História Sinfonia n2, "O Caos", Primeiro Movimento - Capítulo 4


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Categorias Lineage
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Magia, Medieval, Romance
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Palavras 3.352
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esse é o final do primeiro arco, é um arco de apresentação de personagens centrais na trama. Nos próximos arcos pretendo desenvolver mais conceitos da mitologia e magia desse universo vasto, além de apresentar um dos meus personagens favoritos. Espero que gostem. ^^

Capítulo 4 - Melodia n3


 

-O mais importante para um duelista não é o movimento com as espadas em si, mas sim a ressonância entre o momentum de seus movimentos com a sua energia interna. -Disse a elfa, usando termos técnicos que o rapaz nunca ouvira até então.

-Momentum? Ressonância? Energia interna? -Perguntou o confuso jovem duelista.

-Sua mestra nunca lhe ensinou esses conceitos? São essenciais para um duelista. -Disse Alava, com o rosto reclinado sobre sua mão direita, com certa indignação.

-Bem, ela sempre foi contra meu desejo de ser um duelista. Sempre me disse para ser um ladino, assim como ela. -Respondeu Selpher, dando de ombros.

-Talvez ela não saiba o que são esses conceitos? -Perguntou Alava, inocentemente.

-Ela com certeza sabe. -Disse Selpher, cruzando os braços. -Nunca subestime a minha mestra. Sua mente deve ser um catálogo de cada ponto forte e fraco de todos os magos e guerreiros do continente. Às vezes, seus comentários enquanto assistíamos aos torneios no coliseu, me davam pavor. Com um olhar, ela é capaz de prever cada movimento do inimigo até sua queda diante dela.

-Então por que ela não o treina corretamente? -Perguntou Alava, com uma das mãos coçando levemente o queixo, pensativa.

-Ela deve ter seus motivos. Enfim, pode me ensinar mais sobre o que dizia? -Disse Selpher, mostrando pouca preocupação sobre os métodos de sua mestra.

Como pode alguém ser tão ingênuo assim? Pensou Alava. Como alguém é capaz de acreditar tão cegamente em seu mestre, ao ponto de nem ao menos se importar em ser enganado?

Alava se encheu de desconfiança com relação a Delith por um momento. Levando-a a se comunicar telepaticamente com Mantis, que confrontava a elfa sombria no acampamento.

...

-Se quer que me una ao seu grupo, ao menos me dê um motivo para confiar em vocês. Qual seu objetivo com tudo isso? -Disse Delith, franzindo a testa ao observar um movimento estranho de Mantis com a cabeça.

-Entendi. -Disse Mantis, em voz baixa, como se respondesse alguém.

-Está se comunicando com a elfa... não pense que pode fazer do garoto seu refém. Se algo acontecer com ele, mato as duas e carrego suas cabeças como prêmio até o castelo de Innadril. -Disse Delith, com frieza na voz, sem mostrar sequer uma emoção em sua face. 

-Não se preocupe com isso, Alava não é capaz de atos maliciosos. -Respondeu Mantis, suspirando e dando de ombros. -Você me acusa de não ser digna de sua confiança, mas quem deveria desconfiar de algo aqui sou eu.

-O que quer dizer?

-Se me disser por que treina seu aprendiz como se fosse um fanático religioso, talvez eu te diga o objetivo da Horda. -Disse Mantis.

-Como assim? - Perguntou Delith, confusa.

-Está mesmo treinando o garoto para ser um duelista, ou para ser um mero peão para ser sacrificado? O rapaz nem ao menos conhece técnicas básicas de duelistas. -Respondeu Mantis, franzindo a testa.

-Você não o conhece, ele ainda não está pronto. -Respondeu Delith.

-Não está pronto? Ele aparentemente está aprendendo rápido as técnicas de Alava neste exato momento. -Respondeu Mantis.

Delith então suspirou, retirou sua capa e começou a retirar sua armadura de couro. A repentina ação da elfa sombria de se despir, assustou Mantis num primeiro momento, mas assustou-a ainda mais ao ver o que Delith escondia.

Após retirar algumas ataduras que estavam em volta de seu peito, Delith virou-se e mostrou uma terrível cicatriz de queimadura que cobria toda a extensão de suas costas, dizendo:

-O que acha de uma criança que entra desarmada em uma mina de ferro, enfrenta uma dezena de contrabandistas e causa uma explosão enorme só para recuperar um medalhão? Seria essa criança louca? Suicida? Imprudente, no mínimo. Eu repito, ele não está pronto. -Disse Delith, com voz firme e ríspida, aproximando seu rosto ao de Mantis, ainda com a mesma expressão fria.

-Essa cicatriz... eu conheço alguém que pode ajudar.

-Não preciso de sua piedade. Apenas não se metam no treinamento do garoto. A última coisa de que precisa é de alguém o encorajando a ser confiante em sua imprudência. -Disse a elfa sombria, vestindo-se novamente. -Ele precisa entender suas fraquezas e o valor da própria vida, para poder amadurecer emocionalmente, para poder ser um duelista de verdade.

-Acha que o privando de conhecer seu potencial, vai transformá-lo num duelista de verdade? Ao menos sabe o que significa ser um duelista de verdade? -Disse Mantis, ainda questionando os métodos da elfa sombria.

-Meu mestre. -Disse Delith, com tom nostálgico. -Ele foi o melhor duelista que já conheci em dois séculos. Não era o mais forte e não gostava de lutar, mesmo assim salvava e treinava crianças sem qualquer perspectiva de futuro, em meio à grande guerra. Nos deu esperança, um lar para defender e um motivo para viver.

Delith nasceu em meio à grande guerra, seus pais fugiram da vila dos elfos sombrios antes do grande massacre do quarto selo da destruição. Ficou órfã na cidade de Rune, capital do império de Elmore, quando seus pais foram atacados por soldados humanos. Sem qualquer motivo aparente, os soldados imperiais apenas atacavam os elfos sombrios e orcs refugiados da guerra, presos num ciclo de desconfiança e ódio racial histórico de conflitos milenares entre as diferentes raças.

Porém, um casal ousava desafiar os soldados imperiais, salvando dezenas de crianças da fome e da criminalidade nas vielas sujas de Rune. Um humano duelista e uma maga elfa. A dupla resgatava as crianças e desapareciam pela floresta ao Nordeste da capital, ensinando-as a se defender, ler, escrever, plantar e caçar o próprio alimento. Delith foi uma dessas miseráveis crianças resgatadas.

-Eu era igual ao garoto, me enfiava em qualquer lugar perigoso sem pensar duas vezes, era imprudente e arriscava minha vida sem qualquer necessidade. Apenas quando aprendi a dar valor à minha própria vida, pude ver como estava sendo tola e consegui me tornar forte de verdade. Devo tudo ao meu mestre e me arrependo todos os dias por não ter aprendido isso mais cedo... se eu fosse mais forte na época, talvez tudo pudesse ter sido diferente. -Disse Delith, com tom melancólico. -Se o garoto se encher de confiança demais, vai continuar arriscando a própria vida o tempo todo. Até que esteja maduro o bastante, não vou lhe ensinar técnicas perigosas... não me perdoaria se ele morresse por causa de um descuido meu.

-Agora entendo sua preocupação. -Disse Mantis, voltando a se sentar, olhando com pesar para a fogueira e recordando o passado. -Nunca soube lidar com garotos dessa idade. 

Após um minuto de silêncio no acampamento, Mantis voltou a falar:

-Nós vamos atacar o castelo de Innadril.

-O que?

-Esse é nosso objetivo, não era isso que queria saber desde o início? -Disse Mantis, desviando o olhar.

-De imprudente, já basta meu aprendiz. Tomar o castelo de Innadril... tem noção de como isso é loucura? Seu grupo deve ter no máximo 10 pessoas. Mesmo com minha ajuda, isso é impossível. -Disse Delith.

-Não é como se planejássemos tomar o castelo amanhã. Vamos formar alianças e juntar recursos ao longo de 5 anos. Para isso, precisamos de oficiais que inspirem nossos soldados, precisamos de pessoas fortes como você. -Disse Mantis, olhando para a elfa sombria, com esperança nos olhos.

-Soldados? Onde pretendem conseguir um exército? -Disse Delith, curiosa com os planos da jovem Mantis.

E assim que Mantis prendeu a atenção de Delith com os planos iniciais do líder da Horda, a elfa sombria olhou para o céu noturno, como se tivesse encontrado um atalho para realizar um sonho antigo. De fato, se o plano da Horda se concretizasse em 5 anos, conseguiria dormir em paz, sabendo que honrou sua palavra com seu antigo mestre 173 anos atrás. A proposta da Horda não apenas era bastante ousada, como também bem planejada em todos os detalhes, ao ponto de ser realista o suficiente para dar certo.

Aos poucos a hostilidade entre Delith e Mantis foi diminuindo e seus verdadeiros sentimentos e intenções se tornaram laços de confiança, que num futuro próximo, se tornaria um laço de amizade que nem mesmo a morte poderia quebrar.

...

De repente, Alava pôde sentir o cessar de hostilidades entre Mantis e Delith, com a diminuição gradual do choque entre suas auras. O sentimento de alívio tomou conta da gentil Alava, pois não gostaria de saber o resultado de uma batalha entre a Fúria do Mar de Innadril e a Lâmina do Anoitecer, duas mulheres consideradas lendas vivas no continente de Elmoreden.

Mantis se comunicou telepaticamente com Alava, ordenando para que não ensinasse mais técnicas de duelistas ao rapaz Selpher, a pedido de Delith. A elfa ainda achava estranho o método de treinamento da elfa sombria, mas ia obedecer às ordens de Mantis mesmo assim.

Após uma hora caçando usando a técnica do corte sônico, ensinada por Alava, Selpher conseguiu apenas 5 pares de chifres de Antílopes. Frustrado e descontente, não conseguia mais acertar um único golpe nos animais, quase entrando no território da tribo Varka mais uma vez. Alava o impediu de cometer esse erro mais uma vez, achando melhor voltarem ao acampamento para descansarem.

Ao retornarem ao acampamento, Alava viu Delith e Mantis compartilhando histórias de batalhas difíceis e rindo sem compromisso, enquanto devoravam, de forma nada elegante, a carne de um Búfalo que caçaram há 20 minutos.

A cena impressionou Alava, pois não esperava uma aproximação tão grande entre as duas lendas, em tão pouco tempo. O que claramente a fazia feliz, pois não gostava de conflitos ou lutas, era uma elfa que amava a paz quase tanto quanto amava seus pais e sua irmã mais velha.

Porém, Selpher não notou o clima amistoso entre sua mestra e Mantis. Apenas chamou pela elfa sombria:

-Mestra, olha o que Alava me ensinou!

Selpher fez os movimentos de forma correta e de suas espadas saíram dois cortes sônicos, porém, muito mais fracos se comparados aos de Alava, se desfazendo no ar, antes mesmo de alcançar algum alvo sólido.

Delith se levantou, deu passos firmes em direção ao garoto e parou ao seu lado, dizendo:

-Está proibido de usar esta técnica até que coloque a cabeça no lugar.

-Mas mestra... -Disse Selpher, ao olhar nos olhos calmos de Delith. -Sim, mestra.

-Venha até a fogueira, vou lhe explicar por que ainda não quero que use técnicas assim. -Disse Delith.

Após fazer o garoto se ajoelhar sob a pedra onde estavam acampados, Delith disse:

-Liste as quatro lições que lhe ensinei até agora.

-Sim. Mantenha a calma sob qualquer circunstância. Procure e ataque sempre os pontos fracos do alvo. Nunca pular um único dia de treinamento. Nunca confiar em anões. -Disse o garoto, rapidamente.

-Muito bem. Agora me diga, quantos chifres coletou até agora?

-10, mestra. -Disse Selpher, demonstrando clara frustração.

-Mesmo com um mago de reforço lhe dando suporte?

-Sim, mestra.

-Estou decepcionada, garoto. -Disse Delith, com olhar reprovador.

-...

-Não por ter coletado poucos chifres ou por buscar aprender novas técnicas. Mas decepcionada por não seguir meus dois primeiros ensinamentos. Quando digo que não está pronto para aprender essas técnicas que usam momentum e energia interna, é por que não está preparado emocionalmente para usá-las em batalhas reais.

Enquanto a elfa sombria dava seu sermão, Alava finalmente percebeu as intenções do treinamento de Delith, enquanto Mantis apenas assentia com as palavras da elfa sombria.

-Ao depender dessa técnica para caçar, buscou um atalho para ficar mais forte. Seu corpo consegue realizar o corte sônico, mas ficou tão eufórico com a nova técnica que se frustrou quando continuou errando, logo, não conseguiu manter a calma e não buscou os pontos fracos de sua presa antes de atacar.

Talvez ela entenda seu aprendiz melhor do que eu esperava, pensou Alava.

-Por me desobedecer, vai pausar sua caça e vai treinar até que eu mande parar. -Disse Delith, pegando itens de treinamento de uma pequena sacola presa em seu cinto. Uma sacola mágica capaz de carregar milhares de objetos simultaneamente.

-Mas mestra, e o prazo de entrega dos chifres?

-Vai conseguir coletar os chifres se fizer o que eu mandar.

-Sim, mestra. -Disse o rapaz, cabisbaixo.

Na fogueira, Mantis e Alava riam despreocupadamente agora. Quando Delith se aproximou das duas, Alava se desculpou por ter desconfiado da elfa sombria. Delith aceitou as desculpas e pediu educadamente que ainda não interferissem no treinamento do garoto, mas quando estivesse pronto, aceitaria com prazer a orientação dos membros mais experientes da Horda.

-Isso quer dizer que vai se juntar à Horda? -Disse Alava, não conseguindo conter sua animação.

-Ainda não. -Disse Delith, com um sorriso sincero. -Vamos nos juntar a vocês quando o garoto estiver forte o bastante para nos acompanhar.

-Delpher vai se juntar à Horda também?! -Disse Alava, mordendo a lingua ao pronunciar o nome incomum do jovem duelista.

-Delpher? -Disseram Mantis e Delith simultaneamente, enquanto gargalhavam da gafe da inocente elfa.

...

O treinamento de Selpher era basicamente a repetição de movimentos básicos com as espadas, porém, carregando 25Kg a mais de peso, distribuídos entre diversos equipamentos mágicos em seus braços, pernas e cintura.

A série de repetições durou 2 horas seguidas, parando apenas à meia noite, quando Delith declarou o fim do treinamento. Quando Selpher se juntou ao grupo no acampamento para jantar, Delith propôs que Selpher meditasse por 30 minutos antes de voltar à caça.

Após a meditação, Delith disse:

-Impaciência leva ao desespero, a paciência leva à concentração. Respire fundo, observe seu alvo atentamente, concentre-se e ataque com precisão, como um lobo faz com sua presa.

-Um lobo! É isso! -Disse Selpher, com um sorriso.

-Exatamente, agora vão e cacem os outros 70 Antílopes, temos menos de 6 horas para retornar para a loja da anã imunda. -Disse Delith, cruzando os braços e sorrindo.

Alava e Mantis não entenderam a súbita confiança de Selpher em conseguir completar a missão, mas assim que desceu da pedra, Selpher retirou de seu cinto uma coleira de lobo. Mantis então disse, surpresa:

-É uma coleira de invocação?

-Sim, um lobo que ele mesmo criou desde que o encontrei em Schuttgart. Um legítimo filhote de Fenrir. -Disse Delith.

Selpher então proferiu o feitiço de invocação, ao jogar a coleira para cima:

-Ouça meu chamado, ó mestre das feras da floresta do Norte. Steppen!

A coleira rapidamente quintuplicou de tamanho e de dentro dela, saiu um enorme e jovem lobo Fenrir. Tinha cerca de 5 metros de comprimento, patas brancas maiores que uma cabeça de orc, cauda cinza e longa, olhos vermelhos como sangue, dentes capazes de perfurar armaduras classe A com facilidade. Era uma criatura imponente e assustadora.

Assim que foi invocado, o lobo avançou em direção a Selpher, pulando em seu corpo, abocanhando sua cabeça em seguida. Alava, em uma atitude desesperada para salvar o rapaz, empunhou suas espadas e atacou o lobo. Porém, sendo bloqueada por Delith, que disse:

-Não se preocupe, é sempre assim.

-Saia de cima, seu cão fedido! -Disse Selpher, enquanto era atacado pelas lambidas mortais e ameaçadoras do lobo carinhoso. -Mestra, socorro! Steppen está pisando em meus braços, não consigo me levantar.

-Steppen, senta! -Disse Delith, com voz autoritária.

O lobo imediatamente obedeceu Delith, sentando-se em cima de Selpher.

-Você faz isso de propósito, não é? -Disse Selpher, olhando para a cara nada inocente de seu Fenrir, que parecia sorrir.

-Que criatura incrível, como conseguiram domar um Fenrir? -Perguntou Alava, acariciando a pelagem cinza e branca do enorme lobo.

-Eu o resgatei na floresta ao Leste de Schuttgart. Sua mãe havia morrido e os filhotes choravam desesperados por leite. -Disse Delith. -Esse aí criou certo carinho pelo garoto, então decidimos criar um contrato de invocação.

-Um garoto tão jovem conseguindo domar um Fenrir, isso é raro. -Disse Alava, sorrindo.

-Não chamaria isso exatamente de domar. -Disse Mantis, vendo como o lobo se recusava a sair de cima do rapaz.

Depois de alguns minutos de desordem, Selpher e Alava finalmente conseguiram voltar à caça, agora seguindo o faro do Fenrir Steppen.

Finalmente avistaram suas primeiras presas, um grupo de 6 antílopes que pastavam calmamente. Sem nem ao menos fazer um único som, Selpher e Steppen cercaram os antílopes. Alava apenas observava e não interferia na caça, focando apenas em manter seus encantamentos de reforço funcionando para os caçadores, a pedido de Delith.

Quando estavam em posição, Selpher respirou fundo, observando com calma cada um dos antílopes. Viu que um deles havia ferido uma das patas e não conseguiria correr, então levantou-se e lançou um corte sônico em sua pata, ferindo-o ao ponto de não conseguir nem andar. Os outros antílopes correram em direção ao garoto para o atacar, deixando o antílope ferido desprotegido para o ataque feroz do Fenrir Steppen.

Quando o Fenrir abocanhou o pescoço do antílope, ladrou com tanta ferocidade, que os outros antílopes ficaram paralisados de pavor. Selpher aproveitou a oportunidade para cortar os chifres de dois dos antílopes paralisados, que correram em seguida. Os outros 3 antílopes, correram ao ver Selpher se aproximar, caindo novamente no território do Fenrir, que imediatamente abateu mais um antílope desesperado.

Os últimos antílopes corriam em direção ao território da tribo Varka, mas não eram capazes de superar a velocidade de Steppen, que os alcançou e os obrigou a mudar de direção. Selpher então segurou suas espadas como se fossem uma tesoura e mais uma vez se lançou em direção aos alvos, em sua magia de avanço rápido, matando mais um antílope. Logo em seguida, lançou uma sequência de cortes sônicos, com o objetivo de mudar a direção em que o último antílope corria, inevitavelmente caindo nas presas do grande Fenrir.

Alava ficou impressionada com as habilidades de caça do rapaz junto de seu Fenrir. Uma performance completamente diferente da que viu no início da noite. Selpher parecia ser outra pessoa, completamente calmo e concentrado. Quase não haviam movimentos desnecessários, mesmo seus fracos cortes sônicos eram usados de maneira calculada e criativa. Sabia que força bruta não era seu ponto forte, por isso foi capaz de pensar com calma em um plano que usasse a força e velocidade do Fenrir ao máximo.

Com apenas 30 minutos restando para o amanhecer, Selpher conseguiu coletar todos os 200 chifres de antílopes. Porém, não conseguiria retornar para a cidade de Goddard a tempo.

Quando voltou ao acampamento, Mantis já havia retornado à cidade e Delith apenas esperava o retorno do rapaz com um cristal azul em mãos. Antes que pudesse perguntar sobre o que se tratava o cristal, Delith logo o entregou para seu aprendiz, dizendo:

-Boa viagem, nos vemos em breve.

De repente, o cristal se quebrou e Selpher se viu no centro do distrito militar de Goddard. Seu estômago embrulhado e olhos revirados, como se fosse desmaiar. Mantis então o segurou, impedindo sua queda, dizendo:

-Péssima primeira experiência de invocação?

-Você me... invocou? Onde? O Que? -Disse Selpher, ainda tonto.

-Sou uma invocadora, desde que esteja com um dos meus cristais em mãos, eu posso te invocar para minha localização. -Respondeu Mantis, dando uma poção ao rapaz, para que se recuperasse da tontura mais rapidamente. -Ande logo, vamos até Dragord’un, ou não quer conseguir sua armadura classe A?

Selpher então andou alguns minutos até a loja de Limi Ord’un, conseguindo entrar no exato momento em que o sol nasceu. Dando de cara com a velha anã, que disse:

-Está 5 segundos atrasado..., mas como gosto de duelistas cheios de vigor, vou garantir que Zador cumpra com o prometido. Agora, meu bem, me dê logo os chifres, preciso deles para forjar novas taças para o clã do rei Wolfgang. Adoro ver os soldados reais bebendo e dançando enquanto usam minhas taças.

Selpher e Mantis deram um passo para trás, surpresos com o comentário cheio de segundas intenções da velha anã, que parecia salivar apenas ao pensar no “banquete” real, que ocorreria naquela noite. A armadura e as espadas classe A ficariam prontas ao final da manhã, logo, Mantis disse:

-Já que temos tempo de sobra, por que não voltamos para a estalagem para limparmos essa sujeira? Odeio o cheiro de sangue e terra.

-Por favor, não destrua meu quarto dessa vez. -Disse Selpher, com sarcasmo.

-Vou tentar. -Disse Mantis, gargalhando enquanto se dirigiam para a estalagem.



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