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História Sinais - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa leitura <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


Jeonghan olhou para os lados, perdido. Não sabia onde estava, nem onde era sua sala e muito menos qual dos corredores deveria seguir, eram tantos...Respirou fundo, sentindo no fundo da garganta a vontade de chorar e ir embora o atingir com força. Não é que fosse chorão, mas, naquele momento, levando em conta a ocasião, era assustador estar sozinha e não conseguir falar com ninguém. Sempre fora vergonhoso e inseguro desde pequeno e com o passar dos anos, isso apenas se acentuou. Era quase como se Jeonghan fosse a insegurança em pessoa.

Olhou ao redor mais uma vez, pouco esperanço, tentando encontrar um dos responsáveis pelos calouros da faculdade. Tinham lhe dito que alguém estaria esperando por si ali. Nada, não havia nenhum no seu campo de vista. O garoto se afastou da multidão, dando sorrisos deveras forçados como pedidos de desculpa para cada pessoa que acabava esbarrando. Forçou-se mais um pouco, andando a passos rápidos, para sair logo daquele meio. Respirou mais calmo quando estava livre, ninguém mais relava em seu corpo.

Desistindo de tentar encontrar sua sala, Jeonghan decidiu que esperaria sentado nos bancos que tinha achado quando chegou no campos, eles ficavam em frente do bloco B. Se apressou e acomodou-se num dos bancos, deixou sua mochila ao lado e retirou o celular do bolso frontal. Olhou as horas no aparelho eletrônico e estava quase no horário das aulas terem início, faltavam apenas 10 minutos. Bufou, chateado que perderia a primeira aula. Aproveitou que estava com o celular nas mãos e decidiu responder as poucas mensagens que haviam ali na tentativa de não se chatear mais ainda. A primeira mensagem era de sua mãe perguntando se estava tudo indo bem...decidiu responder ela depois. A outra mensagem era de seu melhor amigo, Joshua. Diferente das mensagens de sua mãe, o amigo avisava que chegaria atrasado na faculdade e que sentia muito não estar junto do Yoon no seu primeiro dia. Joshua era seu amigo de infância e estudavam na mesma faculdade agora, mas com diferença de um ano. Josh era seu veterano.

Jeonghan se sentiu ainda mais chateado após ler as mensagens. Péssima ideia, pensou, péssima ideia. Perdeu mais um pouco de tempo pulando de aplicativo em aplicativo, lendo algumas notícias inúteis e suspirando emburrado. Deu uma olhada rápida pelo campos e não parecia o mesmo de minutos atrás, estaria quase vazio se não fosse por um grupinho que perambulava pelo pátio, pareciam perdidos também, eles apontavam para os prédios e comentavam algo depois indicando um papel que carregavam.

Deu de ombros, não era como se pudesse ajudar eles. Voltou para o seu celular, agora tentando se entreter em algum dos joguinhos que tinha por ali. Minutos depois já estava entretido tentando matar os adversários para que pudesse tomar a área deles, no entanto, deixou o aparelho cair em seu colo com o susto que tomou ao ter seu ombro cutucado, de repente, duas vezes. Olhou para seu lado esquerde, os olhos arregalados e a boca aberta, para dar de cara com um garoto de cabelos cinzentos olhando de volta para si. O rapaz, percebendo o que tinha feito, recolheu sua mão, unindo-as e logo começou a se desculpar.

— Sinto muito, não queria te assustar.

Jeonghan nunca gostou que tocassem seu corpo, não importava qual fosse a ocasião, apenas...não. Sentia-se inseguro e indefeso em muitos casos, a falta da fala fazia de si um alvo fácil para todos os tipos de brincadeiras sem graça e ofensivas. Conseguia viver normalmente, fazer suas coisas como qualquer outra pessoa, mas toques eram o seu ponto fraco, algo que ainda não sabia lidar muito bem. Sempre se assustava e preferia evitar.

Puxou uma grande quantia de ar para tentar se acalmar. O coração batia forte em seu peito, as mãos se apertavam no colo. Quando mais calmo, Han se encolheu no lugar, tomando um pouco de distância, por segurança. Puxou sua bolsa para mais perto de si e respirou fundo de novo, não sabia o que fazer. Podia ver nos olhos do garoto que ele estava arrependido, os olhinhos pequenos pareciam como os de um cão pidão.  Acabou assentindo, aceitando o pedido de desculpa do outro garoto, sem pensar muito mais.

— Eu me chamo Choi Seungcheol, sou calouro — Se apresentou — você tá perdido? Eu e meus amigos estamos. — Sorriu pequeno, apontando para o mesmo grupo que tinha visto antes. O garoto coçou a cabeça, bagunçando os cabelos de forma adorável. Jeonghan assentiu em resposta

— Você é de qual curso? Eu faço música.

Jeonghan passou alguns segundos observando aquele ser tão falante e com aparência alegre, mesmo estando perdido e perdendo a primeira aula. Como queria ter toda essa animação. Enfiou a mão dentro da bolsa, caçou por um tempo o papel que tinham lhe dado com as informações do seu curso. Quando o encontrou, entregou para o de cabelos cinzas, em silencio. Cheol leu quieto, com um sorrisinho nos lábios.

— Legal, você faz literatura, um dos meus amigos também. — Disse e devolveu o papal. O Choi continuou olhando para Jeonghan, até que voltou a falar. — Você...me desculpa se soar ofensivo, mas, você não fala?

Jeonghan não achou ofensivo, não achava ofensivo que viessem perguntar, ainda que alguns não chegassem com tanta sutileza. Umas das primeiras coisas que aceitou em sua vida era que não podia falar, nascera daquela forma, não iria adiantar se rebelar com o mundo, nada faria sua voz aparecer, magia só existia nos livros de fantasia. Havia dias que se questionava como sua voz seria ou como seria poder falar e não apenas escrever tudo que queria ou tentar usar linguagem de sinais, o que era difícil, poucas pessoas sabiam. Não podia reclamar, tivera o privilégio de aprender ler e escrever muito bem, nem todos tinham tal privilegio. Sorriu pequeno e assentiu, mais uma vez.

— Caramba, me desculpa.

Torceu o nariz para a fala do outro. Porque ele estava se desculpando?  Jeonghan ergueu uma de suas mãos, pedindo para que ele esperasse um pouco. De dentro da bolsa tirou um bloquinho de papel, as folhas eram coloridas. Com uma caneta, escreveu numa das folhas, arrancou-a logo depois e entregou ao Choi.

“Pelo quê?”

— Eu cheguei te assustando e só comecei a falar, não sei...— Foi parando de falar, sua voz diminuindo até se perder. Yoon não deixou que muito tempo passasse, se curvou e escreveu em outro papel, fazendo o mesmo que antes e entregando-o assim que terminou de escrever.

“Tudo bem, você não sabia. Não é sua culpa”

Seungcheol assentiu, no instante seguinte um sorriso nervoso surgiu em seus lábios. Suas mãos bagunçaram mais seu cabelo, os lábios sendo mordidos foi a confirmação de que o garoto estava mesmo nervoso.

— Eu...eu sei um pouco de Linguagem de sinais, só um pouco, algumas coisas básicas, sabe? Claro que você deve saber, sim, que pergunta idiota a minha.

Jeonghan se entusiasmou ao ouvir aquilo, era bastante difícil de encontrar pessoas que soubessem, mesmo o básico, da linguagem de sinais. Ouviu o garoto falar aquilo trouxe-lhe um calor gostoso para dentro do peito, um comichar em sua barriga. Só naquele momento percebeu como estava à vontade na presença de um completo estranho. Não se importou, apagou aquela informação de sua mente e apenas se focou no que o outro havia falado. Era só ele não o tocar de novo e tudo estaria bem. Ele sabia um pouco de linguagem de sinais, afinal!

Outro papel foi escrito e entregue.

”Mesmo? Eu quero ver! Isso é muito legal, você saber um pouco”

— Nossa, por essa eu não esperava — riu um pouco desacreditado — mas como você pediu, eu faço.

*Seungcheol ergueu sua mão esquerda até a altura do rosto, depois encostou seus quatro dedos no seu dedão, formando a letra “O”, ergueu seu dedo mindinho e fez um círculo completo na frente do rosto. Repetiu o sinal de “Oi” mais uma vez até mudar para outro. Ergueu seu dedão e continuou com o mindinho erguido, encostando os outros três dedos na palma da mão e encostou eles no queixo em seguida. Era o sinal de “Desculpa”. Por último, esticou todos os dedos e tocou sua testa em um movimento simples e rápido e a desencostou depois. Aquele era o sinal de “Obrigado” mais informal.*

Jeonghan bateu palmas baixinho quando o garoto terminou, ele estava impressionado, ele era muito bom naquilo, todos os sinais estavam certinhos, faltava um pouco pratica e acentuar as expressões faciais, mas estavam certos. Com os olhos brilhando, agarrou o bloquinho colorido, a caneta riscando o papel com rapidez.

Você foi muito bem! ”

— Obrigado...Ei, eu não sei seu nome! — Exclamou Seungcheol.

O garoto só percebeu isso agora que Seungcheol tocara no assunto. Não tinha informado seu nome em nenhum momento – sua insegurança e receio estavam tão grande de início que, sequer, pensou nisso – e no papel onde estava as informações do curso não continha nada mais que o nome do curso, a sala e a grade curricular com os horários. Estendeu a mão na direção do Choi e pediu o papel do bloquinho que estava entre seus dedos, o garoto devolveu-o. Usando o mesmo papel escreveu seu nome o mais legível possível.

”Yoon Jeonghan”

— Seu nome é bonito, Jeonghan — falou — tenho uma pergunta...Quer ser meu amigo? Por favor, por favor. Você parece ser tão legal.

Aquilo pegou Jeonghan de surpresa, muita surpresa! Receber um pedido de amizade vindo de Seungcheol o levava direto para sua infância, para a primeira e única vez que ouvira algo parecido. Tinha 7 anos quando acabou encontrando um pequeno Joshua no parquinho que havia perto de sua casa, tinha ajudado a criança menor a subir em um balanço e depois passaram a tarde todo brincando, e antes de irem embora, Joshua correu até si e perguntou se podiam ser amigos para sempre. E eles ainda eram. Aquilo nunca se repetiu e não nunca foi algo tão ruim assim, estava acostumado em ser apenas os dois contra o mundo preconceituoso.

Mas não se importaria caso tornassem-se os três mosqueteiros contra o mundo preconceituoso.

“Sim” escreveu no bloquinho, dessa vez sem destacar a folha de cor azulada. Han viu o sorriso bonito de Seungcheol cresceu e seus olhos tornarem-se finas linhas escuras. Fofo.

— Isso! Agora, quer vir comigo e tentar achar sua sala? — Perguntou e apontou para onde seus amigos tinham ido. O Yoon assentiu, guardou o bloquinho e a caneta dentro da bolsa e a fechou. Antes de se levantar, pegou o celular que estava esquecido em seu colo. Olhou para Seungcheol e depois apontou para o celular, num pedido para que esperasse um momento que faria algo no celular.

Entrou no aplicativo de mensagens e foi até a conversa com Joshua e digitou rapidamente “Me encontra na saída, tenho algo legal para te contar e alguém para apresentar”. Guardou o aparelho no bolsinho externo da bolsa, colocou a mochila nos ombros e levantou do banco. Seungcheol lhe lançou outro sorriso antes de falar:

— Vamos?

 


Notas Finais


*Gente, só uma explicação rápida. Os sinais que o Cheol faz na historia são em PORTUGUÊS, não é uma linguagem universal, então, para cada país é diferente, e como eu não sei coreano nem a linguagem de sinais de lá, preferi colocar as que sei em PORTUGUÊS. Vou deixar um vídeo bem legal com alguns sinais básicos pra quem quiser dar uma olhada.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=6Og2C7bALCc
Link de um artigo sobre Linguagem de Sinais: http://www.metodista.br/rronline/noticias/cidades/2011/10-1/temporario/libras-e-a-linguagem-responsavel-em-estabelecer-contato-com-surdos-e-mudos
-X-
Eu tinha um projetinho de trazer mais historias assim, mas acabei adiando bastante. Enfim, a primeira historia está ai e espero que gostem bastante dela. A próxima vai ser com os meninos do NCT/WayV, então, esperem por ela, ok?
Sempre tive uma paixão por linguagem de sinais (libras) e no meu curso da faculdade eu vou ter, então, como eu sei um básico (básico mesmo, tanto que se algum estiver errado e alguém souber, me avisem) decidi tentar trazer historias diferentes, que incluam mais pessoas com deficientes.
É isso, até mais <3


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