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História Simplesmente aconteceu! - Capítulo 2


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Capítulo 2 - O começo


Fanfic / Fanfiction Simplesmente aconteceu! - Capítulo 2 - O começo

O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contra gosto.

– Alô. – Disse friamente.

– Nossa, Lorena! – a voz de sua melhor amiga soou com espanto – Eu aqui te ligando lindamente...

– Diga logo o que quer. Você está atrapalhando meu momento. – Por alguma razão, Lorena já sabia sobre o que a amiga falaria.

– Você não foi à reunião da cidade hoje. Sabe que amanhã é o grande dia, certo?!

– Claro que sei. Você não parou de falar nisso desde que foi anunciado. – Lorena revirou os olhos.

– Obviamente eu tenho que falar. Meu pai voltará para casa, e quero muito que a minha melhor amiga esteja lá comigo.

– Heloisa, não sei se...

– Você sempre fala isso, mas hoje, minha querida, não aceito um “não” como resposta! 

– Após essa afirmação, Lorena não ouviu nada além dos bipes indicando que a chamada fora finalizada.

– Heloisa? Heloisaaaaa!

A jovem suspirou, tendo em vista que não adiantaria tentar ir contra a melhor amiga. Heloisa conseguia ser mais teimosa que seu pai. Por um segundo, Lorena decidiu abrir mão. Era uma data importante para a amiga e ela a queria aparecer, então estaria lá.

(◍•ᴗ•◍)✧*。

No dia seguinte, mesmo o Sol parecia saber qual seria o clima perfeito. O dia estava ensolarado e uma brisa suave soprava pela cidade. Era o grande dia para famílias de marinheiros, o dia que voltariam para casa... Ou não. Mesmo que tivesse uma leve tensão no ar, a festividade parecia cobrir tudo. Todos sorriam e esperavam seus marinheiros, exceto Lorena. A garota sequer tinha motivo para estar ali. Seu pai odiava marinheiros, graças ao avô de Lorena, e a esganaria pelo simples fato de ela estar ali. Mas o que ela poderia fazer? Amava as danças e as comidas que tinham no festival. Amava os enfeites da rua, as crianças brincando, jovens conversando e os adultos rindo, tudo isso era satisfatório para ela.

E lá estava ela, andando pela rua com seu amado livro em mãos, procurando por sua chata, porém admirável, melhor amiga. Meio distraída com a bagunça dos cidadãos, Lorena acabou esbarrando em alguém, e teria ido para o chão se a pessoa não a segurasse pela cintura. Ao olhar para cima, querendo agradecer ao seu “salvador”, a jovem deu de cara com o homem mais lindo que já vira. Os olhos eram de um tom esverdeado, os cabelos, negro como a noite, estava ligeiramente bagunçado. Ele a olhava tão fixamente que ela não conseguiria, mesmo se quisesse, tirar os olhos daquele belíssimo ser. Alguém esbarrou no homem e isso fez com que ele acordasse e percebesse a situação em que se encontravam. Ele rapidamente levantou Lorena, parecendo constrangido por tê-la segurado durante tanto tempo.

– Está tudo bem? – A voz um pouco grossa fez Lorena estremecer. Mesmo sua voz era linda. Lorena apenas confirmou com a cabeça, respondendo a pergunta do homem – Acidentes acontecem, certo?! 

A jovem assentiu com um sorriso educado. Observou o uniforme do homem e perguntou surpresa:

– Você é um dos marinheiros?

– Sim – Ele disse sorrindo. E que sorriso, pensou ela. 

Lorena tentou retribuir com um sorriso gentil e educado, até que ao perceber que estava sozinho, olhou em volta, mas não viu a família do rapaz. Ele logo percebeu e deu uma risadinha. Lorena o olhou envergonhada, querendo saber o motivo da graça. 

- Mas minha família não está aqui, se é isso o que você quer saber. – Ele ergue uma sobrancelha e dá um sorriso maroto.

– Por que eles não estão aqui? – Lorena perguntou casualmente, tentando mascarar sua curiosidade.  

– Eles não são dessa cidade. Para me encontrar com eles preciso ficar um tempo viajando.

– Entendo.

O silêncio recai sobre eles. Ambos não sabiam o que falar, não conversavam com muita gente.

Lorena o observava cautelosamente. Queria conversar com ele. Algo naquele marinheiro despertava sua curiosidade há muito tempo adormecida.

– Bom, eu preciso ir. – Ele disse. E, por mais que Lorena estivesse feliz por ele falar algo, não gostara da frase. – Quem sabe nós não nos vemos por aí, “milady”.
Lorena mal se despedira e o homem já tinha sumido, engolido pela multidão que crescia mais a cada segundo.

– Qual era mesmo o nome dele? – Ela se perguntou, indignada por não ter perguntado algo tão importante. 

– Lorena! – Heloisa aparecera em seu campo de visão correndo em sua direção – Que bom que veio!

(◍•ᴗ•◍)✧*。

Voltando para casa, totalmente indignada consigo mesma, Lorena tentava imaginar que nome seria bonito o suficiente para acompanhar aquele belo homem. Ela queria vê-lo outra vez. Tinha se sentido estranhamente bem com o sujeito, como se o conhecesse e amasse...

– Ah! Sobre o que estou pensando? – murmurou – Eu mal o conheço.

(◍•ᴗ•◍)✧*。

Mesmo a noite daquele belo dia estava linda. Estrelas brilhavam, milhares delas, deixando o azul-escuro do céu enfeitado, como as ruas na festividade que fora. Os barcos balançavam levemente no mar, uma brisa gelada soprava o rosto de Lorena e a garota continuava a pensar naquele rapaz. Ela sentia uma necessidade de reencontrá-lo, mesmo que fosse apenas uma vez. Não acreditava que se apaixonara a primeira vista por um marinheiro que ela nem mesmo sabia o nome.

Irritada por ter um coração tão fraco, Lorena pegou uma das muitas pedrinhas que tinham por ali e a jogou com força no jardim, tentando descontar sua raiva em algo. Foi quando ela ouviu o barulho da pedra acertando algo e um gemido de dor.

– Ai! – ela ouviu uma voz resmungar, aparentemente de um homem.
Ela se pendurou na beirada da sacada, pronta para se desculpar e entrar, quando seus olhos encontraram duas esmeraldas brilhantes.

É ele! - Sua mente gritou.

Ah, ele era ainda mais bonito com a luz prateada da noite. O sorriso de mais cedo, aquele maroto, ainda estava em seu rosto, como se fosse costumeiro dele sorrir.

– Daqui a pouco vou começar a achar que é perseguição – O tom divertido de sua voz fez Lorena sorrir.

– Não tenho culpa de você estar sempre no lugar errado – Ela rebateu.
Ambos ficaram em silêncio por um segundo antes de explodirem em risadas. Não sabiam ao certo o porquê de tanta diversão, mas sabiam que estavam encantados um pelo outro.

– Gostaria de andar por aí com este humilde marinheiro, milady? Prometo ser um cavalheiro, senhorita Lorena. 

– Como sabe meu nome? – Ela perguntou, desconfiada. Uma coisa que aprendera com Heloisa: não confie em pessoas estranhas que sabem o seu nome. A amiga podia ser um tanto quanto paranóica.

– Ouvi sua amiga chamá-la mais cedo. – Ele permanecia com o sorriso.

– Quer dizer que presta atenção em mim? 

– Não sei dizer exatamente o quê, mas algo em você despertou meu mais profundo interesse.

Lorena sorriu verdadeiramente. Não, não o conhecia bem. Sim, Heloisa a mataria assim que soubesse que ela havia saído com um estranho que mal conhecera e já gostava, mas o que importava? Algo a empurrava para ele, assim como algo o empurrava para ela.
Aceitando o convite para a caminhada, Lorena desceu. Assim que o encontrou, ficaram se encarando profundamente, como se estivessem enfeitiçados um pelo outro.

– Me chamo Dimitry Clark. Estou muito satisfeito em conhecê-la. – Ele sorriu carinhosamente. Ele pegou a mão de Lorena, e despejou um beijo caloroso e meigo.

É, a garota estava apaixonada por ele. Um estranho. O proibido.
E ali estava mais uma das estranhas formas do destino de unir almas gêmeas. Mais um casal pronto para um quase "felizes para sempre". Quase. Mas, como sabemos, onde há amor, há dor.



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