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História Sinfonia Solitária - Capítulo 14


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Notas do Autor


Hey guys, como estão? Estão curtindo essa historia. Bom se estiverem, por favor favoritem. Me deixa animado e motivado a continuar escrevendo. Estou amando esse feedback nos comentários, serio, vocês são demais.

Galera, nas notas finais está o link da musica tocada nesse capitulo. Ela vai ser a musica tema da Hope e Josie nessa historia. Recomendo muito que coloquem ela para tocar no momento que verem a letra. Vai ficar mais intenso, vão por mim.

Imagem da capa: Roupa da Hope, usada pela musa da minha vida, Madelaine Petsch // Roupa da Josie, Usava pela linda, maravilhosa, diva e dona da porra toda, Cara Delevingne

Capítulo 14 - Decima Quarta Partitura


Fanfic / Fanfiction Sinfonia Solitária - Capítulo 14 - Decima Quarta Partitura

Tudo ao seu redor estava lento. O tempo passava de uma forma que parecia quase parado conforme ela caia. Muitas coisam passavam na cabeça de Hope naquele momento. As coisas que ela ainda queria fazer em vida. Conhecer o Japão, ter uma namorada, vê as novas animações da DC, assistir a nova fase da Marvel… Tantas coisas. E agora morreria? E o pior de tudo, morreria antes de One Piece ter acabado.

A água se aproximava cada vez mais. E enquanto se aproximava, Hope só conseguia pensar em duas coisas. Que em breve estaria ao lado do seu pai, e isso a deixou imensamente feliz. Pensou que talvez não fosse ruim morrer. E a outra coisa, é que ela daria um jeito de voltar e assombrar a vida de Josie.

Quando seu corpo colidiu com a água, Hope abriu seus olhos, o choque da água fria por seu corpo a fez fica totalmente desperta. Levou dois segundos para entender que ainda estava viva depois de uma queda daquelas.

Algo entrou na água, um vulto grande. Hope se virou e viu que Josie também havia pulado. Hope se surpreendeu em como os olhos dela brilhavam no escuro do fundo do lago, como um farol fosforescente. A morena olhou ao redor e quando avistou Hope, deu um sorrio e acenou com a mão.

Hope resistiu ao impulso de nadar até ela e a estrangulá-la, só não fez isso pois estava ficando sem ar. Então optou por nadar até a margem. Assim que saiu da água, inalou uma enorme lufada de ar. Seus pulmões choraram de alegria.

– Por Quione… – resmungou Josie surgindo ao seu lado – Pular em um lago gelado no começo do inverno não foi uma boa ideia.

Os olhos de Hope ficaram vermelhos de Raiva e quando percebeu partiu para cima de Josie. A morena se assustou e antes que pudesse reagir, Hope já estava em cima dela. As duas caíram na grama, as mãos de Hope se prenderam no pescoço de Josie e começaram a apertá-lo.

– Qual o seu problema? – gritou Hope com uma voz moldada pela raiva

Josie então começou a gargalhar. A gargalhar. Ela não tentava tirar as mãos de Hope de seu pescoço, na verdade, suas mãos estavam estiradas na grama.

– Você acha isso engraçado? – perguntou Hope com incredulidade na voz. Suas próximas palavras saíram como um grunhido cortante – Você me jogou de uma cachoeira… Uma cachoeira… Eu vou matar você.

As mãos de Hope se fecharam com mais força pelo pescoço de Josie, mas ela continuou rindo.

– Você acha que me mete medo? – perguntou Josie em um tom brincalhão. Aqueles olhos âmbar ficaram mais intensos e escuros conforme encaravam a ruiva. O sorriso da morena não vacilou – Lamento informá-la, Hope querida… Mas eu já conheci o medo, ah, o conheci muito bem… e você não tem o sorriso dele.

Um choque ondulou pelo corpo da ruiva. As palavras da mulher em baixo dela fizeram seu corpo fraquejar. Apenas confie em alguém que consiga ver estas três coisas em você. As palavras de Josie ecoaram em sua mente, a fazendo hesitar. Uma dessas coisas era a dor por trás de um sorriso… As mãos de Hope soltaram o pescoço de Josie conforme sentiu um aperto inexplicável no peito.

Então, ela saiu de cima de Josie se sentando ao lado dela.

– Então… – disse Josie que também se sentou e se espreguiçou, emitindo um ronronar, como um gato. A morena se virou e tinha um sorriso leve no rosto e um tom brincalhão se seguiu – Curtiu o mergulho?

Hope ignorou o aperto no peito que sentiu e lembrou o quanto estava puta da vida com Josie. Então partiu para cima da morena mias uma vez. As duas ficaram rolando na grama por alguns minutos. Hope ficava acertando golpes e Josie bloqueava ou segurava as mãos de Hope. O que deixou a ruiva ainda mais puta foi o fato de Josie parecer se divertir com aquilo todo o tempo.

– Ok, chega – disse Josie que no momento havia imobilizado Hope contra o chão – por mais que tenha sido divertido rolar com você na grama, já deu.

Josie então se levantou esse afastou aluns passos de Hope. A mesma emitiu um grunhido de frustração se se levantou.

Um calafrio percorreu todo o seu corpo assim que se levantou e ela abraçou a si mesma, querendo passar mais calor. Estava muito frio e ela estava completamente molhada, e não em um bom sentido.

A morena caminhou até atrás de uma árvore e pegou dois sacos de lixo. Hope estreitou seus olhos sem entender o que sacos de lixo estavam fazendo ali. Josie se aproximou sorrindo e estendeu um deles a Hope.

– Roupas – esclareceu a morena

A ruiva alternou o olhar entre o saco e Josie, com uma pergunta silenciosa em seu rosto. Logo depois a compreensão a habitou. Ela sentiu seu rosto esquentar de raiva conforme entendeu. Conforme entendeu que Josie já havia planejado jogá-la daquela cachoeira.

Ela arrancou o saco da mão de Josie com uma certa violência a encarava com raiva. A mesma devolvia com um sorriso brincalhão.

Hope se afastou e começou a se despir. Um olhar por cima do ombro, mostrou que Josie estava fazendo o mesmo. Sinceramente, Hope tinha vontade de pegar o saco e bater em Josie com ele, mas não queria morrer de hipotermia o meio da floresta.

Ao ficar nua, o vento frio fez com que todos os seus pelos se arrepiassem. Rapidamente abriu o saco e viu as roupas que estavam ali dentro. As roupas ali dentro consistiam em uma jaqueta e calças de couro, um cropped preto e coturnos de cano baixo com saltos pequenos.

Hope ficou um pouco receosa. Couro não era exatamente o que ela esperava. Nunca havia usado peças de couro em toda a sua vida. E tinha certeza que não ficaria boas em seu corpo, que não era esbelto. Mas fazer o que? Momentos necessitados pedem medidas necessitadas.

Então, ela começou a se a se vestir, ainda que um pouco receosa. Quando terminou se virou, viu Josie, que estava encostada casualmente contra uma árvore com as mãos nos bolsos do casaco.

Estava usando uma blusa de courino, por cima estava usando um casaco camuflado rajada que ia até o meio das coxas e estava com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Nas pernas também usava uma calça de courino com ilhós nas laterais e usava coturnos de cano longo que iam até os joelhos Seus longos cabelos negros estavam molhados e jogados para o lado.

– Oksana estava certa – comentou Josie. Seu olhar percorria todo o corpo de Hope de cima a baixo. A ruiva sentiu um leve arrepio quando a morena mordeu o lábio inferior, e Hope sabia que não era um arrepio de frio. Não, com certeza não era frio – Você fica simplesmente deliciosa com esse couro apertado.

O olhar de Hope se direcionou para o meio das pernas da morena, pois reparou que um leve movimento havia começado ali. Hope engoliu sem seco e decidiu ignorar, se aproximando da morena

– Só estou falando com você agora porque você é a minha carona – grunhiu Hope pressionando seu dedo contra o peito de Josie – Mas depois não quero vê você nunca mais, entendeu?

Josie não parece nem um pouco afetada. Estava apenas sorrindo convencidamente.

– Como quiser, Hope querida.

 

(…)

 

Hope agora olhava para a janela do carro, apena vendo as imagens passar. Demoraram uma hora e meia para voltar ao carro, e nesse tempo, Hope não falou uma única palavra com Josie. A morena parecia respeitar o silêncio de Hope, o que deixo Hope mais brava, pois ela queria continuar gritando om Josie, então estava torcendo para que ela não ficasse em silêncio.

O carro parou no que Hope imaginou ser a metade do caminho até a cidade. Josie estacionou o carro em uma lanchonete e pela primeira vez durante duas horas, Hope dirigiu a palavra a Josie

– O que estamos fazendo aqui?

Josie sorriu em deboche

– Olha, ela fala – Hope fechou o rosto, assumindo uma carranca – Bom, Hope querida, eu estou com fome e adoro o sanduíche daqui.

A morena então abriu a porta e saiu do carro, e Hope imaginou que Josie a deixaria trancada no carro se não saísse, então mesmo a contragosto, ela saiu e acompanhou Josie. Já era noite e ela não comia a um bom tempo, seu estomago estava pedindo por comida.

Ao entrarem na lanchonete, pegaram lugares ao fundo.

– O que vão querer? – perguntou uma garota morena que vestia o uniforme do estabelecimento

Josie sequer olhou para o cardápio quando respondeu.

– Três hambúrgueres, duas porções de fritas, uma porção extra grande de bacon e um milkshake de morango – Josie então se virou para Hope – E você?

– Hmmm… Só um hambúrguer e um milkshake de chocolate

Hope estava com a boca levemente aberta diante do pedido absurdo de Josie. A garçonete sequer se abalou e anatou tudo, saindo logo depois. Hope ainda olhava para Josie, para o corpo dela, se perguntando para onde ia toda essa comida.

A ruiva então virou o rosto, encarando a estrada, para não ter que falar com Josie. O único problema é que Josie ficava a encarando com um sorriso malicioso.

– O que? – perguntou Hope cansada do olhar que estava recebendo

– É que… – Josie mordeu sensualmente o lábio inferior – Você está uma delicia nesse couro apertado.

A ruiva revirou os olhos em descrença

– Não precisa tentar me agradar só porque… – Hope fechou os olhos, contendo a raiva que ameaçava vir – Me jogou de uma cachoeira. Sei que não sou tudo isso. Ou um pouco disso que você diz que eu sou.

A sobrancelha bem-feita de Josie se arqueou. Sua expressão dizia que ela não acreditava no que ouvia.

– Esse mundo é uma sociedade baseada em classes, Hope – comentou Josie. Seu olhar se voltou para o lado de fora, seu olhar estava distante – Sua aparência e inteligência são decididos no momento do seu nascimento. A classe mais baixa é rejeitada, criticada e culpada. Os fracos que vivem nessa classe não tem escolha a não ser serem a minoria.

Hope percebeu o nojo na voz de Josie quando pronunciou aquelas palavras. Parecia que ela não gostava de admitir que aquele era o mundo em que vivia. Hope não podia julgar, isso daria nojo em qualquer um.

– O que isso tem a ver?

Josie desviou seu olhar da janela e seu rosto se voltou para Hope

– Tem a ver, Hope, que você é linda – Hope franziu a testa sem entender e Josie logo tratou de complementar – Posso dizer com certeza, que você é mais inteligente que a media geral das pessoas. E ainda por cima tem uma aparência que muitos literalmente, repito, literalmente matariam para ter.

A garçonete voltou com duas bandejas trazendo os pedidos. Além dos pedidos, ela entregou um papelzinho a Josie. A morena de olhos âmbar deu um sorrisinho e piscou um olho para a garçonete, que corou e saiu andando com um sorrisinho no rosto.

– O que isso?

Josie desdobrou o pepel e respondeu

– O número dela

Hope piscou duas vezes sem entender como Josie conseguiu o número da garota. Tipo… Elas nem conversaram nem nada. Hope se perguntava se era normal para Josie ficar apenas parada em um local e receber o número de uma mulher.

– Vai ligar?

– Provavelmente… – respondeu Josie como se não fosse nada demais enquanto guardava o papel no bolso do casaco – Mas continuando… Estou dizendo que você devia ao menos tentar se vestir um pouco melhor. Pois você foi abençoada pelos deuses com beleza, então deveria fazer proveito dela – um sorriso gentil surgiu em seus lábios – Apesar de eu já está começando a gostar do estilo de universitária falida

Hope bufou e revirou os olhos diante das afirmações de Josie

– Não me importo com que os outros pensam de mim – admitiu Hope desviando o olhar

Josie começou a gargalhar, sim, a gargalhar. Hope olhou com raiva para a mulher, que no momento tinha uma mão na boca, tentando abafar a risada.

– Qual a graça?

– “Todas as pessoas vivem confiando na sua sabedoria e no seu conhecimento, e ficam presos a eles – respondeu Josie, fazendo uma citação – Eles chamam isso de “realidade”. Entretanto sabedoria e conhecimento são ambíguos, deste modo, a realidade não é nada além de uma “ilusão”. Então não seria errado dizer que cada pessoa vive mediante suas próprias convicções

Hope emitiu um grunhido alto de frustração

– Sem citações, por favor

Josie abriu a boca o máximo possível, em uma indignação exagerada. Ela levou a mão a coração como se Hope tivesse atirado nela

– Sem citações? – perguntou Josie ultrajada – O que mais você quer? Meus olhos? Meu fígado? Meu coração? Meu cérebro? Porque você obviamente quer coisas que eu não posso dar.

Hope apoiou o rosto entre as mãos, suspirando e orando a deus paciência para tanto drama.

– Eu estou tentando dizer que você se importa sim com o que dizem – explicou Josie fazendo Hope tirar o rosto das mãos e olhar para ela – é claro que você se importa. Todos nos importamos. Isso nos faz humanos. Além disso, se você não se importasse, não teria autoestima baixa, não é?

A lábia de Josie era excelente. Conversar com ela era como jogar uma partida de xadrez. E Hope tinha acabado de levar um xeque-mate

Decidiu fica em silêncio e comer sua comida. Mas não parou de refletir sobre as palavras de Josie em nenhum momento. Então elas comeram em um silêncio até agradável. Hope as vezes olhava Josie, que realmente estava comendo tudo que pediu. A ruiva ainda não entendia para onde ia toda essa comida com um corpo daqueles.

– Então… – disse Josie, que se espreguiçou após ambas terminarem de comer, emitindo um ronronar, como um gato. Hope estava tendo um belo deja vu agora. A morena olhou para a ruiva com um sorriso brincalhão em seu rosto – Curtiu o mergulho?

– Não me faça subir em cima dessa mesa e matar você – grunhiu Hope com uma voz baixa para que os outros clientes não ouvissem – O que você tinha na cabeça para me jogar de uma cachoeira?

Josie apenas a encarava com um sorriso que não chegava aos olhos.

– “Se você quer me matar… Me odeie, me amaldiçoe, e fuja, fuja… Viva uma vida miserável correndo e se escondendo – recitou Josie – Então, quando você tiver os mesmos olhos que eu, me procure

Hope tentou analisar Josie. A morena apenas estava com a cabeça apoiada entre as duas mãos e a olhava com um sorriso convencido. Indecifrável. Hope poderia deduzir e acertar várias coisas sobre ela… Mas seus pensamentos… Não. A ruiva já havia entendido… Ela jamais saberia o que a morena de olhos âmbar flamejantes pensava.

A mente da mulher a sua frente era um labirinto que Hope jamais conseguiria achar o caminho correto. Isso a deixava um pouco inquieta, esse tipo de pessoa eram as mais complicadas de se lidar. E para piorar, ela sempre parecia saber o que Hope pensava.

Como era inútil tentar adivinhar, apenas perguntou:

– Por quê?

Josie pareceu entender a pergunta, pois um sorriso sombrio brincou em seus lábios.

– Você tem os mesmos olhos de uma pessoa que eu conheci, Hope – os olhos de Josie ficaram mais escuros e sua voz mais tênue. Sombras dançavam naqueles glóbulos flamejantes conforme olhavam para Hope – Olhos rodeados de uma enorme solidão. Desesperados e perdidos. Implorando por algo em que se apegar… Uma pessoa… Um objetivo – suas próximas palavras saíram em um sussurro – Qualquer coisa… Então a pergunta que você deveria está fazendo, Hope querida… é por que eu fiz isso.

A ruiva engoliu em seco. Se sentia em uma sala de interrogatório de um departamento de polícia, onde há uma janela com vidro espelhado, em que a pessoa pode se ver, mas não pode o que está além do vidro. Chegou a pensar que o universo estivesse brincando com ela. A sua frente estava uma pessoa que conseguia vê atrás de Hope, de suas feições, seus olhos… Sua alma. E Hope não conseguia vê nada de Josie. Isso era injusto de muitas formas diferentes.

A voz de Josie tirou Hope de seus pensamentos

– “Estás temeroso de ser o mesmo em teu próprio ato e valor de que em teu desejo? Não terás o que mais estimas, o ornamento da vida…

– “E viverás um covarde em tua própria estima – complementou Hope interrompendo Josie – Deixando “Eu não posso” ultrapassar “eu farei”, como o pobre gato no adágio?… És um homem

Josie arqueou a sobrancelha em surpresa ao vê Hope complementar sua citação. A própria Hope estava surpresa.

– V de vingança é meu filme preferido – explicou Hope corando levemente. Ela preferia ter ficado calada, mas acabou complementando por puro reflexo – Reconheço as citações.

A morena fez um bico de surpresa e começou a bater palmas. O que só irritou Hope. A ruiva estava prestes a dizer para ela parar quando a morena disse:

– Queria mostrar a você que você não queria morrer

Aquela frase fez com que qualquer palavra de Hope sumisse. Josie não mais sorria. Um semblante sério habitava seu rosto. Ela não estava mais brincando.

– Queria mostrar a você… – a morena parecia buscar as palavras – Queria mostrar a você que mesmo que esteja cansada de tudo… Que apesar de tudo que você queira fosse descansar… – havia um peso naquela palavra. Hope percebeu que ela estava sendo gentil em não dizer morrer – Você ainda tem razões para viver. Algo em que se apoiar.

Hope apertou as mãos contra o joelho. Apertou com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Ela simplesmente paralisada enquanto tentava assimilar as palavras de Josie.

– Por que está me dizendo isso? – a voz de Hope fraquejou durante a pergunta

– Você sabe por que – Josie não sorria ou falava em um tom brincalhão. Seu rosto estava estoico, mas em contraste, sua voz soava tênue. E sim… Hope sabia o que ela queria dizer. – Me diga, Hope… Quando foi a última vez que você passou um dia… Um único dia… Sem que pensamentos suicidas percorressem a sua mente?

Hope se levantou com um sobressalto. Seu corpo estava tremendo levemente. Sua respiração estava irregular. As outras pessoas olharam para ela, mas a mesma sequer se importou

– Eu quero ira para casa – sua voz saiu embargada – Agora

A ruiva não esperou Pela morena, apenas se virou e começou a andar em direção ao carro. Queria chegar logo em casa. Precisava chegar logo em casa. As palavras de Josie foram como um ondular na sua própria alma. Estava segurando lágrimas. Não as derramaria. Não agora. Chegaria em casa e só ai choraria, quando estivesse sozinha… secaria duas garrafas de whisky no processo

 

(…)

 

O silêncio no carro era tenso. Josie havia dirigido e parado em frente a sua casa. Nenhuma das duas trocou uma única palavra, pois mais uma vez, Josie havia respeitado o silêncio de Hope

– Acho que é isso – comentou Josie em um tom neutro

Hope sabia o que ela estava se referindo, ao pedido da ruiva de nunca mais querer vê-la

– Acho que é isso – repetiu Hope

A ruiva então saiu do carro sem dizer uma única palavra. Ela então começou a andar até a porta sua casa. Finalmente poderia derramar as lágrimas que estava segurando e poderia beber até desmaiar

– Hope

A voz de Josie soou em suas costas e ela se virou. A morena andava graciosamente até a porta da casa. Ela subiu as pequenas escadas da varanda até ficar de frente.

– Eu vou respeitar o seu desejo de não querer mais me ver – admitiu Josie. Uma leve melancolia rodeava suas palavras – Mas eu queria uma coisa em troca

– O que?

– Um beijo – A morena se aproximou mais ainda, ficando a centímetros da ruiva – Um último beijo. E eu vou embora.

Seus olhos âmbar brilhavam em fosforescente na escuridão da noite. Hope imaginou que só a noite que eles atingissem o ápice de sua beleza.

A mão de Josie tocou a bochecha de Hope a puxando para perto. Seus lábios roçavam um no outro, como se soubessem que esse era o último beijo e não quisessem se encontrar.

 

Só mais um momento, é tudo que eu preciso
Como soldados feridos precisando de curativo
Hora de ser honesto, dessa vez estou sangrando.
Por favor não insista nisso, porque foi sem querer

 

Suas bocas finalmente se encontraram. Esse não foi como os beijos famintos que sempre tinham. Não, esse era um beijo calmo. Não havia nenhuma pressa nele. Como se casa milésimo de segundo contasse.

 

Eu não posso acreditar que eu disse que deixaria nosso amor no chão
Mas não importa porque eu me arrependi, me perdoe agora
Todo dia eu percebo minha alma do avesso
Deve haver algum jeito que eu possa te compensar, agora, de algum jeito

 

Suas línguas se mexiam… Não… Dançavam uma com a outra. Era uma sincronia que ambas tinham uma com a outra. Uma harmonia estranha e inexplicavel que Hope tinha com Josie.

 

A essa hora você já deve saber que eu viria por você
Por mais ninguém, sim eu viria por você
Mas só se você me dissesse pra vir

 

Elas dançavam uma espécie de dança que apenas elas sabiam a coreografia. Pois elas eram as que produziam a entoação que ecoava no pequeno universo das duas. Uma entoação de solidão, causada pela junção do sons de cada uma. Uma entoação em que havia compreensão das duas partes. Apesar de Hope não saber a história de Josie, um instinto de seu corpo sabia que a morena conhecia a solidão.

 

E eu lutaria por você
Eu mentiria, é verdade
Daria minha vida por você
Você sabe que eu sempre viria por você

 

Uma palavra veio a mente de Hope naquele momento. A palavra “Sinfonia”. A palavra sinfonia tem origem grega e significa “Todos os sons juntos”. Tal descrição não poderia ser mais precisa para descrever sua relação com Josie.

Era isso o que elas eram.

Uma sinfonia solitária.


Notas Finais




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