História Sing me to sleep - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Supergirl
Tags Kara Danvers, Lena Luthor, Supercorp, Supergirl
Visualizações 483
Palavras 5.168
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente aksdjnask eu estou TÃO FELIZ que vcs gostaram da ideia de Sing to me que to ate emocionada <3
A ideia da fanfic é essa mesmo, ser suave, fofa, com partes engraçadas e um pouco mais intensas, mas é isto
Espero q continuem gostando!

Boa leitura!

Capítulo 2 - You and me


— Senhorita Luthor — Jess avisou ao abrir a porta para uma loira sorridente entrar.

— Obrigada — Lena se levantou para cumprimentar sua amiga, mas parou no meio do caminho quando viu o que ela carregava — pizza de novo?

— Melhor do que ficar sem comer — Kara retrucou — e não existe comida melhor que pizza.

Lena arqueou a sobrancelha e cruzou os braços. A loira gargalhou e estendeu um pequeno pacote pardo.

— Sua salada com aqueles coisinhos nojentos verdes — fez uma careta.

— Quanta gentileza a sua, não é mesmo? — ironizou e indicou o sofá para as duas. A morena sabia que era uma batalha perdida discutir sobre almoçar ou não, Kara não mudava de ideia sobre comida — e não são coisinhos nojentos. Isso se chama pepino e faz bem para  a saúde.

— Para a sua saúde, você quer dizer — falou enquanto pegava seu primeiro pedaço de pizza — pepino parece isopor aguado e verde. Tenho certeza que isso pode matar um kriptoniano.

— Humor negro? — brincou, mas Kara sequer entendeu a piada que fez. Lena só conseguia pensar num Luthor tentando matar um Super com um pepino — para que não corra o risco de morrer eu vou comer todos por você. Melhor assim?

— Você é minha heroína, Lena Luthor — ambas gargalharam. Por mais que parecesse uma brincadeira, a loira falava sério. De todos os heróis que ela conhecia, a poderosa CEO sempre seria o seu maior exemplo de pessoa que luta pelo o que é certo.

— Como vai sua reportagem sobre o ataque aos navios no porto principal? — a loira limpou os lábios e se serviu do terceiro pedaço de pizza. A morena achava impressionante como ela comia bem mais de dez mil calorias e sequer ganhava uma grama no peso. Claro, ela se exercitava muito lutando e isso já seria um motivo plausível, mas óbvio que tinha mais a ver com seu super metabolismo do que com a quantidade de bandidos que ela socava.

E talvez Lena reparasse bem mais nos músculos de sua amiga do que se permitia admitir.

— Empaquei na metade e Snapper não para de reclamar — confessou —, mas esses dias tem sido um pouco corrido e eu perdi as contas de quantas vezes saí para ajudar Alex na DEO.

— Tem algo que eu possa fazer para ajudar? — a loira negou com a cabeça e finalizou mais um pedaço — como consegue fazer tudo isso caber no seu estômago?

— Como assim? — Kara olhou para sua barriga e franziu o cenho — não deveria caber?

— Em um ser humano não

— Bom, você sabe — deu de ombros — eu posso comer o quanto quiser, ficar sem dormir e ainda vou continuar bem.

— Discriminando a raça humana, Kara Zor-El? — arrepios intensos percorreram a espinha da loira. Era sempre diferente quando alguém a chamava pelo seu sobrenome verdadeiro, mas era mais diferente ainda quando era sua amiga Lena quem o dizia. Era como se ele tivesse um novo significado nos lábios da outra.

— Não tenho culpa se somos melhores — falou convencida.

— Ei, esse é o slogan da minha família — brincou, mas Kara conseguia perceber que ainda tinha um tom de angústia naquela verdade.

— Ainda bem que você não é a sua família — pontuou.

— Meu sobrenome ainda é Luthor — arqueou a sobrancelha, deixando sua vasilha de salada vazia em cima da mesa e alcançou o copo.

— Usa o meu então — a morena quase cuspiu a água que bebia. Aquilo a pegou de surpresa. Ela podia dizer que seu coração tinha parado de bater — Lena Zor-El. Fica bonito.

— Está me pedindo em casamento sem nem me levar para jantar? — ironizou e o rosto de sua amiga ficou vermelho como tomate. Lena gargalhou e viu Kara tossir nervosa.

— E-eu… er, não foi o que eu.. er, o que eu quiz dizer — a morena franziu o cenho — quero dizer… não que eu não me casaria contigo, porque você é maravilhosa, bonita, inteligente e seria uma ótima, ahm… esposa — começou a divagar, algo que a CEO achava incrivelmente fofo — mas não! Eu não estou… te pedindo em casamento? Eu pediria se gostasse… desse jeito e não que eu não goste de você, eu só…

— Kara — Lena segurou nas mãos da loira e riu novamente — eu estou brincando.

Kara então pode respirar mais tranquila.

— Eu já sabia, claro — respondeu sem graça. Antes que Lena pudesse dizer qualquer coisa, barulhos de sirene puderam ser ouvidas na quadra ao lado e Kara logo entrou em alerta. A morena, já sabendo o que aconteceria em seguida, apenas virou-se para a amiga e sorriu.

— Tome cuidado.

A loira se trocou rapidamente e antes de sair pela sacada, voltou até Lena e beijou sua testa. Aquela era a sua forma de dizer que tomaria cuidado.

***

Houve um assalto e um dos ladrões envolvidos era um alien, o que dificultada o trabalho da polícia. Enquanto dois deles corriam com as sacolas de dinheiro, a enorme figura azul escura com dentes e unhas afiadas distraía os policiais e a Supergirl. Kara tinha que dar um jeito de lidar com ele e conseguir resgatar as bolsas roubadas.

— Winn, para onde eles foram? — perguntou pelo comunicador.

A leste do banco descendo pela direita, mas Alex pediu para você manter seus olhos no alien.

— Eu consigo.

Kara, não!

— Fala para Alex me encontrar perto do parque, a esquerda de onde eles estão correndo.

Antes que ela pudesse desviar do alien, ele acertou suas unhas na lateral do corpo da loira e aquilo ardeu como o inferno. Quando a Supergirl colocou sua mão sobre a costela, sentiu seu sangue quente escorrer e logo pensou na bronca que iria levar.

***

— Por que você nunca me obedece? — Alex bradou ao ver Kara pressionar as mãos sobre sua cintura machucada. O sangue seco havia manchado seus dedos e sua roupa.

— Eu consegui, não consegui? — tentou se defender e sua irmã bufou nervosa pela milionésima vez. A ruiva a puxou para a ala médica da DEO, pediu que ela retirasse o traje de Supergirl para averiguar os danos e estendeu uma camisola de hospital.

Não tinha sido nada grave, afinal dificilmente a kriptoniana podia pegar uma infecção e seu metabolismo a fazia cicatrizar feridas com muito mais rapidez que um ser humano. Porém, aquilo ia doer por mais tempo caso Kara não ficasse exposta sob as lâmpadas amarelas e isso era algo quase impossível de convencer a loira.

— Ai, isso dói — Kara resmungou ao sentir o algodão percorrer as fendas da lesão.

— Como assim você me diz que pediu a Lena em casamento e sai para combater o mundo do crime em seguida? — Winn entrou no quarto quase entrando em surto.

— Você fez o que? — Alex olhou seriamente para a irmã mais nova e acabou pressionando forte demais a gaze.

— Ai! Cuidado, isso arde — resmungou novamente — eu não pedi a Lena em casamento. Eu disse que foi o que pareceu e eu fiquei nervosa, acabei falando sem parar e…

— Como sempre — a ruiva murmurou.

— Você podia ter aproveitado a deixa e esperado para ver o que ela diria — Winn suspirou com a ideia — vai que ela aceitava.

— Ficou maluco? — a agente Danvers acertou a luva na cabeça do garoto — para de dar ideias absurdas para minha irmã.

— Essas duas são tão inúteis que sequer percebem que estão apaixonadas! — Schott reclamou indignado. Kara tinha contado para ele, num dia em que ficou bêbada de verdade, e até hoje se arrependia de ter feito isso. Afinal, do jeito que seu amigo era empolgado, National City inteira já devia saber desse crush dela pela melhor amiga.

— E o que você tem a ver com isso, Winn? — Alex rebateu — já acho demais Lena saber da verdadeira identidade da Supergirl, isso já a expõe a perigos o suficiente.

Kara entrou em modo defensivo mais rápido que a velocidade da luz, se colocando de pé e fazendo uma careta ao sentir sua pele latejar.

— Lena jamais contaria para alguém sobre a Supergirl! Ela não é como aquela família dissimulada que tem — Winn recuou ao ver aquela expressão que sempre aparecia quando alguém pensava em insultar Lena Luthor. Alex apenas arqueou a sobrancelha e empurrou a mais nova de volta para a maca.

— Estou ciente disso — respondeu — eu estava falando da segurança dela e não da sua. Não precisa vir com esse modo de defesa contra mim, eu sei bem escolher minhas brigas e acusar Lena na sua frente é uma guerra a qual eu jamais compraria.

Alex sorriu convencida e Kara sentiu as bochechas corarem. Ela sempre reagia da mesma forma, sempre enfrentava mundos para proteger a melhor amiga e todos que conheciam a loira estava bem claro sobre isso. A mais nova suspirou e se acalmou, deixando a ruiva terminar o trabalho.

— E então, vai chamá-la para nossa noite de jogos hoje? — Winn perguntou em seu tom de animação e curiosidade normal.

— Acha que ela aceitaria? — sua voz soava apreensiva.

— Lena não consegue dizer não para você, Kara — a agente respondeu — e isso é uma das coisas que me preocupa às vezes.

— Ela vai aceitar, confie em mim e eu vou te ajudar a conquistar a CEO mais poderosa de National City — Schott pulou empolgado — sou especialista nisso e somos os super amigos, nada pode dar errado — Alex riu sarcasticamente e rolou os olhos só de pensar no que podia sair daquela cabeça perturbada do garoto.

— Me chame assim de novo e eu te deixo preso de novo na sala do depósito — a ruiva ameaçou — e deixe minha irmã em paz. Da última vez ela quase quebrou o nariz daquele garoto que deu em cima dela na CatCo.

— Eu estava nervosa — Kara finalmente falou, com as bochechas corando.

— Já que não vai ficar deitada aqui, pelo menos vá direto para casa e descanse — a loira assentiu positivamente e viu Alex se retirar da sala. Winn pulou da cadeira e sentou-se ao lado da amiga na maca.

— Não se preocupe, eu vou te ajudar — falou — apenas faça sua parte e a convide para hoje a noite.

— Tem certeza?

— Pst, claro que tenho.

***

Lena estava concentrada num contrato que estava tirando sua paciência. Já tinha algumas semanas que ela o analisava e a cada página, parecia mais complicado de chegar ao fim dele. Já se passavam das seis da noite e ela conseguia ouvir Jess bater o salto no chão do outro lado, uma mania que sua secretária tinha quando estava lendo algum livro ou digitando alguma coisa. Não era um barulho que incomodava, na verdade Lena se sentia menos sozinha quando tinha a plena certeza de que havia alguém do outro lado da porta, mesmo que longe dela.

Seu celular apitou indicando uma mensagem de texto.

K: aceita vir na noite de jogos hoje?

K: er… desculpa. Boa noite primeiro, né?

Lena riu ao ver o tanto de emojis utilizado na última mensagem, ela sequer sabia o significado de todos eles.

L: tem certeza? Seus amigos não vão ficar incomodados?

K: Lógico que não.

L: Ok. O que eu levo?

K: Sério? Você vem?

L: Mesmo que eu ache que seus amigos não vão muito com a minha cara, eu sei que você vai insistir.

K: Traga apenas a sua presença. Nada daqueles vinhos caros, ok? Ok.

K: Te vejo às 7:30 pm

K: Você é a minha favorita.

Lena tentou não se importar tanto com aquela chuva de corações que Kara mandou seguida da sua última mensagem, mas era difícil. Apesar de querer encontrar a loira naquela noite, sentiu seu corpo inteiro enrijecer ao pensar na ideia de compartilhar o resto do dia com os amigos da sua melhor amiga. Ela conhecia Alex e não sabia ao certo se a ruiva gostava dela. Ainda se lembrava do dia que a agente a chamou na DEO para assinar uma pilha de documentos onde ela jurava não contar sobre a real identidade da Supergirl. Nunca soube se aquilo foi apenas protocolo ou se era por conta do seu sobrenome.

Com Winn ela não tinha problemas, mas sentia um pouco — ou talvez bastante — ciúmes por dois motivos: ele já havia se apaixonado pela loira e ele era o melhor amigo dela. Sem contar que ele foi o primeiro a saber da sua real identidade, ajudando até a fazer o traje da Supergirl. Lena nunca tinha trocado uma palavra com Maggie, namorada de Alex, e a morena não simpatizava muito com James. Não porque o achava uma má pessoa, mas porque ele sempre era o primeiro a julgá-la pelo sobrenome. Isso diminuiu depois de um tempo e depois de Kara argumentar contra ele durante dias.

Mesmo assim, o nervosismo tomava conta dos seus pensamentos. E se não gostassem dela? E se fizessem perguntas pessoais demais? Íntimas demais? E se ela não soubesse interagir? Uma coisa era manter uma amiga, uma que ela já conhecia há mais de um ano e outra era manter uma relação amistosa por algumas horas com pessoas que ela sequer via uma vez no mês. O medo era real e ela começou a ter uma pequena crise de pânico. Será que Kara disse para ela não levar nada por educação ou quando alguém diz isso significa que você deva levar algo por educação? Lena não sabia, nunca tinha tido amigos e nem sabia como eram essas noites de jogos. O que supostamente ela deveria vestir? Seria mais casual ou social?

Ela estava muito desesperada. Logo seu celular apitou novamente.

K: Não precisa ficar nervosa, eu vou estar lá o tempo todo. Seja apenas você mesma.

Lena não pode conter o sorriso ao se lembrar de que Kara Danvers podia realmente ouvir seu coração a quilômetros de distância dali.

***

Antes que Lena pudesse bater a porta, uma Kara totalmente confortável em um short e uma enorme camiseta com uma pizza desenhada com uma frase “true love” em cima, apareceu sorridente. A morena respirou fundo e sentiu as bochechas corarem ao perceber que estava encarando as pernas descobertas da loira. Seu tom bronzeado era invejável.

— Você veio! — Kara disse empolgada — eu disse que não precisava trazer nada.

— Não gosto de aparecer de mãos vazias — entregou o pacote com a torta trufada de chocolate — sua favorita.

— Assim eu vou acabar demonstrando todo meu favoritismo por você na porta do meu apartamento — a loira confessou salivando e deixou Lena pendurar o casaco.

— Não precisa demonstrar, todos aqui estão bem cientes desse fato — Maggie comentou ao passar ao lado das duas. Lena ficou nervosa no mesmo instante, a morena a sua frente era completamente intimidadora e só o fato dela namorar a Danvers mais velha já era motivo para a CEO ficar mais temerosa — seja bem vinda a noite de jogos, pequena Luthor — sorriu simpática.

— Obrigada — falou sem graça.

— Não precisa tremer na frente dessa daí — Kara comentou puxando a amiga para a cozinha — ela ladra, mas não morde.

— Sua irmã não diria o mesmo — a morena brincou e a loira corou fortemente na hora, ficando chocada com o comentário.

— Já está traumatizando minha irmã de novo, Sawyer? — Alex apareceu para buscar mais cerveja e depositou um beijo rápido na namorada — seja bem vinda, Luthor.

— Lena, apenas Lena — a morena sorriu.

— Não ligue para essas duas — Kara puxou novamente Lena e a levou para a sala — relaxa, todo mundo aqui é amigo — cochichou.

— Seus amigos e sua irmã — pontuou — se eu soubesse que seria tão casual tinha passado em casa para mudar de roupa.

— E você tem outra coisa além das suas saias que poderiam financiar toda a minha vida acadêmica? — Lena rolou os olhos — ei, está tudo bem e se for te fazer sentir melhor, eu posso te emprestar uma roupa minha. Pode ser? — a empresária assentiu que sim e acompanhou a amiga até seu quarto.

Depois de alguns minutos, Lena deixou o quarto usando apenas legging, uma camiseta com alguns desenhos e meias com estampas do símbolo da Supergirl. Seus cabelos continuavam impecáveis no coque, assim como sua maquiagem. Kara a chamou para se sentar ao chão ao redor da pequena mesa de centro onde todos jogavam Perfil. Winn parecia pensativo enquanto James apenas observava o jogo sentado no sofá. Alex e Maggie estavam a frente na pontuação.

— Bonitas meias — Maggie falou e levou uma cotovelada de Alex.

— Ai!

— Pare de ser má com ela — Kara cruzou os braços.

— Já sei! — Winn gritou animado — Robin Williams?

— Finalmente — James riu — achei que nunca ia descobrir.

— Certo, vamos ver se a Lena é tão boa assim num jogo quanto é administrando uma empresa bilionária — Alex provocou e organizou as cartas novamente.

Eles jogaram de tudo e a cerveja, assim como os petiscos, continuaram a passar na roda de amigos. Não houve um jogo em que a CEO não tivesse se saído perfeitamente bem, mesmo que nunca tivesse jogado alguns deles. Ela ganhou no Perfil, Lince, Banco Imobiliário e muitos outros. Para surpresa de Alex e inveja de Maggie, a morena conseguia pegar muito rápido o jeito e as regras de cada jogo; até que a agente da DEO desistiu e bufou.

— Não existe um jogo em que ela não ganhe? — Maggie resmungou — ela virou milionária até no banco imobiliário!

— Na verdade, Lena é bilionária de acordo com a revista Forbes — Winn comentou orgulhoso de sua pesquisa — a família dela tem uma ilha nas Maldivas, uma ilha! Eu sequer tenho um cachorro.

— Dá para parar com essa sua mania de fã? — Kara reclamou — já entendi que você adora o cérebro e o dinheiro da minha amiga.

— Ciúmes, pequena Danvers? — Maggie provocou e Kara sentiu as bochechas queimarem.

Lena observava aquela discussão e achava engraçado. Tudo bem que eles estavam falando da sua vida, da sua fortuna, mas ninguém estava ofendendo ou dizendo coisas ruins. A conversa toda começou porque eles perderam no jogo.

— Sendo sincera, existe um jogo no qual eu não consigo ganhar — Lena finalmente falou e viu James arquear uma sobrancelha.

— E qual seria? — ele mesmo perguntou.

— Monopoly — Alex quase cuspiu a cerveja — aparentemente eu administro muito bem minha vida profissional e financeira, mas sou totalmente péssima em fazer o mesmo com a minha vida pessoal.

— Isso é triste.

— Winn! — Kara jogou uma azeitona no amigo.

— Então nós vamos jogar esse mesmo — Maggie falou animada e foi pegar o jogo.

Maggie ajeitou as peças e eles se dividiram em duplas. James e Winn fizeram a primeira dupla, Maggie e Alex a segunda e Kara e Lena a terceira. Tudo ia bem, cada um fazia suas escolhas, comprava os imóveis, aumentava a família e fazia seus investimentos. Até que começou a pequena discussão. Uma que Winn e Maggie estavam achando tremendamente cômica inclusive.

— Eu já disse não! — Lena repetiu mais uma vez e a loira fez um bico enorme — não faça essa cara.

— Mas Lena! Nós podemos morar perto do shopping, isso seria incrível! — Kara tentava argumentar.

— Eu não vou investir numa casa perto do shopping, principalmente porque ela ficaria bem no centro da cidade — retrucou — e eu bem sei seus motivos para morar do lado de uma praça de alimentação — dessa vez, a loira corou fortemente e James gargalhou.

— Ela tem um ponto — James comentou.

— Obrigada.

— Seria mais fácil de levar nossos filhos no cinema no final da tarde e passear no final de semana, mas claro que você não pensou nisso — Kara bufou — certeza que está pensando em morar perto do trabalho.

— Se os nossos filhos tiverem metade do apetite que você tem, que eu sei que terão por serem metade kriptonianos, aí sim que me recuso a morar perto de uma praça de alimentação — Alex achava tudo aquilo hilário. Elas estavam discutindo sério sobre um jogo. Winn encarou Maggie e a morena ria baixo.

— Devia ter pensado nisso antes de se casar comigo.

— Isso está melhor que aquele seu programa de domingo a noite — Maggie sussurrou para Alex.

— Vamos fazer assim: eu escolho o local da nossa casa e você escolhe dois dias da semana em que vamos jantar pizza — quando Lena terminou de falar, Winn gargalhou descontroladamente. Isso sequer fazia parte do jogo, decidir a janta ou onde iriam passear no final de semana.

— É por isso que me casei com você — Kara comemorou e beijou os cabelos de Lena, esquecendo rapidamente da discussão anterior.

***

James e Winn já tinham ido embora e Alex e Kara terminavam de ajeitar a bagunça na sala. Lena e Maggie ficaram responsáveis pela cozinha. A tensão entre as duas havia diminuído, mas isso não significava que Sawyer tinha deixado de ser menos intimidadora. O casal Danvers-Sawyer havia ganhado o jogo, seguido por Winn e James e por último Kara e sua melhor amiga. Não que elas se importassem em ganhar, mas Alex conseguia ser bem insuportável quando vencia qualquer jogo ou qualquer aposta.

— Ótima jogada essa da pizza no jantar — a morena mais velha comentou — espero que mantenha isso, especialmente com seus filhos metade alien — Lena ficou tão nervosa que deixou as colheres escorregarem dentro da pia, fazendo Maggie rir.

— Co-como? Eu não…

— Estou apenas te provocando, pequena Luthor — Sawyer riu mais uma vez — apesar de eu saber que vocês fariam um belo casal.

— Somos amigas, apenas amigas — pontuou, mesmo sabendo que no seu coração ela sempre esperava poder ser algo a mais para a melhor amiga.

— Aham, eu sei — respondeu — mas amigas não se encaram da forma como vocês fazem.

— E como seria isso?

— Como se vocês fossem tudo uma da outra — a mais nova suspirou derrotada — escute, eu não vou me intrometer nisso, afinal quem gosta desse tipo de coisa é o Winn. Enfim, quero que saiba que caso precise conversar ou apenas tomar uma cerveja, pode contar comigo — a morena estendeu um papel com seu número.

— Por que? — Lena não pode deixar de perguntar. Ninguém fazia questão de ser amigo de um Luthor, ninguém teria coragem de se aproximar, quanto mais passar o número do telefone para marcar uma noite regada a cerveja.

— Porque eu gosto de você, simples — deu de ombros — uma coisa que a pequena Danvers nunca erra é no julgamento de caráter.

— Simples assim?

— Simples assim.

***

A noite terminou e para que Kara ficasse mais tranquila, Alex e Maggie deram uma carona para Lena até seu apartamento antes de seguirem para o delas. Já se passava da meia noite e a loira insistiu bastante para que a morena ou dormisse lá ou deixasse ser levada nos braços da Supergirl até a sacada do seu quarto. Ela rejeitou os dois, já tinha tomado o tempo da amiga o suficiente e sabia que Kara tinha que trabalhar no dia seguinte.

Elas se despediram com um abraço demorado e a pequena Danvers pediu para que a amiga avisasse quando chegasse em casa. A morena prometeu que sim e seguiu seu caminho, sabendo que mesmo estando cansada seus pesadelos ainda a aguardavam naquela madrugada. E foi exatamente assim.

As três e quarenta da manhã, a Luthor acordou suando frio e um enorme nó estava entalado em sua garganta. As imagens eram as mesmas: Lilian, um galpão abandonado e dessa vez seu irmão estava lá. Ele tinha conseguido fugir da cadeia e seu sorriso estava mais maquiavélico que antes. Mas tudo não tinha passado de um sonho ruim, muito ruim.

Quando ela encostou a cabeça no travesseiro e tentou acalmar os ânimos, alguns leves toques na sua porta de vidro ressoaram pelo quarto. Arqueando a sobrancelha e olhando novamente no relógio para checar as horas, Lena se levantou e foi abrir as cortinas. Era Kara, ou a Supergirl.

— Meu deus, que susto! — a morena praguejou.

— Desculpe, não pretendia te assustar — se desculpou — posso entrar?

Lena destrancou a porta e deixou que a loira saísse do vento frio.

— O que está fazendo aqui? Não deveria estar dormindo? — cruzou os braços intrigada.

— Você estava muito assustada, Lena — sua voz soava calma e completamente preocupada — eu vim ver se estava tudo bem.

A morena não pode impedir que seu coração derretesse com aquele olhar quente e intenso da amiga. Porém, algo dentro de si dizia que ela estava exigindo demais e que não estava certo. Um Luthor não merecia aquele cuidado, não merecia toda aquela atenção e amizade.

— Desculpe, eu… eu devia ter avisado — suspirou nervosa — me desculpe, eu não...er, não queria aparecer assim do nada e a essa hora e…

— Foi um pesadelo — confessou — o mesmo de sempre.

— Quer conversar ou me contar sobre? — Kara se aproximou e depositou as mãos sobre os ombros desnudos da amiga. Lena meneou a cabeça negativamente, não teria coragem de contar o que sua própria mãe fazia com a Supergirl nos seus sonhos — certo. Então só vamos deitar e… na verdade você vai deitar e eu vou ficar com você, quero dizer, se você quiser.

— Tudo bem — sorriu na tentativa de diminuir aquela tensão entre as duas.

A loira organizou a cama da mesma forma que antes, deixando tudo na posição mais confortável que encontrou e chamou Lena para deitar a cabeça em seu colo. A mais nova sentiu aquele calor familiar de sempre aquecer seu corpo lenta e gradativamente, com os dedos macios de Kara acariciando seu couro cabeludo mais uma vez. Seu coração ia retornando ao ritmo normal, assim como sua respiração. Isso se ela não começasse a pensar no fato de que o abdômen da sua amiga estava ali a pouco centímetros de distância.

— O que é isto? — a morena perguntou ao ver o relevo em cima das costelas de Kara. Ela sentou na cama e encarou a amiga — Kara, o que é isto?

— Eu… er… ahm, me machuquei?

— Está me respondendo ou me perguntando? — arqueou a sobrancelha — eu quero ver.

— Não foi nada, eu juro — tentou se defender, mas no fundo sabia que nada convenceria a morena a mudar de ideia. E foi assim que ela acabou tirando o traje, vestindo um pijama e deixando Lena observar os enormes arranhões que ela tinha ganhado naquela tarde — viu? Não é nada.

— Como nada? Eu pensei que esse tipo de coisa não pudesse acontecer contigo — bufou nervosa. O simples fato de pensar que Kara não era invencível e que ela também podia ser lesionada, a assustava muito — vou trocar esses curativos.

— Não precisa se preocupar, eu me curo muito rápido e eles eram bem piores hoje à tarde — falou sem pensar. Na verdade, Kara estava era muito nervosa com o fato de sentir o toque firme de sua amiga na sua cintura.

— Como? Kara, como conseguiram te machucar? — sem se importar com o nervosismo da outra, começou a trocar as gazes e a limpar cada machucado com um cuidado impressionante, como se doesse em si ver aqueles arranhões profundos. E a verdade era que doía nela sim.

— Alguns aliens conseguem e algumas armas também — confessou fazendo careta ao sentir o gelado da pomada e tentando não hiperventilar com a mão da morena depositada sobre seu quadril —, mas eu estou bem. Eu prometo.

— Não gosto de saber que podem te machucar dessa forma, tem que tomar cuidado — sua voz denunciava claramente sua preocupação.

— Eu sempre tomo — a morena arqueou a sobrancelha novamente em descrença — eu tento…

— Pronto — abaixou a camisa da loira. Kara pode respirar sem tremer, finalmente.

— Obrigada — falou sem graça — agora vem, você precisa dormir.

— Você devia estar em casa, descansando e deixando isso cicatrizar melhor — bufou — não devia ficar voando e se colocando em risco.

— Por favorzinho — Kara fez um enorme bico e Lena acabou desistindo de discutir, mesmo que ainda estivesse extremamente consternada com o estado de saúde de sua amiga — eu posso cantar a música do Titanic se quiser — brincou ao sentir Lena deitar em seu colo mais uma vez.

— Nem tente, eu detesto esse filme —mentiu. Kara arregalou os olhos e gaguejou antes de falar.

— Como é que é? — bufou — você por acaso assistiu até o fim?

— Não, porque eu já sabia como ia acabar — mentiu mais uma vez.

— Mesmo assim, você tem que chegar no fim e ouvir cada palavra que eles dizem na despedida — pontuou — é um clássico e clássicos merecem toda a nossa atenção.

— Muito drama, na minha opinião.

— Certo — aceitou não discutir sobre isso agora, mas ela iria sim trazer esse assunto a tona mais tarde ou talvez na próxima noite de filmes que elas fariam — agora feche os olhos e respire devagar.

Com alguns minutos, Lena conseguiu atenuar sua respiração e se deixou levar pelo afago que seus cabelos recebiam. Aquela sensação de segurança e cuidado dominavam seu coração e ela nunca saberia dizer se havia algo melhor que aquilo. Kara estava absorta no quão belo era o rosto relaxado de sua amiga e jurava a si mesma que poderia passar horas daquela forma, apenas encarando Lena dormir. Isso a fazia ter uma paz inexplicável.

What day is it and in what month? — a melodia que a loira cantarolava tomou forma de palavras e Lena sorriu ao ouvir aquela doce voz mais uma vez — This clock never seemed so alive, I can't keep up, and I can't back down. I've been losing so much time…

Mais uma vez Kara colocava sentimento e intensidade no que dizia, ela sequer percebia que suas escolhas musicais para aqueles momentos estavam dizendo tanto sobre seu próprio coração. Às vezes é difícil enxergar o que realmente se sente e como se sente, mas com o tempo vai ficando mais fácil de ver, de lidar e até de aceitar.

'Cause it's you and me and all of the people with nothing to do, nothing to lose — seus dedos percorriam próximo a nuca da Luthor e Kara estava também de olhos fechados. Tudo o que ela ouvia era dois corações batendo, o seu e o dela, nada mais.

And it's you and me and all of the people and

E somos eu e você, e todas as pessoas e

I don't know why I can't keep my eyes off of you

Eu não sei por que não consigo tirar meus olhos de você

Ela podia dizer que Lena estava dormindo apenas pelos batimentos cardíacos e isso a deixava mais tranquila. Como a CEO nunca mencionava nada sobre Kara poder ficar no apartamento e a loira não queria ser invasiva demais perguntando se podia passar a noite ali, ela mais uma vez se moveu com todo cuidado possível para ir embora, deitando Lena sobre os travesseiro, e trocou rapidamente de roupa. Deixou o pijama sobre a pia do banheiro e se aproximou mais uma vez da amiga, incapaz de não admirá-la por mais alguns minutos.

Kara inclinou o corpo apenas para beijar a bochecha pálida de sua amiga e sussurrar um boa noite antes de sair. Sua voz ecoou no quarto mais uma vez, cantando a estrofe que mais significava para ela.

Something about you now

Existe algo sobre você agora

I can't quite figure out

Que não consigo compreender completamente

Everything she does is beautiful

Tudo o que ela faz é bonito

Everything she does is right

Tudo o que ela faz é certo

Naquela madrugada, Kara passou o restante das horas sentada sobre o parapeito do telhado do prédio, ainda sentindo os dedos gelados de Lena percorrerem a pele da sua cintura e pensando no quão incrível seria se sua amiga pudesse estar ali com ela vendo o sol nascer.


Notas Finais


E ai??? Gostaram? Sim, as duas são duas inúteis apaixonadas e o relacionamento delas vai ser desenvolvido bem devagar, mas nada de muito drama nao pq no fundo elas se amam mesmo e a gente sabe kkkkkkkkkkkkk
até o proximo e me digam oq estao achando!!

https://open.spotify.com/user/i_nerdgamer/playlist/4bUWswqv0iHN4b0D6TBphM?si=CiWUsqoSTbyre_ZYND5hDw SING ME TO SLEEP TEM PLAYLIST vão la e ouçam!!!

ps: a musica desse cap se chama You and Me do Lifehouse e eu gosto da versão cantada pelo Boyce Avenue <3
Beijoxx


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...