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História Sina. - Capítulo 2


Escrita por: TerrasemNome

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 2 - Capítulo I Fase I


Fanfic / Fanfiction Sina. - Capítulo 2 - Capítulo I Fase I

— O que você quer aqui?

A voz já não parecia mais tão infantil como antes, agora carregava uma dor que não estava ali há mais de quatro semanas atrás, a menininha não o vira durante todo esse tempo, ficara reclusa.

— Eu sei que está aí, Hyuuga, eu vejo você.

Hinata não deveria ter saído do clã sozinha, muito menos ter ido até lá, o complexo Uchiha agora era um lugar proibido, principalmente para ela e Sasuke, seu pai ficara transtornado quando descobriu o que aconteceu, "poderíamos ter sido vítimas daquele massacre", Hinata não sabia o que sentir, apenas um peso no peito.

O Uchiha olhava para a grande floresta a sua frente, a correnteza gélida soprava seus cabelos curtos e arrepiados, havia grandes manchas escuras envolta dos seus olhos, Hinata ficou sabendo que seu amigo passou cinco dias adormecido, em choque pelo o que viu, olhando-o de perto parecia mais magro e pálido do que o costumeiro.

A jovem Hyuuga apertou as mãos pequenas e frias em frente ao peito quando sentou-se ao lado dele, a grama úmida e verde manchando o quimono claro e caro, agarrou as perninhas juntando-as ao troco.

— A minha  irmãzinha nasceu…

Tsc… Me deixe em paz… — ele queria ir, deixa-la ali.

— E a minha mamãe morreu

Pela primeira vez desde que a notou, Sasuke virou os orbes pretos em direção a menina, Hinata sempre lhe pareceu frágil, era muito pequena e muito crédula, para ela não haviam más intenções e Sasuke queria ser como ela, presa em uma bolha de otimismo, no entanto, olhando-a bem, a tristeza cortava os olhos ingênuos e puros, não havia rubor em suas bochechas gordinhas, apenas o brilho da melancolia.

— Agora meu papai não gosta mais de mim — Ela escondeu o rosto entre os joelhos, o corpo miúdo tremeu e ele ouviu um soluço —  Meu papai não fala mais comigo, S-Sasuke-kun… 

— Tsc.

Por que coisas ruins aconteciam? Ele tinha sido um menino levado? E ela não comia os vegetais? Por que tinham que sofrer tanto?

O garoto não sabia, toda vez que fechava os olhos ele via Itachi, mas não como sempre o tinha enxergado, aquele não era o seu irmão, Uchiha Itachi não era um assassino. Seu irmão não era assim! No entanto, ele viu, com o próprios olhos, Itachi matar os pais, Mikoto, Fugaku, tantas vezes que fora incapaz de suportar.

Dói muito — ele sussurrou com a mão apertando a camiseta preta.

— Vai passar, Sasuke-kun… Neji-nii-san disse que passa... Ele...

— Você não entende — irritado, socou o próprio peito — Eu vi, Hyuuga, EU VI! Eu não quero sentir, não quero, não quero!

Socou-se novamente, ele faz uma, duas, três, quatro, Hinata o olhava incrédula, enquanto ele não parava, até que a menina não suportasse mais, segurando seu punho com ambas as mãos, havia tantas lágrimas no rosto dela, um mar inteiro banhando a face vermelha.

PARE! P-Pare, por favor, só pare, Sasuke-kun! 

Ambos estavam em choque, o ar frio castigava os corpos jogados no chão, Hinata o segurou até ver o brilho da cólera sumir, sequer sabia que Sasuke segurou o impulso de virar os punhos contra ela, teria coragem? Ele só tinha raiva e ela crescia em seu peito a cada noite que não conseguia dormir.

Ele detestava os olhos dela, tão puros.

Eu odeio você — Ele soprou com ira na intenção de fazê-la sair.

— T-Tudo bem, Sasuke-kun.

— Eu… Odeio… Você!

Mais lágrimas e ele sentiu uma fisgada no peito, durante todos aqueles dias, Hinata não tinha ido visitá-lo. Era estranho a forma como aquela garotinha tão boba poderia lê-lo com facilidade, por isso ele não gostava dos olhos dela, soltou-se das mãos miúdas.

— A minha mamãe morreu! — ela gritou de volta — E... E E-Eu estava presa.

— Meu irmão matou à todos — Sasuke rugiu como um animal ferido — E eu vou matá-lo! — Era a primeira vez que Hinata via o brilho vermelho nos olhos tão bonitos do garotinho.

O Sharingan.

— S-Sasuke-kun… — Com as mãos nos lábios, ela segurou um soluço.

— Eu vou matá-lo, Hinata.

Ele quase nunca a chamava pelo nome, quando o fazia tinha um ar engraçado e despretensioso, mas a jovem herdeira não gostou daquela vez.

I-Itachi-kun

Como um dragão, Sasuke serpenteou até a menina sentada na relva baixa naquela clareira aberta.

— Nunca mais diga esse nome, Hyuuga.

— M-Me… Me desculpe, Sasuke-kun… Por favor, me desculpe.

Sasuke jamais poderia dizer que não gostava dela, Hinata era alguém com quem já havia se habituando, sua presença era pacífica, quieta e confortável, a jovem Hyuuga transmitia uma calmaria simples e contínua, era de riso fácil e choro mais ainda, no entanto, ele não gostou da forma que a fazia entrar em pânico, o corpo trêmulo e os soluços amedrontados, afastou-se ao fechar os olhos.

Chorona

Houveram mais cinco soluços até ouvi-la respirar com normalidade, a voz ainda era um sussurro amedrontado.

— Você... Você… Me assustou…

— Você é mesmo uma bobona

— Não… — Ela fez uma pausa, o menino sabia o que seria dito — Seja mau comigo...

— Você não me visitou.

Sasuke virou o rosto corado após dizer aquilo, recebeu muitos rostos conhecidos, cabelos de todos os tons e cores, até mesmo rosados, mas não viu os fios negros azulados ou os olhos lunares.

— N-Não podia, Sasuke-kun, papai não deixou…

Tsc… Não importa.

Sasuke jogou-se na grama, o corpo cansado e denso, fechou os olhos com força temendo ver aquilo mais uma vez, então ouviu o farfalhar de tecidos e o cheiro suave de jasmim, abriu apenas um pouco os olhos para ter certeza, Hinata deitou-se ao seu lado, voltou a fechar os olhos novamente quando sentiu os dedos finos e frios dela envolver sua mão, estranhamente, Sasuke teve o coração preenchido por algo que não sentia há quase um mês inteiro.

Paz.

Konoha inteira vivia momentos conturbados e conflituosos, o velho Sarutobi seguia sendo pressionado sobre como lidava com o pequenino portador da Kyuubi, Uzumaki Naruto era uma criança hiperativa, aprontava pela vila inteira, agora tinha que lidar com Sasuke, o Conselho da vila havia jurado ao Uchiha Itachi que faria de tudo para que seu irmão tivesse uma vida normal, pôs massacre, mas a verdade era que não sabiam lidar com o garoto, Sasuke não comia, não falava, sequer interagira com alguém durante todo aquele tempo, vagava pela vila sendo seguido de longe, discretamente, por um ANBU.

Os raios de sol eram fracos pois ele se escondia no horizonte, atrás das densas folhagens, a luz que escapava entre as brechas esquentavam delicadamente sua face de menino, ele notou a respiração e quietude de Hinata, a menina era silenciosa, mas ali estava em demasia, virando o rosto e abrindo preguiçosamente os olhos, Sasuke a viu dormir, os lábios entreabertos e o peito vacilante, subindo e descendo delicadamente, as bochechas ainda tinham os rastros de lágrimas e o nariz ainda estava vermelho, mas ela parecia bem e o Uchiha percebeu que também estava quieto dentro de si.

Ele poderia ficar mais um pouco e fingir que estava tudo bem, por hora.

Hinata-sama! Hinata-sama! 

Pela floresta, Sasuke escutou os gritos preocupados, haviam demorado, percebeu, talvez, de fato, o pai da garotinha não estivesse tão por perto como costumava ficar.

Mamãe… Não... Não me deixe… — Ela implorou em um sono pesado quando Sasuke a balançou, virou o tronco, encolhendo-se.

Contrariando, Sasuke a deixou ali, sozinha, mas sabia que a jovem Hyuuga estava segura, escondido entre as folhas na copa de um salgueiro, vigiava.

— A encontrei! — o Uchiha tinha certeza que Neji o viu.

 

■□■

 

Alguns anos depois

Mansão Hyuuga 

Dentro do clã Hyuuga, o silêncio fazia sua morada entre as vielas claras e limpas do complexo, as casas mantinham suas luzes acesas e a portas abertas, um extenso corredor de pinheiros podados guardava o caminho para a casa principal, ainda mais quieta que as outras.

Hinata segurava o pergaminho entre os dedos pequenos, os pés descalços corriam pela grande casa, a madeira fria e polida a fazia deslizar diversas vezes, tropeçando e caindo, mas ela mantinha-se firme… Até parar diante da grande porta, faziam anos que a menina não batia ali.

— Pai… — sua confiança havia ficado pelo caminho — Pai, o senhor me escuta?  Tem um minuto para mim? Por favor...

Hm.

— T-Tenho… Uh… Tenho um pergaminho para o senhor…

— Sobre? — Hiashi sequer abrira a porta.

— A-A… Academia, lembra? Eu me inscrevi…

— Você não desistiu dessa ideia estúpida?

A menina apertou o papiro contra o peito com força, era uma tola.

— Des…Desculpe, pai.

Hinata ouviu a cadeira ranger ao ser arrastada contra o assoalho e afastou-se em um pulo, o coração bobo batendo contra o peito, com força, a última vez que havia visto o líder Hyuuga fora há um mês enquanto treinava com Neji.

Ela perdeu e Hiashi deixou o dojô, decepcionado como todas as outras vezes.

— Deixo-o aí — só uma fresta, Hinata não teve coragem de olha-lo nos olhos, mirou os pés cortados pelas pedras do campo aberto onde treinava sozinha — Quando tiver tempo, talvez eu leia.

Ela suspirou, trêmula como um bambu, depositou o pergaminho no chão, o papiro pardo preso a uma fita vermelha com o selo da vila, fora aprovada, só precisava que seu pai assinasse.

— Obrigada, pai, com sua licença.

Curvando-se respeitosamente, deixou que algumas lágrimas molhassem a madeira, ao longe o choro de uma criança ecoou.

— Sua irmã, vá.

E ela foi, sequer viu que escondido em uma pilastra, seu primo a observava como sempre fazia, Neji a via treinar noite e o dia, por muito tempo acompanhou de longe encontrar-se com Uchiha Sasuke. Fora o único a notar que menininha cozinhava mais do que costumava comer, não precisava de muito para assimilar, mesmo que Hinata não fosse boa em esconder nada de ninguém, manteve-se quieto, não havia maldade ou perigo, até que Hiashi descobriu, o castigo ainda marcava a pele alva daquela criança.

Oh! — Hinata pegou a irmã nos braços, a pequena Hyuuga estava no chão, os braços envolta dos joelho — Hanabi, você caiu?

Os olhos, tão grandes e pálidos, pareciam uma represa, chorosa, deixou-se ser embalada.

— Na…Não, eu tive um sonho… ruim, irmã.

Oh, você quer me contar?

Hanabi apenas mexeu a cabeça, virando-a de um lado para o outro, enterrando-se ainda mais no colo da irmã mais velha, Hinata sorriu abraçando-a com força.

— Está tudo bem, Hanabi — a voz calma trazia uma paz imensurável para a pequenina, ambas ali, encostadas no grande roupeiro — Eu também tenho pesadelos.

— Tem, é?

Aham… Com a mamãe…

Houve um grande silêncio, apenas o som de uma garoa fina ao sair nas folhas das árvores, a correnteza de ar passava por elas, fazendo-as encolher-se ainda mais.

— Ela… Ela…era boa?

Hinata parou um instante e sua irmã percebeu que tremeu por algum motivo, só não sabia que o coração da Hyuuga mais velha havia parado duas batidas por causa do muito esforço que fizera para lembrar-se de sua mãe… Que tipo de filha era? Sequer lembrava-se da voz, imagina do rosto? Hinata não tinha culpa, seu pai havia destruído tudo e qualquer lembrança, arrancado do lar as memórias da esposa, fotografias, joias, quadros, roupas, tudo o que pudesse ver era jogado no lixo.

Hamuri fora, com o tempo, apagada

— Mu…Muito boa… Muito bonita.

Hanabi atrelou o choro a saudade, levou as mãos pequenas ao rosto redondo e bonito de sua irmã, limpando-a.

— Não chore não — Pediu lutando contra as próprias lágrimas.

— T..Tá bem… Eu não choro — Assegurou a mais velha com um sorriso quebrado — V…Você tem que dormir, Hanabi...

— Irmã… — Chamou quando fora colocada de volta ao futon — Por que o pai não gosta da gente…?

Hinata congelou, sua irmã era tão pequena, menor do que si mesma quando perdera a mãe, as vezes, tinha inveja da ignorância de Hanabi, a jovem Hyuuga não conhecera Hamuri, logo não tivera o coração despedaçado com sua partida.

— Ele… O pai não nos odeia, Hanabi… Ele só está triste…

Hanabi levou o lençol até o nariz.

— Ele está sempre... Triste…

— Não se preocupe com isso, irmãzinha, eu sempre vou está aqui com você.

— Obrigada, Hina-nee-san.

Sim, o velho Hiashi sempre estava triste, Hinata sentia falta do pai, de quando ele a jogava para cima e ela sentia que poderia tocar o céu, de quando ele a levava nas costas para o quarto e embalava seu sono, Hinata sentia falta de como ele poderia sorrir, de como sentia-se segura, Hiashi era seu grande samurai da Lua, agora era apenas um sombra daquele homem.

— Irmã... — Enxugando as lágrimas, Hinata sorriu quando a irmã a chamou — Pode brincar comigo... Quando terminar de treinar… Amanhã...?

— Claro, Hanabi, eu posso.

— Obrigada, irmã.

O Sol sequer tinha nascido quando Hinata fora acordada, Natsu, a governanta e zeladora das meninas Hyuuga, penteava os cabelos curtos e escuros de uma Hinata sonolenta, ajudara a colocar a roupa de treino, doía profundamente ver aquela menina tão doce ser quebrada tantas vezes por alguém que ela amava demais.

— Acorde, Hinata-sama… Você tem que ficar acordada.

— Estou… Estou tentando… Natsu-san…

— Você não deveria ter ido dormir tarde, sabe que treita com Neji-san no raiar do dia.

— Hanabi… precisava de mim — Ela bocejou ao encostar a cabeça na parede quando a moça passava o pó branco em seus pés — Ela teve um sonho… ruim… ... Isso arde muito...

— Me desculpe, Hinata-sama, é para o seu bem… Deveria ter me chamado, é meu dever…

— É…É o meu… também…

— Agora vá… Seu primo a espera no dojô…

— M-Mas… Eu estou com fome... — colocou as mãos no abdômen, não havia jantado.

— Me desculpe, Hinata-sama, mas não tenho permissão para alimentá-la…

Hinata olhou para o chão, os pés brancos devido ao pó, mas sorriu para a moça que tinha lágrimas nos olhos.

— Eu… Entendo, Natsu-san, obrigada — Antes de ir, curvou-se em respeito, logo correu para o dojô, se chegasse atrasada, ficaria sem o almoço.

A governanta levou as mãos ao peito, o choro ardia preso a garganta.

"Hamuri-sama, por favor, me perdoe, minha senhora…"

Neji olhava para as portas com desenhos, a terra sob seus pés não incomodava, mas a demora de Hinata sim, logo Hiashi estaria ali, mas um vulto escuro apareceu, os cabelos curtos e olhos claros como a Lua cheia e alta se fizeram presentes.

— Me…Me perdoe, Neji-nii-san, eu…

— Está atrasada.

— Eu sei... — Hinata não se desenvolvia como os outros Hyuuga, Neji culpava não apenas sua gentileza, mas a precária alimentação da garotinha — Se precisar contar ao…

— Dessa vez, Hinata-sama, só dessa vez, deixarei passar.

Aquela menina não poderia ficar dois dias inteiros sem comer ou seu treinamento de nada valia.

— O-Obrigada, Neji-nii-san.

— Vamos logo com isso, posição!

Hinata era leve, muito leve, havia precisão em seus movimentos, seus saltos, Neji os julgava melhores que os seus, no entanto, faltava força e vontade, ela não queria ataca-lo ou machuca-lo, preferia ser ferida, apenas defendia-se ou fugia e isso o irritava mais do que qualquer outra coisa.

— Você é ridícula — Ele proferiu ao joga-la no chão pela quinta vez

— E-Eu…

— Poupe-me, levante-se.

Ela sempre levantava, os olhos de Hinata eram diferentes dos seus ou dos outros Hyuugas, brilhavam com um intensidade assustadora, transparentes como as águas cristalinas do lago sagrado e escondido no clã, Hiashi olhava de longe junto a Hanabi, não ouvia, mas sabia o que era dito, ele e Neji eram parecidos demais.

— A minha irmã é incrível! — sussurrou Hanabi encantada com a leveza e destreza de Hinata.

Hm... — um murmúrio fora tudo o que ouviu do pai.

"Como alguém poderia não gostar de Hinata?" Perguntava-se a menor, sua irmã era fantástica.

— Seja firme, Hinata-sama! — Neji a atacou, o lábio feminino tremeu quando sentiu o corte arder na bochecha esquerda ao ser lançada no chão de pedrinhas pequenas — Eu disse, seja firme, você é burra?

— M-Me desculpe…

— Cale-se, me ataque!

Ela tentou, uma duas, três vezes, mas todas as suas forças eram esvaziadas, caída no chão, a menina parou, respirou fundo antes de erguer-se mais uma vez, Neji acompanhou a palidez tomar conta do rosto bonito e delicado, estavam há mais de quatro horas ali, ela havia comido? Apoiada nos joelhos, Hinata limpou o sangue que escorria e entrou em posição.

— Chega — Neji proclamou ao olhar em direção ao tio.

— N-Não… Eu consigo… Dessa vez.

Os olhos dela, tão vivos, carregavam uma dor que Neji não suportava olhar, mantendo o queixo erguido, o Hyuuga sorriu com escárnio.

— Eu não chuto cachorro morto, Hinata-sama.

— Eu… Eu consigo dessa vez…

Repetindo seu mantra, a menina não batia em seu ombro, frágil, um único empurrão a faria cair.

— Descanse, Hinata-sama… Coma alguma coisa e depois voltaremos.

Era resistente, ninguém poderia dizer o contrário, Hinata continuava de pé, sem comer ou dormir, continuava de pé, cambaleante, rumou em direção à casa principal, encontrou o quarto de vassouras e entrou, sem pensar, abraçada aos joelhos, enterrou a cabeça ali, suplicando à deus que lhe desse forças, chorou até soluçar, trêmula, sentiu-se tão pequena que poderia caber em uma caixa de fósforos.

Odiava o fato de ser fraca e frágil, insegura sobre si mesma e tudo o que a envolvia, se todos diziam que não conseguiria era porque viam algo que ela não sabia ainda, sua mãe sempre dizia que Hinata era especial, talvez ela estivesse enganada, não havia nada de fantástico em si, era um monte de nada, uma bagunça de tristeza e solidão, seu único amigo não queria falar mais com ela, Sasuke também deveria ter visto o quão fracassada ela era.

— Irmã? — A voz de Hanabi ecoou pelos corredores assim como seus passos leves — Irmã onde você está?

Hinata respirou fundo, limpou as lágrimas ao passar as mãos no cabelo, ensaiou seu melhor sorriso antes de abrir a porta.

— Estou aqui, Hanabi.

Os cabelos castanhos caiam na face bambina de menina levada, um sorriso feliz apareceu.

Ah! Eu estava te procurando, irmã. 

— Percebi…

— Você sumiu, te procurei em toda parte! — acusou ao fazer um biquinho, balançou o corpo pequenino para frente e para trás.

— Me desculpe...

— Você está muito cansada?

Uh… — estava e com muita fome, mas os olhos da garotinha brilhavam… — Não.

— Então venha, vamos brincar de ninjas!

Ela sorriu, passou mais uma vez as mãos nos olhos antes de correr atrás da irmã, enquanto Hanabi pudesse ser feliz, estava tudo bem.

— Claro!

Hanabi pulava de um lado para o outro no enorme quarto decorado com flores de cerejeiras, o quimono embolava nas pernas, todos os seus brinquedos estavam espalhados pelo chão, enquanto Hinata estava encostada no roupeiro, era a princesa guerreira capturada pelo dragão que seria resgatada pelo grande e poderoso Senju Hashirama.

— Vamos, princesa, eu matei a Bijuu!... … Princesa…? — Hinata dormia, cansada — Oh… Você apagou…

Silenciosa, Hanabi pegou seu lençol cor-de-rosa, afastou os brinquedos e deitou-se ao lado da irmã, envolvendo-as com amor.

— Tudo bem… Vamos descansar um pouco, nós lutamos bravamente, princesa...

Natsu entrou minutos depois, a primeira coisa que viu fora a bagunça de Hanabi, havia mais objetos espalhados pelo chão do que poderia contar, mas seus olhos foram parar nas garotinhas, Hinata ainda usava a roupa de treino, o rosto ainda sujo de sangue e terra, enquanto a irmã parecia querer protegê-la ao segurar uma kunai de brinquedo.

Oh… Hinata-sama, você nem comeu… — sussurrou comovida.

"Porque você falha, você tem a força para se levantar de novo… é isso que acredito ser a força verdadeira!" — Hyuuga Hinata.


Notas Finais


Eu chorei muito com esse capítulo, acho que foi um dos mais sensíveis que já escrevi.
O afastamento da Hinata e do Sasuke já está estabelecido, acho que não ficou claro, ela foi proibida e punida por falar com ele, mesmo assim ela tentou e o Sasuke a repeliu, no próximo saberemos o porquê.
O que é importante, ambos eram os portos seguros um do outro, mas a amizade estará muito quebrada quando forem fazer parte do time, boa parte por causa do Sasuke.
A Hinata é tão cheia de marcas quanto o Sasuke, ele perdeu a família e foi obrigado a ver aquilo milhares de vezes, imagina a cabeça dele? Sua luz era a amizade com a Hina.
Enquanto ela perdeu a mãe, o pai mudou do vinho para água, a machuca e a ignora, seu clã é frio e Neji, mesmo que no fundo goste dela, desconta toda sua frustração e raiva na prima.
Hinata tanta ser a melhor irmã possível para Hanabi, para que ela não sofra tanto.
A amizade dela com o Sasuke é a coisa mais doce.


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