História Sinfonia n2, "O Caos", Primeiro Movimento - Capítulo 2


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Categorias Lineage
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Magia, Medieval, Romance
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Melodia n1


Ao Oeste do reino de Goddard, uma vasta e perigosa paisagem impera a visão, uma espécie de mistura entre planície acinzentada e terreno montanhoso. Uma vastidão de cinza quase depressiva, até o verde das plantas é tomado por um tom acinzentado e opaco, o que talvez explique a tristeza no olhar dos grandes animais herbívoros que pastam pela planície, devorando aquela grama nem verde, nem cinza.  

O chamado Jardim das Bestas, era um lugar triste, mas movimentado por comerciantes que cruzavam a fronteira com o império de Aden ao Sul. Porém, o principal motivo para tanto movimento na cidade, eram as atividades de caça, incentivadas pelo rei de Goddard e pelos ferreiros da cidade. O que trazia aventureiros sedentos por desafios, tanto do império de Elmore, quanto do império de Aden.  

Todos os aventureiros que vinham ao Jardim das Bestas, buscavam coletar couro de búfalo, dentes de ursos Grendel ou Asas de Kokabura. Porém, dentre tantos aventureiros caçando os enormes animais predadores de humanos, um deles se destacava. Não por ser destemido o bastante para caçar búfalos sozinho, mas por estar escondido em uma moita, esperando que um dos animais mais fracos e inofensivos do Jardim das Bestas passasse em sua frente para receber um ataque surpresa.  

Um antílope, distraidamente pastava de costas para a moita, então o valente fraco aventureiro levantou-se e correu em direção ao animal, empunhando 2 espadas. Porém, o som de sua armadura pesada alertou o animal, que imediatamente se virou para defender o ataque com seu grande par de chifres. Uma das espadas conseguiu cortar um dos chifres, porém a outra deslizou pela superfície lisa do chifre restante, não conseguindo um corte claro.  

O animal virou-se e correu em direção à uma formação rochosa, ao lado de postes de madeira ornamentados com ossos e crânios de animais.  

-Merda! -Disse o aventureiro, vendo que sua presa estava fugindo.  

Então, o aventureiro apontou suas espadas em direção ao animal fugitivo, de forma cruzada, como uma tesoura, e como se mirasse uma flecha, lançou-se em uma magia que saía de suas pernas, atravessando 20 metros de distância em um piscar de olhos, cortando o pescoço do animal com suas lâminas cruzadas.  

Porém, o jovem aventureiro não notou que com sua investida, havia entrado em território que não estava pronto para explorar. Nesses 20 metros que percorreu, havia saído do Jardim das Bestas e entrado no território da tribo Varka, uma tribo primitiva de seres humanoides com cerca de dois metros e meio de altura, peles azuis e cabeças semelhantes às de bodes, com grandes chifres circulares nas laterais da cabeça.  

Quando olhou para sua esquerda, um Sileno da tribo Varka notou sua presença e imediatamente avançou em sua direção com uma clava de madeira maciça. Era maior que um Sileno comum e vestia uma capa de couro branca e armadura de couro marrom, claramente era um Sileno guerreiro experiente. Mais experiente que o jovem aventureiro, com certeza. 

Porém, antes que pudesse descer sua clava sobre a cabeça do aventureiro paralisado pelo medo, um som de metal zuniu pelo ar e uma adaga de cristal vermelho acertou em cheio o pescoço do Sileno guerreiro. Em seguida uma figura vestindo um capuz preto surgiu nas costas do Sileno, segurando a adaga vermelha, fazendo um movimento horizontal rápido e preciso, cortando seu pescoço sem fazer som algum.  

A figura se virou em direção ao aventureiro e tirou seu capuz. Era uma elfa sombria linda, a pele em um tom pálido de azul, com grandes cabelos prateados presos por uma caneta mágica, grandes olhos pretos e lábios azuis que transmitiam uma aura sedutora. Vestia uma armadura de couro escuro, cheia de compartimentos para armas e poções, completamente coberta por uma capa preta fosca, que estranhamente combinava com a paisagem acinzentada do lugar.  A elfa sombria então disse, friamente: 

-Eu não disse para não entrar no território da tribo Varka? 

-Disse. -Respondeu o jovem aventureiro, dando de ombros. -Mas o antílope ia escapar, e eu precisava de só mais um chifre para terminar a missão.  

-Não importa. Se eu digo para não entrar no território da tribo Varka, é porque não está pronto para enfrentar os guerreiros Silenos. -Disse a elfa sombria, com um olhar reprovador. -Vai ter treinamento dobrado ao anoitecer.  

-Mas mestra...  

-Não quero ouvir mais desculpas. Quantos chifres já coletou?  

-50 pares, contando com esses. -Disse o rapaz com o rosto ainda sujo de sangue e terra, enquanto cortava o último chifre do cadáver do antílope.  

-É o bastante, vamos voltar para a cidade, você demorou 5 horas caçando antílopes, preciso de um banho e... você mais ainda. -Disse a mestra do rapaz, vendo o estado imundo em que ele se encontrava. 

De fato, o estado do rapaz humano era deplorável. Sua armadura, que antes tinha um tom verde claro brilhante, agora parecia ter um tom cinza com manchas vermelhas de sangue por toda parte. Sua pele branca, levemente queimada pelo tempo que passava sob o sol, seu cabelo loiro sujo de terra cinza e seus olhos castanhos claros eram as únicas coisas que ainda se destacavam em toda aquela imundice. Nem o cheiro de sangue, nem o cheiro de suor incomodavam o aprendiz e a mestra, ambos estavam mais do que acostumados com a sujeira que envolvia seu trabalho. Eram aventureiros há algum tempo, sendo ela uma mercenária famosa que vivera quase 200 anos, e ele um iniciante no mundo dos mercenários, porém, treinava desde seus 12 anos de idade com sua mestra. 

Após andarem por 30 minutos, ao subir uma colina, avistaram a grande cidade-estado de Goddard, uma das 3 maiores cidades do império de Elmore. Uma enorme fortaleza circular construída na encosta de uma montanha, cercada por gigantescos muros de aço e pedra, com apenas 3 entradas possíveis. A cidade era construída diagonalmente, separada em 2 distritos, sendo o distrito mais baixo (mais próximo dos muros de aço) povoado por comerciantes e o distrito mais alto povoado por soldados, mercenários e ferreiros. Na parte mais alta, um gigantesco templo de aço construído dentro das paredes da montanha, um templo dedicado à deusa da Luz e criação, Einhasad. No fundo do templo, havia uma grande porta de prata, que levava a um túnel subterrâneo, que atravessava a montanha e terminava em outro templo que ficava no castelo do Rei de Goddard, ou seja, a principal entrada para o castelo, era o templo de Einhasad da cidade. 

Ao entrarem pelo portão Oeste da cidade, seguidos de várias caravanas, uma multidão de comerciantes tentava vender seus produtos pela larga rua de pedra cinza da cidade. Mas a maioria dos visitantes ignorava as tentativas de venda de tapeçarias e joias comuns, pois o que realmente movia a economia de Goddard, estava na parte mais alta da cidade, no distrito militar. Após conversarem com alguns comerciantes, a dupla de mercenários seguiu caminho para o distrito alto.  

-Que cara é essa? -Perguntou o jovem aventureiro, olhando para o rosto de sua mestra, enquanto subiam as escadas para o distrito alto. 

-O cheiro de anã velha ficou mais forte de repente. Isso me dá náusea. -Disse a elfa sombria, com uma das mãos cobrindo o nariz e a boca.  

O rapaz apenas riu enquanto sua mestra ansiava pelo momento de ir embora daquela cidade.  

-Não precisa vir comigo até a loja dela. -Disse o rapaz. 

-Lembre-se de minha primeira lição, nunca confie em anões. Eles podem tentar te roubar. Não, ela com certeza vai tentar te roubar. Não vou deixar que enfrente a avareza desses anões, sozinho. -Disse a elfa sombria, franzindo a testa, como se preparasse sua mente para uma grande batalha. 

-A senhorita sempre disse isso, mas no fundo, sei que se respeitam. Ela não é tão ruim assim. -Disse o rapaz, dando de ombros. 

-Ela é a pior de toda sua raça. -Retorquiu a elfa sombria, com tom de desprezo. 

-Tenho certeza de que para ela, a senhorita é a pior de todas as elfas sombrias então. -Disse o rapaz, voltando a rir. 

-Que seja. -Disse a elfa sombria, bufando.

Após andarem mais alguns minutos pelas ruas de paralelepípedo de pedra cinzenta, pararam em frente à uma grande loja feita de blocos de pedra escura e madeira vermelha. O rapaz olhou para sua mestra, que respirou fundo e abriu a porta da loja, acionado o mecanismo de sinos que avisavam quando um cliente entrava.  

A loja era chamada Dragord’un, a maior forja de anões de todo o continente. Era grande o bastante para caber 20 anões trabalhando em suas forjas simultaneamente. Normalmente os anões preferem esconder a forma como trabalham dos clientes, expondo suas armas na faixada da loja e escondendo sua forja com muros aos fundos. Porém Dragord’un era diferente, todos os 20 anões trabalhavam em 2 fileiras de forjas que formavam corredor de calor infernal, que ia até o fundo da loja, onde uma enorme forja com o formato da cabeça de um dragão vermelho se erguia, mostrando imponência e poder sobre todos que estavam no recinto. 

Ao ouvir os sinos de entrada de um cliente, todos os anões deram de canto de olho, vendo se era um de seus clientes, mas apenas um se levantou e veio em direção aos mercenários, dizendo: 

-Demoraram a voltar, mestre Selpher e mestra Delith. Houve algum imprevisto na coleta dos chifres?  

-Espera rapidez demais para um garoto que mal saiu das fraudas, Zador. -Disse a elfa sombria chamada Delith, cobrindo seu nariz com um pano branco.  

-Mas considerando que é seu aprendiz, esperava que lhe ensinasse algum tipo de método rápido de assassinato e coleta de itens. - Disse o anão Zador, subindo em pequenos degraus para que pudesse ver os clientes mais altos, em seguida limpando suas mãos em um pano no balcão da loja.  

-Já chega de falar sobre minha demora, ok? Vamos aos negócios. -Disse o rapaz Selpher. -Vocês me prometeram uma armadura nova se eu trouxesse um carregamento com 50 pares de chifres de antílopes. 

-Sim, 50 pares de chifres por um peitoral de armadura classe A. -Disse Zador, com olhar ganancioso.  

-Não, você disse uma armadura classe A completa, peitoral, luvas, botas, pernas, ombros e elmo. -Disse Delith, batendo com uma mão sobre o balcão, olhando com olhar penetrante o anão rechonchudo.  

-Mas veja bem, mestra Delith... -Disse Zador, antes de ser atacado na nuca por um projétil de madeira. 

-Zador! -Disse uma alta voz feminina que ecoou por toda Dragord’un. -Sinto cheiro de seios flácidos, e velha elfa sombria está na minha loja tentando sabotar meus lucros em algum lugar! 

-Sim mãe, mestra Delith está aqui com mestre Selpher. -Respondeu Zador, com aborrecimento no tom de voz. 

De repente, rápidos passos puderam ser ouvidos pelo corredor de forjas, e uma cabeça feminina enrugada saltou atrás do balcão, ostentando grandes cabelos brancos em duas tranças compridas. 

-Como é bom te ver de novo, meu querido. Desculpe minha ausência hoje mais cedo, estava ocupada supervisionando nossos mineradores no vulcão de Valakas. Sabe como é, qualquer dragãozinho invadindo minhas minas pode significar a perda de milhares de moedas de Adena. Zador está o tratando bem? -Disse a falante e velha anã, dona da Dragord’un, Limi Ord’un.  

-É bom vê-la de novo, Limi. Quanto a Zador, me prometeu uma armadura classe A completa, se eu trouxesse 50 pares de chifres de antílope. Mas agora me oferece apenas o peitoral. -Disse Selpher, tentando fazer uma voz inocente e tímida, para enganar a velha anã. 

-Meu querido, sinto muitíssimo, mas esses chifres valem apenas metade do peitoral da armadura classe A. Creio que Zador goste tanto de você, que esteja vendendo o peitoral a preço de classe B. -Disse Limi, fazendo uma voz inocente e amorosa, claramente imitando a atuação do rapaz. 

-Bem, se os chifres valem tão pouco, então vamos vendê-los em outra loja. -Disse Delith. 

-Ainda está aqui, muito velha conhecida de peitos flácidos? -Disse Limi, se dirigindo à elfa sombria e mudando o tom de voz com desprezo.  

-Creio que seja impossível não me ver daí de baixo, a não ser que a idade de anciã tenha atingido seus olhos, velha decrépita. -Respondeu Delith, no mesmo tom de desprezo, cruzando os braços.  

Limi então bufou e disse: 

-Você cruza os braços apenas para tentar levantar esses seios caídos e velhos.  

-Você fala tanto porque gosta de mostrar essa sua boca enorme cheia de dentes falsos. -Disse Delith, provocando a anã por ter perdido os dentes ao morder a cauda de um dragão há mais de um século. 

-Já chega! -Disse Limi, furiosa, pegando uma lança ornamentada de baixo do balcão e atacando Delith.  

-Pode vir, velha gagá. -Respondeu Delith, defendendo os golpes da anã com uma adaga de cristal vermelho. 

Enquanto as duas lutavam, Selpher e Zador continuavam calmamente a discussão quanto ao preço da armadura, como se aquela luta fosse algo inevitável e corriqueiro: 

-Os chifres realmente não são tão valiosos, mestre Selpher, por favor, entenda. 

-Bem, nós passamos por alguns comerciantes no caminho e perguntamos suas opiniões. -Selpher disse ao anão, que mostrou leve apreensão nos olhos. -E realmente não são itens de muito valor. Mas sabe o que me chamou a atenção? Todos os comerciantes que conversamos disseram que vocês são os únicos compradores de chifres de antílope da cidade. Logo, 50 pares devem ser algo importante para vocês, talvez até de urgência, para forjar algo que apenas vocês sabem fazer. Seria uma pena se esses chifres que tenho, acabassem empilhados e queimados no lado de fora das muralhas.  

O anão engoliu seco, mostrando clara preocupação com o que o rapaz disse. Selpher viu que o anão estava encurralado, então disse com um sorriso maquiavélico: 

-Por que não fazemos um contrato oficial então, velho amigo. Você me fornece a armadura classe A e um par de espadas classe A e eu forneço 200 pares de chifres até o amanhecer, que tal? 

200 pares! Pensou o anão, com brilho no olhar, aparentando ter encontrado uma chance de ficar milionário.  

-Muito bem, aceito. Mas só se trouxer os chifres até o amanhecer, temos prazos a cumprir. -Disse Zador, apertando a mão do jovem rapaz com um sorriso.  

Para evitar que Zador fugisse da promessa mais uma vez, Selpher o obrigou a assinar um contrato oficial de missão. Caso Zador não cumpra com o combinado, o nome da Dragord’un seria manchado em toda a cidade. Assim que assinaram o contrato, a feroz luta que ocorria entre Delith e Limi parou, ambas guardaram suas armas, bufaram e desviram o olhar uma da outra, seguindo em direções diferentes. Delith e Selpher saíram em silêncio da loja, como se nada tivesse acontecido e Limi brigava com Zador por ter sido enrolado por uma criança. 

-Quem diria que os dons de comerciante da sua família se mostrariam na loja da anã fedida. -Disse Delith, com um sorriso sarcástico. 

-Não me compare com aquela gente, mestra. Mesmo Limi e Zador têm escrúpulos se comparados a eles. -Disse Selpher, franzindo a testa com desgosto. 

-Ainda não superou isso? Se deixar essa emoção tomar conta de você na hora do combate, não pense que vai conseguir sobreviver, muito menos salvar sua irmã. -Disse Delith, com semblante sério. 

-Sim, eu sei..., mas... 

-Ah! Que cheiro é esse? Tenho que tomar um banho imediatamente, aquela anã imunda encostou em mim. Vamos logo para a estalagem. -Disse Delith, mudando de assunto. 

Andaram mais alguns minutos em direção ao distrito baixo, onde estavam hospedados numa estalagem comum de Goddard, com quartos quadrados, porém confortáveis, com banheiras de pedra logo aos pés das camas. Após o banho, Selpher vestiu suas roupas e olhou para sua velha armadura, limpando-a calmamente enquanto o final da tarde chegava. E quando o sol dava seus últimos suspiros, dando início à noite, uma batida forte na porta o pegou de surpresa, dando um pulo da cama.  

Antes que pudesse levantar-se para abrir a porta, ela quebrou-se em dezenas de pedaços com o impacto de uma poderosa magia de água. Selpher levantou-se rapidamente, empunhou sua espada para se defender da invasão. Então uma mulher jovem, com cerca de 25 anos entrou no quarto, seguida de dois espíritos unicórnios. Tinha cabelos castanhos curtos, olhos azuis como os de um elfo e usava uma túnica branca e vermelha. Ela então disse em voz alta: 

-Lâmina do Anoitecer, eu sei que está aqui, não pode mais fugir de mim. 



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