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História Sinergia - Capítulo 17


Escrita por: anggieparra

Notas do Autor


Nunchi: capacidade de saber ler o estado emocional de outras pessoas.

Capítulo 17 - Nunchi


Itziar

Estúdios de gravações


Caminhei pelos corredores em direção ao meu camarim, estava exausta, o dia tinha sido inteiro de gravações e a culpa consumia-me a todo instante. Escutei algumas vozes no corredor e consegui reconhecer a voz dele e a do Pedro, por um segundo pensei em voltar e esperar saí-los, mas eu tinha que encará-lo. Se não o fizesse, saberia que passaria o dia inteiro pensando nele.

Os avistei e sorri amigavelmente, meu coração disparou e minha respiração acelerou - não entendia o que estava acontecendo com meu corpo quando ele estava próximo a mim, jamais senti algo como o que ele causava-me.

- Hola. - foi a única coisa que consegui dizer, evitando o seu olhar. 

- Hola Itzi, mira vamos ver o primeiro episódio em minha casa? - Pedro sorriu enquanto esperava que minha resposta fosse positiva.

- Lo siento, hoje estou exausta e amanhã acordo temprano para dar sequência em algumas gravações. Divirtam-se por mim. - pisquei para Pedro com um olho e segui para meu camarim.

Não quis deixar que Pedro com seus argumentos mudasse o rumo daquela noite - ele sabia como influenciar-me. Evitei mirá-lo, evitei estar próxima a ele mas meu coração estava quase saltando para fora do meu corpo; ele era o único homem que conseguira fazer com que meu corpo demonstrasse coisas que jamais pensei sentir.

Sem delongas troquei minha roupa e voltei a ser a Itziar novamente - coisa que não era tão complexa de ser feita. Recolhi todos os meus pertences e naquele pequeno camarim observei toda a extensão e pude recordar de tudo que havia vivido logo cedo com ele. Pensei em como pude expulsá-lo naquele momento se minha vontade era deixar com que ele me fodesse até perder os sentidos. Queria sentir sua língua e seus lábios em minha intimidade, só de pensar na sua barba arranhar as pernas arrepiava todas minhas entranhas. Novamente o vídeo do seu filho veio em mente e transferi meu desejo para a culpa que insistia em permanecer em mim.

Naquela noite não deveria ver o primeiro episódio sozinha, afinal, não ajudaria-me em nada, vê-lo na minha televisão só aumentaria minha vontade de estar com ele ou sentir-me ainda mais culpada. Estava escassa de amigos em Madrid, apesar de ter a carpa eu não queria passar aquela noite com eles, pensei justamente na Jessica, que vivia trocando conversas comigo e era uma ótima companhia. Sem hesitar peguei o telefone e liguei para ela; o telefone chamou algumas vezes mas não obtive resposta, desisti e aceitei que passaria a noite pensando em coisas indevidas. Segui para meu bairro que tanto conectava-me com meu País Basco.


§§§


Álvaro

Casa do Pedro


Cheguei na casa do Pedro e ele oferecia-me uma garrafa de cerveja, apesar de não ser muito do meu gosto, aceitei. Nos acomodamos no sofá esperando em silêncio começar a série, Pedro sentia algo estranho e sabia que algo estava passando entre eu e Itziar - apesar de um não dizer uma sequer palavra. Meu telefone tocou, mirei pela tela e era Blanca.

- É importante falares com ela. - Pedro tocou em meu ombro e levantei-me para ter mais privacidade para conversar com Blanca.

- Hola Blanca, como estás? - perguntei enquanto estava dando voltas na cozinha planejada de Pedro.

- Sabes que hoje é o primeiro episódio da série, sim? - perguntou-me como se eu não tivesse dimensão.

- Pues claro. - quase perguntei qual era o problema, mas para evitar confusão silenciei-me e esperei que ela continuasse, já não tinha mais paciência para tratar de assuntos com a Blanca.

- Estás com Pedro, sim?

- Estou! Vamos ver o primeiro episódio juntos. - sei que minha escolha de assistir lejos da Blanca era suspeita, mas eu precisava respirar um ar diferente naquela noite.

- Nos falamos quando chegares. - sua voz estava branda, sabia que depois de chegar em casa teria que aguentar incansáveis peleas.

- Não tens que esperar-me.

- Mas o farei. - desligou o teléfono antes que eu pudesse despedir-me.

Apesar de Blanca estar desconfiada nos últimos dias, ela era uma mulher conservadora, odiava brigar com platéia - assim como eu. Suspirei fundo e percebi que estava afastando-me cada dia mais dela, mas hoje não era o dia de resolver esse problema.

Segui em direção a sala na qual Pedro estava e suspirei fundo antes de ficar cara a cara com ele. Nesses últimos tempos estar cara a cara com uma pessoa que talvez soubesse um pouco mais sobre mim, deixava-me muito inquieto, afinal, saberia que estava passando algo errado.

- O quão jodido estás? - Pedro riu e sentei-me na outra ponta do sofá.

Cruzei as pernas e apoiei o teléfono no braço do sofá, dei um gole na cerveja e fitava a televisão enquanto senti Pedro mirando-me.

- Não estou jodido. - respondi sem mirá-lo.

- Não estou referindo-me a Blanca e sabes, na verdade também gostaria de saber o quão Blanca está furiosa. - Pedro era um homem sábio, usava as palavras certeiras e sabia como chegar nas respostas de suas dúvidas.

- O que queres saber? - eu tinha que confidenciar-me com alguém e não poderia ser o José.

José era um dos meus grandes amigos, adorava Blanca e a família que eu havia construído. Saíamos quase sempre para jogar golf, mas com essa sobrecarga de gravações fazia alguns meses que não nos víamos. José não conhecia Itziar, não sabia como ela era encantadora e uma grande mulher. Ele definitivamente não entenderia a minha situação.

Para falar sobre Itziar tinha que ser com alguém que a conhecesse também, que soubesse como ela era divinamente incrível e em como tínhamos uma conexão diferente. O único que seria mais próximo disso seria Pedro, que era um amigo de confiança e que estávamos cada vez mais próximos.

- Quero te ajudar, sei que estás perdido. - Pedro era discreto quando queria, mas também poderia escancarar tudo em um par de segundos e joder-me a vida com Itziar.

Não tinha o direito de falar o que passou comigo e com Itziar. Não sabia se ela queria que soubessem, se queria simplesmente apagar tudo da memória, mas infelizmente eu não iria conseguir. Já havia permitido que ela entrasse na minha vida e as coisas que eu sentia era tudo como se fosse a primeira vez do primeiro amor

- Não tens que contarme nada, entendo que não existe apenas tu nesta história. - passei uma das mãos nos fios de cabelo alinhando-os.

- Como sabes?

- Vejo como a mira, como perdem-se nos olhares, como ficam nervosos na presença um do outro. Se não aconteceu nada naquele camarim hoje, é melhor que tomes cuidado para não cair em tentação.

Apesar de tentar disfarçar, meus olhos abaixaram e estavam preenchidos por lágrimas prestes a cair.

- JODER! - Pedro apoiou o rosto nas palmas das mãos cobrindo o rosto. - Aconteceu algo no camarim hoje, sim? - sua voz estava abafada pelo efeito das mãos cobrindo a boca.

Não tive forças para contestá-lo, apenas deixei com que as lágrimas caíssem em silêncio. Pedro tirou as palmas das mãos do rosto e fitou-me.

- Diga-me que és apenas sexo, sim? Não tem amor. - fiquei em silêncio.

- CARAJO! ÉS AMOR!

- Não és amor. - nunca tinha pensado na possibilidade de ser amor, mas sabia que não era apenas sexo.

- Pensei que estava menos Jodido! Que pensas em fazer? - perguntou-me fitando-me novamente.

- No lo sé, ainda não consegui nem entender o que está passando. - falei rápido o suficiente, tentando não prestar atenção no que estávamos conversando.

- És tonto? Acreditas que até quando Blanca vai cair nessa história de que estás sem tempo por conta do trabalho? 

- Não dizes que vais ajudar-me? Não está funcionando. - eu estava nervoso, não queria mais conversar sobre o assunto, apesar de precisar falar com alguém.

- Perdona, também estou processando o que está acontecendo. Tu e a basca… Joder! Não sou a favor das infidelidades, mas vocês exalam sintonia.

- Não quero que comentes com ninguém, não a mire diferente. As coisas estão iguais, eu só precisava falar com alguém.

- Acreditas que para ela seja apenas sexo?

- Não sei o que ela pensa… Por alguns momentos acredito que para ela não seja apenas sexo, outros Itziar muda totalmente e penso que para ela seja só sexo.

- Ela também tem um companheiro, sim? 

- Sim, mas pelo que observei eles estão mais separados do que juntos.

- Joder Álvaro, o que pensas em fazer? Está com muita frequência?

- A frequência suficiente para fazer minha cabeça estar em balbúrdia.

Acredito que foi a primeira vez que deixei Pedro sem palavras, ele parecia estar pensando no assunto. Não forcei, apenas bebi minha cerveja enquanto recordava-me da cena do camarim, seria uma memória que jamais esqueceria.


§§§


Itziar

Lavapiés, Madrid


Estava caminhando pelas ruas do bairro e antes de chegar em meu apartamento meu teléfono começou a tocar incansavelmente, pensei em não contestar mas como a outra pessoa da linha insistia, o peguei da bolsa e atendi sem ver o nome.

- Itziar chamou-me? - a voz da Jessica ecoou pelo outro lado da linha.

- Hola Jes, como estás?

- Bem e tu?

- Bem também. Tens planos para esta noite? - perguntei enquanto observava uma das ruas cheias de pessoas nos bares.

- Estava vendo o primeiro episódio de La casa de papel, por que? 

- Queres beber comigo? - apesar de ser o primeiro episódio, eu não poderia ficar em casa sozinha e esperar que os pensamentos sobre ele voltassem com mais intensidade.

- Pues claro. Envia-me o endereço que em poucos minutos te faço companhia.

- Espero-te.

Desliguei a chamada e em seguida enviei o endereço de um dos bares que encontrei uma mesa disponível. Sentei-me e deixei a bolsa apoiada na cadeira. Pensei em falar com minha Ama, mas sabia que falar com ela poderia fazer com que eu confessasse coisas e que elas se tornassem reais. Deletei de imediato a ideia de ligar para o País Basco.

Não aguardei muito até que Jessica sentasse na cadeira ao meu lado. Nos cumprimentamos e pedimos algo para tomar.

- Perdona fazer sair da sua casa para vir até aqui. - dei um gole generoso da cerveja que havíamos pedido.

- Não tens que pedir perdão. A série está incrível, mas claro que prefiro estar aqui e esfriar um pouco a cabeça.

- O que te passa? - perguntei tentando ocultar o que eu estava sentindo.

- Trabalhando bastante e com alguns problemas familiares. 

- Vai ficar tudo bem. Bom que vocês estão próximos e conseguem resolver. Quer falar sobre esses problemas? - nem eu acreditava que era bom estar tão próximo com algumas pessoas da família. 

- Não tem muito o que dizer, vamos ficar bem. - foi a única coisa que ela disse antes de ficarmos em silêncio - E tu? Como estás? - perguntou-me fitando no fundo dos olhos.

- Estou bem, sinto falta de casa. - sorri retraída.

Sentia falta da minha Ama, o que estava deixando-me tão absorta era a situação com o Álvaro, mas eu não podia contar para ninguém.

Apesar da Jessica ser uma boa pessoa, a companhia dela naquele momento não era a que eu estava precisando - havia equivocado-me, mas não tinha o direito de apenas mandá-la embora ou despedir-me.

- Acredito que sim… Estás sozinhas aqui em Madrid, seus pais estão no País Basco, seu marido também. - fiz uma careta quando ela falou marido. - Falei alguma coisa errônea?

- Não.. é só que… não gosto que falem marido. Prefiro companheiro. - a palavra marido tinha um impacto maior do que realmente significava, não queria prender-me com o Roberto em sermos marido e mulher, porque não éramos.

- Perdona, achei que moravam juntos e enfim… Tinham um relacionamento de muitos anos.

Não desmenti o pensamento dela, apenas arqueei as sobrancelhas e continuei bebendo o líquido do meu copo. Apesar de crer que a Jessica faria boa companhia - e efetivamente estava certa - ali não era o lugar que eu gostaria de estar. Senti uma pontada de arrependimento por ter negado o convite do Pedro.

Queria estar perto dele mesmo sem tocá-lo. A presença dele estava tornando-se tão necessária na minha vida. A paz que ele transmitia em todo meu corpo era inexplicável.

Pensei em ir até a casa de Pedro, mas sabia que era arriscado. Tinha que terminar aquela noite sozinha, a companhia de Jessika era incrível, mas eu não estava em um bom momento.

- Perdoname, não queria te deixar desconfortável. - a sua voz estava baixa.

- Não é isso, não tens que pedir-me perdão. Apenas estou em um mau momento. Importarias se eu voltasse para casa?

- Absolutamente para nada. Se quiseres eu acompanho-te até a sua casa. - gostaria de negar o convite, mas como eu havia tirado de sua casa assenti positivamente e pagamos a conta para seguirmos.

Caminhamos pelas ruas de Lavapiés em silêncio, eu não queria ter que começar um diálogo e pelo que percebi Jessica entendia muito bem. Apesar de estar insegura em ficar sozinha, tudo que estava acontecendo nos últimos meses não poderia ser compartilhado com ninguém.

Queria poder ter alguém para tentar encontrar uma explicação para meus sentimentos em relação ao Álvaro, mas sabia que ninguém poderia saber. Queria simplesmente acabar com esses encontros casuais, mas também sabia que quando estava na presença dele meu corpo conduzia-me inconscientemente.

- Buenas noches, Itzi. Amanhã nos vemos. - sorriu e abraçou-me.

- Buenas noches, Jessica. Perdona por hoje, estou um pouco mareada. Gracias por vir até aqui. - sorri amigavelmente e retribui o abraço da figurante.

Esperei ela caminhar pela rua e virar em uma das esquinas iluminadas e movimentadas. Suspirei fundo e adentrei ao apartamento, queria descansar e quizás afastá-lo da minha mente - sem permiso, Álvaro fazia-se presente nos meus pensamentos na hora em que eu acordava até a hora de dormir.

Joguei meus pertences no sofá e deixei meu corpo descansar, cerrei os olhos e tentei acalmar meus nervos. Antes que eu pudesse ter tempo para relaxar meu teléfono tocou, olhei a pantalla e quem chamava-me era minha ama - péssimo momento mas necessário também.

- Hola Ama. 

- Que voz é essa? - ela conhecia-me melhor que ela própria.

- Cansada… O dia foi turbulento. - antes que entrássemos no assunto do dia de hoje, decidi perguntar sobre a série - Conseguiu assistir o primeiro episódio?

- Pues si! Estou chamando para parabenizar-te. - a sua voz estava animada - Raquel pelo jeito será uma grande personagem… E aquele professor, heim?!

- O que tem ele? - perguntei desconfiada.

- Muito inteligente! - foram suas únicas palavras.

Percebi que a culpa entregava-me em demasia, então busquei tranquilizar-me.

- Como estás tu?

- Bem, Ama, com muitas gravações. E vocês?

- Estamos bem. Sentindo muito a sua falta, mas estamos bem.

- O que há de errado? - perguntei.

- Nada filha, não preocupe-se. 

- Ama, preciso que diga-me o que está passando. - eu a conhecia também, então sabia que ela estava misteriosa.

- Não quero que chateasse com o Roberto. - revirei os olhos - Ele veio aqui em casa hoje, contou-me que estás estranha com ele.

- Joder, ainda concedes credibilidade a ele?

- O vejo muito abatido com essa história toda.

- Sabes que não estávamos bem antes de eu vir até Madrid, agora só deteriorou. - confessei.

- Deverias ter dado um tempo antes de viajar, assim ambos poderiam saber se estão sentindo falta um do outro, se ainda existe um sentimento.

- Queres falar disso hoje? 

- Não podes fugir dos problemas Itziar. Tens que resolver essa situação, sabes que Roberto vira um anjo quando está mal contigo, passa quase todos os dias em casa tentando saber de ti.

- Vale, vou chamá-lo. - concordei para que ela ficasse mais tranquila, mas não o chamaria hoje para conversar.

- Vamos cambiar o tema, como estão seus colegas de trabalho? 

- Bem, gosto muito dos companheiros que trabalham do lado da polícia. Rimos quase o tempo todo e o ambiente de gravação é leve.

- Acredito que sim. 

- Ama, gracias por chamar-me, mas estou tão cansada que preciso dormir. Amanhã tenho cenas temprano e preciso descansar.

Se eu ficasse em chamada com minha ama por mais tempo, contaria a ela o que estava acontecendo ou ela perceberia que tinha algo errôneo.

- Aqui também estamos cansados. Mas uma vez enhorabuena pela estreia da série, estou ansiosa para os próximos episódios. Te quiero, mi amor.

- Y yo a ti ama.

Desliguei a chamada e segui para trocar de roupa, precisava mesmo descansar e naquele momento eu queria estar sozinha com meus pensamentos.


§§§

Álvaro

Casa do Pedro


Terminamos de assistir o primeiro episódio em silêncio, não queria comentar sobre o assunto anterior com Pedro, mas também sentia necessidade de conversar com ele e finalizar o que tínhamos começado. Estava o observando de soslaio, sabia que a única pessoa que eu poderia falar estava na minha frente.

- Que quiseres? - Pedro perguntou-me sem sequer mirar-me.

- Pedro não sei o que está passando.

- De que?

- Tu sabes…

- A basca? - moveu o olhar da sua bebida e mirou-me.

- Isso… Não sei o que fazer em relação a tudo.

- Estás enamorado? - após a pergunta de Pedro tomei um gole generoso da minha bebida, senti minha garganta secar a cada palavra mais profunda daquele assunto. O silêncio permaneceu no ambiente por alguns segundos que pareceram anos e Pedro já sabia - na verdade nem eu sabia direito a minha resposta. - Joder, enamorou-se pela basca.

- Não aprofundes tanto esse sentimento e não o coloque desta forma.

- Como queres que eu te diga? Estou fazendo que tu vejas o que seus princípios estão escondendo.

- Temos nossas vidas, nossos parceiros… os meus filhos - sussurrei ao falar das crianças, afinal, os gêmeos eram os amores da minha vida.

- A sua ética e seus princípios não são uma blindagem para esse sentimento. Poder ter a consciência de tudo isso e ainda sim enamorar-se de outra pessoa.

- Não é tão fácil assim e lo sabes. - mexi um pouco do copo que estava com a bebida e evitei mirar Pedro nos olhos. 

- Quer que eu te diga algo ou preferes apenas falar e eu fingir que não tenho uma opinião?

- Quero que ajude-me.

- Fale com ela, tens que entender o que está passando entre vocês para depois pensar em respostas ou soluções.

- Não vou falar de paixão com minha companheira de cena, olvidalo.

- Então não queres resolver.

- Mas sabes que não é tão fácil…

- Ninguém disse que é fácil, mas se não souber desse sentimento e mantê-lo abstrato ninguém poderá te ajudar, nem mesmo você.

- Que sugere que eu faça?

- Fale com ela, mas fale hoje.

- Claro, vou bater na porta dela e dizer: “Estoy jodido! Me he enamorado de ti”.

- És tão inteligente, mas parece que neste assunto voltas a ser analfabeto.

- Inteligência não serve quando o assunto é sentimento, acreditei que ajudaria-me e entenderia mas pelo visto estou equivocado.

Levantei-me para colocar o copo no balcão da cozinha e voltei para pegar meus pertences para despedir-me do Pedro, mas não parava de pensar na possibilidade de bater em sua porta e conversar sobre tudo isso que tirava meu sono. Caminhei até a porta branca do Pedro prestes a voltar para casa e passar mais uma noite na qual ela não deixava-me dormir.

- Ei, - paralisou com a mão na maçaneta e com a porta entreaberta - Não crees que ela esteja se entregando a esse sentimento também?

Perdeu todas as minhas forças para abandonar o apartamento do amigo, talvez faltasse apenas aquela dúvida para que eu me aprofundasse de vez naquela história e tentasse entender o que estava acontecendo com meu coração e com os sentimentos dela.

Criei coragem para buscá-la, criei coragem para ir até o seu apartamento e dizer que aquilo estava tomando conta de todo meu corpo e ela era a dona dos meus pensamentos.

- Não tenho ideia, mas irei descobrir. - saí batendo a porta e deixando mais uma vez aquele assunto em aberto, pronto para descobrir o que poderíamos fazer para dar certo



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