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História Sinergia - Capítulo 18


Escrita por: anggieparra

Notas do Autor


Irusu: desejar não estar aí quando alguém bate a porta.

Capítulo 18 - Irusu


Álvaro

Dirigia pelas ruas estreitas de Lavapiés, apesar de estar em um horário tranquilo as ruas estavam um tanto quanto agoradas. Estava à procura de um lugar para estacionar o mais próximo possível do apartamento dela, mas me parecia impossível de encontrar. Passei por algumas ruas acima, algumas ruas abaixo, mas nenhuma delas tinha vaga ou era um local propício para deixar o carro.

Apesar de saber que na rua dela era difícil encontrar um lugar para estacionar, segui minha intuição - assim como tinha feito em estar indo em sua casa - virei a esquina e por uma sorte - cósmica talvez - encontrei uma vaga quase na mesma rua que a dela. Estacionei com cuidado e respirei fundo tentando encontrar um sinal de que eu estava fazendo o correto em ir buscá-la.

Afinal, não havia nenhum sinal, eu tinha que seguir o que meu coração pulsava.

Dentro do carro eu podia ver a fachada do seu prédio - apesar da entrada estar na outra rua. O restaurante da esquina estava fechado, dando-me ainda mais segurança de não ser visto por tantas pessoas. Peguei meu casaco preto no banco do passageiro e o celular na outra mão com a chave do meu carro, saí do meu Audi preto e cerrei a porta. O vento gélido em Lavapiés era um pouco ameno do que no centro de Madrid.

Andei alguns passos e virei à esquerda, uma das moradoras do andar da Itziar - que já me havia visto uma das vezes que estive no apartamento dela - estava abrindo a porta vermelha principal do edifício; corri para alcançá-la.

- Con permiso, - a mesma mirou-me como se me reconhecesse de algum lugar - Buenas noches.

- Buenas noches. - segurava a porta com o pé.

- Sei que não é muito apropriado, mas gostaria de subir no apartamento da Itziar. Como estás aqui, não queria tocar no interfone, já que ela não sabe que venho vê-la.

Antes que ela pudesse contestar-me, um carro parou em frente ao apartamento da Itziar e desceu um homem que veio de encontro a moça que estava na porta do apartamento, deram um abraço e um beijo curto - quem dera ter a estabilidade com alguém - corrigi-me logo, eu tinha, Blanca estava em casa e era minha esposa, nós tínhamos isso, mas atualmente não me bastava… Na verdade a pessoa que eu queria ter essa estabilidade era ela, Itziar.

- Vamo-nos… - a mulher deu-me espaço para que eu adentrasse e assim o fiz.

- Muchas gracias! - agradeci e subi as escadas sozinho enquanto ela falava com o rapaz na entrada.

Eram apenas dois lances de escadas para estar em frente a porta dela, apesar de sentir que eu deveria bater àquela porta, também estava em dúvida se realmente faria sentido aquela conversa.

§§§

Itziar

Nervosa em busca de algo para sanar minha fome, bati a porta do armário e de pronto me arrependi pelo eco causado no apartamento - mais uma vantagem de morar sozinha, ninguém vem perguntar o que está passando. Joder, aquele maldito pensamento não saía da minha cabeça.

Passei os olhos por toda a cozinha à procura de alguma coisa para comer, talvez nem fosse fome, mas sim a ansiedade de estar pensando freneticamente em uma pessoa que sequer estava sentindo o mesmo. Encontrei um pote com alguns amendoins e sem hesitar abri a geladeira e encontrei duas garrafas de cerveja na qual eu faria proveito de uma delas - até o momento. Sentei no sofá, abri a garrafa de cerveja e dei um gole generoso da bebida, estiquei o braço e alcancei o cigarro que normalmente me acalmaria. Traguei a primeira vez e soltei a fumaça lentamente, com a idiota ideia de que os pensamentos fossem desvanecer no ar, mas em vão: eles faziam-se mais presentes do que o normal.

Escutava o barulho dos carros passando pela rua e estranhei a movimentação pelo horário - e por minha rua ser tão deserta a maioria dos dias - ouvi portas de carro batendo e até pensei em levantar para observar da sacada, mas tudo parecia tão longínquo e inútil que o meu corpo recusou-se a levantar.

Continuei fumando meu cigarro e dando alguns goles na cerveja enquanto escutava a rua se acalmar novamente. O bairro de Lavapiés me encantava principalmente pela calmaria que fazia-se presente todos os dias após um determinado horário.

Coloquei o cigarro no cinzeiro e apoiei a cerveja ao meu lado enquanto via algumas mensagens no WhatsApp, o grupo de ”la casa de papel” estava frenético, todos comemorando a grande estreia e marcando para comemorarmos; eu não tinha muito o que dizer então apenas mandei alguns emojis de palmas parabenizando a todos - ele também não havia se pronunciado no grupo, provavelmente estaria com a sua mulher.

Antes que eu pudesse ler e verificar minhas outras mensagens, ouvi a porta bater duas vezes e olhei fixamente em direção a entrada, queria ter a certeza de que estavam batendo em meu apartamento aquele horário e imaginei que fosse o vizinho querendo alguma coisa emprestado - mal sabia que não havia nada nesta casa.

‘Toc, toc’, escutei mais uma vez e forcei meu corpo a levantar-se, lentamente dirigi-me a porta, esperei por mais alguns segundos e antes que eu pudesse abri-la a pessoa do outro lado deu mais três toques e tive a certeza de que realmente queriam falar comigo.

Sem hesitar abri a porta de imediato e o vi parado em minha frente; ele estava incrivelmente bonito, seu traje era o mesmo que o vi nos estúdios e com ele estava com um casaco preto o protegendo do frio que estava naquela noite. Estava com uma camisa preta - um pouco apertada em seus braços - uma calça jeans preta que estava apertando suas pernas e um sapatênis preto. Álvaro era lindo de todos os jeitos em todas as peças de roupa, mas não havia uma cor que mais lhe caía bem a não ser estar todo de preto. O seu cheiro estava impecável, o toque amadeirado passava por minhas narinas e particularmente era um das essências que eu mais gostava - principalmente do perfume misturado com o cheiro da sua pele.

Meu coração estava acelerado, minha respiração descompassada e eu apenas conseguia admirar a figura daquele homem em minha frente. A presença do Álvaro arrebatava–me de uma maneira que jamais conseguiria explicar ou sequer entender.

O analisava por completo, olhei seus cabelos impecáveis, sua barba por fazer - provavelmente levada ao personagem que ele interpretava - sua boca rosada e inchada, seu corpo definido mas não em excesso, seu cheiro invadindo sem permisso; simplesmente perfeito.

- Posso? - estava tão hipnotizada naquele homem que ao menos consegui convida-lo para entrar ou perguntar-lhe porque estava em minha casa aquele horário e como tinha conseguido subir.

- Pues claro. - saí do transe e o dei espaço para que adentrasse. - Estavas passando por aqui?

- Não, hoje Lavapiés não era caminho. - confessou sem mirar-me nos olhos, passando diretamente para a sala.

- E então? - perguntei indicando para que ele se sentasse no sofá, aquele mesmo que tinha sido testemunha dos nossos primeiros contatos carnais.

Álvaro observava todo o cômodo, por um momento achei que ele estava avaliando se estava limpo o suficiente para que sentasse.

- Podes sentar-se. - o convidei diretamente.

- Lo sé… - sua voz estava baixa e logo fiquei preocupada.

- Que está passando? Está tudo bem? - perguntei-lhe enquanto ele sentava ao sofá, de imediato ele apoiou os braços na coxa e abaixou a cabeça enquanto observava o chão.

- Se estivesse tudo bem, não estaria aqui… - fiquei boquiaberta pela forma que Álvaro respondeu-me, sua voz estava baixa mas ainda pude notar o seu descontentamento com a situação - Lo que pasa es que…

- Álvaro não te atrevas - seu olhar rapidamente encontrou os meus e ele fitou-me, eu sabia sobre o que ele queria falar, mas ainda não era a melhor ocasião - Não é o momento para esse assunto.

- Então quero que me digas, qual é o melhor momento? Pelo que vejo, nunca é o momento ideal para nada, Itziar.

- Nós não temos o direito e tampouco acho que podemos nomear isso. - apesar dos encontros com ele serem inverosímil, eu não queria que rotulasse o que estava acontecendo - até porque era impróprio.

- Então quero que me digas: O que sugeres? Que continuemos atuando dessa forma e ignorando o que está passando? - Álvaro nunca demonstrava irritação, mas neste momento sua voz estava embargada.

- Me digas o que aconselhas tu! - sentei-me ao lado dele e peguei minha cerveja dando um gole generoso para aguentar aquela conversa que sequer teria que existir.

- Estou aqui para falar contigo. - o vi olhando para minha cerveja e não esperei muito para lhe oferecer.

- Queres uma? - perguntei-lhe.

- Não te gustó o vinho? - franzi o cenho e o olhei desconfiada.

- Pues sí… 

- Achei que tinha deixado uma garrafa contigo. - olhou calmo e sereno, totalmente diferente de como chegou.

- E deixou, no dia em que cenou aqui. - respondi-lhe, mas ele não pareceu tão convencido com minha resposta, como se estivesse querendo que eu tomasse o vinho sozinha - Querias ou esperavas que eu fosse tomar a garrafa?

- Esperava que sim… 

- Concordamos de que tomaríamos o vinho em uma próxima vez - não iria tomar a garrafa de vinho que ele trouxera sozinha.

- Sim, mas poderia ter bebido sozinha ou com…

- Não vamos falar dele, por favor. - apesar de saber que eu tinha o Roberto e ele tinha a Blanca, falar com ele sobre ambos deixava-me ainda mais culpada.

- Perdona, sugiro que tomemos agora, que opinas? - perguntou mirando-me no fundo dos olhos.

Apesar de ter experimentado vinho poucas vezes, tinha ciência de que o vinho não acertava a cabeça de imediato, ele alcançada um ponto específico que naquela noite eu não poderia permitir.

- Acredito que não seja uma ideia adequada. - tentava desviar os meus olhos dos dele, afinal, se ele penetrasse no olhar, saberia que eu queria tanto quanto ele.

- Qual o pretexto vais usar para não tomares um vinho comigo? - cerrou os olhos e coçou a barba em uma ação completamente envolvente.

- Não há pretexto algum, somente acredito que não devemos. - arqueei as sobrancelhas e esperei que ele fosse de alguma forma ler meus pensamentos.

- Nós não deveríamos ter feito coisas incalculáveis, mas o fizemos e agora queres poupar-nos de tomar apenas um vinho? - por alguns segundos acreditei naquelas palavras, idealizando que seria apenas um vinho.

- Vale, ganhastes. Vou pegar o vinho.

Levantei do sofá e segui para a cozinha, mas ele seguiu-me e ficou em pé apoiado na porta com os braços cruzados, acompanhando todos os meus movimentos. A presença dele intimava-me um pouco.

Peguei as taças e tirei o vinho do armário que estava, antes que eu pudesse levá-las, Álvaro agilmente carregou tudo sozinho e conduziu-se para a sala. 

- Poderias somente trazer o abridor, por favor? - disse enquanto eu estava na cozinha.

Respirei fundo buscando uma força maior para guiar-me naquela noite, se continuássemos poderíamos parar em outro cômodo da casa. Abri a gaveta com alguns utensílios e juntei-me a ele no sofá. O observava por inteiro - assim como ele fizera. Serviu o vinho nas taças e entregou-me uma delas, oxigenou o líquido e sentiu a essência do vinho.

- Não temos que brindar? - perguntei-lhe antes que pudesse dar um gole da bebida.

- Há pouco a conversa não era agradável, o vinho tampouco lhe parecia uma ideia adequada, mas queres brindar? - sua voz estava branda, mas sabia que aquilo o estava consumindo.

- Perdona pela falta de acessibilidade. Mas é um assunto no qual eu já tirei minhas próprias conclusões. - o respondi de imediato.

- Ah vale, então brindemos as próprias conclusões da Itziar. - aquele Álvaro irônico não tinha participado da minha vida ainda, não sabia como reagir.

- Estás de broma ou qué?

- Essa coisa que se passa, não é somente contigo. Não tens que tomar decisões sozinhas do que se passa entre nós dois, porque não estás sola. - Álvaro deu um gole abundante da bebida.

Apesar de não concordar com seu posicionamento, daria uma chance para falarmos abertamente do que estava acontecendo. Tinha consciência - mas achava que ele não - sobre como se tornaria ainda mais real.

- Sabes que falar sobre isso vai tornar real, sim? - perguntei dando um gole generoso do vinho.

- Mais real do que está em minha cabeça? Impossível. - se ele também tinha discernimento, daria seguimento a conversa - Eu não passo um dia sequer sem pensar em tudo que está acontecendo.

Pude sentir meu coração acelerar e não sabia ao certo o que pensar naquele momento, apesar deu também estar nessa situação, não confessaria para ele que meus pensamentos estavam voltados ao que estava acontecendo conosco.

- Isso é demasiado sério, Álvaro. 

- Acreditas que estou de broma? - falou sério - Nunca falei tão sério contigo, sei que também estás sentindo.

- O que sabes tu sobre meus sentimentos? - nem eu própria sabia o que estava sentindo.

- Realmente não te entendo, não sei o que pensas e nem o que estás sentindo. Apesar deu achar que te conheço tão bem, em vários outros momentos eres como uma incógnita.

Pude notar a sua tristeza naquelas palavras, de alguma forma ele estava certo: em alguns momentos eu me entregava a ele e outros eu fugia.

- Sabes o que penso agora? - ele arqueou a sobrancelha esperando que eu continuasse - Que não faz o menor sentido essa conversa entre nós dois.

E realmente não fazia; nós éramos colegas de trabalho, cada um tinha sua vida e simplesmente tivemos alguns momentos juntos. Não encaixava em minha cabeça a ideia de ter que discutir algo que não era da nossa realidade.

- Vamos continuar com a ideia de que está tudo bem? - ele preencheu a taça com um pouco mais de vinho e me serviu também.

- Nós estamos bem. - respondi.

- Então digas por ti, não estou nada bem.

- E qual é o problema? Já que queres tanto falar sobre isso. - respirei fundo para soar menos agressivo do que na minha cabeça estava parecendo - Só porque transamos uma vez no camarim? 

- Queria mesmo que fosse apenas porque transamos no camarim. - sua voz estava um pouco mais alterada.

- E então? Qual é o problema? - respondi um pouco mais alto.

- O PROBLEMA É QUE EU NÃO CONSIGO PARAR DE PENSAR EM TI! - pela sua expressão, soou muito mais forte falar isso em voz alta do que estava em seus pensamentos. - Acordo pensando em ti, passo o dia pensando em ti e durmo pensando em ti!

Fiquei sem reação, afinal, eu estava na mesma situação que ele, mas ouvi-lo dizer aquilo em minha frente, deixou-me totalmente sem chão. Tinha certeza que custou-lhe dizer aquelas palavras, mas também mostrou-me que não era somente eu que dormia e acordava pensando nele.

- Perdona, - tocou em meu braço e nossos olhares ficaram presos por alguns segundos, seu olhar penetrava-me como se quisesse despir-me naquele momento; Álvaro era um homem que me tirava o fôlego e arrepiava todo meu corpo sem toque como nenhum outro fizera - Não deveria ter falado dessa maneira.

- Não tens que preocupar-se… - respirei fundo tentando encontrar melhores palavras para continuar, mas totalmente em vão. 

§§§

Álvaro 

- Também não paro de pensar em ti… - ela sussurrou quase como se não quisesse dizer aquelas palavras, elas soaram muito mais fortes do que eu imaginava.

Apesar de tê-la em meus pensamentos todos os dias, jamais pensei em falar em alto som ou escutá-la confessar que também estava na mesma situação. Talvez tenha errado em ir até a sua casa para entender o que estava acontecendo; sentia naquele momento que as coisas poderiam piorar.

- Não vais dizer nada? - perguntou-me enquanto mirava-me intensamente, seu olhar penetrava até minha alma. 

Quem estava sem palavras agora era eu, apesar de saber tudo que se passava em minha cabeça, jamais imaginei como seria ouvi-la dizer o quanto pensava em mim e o que possivelmente eu estaria tornando-se em sua vida.

- Sabes que…? - respirei fundo e a mirei no fundo dos olhos e senti como se ela pudesse visualizar minha alma - A última coisa que gostaria de fazer agora é falar... 

Apesar de não ter uma dimensão exata do que estávamos entrando, compreendia que era uma linha perigosa e que ambos estavam com mais da metade da garrafa de vinho na cabeça. Seu rosto começou a corar e percebi que ela também estava entrando na linha perigosa.

- No me jodas Álvaro… - sussurrou enquanto desviava o olhar.

- Creo que já estamos jodidos o suficiente - e realmente estávamos.

Itziar bebeu mais um gole do vinho da sua taça e eu a acompanhei, completei nossas taças novamente acabando com o restante do vinho que havia na garrafa - desejei que tivesse mais uma, mas sabia que nos levaria novamente ao error.

Apesar de conseguir assimilar um pouco do que se passava com nós dois, não tinha a mínima noção do que fazer depois de escutá-la e falar em bom tom o que se passava. Eu tinha minha família, meus filhos e jamais pensei um dia na possibilidade de sentir amor por outra mulher - ainda não tinha certeza se essa palavra realmente nos descrevia, talvez fosse desejo.

- Não quero que passe outra vez, somos totalmente diferentes e não há razão para continuarmos nessa situação…

- Ei… - até tentei interrompê-la, mas ela estava disposta a dizer todos os pontos negativos da situação.

- Tens dois filhos, tens uma mujer e eu tenho o Roberto… Somos apenas duas pessoas que trabalham juntos e que têm química, isso não significa nada. - gesticulava incansavelmente.

- Mais uma vez estás tirando conclusões precipitadas e além de tudo sola. - ignorei todos os seus pontos pessimistas.

- O que pretendes hacer? Deixar tua mulher, teus filhos e viver uma vida feliz ao meu lado? Joder, isso até parece broma - levantou-se do sofá e foi até a varanda balançando a cabeça negativamente ficando de costas para mim.

- Essa possibilidade não havia se passado em minha cabeça... - levantei-me também ficando em silêncio enquanto a mirava por inteiro, por alguns - loucos - segundos cogitei a possibilidade de viver uma vida ao lado dela; mas não me atrevi a dizer tais palavras.

- Estás loco, ainda pensas no assunto? - virou-se furiosa e mirou-me nos olhos - Álvaro não faço ideia do que estou sentindo. Mirarte virou algo arriscado, sinto o caos dominar-me por inteira, mas ao mesmo tempo sinto que sou prisioneira dessa desordem que só tu provocas. Não entendo o que é isso, não sinto que faça-me bem todas essas coisas. - as lágrimas pousaram em seus olhos, a vi lutar para não deixar cair nenhuma delas, mas na sua voz notava-se o quanto ela queria desmoronar.

- Itzi... - tentei manter a voz suave, mas ela não deixou-me terminar de falar.

- Álvaro, NÃO! - por mais que tentasse deixar as lágrimas onde estavam, as mesmas insistiram em cair e passaram por suas bochechas - Sua voz estremece todo meu corpo, meu nome em sua boca me faz pensar em coisas que jamais podemos fazer… - abaixou um pouco a sua voz, mas o nervosismo fazia-se presente.

- La cosa está jodida... - foram as únicas palavras que saíram da minha boca, já que o que gostaria de fazer com ela era beijá-la por inteira.

- Álvaro Antonio Garcia… - sussurrou.

Ouvir meu nome completo - e não o artístico - em sua boca me fez perder toda - que já não era muita - sanidade que podia ter.

Aproximei-me dela sem hesitar e a toquei no rosto, com o polegar sequei suas lágrimas que pousaram em sua bochecha; desenhei todo seu rosto com meu dedo e mirei seus lábios - inteiramente suculentos e prontos para devorá-los - passei meu polegar em seus lábios sentindo o quanto estava inchado e convidativos para um beijo.

Sua respiração estava tão pesada quanto a minha, seu peito subia e descia em uma intensidade que eu já conhecia bem. O toque pele com pele arrepiava-me por inteiro - como sua pele era macia. Seu olhar foi até meu cabelo, pousaram por alguns segundos em meus olhos e em seguida ela observou meus lábios - que acredito estar na mesma situação que a dela.

- Que pensas em hacer? - perguntou em meio a respiração descompassada, voltando seu olhar no meu.

- Voy a besarte, se falares que “no”, não irei fazê-lo… Pero te quiero besar, te voy a besar…

Acerquei do seu rosto ainda mais, podendo sentir a sua respiração e dando tempo para que ela me parasse - como minha consciência implorava para fazê-lo - mas em vão.

Toquei levemente seus lábios com os meus movimentando lentamente para sentir o toque leve e doce. Deixei que minhas mãos adentrassem seus cabelos, e automaticamente as mãos dela envolveram meu pescoço - sabia que estava jodido, mas estava nos braços dela.

A tomei a boca profundamente perdendo a noção de tempo e espaço, nossas línguas dançavam em uma sincronia que jamais tivemos - mesmo já nos encaixando perfeitamente. Sua respiração estava abafada, suas mãos envolveram meu rosto nos deixando colados e sem espaço para nos desgrudarmos.

Éramos apenas os dois, simplesmente mútuo las ganas de alcançar um a alma do outro.



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