar bóias, o que acha? — Ele soltou um riso.

Jimin sabia que eu estava ficando toda paranóica, e muito protetora com Kang, contanto que a cólica que meu filho teve na semana passada, me deixou de cabelo em pé, ouvir o choro dele, me fez chorar, e Jimin ficou também meio apavorada, ele não disse, mas eu senti. Conseguindo acalmar o pequeno, eu desatei em chorar de novo, porque fiquei completamente idiota em ver como Jimin conseguia fazer tudo com calma com Kang, e eu era lá, a desesperada que chorava junto com o filho.

— E a jogar bola? — Perguntei, me aproximando enquanto sentia o vento bater em minhas costas, bagunçar meu cabelo e fazer meu vestido se esvoaçar.

O olhar dele desceu por todo o meu corpo. Jimin não falou nada, ele ficou parado, com as mãos no bolso da calça esportiva, sorrindo levemente. Não que eu ficasse envergonhada, mas quando ele me olhava daquele jeito, eu ficava desarmada e boba, porque adorava ver ele assim, me encarando, me guardando em sua cabeça.

E então ele finalmente se aproximou, deixando Kang entre nós dois, apertado. Ele ainda observava tudo em mim, e eu tudo nele.

“— O último pau que irei querer em minha vagina, é o seu.”

Eu ainda me lembro do que havia dito a ele no fundos daquela casa, e me lembro como ele me agarrou com força e olhou todo o meu corpo, apertou-me. Sempre foi Jimin, e eu sabia disso no momento que me decepcionei com a fala dele: sabe o que é sexo sem compromisso? Eu havia ficado abalada, e desejei ver ele se foder, então, ele me fodeu. Jimin me encurralou como se eu fosse uma ratinha, ele me puxou, me engoliu, me tomou, mas de uma forma boa e única, e eu jamais senti isso em toda a minha vida.

Com o coração ainda batendo por sentir o vento fresco daquela tarde em nós, eu sorri, abobada. As mãos dele deslizaram pelo meu cabelo, enquanto ele ficava mais perto e grudava nossas testas, uma na outra, a ponta de nossos narizes se raspando devagar e causando um formigamento constante em meus pés. Ele sorriu, me beijando, apenas daquela forma carinhosa, em que apenas parávamos quando Kang resmungava.

— Você é muito empata beijo, filho. — Jimin murmurou e Kang sorriu, ficando bem perto do meu rosto, e me abraçando pelo pescoço. Eu enterrei parcialmente meu rosto no pescocinho de meu filho e aspirei o seu perfume doce para dentro de mim.

Meu noivo me olhava completamente carinhoso, e talvez aliviado que eu tenha melhorado de meses pra cá. Eu realmente tinha me afundado em algo que desconhecia, e a única coisa que gritava em minha cabeça, era que eu tinha que ficar boa logo para ele e Kang, meus amigos e minha mãe, minha família. Não foi muito fácil, as vezes Jimin me olhava com aquela carinha, e eu não sabia o que fazer, então, bem no dia que tirei os pontos, eu melhorei, e então veio toda aquela coisa do tribunal, com Jin me provocando, com a mãe dele querendo me atacar, e Jimin me protegendo. Quando eu vi as costas dele na minha frente, tudo em mim se ligou de novo, e eu tinha pensado nos meses que ficamos um pouco afastados, em que ele só se deitava ao meu lado e me fazia carinho, eu abracei ele pelo braço e pedi que ele me levasse embora, mesmo hesitante por ver a mãe de Jin gritando, ele o fez, me levou para longe.

Jimin estava sendo único, e eu pensei que ele talvez fosse desistir de mim, porque eu me afundava, a cada segundo, eu sentia que iria morrer naquilo, porque não aguentava mais, e até mesmo o meu filho acariciou minha cicatriz e falou, com aqueles olhos grandes, as bochechas meio rosadas e a boquinha molhada pela baba: está tudo bem mamãe. É, estava tudo bem filho, eu sabia que estava, e agradeço por você ser tão carinhoso como seu pai.

Suspirei fundo e deixei que Jimin pegasse Kang no colo, olhando tudo ao redor, como fazemos sempre juntos, entrelacei meus dedos ao do meu noivo e começamos a andar pelo jardim. Era tudo muito extenso, e eu já pensava, em talvez, colocar rosas ao redor, deixar tudo mais vivo e colorido. Sorri com a ideia e olhei para Jimin, que estava com aquele sorrisão.

Ele se afastou de mim, indo para dentro da casa, o que me fez franzir o cenho. Ele estava aprontando, de novo, foi assim que ele me trouxe para a casa nova, que disse que estaria pronta apenas daqui dois meses, devido a isso e aquilo. Jimin me tirou da casa de Nick, enquanto eu comia uma torrada e apenas me mandou colocar uma roupa confortável, e o que me deixou mais confusa, era que minha amiga e o namorado dela, Namjoon, tinham um sorrisão no rosto. E eu fui, toda boba, achando que talvez fossemos ir ao parque, tomar um ar, como sempre faziámos naquela tarde, mas foi o contrário, ele me trouxe para nossa casa. Nossa! Era ainda muito, mas muito surreal. Tudo bem que já tivemos uma… mas essa era tão… uma casa dos sonhos, não podia realmente calcular a felicidade em meu peito.

— Jimin, o que está fazendo?! — Falei alto, andando pelo gramado, e vendo ele passar pelas portas de vidro com o carrinho de Kang, e o nosso filho dentro, com uma carinha emburrada. Ele odiava ficar preso ali.

— Ele não gosta muito. — Jimin deu de ombros. — Mas Kang ainda não sabe nadar. — Sussurrou em um tom de quem ia aprontar.

Franzi o cenho e logo olhei para a piscina, arregalando meus olhos em seguida. E eu até tentei correr dele, para qualquer lugar daquela casa, mas Jimin, rápido e forte, me puxou e me jogou em seu ombro, gargalhei e olhei para o carrinho, vendo já a carinha de Kang mudar para um sorrisão, é, eles adoravam tirar uma casquinha com a minha cara.

— Eu vou te bater, me solta. — Falei alto, e entre risadas, apenas conseguindo ver o gramado, e logo depois a calçada que cercava a piscina. Consegui ter visão de Jimin puxando a calça dele para baixo, e logo depois, desajeitado, ele me colocou no chão, ainda segurando meu braço, e ele apertava com força, para eu não fugir, e era o que eu planejava, antes de ver ele tirando a camisa.

Eu nunca ia perder o tesão por esse homem.

— E eu vou ser jogada de roupa?

Ele assentiu sorrindo, arregalei meus olhos, quando ele me pegou no colo, estilo princesinha, e eu ri, porque aquilo era uma coisa tão boba, mas que deixava meu coração acelerado e com meu rosto meio vermelho. Jimin pegou um impulso com as pernas e antes de se jogar na piscina, eu olhei para o rosto dele. Sorriso, os olhos rasgados, e as bochechas rosadas. Eu o amo mais do que posso imaginar.

Jimin pulou comigo dentro da piscina, e naquele momento eu me senti refrescar, mas não porque eu tinha sido completamente molhada, mas por dentro, eu senti meu coração se refrescar com a sensação dos braços de Jimin ao meu redor, enquanto afundávamos junto dentro da água. Eu olhei nos olhos dele no meio da água e vi seu cabelo balançando e então o beijei, não soube porque ele fez aquilo, mas eu quis chorar no momento que juntei nossos lábios. Eu estava grata, por ele fazer parte de mim, por ser meu, por me amar, por amar Kang, amar minha família, que agora… era nossa.

Jimin apertou minha cintura, e eu ri quando subimos a superfície, empurrei o cabelo molhado dele para trás, vendo sua testa branca. Ri e dei um tapinha no ombro dele, antes de o beijar de novo. Ouvindo um berrinho, olhamos para o lado, vendo Kang sorrindo com aquele ursinho na mão, o que aquele urso tinha tanto? Uma hora eu ia descobrir. Jimin e eu sorrimos um para o outro e nos beijamos de novo, meus pés não tocavam na parte da piscina, pois minhas pernas estavam em torno de Jimin, e meu vestido estava na cintura.

— Melhor sairmos. — Assenti sorrindo.

Nadamos até a borda e saímos, Jimin com mais agilidade que eu e quase rindo quando eu sai toda bamba pela água pesando em meu corpo, eu dei outro tapa nas costas dele, por estar ensopada dos pés a cabeça.

— Como vamos embora agora, Park Jimin? — Falei, com aquele tom falso de briga.

— Quem disse que vamos embora? — Meu sorriso se alargou. Eu olhei com carinho para ele, e droga de sorriso que faz os olhinhos rasgados, eu me apaixonei mais ainda por Jimin naquele exato momento, se é que isso era realmente possível.

Logo depois que eu subi para o andar de cima, vendo o quartinho de Kang, duas vezes maior que o outro, com os brinquedos ganhos em caixas de plástico e transparente, com tampas verdes ou azuis. Estava tudo muito organizado e eu estava completamente feliz. Por que Jimin sempre conseguia organizar tudo? Ser tão… fazer tudo sem mim? Que droga de perfeição é essa?!

Não, o negócio é não ele conseguir ser organizado, é ele fazer tudo e sempre parecer com aquela cara de trânquilo!

Eu não tinha essa proeza sobre mim, não.

Pela tarde, quando eu achei minhas roupas, eu olhei para Jimin e quis bater nele de novo. Organizado, sempre! Coloquei uma calça de malha e uma camiseta branca, fora as minhas roupas íntimas que também estavam ali. Jimin estava na sala, com aquela calça de moletom e uma camiseta branca no corpo, ele sorriu na minha direção ao me ver, e eu tentei fazer a cara de brava, mas foi impossível quando eu vi o sorriso de Kang, todo largo, com as bochechas gordinhas e rosadas.

Eu me sentei no sofá, e no mesmo momento o interfone tocou, Jimin se levantou, entregando Kang em meus braços e indo até a porta, onde ficava o interfone. Ele sorriu na minha direção, e apenas ouvi ele dizer: pode liberar a entrada.

Suspirei fundo, aquele lugar era mais seguro, e bem mais amplo que o outro, o que deixava meu coração aliviado. Logo que me levantei, vi o carro de Nick se estacionando e ela descendo, Nam logo depois, e então o carro de Tae se estacionou atrás do dela, e meu sorriso apenas aumentou quando Jimin abriu a porta e deixou o portão de ferro, com grades, abrir. Sorri meio brava na direção das minhas amigas. Por que elas esconderam isso? Que saco.

Quando elas me abraçaram, eu tive que rir, porque aquele montinho era tudo que eu mais precisava. Eu deixei Kang junto com Hyun-Ah no cercadinho, era estranho, as duas crianças não se olhavam, quero dizer, Kang não olhava para ela, mas sim para mim, completamente indignado por eu ter largado ele ali com ela. Soltei uma risadinha junto com Sun e fomos direto para a cozinha, deixando os três homens na sala, conversando.

— Eu fico chocada em como Jimin consegue ser fofo. — Sun falou com um sorrisinho, ela estava mexendo nos armários, que para minha surpresa, estavam cheios de comida.

— Pois é. — Murmurei com um sorriso bobo.

— Isso é tão estranho. — Nick falou, se inclinando sobre o balcão americano, com as mãos abaixo do queixo. — Esse seu olhar de apaixonada. — Sun se virou também, sorrindo ao pegar uma garrafa de vinho.

— O Tae não tinha proibido vinho? — Perguntei com os braços cruzados.

— E desde quando ele manda em mim? — Sorri mais ainda, vendo ela fazer uma careta para tirar a rolha da boca da garrafa. — Nenhum homem manda em mim. — Sorriu divertida.

— Ah claro, ele só manda em você na cama. — Nick falou, com um sorrisinho. Sun ficou meio vermelha e a xingou baixinho.

— Como se Namjoon não fizesse o mesmo com você. — Eu rebati e Sun caiu na gargalhada.

— Escuta aqui… — Ela bateu o dedo no balcão. — Isso é mentira, eu fico por cima muitas vezes. — Sorriu na minha direção.

— Misericórdia, vocês são duas pervertidas. — Sun falou, enchendo a taça de vinho. Quando ela pegou aquela taça?

— E você uma bêbada, e eu tenho certeza que esse vinho não era para ser aberto. — Nick falou entre risos.

— Tanto faz. — Sun  balançou a mão. E foi quando eu percebi algo diferente na mão direita dela, um anel de prata, que reluzia contra a luz.

— Desde quando você usa anel na mão direita? — Perguntei, e então o sorriso dela se alargou, com seus olhos brilhando.

— Ah, ele me deu semana retrasada, e é tão bonito. — Murmurou daquele jeitinho manhoso. — Eu fui pega de surpresa. — Coçou a nuca, com um sorrisinho. — Eu tinha ido buscar a Hyun na creche, ai quando eu cheguei em casa, dei banho nela, alimentei e fiz ela dormir, quando ele chegou, ele estava super nervosão. — Nick deu uma revirada de olhos e colocou a língua pra fora, como quem ia vomitar com toda aquela fofura. — Aí a gente foi pro quarto, e bem, hum… — Fez gestos com as mãos, eu realmente não consegui me aguentar, comecei a gargalhar com a mão na barriga, com Nick nos observando. — Então ele se virou, e disse que a gente estava a bastante tempo junto, eu juro que ele ia me pedir em casamento, e pensei em até jogar ele pela janela, mas então ele me pediu em namoro, e… nossa… eu fiquei sem ar, mas foi tão fofo o jeito que ele pediu. — Sun estava atrapalhada enquanto tentava explicar, mas era isso, os dois estavam namorando e isso era lindo.

— Você e Nam? — Perguntei, me sentando na banqueta, e então nós duas nos olhamos. Nick coçou os braços e entortou a boca.

— Estamos bem, os meses que você e Jimin ficaram lá… foram sem discussões, apenas preocupações, só sei lá, antes disso era muita discussão. — Deu de ombros, Sun estalou a língua, e nós a olhamos.

— É porque vocês dois ficaram tempo demais longe um do outro, e outra, vocês, antes de serem separados, discordavam com muitas coisas, e vão continuar discordando, é isso que é um casal, Nick. — Sun a tranquilizou, com um sorriso fofo. Eu assenti, com um sorriso.

— Sei lá, eu não consigo ser perfeita igual a vocês duas. — Murmurou, parecendo envergonhada.

— Quem disse que eu sou perfeita? O tanto de vezes que eu já quis quebrar um prato na cabeça de Taehyung… sério, ele faz tudo errado, e as vezes me provoca, eu tenho vontade de matar o seu primo, Woong. — Soltei uma risadinha baixa. — Mas acima disso… a gente... se ama. — Balançou os ombros. — Igual a você e o Nam.

— É… Jimin e eu discutimos muito, até por coisas bobas, como a vez da cadeirinha, ou quando ele não quis lavar a droga da louça antes de dormir, eu e ele discutimos muito, mas a gente se ama mais do que tudo. — Murmurei, meio atrapalhada e Nick sorriu.

— É só… eu sou complicada pra caralho, e eu realmente não sei como o Nam me aguenta, e eu fiquei assim depois de… você sabe.

É… eu sabia, Nick tinha ficado mais sensível com a descoberta de não poder ser mãe. Eu lembro de ter enxugado as lágrimas dela, conversado por telefone e dizer que tudo ficaria bem, e acho que algo nela apenas amenizou, quando Kang nasceu, porque… ele trouxe paz a todos ali, e isso era realmente incrível. Nick também era muito ligada com Hyun-Ah, ela amava muito os sobrinhos, eu sabia disso, e até me fazia sorrir.

[...]

— O casamento não é só seu, Park Jimin. — Eu falei, o seguindo pelo corredor daquela floricultura, eu não sei quantas flores ele já tinha escolhido, e nem sei quantas vezes tentei palpitar ou não bater nele.

— Eu sei. — Eu parei de andar quando um maço de folhas bateu na minha cara, bufei assim que a afastei e continuei o seguindo, logo depois virei o corredor, vendo ele escolher mais algumas com a vendedora.

— Não vai comprar mais nada, chega. — Eu me enfiei na frente. — Eu também sou a noiva, por que não posso escolher? — Perguntei com um bico.

— Porque o seu gosto para flores é péssimo. — Eu abri minha boca, completamente indignada. — Ok, sem ser rosas, me diga flores que você acha bonita. — E então eu fui pega de surpresa.

Cretino. Ele estava completamente certo.

— Tá, mas eu só quero ver as flores, mesmo não sabendo o nome delas. — Fiz manha e então ele sorriu, passando um braço ao meu redor.

A vendedora se aproximou, começando a me mostrar as flores que foram escolhidas, e fora as do buquê, que eu falei que não queria algo exagerado, e seria visto por Nick isso, porque Park Jimin não enfrenta o furacão Nick, né?! Só eu mesmo, só eu pago o pato aqui! Eu suspirei, enquanto ele falava as coisas e eu já começava a sentir saudades de Kang.

A gente não ia se casar depois que ele ficasse maiorzinho? O acordo foi quebrado, e eu estou puta da cara!

E é claro que ele percebeu isso quando eu entrei dentro do carro, porque quando Park Jimin me deixava irritada, eu adorava deixar explícito, mas naquele momento eu estava mais chateada, e não sabia bem o porquê. Tinham se passado mais três meses, e logo Kang completaria um aninho, o que me deixava muito animada em querer fazer uma festinha para ele e com todas as criancinhas.

Estávamos ensinando o nosso filho a andar, porque eu estava meio paranóica em querer largar ele em uma creche, e ele nem mesmo conseguir dizer a palavra “mãe”, e nem “pai”, o que mais me deixou fula ainda, pois Jimin vem com essas merdas de apostas. Eu nem quero adicionar o que ele apostou no meio do que Kang dissesse primeiro. Idiota, ridículo… Cre-ti-no!

— Por que está brava? — Ele perguntou, já sabendo minha resposta. Ah mas eu ia adorar meter uns tapas nessa carinha dele, e ia adorar tirar esse sorrisinho todo conquistador de minha calcinha!

— Porque esse não era o combinado. — Cruzei os braços e ele sorriu.

— Ah qual é, a gente apostou, e aposta é aposta, Woong. — E então eu bufei. Caralho, eu estava com tanta raiva dele que chegava a ser cômico uma coisa dessas.

— Você apostou o meu… — Eu engoli as palavras, indignada demais para tentar terminar. Jimin gargalhou com as mãos no volante.

— Pare de me fazer rir, meus olhos se fecham e eu não consigo enxergar, querida.

Eu parei de franzir o cenho e o olhei meio… risonha. E então comecei a rir mais ainda, e Jimin teve que diminuir a velocidade do carro para rir comigo. Eu cruzei os nossos dedos um no outro, enquanto as nossas risadas se cessavam.

— Não é tão ruim.

— Não é tão ruim porque não é a sua bunda, meu amor. — Jimin gargalhou mais uma vez, com o sinal vermelho a nossa frente, eu enfiei meu dedo dentro da boca dele, o fazendo se engasgar com a risada e morder meu dedo.

Estávamos virando um casal de que iria alcançar os trinta, mas que continuariam como dois adolescentes idiotas.

— Mas-

— Jimin, eu dou tudo pra você, menos a minha bunda. — Exclamei, e isso foi motivo para ele rir mais ainda.

Deus, ele é lindo até rindo desse jeitinho, parece uma criança com esses olhos rasgados e as bochechas rosadas.

— Woong, você não precisa se não quiser, amor. Era só uma brincadeira boba. — Eu sorri, porque se eu ganhasse a aposta, Jimin ia ter que fazer algo pior e ferir sua masculinidade, palavras dele.

— Ah qual é, você não quer levar uns tapinhas? — Ele rolou os olhos e eu ri mais ainda, vendo ele concentrado no trânsito. — Eu sempre levo tapinhas, e você adora quando eu cravo minhas unhas no seu bumbum. — Jimin me olhou com um sorrisinho.

— Ter as suas unhas na minha bunda, é diferente de ficar de quatro e levar palmada, amor. — Eu gargalhei me encostando ao banco e olhando para ele.

— Claro que não, eu sempre fico de quatro pra você.

— Não fica não, geralmente eu te dou umas palmadas quando você fica por cima. — Soltei um sorriso, me lembrando claramente da noite retrasada.

A questão era que: não conseguimos chegar a um acordo, Kang faria um ano, o combinado era que iríamos casar só depois que ele fizesse dois, mas Jimin dizia que queria ver tudo antes, que era melhor deixar as coisas antecipadas do que ficar correndo atrás de tudo e esquentar a cabeça. Óbvio que eu fiquei meio chateada por ele jogar na minha cara que eu não sabia muito sobre flores, já que eu sempre trabalhei mais com prédios e tijolos. Jimin a mesma coisa, mas a questão era que ele ficava com a bunda encostada na cadeira, enquanto eu tinha que ir a locais e às vezes acompanhar projetos.

Sobre meu trabalho, eu voltaria a trabalhar assim que Kang completasse um ano, ou seja, logo, logo, e isso também me deixava muito animada, porque eu fiquei, praticamente, dois anos parada, mais a gestação e o afastamento para cuidar de Kang, eram quase dois anos. Isso mexeu um pouco comigo, e óbvio que teve mais discussões com Jimin, mas acima disso ele me apoiou e respeitou o fato de que eu queria voltar a trabalhar. Não aguentava mais!

— E você não é nada delicado em quesito a palmada. — Ele falou, com o cenho franzido, eu caí de novo na gargalhada. Voltamos para o assunto das palmadas? — Os seus tapas nas minhas costas são provas disso. — Soltei um sorrisinho malicioso.

— Mas a diferença é que na bunda, quando você está com tesão, você quase não sente. — Jimin abriu a boca, completamente indignado.

— Como não sente?

— Eu só sinto depois da transa, Jimin, às vezes uma palmada é mais forte que a outra, e isso causa mais tesão. — E então foi a vez dele soltar um sorrisinho.

— Então você gosta de levar palmadas na bunda?

— Meu Deus, quando o assunto voltou pra mim? — Perguntei entre risadas.

— Quando você falou que palmadas aumentam o tesão. — Ele falou, girando o volante para entrar em outra rua. — Mas você gosta de levar palmadas?

— Jimin, cale a boca. — Eu já estava me engasgando com a saliva do tanto que estava rindo. Eu não estava acreditando nas perguntas dele, e até mesmo fiquei um pouco envergonhada. — Eu gosto… um pouquinho. — Falei, mexendo nos fios de cabelo dele.

Ele soltou outro sorrisinho, dessa vez não dizendo nada, mas eu sabia que a mente dele estava trabalhando perversões, Jimin era feito disso, e eu até ficava um pouco preocupada com o tanto de vezes que transavamos. Às vezes era só uma vez no dia, uma chupada aqui e ali, às vezes duas vezes ao dia, e era um pouco preocupante, mas muito bom. Tive esse certo receio da relação esfriar, e Jimin também, óbvio, porque, tinha dias que discutiámos e nem por nada no mundo eu me entregava a ele, só no outro dia quando minha raiva ficava amena que ele vinha daquele jeitinho todo Park Jimin, todo malicioso e romântico, e eu me entregava, porque meu coração era uma Maria-mole.

Descemos do carro quando ele parou em frente a casa da minha mãe, e assim que vimos ela pela janela, andando com Kang, eu abri um sorriso. Minha mãe estava melhorando, e eu estava bem com isso, mas sabia que uma hora… ela iria embora, ela disse uma vez para que eu me preparasse, porque isso poderia acontecer a qualquer momento, e não é porque ela estava sem o aparelho respiratório que eu deveria me sentir menos preocupada, mas eu estava… apavorada, essa era a palavra certa. Como vou viver em um mundo sem minha mãe? Sem a bronca dela? O seu sorriso acolhedor? Não iria conseguir.

Eu abri a porta e sorri na direção dela, que veio devagar na minha direção e entregou Kang pra mim, ele tinha aquele sorrisão de quem brincou a tarde toda com a vovó e isso me deixou tão feliz.

Quando eu era adolescente e meu pai havia morrido, eu realmente não conseguia aguentar a tristeza dentro de mim, mas houve um dia que eu percebi que não compartilhava essa tristeza sozinha, mas também com minha mãe. Ela havia ficado um pouco depressiva, havia parado de fazer meus lanches para ir para a escola, parado de lavar roupa, e limpar a casa. Estávamos vivendo nas escuras, com as janelas trancadas e as cortinas fechadas. Mas houve um dia que eu me levantei e não quis mais aquilo, eu abri tudo, eu iluminei a nossa casa com o sol das sete da manhã de um sábado, eu fiz café da manhã depois de limpar todo o chão da sala e da cozinha, e quando deixei tudo pronto, eu a tirei do quarto, abri as janelas, dei um banho em minha mãe, coisa que eu achei que nunca o faria. E quando nos sentamos na mesa, ela chorou, mas não porque papai tinha ido embora, porque ela tinha se esquecido do que era viver, assim como eu.

Isso poderia acontecer de novo? Esse sentimento de que eu poderia parar de viver? O sentimento de sentir-me vazia? Eu rezava para que minha mãe ficasse boa e que sempre sorrisse desse jeito. Mas como já havia dito, foi Kang quem trouxe toda essa alegria, quem a motivou a continuar a tomar remédios, em ir ao médico, porque senhora Kim era teimosa, como a filha, mas Kang a amoleceu, e ela fez de tudo para ficar boa, e eu sou completamente grata ao meu filho por ter mudado isso nela.

— Querem tomar um café antes de ir? — Olhei para Jimin, ele sorriu educado e assentiu, deixando sua mão descansar na curva de minha coluna, enquanto eu retirava meus saltos e os deixava na sala.

— Woong, você não muda, né? — Ele falou, e eu sorri. Jimin pegou meus saltos, tirou o sapato dele e colocou na sapateira da entrada. — Você fica deixando os sapatos jogado.

— Você é muito arrumadinho, amor. — Eu murmurei, dando um beijinho naquele bico gigantesco dele, Jimin parecia uma criança desse jeito.

— E você parece uma porquinha. — Soltei um sorriso, atravessando a porta da cozinha e vendo a mesa repleta de cozinha. — Você poderia fazer um café assim, às vezes, né? — Olhei indignada para Jimin, lhe dando um leve tapa no braço, o que gerou uma risadinha dele, e que fez meu estômago revirar, meu coração daquela saltada dentro do peito e eu me senti leve, como não me sentia a tanto tempo.

Eu me sentei a mesa com minha mãe, colocando Kang na cadeirinha que havia comprado, tinha uma em casa também, mas o que eu achava engraçado, era que o meu filho abria a boca para chorar, então não a usávamos muito, em casa, mas na de outras pessoas sim. Kang adorava mais o colo do pai, ficava o dia inteiro sentado na coxa de Jimin e brincando com as bochechas gordas de meu noivo. E tinha também aquele olhar, todo encantado, como se Jimin fosse… o seu herói, e definitivamente, não era só o herói de Kang, era o meu também.

Fiquei amassando algumas coisinhas para colocar na boca de Kang, com medo que ele pudesse se engasgar, e mais uma vez minha mãe me lembrou que ele tinha que conhecer o sabor e eu deveria parar de ser tão… paranóica. Ata bom, ela era pior, não é atoa que eu só comecei a aprender a andar com quase dois anos. Kang fez uma careta com o limão que Jimin o deu e cuspiu, praticamente, na mão de Jimin, soltei uma gargalhada junto com minha mãe.

Mais pelas oito, quando já estava anoitecendo, minha mãe começou a ficar cansada pelo remédio que tomou, e eu a levei ao quarto, deitei ela na cama. Me trazendo para perto, ela pediu para dar um beijo na testa de Kang antes de dormir, e eu atendi seu pedido, mas não foi só Kang que ganhou beijo, foi Jimin também.

— Obrigada por cuidar de minha filha, Jimin. — Ele piscou algumas vezes, engolindo em seco enquanto recebia um carinho de minha mãe. Apertei minhas mãos uma na outra, sentindo meus olhos molharem ao ver o sorriso dela. — Obrigada por ser o homem da vida dela, e por… ter feito isso tudo por ela. — E finalmente eu vi o rosto dele começar a molhar, assim como o meu.

Kang pareceu desesperado com os adultos chorando dentro daquele quarto, e a primeira coisa que ele fez, foi acariciar a bochecha da avó. E ali não me restou dúvidas. Kang seria o homem mais carinhoso da face da terra, e a pessoa que tivesse o amor dele, independente de quem fosse, Jimin e eu, uma garota, ou um garoto, teria sorte, teria muita sorte.

Quando minha mãe finalmente dormiu em um sono pesado, eu e Jimin saímos do quarto, conversamos com a enfermeira que cuidava dela e garantimos que ela ficasse boa a noite toda. Ainda estava me sentindo meio insegura, mas muito feliz por ela progredir a cada dia. Dentro do carro, eu olhava pela janela e pensava em como havia começado minha história com Jimin.

— Lembra quando eu te chamei de desgraça? — Ele franziu o cenho, trocando a marcha e continuando a dirigir, com o olhar confuso e um sorrisinho surgindo devagar em seu rosto.

— Na empresa?

— Você sabe quando, Jimin. — Soltei uma risada soprada. — Foi no dia que eu tive uma discussão com Jin, ele havia falado coisas de Nick, e eu saí irritada do café, e então, você apareceu, e meu dia parecia ter piorado, mas na verdade… ele havia ficado mais interessante. — Dei de ombros, meio tímida por aquela confissão boba e que fez ele rir.

— Sempre fui interessante.

— Cale a boca. — Falei rindo de seu jeito bobo e convincente. — Obrigada por ter tentado roubar o meu táxi naquele dia desastroso, e obrigada por ter tornado o meu dia melhor, minha vida melhor, Jimin. — Eu alisei o braço dele, bem devagar, sentindo seus músculos retesarem. Maneando a cabeça devagar, ele puxou o ar, parecendo evitar o choro e sorrindo mais ainda.

— Oh, você e sua mãe tem o dom de fazer as pessoas chorarem facilmente, amor. — Soltei outra risada, essa junto do meu sorriso, que acompanhava as lágrimas, de felicidade, é, com certeza lágrimas de felicidade.

[...]

Engoli em seco, foram mais de uma vez, ou três vezes? Eu não lembro, minha cabeça estava girando em torno daquela cruz vermelha presa contra a parede enquanto eu corria desesperada por aquele corredor e me lembrava das palavras do médico: eles estão na ala pediátrica. Meu cabelo estava vindo diversas vezes no meu rosto, e grudava pelas lágrimas grossas e salgadas que rolavam, não conseguia encaixar muito bem, mas estava completamente desperada.

Meu salto, em um momento, virou e eu torci meu pé, fui contra a parede e cai de bunda no chão, mas não senti a dor, eu me levantei, e voltei a correr enquanto lembrava da voz de Jimin no telefone: ele estava ardendo em febre, estou no hospital com ele, por favor, venha. E eu fui, eu entrei dentro do carro que havia comprado a pouco tempo, e mesmo não dirigindo muito bem, a anos não pegando em um volante, eu fui, desesperada e com aquela chuva caindo, tudo piorava. Eu não deveria ter saído com Nick, foi um erro, eu deveria saber que essa dor no peito não era qualquer coisa, não era uma gripe, era o sexto sentido de mãe, aquele que a minha mãe havia falado, eu senti, dentro de mim, que Kang precisava de mim.

Corri contra os degraus, com os saltos na mão e me sentindo mais ensopada, não pelas gotas de chuva que caíram contra o meu corpo, mas pelo peso do mundo estar caindo contra minhas costas naquele exato momento, e a cada passo que eu dava, era como se eu não pudesse alcançar o meu filho, eu me sentia mais desgastada e eu chorava compulsivamente.

Eu não vi Jimin em nenhum corredor, olhei em todos, então comecei a bater em porta em porta, começando a me desesperar.

Meu filho.

Onde está o meu filho.

Meu coração começou a apertar dentro do peito enquanto o nome dele saia diversas vezes de dentro da minha boca. Minhas mãos tremiam e eu estava começando a ficar mais desesperada. Tentei engolir minha saliva e ela pareceu rasgar minha garganta até alcançar meu coração, como se fosse uma faca, me rasgando devagar. Aquela sensação não passava e eu comecei a chorar mais ainda.

O meu filho.

O meu bebêzinho.

Ele é apenas um bebêzinho.

— Jimin. — Eu murmurei o nome do meu homem, bem devagar enquanto eu empurrei a porta fortemente.

Ele estava ao lado do médico, onde Kang chorava alto, muito alto, as pernas se remexiam, e o rosto estava vermelho. Eu arregalei meus olhos e mesmo sabendo que Jimin fez o possível, eu não me importei com o meu nome saindo da boca dele, eu vi o meu filho me olhar nos olhos e pedir por socorro, e naquele momento foi o que eu dei a ele.

— O que ele tem? — Apertei a mãozinha de Kang, o consultório estava um gelo, e a temperatura de Kang estava alta, e aquilo começou a me deixar amedrontada. — Por que ele está sem roupa? Por que você está o olhando como se tivesse virão raio-x? — Olhei para o médico, tirando meu casaco que estava meio seco e embolando meu filho.

— Woong.

— Por que simplesmente não faz nada? Apenas o olha como se ele fosse sarar? Acha que isso é ser médico? Ah pode acreditar que não é! — Eu gritei, apertando Kang, que chorava mais baixo, mas ainda sim engasgado, e eu sentia, contra meu pescoço, a testa dele, muito quente.

O meu bebêzinho, ele estava doente e eu era um péssima mãe.

As lágrimas voltaram a cair enquanto eu apertava Kang em meus braços e acariciava seu bumbumzinho coberto apenas pela fralda.

— É na garganta, Senhora Park. Vou pedir que o deite na maca e farei mais alguns testes, ok? — Eu olhei para Jimin, e neguei. Não, ele ia deitar ali? Era frio demais, Kang sentia frio ali. E um pouco na incerteza, eu olhei para o meu noivo de novo e deitei meu filho ali, dessa vez fiquei perto, segurei sua mão enquanto o médico abria a boca dele e avaliava sua garganta. Kang começou a chorar de novo e apertou meu dedão com tanta força.

Alisei os fios ralos na cabecinha dele e derramei algumas lágrimas, enquanto ele relaxava com o meu toque, seus olhinhos estavam apertados e ele fungava após a retirada do palito de sua boca.

— Vocês o trouxeram para a vacina? — Olhei para Jimin e neguei rápido demais, pegando as roupinhas de Kang e o começando a embalar, bem devagarzinho enquanto ele olhava nos meus olhos.

Kang sempre tinha um olhar diferente, para tudo, e naquele momento foi: eu fui forte, mãe, relaxa. Não filho, eu não vou relaxar e você vai ter que aguentar a sua mãe paranóica.

O médico explicou sobre a vacina contra H1N1, e quando eu vi a agulha, eu simplesmente me desesperei e olhei para o bracinho de Kang.

— Não, você não vai furar o meu filho. — Eu apertei ele contra os meus braços, segurando ele com meu casaco e o mantendo aquecido.

— Senhora…

— Não, olha o tamanho dessa coisa, ele é só um bebê! — Kang apertou meu cabelo e acariciou por trás de minha orelha, com cuidado, porque ele sabia que ali tinha brincos e que se puxasse… ele poderia se machucar com a ponta!

Respirei fundo e Jimin bufou.

— Ele vai tomar, ele tem que se previnir, crianças da idade dele pegam gripes facilmente, Woong. — Respirei fundo, não, não, e não! Continuei negando e me afastando quando vi que eu havia estourado a paciência de Jimin. Ele simplesmente pegou Kang em meus braços e falou que era o pai, e que ponto, Kang ia tomar a vacina.

— Olha pro papai, garotão. — Kang o olhou, parecia meio chateado, e intercalou o olhar entre nós dois. Eu virei meu rosto, com uma careta de choro.

— Ele está com febre, isso vai interferir, ou aumentar algo? — O médico negou.

— Fiz uma massagem nele, senhora, e ele irá ficar bem, na idade dele é normal que comecem a sentir dores do tipo, e acredite, quando ele crescer vai se aprofundar, e o corpo dele vai responder contra isso com mais força. Ele é um garoto saudável. — Olhou para Kang e mandou uma piscadinha, meu filho sorriu fofo e educado na direção do médico, parecendo melhor.

A vermelhidão tinha diminuido bastante, ele já nem chorava, mas quando o médico furou ele, sua boca se abriu em surpresa e ele ficou chocado com a enganação de Jimin. Eu quis socar tanto o meu noivo naquele momento, eu fiquei puta demais para saber o que fazer com ele. Minhas mãos se fecharam, e quando tudo acabou, eu peguei Kang no colo.

O médico continuou dizendo algo, mas eu apenas saí, eu saí porque não aguentava mais hospitais, estava sendo sufocante. Eu acompanhei o meu pai morrer em um lugar assim, eu quase vi Nick morrer em um lugar assim, Sun também quase morreu, minha mãe...  eu vim para um lugar assim com a minha testa rachada, e pode acreditar no meu nível de drama, eu achei que ia morrer! Não pelo corte na testa, mas porque eu fiquei completamente… irreversível por semanas, e a cada visita, no hospital, para ver o corte, eu me sentia mal.

Eu ajeitei Kang na cadeirinha, enquanto tremia e tentava encaixar o cinto. Ele me olhou curioso, sem saber o que fazer porque eu chorava compulsivamente.

— Merda. — Murmurei devagarzinho.

— Ma.

Eu parei o que fazia e franzi o cenho.

— O que você falou? — Eu olhei para ele, querendo que ele repetisse apenas aquelas duas letras em uma única palavra. Kang soltou uma risadinha enquanto agarrava seu urso, eu sorri, e acariciei sua bochecha. — Você sabe que a mamãe te ama né filho? E que eu nunca deixaria alguém machucar você, né? E que eu sempre vou fazer de tudo para ver você bem. Você sabe disso, né? — Ele franziu o cenho e eu funguei. Kang segurou minha mão que estava no suporte da cadeirinha e sorriu de novo. Aquele sorriso gengiva que aquecia meu coração, e a certeza de seu olhar dizendo: eu sei disso tudo, mãe.

Ele sabia disso e muito mais.

[...]

Kang não estava suportando! Ele fazia a mesma cara de bunda que Jimin, quando algum parente, ou marido de sua prima, vinha lhe dizer algo. E eles falavam a mesma coisa: meu filho já teve essa idade, foi complicado, mas você aguenta. Aguenta? Oh Jimin estava praticamente me ensinando a ser uma boa mãe, ele estava aguentando muito bem. Quanto a mim, ouvia suas tias dizerem que eu deveria dar irmãos a Kang, que ele não poderia viver sempre sozinho. A questão é que ele tinha uma irmã, e ela estava do outro lado da sala, andando meio torto, com Tae colado perto dela e sorrindo todo bobo por ter ouvido ela dizer “ap”, para Taehyung aquilo queria dizer pai, mas eu duvidava muito disso, pois Hyun ria cada vez que meu primo dizia isso, e se vangloriava, deixando Sun meio emburradinha.

— Ah qual é filho, você falou mamãe aquele dia, pode dizer de novo? — Ele me olhou emburrado, com o chapéuzinho encaixado em sua cabeça, eu soube que: ele odiava festas. Kang odiava ter atenção de muitas pessoas que nem conhecia direito, ele gostava sim da turminha do colegial. Dos tios babões, e das tias, e também de Hyun, que havia pego o urso dele algumas vezes e o fez chorar. Mas toda essa coisa de parentes distantes, ele odiava, e via isso em seus olhos a cada tia de Jimin, ou prima, que tentava pegar ele no colo. Kang simplesmente se grudava ao meu corpo e não ia de jeito nenhum com mais ninguém.

— Ma.

Eu sorri largo mais ainda, ele apenas dizia aquilo como se tivesse vergonha de admitir que havia dito “mãe” primeiro. Soltei um sorriso, apertando ele e escondendo aquele segredozinho entre nós dois. Também sentia que Kang seria um homem de poucas palavras, que iria sempre dizer o necessário.

— Olha o que você ganhou da vovó Park. — Kang olhou para o carrinho de bombeiro e fez uma careta. — Ok, e esse da vovó Kim. — Mostrou um conjuntinho de peças, parecia ser para montar torres. Kang levantou a sobrancelha, como quem dissesse: ainda prefiro o meu urso marrom, que está no andar de cima e eu não posso simplesmente dormir!

Eu estava rindo da indignação dele. Kang me lançou um olhar mortal e eu sorri, sussurrando desculpas. Ele se ajeitou de novo contra meu peito e ficou quietinho daquela maneira, todo babão, remexendo em minha blusa, enquanto eu dava leves tapinhas em seu bumbum e sentia que ele estava ficando mais relaxado com toda aquela muvuca.

— Oh meu Deus! Eu falei que a gente ia chegar atraso, Min Yoongi. — Eu olhei para cima e vi Lana, namorada de Woong, e conhecidentemente, prima de Jimin. Ela sorriu, trazendo três sacolas enormes, o que me fez rir enquanto ela empurrava os parentes e ficava a minha frente. — E ai garotão. — Ela segurou o rostinho de Kang com delicadeza, beijando a testinha dele e manchando com o batom vermelho. Meu filho a mediu e abriu um sorrisinho educado, mas eu sabia que ele apenas queria tirar a soneca da tarde agarrado ao urso, a sua mantinha verde, com o quarto todo escuro, a luminária de carrinho acesa e a música de piano ao fundo. — Poxa, você é muito rabugento, mas eu venho dizer que eu gosto muito desses tipos de garoto. — Ela olhou para Yoongi, que chutou a sacola para o lado e me olhou com tédio.

— Eu sei que você também queria estar dormindo, Yoongi. — Falei e ele franziu o cenho, direcionei meus olhos para Kang, que tombou a cabeça contra meu seio.

— Você também garotão? Talvez a gente possa dar um pulo de três horas e meia no seu berço. — Kang abriu um sorrisão para Yoongi e eu fiquei chocada. Aqueles dois se entendiam muito bem. — Eu poderia dormir no berço dele, né? — Gargalhei alisando a cabecinha de Kang.

— É muito pequeno e você é pesado. — Yoongi arregalou os olhos com a fala da namorada.

— Ah com licença, eu sou um palito, Lana. — Ela soltou uma risadinha e beijou a bochecha dele, a manchando de batom vermelho

Olhei para Jimin que estava com uma cara nada boa, ele conversava com alguns tios, um meu, que era irmão de meu pai, e o dele. Eu me aproximei, pedindo licença a Yoongi e sua namorada, quando estive perto o suficiente, Kang esticou todo o corpo na direção do pai e meu homem o acolheu no corpo, com um sorriso enorme.

— Sobre o que falavam? — Perguntei, alisando o ombro de Jimin, que parecia muito tenso.

— Sobre o futuro. — Meu tio falou sorrindo, e Jimin apenas lançou um sorriso simpático, mas nada discreto.

—  O futuro?

— É, sabe, Kang poderia começar com aulas de futebol junto com o seu primo, e também-

— Ah desculpa, como é que é?  — Soltei uma risada, e depois vi o tio de Jimin me olhar meio risonho. — Tio, com toda a educação do mundo, eu digo que o meu filho vai escolher o que ele quiser, quando ele estiver grande o suficiente para isso, então, lamento, ele com certeza vai curtir mais um piano do que uma bola de futebol. — Entrelacei meus dedos ao de Jimin e sorri por sentir que ele estava relaxado.

Jimin não gostava que se metessem em nossa vida, principalmente quando o assunto era inteiramente sobre Kang. Ele tem a mente aberta, Jimin não é do tipo controlador, ele é mais do tipo liberal, sempre vendo o melhor para Kang, o que nosso filho gosta ou não, respeitando, e creio que não será tão difícil o educar. Era nítido, até mesmo agora, o que Kang amava, a música, o jeito que ele ficava concentrado, não admirando uma mulher tocar piano, ele se interessava pelos sons emitidos, ele se concentrava, as vezes eu o pegava de olhos fechados e o via sorrir.

Quando a festa acabou, eu e Jimin limpamos tudo, com a ajuda de nossos amigos, que claro, sempre ficam no final para conversarmos. Colocamos as crianças para dormir e nos sentamos na sala, Nick e Nam em um sofá, na ponta, Taehyung se sentou no chão, relaxando contra as pernas de Sun, ganhando um carinho no topo da cabeça, quanto a Hobi e Jungkook, eles apenas se jogaram no chão, como se tivessem acabado de vir da guerra.

— Você, deveria nos pagar por arrumar sua casa. — Soltei uma risada para a fala de Hoseok, e em seguida ataquei uma almofada nele.

— Você, deveria fazer de boa vontade, é meu amigo.

— Você, quis dizer escravo, né? — Dessa vez todos gargalharam com sua fala boba.

— Hoseok, pelo amor de Deus, a única pessoa que escraviza aqui é você. — Nick falou, tomando a garrafa de vinho da mão de Sun e balançando o dedo em negação.

— Eu? De onde você tirou isso, querida? — Nick riu, o querida soou completamente sarcástico.

— Você fazia a gente carregar os seus livros porque dizia que ia ficar com calos nos dedos. — Ela soprou em risada, enquanto Namjoon passava o braço ao redor dela e ria do jeito engraçado de Nick.

— É verdade. — Jungkook afirmou. — Você diz que não pode lavar a louça porque sua unha vai ficar mole e cair, isso é pra se aproveitar? Porque eu realmente acreditei. — O acastanhado afirmou e eu caí na gargalhada, me contorcendo contra o peito de Jimin.

— Você acreditou? É sério? — Sun estava com a cara murcha por ter levado um tapinha na mão. Ela estava em dieta, bom, eu também, a diferença é que meu noivo não é um X9, e Tae é, e quando Nick soube que nossa amiga estava saindo da dieta, ela ficou puta.

— Eu acredito em qualquer coisa que ele fale, Sun. E nem venham me culpar. — Gesticulou com a mão e eu ri, ou ao menos tentei parar de rir.

— Cacete, e eu achando que a Woong era a única burra, aqui. — Meus olhos saltaram e dessa vez a almofada foi na cara de Nick.

Ela se contorceu nos braços de Namjoon e riu de novo. Minha sobrancelha se levantou e eu respirei fundo.

— Eu não sou burra, e você também sempre fazia os agrados de Hoseok.

— O último agrado que eu fiz a ele, foi derrubar ele em uma aula de boxe, fora isso, nenhum. — Hoseok rolou seus olhos castanhos e arrumou o cabelo.

— Em minha defesa, eu estava muito cansado naquele dia.

— Você fica cansado todos os dias, essa garota que é ligada nos 220. — Namjoon falou, e Nick o esbofetou no peito.

A conversa foi se prolongando enquanto lembramos do colegial, de Jimin falando sobre algumas coisas que ocorriam e em como ele era o bad boyzão, e com toda a certeza do mundo, eu não teria namorado o Jimin mais novo. Esse de agora parecia muito mais maduro, bem mais sério e responsável, quanto ao mais novo, ele disse que era idiota, asqueroso, e imaturo. Jimin havia passado por muita coisa quando mais novo, mas além disso, ele assume que errou, e eu acho que essa é a coisa mais bonita que ele já disse a todos os nossos amigos.

As risadas não se cessavam, não paramos de rir até Hyun acordar chorando e Taehyung dizer que, talvez, ela quisesse o berço dela. Eu olhei para meu primo, e não via mais o garotinho novo que me perguntou para que servia camisinha. É, ele já me perguntou sobre essas coisas, e eu nem soube onde enfiar minha cara. Taehyung parecia um homem quando desceu a escada com Hyun nos braços, arrumando o cobertor ao redor do corpinho dela e sussurrando algumas coisas. Ele parecia… como um pai. Como Jimin. Isso me fez ter orgulho da pestinha que eu cuidava, a peste que eu ensinei matemática e falei sobre camisinha.

Quando me despedi, eu pedi que tivessem cuidado do caminho até em casa, o mesmo para os meus outros amigos. Quando fomos para o quarto, não sem antes tomar um banho para relaxar, eu tive um certo… sei lá, não soube o que sentir quando olhei para Kang dormindo. Talvez fosse paz, ou algo a mais explodindo dentro do meu coração.

— Já liguei o alarme, lavei a louça e… O que foi? — Jimin perguntou me abraçando por trás, suas mãos deslizaram pela minha barriga e ele apertou meu quadril contra o seu.

Fechei meus olhos, apenas sentindo sua força ao meu redor. Eu não estava fraca, mas sentia que precisava de Jimin para sobreviver. Não era uma coisa absurda, e nem como uma necessidade, mas era porque eu o amava demais, porque o amor de Jimin me fez lutar contra qualquer coisa que se desabou contra o meu corpo, que antes, estava completamente frágil.

— O casamento está marcado para…

— Daqui oito meses e duas semanas. — Ele riu do meu jeito ansioso e eu apertei seus dedos com mais força, me encolhi de um jeito que Jimin sabia que era para me apertar mais.

— A gente… pode… casar antes. — Olhei para ele e sorri. Jimin se encostou ao batente da porta do quarto e engoliu em seco, ele olhou no fundo dos meus olhos, que estavam marejados, com nossos dedos meio embolados. — Você sabe que é a única coisa que eu mais quero, no mundo, Jimin. — Minha cabeça se movimentou por conta do nervosismo e ele sorriu, piscando diversas vezes com suas sobrancelhas levantadas.

— Vo-Você… vo… comi-migo? — Eu ri ao me aproximar e o beijar.

— É, com você, gaguinho. — Jimin sorriu trêmulo.

— Quando?

— Sua agenda está livre para o mês que vem? — Jimin mordeu o lábio e me puxou para mais perto, sua mão se arrastando devagar por toda a minha coluna enquanto pressionava seus dedos em minha carne.

— Você quer que seja antes? — Assenti mordendo meu lábio.

— Quero que seja com você. — Sussurrei baixinho e o abracei, ficando na ponta dos pés. — Eu prometo te fazer o homem mais feliz do mundo, amor.

— Ai que mora o problema. — Franzi o cenho e me afastei para olhar ele. — Você já está me fazendo sentir o homem mais feliz do mundo, Jagiya.

E o meu sorriso apenas se alargou, quando eu fiquei na ponta dos pés e o beijei com todo o carinho do mundo.

[...]

— Eu vou me engasgar. — Falei, enquanto Hoseok me autoventilava.

Andei de um lado pro outro, segurando na barra do vestido para não sujar. Coloquei a mão em meu peito e minha mãe disse meu nome, mas eu continuei tentando respirar com o vestido apertando-me.

— Você já contou pra ele?

Eu arregalei meus olhos e quase ataquei o vaso na direção de Nick. É, eu estava ficando muito boa em atacar coisas.

— Não.

Hoseok riu baixo com a minha mãe.

— Você tem certeza, Woong? Pode ser só ansiedade porque você vai se casar hoje. — Praticamente rosnei, querendo chacoalhar meu amigo. Passei a mão por meu pescoço, já que meu rosto estava preenchido por maquiagem, meu cabelo preso em diversas ondas, com grampos em minha cabeça, formando um penteado, tipo século XVIII, onde as mulheres o prendiam.

— Eu fiz o teste… tem três semanas, Hoseok.

Ele então abriu os lábios.

— Como você só conta isso agora?! — Nick teve um ataque.

— Eu queria surpreender todo mundo, mas não vai dar certo, são… oh meu Deus, eu vou morrer. — Coloquei a mão no peito, tentando respirar de novo.

— Você foi no médico? — Assenti.

— Ela disse que dava para ver a formação, o comecinho do bebê. — Hoseok assentiu e eu engoli em seco.

— Ok, senta.

Nick falou com aquela voz mandona, e eu, totalmente fragilizada. Eu já estava assim tinha semanas, mas não me importei, porque na minha cabeça o que eu planejava sairia como os conformes, mas três dias antes do casamento, eu preferi ir ao médico e descobrir se realmente estava grávida, ou se era alguma pira minha. E adivinha só, eu não estava grávida de UM bebê, e sim… DE DOIS. Eu estava esperando gêmeos. Gê-me-os.

Eu fiquei meio encabulada, pensando se poderia ser gravidez psicológico por estar pensando muito nisso, e quando fui ao médico, por ter feito um teste de farmácia, que eu não confiei muito… Tá, a primeira vez foi com um, mas eu só tive certeza porque comecei a vomitar, passar mal, etc. Nesse, eu não passei tão mal, não fiquei com a dúvida, eu comprei, eu fiz, apareceu os dois palitinhos. Fui no médico e fomos lá ver o bebê, e não era só o BEBÊ, eram OS BEBÊS!

Apavorada, é, eu estava completamente apavorada!

E se Jimin não gostasse da ideia de ter gêmeos, e se ele me largasse bem no altar? Oh meu Deus, isso… oh meu Deus!

— O que você planeja? —  Nick perguntou com calma, alisando meus joelhos. A luva cor de rosa dela fez cócegas em minha mão, mas não me importei e senti meus olhos molharem. — Woong, respira fundo, e me diga o que você planeja. — Olhei nos olhos esverdeados de minha amiga e respirei fundo.

— Eu planejava contar quando todos estivessem no jardim, ouvindo a música de fundo da banda. — Soltei devagar, com a respiração meio presa. — Ai pensei em interromper, e contar na frente de todos, mas agora… Nick, eu estou apavorada, não é só um bebê, são dois. — Ela soltou um sorriso.

— E está tudo bem com isso, Jimin vai os amar mais ainda, e você sabe como ele é com crianças, ele ama. Você já viu como ele fica quando você fala sobre ter uma menininha, já pensou se forem duas menininhas? — Soltei um sorriso fraco. — Independente de gêmeos, ou trigêmeos, Jimin irá os amar, e irá amar você mais ainda, porque você é a mulher que ele ama, a mulher que irá carregar os filhos dele. — Ela alisou minha cintura, passando a mão em minha barriga e sorrindo.

— Vai?

— Até parece que você não conhece o homem que tem. — Hoseok falou com um sorriso largo. — Ele te ama, Woong. Olha pro cara, ele topa qualquer coisa que saia de dentro da sua boca. — Soltei um sorriso, um pouco menos amedrontada.

— Você consegue, minha filha. — Minha mãe apertou meus ombros, e eu sorri segurando a mão dela sobre o direito.

Eram os nossos gêmeos dentro de mim. É, os nossos bebês.

Nick suspirou, se levantando e abanando o rosto, ela sorriu largo na minha direção. Eu sabia que ela também já amava os sobrinhos mais do que tudo. Eu me levantei, olhando para o espelho e esperando que Sun trouxesse o véu que eu usaria. Quando ela apareceu, Hoseok resumiu rápido porque eu estava estranha e o grito que ela soltou fez Taehyung abrir a porta, eu a olhei, e esperei que ela contornasse, era surpresa para ele também.

— Ela está tão linda! — Berrou, puxando Taehyung pela mão, que riu e apenas assentiu.

— Você também está, amor. Eu preciso ir, Jimin está nervosão.

Engoli em seco.

Se ele estava nervosos agora… imagina quando souber dos gêmeos.

Sorri vendo ele dar um beijo rápido em Sun e falar que todos ali estavam um arraso.

Sun me abraçou com força, alisando minha barriga, fazendo tipo cócegas que me fez gargalhar e esquecer das lágrimas. Prendendo o véu em meu cabelo, com todo o cuidado, Nick arrumou meu vestido e puxou a barra para trás, e eu suspirei fundo.

Era o meu casamento. O meu dia com Jimin.

Soltei um sorriso, alisando minha barriga enquanto me olhava no espelho, me sentindo a mulher mais bonita, e a mais feliz, do mundo todo.

Tudo tinha começado de forma errada, amor. Mas então demos um jeito, você deu um jeito, me colocou nos trilhos, e me amou, mais do que tudo nessa vida, mas não mais do que nosso amor por Kang.

Tinha sido chamada, e então minha entrada naquele jardim, naquela casa de campo, alugada em nome de Jimin, era nossa por aquele dia, apenas para o nosso casamento. Ele ia se desdobrar em oito meses, para me agradar, no dia que eu falei no colo dele, dizendo que queria casar no jardim, então ele conseguiu um lugar melhor ainda. Jimin deu o cheque de sei lá quanto a Nick, e como ver a noiva antes do casamento dava “azar”, ele preferiu apenas me deixar nas mãos dela, porque ele confiava em Nick.

Ela ficou surpresa com esse negócio do vestido, do cheque, mas apenas concordou e me levou na melhor loja de Seul, pagou, e o vestido era lindo. Ele não era exagerado, mas era simplesmente… de tirar o fôlego. No busto tinha pedrarias, tinha gola de renda, e os braços também, eu estava completamente fechada, com jóias na orelha e em minha cabeça. O prendedor era de… diamantes, e meu Deus, a família de Jimin era maluca, a mãe dele mais ainda por ter me dado isso. Eu fiquei surpresa e me engasguei com chá que tomava com ela, mas ela apenas disse que tinha se casado com aquele prendedor, e ficaria muito feliz se eu usasse. Em meu pescoço, um colar de minha mãe, que ela disse que meu pai havia dado a ela, e eu chorei, porque aquela era a coisa mais preciosa que meu pai havia dado a minha mãe quando casaram antes de me terem, era de ouro, uma flor, no meio dela, um diamante bem pequeno. Como diz Hoseok: eu estava um arraso.

Sun e Nick me ajudaram, enquanto o pai de Jimin me esperava. Eu sei que meu tio queria isso, mas… quando contei a minha família, ao resto dela, sobre a verdade de Kang e Jimin, eles não ficaram muito felizes, não aceitaram-me como o pai de Jimin aceitou. Aquilo, de certa forma, me magoou, e não que eu quisesse fazer algo para o magoar, mas eu queria entrar dentro daquele cercado, olhando nos olhos de Jimin, sabendo que a família do homem que amo, me aceitou.

— Uau. — Ele falou com um sorriso, enquanto Nick, Sun e Hoseok davam a volta e esperavam-me no altar com Jimin.

Como eu pedi, eu não queria que entrassem comigo, e sim depois de mim. Olhei pela janela e vi que Nick passava a mão por baixo do olho, e do outro lado, Nam ria do jeito dela. Sun não se poupava, ela chorava um pouquinho, enquanto Tae fazia uns sinais com a mão. Nos bancos, minha mãe sentará ao lado de minha sogra, que segurava Hyun no colo, e do lado de minha sogra, Kang, em uma cadeirinha, porque ele estava emburrado com aquele terninho e não queria ir no colo de ninguém.

— Eu estou nervosa. — Murmurei tentando não chorar, não queria borrar a maquiagem.

— Respirei fundo, ele está ali, te esperando. — Soltei um sorriso.

— Senhor Park, eu quero agradecer… — Ele soltou um sorriso, segurando minha mão, enquanto eu me preparava para atravessar aquela porta e enfim me entregar a Jimin. — Por ter me recebido em sua família, de braços abertos, de mente aberta, por ser um avô… excelente com Kang, por ser como um pai pra mim, eu quero agradecer por tudo que tem feito. — Ele limpou a lágrima que escorregou devagar por minha bochecha e sorriu mais ainda.

— Eu que agradeço por você ter dado uma família a Jimin, e por amar tanto ele. — Soltei um sorriso, suspirando e me acalmando com aquilo.

As portas se abriram, com minha cabeça levantada, quando Jimin me viu, a boca dele se abriu e ele parou de mexer na gravata borboleta. Ele piscou algumas vezes com seus olhos rasgados aumentando, e estavam brilhantes. Jimin estava chorando. E eu não suportei, deixando algumas lágrimas caírem enquanto apenas o encarava e apertava o buquê em minhas mãos. Meu coração começou a acelerar quando eu dei o primeiro passo e vi ele se remexer no lugar. As lágrimas de Jimin finalmente caíram enquanto ele me encarava de baixo pra cima, ele estava me guardando na cabeça, como eu o guardava naquele momento tão único.

Naquele momento, nada no mundo parecia existir, apenas ele, os olhos dele em mim. Eu apertei o braço do pai dele, enquanto continuava andando e com medo de tropeçar, mas ele me segurava firmemente e sorri para os fotógrafos.

Meu corpo inteiro tremeu quando minha mão deslizou devagar pelos dedos de Jimin e eu entreguei meu buquê a Nick, que sorria com seus olhos esverdeados, e brilhantes em minha direção. Ele apertou meus dedos com força enquanto eu ficava de joelhos, junto dele, em frente ao palco.

Quando tudo ficou em silêncio, eu ouvi o que menos esperei:

Ma!

A voz de Kang se sobressaltou e eu e Jimin o olhamos. Aquele “ma”, que era de mamãe, era segredo meu e de Kang, porque eu não queria que Jimin se sentisse mal em saber que Kang falou “mamãe” primeiro.

Eu apertei meus lábios quando Jimin me olhou surpreso e eu sorri na direção dele, não tão surpresa assim. Mas Kang não parou de berrar e eu olhei para minha mãe, pedindo que o trouxesse até nós dois. Jimin riu de toda a minha preocupação, e nos braços de meu homem, ele se acalmou.

Os olhos de Kang brilharam e eu sorri, com ele olhando para mim de baixo para cima, como seu pai, e sorriu com a chupetinha na boca: você está linda mãe. E eu sorri na direção dele. Segurei na mãozinha do meu filho e então o padre, perguntando se poderia começar, com um sorriso simpático, assentimos com sorrisos. Jimin me olhou todo fofo e apaixonado, e eu esperava que o fotógrafo tivesse pegado aquele momento que nós dois olhamos um para o outro e sorrimos.

Eu estava nervosa enquanto segurava na mão dele e colocava o anel bem devagar.

Era para sempre. E além do sempre.

Me inclinei um pouco, beijando o anel dele e sorrindo em sua direção. Meio atrapalhado com Kang, que não queria se soltar de Jimin, ele segurou em minha mão, e colocou o anel, enquanto dizia as palavras devagar e prometia me amar para o resto da vida.

Para sempre!

— Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Não soube qual momento foi mais emocionante, ele retirando o meu véu, ou beijando todo o meu rosto, para finalmente beijar minha boca. Algumas pessoas ficaram comovidas, mas eu soube quando uma pessoa bufou e disse:

— Beija direito.

Eu ri com a fala de Sun, contra a boca de Jimin e sentindo ele me apertar com seu braço e me beijar mais ainda. Olhamos para Kang, que parecia ainda mais feliz por nós dois. Eu suspirei fundo, enquanto ainda o sentia contra meu peito e o beijava de novo. Ouve uma comoção com esse beijo sendo bem mais quente, Jimin envolvendo o meu corpo com mais força e me fazendo prender a respiração para sentir sua boca com mais vontade. Nosso sorriso bordou um contra a boca do outro, e as lágrimas continuaram rolando enquanto nos olhávamos.

Quando eu era pequena, eu sempre pensei no meu noivo, barra, marido, enxugando minhas lágrimas no altar, com ele dizendo que me amava. Mas foi tão… o contrário. Eu enxuguei as lágrimas dele, eu sorri enquanto via ele fechar seus olhos e sussurrar que me amava.

Espero que você ame os gêmeos, Jimin.

Ele segurou minha mão, e andamos pelo corredor, e como estávamos ao ar livre, a chuva de arroz escorregou sobre nós, jogando em nossa direção. Teríamos muita prosperidade com esse tanto de arroz. Soltei uma risada, vendo Jimin cobrir Kang com a mão livre e sorrir em minha direção.

Casada… eu era uma Park agora. Park Woong… soa… estranho, ao mesmo tempo bom.

A comoção do arroz havia acabado quando fomos para o meio do jardim, com as mesas enfeitadas, bebidas e comida. Não era um casamento tão grande, mas era algo muito significativo, para mim e para ele. Ao longe, eu avistei o nosso chefe, Senhor Choi veio com um copo de bebida na mão, ao lado dele, uma menina magra e com as pontas do cabelo rosado, e do lado dela, um garoto de óculos. Seus filhos, eu os conheci em uma festa.

— Senhor e Senhora Park, uau. — Soltei um sorriso. — Felicidades, aos dois. E Woong, a empresa está a sua espera. — Soltei um suspiro. Será que eu ia poder trabalhar com os gêmeos?

— Que bom, Senhor Choi.

Aquilo era loucura, Kang tinha acabado de fazer um aninho e teríamos mais filhos… ou filhas, não sei, eu não pedi para ver o sexo, apenas para ter certeza de que estava grávida.

Ao longe, avistei Nick com aquele olhar, me dando forças ao longe enquanto sorria com a mão no ombro de Namjoon. Ele era bem alto, e ela bem… nanica, era uma combinação fofa. Do lado dela, Sun sorria, quase transpaçando para Taehyung que eu guardava um segredo, ou dois segredos.

Respirei fundo, com Jimin entregando Kang e apenas murmurando que “preciso dançar com a mamãe filho”, ele ficou meio emburrado, mas acabou cedendo com o meu olhar pidão.

— Me concede? — Sorri, completamente boba enquanto segurava na mão dele, sentindo encaixar a mão em minha cintura e me puxar de encontro ao seu peito.

A valsa era um momento bom entre os noivos, e eu nunca dancei realmente com Jimin. Nunca paramos para dançar. E eu lá não era muito boa, parecia que eu tinha dois pés esquerdos.

— Não me diga que não sabe dançar. — Ele falou me provocando, enquanto eu apenas arrastava meus pés pelo chão.

— Idiota. — Murmurei, escondendo meu rosto em seu pescoço enquanto sentia ele sussurrar que estava tudo bem.

— A gente só tem que se balançar amor. — Sussurrou, beijando minha orelha que tinha o brinco de prata. — Eu vou te balançar pelo resto da vida.

Puxei o ar com força para dentro de meus pulmões e o olhei com um sorrisinho. Jimin sorriu na minha direção.

— Jimin, eu estava pensando… em cantar uma música. — Olhei para o palco e ele levantou a sobrancelha.

— Você? Cantar? — Abri minha boca, completamente indignada.

— Eu canto sim, Park Jimin, e muito bem. — Ele sorriu.

— O que você vai cantar?

— O que você quer que eu cante?

Aquela guerra de olhares acontecendo entre nós dois, e de imediato, senti meu coração começar a acelerar, o meu estômago se revirar enquanto ele vinha na minha direção e me beijava.

— Vai cantar direitinho? — Sussurrou e eu assenti. Então ele se inclinou na direção de minha orelha e sussurrou: — Thinking out loud.

Eu rolei meus olhos.

Ele estava tirando, né? Eu vivia cantando essa música.

Eu franzi o cenho e ele apenas sorriu, direcionando sua cabeça ao palco. Puxei o ar novamente para dentro e caminhei por entre as mesas, puxei a barra de meu vestido, subindo pela escada de trás e chamando o cantor da banda que haviámos contratado, eu sussurrei que queria cantar algo, meio envergonhada e ele apenas sorriu gentil e falou com o cara que tocava violão e o outro do teclado.

Meio nervosa, e muito envergonhada, me sentei no banco e ajustei o microfone até perto de minha boca. Olhei para todos os nossos familiares, e então para Jimin, que segurava Kang no colo e sorria, me encorajando. Puxei o ar de novo e fechei meus olhos, fazendo um sinal com minha mão, estalando três vezes, e então as notas começaram a soar em minha cabeça.

Eu fechei meus olhos quando as primeiras palavras saíram, meio trêmula por estar envergonhada, mas mesmo assim, com um sorriso enquanto olhava para minha mãe, que agora estava ao lado de Jimin e sorria do mesmo jeito que ele. Fechei meus olhos, colocando a mão em meu peito, sentindo cada palavra sair com sentimento.

Baby, your smile’s, forever in my mind and memory.

Eu apertei o microfone com mais força, olhando diretamente para Jimin e vendo ele sorrir largo, parecendo completamente apaixonado.

Ao final, eu apenas murmurei as palavras, porque não conseguia dizer e nem pensar em mais nada que não fosse falar dos bebês que eu carregava. Então, quando eu terminei, eu ainda continuei sentada e olhando para minhas mãos.

— Ahn, eu queria dizer algo a todos. — Então o silêncio se instaurou e eu engoli em seco. — Dizer… que eu amo muito o Jimin. — Olhei para ele, de novo, com aquele sorrisão que deixava seus olhos rasgados, apenas como linhas em seu rosto. — E que meu sonho desde pequena sempre foi casar em um jardim, e ele tornou isso possível. Jimin tem tornado cada sonho meu possível, coisas que eu achava impossível de conquistar, e até conseguir, ele fez por mim. — Meus olhos marejaram de novo e eu comprimi meus lábios em um sorriso. — A cada segundo, da minha vida, eu sempre pensei em como seria encontrar o amor da minha vida, o cara com quem eu iria passar o resto de minha vida. Com quem eu teria filhos e uma casa grande. Eu achei que isso estava longe de acontecer quando completei 25 anos, mas então… você apareceu. — Ele olhou para o chão, envergonhado com algumas pessoas o olhando e intercalando os olhares em minha direção. — Não estou dizendo que aquela casa que você comprou é o meu lar, o seu coração… é o meu lar, Jimin. — Apertei meus dedos um contra o outro, vendo ele colocar os dedos nos olhos e piscar algumas vezes.

Eu pisquei uma vez, deixando as lágrimas caírem, apenas movimentando meus lábios: eu te amo. Ele sorriu: eu também te amo.

— E que… eu…

Meus olhos se direcionaram para Nick, que levantou as sobrancelhas e me encorajou.

— E que você ama muito ele? Já entendemos! — Taehyung gritou e eu ri, junto com todos.

— E que eu estou grávida.

O silêncio se instaurou ao redor e o cenho de Jimin se franziu. A boca dele se abriu, e eu paralisei, enquanto puxava o ar e via ele me olhar.

— De… gêmeos.

Todos, absolutamente todos abriram a boca, completamente surpresos com o que eu havia dito e Jimin havia esbugalhados mais os olhos. Meu coração começou a acelerar de novo quando Nam e Tae fizeram barulho, me parabenizando. Continuei sentada, porque estava com medo de me levantar e cair, com medo de Jimin não ter… gostado.

Meu coração começou a acelerar quando vi Jimin passar por entre as mesas, ainda meio sério, eu me levantei, esperando ele vir segurar minha mão. Mas tudo que ele fez foi me puxar do palco e me fazer ir para cima dele, quase caindo no chão, mas ele me agarrando com força. Nossas bocas se grudaram e as palmas vieram com força. Meu coração se acalmou dentro de mim, enquanto meus braços deslizavam por trás do pescoço dele.

— Gê-Gêmeos? — Assenti mordendo meu lábio. — Caralho. — Ele passou a mão em minha nuca e sorriu mais ainda. — Vamos… ter gêmeos, Woong. Gêmeos. — Ele sussurrou a palavra de novo, parecendo completamente maravilhado com a notícia, e eu estava o amando mais ainda.

Isso era possível? Amar alguém mais e mais a cada dia que passa? Sentir o coração sempre rebobinar com mais força?

Era possível?

Não sabia se era, mas com Jimin acontecia, ele me olhava daquela forma que me deixava toda boba, com o sorriso largo. Jimin me fazia flutuar, e eu nunca pensei que eu seria romântica a ponto de ficar dizendo essas coisas, e é até um pouco estranho. Mas um estranho bom.

Eu fechei meus olhos quando Jimin beijou minha testa. Eu sentia tanta paz perto dele. Me sentia apaixonada, amada e única. Era um misto de emoções, que eu tive desde o começo, e apenas tive medo de assumir. Mas quando eu deitei na cama dele, foi quando eu não só entreguei meu corpo, mas o meu coração, minha alma. O famoso: meu corpo e minha alma.

Ele me beijou de novo, enquanto segurava em minha nuca, apertei o paletó nos dedos dele, sentindo suas mãos se arrastando por minha cintura, apertando minha carne bem devagar. A boca de Jimin estava mais durinha naquele dia, meio rachada pelo frio que fazia, mas também com um sol gostoso, que dava para aproveitar apenas com o meu vestido. Quando ele se desgrudou, ainda sorrindo, se ajoelhou, e foi quando todos soltaram sons de comoção. Jimin segurou meu quadril, olhando para minha barriga com um suspiro cortando de sua boca, ele me trouxe para mais perto, beijando meu ventre bem devagar e fechando seus olhos.

Eu juro que tinha tentado segurar aquele soluço dentro de mim, enquanto minhas mãos estavam acima da cabeça dele, porque eu não queria desmanchar seu penteado. Mas quando ele fez tal ação, foi impossível. Eu tive até que colocar as mãos em meu rosto quando ouvi as risadinhas, com o meu sorriso bobo ainda estampado em meu rosto.

— Kang aprendeu a falar mãe, vamos ter gêmeos, mais alguma surpresa que eu deva saber? — Eu soltei um sorriso, ainda chorando, com ele agarrando meu rosto e me beijando sem parar.

Eu nunca iria me desgrudar dele, nunca. Eu amava Jimin mais do que tudo. Mas não mais do que amava nossos filhos, eles vinham em primeiro lugar.

— Eu te amo, muito, muito, muito. — E então Jimin riu, porque minhas declarações para ele, não haviam acabado, e nunca mais acabariam. A cada segundo que passasse ele saberia o quanto eu o amava.

— Aposto que não mais que eu. — Soltei uma risadinha da cara dele.

 

A festa tinha sido MUITO boa, eu não conhecia muitas músicas por não ser tão ligada a elas, e nem mesmo eletrônica, sempre preferi coisas calmas. Mas Jimin realmente me puxou para dançar quando eu coloquei um vestido mais curto, era cor salmão, com alças finas, e por baixo do vestido, eu usava um sutiã tomara que caia apertado. Eu nunca dancei daquela forma também, e perto de nossos parentes era um pouco… estranho. Mas foi muito relaxante e engraçado, principalmente quando Jimin resolveu trazer Kang e ele estava com uma carinha de bunda para nós dois, não gostando muita da movimentação ao redor. É, Kang com toda a certeza nunca fugiria de noite para ir em alguma festa.

Também teve o momento em que eu tive de jogar o buquê. Tinha bastante mulheres da empresa ali, algumas novas e que namoravam. Sun arrastou Nick para perto do palco, e eu gargalhei, pois ela estava com uma cara de bunda enquanto Namjoon apenas gritava “pega esse buquê”, e eu gargalhava enquanto ouvia Taehyung gritava “volta pra cá, Sun”. E eu não sabia de quem ria mais, mas com certeza foi de Hoseok que simplesmente mandou Jungkook no meio das mulheres e deixou o coitado completamente vermelho, é, definitivamente eu não me aguentei e comecei a rir muito. Mas então eu me virei, fazendo a contagem.

— Um… — Movimentei meus braços devagar. — Dois… — Soltei uma risadinha. — Três!

No momento que o buquê foi para trás, eu me virei apressada, vendo Sun bater na ponta do buquê e ele ir direto no rosto da Nick. Eu cobri minha boca com a minha risada se abafando, enquanto Nick se atrapalhava em tentar segurar o que havia ido bem na cara dela.

— Acho que já sabemos de quem é o próximo casamento! — Sun gritou e Nick se encolheu, parecendo meio envergonhada com o buquê na mão. Namjoon se aproximou cauteloso e com um sorriso. Ele não a pediu em casamento, mas tirou sarrinho dela, dizendo:

— É só você dizer sim, porque eu já fiz o pedido. — Nick só rolou os olhos e bateu com o buquê contra o peito dele.

Com certeza, o melhor dia de todos, só não supera o nascimento de Kang. Definitivamente, nada superará o nascimento de meu filho.

Mas no momento que era para eu e Jimin irmos para a lua de mel, eu travei, porque não queria deixar Kang, e mesmo tendo certeza de que Nam e Nick cuidariam bem dele, meu medo de o deixar começou a se alastrar pelo meu peito. Lágrimas começaram a borrar minha visão quando eu vi Jimin fechar o porta-malas do carro e ele perguntar se eu estava bem. Engoli em seco, tentando demonstrar que sim, mas não conseguindo.

— Ele vai ficar bem, Woong. Vai ser por uma semana, e vamos nos falar por ligação de vídeo duas vezes ao dia. — Nick me garantiu com aquele sorriso enquanto eu mexia nos dedinhos de Kang. Ele estava com a carinha cansada e apenas me olhava, aquele olhar de quem ficaria tudo bem. Como ele podia ser assim? Tão calmo? Tão… Jimin.

— A mamadeira você tem que esquentar em banho maria, tem que colocar a música que ele gosta, e ele também só dorme com o ursinho e a mantinha verde que o Hobi o deu. — Nick franziu o cenho com uma careta.

— Aquele urso que eu dei? Misericórdia, aquele era para ser o urso da Hyun, o Taehyung que trocou os presentes e deu uma girafa pra garota. — Ele rolou os olhos para Nick, mas ela acabou sorrindo. — E foram os presentes que eles mais amaram. — Riu sem jeito. — Ele vai ficar bem, Woong.

— Se algo acontecer, qualquer coisa Nick, qualquer coisa mesmo, me liga, e eu pego o primeiro vôo para Seul, entendeu? — Ela rolou os olhos e assentiu.

Entrei dentro do carro depois de dar diversos beijos em Kang e ele me olhar com um sorriso. Jimin também ficou relutante, mas mesmo assim, eu entrei. O motorista contratado falou com a gente e sorriu, dizendo que não era a primeira vez que levava casados, que tinham filhos, até o aeroporto, e que isso acontecia muito. Respirei fundo, entrelaçando minhas mãos de Jimin, vendo nossos amigos e parentes acenarem em nossa direção.

— Ele vai ficar bem, amor. Relaxa. — Jimin sussurrou, apertando minha mão, e quando o carro virou, eu soltei algumas lágrimas, porque não queria deixar Kang, mas eu sabia que ele estava em boas mãos, e com pessoas que eu confiava minha vida e a vida de meu filho.

Jimin e eu iríamos para a frança, porque de acordo com nossas viagens de empresas e outras coisas, tentamos bater em lugares que nunca fomos. Eu já tinha ido ao Brasil algumas vezes, e depois para Tóquio, Estados Unidos viajei mais de cinco vezes, então não gostava de ir ao local. Jimin continuava pensando para onde iríamos, até vir e dizer que nunca foi a França, e eu também nunca tinha ido, e tinha muita vontade em ir, então seria bom.

Ok, por mim eu teria ficado ali em Busan, que era bem pertinho, mas Jimin ficou dizendo diversas coisas, me tranquilizando de que Kang ficaria bem e outras coisas.

Horas de vôo, e eu só acordei com a parada para pegar outro avião. Mas quando realmente chegamos, eu apenas me enfiei dentro do carro que Jimin alugou, era um HB20, e ao que parecia, era do ano, então o que me deixou meio boquiaberta, mas foi só por alguns minutos até eu pegar no sono dentro do carro. Quando acordei, eu estava dentro do quarto e meio assustada, apenas com minha lingerie rosa.

Droga, droga, droga, era a nossa primeira noite e eu dormi? Simplesmente… dormi? É sério isso Kim… digo, Park Woong? Eu vou ter que me acostumar com isso.

— Sabe, eu achei essa sua lingerie bem sensual, mas você me prometeu um babydoll. — Eu abri minha boca, meio envergonhada por ter estragado nossa primeira noite de lua de mel.

— Por que não me acordou?

— Você estava cansada, amor. A cama não vai sair do lugar… ou vai, não sei. — Riu comendo alguma coisa e finalmente me beijando. Fiz um biquinho, meio emburrada.

— Como me trouxe? — Ele soltou um sorriso.

— Eu deixei o carro estacionado, conversei sobre o quarto, então pedi para pegarem as malas, enquanto eu te trazia no quarto, e o interessante, é que mesmo com o barulho alto, você nem acordou. — Riu e eu fiquei mais envergonhada ainda.

— Não gostou da minha lingerie? — Eu perguntei, tentando quebrar o gelo e ele riu, finalmente me dando um beijo de bom dia… ou seria boa tarde?

— Gostei muito, e eu tive que me segurar para não acordar você. — Soltei uma risadinha, jogando meus braços sobre os ombros dele. Olhei para a janela que estava com as cortinas abertas e davam vista… a torre!

Meu coração palpitou e eu simplesmente deixei Jimin sozinho, indo até a janela, e como uma criança, coloquei minhas mãos no vidro, admirando ao longe.

— Você me trocou por uma vista? Uau, é assim que as brigas de casais começam. — Soltei uma risada, olhando para Jimin sobre meu ombro.

— Que eu saiba você perdeu uma aposta, amor. — Eu murmurei, e Jimin morreu o sorriso.

— Achei que tinha esquecido. — Eu neguei e me aproximei, o empurrando pelo peito, até que ele estivesse sentado sobre o sofá que tinha ali. Jimin parou de mastigar o que comia, e ficou me olhando.

— Você vai deixar eu te dar umas palmadas? — Ele soltou uma risadinha.

— Só se você deixar eu ver o seu babydoll branco.

— A noite, primeiro eu quero que você me leve para tomar café, por favor. — Fiz um biquinho, o beijando diversas vezes. Não queria só ficar naquele quarto, só transando, queria realmente aproveitar a viagem, mas com Jimin ao meu lado.

— Eu levo você para onde quiser. — Sussurrou baixinho contra minha orelha, enquanto soltava sua respiração quente, em uma região que me deixava completamente sensível.

Como havíamos começado aquilo tudo?

Como começamos a nossa história de amor?

Não, com certeza não foi dentro daquele escritório, e nem através daquela mensagem no computador. Ali, ele estava tentando me conquistar.

Quando foi que começamos a nos amar, Park Jimin?

As perguntas vinham de forma rápida em minha cabeça, enquanto eu alisava os fios negros dele entre meus dedos e sentia o babydoll escorregando devagar, cintura, braços, e pernas. Jimin me acariciava por inteira, me olhava por inteira, me comia devagar, me cheirava sem pressa, era tudo leve, com carinho, com amor.

Quando ele enrolou o meu cabelo em sua mão, eu senti aquela sensação de prazer subindo pelas minhas pernas e ele sussurrando que ia me fazer gritar, e eu ri, porque queria muito gritar. A muito tempo eu não gritava, e ali, naquele dia, eu queria sentir minhas pernas tremendo enquanto gozava nele.

Era estranho, sempre transávamos, todos os dias, principalmente na sala, banheiro, enfim, em qualquer lugar da casa, até no corredor. Nick havia jogado na minha cara que eu e ele somos o que mais transamos, mas ela também não escapou quando eu disse que ouvi ela e Namjoon transando. Não sabia quem estava mais vermelha, ela, ou Hoseok, de tanto rir.

Minha vida teve autos e baixos, e não vou dizer que não errei, a cada minuto que estive dentro do banheiro de um pub, sabia que estava abrindo minhas pernas para um homem babaca e repugnante, asqueroso e que tentou me violentar, mas naquele momento, eu realmente não conseguia pensar, conseguia apenas sentir prazer e apertar meus olhos, tentando imaginar qualquer pessoa, menos ele, menos Jin! E só consegui voltar a realidade quando ele falou o meu nome, e então eu senti nojo de mim mesma. Nojo não por ter feito aquilo comigo, nojo por ter feito aquilo com Sun. Eu quis atear fogo em mim, me jogar de um prédio, morrer, porque havia traído minha amiga.

Mas então… eu conheci Jimin, ele tentando roubar o meu táxi, e aqueles olhos caramelados, em total deboche na minha direção, enquanto eu queria apenas o encher de porrada. Jimin era um babaca, eu o odiava com todas as minhas forças, que vinham das profundezas do inferno, sentia vontade de o degolar. Mas no fundo, também o admirava por continuar tentando conquistar uma mulher que, com todas as certezas, não abriria as pernas para ele.

Jimin disse que eu era interessante, e eu não acreditei. Ele me prometeu diversas coisas, disse que ficaria ao meu lado, e eu duvidei. Mas quando o vi voltar pra mim, quando ouvi dizer “eu te amo”, eu chorei profundamente, o apertando contra meu corpo e sentindo meu coração ficar em paz. Porque sabia, no fundo, eu sabia, que jamais encontraria um homem como Jimin.

— Desse jeito… — Murmurei, tentando puxar o ar para dentro, enquanto meus olhos estavam fechados e eu me acomodava ao lado dele, na sala do nosso quarto de hotel.  — Vamos ter um time de futebol. — Jimin riu baixo comigo, ainda respirando fundo, tentando também se recuperar da nossa recente foda.

— Eu espero que sim. — O olhei assustada e ele riu baixinho, me puxando e beijando minha boca. — Eu espero que sejamos um time, pelo resto da vida. —  E fácil assim, meus olhos marejaram e eu o soquei no peito.

— Meus hormônios estão três vezes mais forte, Jimin, para de ser você, pelo amor de Deus. — Ele gargalhou, acariciando minha bochecha, que estava molhada de suor, e ainda a sentia arder, pelas mordidinhas que ele havia me dado.

— Não consigo, não quando é você comigo, amor. — E eu me desmanchei, bem ali, nos braços dele, rindo baixinho de sua confissão.

— Eu te amo, Park Jimin, pelo resto de minha vida, e além dela. — Ele comprimiu os lábios em um sorriso e me puxou para mais perto.

— Eu te amo, Park Woong, gêmeos. — Acariciou meu ventre e eu ri, rolando meus olhos.

— Você acha que algum dia a gente vai parar? — Jimin franziu o cenho. — Cada dia que passa, parece que o nosso amor aumenta, não diminui, ele só… fica melhor e mais gostoso. — Eu alisei o braço dele, sentindo seus músculos se retesando, ficando com o cotovelo apoiado no chão, com o tapete, enquanto ainda empurrava meu cabelo para trás e sorria largo.

— Acho que não, você foi alguém que simplesmente aconteceu, Woong. Você entrou em mim, mexeu comigo de todas as formas possíveis, me fez ser um cara romântico, me fez ser pai, me fez ser homem. — Eu puxei o ar para dentro de mim e encarei a mão dele com o anel, enfim casados, parecia surreal. — Me fez ser teu.

Quando ele ia parar de ser fofo? Que inferno!

— Woong. — Eu neguei, apertando meus olhos.

— Um dia eu te faço chorar com a minha fofura, Park Jimin. — Ele soltou uma gargalhada, enxugando minhas lágrimas.

— Antes… — Eu me assustei, com ele me pegando no colo e se levantando comigo em seus braços. — Você vai precisar ficar fofa, amor, e isso já está acontecendo. — Mordi meu lábio, caindo na risada e sendo beijada.

Não foi premeditado, ou calculado.

Você pode até tentar se segurar.

Mas em algum momento…

Simplesmente acontece.

Mentiras machucam, a verdade parece pior.

Mas a questão é: você será compreensível?

Na vida, tudo que precisamos, é de compreensão. Não deixe sua mente guardada dentro de uma caixinha, seja mente aberta, expanda seus horizontes, ame incontrolavelmente, sofra incontrolavelmente, mas no fim sorria, porque você vai saber que já passou pelo pior. Que tudo simplesmente aconteceu, porque tinha que acontecer.

NOTAS FINAIS!


Notas Finais


Acabo…

MEU DEUS… ACABO!

VOCÊS TEM NOÇÃO DE QUE ACABO?! E EU TO MORRENDO?!

EU TO… DESIDRATADÍSSIMA, MINHAS AMORAS! EU TO SEM CHÃO, SEM AR, NÃO SEI LIDAR.

CADÊ O MÉDICO, NÃO TO RESPIRANDO NÃO BIXO!
Brincadeirinha kkkkkkkk

Antes, quero dizer que esse final é aberto porque tipo, vai ser uma gravidez normal para a Woong, um final aberto, onde ela e Jimin serão pais, cuidarão das crianças junto com os amigos mais doidos do mundo kkkkkk então, não fiquem tristes por esse final ser “aberto”, ok? Ok s2

Parece realmente inusitado quando eu penso: eu terminei mais uma fic, uau. Parece completamente estranho pensar essas coisas, é como se uma parte de mim estivesse indo, mas uma parte boa, em que eu sei que fiz bem, sei que dei o meu melhor. E CARALHO. Eu não consigo parar de chorar, me desculpem kkkkkkk

Ahn, eu sempre digo como foi escrever uma fic, como me senti, mas SA me trouxe tantos sentimentos bons, me fez ter uma visão aberta, eu aprendi tanto com os personagens que criei, cada personalidade.

Jimin e Woong: eu aprendi com vocês que o amor não precisa ter laços sanguíneos para ser amado.

Nick e Nam: com vocês eu aprendi que, a distância e o tempo não importa, no fim, o amor sempre vence.

Hoseok e Jungkook: eu aprendi que podemos amar o igual, mas de uma maneira diferente.

Tae e Sun: aprendi que podemos ter cicatrizes, mas que também podemos amar de novo.

E eu aprendi tanto com cada um. Aprendi com Nick que eu posso ser forte, mesmo estando machucada. Com Woong, aprendi que sim, pessoas podem me amar quando eu estiver uma porra chata, aprendi que, mesmo demorando, alguém, algum dia, irá me amar verdadeiramente. Pode ser quando eu me formar, ou quando eu estiver quase na menopausa, ou quando eu estiver com 50 anos, mas eu sei que posso esperar por esse amor, um dia ele vai aparecer, e quando aparecer, espero que esse amor seja tão puro e verdadeiro, quanto o seu com o Jimin.

E LEITORAS!

Eu espero que, assim como eu, vocês também tenham aprendido muitas coisas com essa fic. Mesmo ela sendo algo simples, uma ideia que veio depois que eu assisti um filme. Do fundo do meu coração, espero que SA tenha mudado vocês um pouco, o pensamento, qualquer coisa. Se SA mudou algo em você, diga aqui nos comentários, eu vou ficar SUPER FELIZ em saber disso kkkkkkk

AGORA AGRADECIMENTOS!
EU QUERO AGRADECER A TODO MUNDO NA VERDADE KKKKKK

Eu sou uma pessoa que surta demais, que se importa com muitas coisas, EM EXCESSO. Com coisas que eu não deveria me importar tanto, e quero agradecer, POR CADA LEITORA QUE FICOU E AGUENTOU OS SURTOS DA NICK AQUI! ~AKA EU!

Agradeço as leitoras do grupo de whats, sem vocês… caralho, EU NÃO SERIA NADA KKKKK Literalmente dizendo. Vocês sabem o pior (ou não) de mim, e sabem que eu também sou boazinha quando quero kkkkkkk mas que também posso ser má, TIPO AGORA COM ESSE CAPÍTULO FINAL (khe khe khe). Agradeço muito por vocês terem ficado e me aguentado kkkkkk AMO VOCÊS!

E BABI! SIM, VOCÊ MESMA, SUA FLANGA , MINHA LUA DE CRISTAL! No começo eu nem te conhecia direito, e foi você quem fez a capa de SA, e nossa amizade surgiu junto com essa fic, então, eu agradeço por você ter aparecido em minha vida, por ter feito a capa de SA, por ter se importado com os meus surtos, por ter me apoiado a cada decisão tomada. Agradecer por ter uma amiga tão especial ~eu to sendo melosa tá? TO AQUI MOSTRANDO MEU AMOR POR TI. Agradeço muito por você existir em minha vida, por ser quem você é, TE AMO, TE AMO, TE AMO! @kind-hearted

Ela é anônima, EU NÃO SEI O NOME DELA, EU NÃO SEI A IDADE DELA, AH, SEI NADA, MAS AMO KKKKKK @Kesey_ecc é uma pessoa… CARALHO, COMO EU POSSO DIZER? EXCEPCIONAL! Ótima escritora, um anjo, CAIU DO CÉU! KKKKKKK É o tipo de pessoa que você nem conhece direito, mas ela diz um “ah” e você fica: NOSSA COMO EU TE AMO, VOCÊ É TÃO AMOR, VEM CÁ QUE EU VOU TE PROTEGER DO MUNDO! Eu não conheço você direito meu amor, mas eu sei que você é uma excelente pessoa, e que eu com certeza sempre irei dizer bem, ATÉ QUE TODO MUNDO CANSE E ME DE UM CHUTE, EU CONTINUO DIZENDO BEM DE VOCÊ! Eu amo muito você, a gente trocou mensagens esses dias, e eu pensava que tu era um amor, AI TU FOI LÁ E ULTRAPASSOU DISSO E SE TORNOU O AMORZÃO KKKKKKK Obrigada pelos COMENTÁRIOS ENORMES que tu deixou aqui, agradeço por cada palavra, cada momento, CADA FIC BAPHO, agradeço por você ser uma pessoa boa. E AQUI VAI DA SUA NÚMERO UM: TU SEMPRE ESTARÁ NO MEU CORAÇÃO, TE AMO!

~teve muito capslock, sorry

Esse é o fim de SA, muito obrigada por terem acompanhado até aqui, AMO VOCÊS.

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Me sigam PRINCIPALMENTE no Wattpad, porque posso, possivelmente, postar algum conto dos outros casais ^^
BYE S2


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