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História Síndrome dos 18 anos - Taegi - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


oi né, perdão pela demora. Esse é o último capítulo que tenho pronto, vou aproveitar essa quarentena pra ir escrevendo meu pai, o medoh
enfim, boa leitura

Capítulo 3 - Bonecas e jogos de queimada


17 de outubro, segunda.

O mundo não está preparado psicologicamente para a tensão e acontecimentos desse dia.

Esse relato é contraindicado em caso de suspeita de vergonha alheia, a persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado.

Eu acho sinceramente que só por ser segunda-feira já tinha tudo ‘pra dar errado. Só dando uma palinha do quão ruim esse dia já começou: a primeira aula era da múmia Han, a segunda era com o professor mais moscão possível e depois era física, que o professor é gente boa, mas a matéria é fodida.

Eu entrei normalmente na escola, usando meus fones de ouvido e com o visual de sempre. Caso esteja interessado, é um All Star vermelho, calça jeans rasgada, uma camiseta de banda por dentro da calça, uma jaqueta jeans surrada e meu belo par de óculos pretos. Meu cabelo nem falo nada, típico cabelo preto de tigela, qual a graça?

Era comum eu entrar e ninguém saber, consequentemente enquanto eu andava pelos corredores aquelas pessoas que fediam adolescência, sexo, ressaca e hormônios acabavam esbarrando em mim. Era mais legal ser invisível do que entrar e ter todo mundo te olhando e falando de você.

Não recuei, continuei andando e – chocado – não quase perdi um braço de tanto esbarrarem em mim. Dá ‘pra acreditar? As pessoas desviando de mim? Mas não entendi.

Assim, metade do mundo gosta do Taehyung, então vamos usar meus conhecimentos em fanfic Larry ‘pra dizer como seria, porém com nossos nomes no lugar: Eu, Min Yoongi, supostamente gosto do bad boy Taehyung – supostamente mesmo, já que é só um boato – porém sou só um cara de um amigo e estranho. Se a escola toda gosta dele também, eles deveriam me odiar por estar ganhando fama sobre o amado deles, afinal assim ele iria me enxergar.

É amigos, a vida realmente não é uma fanfic, porque eu nunca fui tão respeitado naquele lugar.

Até é legal gente, juro, mas a informação que causa isso me impediu de aproveitar isso num nível absurdo. Medo de andar de boa e aquela assombração aparecer de novo.

— Oi Yoongi.

Pulei, gritei e me irritei, muitos “ei’s”. Esse povo gosta de dar susto né?

— Seokjin eu vou encher seu cu de porrada se continuar me assustando assim todo dia.

— Delicinha, mas agora deixa eu te contar.

‘Tá vendo as amizades que eu arrumo? O que me restou foi fechar a porta do armário e seguir ele, fazer o que né.

Nossa, ‘tava lendo aqui e eu escrevo informal ‘pra caramba.

Diante do esbelto e largo corpo do Kim mais velho, pude notar que este amava os olhares constantes sobre nossas figuras, afinal era um homem nutrido de ego e narcisismo... Não, é bem melhor escrever informal mesmo, parece menos exaustivo e chato.

Enfim, eu ‘tava andando com o Jin, e ele tava curtindo demais essa coisa de chamar a atenção – mesmo que na real era eu quem estava chamando – já que era muito egocêntrico. Aproveite seus quinze segundos de fama, não faz mal.

Nada é capaz de explicar o quão feliz eu ‘tava por ainda não ter visto o Taehyung, já que o inferno é muito mais infernal quando o demônio ‘tá lá, né? Ainda mais com aquele cabelo vermelho, o próprio fogo. Interprete como quiser.

Vocês acham que eu perco o foco muito rápido? Não importa, continuando...

Resolvi prestar atenção no que o Seokjin estava falando e tentar ignorar as risadinhas babacas de quem passava do meu lado. Ok, não era tão difícil.

Mas essa gente é muito inconveniente mesmo: — Oi.

Uma garota que eu nunca vi na minha vida surgiu entre o Jin e eu. Abusada demais, não gostei.

— Com licença, mas eu ‘tô contando uma história ‘pro meu melhor amigo. – Ele falou indignadíssimo com a moça.

Eu teria rido se não fosse a irritante presença dela, que ignorou completamente a fala anterior.

— ‘Tá, mas... Yoongi, você realmente gosta do Tae?

Respirei fundo, mas TÃO fundo que poderia ter sugado essa menina ‘pra dentro do meu nariz.

— E você se acha no direito de vir perguntar ‘pra alguém que você sequer conhece sobre isso? Não tem vergonha na cara não?

E meu maior erro foi falar isso mais alto que o usual, já que todo mundo no corredor parou de falar só ‘pra me ouvir sendo grosso. E a pior parte disso foi que ela chorou.

Ela chorou por quê? Não sei, talvez por notar o quão irritante foi a pergunta que fez ou por não aceitar umas verdades na cara. Nem todo mundo ‘tá preparado ‘pra sinceridade.

Só sei que ela saiu correndo com a mão no rosto e todo mundo me olhou de cara feia.

Aí o sinal tocou, Seokjin foi ‘pra sua aula de química e eu ‘pra de álgebra. Nunca me senti tão lixo, mesmo sem achar que tinha sido tão grosso a ponto dela chorar.

Mas sabe a vergonha alheia que eu citei lá no início? Ela não é exatamente uma vergonha, é mais dó de mim – acho que é óbvio que a “alheia” pode ser substituída por “vergonha de Min Yoongi”. Minha vida funciona assim, e vocês precisam mesmo ter pena de mim, porque só sofro nesse mundo cruel.

Eu estava na sala de aula, apoiado na minha mão, quase dormindo enquanto fingia prestar atenção naqueles números no quadro. Até ‘tava de boa, a cabeça lá em casa na hora do almoço.

Só que ‘pra variar alguém veio tirar minha paz, e esse alguém era ele mesmo, Kim Taehyung. Nome longo da porra, sempre um trabalho ‘pra escrever.

O “abençoado” cutucou as minhas costas – não sei dizer o motivo de esse infeliz estar atrás de mim – como quem não queria nada. E eu virei sem nem saber que era ele ali, só de ver aquela cara... Aquela cara de Taehyung dele.

Fiz a minha melhor cara de tédio, insinuando ‘pra ele falar.

— Poxa Yoongi, ‘tá ficando rebelde né? Fez uma garota chorar... Qual a próxima? Vai chutar uma velhinha na rua? Puxar o cabelo de uma criança? – Se aproximou, cochichando mais. – Vai tomar a comida de um gordo?

Engraçadinho, o jeito que ele colocou suspense nas falas... Eu daria um soco no nariz dele se eu quisesse, mas eu sou patético. Alguém por favor me dá um tiro.

Por que eu sou patético? Ah, insira uma risada histérica aqui. Pelo simples motivo de: ele ‘tava muito perto, o bafo dele cheirava a morango e eu não consegui deixar meus olhos menos arregalados. Mas não é por causa dele em si, ok? Se uma pessoa chega assim perto de mim eu obviamente tenho efeitos colaterais de virgem que só deu dois beijos na vida.

Mas eu fiquei ali, imóvel olhando ‘pra ele. Internamente eu surtei que nem desgraçado, por que meu corpo não obedece minhas ordens, hein?

E ele riu, aquele filho da mãe. Acha que é quem ‘pra rir de mim? 

Felizmente com aquela risada irônica eu consegui ficar tomado pelo ódio, tanto que fiquei vermelho – talvez tenha sido de vergonha, mas isso não vem ao caso – e voltei ao meu olhar do shopping: eu tenho medo de você, mas se não tivesse eu te mataria.

— Não tem nada útil pra dizer? Para de me fazer perder meu tempo moleque.

— Desculpa, desculpa. Mas aqui, como ‘tá o moletom, boneca?

Meu deus, esse garoto ainda vai me torrar a paciência, dá raiva só de lembrar. Talvez eu devesse começar a malhar, ‘pra ficar forte e bater nesse filho da puta.

— Você prefere que eu te chame de boneca, de Barbie ou de...

— Yoongi, eu prefiro que você me chame de Yoongi.

Ele deu um meio sorriso que me faz queimar de raiva, mas é um bostinha mesmo. Até voltei a olhar ‘pro quadro.

— Tá bom, boneca. – O maldito COCHICHOU atrás da minha nuca.

Arrepiei inteiro, ainda bem que a jaqueta cobria a parte de trás do pescoço e ele não pôde ver o arrepio.

É, e ele me chamou de boneca. Como eu queria ser sarado ‘pra encher esse maluco de murro.

As três primeiras aulas nunca pareceram tão longas, seria legal se o Seokjin fosse da minha turma em alguma delas, mas nós só fazemos educação física, geometria e literatura juntos. É triste, ele conta piadas nas aulas e torna elas menos chatas, mas a maioria era separado de mim.

Mas tudo bem, chegou a esperada hora do intervalo. Finalmente tempo de comer em u canto sem ninguém aglomerado.

Eu só queria entender o que eu fiz para merecer tanto incômodo nesse lugar. Quem responder “nasceu” leva um soco.

— Boneca, posso falar com você?

“Não”

— Pode.

Patético Min Yoongi, mais uma vez.

Foi só por educação, pensem o que quiser. Mas não deixa de ser patético dar lugar de fala ‘pro cara que me chama de boneca.

— Vai na educação física?

Juro que surgiram milhares de pontos de interrogação sobre a minha cabeça. Por que ele ligaria se eu nunca sou do time dele? É oficial, tinta de cabelo danifica o cérebro.

— Vou. – Enfatizo aqui que o meu tom de dúvida respondendo era evidente.

Sinceramente achei que ele ia armar com todo mundo de jogarem a bola em mim. Não que seja muito diferente do que realmente acontece.

— Ok, até depois boneca. – Piscou e saiu.

Audacioso, maldito, desgraçado. Jurou que teve algum efeito em mim.

Fedelho.

Andei até Seokjin, a gente sempre ficava o intervalo numa das mesas mais afastadas no refeitório. Era próxima da janela, dava de ver todos os carros e bicicletas.

Já falei do estilo exótico do Jin? Ele tem essa mania de vestir camisetas com estampas zoadas ou camisas de praia como se fosse uniforme. Sua roupa hoje era: um tênis Vans xadrez, calça jeans rosada, camiseta azul com a frase “Michael Jackson e sua lhama vs. Freddie Mercury” e uma caricatura representando a frase. Nos fios loiros ele usava um boné vermelho.

Colorido demais, porém autêntico.

Hoje ele fez uma analogia bem interessante, vou até anotar aqui.

— Yoongi, hoje eu ‘tava pensando. Nos filmes existe essa grande teoria das classes sociais escolares. Tipo, o fodão tem uns amigos e bota medo em geral, um padrãozinho rouba o coração de todo mundo, um nerd chato que lê o dia todo e é afogado na privada, e tal. Mas aqui isso não faz sentido nenhum.

Isso é verdade, é tudo meio misturado. Existem dois grupos: pessoas conhecidas e figurantes. Por exemplo:

Dentre as pessoas conhecidas estão: Park Jimin, um ruivo bonito que dá festas incríveis. Jung Hoseok, o pior presidente de classe possível e que sempre “manda ver” nas festas, mas ele tem um cabelo loiro maneiro. Kim Taehyung, um problemático bonitão que faz todo mundo ficar de joelhos – potencial de serial killer, tá vendo? Ted Bundy comprova. Chou Tzuyu, a que sabe tudo de todos, mas ninguém sabe nada dela, só que ela é bonita. O último exemplo é Bae Joohyun, ela é a mulher mais gentil que eu conheço, mas que é capaz de dar medo em qualquer um. Eu vou com a cara dela, da namorada dela também, a Seulgi.

Já dos figurantes ‘tá todo o resto, tem uns que de vez em quando aparecem, mas não dura nem um dia. Seokjin e eu sempre fomos dos figurantes... Bom, eu ‘tô num meio termo agora, mas prefiro ignorar esse fato o máximo possível.

E depois de passar o intervalo todo falando sobre isso, fomos para o vestiário. 

Aquele lugar sim é um inferno, porque é muito odor masculino. Não me entendam errado, eu sou bem gay, mas esses jovens costumam cheirar mal. Felizmente sou bem limpinho e cheirosinho, conheço muito bem o sabonete e o desodorante.

Eu nunca tive vergonha de estar no vestiário, diferente do Seokjin, que sempre espera esvaziar mais para colocar a roupa de exercícios. Ele é bem magro e alto, mas o físico dele é legal, não sei o que faz ele se incomodar tanto. 

O meu físico é meio normal. Eu sou magrinho, mas existe uma massa muscular que surge em mim do além. É pouca, mas ela não deve ser anulada.

De qualquer forma ninguém a vê, eu sempre ‘tô de jaqueta mesmo.

O esporte de hoje foi queimada, típico. Queria um dia de basquete, mas o professor é um alemão chato que só sabe responder caça palavras enquanto os alunos fazem olho roxo um no outro durante a queimada.

— Dois alunos escolhem os times, aí joguem! – Gritou enquanto se ajeitava na cadeira com seu livrinho de caça palavras.

Desculpa, mas quem cursa educação física para ficar a aula toda sentado com uma revista?

Seokjin e eu sempre ficávamos por último, mas era bem comum acabarmos no mesmo time. Amém, porque ele era sempre meu escudo para bolas.

Como sempre, Seulgi e Taehyung ficaram responsáveis da divisão de equipes, era aquela coisa de “escolhe um menino e uma menina, revezando ‘pra não ter desvantagem”.

E esse dia foi com um dos eventos mais surpreendentes da minha vida, porque veio em combo. Taehyung me escolheu no time dele – primeiro choque – e Seulgi escolheu o Seokjin para o dela – segundo choque.

Detalhe, eu nunca fiquei no time do Taehyung, e muito menos separado do Seokjin.

A única coisa que eu pensei foi: “Meu cu eu vou levar uma bolada forte e morrer”.

Morrendo de medo fui ‘pro nosso lado da quadra. Qual o problema do vermelhinho hein? Custa me deixar com o meu escudo de sobrevivência seu cuzão? Cada dia com mais motivos para odiar esse cara.

— Boneca! – Me odeio por olhar quando ele me chama assim. – Você fica no centro, se jogarem a bola ‘pra você segura ela, caso não consiga pensa rápido  e corre pro lado, mas se esforça ‘pra segurar.

— E eu lá tenho cara de que sou bom nisso? ‘Tô longe do único cara que me impedia de levar bolada na cara, porque eu sou moscão e não sei o que fazer. Se eu correr da bola vai ser muito.

Talvez eu estivesse meio irritado e tenha soltado as palavras muito desesperadamente, mas não posso fazer nada.

Ele só sorriu, deu um tapinha no meu ombro e disse: — Confia em mim boneca, você não vai levar uma bolada na cara.

Você desperta o pior de mim, Kim Taehyung.

Quando o apito soou eu entrei em desespero completo.

— É hoje que eu morro.

Sério, as bolas começaram a ser lançadas e eu só quis chorar. Mas que inferno.

Olhei para o canto oposto da quadra, Park Jimin com seu sorrisinho de lado e um boné para trás procurando uma vítima. Sempre soube que esse laranja irritante era um assassino, principalmente no momento que seus olhos pararam em mim.

Parece que todo mundo que tem cabelo cor de fogo me faz passar raiva, não é possível.

Quando a merda da bola veio na minha direção eu nem pensei direito, só me abaixei. Será que se eu tivesse saído engatinhando alguém notaria?

Olhei para trás e meu santo caralho que obra de arte é essa? Um garoto que eu nunca vi na vida pegou a bola, mas ele era o pecado em pessoa moleque. Bonito, musculoso, bronzeado e com dente de coelho. Não sei quem é, mas meus parabéns você é perfeito.

Levantei, limpando minha calça e olhando para aquele fodido do Park. Pedi a bola ‘pro coelho, aproveitando o ruivo distraído com outra pessoa.

— Oi moço me passa a bola? Valeu.

Tadinho ficou todo perdido.

Mirei no cabelo laranja e joguei a bola. Daria de tudo ‘pra que fosse o Taehyung ali, porque a bolada foi profissional, acertei bem na bunda do garoto.

Mas surpreendente que mesmo tendo que sair do jogo ele não tirava o sorriso do rosto. Realmente, festeiros são muito bem humorados.

Acreditam que foi a primeira vez que eu joguei a bola durante uma queimada? Foi legal.

‘Tava comemorando que acertei e nem vi mais uma bola vindo bem na minha carinha bonita, até fechei os olhos esperando o impacto, mas TCHARAM, fui salvo.

Abri os olhos esperando o Brad Pitt e encontrei Kim Taehyung, mas que desgosto.

— Bem que você disse que era moscão.

Até emburrei, mas é um chato mesmo.

No fim o nosso time perdeu e fomos para o vestiário tomar banho e trocar de roupa.

O resto da manhã foi chato da mesma forma que o início, então quando o sinal de saída tocou foi libertador.

Porém, contudo, entretanto, temos um acontecimento final – que manhã longa, pelo amor – que foi novamente a existência de Park Jimin.

— Yoongi né? – Parou a mim e ao Jin. Assenti. – Foi mal por mirar em você na aula de educação física, mandou bem retribuindo. Era isso, até mais.

Fiquei bem confuso quando ele saiu, mas tudo bem né, agora eu odeio menos ele do que o Taehyung.

Que manhã viu, agora eu tenho que ir para a loja do meu pai, então... Au revoir, leitores da vida alheia.



Notas Finais


obrigada por ler, até logo!


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