História Sing me to sleep - Capítulo 1


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Categorias Supergirl
Tags Kara Danvers, Lena Luthor, Supercorp, Supergirl
Visualizações 452
Palavras 3.574
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olha quem voltou com mais uma fanfic e choca o total de 0 pessoas aksjdnksdjnkajsdn
Gente, não to abandonando fanfic nenhuma ta? Relaxe! Eu comecei essa história pq ela tava na minha cabeça ha um tempo e ela é MUITO fofa (pelo menos na minha mente) hehe
Vai ser uma short fic de menos de 10 caps ok?

Boa Leitura <3

Capítulo 1 - I don't want to miss a thing


Lena não podia dizer que ela sabia o que era dormir devidamente oito horas. Seus dias eram regados de trabalho na L-Corp e ela sempre estendia as horas até tarde da noite, mesmo com sua secretária insistindo para que a Luthor mais nova fosse descansar. Sendo sincera, Lena sabia que não adiantaria ir para seu apartamento. A empresária iria acabar trabalhando de qualquer forma, era para isso que servia seu escritório na última porta do corredor. No fim, a bela morena de olhos verdes se manteria acordada até de madrugada para então tentar dormir algumas horas.

    Quando era mais nova, Lena costumava ter muitos pesadelos a noite. Muitos dos quais ela não sabia bem de onde vinham, mas tinha consciência de que eles eram frutos de memórias as quais ela não tinha mais acesso. No momento em que sua mente relaxava, seu subconsciente conseguia abrir essa gaveta de memórias “esquecidas” e as trazia a tona, juntamente com uma enxurrada de sentimentos. Naquela época ela podia contar com seu irmão, o menino gênio de coração imenso e olhar carinhoso. Hoje, Lena tem plena certeza de que ele não a abraçaria mais e diria coisas doces para que ela pudesse voltar a dormir.

    Havia algum tempo desde seu último pesadelo — ou pesadelos, nesse caso — e nenhum deles tinha a ver com o seu passado. Na verdade, eram sobre sua mãe e todas suas tentativas quase bem sucedidas de acabar com a sua vida. O pesadelos tinham flashes dos vilões da Cadmus e o rosto de sua mãe nunca lhe pareceu tão irreconhecível e coberto de ódio. Lena tentava não se importar com essas imagens, por isso levantava diversas vezes a noite para beber água ou para ir ao banheiro, dando uma desculpa a si mesma de que uma hora eles iriam parar.

    Mas, para sua sorte ou não, eles não pararam. Pelo contrário, se tornaram cada vez mais frequentes. Diversas foram as vezes em que a CEO acordou suando frio e o coração batendo em desespero. Ela só se acalmava quando percebia que estava no seu quarto, em sua cama e que ninguém estava ali além dela. Lena respirava fundo, encarava as paredes vazias ao seu redor, as mesmas que ela havia escolhido pintar de uma cor neutra, e começava a contar o número de listras que havia em sua colcha; até pegar no sono e ser acordada por mais um sonho ruim.

    ***

    Já havia se passado das nove da noite, Lena conseguia sentir isso ao mexer seu pescoço pela primeira vez em meia hora. Odiava ficar lendo emails até tarde da noite, mas também não queria deixar acumular nada. Todos já tinham ido embora, inclusive Jess. A empresária nunca permitia que sua secretária ficasse até tão tarde e quando ela ficava, Lena garantia o aumento no seu salário. Nada mais justo, afinal.

Suas costas também doíam e seu estômago reclamou de fome, foi então que Lena se lembrou que não tinha se alimentado; de novo. Recostando seu corpo sobre o encosto da cadeira, ela bufou e massageou as têmporas, numa tentativa falha de prevenir a dor de cabeça que viria depois de horas passadas em frente ao computador. Além do mais, fazia quase uma semana que ela não conseguia pregar o olho por mais de duas horas.

Foi seu estômago reclamar pela terceira vez e então Lena pode ouvir alguém na sacada da sua sala. O sorriso foi inevitável, como sempre.

— A que devo a honra dessa visita? — Lena encarou Kara e a loira não parecia feliz.

— Lena! — bufou — consegui ouvir seu estômago a quilômetros daqui — a morena gargalhou e fechou o notebook à sua frente, se preparando para argumentar em sua defesa.

— Em minha defesa…

— Não comece — rolou os olhos — você só vai dizer palavras difíceis que eu não entendo, aí eu vou ficar confusa e concordar com você. Mas não tem como te defender aqui — Lena sorriu novamente e seu coração sempre ancorava naquela mania de cuidado que sua amiga tinha — vou me trocar enquanto você junta suas coisas, okay?

— Okay.

Enquanto Kara tirava sua roupa de Supergirl, Lena juntou suas pilhas de papéis espalhados sobre a mesa, sem conseguir perder aquele calor comum que sentia quando a loira aparecia. Não era nada estranho sua melhor amiga aparecer tarde da noite na L-Corp, na verdade era até corriqueiro. Kara costumava patrulhar a cidade à noite e isso incluía sempre o apartamento da CEO e a sua empresa, afinal a loira sabia que sua amiga era viciada em trabalho e em pular refeições. O segundo fato era o que mais a incomodava às vezes, ou sempre. E por isso ela aparecia e levava Lena para casa.

         Mas aquela sensação de que havia alguém que se preocupava e se importava sempre aquecia Lena por dentro, causando uma pequena aceleração dos seus batimentos cardíacos. Depois que Kara se assumiu como Supergirl para sua melhor amiga, o relacionamento delas cresceu em nível exponencial e as aproximou como nunca. Verdade seja dita, Lena já sabia daquele segredo, mas preferiu esperar pelo tempo da loira. Na hora certa ela contaria e foi o que aconteceu.

— Vamos? — Kara estava agora no seu estilo repórter já conhecido. Não que Lena não gostasse daquela saia e capa, mas ficava tão distante da imagem que ela tinha da sua Kara Danvers. Supergirl era sim uma heroína, o símbolo de National City, mas Kara era sua melhor amiga e Lena era a única que recebia aquela atenção especial.

Chame-a de egoísta o quanto quiser, mas a Luthor amava saber que ninguém mais tinha o privilégio de ser salva pela mulher que estava por detrás da heroína de capa vermelha.

— Vamos.

— Comida chinesa ou pizza? — a loira perguntou enquanto elas entravam no elevador. Lena conhecia aquele olhar e sabia bem qual era a resposta.

— Os dois.

— É por isso que você é a minha favorita — Kara depositou o braço sobre os ombros da morena e beijou seus cabelos, animada demais com a ideia de comer pizza e guioza na mesma noite.

***

A noite seguiu como sempre seguia quando Kara aparecia e salvava Lena de sua montanha de trabalho. Elas rumaram para o apartamento da pequena Danvers e passaram o tempo conversando, assistindo filme e comendo — e nessa última parte Kara se saía muito bem, aliás. A loira perguntou o que sempre perguntava, se preocupando demasiadamente com a saúde da amiga, afinal Lena nunca comia nos horários certos e ela tinha certeza que aquelas saladas não providenciavam a quantidade certa de nutrientes e calorias que uma empresária ocupada precisava. Mas nada parecia convencer a Luthor a por um alarme para suas refeições.

Não que isso tenha impedido a própria Kara de desbloquear o celular de sua amiga e selecionar horários para os alarmes tocarem, colocando um bilhete em cada um deles.

Ao final de tudo, Lena preferiu ir para seu apartamento, recusando o pedido incessante da loira para que ela ficasse ali. Não que a morena não gostasse de passar as noites naquele apartamento, ela gostava e muito, mais do que o seu próprio. Porém, seus pesadelos não a estavam deixando em paz e com certeza isso preocuparia Kara, algo que Lena odiava fazer. Ter o cuidado da loira na sua vida era algo maravilhoso, no entanto tudo tinha seu limite e ela não queria exigir demais nem da Kara e nem da Supergirl.

A Luthor chamou o motorista para buscá-la, rejeitando como sempre o convite de ser levada no colo pela Supergirl — não era nada pessoal, ela só realmente detestava voar — e seguiu tarde da noite pela cidade silenciosa de National City. Antes de ir embora, Kara a puxou para um abraço apertado, uma marca registrada daquela amizade. Lena sempre deitava o rosto sobre o ombro de sua amiga, sentindo o calor do corpo dela aquecer cada partezinha do seu. A Danvers tinha mania de acariciar suas costas por longos segundos até que ambas tivessem coragem de se separarem.

Era diferente quando Lena tinha esses momento com Kara, pois era como se todas suas preocupações fossem jogadas pela janela por todas aquelas horas em que ficavam juntas. Não tinha Lilian, Cadmus ou Lex, não tinha ninguém ou qualquer coisa que a fizesse se sentir angustiada e triste. Todavia, isso durava apenas até elas se despedirem e a Luthor chegasse em seu quarto escuro novamente. Isso a fazia se arrepender em todas as vezes que recusava o convite de dormir no apartamento de sua melhor amiga.

Lena checou alguns emails antes de realmente se deitar e verificou sua agenda para o dia seguinte. O sono não demorou a vir e ela sabia que esse efeito era o “efeito Kara Danvers”, como ela chamava em sua mente. Desejou silenciosamente que isso a mantivesse livre de pesadelos, porém não foi o que aconteceu. As três da manhã, Lena acordou suando e com o coração em desespero. Dessa vez sua mãe tinha conseguido descobrir como prender a Supergirl e estava usando luzes vermelhas para mantê-la sem poderes, assim como kriptonita.

Seu celular tocou no segundo seguinte, nem dando tempo dela processar toda aquela bagunça.

— Kara? — sua voz soou rouca e talvez um pouco aflita.

— Lena? Você está bem? — a ansiedade na voz de sua amiga era quase palpável.

— Estou, quero dizer… — franziu o cenho — como… como sabia que eu tinha acordado? — Lena recostou-se na cabeceira da cama e tentou respirar fundo. Aquela situação era inusitada.

— Er… — tossiu nervosa. Lena podia enxergar as bochechas de Kara corando fortemente — eu… er, eu percebi que seus batimentos aumentaram, bom… quero dizer, eles saíram do ritmo normal e… isso é algo ruim? Porque eu não quero soar feito uma doida que fica te monitorando, não é isso — a morena tentou segurar o riso e sentia suas próprias bochechas queimarem — desculpa, isso soou horrível, né?

— Para ser sincera, não. Na verdade, estou é tentando saber como consegue me ouvir daí do seu apartamento — confessou.

— Apenas prática, eu acho — riu nervosa, tentando não dizer o real motivo de conseguir ouvir os batimentos de sua amiga que morava do outro lado da cidade — você está brava por eu te ligar?

— O quê? Não, claro que não.

— Certo — houve um silêncio até que a loira voltou a falar — hum… pode me contar porque estava assustada?

Essa era a pergunta que Lena não sabia como responder. Porque como ela diria que tinha sonhado com a Supergirl em perigo, que sua mãe era a responsável e  que esse fato pesava como culpa no seu coração? Sim, caso Lilian um dia conseguisse aprisionar Kara ou machucá-la, Lena jamais se perdoaria. Jamais conseguiria encarar sua amiga da mesma forma sabendo que sua família tinha lhe causado mal. Mas esse era o preço a se pagar quando se é uma Luthor. E um Luthor não nasceu para ser amigo de um Super.

— Lena? — a morena sequer percebeu que tinha ficado em silêncio por mais de dois minutos.

— Ah, não foi nada — suspirou — apenas um pesadelo, já vou voltar a dormir — mentiu.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Promete que não é nada demais? — Lena sorriu com a insistência.

— Prometo.

— De coração?

— Kara, nós precisamos dormir. Temos que trabalhar amanhã cedo — ela sabia que a outra não desistiria até conseguir a resposta que queria. Kara conseguia ser tão insistente quanto Lena conseguia ser persuasiva.

— Então me responde e eu prometo que vou dormir — a empolgação da loira era cômica.

— De coração. Agora boa noite — tentou não demonstrar o quão bem aquela ligação estava fazendo para si. Afinal, ela não podia contar com isso toda vez que tivesse um sonho ruim.

— Okay — Kara bufou desapontada — boa noite, Lena.

— Boa noite, Kara.

A verdade era que a pequena Danvers não dormiu naquela noite. Ela passou o restante da madrugada sobrevoando o apartamento de Lena e tomando cuidado para que não fosse vista.

***

Lena atendeu a todas as reuniões naquela manhã e se ocupou com o triplo de quantidade de papéis. Não que ela reclamasse, saber que a L-Corp estava sendo cada vez mais procurada e recebendo cada vez mais créditos pelas tecnologias boas que desenvolvia era o que a deixava satisfeita no final do dia. Jess novamente a orientou ir para casa descansar, porém a morena era teimosa e preferiu ficar mais algumas horas adiantando alguns documentos. No fundo, no fundo, ela tinha plena consciência de que estava na verdade evitando deitar em sua cama e ter todos aqueles pesadelos novamente.

Como não podia virar a noite em sua sala da empresa, a CEO rumou para o apartamento e pediu internamente para que a enorme quantidade de cafeína que tinha ingerido a mantivesse acordada. O que não aconteceu e Lena mais uma vez acordou às duas da manhã com o coração acelerado.

Seu celular tocou no instante seguinte. Lena já imaginava quem seria.

— Lena, o que houve? Está tudo bem? É outro pesadelo? — a morena praguejou mentalmente contra seu coração traidor.

— Sim — bufou inconformada — não se preocupe, não é nada demais.

— Me deixa ajudar — Kara rapidamente suplicou — por favor.

— Não precisa, não quero fazer você ficar cansada para amanhã e nem quero te prejudicar — encarou o relógio sobre o criado mudo e ele marcava duas e quinze da madrugada.

— Não vou conseguir dormir sabendo que você está tendo sonhos ruins — confessou inquieta. Lena respirou fundo e não conseguia pensar numa desculpa boa o suficiente que mantivesse a outra dentro de casa, de preferência na cama e dormindo.

— Como você me ajudaria? São duas e quinze da manhã.

— Me deixa entrar — Lena quase engasgou com isso. Entrar?

— Como assim? — houve um barulho em sua sacada e ela não conseguia ver o que era por conta das cortinas — Kara, onde você está? — rapidamente se levantou e tratou de ir até a porta de vidro. Quando afastou as cortinas, pode ver Kara vestida como Supergirl do outro lado.

— Me deixa entrar, por favor — seus olhos azuis pidões sempre convenciam a Luthor a fazer exatamente como eles queriam.

— Por mais que eu aprecie sua preocupação comigo, não gosto de saber que está a essa hora da manhã voando na minha janela — cruzou os braços ao deixar a loira entrar.

— Eu estava patrulhando a cidade.

— Mentirosa — arqueou a sobrancelha, certa de que aquilo era uma mentira.

— Okay, eu vim assim que ouvi seu coração mudando de ritmo — bufou em derrota — não me olhe assim, eu só… só fiquei realmente preocupada — confessou. Kara mexia nervosamente na barra de sua capa e seus olhos fitavam suas botas vermelhas. Por mais que estivesse escuro no quarto, Lena sabia que sua amiga estava sem graça e com as bochechas coradas. E isso a desarmou completamente.

— O que pretendia fazer? Socar o bicho papão que apareceu no meu sonho? — ironizou.

— Você sonhou com o bicho papão? — franziu o cenho, completamente confusa. Lena sabia e entendia agora o porquê de sua amiga às vezes, ou sempre, demorar para entender piadas, ironias e sarcasmos.

— Não… — suspirou cansada, transparecendo a angústia em sua voz —, mas preferia que fosse.

— Oh, Lena — a loira se aproximou e puxou a morena para seus braços. Rapidamente, Lena relaxou ao sentir o calor vindo do corpo da outra e deixou que aquilo trouxesse seu coração de volta ao eixo — vem, eu vou te ajudar.

— Como? — arqueou a sobrancelha no modo Luthor de sempre.

Ela observou a Supergirl sentar sobre sua cama e ajustar alguns travesseiros em suas costas. Em seguida, a loira esticou as pernas, tomando cuidado para não deixar sua bota sobre o lençol branco e estendeu os braços. Lena ficou confusa com o que ela pretendia e isso a fez petrificar no lugar.

— Ah, nossa — Kara corou — nem perguntei se podia sentar na sua cama, me desculpe. E-eu… er, eu só… só quero te ajudar e preciso que confie em mim.

Lena assentiu positivamente, porque não era como se ela não confiasse na sua melhor amiga — era isso que significava ter amigos afinal, não era? Sinceramente, ela não sabia, nunca tivera amigos assim antes — e então resolveu se aproximar, sem saber o que estava fazendo.

— Vou colocar esse travesseiro aqui, ok? — a Danvers explicou — você deita a cabeça aqui no meu colo e eu vou puxar a coberta.

A Luthor não entendeu bem, mas apenas concordou. Seu corpo ficou atravessado na enorme cama, com sua cabeça deitada no travesseiro sob o colo da loira e seus cabelos esparramados sobre as pernas dela. A morena se concentrou muito para não pensar naquelas pernas abaixo de si, não faria muito bem agora.

— Confortável? — ela assentiu que sim, incapaz de dizer qualquer coisa — eu posso? — Kara fez menção de mexer em seus cabelos e ela então petrificou novamente — Lena, não precisa ficar nervosa. Sou apenas eu.

— Não estou… — mentiu, mas ela tinha plena certeza de que Kara sabia que era mentira.

— Não vou fazer nada que te deixe desconfortável e pode pedir para eu ir embora a qualquer momento — Lena se sentiu mal pelo tom de voz aflito de sua amiga. Não podia ser tão ruim assim, certo? Alguém mexendo nos seus cabelos e velando seu sono, não parecia ser… desagradável.

O fato real era que a morena não sabia se era bom ou ruim, nunca ninguém tinha feito aquilo por ela antes.

— Está tudo bem — procurou pela mão da loira e entrelaçou seus dedos aos dela — eu só… só não sei bem como me sentir.

— Apenas relaxe, ok? — Lena respirou fundo e repetiu a si mesma para que se acalmasse — agora feche os olhos.

E assim ela o fez. O toque quente dos dedos de Kara no seu couro cabeludo levou embora toda aflição que havia no seu coração. Era como se ela nunca tivesse tido qualquer pesadelo ou pensamento ruim. As mãos da loira passeavam dentre seus cabelos negros, indo e voltando, passando por detrás de sua orelha e acariciando o topo da sua nuca. Era relaxante, aconchegante e Lena nunca tinha sentido algo tão bom quanto isso. O calor que irradiava do corpo de sua amiga a fazia se sentir como num abraço ou como numa tarde quente de primavera. Onde o sol era quente o suficiente para esquentar sem incomodar.

Porém, uma pequena melodia começou a soar no quarto e a morena abriu os olhos em curiosidade.

— Desculpa — Kara sorriu sem graça — é que… Alex cantava para mim quando eu era menor e achei que pudesse fazer bem para você também. Mas se quiser eu paro, não tem problema e eu posso ficar calada, se eu me esforçar e… — Lena riu baixo e suspirou.

— Está tudo bem — sussurrou e afagou novamente uma das mãos de sua amiga — pode continuar.

Aceitando a deixa da morena, Kara começou a cantarolar uma de suas músicas favoritas.

I could stay awake just to hear you breathin' — a doce voz ecoou nas paredes e Lena sorriu em encanto — Watch you smile while you are sleepin' while you're far away and dreamin'.

— Eu conheço essa música e não sabia que você era fã de rock — comentou baixinho, já muito sonolenta para pensar ou falar.

— Shhhh — Kara continuou a acariciar seus cabelos — I could spend my life in this sweet surrender. I could stay lost in this moment forever — a morena podia sentir a intensidade vinda de cada palavra. Era uma de suas músicas favoritas e a espantava um pouco quando percebia o tanto de sentimento que havia em cada verso — Every moment spent with you is a moment I treasure…

Naquela madrugada, ninguém imaginaria caso alguém contasse que a Supergirl estava cantando para uma Luthor. Ninguém diria que as duas contavam tanto uma com a outra, com a paz uma da outra. E ninguém sequer adivinharia que Kara podia dizer que Lena estava adormecendo, apenas por conhecer as batidas do seu coração.

Lyin' close to you, feelin' your heart beatin' and I'm wonderin' what you're dreamin' — sua voz saia em quase um sussurro, tomando cuidado para não acordar a mulher em seu colo — Wonderin' if it's me you're seein'.

Mesmo sem ter noção, Kara colocava sentimentos que nem ela tinha consciência de que os tinha e afirmava com veemência cada verso daquela música. Sem nem perceber, ela estava colocando para fora palavras que talvez nunca tivesse coragem de falar, não porque tinha medo e sim porque não sabia da existência delas. Ou da existência daquela afeição que sentia por sua amiga.

Then I kiss your eyes and thank God we're together — ela começou a se mover lentamente e ajeitou o corpo de Lena sobre os travesseiros ao redor, tomando cuidado para não a machucar — and I just wanna stay with you in this moment forever. Forever and ever...

Ela encarou Lena dormindo e sorriu satisfeita. Seu coração ficaria mais tranquilo sabendo que agora sua amiga descansava de verdade e que o coração dela batia na sinfonia já decorada pela loira. Ao sair pela porta da sacada, Kara não pode deixar que sussurrar uma última estrofe.

I don't wanna close my eyes

Eu não quero fechar meus olhos

I don't wanna fall asleep

Eu não quero adormecer

'Cause I'd miss you, babe

Porque eu estaria te deixando, babe

And I don't wanna miss a thing

E eu não quero perder nada

Kara pretendia voltar para casa naquele restante de noite; ela realmente pretendia. Mas algo lhe fazia temer que Lena pudesse vir a ter outro pesadelo e não ligasse para pedir ajuda ou mentisse de novo dizendo que estava tudo bem. Por isso, a Supergirl passou uma parte da madrugada sentada na sacada e a outra vendo o sol nascer do telhado do prédio de Lena Luthor.


Notas Finais


É isto, espero que acompanhem comigo! Os cap não serão longos e serão fofos e divertidos. Não é certeza de que terá hot ok? Já vou avisar ne...
A música do cap é I don't want to miss a thing do Aerosmith e a versão que a Kara canta é esta https://www.youtube.com/watch?v=SrEGd06BXGQ
Até a proxima!


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