História Sin - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Tiffany
Tags Jeti
Visualizações 166
Palavras 4.314
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi gente! Aaaaa eu to tão feliz pela fic estar com 45 favs, socorro /emocionada/ obrigada pelos comentários, serião!! <3 Jeti passivas ativas agressivas. BUY HOLIDAY NIGHT ON ITUNES (sério one last time salvou minha vida!! hinário)

Bom, enfim trouxe a Tiffany para vocês, esse capítulo ia sair só depois, mas sei que é chato ficar lendo só um lado da história e vi que vocês tão confusos demais então resolvi postar logo sobre ela para tudo ir se desenrolando mais rápido. Espero que tenha conseguido confundir e enganar alguns de vocês sobre quem ela é de verdade nos capítulos anteriores. Vamos lembrar que a história antes era vista somente pelo ponto de vista da Jessica (ta Mariana tudo mundo já sabe disso), então é ela quem narra o que enxerga e acontece, não vai além disso, do mundo dela (escola, casa, livros, família) e do que ela acredita ser certo ou errado. Se vocês já tinham sacado o plot antes mesmo de lerem esse capítulo, me perdoem por deixar tão na cara /chora/ . Ficou chatinho de ler, mas é para vocês entenderem, o próximo também vai ser uma continuação desse e depois a história volta de onde parou, alternando os pontos de vista entre as duas. Boa leitura, desculpem os erros, não me matem.

Capítulo 6 - Stephanie


 

 

Perl, Alemanha - 1934, Março.

 

(Stephanie)

 

“Acorde! Rápido!” A voz me chamou as pressas; compreendi de imediato o porque ele estava tão desesperado, ouvi os barulhos de tiros ecoarem, foi o bastante para que meu corpo começasse a reagir. Calcei meus sapatos o mais rápido que pude, ajudando-o a empilhar todos os arquivos que carregávamos.

 

 

“O que está acontecendo?” Perguntei, olhando para a janela. “São eles? Onde está....”

 

 

“Sim, estão aqui, começaram um ataque na entrada, estão retirando as famílias judias.” Respondeu, puxando-me para trás. “Ele está queimando tudo na sala, vamos fazer o mesmo por aqui e depois corremos pela floresta, sairemos pelos fundos.”

 

 

“Mas vamos perder tudo o que conseguimos.” Repliquei, abrindo a gaveta. O barulho de armas sendo disparadas foi ficando mais próximo.

 

 

“Não podemos fazer mais nada, a prioridade é sair daqui!” Concordei. Foi torturante olhar para seu rosto, sabíamos que talvez não cruzaríamos o rio, não daria tempo.

 

 

“Pegue o documento falso!” Gritou. Fui até a gaveta do criado mudo, peguei os papéis sem nem ao menos olhar, colocando-os no bolso de meu vestido.

 

 

A fumaça começará a invadir toda a casa. Foi tudo tão rápido. O tiro, os gritos das pessoas na entrada, a farda do soldado surgindo em frente aos meus olhos; íamos morrer.

 

 

“Piekarski?” Gritei, indo em direção a sala, as vozes dos soldados espalharam-se por todos os cômodos. Senti as mãos fortes de Mike puxando-me, me impedindo de ir adiante, meu coração doendo por deixar Piekarski para trás. “Vamos voltar, Mike! Dá tempo de ajudar!” Me debati, ao mesmo tempo que observei outras pessoas correrem pelas ruas quando já estávamos nos fundos.

 

 

“Não dá tempo de ajudar, Stephanie! Lembre-se do que te falei! Pessoas vão sofrer.” Segurou em meus ombros, olhando em meus olhos, sua feição horrorizada. “Não podemos.”

 

 

“Ele nos ajudou!” Meus olhos se encheram de lágrimas. Mike não me deu ouvidos e continuou a me puxar até que entramos na mata, ouvi mais tiros e então consegui perceber que Piekarski corria em nossa direção, nos incentivando a ir mais rápido. A reação de vê-lo me deixou bem, até que, antes que pudesse se juntar a nós, uma mancha vermelha surgiu em sua camisa; seu semblante ficou pálido e seu corpo parou de se mover. Mike não parava de gritar para corrermos, mas tudo o que consegui fazer foi olhar o corpo caindo, diante de mim e eu não podia fazer nada para ajudar. Virei meu rosto para a entrada da floresta, virei meu rosto para onde Piekarski estava.

 

 

“Ich fand!” Um dos soldados gritou, alertando que tinha nos encontrado; pude ver que segurava um revólver. “Ich kann schiessen, Sir?” Sua voz foi ficando para trás a medida que comecei a correr em meio a todo o desespero, as costas de Mike eram a uma coisa ao qual fiquei atenta em olhar. Corremos até conseguir chegar perto da margem, mas estávamos muito longe da França, desesperado ele puxou a bolsa das costas, abrindo-a e pegando um mapa.

 

 

“Vamos ter que cruzar!” Falei aflita, os soldados estavam mais perto. “Nós temos que atravessar!” Me coloquei na sua frente, sacudindo os seus ombros. “Vem!” Puxei sua mão, mas ele não reagia. “O que você está fazendo?” O vi enfiar a mão no bolso, retirando duas  pílulas, atormentada com o que ele podia fazer, segurei seu pulso. “Não precisamos fazer isso agora! Podemos dar um jeito.”

 

 

“Atravessando esse rio? Morreremos de hipotermia do outro lado, se ficarmos eles não vão nos matar, vão nos torturar. Olhe a linha aqui, temos que ir andando até contornar tudo.”

 

 

“Ficou louco? Vai demorar dias para atravessar contornando!” Gritei, empurrando seu corpo.

 

 

“Stoppen!” O mesmo soldado que vi antes, pulou de um tronco caído, apontando a arma para mim. Outro também apareceu, os galhos quebrando embaixo de seus pés. “Seid ihr deutsche?” Falou, desconfiado. “Ich sprach, Seid ihr deutsche?” Gritou, mexendo a arma em nossa direção, olhou para o outro. “Deutsches?” Mike me tocou nas costas, um sinal para tomarmos as pílulas. “Já falei para não se moverem!” Aproximou-se de nós, puxando-me para longe e dando uma coronhada em minha testa, a dor foi tanta que me senti tonta. Ele olhou para Mike, apontando a arma para seu rosto, vi quando ele deixou as pílulas caírem no chão. “Por que queimaram a casa?” Perguntou.

 

 

“Sind wir nicht!” Menti, sentindo o sangue escorrer por meu rosto. “Nosso pai.... Ele queimou.... Para fugirmos pela floresta, era uma distração!” Tentei me erguer. “Olhe nossos documentos.”

 

 

Retirei os papéis e entreguei a ele, que os passou para o outro homem que me olhava estranhamente. “Sie seien Juden?” Visualizei Mike de soslaio. “Wir werden sie nehmen at Hans.” Arregalei meus olhos, indo para trás, meus dedos cravaram no chão. “De pé!” Ele forçou-me para cima, o sangue pingando em minhas roupas, senti as mãos do outro soldado em meus braços. “Jüdische hündin.” Nos arrastaram até que estivéssemos de volta, perto da casa de Piekarski.  

 

 

Meus lábios estavam molhados com meu próprio sangue quando o homem de cabelos loiros colocou a arma em minha boca. Seus olhos azuis me fitaram em divertimento, ele olhou para os dois soldados, fazendo um sinal para me colocarem de joelhos, minhas mãos foram atadas em minhas costas. Mike gritava atrás de meu corpo, o horror estampado em meio aos sons que ele fazia.

 

 

“É filha de Piekarski?” Analisou o ferimento em minha testa, puxando meus cabelos para trás. “Por que correram pela floresta?”

 

 

“Parece que são judeus.” O soldado estendeu o papel para o homem que usava uma farda verde cinzenta. “Irmãos.”

 

 

“Falam algum idioma além de alemão?” Leu o documento.  

 

 

“Sim.” Pronunciei, minha voz estridente devido ao choro. No mesmo momento senti um soco em minha bochecha; tombei para o lado, sentindo as mãos fortes do homem em meu braço, me erguendo de novo. Ele olhou bem para meu rosto, estava muito próximo, podia sentir sua respiração pesada.

 

 

“Estou falando com o meu soldado, vadia judia.” Soltou meu rosto. “Não tem o direito de falar comigo se eu não direcionar a palavra a você! Está me ouvindo?” Vendo que eu não ia responder, chutou minha barriga. “Ouviu?” Concordei as pressas. “Esses animais são todos iguais, queria poder deixar vocês foderem com ela aqui mesmo, mas me pediram para levar todas as mulheres até Frankfurt.” Retirou as luvas, colocando a mão no queixo, olhava através de mim, para Mike. “Traga o rapaz até aqui.” Me movi, pondo-me na frente de seu corpo, o homem começou a rir. “Ela quer proteger o irmão!” Os outros soldados riram também, chamando mais alguns que colocavam as mulheres em caminhões. “Vamos ter uma execução ao ar livre hoje, perto da floresta de Perl.” Gritou, nada além de sua voz soou ao nosso redor.

 

 

Ele se aproximou e puxou Mike pela nuca, colocando-o na minha frente, meu coração acelerou, comecei a chorar e implorar para que não encostassem nele, mas tudo o que ouvi foram os risos ao redor. O homem bateu as botas no chão, começando a cantar uma música em alemão. Retirou uma faca do coldre de couro e a girou na mão, pedindo para os soldados o acompanharem na cantoria.

 

 

“Shiiii, por que está chorando?” Colocou o dedo em meus lábios. “Vai ser rápido.” Riu, parando atrás do corpo de Mike. “Quero que ela veja, seguram-na” Pediu, virei meu rosto para o lado, mas as mãos de um soldado passaram ao redor de meu corpo, me forçando a ver. Mike me olhou pela última vez, seus olhos piscaram, entendi o que ele quis dizer ao observar sua expressão de medo, mesmo que não saísse uma única palavra de sua boca, nós estávamos dando adeus. Para sempre.  

 

 

Seu corpo caiu no chão, agonizando em dor, me impulsionei para tentar ajudar. Sendo presa pelos homens, a corda que prendia minhas mãos machucavam meus pulsos, eram ásperas.

 

 

“Podem fuzilar.” Deu a ordem, o corpo de Mike começará a dar espasmos ao ser perfurado pelos disparos. Um soldado me jogou ao chão, prendendo meu corpo ao subir nas minhas costas. Meu corpo inteiro tremeu em pavor. “AQUI NÃO! Leve-a para o caminhão.”

 

 

Fui erguida, meu corpo fraco demais para me sustentar, jamais me perdoaria pelo que aconteceu.

 

 

“Entre!” Me empurraram para cima, me forçando a entrar no caminhão, olhei nervosa ao redor; mulheres machucadas choravam, algumas possuíam as roupas rasgadas e os semblantes perdidos.

 

 

“Para onde acha que vão nos levar?” Uma garota bem jovem, perguntou. Havia um corte profundo em seu ombro.

 

 

“O que você acha?” Outra; de pele morena, que estava mais no fundo, pronunciou. “Vamos para a fila de inspeção e depois vão nos mandar para um campo. Vamos todas morrer.”  

 

 

“Não diga besteiras!” Uma senhora levantou a voz. “Está assustando as mais novas!”

 

 

“É bom elas começaram a se acostumar com o medo! Já ouviu o que eles fazem com as garotas mais jovens? Deus tenha piedade do corpo delas.” Gritou.

 

 

“Cale a boca!” Me ergui, olhando-as. “Calem a boca todas vocês!”

 

 

“O que foi? Está com medo de ser fodida por um homem?” Cuspiu em meu rosto, minhas mãos tremeram. “É isso? Está com medo, não é?” Não consegui responder aquilo, comecei a chorar fortemente ao me sentar de novo.

 

 

Por algumas horas tudo o que ouvi foram os choros e os sons dos caminhões fazendo paradas antes de chegarmos em Frankfurt. Meu corpo estava cansado e machucado, o sangue seco em minhas mãos e rosto, a lembrança de Piekarski e de Mike mortos, a canção que aquele homem cantará, tudo colidindo de forma horrível em um pesadelo todas as vezes que eu fechava meus olhos. Meu corpo tremia pelo frio, tremia pelo medo de ser tocada.

 

 

Encolhi-me quando um soldado jogou água em mim, me pondo de pé. Já estávamos há horas viajando.

 

 

Meus olhos se fecharam quando o farol em minha frente me cegou, o soldado me colocou de joelhos. Não sabia onde estava, em que lugar estava, toda a claridade falsa produzida pelo farol me deixava confusa e tonta.

 

 

“Tire a roupa.” Pediu, apontando a arma para minha cabeça. “Ouvi boatos.” Começou a sorrir. Tremi, abraçando meu corpo, olhei para o céu escuro e balancei a cabeça, negando ao seu pedido. “Falaram que você é....” Abaixou-se, passando os dedos em meu rosto. “Diferente.”  Suas mãos adentraram no meu sutiã, tentando apertar um de meus seios.

 

 

“O que está fazendo?” Um outro homem apareceu. “Mandei você as descer, não isso!” Esbravejou, aproximando-se de meu corpo e me puxando para cima. “Vamos lavá-las, acorde o resto delas.”

 

 

“Onde estamos?” Perguntei ao ser empurrada para uma uma extremidade de concreto, a luz que vinha de encontro aos meus olhos era tão forte que eles estavam doendo. O homem não me respondeu, apenas retirou meu casaco e depois puxou as alças de meu vestido para baixo, arrancando a peça. O vento gelado atingiu minha pele.

 

 

Outras mulheres foram postas ao meu lado. Olhei para a frente, vendo com dificuldade um homem com uma espécie de mangueira nas mãos, ele a ligou, a água extremamente fria tocou minha pele, me molhando da cabeça aos pés, abracei meu corpo, começando a chorar.

 

 

“Vista.” Um deles pronunciou depois que a água foi desligada, puxando meus braços e jogando um conjunto de roupas em cima de meu corpo. “Tem que estar limpa antes de morrer, não acha?” Ele riu, me deixando paralisada. Segurei as peças, vestindo-as com rapidez, sentindo meu corpo todo tremer. Nos encaminharam até um trem com ida para Berlim, de lá só Deus sabe o que aconteceria, o mais viável seria uma execução em grupo.

 

 

Não consegui pensar direito durante todo o tempo que passei naquela cabine, jogada no chão. Só podia ouvir os choros e os lamentos de todos os lados. O barulho dos trilhos faziam minha cabeça revirar e doer. As horas corriam enquanto um ou dois soldados entravam e pegavam alguma jovem, levavam até outra cabine, onde era possível ouvir seus gritos de dor, depois de um tempo, eles retornavam e pegavam outra e outra. Já estava aceitando que meu fim seria esse, fechei meus olhos, sentindo as lágrimas virem com mais força.

 

 

A porta se abriu de novo.

 

 

“Piekarski?” Senti uma mão em meus ombros, embora estivesse com medo, virei meu rosto para o lado, tendo a imagem de um homem de farda. “Venha comigo.”

 

 

Ele me ergueu e começamos a andar pelas cabines, alguns soldados circulavam livres pelo local. O homem ao meu lado estava calado e só olhava para a frente, quando abriu a porta que dava para uma pequena sala feita de improviso no trem, empurrou-me para que nós entrássemos, a ideia de que seria violentada e morta passou por minha cabeça; todo o meu corpo gelou.

 

 

“Onde estamos?” Trinquei o maxilar. Ele fechou a porta, virando-se para mim, cada passo que dava em minha direção era uma tortura. “Por favor, onde estamos?”

 

 

“Perto da capital.” Respondeu, sentando-se na cadeira do outro lado da mesa. “Por favor, sente-se.” Apontou para outra cadeira, fiquei relutante em obedecer, mas achei melhor cooperar. “Sou eu, Stephanie.... Franz, o informante que passava instruções para você por telefone enquanto estava em Berlim. É uma pena termos que nos conhecer assim.” Analisou meu rosto, inspirei, sentindo uma ligeira sensação de bem estar. Mas não poderia ser ele. Isso seria surreal demais. “Você tem tanta sorte, senhorita! Se eu não lesse os documentos de hoje, eles te mandariam para um campo. O que houve em Perl?”

 

 

Dallas?” Seus olhos fecharam e ele sorriu. Era um código. Não podia sair confiando em qualquer um.

 

 

Capitaine.” Respondeu em francês, inspirei desesperada. Balancei meu corpo para os lados, sentindo as lágrimas caírem. “En Français pour ne pas soupçonner.... O que aconteceu em Perl?”

 

 

“Fizemos tudo o que pediram quando estávamos em Berlim, você sabe.... Ficamos dois anos lá, espionando os oficiais e coletando informações para a América do Norte, depois fomos até Perl como o combinado. Mike e eu partiríamos semana que vem para Paris e depois íamos pegar um voo até nosso país, mas....” Apertei meu braço, arranhando minha pele. “Tudo deu errado.” Minha voz saia muito baixa. “Não havia sinal de invasão em Perl, foi inesperado.”

 

 

“Calma.” Levantou, envolvendo-me com os braços. “Vocês perderam todos os arquivos?” Confirmei, em pânico. “Está tudo bem.” Soltou meu corpo, segurando minhas mãos.

 

 

“Não está tudo bem! Olhe ao redor, esses soldados estão violentando essas jovens e matando a sangue frio! Quero voltar, me mande para a América de novo.”

 

 

“Não dá. Não por agora! Os oficiais estão revistando tudo, quando soube que o comandante Hans tinha ido para Perl já era tarde demais para fazer qualquer coisa. Pensei que todos tinham morrido até que me pediram para assinar os documentos com os nomes das judias que vão para um campo depois da parada em Berlim, foi sorte estarmos no mesmo trem. Hans está no outro.”

 

 

“Tenho que voltar, meu trabalho já terminou. Foram dois anos nisso para nada.” Olhei-o por cima, sua feição séria. “Me mande de volta, quero ir para casa.”

 

 

“Não posso, não por agora, é arriscado demais.” Falou, retirando uma pasta com folhas por de baixo da mesa. “Tenho um amigo em Dachau.”

 

 

“Não.” Supliquei, apertando minhas mãos. “Não, Franz.”

 

 

“Foi sorte sua ter me encontrado aqui, Hwang!” Respondeu, fitando-me. “Não pense nisso como um trabalho e sim como uma ajuda minha para você até as coisas melhorarem só um pouco, me ajude com isso e você terá sua ida para seu país, imagine que é uma troca de favores, está bem? Preciso que você vá para a casa dele. Não conseguiu pegar mais nenhum documento falso?”

 

 

“Só o de que era filha de Piekarski.” Ele deixou um riso fraco escapulir de seus lábios. “Foi o que consegui, a casa estava em chamas quando levantei! Foi tudo rápido, de manhã, tínhamos acabado de acordar.”

 

 

“Com esse documento o máximo que você vai ser de agora em diante é uma judia fugitiva, nessa altura do campeonato....” Revirou os olhos, batendo com a mão na mesa. “Eram três documentos falsos e você pega o pior para um disfarce nesse caos todo!” Argumentou mais para si do que para mim.

 

 

Enquanto olhava para seu rosto, me peguei pensando o porque tinha concordado em vir para a Alemanha para ser informante, meu corpo tremia com a hipótese de terminar como Mike ou pior. Nada além dali estava mais em meus planos.

 

 

“Alguma ideia?” Perguntei cínica. Franz confirmou, me deixando inquieta.

 

 

Empregada, uma empregada para um oficial e sua família, vai ser perfeito e tudo o que tenho que fazer é ligar para o superior de Munique e pedir para te transferirem até Dachau e não para o campo que está na lista junto com o seu nome.” Jogou a pasta na mesa, abrindo-a. “Olhe, não temos muito tempo, o dia está nascendo e vão começar a inspeção quando chegarmos perto de Berlim.” Passou a mão pelo cabelo castanho. “Dachau é muito pequena, fica a vinte minutos de Munique. Esse homem aqui.” Retirou uma fotografia da pasta, colocando-a na minha frente. “George Jung, ele está ajudando crianças judias que chegam no campo da cidade. O pai dele foi oficial antes assim como toda a linhagem de homens em sua família, entretanto ele nunca ligou muito para isso e estudou fora, deu algumas aulas em Berlim, foi lá que o conheci” Fechei os olhos, minha cabeça doendo, eu só queria ir embora. “Só voltou para cá a pedido dos pais, tem duas filhas e-”

 

 

“Me ajude a ir embora, me coloque em um trem até Paris.” Impedi que continuasse falando do homem da foto. “Por favor.”

 

 

“Stephanie.... Ele é um homem bom e é meu amigo, em algumas conversas que tive com os outros oficiais, disseram que George é indiferente quanto aos campos e que quase nunca aparece no de Dachau para ver a situação, talvez estejam desconfiando dele, eu não sei ainda... Não posso deixar que machuquem ele ou a família dele.” Neguei, tentando me esquivar dessa ideia ridícula. “Preciso de alguém lá para observar ao redor, alguém que sei que é de confiança.”

 

 

“Mande uma informante de Berlim. Eu não quero me envolver mais, Mike morreu por causa de uma dessas missões. O senhor Piekarski também.” Minha garganta arranhou, meu ferimento começará a latejar. “Eu sei que tem mais informantes espalhados pela Alemanha, mande algum deles para lá. Estou toda fodida, será que você não vê?”

 

 

“Já tem um informante lá, mas ele não convive com a família na casa, preciso de alguém que fique próximo o bastante.” Puxou mais folhas e colocou em cima da mesa. “Jessica Jung” Rolei meus olhos para o lado, evitando olhar para a fotografia de uma jovem. Passei meus dedos pelos meus pulsos, enquanto Franz continuava lendo as informações. “Nascida em 18 de abril de 1918-” Nove anos mais jovem que eu. 

 

 

“Você quer que eu cuide da família dele? Como uma babá?” Cortei, vendo-o confirmar. “Não é perigoso desconfiarem? Por que mandar uma mulher fugitiva para uma família em Dachau?”

 

 

“Mandam gente da fábrica que encobre o campo o tempo todo para a casa de pessoas ricas de Munique e Dachau, então é normal. Algumas famílias ricas da região recebem judeus em casa para trabalho de todos os tipos.” Meu estômago embrulhou, me lembrei de Piekarski caindo e sangrando. Ele era judeu, foi meu amigo durante o tempo que permaneci em Perl, era um homem bom. “Não se preocupe, seu documento falso vai ajudar e eu vou combinar tudo com o George, ligarei para ele enquanto você fica na inspeção, nesse meio tempo ele já vai ter pedido por uma judia, com bons modos, para trabalhar em sua casa.”

 

 

“Isso é loucura.” Pronunciei depois do silêncio, segurando em meus cabelos.

 

 

“Sorte. Foi muita sorte termos nos encontrado aqui, talvez até destino.” Levantou-se.

 

 

“Nesse caso, o destino é uma merda.” Completei. “Se algo der errado dessa vez, certifique-se de me matar ou eu mesma faço.” Ergui meu corpo, sentindo suas mãos em meus braços, me acompanhando até que nós saíssemos do local.

 

 

 

 

(...)

 

 

“Tiffany.” Ouvi os dedos do homem a minha frente baterem com firmeza na tecla da máquina de escrever após eu lhe direcionar a fala. Meu falso nome sendo gravado em uma lista que me levaria para longe, muito longe da onde eu realmente gostaria de estar.

 

 

“Tem sobrenome?” Esperou por uma resposta.

 

 

“Piekarski.” Respondi, evitando olhar para ele.

 

 

“Seu pai foi morto durante a busca na floresta junto com o seu irmão, tem algum parente vivo?” Seus olhos esverdeados me avaliaram. “Alguém da família?”

 

 

“Não, ninguém.” Deixei meus olhos fazerem uma busca pela instalação improvisada, um pouco longe da capital, parando apenas quando encontrei o comandante Hans; ele olhava para mim do outro lado, meu sangue esquentou quando seu corpo começou a se mexer até onde eu estava.

 

 

“Tiffany, não é?” Suas mãos ásperas tocaram minha nuca. “Esse nome não é de origem americana?” Não lhe respondi. “Os judeus além de sujos, idolatram esses nomes....” Me aliviei por sua burrice. “Parece que os planos mudaram para você.” Me rondou, puxando meu braço com brutalidade. “Você vai comigo para Dachau, vamos ver como uma cadela judia trabalha em uma fábrica de carvão.”

 

 

“Por que essa mudança de planos?” Um dos soldados perguntou a Hans, que deu de ombros. “Vamos poder nos divertir com ela até chegarmos em Munique?” Suas mãos deslizaram pela minha coxa, me movi para o lado, assustada.

 

 

“Não.” Hans disse. “Infelizmente não, agora ponha suas mãos no lugar e leve-a até o caminhão onde as outras estão.”

 

 

Seria usada de novo, quando tudo o que eu mais queria era ser mandada para Paris em um trem e depois seguir até meu país. Franz poderia ter me ajudado, ele era um comandante importante em Berlim - que desertou para o lado dos EUA, trabalhando como espião - nós nos falamos muitas vezes por bilhetes e telefonemas rápidos no período que fiquei pela capital, tudo o que ele tinha que fazer agora era me ajudar a fugir e me colocar em um maldito trem! Daria até tempo de me arrumar um outro documento falso. Eu entendia seu lado, aquele homem, George, parecia ser seu amigo. Mas por qual motivo tinha que ser justamente eu para ir até Dachau? Será que ele não olhou para meu estado? Deplorável. Teria sido sorte mesmo ele ter lido meu nome falso em uma lista? Não quis pensar muito, na verdade, sabia que não sairia da Alemanha, não com vida.

 

 

Minhas mãos foram amarradas outra vez, prendi a respiração quando me jogaram para dentro do caminhão, andamos no automóvel durante duas horas, só sabia porque os dois soldados que estavam conosco não paravam de perguntar um para o outro.

 

 

“Mais quatro horas e chegaremos em Munique.” Um deles falou.

 

 

“Poderíamos parar antes.” O outro retrucou.

 

 

Encostei a cabeça na extremidade atrás de mim. Meus olhos vislumbraram os raios da tarde adentrando e tocando minha pele, tentei não olhar para nenhuma das mulheres que estavam jogadas comigo no chão, não havia nada de glorioso em fazer parte de um país entrando em um estado de pré-guerra.

 

 

Não pude saber o que aconteceria quando enfim pisasse em Munique, pelo que percebi, aquele comandante não sabia ainda que eu iria para a casa de George. Teria que esperar. A espera fazia com que eu ficasse agitada, com os pensamentos misturados, sem vontade de prosseguir. Tinha duas opções: fugir e possivelmente ser pega, ficar e ajudar a vigiar uma família que eu nem conhecia para no fim acabar sendo morta. De uma forma ou de outra, as duas eram ruins, não me trariam nenhum benefício pessoal.

 

 

A medida que a tarde ia embora e a noite começava a vir, me recusava a acreditar que um plano que tinha tudo para terminar bem, acabará daquela maneira. A imagem de meu amigo no chão, tendo o corpo perfurado, não sairia da minha cabeça nunca. Temi por tudo que viria pela frente. Se aquela família que Franz falou estivesse mesmo sendo investigada, seriam dados como desertores e todos, um por um, sem nenhuma dó seriam mortos.

 

 

“Está com sede?” Uma garota perto de mim estendeu-me um pouco de água, seus lábios estavam cortados e ela não me olhou no ato. Peguei o copo de suas mãos e bebi um pouco, passando-o adiante. Um único copo para todas nós, que covardia. Minha garganta seca pediria por mais, mas deveríamos dividir para que nenhuma ficasse sem. “Transferida?” A voz da mesma me chamou.

 

 

Confirmei com a cabeça, vendo ela mover-se para perto do meu corpo.

 

 

“Queria que eles nos matassem logo.” Seus olhos verdes me fitaram com tristeza. “Por que te prenderam?”

 

 

“Judia.” Menti, sentindo-me mal por estar fingindo, nós compartilhamos nesse momento uma dor tão igual, entretanto imagino que a minha seja deverás menor comparada com a intensidade da dela. Eu não era judia, não tinha uma gota de sangue judeu em minhas veias. Isso era tão egoísta de minha parte, tão maldoso. Sou apenas Stephanie Hwang, informante dos Estados Unidos, filha de um ex militar, nascida e criada em São Francisco. Talvez nunca seja condenada por minha origem ou pelo sangue que corre em minhas veias, não verdadeiramente. “E você?”

 

 

“Também, eles me pegaram em um teatro de Berlim. Mas o que fiz foi pior.... Eu.... Me deitava com mulheres influentes, todas elas me conheciam.” Desabafou, inspirando forte. “Acho que, no fundo, algumas pessoas nascem para estarem.... Sei lá.”

 

 

“Destinadas a sofrer?” Ela ergueu a cabeça, me olhando mais atenta. “Sim, eu entendo.” Desviei meus olhos de seu rosto, olhei para o céu totalmente apagado, sem estrelas.

 

 

Minha voz desapareceu, minhas lágrimas secaram. Deveria mesmo cumprir com o meu lado? Franz cumpriria com o dele? Provavelmente até ele sabia que eu não sairia viva no final de tudo, estava apenas atrasando meu tempo, me dando um pouco de ar para respirar e me incluindo em mais um de seus planos. Outra peça. 

 

 


Notas Finais


/farofei toda/
No próximo capítulo vai ter mais explicações, afinal, o pai da Jessica falou para ela que a Tiffany se deitava com mulheres, mas da onde ele tirou isso? Será que foi a Tiffany que pediu para ele contar uma história falsa a Jessica? /corre/ Mantenham a garota que a Tiffany/Steph conheceu na head, ela é importante. Quem será o informante que está em Dachau? ~suspense~ A Stephanie ta toda ferrada querendo voltar pro país dela, ajuda a bichinha Jung!

- Notinha: eu usei o google tradutor nas partes que tem alemão e francês (sim confesso), algumas coisas podem estar fora de ordem se vocês tentarem traduzir.

Gente, assuntos a parte, mas vocês viram o teaser da nova música da Sica? Eu fanfiquei toda, meu deus, ela tava chegando em uma festa acabada (aka all night), e no mv de all night a Tiffany ta ligando para alguém, meu deuuuuuuus segura meu Jeti (sai taeny não te quero) BRINCADEIRA TAENY SHIPPERS LOCKSMITHS AMO VCS. mas sério, meus dedos tão coçando muito pra não iniciar outra fic jeti baseada nesse mv, tô até pensando em fazer fan edit de vídeo /chora/ as ideias tão surgindo na minha cabeça, quem sabe não rola outra fic jeti? segurem minha mão!! ouçam holiday night muito, muito, as meninas tão lindas!! all night hino aaaaaaaaaa beijão e até o próximo.


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