História Sing me to sleep - Capítulo 3


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Categorias Supergirl
Tags Kara Danvers, Lena Luthor, Supercorp, Supergirl
Visualizações 342
Palavras 5.327
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, babies! Estou de volta hehe
Esse cap está uma delicinha e temos mais interação da Lena com a Maggie e algumas coisas acontecendo com a Kara
Mas o nosso principal é supercorp <3

Boa leitura!

Capítulo 3 - Only hope


Lena estava entretida com um documento que lhe ajudaria a entender melhor a pauta da próxima reunião. Ela havia atendido a alguns investidores logo cedo, recebido alguns relatórios e organizado sua agenda para a próxima semana. Hoje já era sexta e para a CEO isso não significava muita coisa, geralmente ela trabalhava aos sábados. Sempre preferiu ficar na L-Corp adiantando o que conseguia do que ficar em casa sem saber o que fazer. Na verdade, provavelmente Lena usaria seu escritório para trabalhar; era tudo o que ela sabia fazer, ou assim a CEO acreditava.

A hora do almoço estava chegando e, como sempre, a morena não queria interromper sua leitura e análise daquele documento. Porém, rapidamente se lembrou de que Kara ficaria chateada caso não comesse e acabaria aparecendo em sua sala, segurando vários pacotes de comida e trazendo uma bronca na ponta da língua. Particularmente, Lena gostava daquelas discussões, porque nunca chegavam a lugar algum e rendiam apenas bons momentos entre elas. Se fosse ser sincera consigo mesma naquele instante, ela bem queria fazer seu estômago roncar para trazer a amiga até sua sala. Obviamente que Lena não o fez e pediu que Jess pedisse seu almoço.

Quando tirou alguns minutos para fechar os olhos e descansar a vista, seu celular apitou e era um número desconhecido. A morena franziu o cenho e encarou a tela por longos segundos.

M: Hey.

M: É a Maggie.

M: Pedi a Alex que conseguisse seu número com a Kara, espero que não se importe.

Lena arqueou a sobrancelha e não pode deixar de pensar no quão estranho — e até inusitado — era receber uma mensagem de ninguém mais ninguém menos que Maggie Sawyer. Mesmo que aquilo parecesse incomum, Lena resolveu apenas respirar fundo e salvar o número em sua lista de contatos. Apenas Kara tinha seu número privado e não que ela estivesse brava, a morena confiava na melhor amiga e por isso confiava em seus amigos, mesmo que continuasse achando que nenhum deles simpatizava com ela.

L: Não, está tudo bem.

L: Aconteceu alguma coisa? É com a Kara?

De repente, seu coração acelerou apenas com a súbita ideia de Kara estar machucada, afinal a Supergirl se metia em muitas lutas perigosas.

M: Fique calma, pequena Luthor.

M: A Supergirl está bem, relaxe.

M: Na verdade, queria perguntar se está livre na hora do almoço.

Okay, Lena achou aquilo muito bizarro. Afinal, o que estava acontecendo?

M: Não é nada sério.

M: Dependendo do ponto de vista, que no meu caso sim, eu considero sério.

L: Ficarei contente em ajudar.

L: Do que precisa?

M: Preciso que me ajude a escolher uma cortina.

E foi assim que Lena foi para numa loja de decoração com a improvável Maggie e seu humor ácido.

***

Maggie parecia um poço de nervosismo e Lena tentava entender qual a raiz daquele problema. Obviamente, pensou a CEO, isso tudo não é sobre uma simples cortina, não podia ser. Ninguém ficaria tão louco em apenas ter que escolher um pedaço de pano para cobrir a janela, principalmente alguém como Sawyer. A Luthor também estava nervosa, mas a incógnita dessa questão era fácil de resolver. Ela sequer sabia o que conversar com a morena, sequer conseguia raciocinar ao lado dela, afinal Maggie é namorada da irmã da sua melhor amiga, uma pessoa muito próxima de alguém de suma importância na vida de Kara.

Seu medo ia desde manter uma conversa normal com a policial até o fato de que caso ela a ofendesse ou errasse em alguma coisa, Alex iria saber. Se Alex soubesse e ficasse chateada, então Kara iria saber e provavelmente ficaria chateada. Como supostamente ela deveria ficar calma? Desejou internamente, diversas vezes, que tivesse inventado uma desculpa para não vir. Mas claro, ela e seu coração mole, sua vontade de ajudar e, principalmente, sua vontade de ajudar alguém que era da família da pessoa mais importante da sua vida. Lena não queria falhar e queria dar o seu melhor.

— O que acha? — a morena encarou Lena, quase pedindo por socorro. A CEO encarou o tecido estampado com flores e tudo o que conseguiu fazer foi uma careta — ok, já percebi que não gostou.

Maggie deu a volta e sentou sobre uma das poltronas que tinham nos quartos planejados em amostra. Ela bufou estressada e Lena apenas observou, sem saber exatamente o que dizer.

— Como alguém pode considerar isso uma tarefa simples? Olha o tanto de tecido, estampas, tamanhos, combinações e todo esse… coiso — apontou para o suporte da cortina — prefiro correr atrás de algum mafioso — resmungou.

Lena riu baixo e sentou-se ao lado da policial. Poderia ela chamá-la de amiga? Não, talvez ainda fosse muito cedo.

— Sawyer…

— Maggie, senão eu passo a te chamar daquela coisa fresca de “senhorita Luthor” — zombou, fazendo Lena rolar os olhos.

— Certo, Maggie — frisou o nome, saboreando-o nos lábios e tentando se acostumar com aquilo — eu vou te ajudar a escolher uma cortina, essa tarefa é sim muito simples — dessa vez, a latina rolou os olhos —, mas você tem que ser sincera comigo.

— Sincera sobre o que? — franziu o cenho.

— Por que está tão nervosa? — foi direto ao assunto.

— Eu não estou nervosa, estou estressada — bufou — pare de me olhar assim, você é muito… intimidadora quando faz essa cara.

— Eu intimidadora? — arqueou a sobrancelha.

— Não é bom para a saúde de ninguém quando você faz isso — apontou para a sobrancelha da outra — devia ver a cara que faz quando está com a pequena Danvers, é completamente diferente.

— Okay — interrompeu a outra — se não quer me contar, tudo bem. Mas vai ter que aceitar as minhas sugestões para a cortina ou qualquer coisa que esteja procurando aqui.

Maggie aceitou sem contestar e elas passaram quase duas horas rondando a loja, procurando tecido e suportes para a nova cortina do apartamento a policial. Lena, claro, conseguia reparar na forma como a morena suspirava e batia o pé no chão. Sawyer estava impaciente e tinha algo a incomodando. Quando elas terminaram de escolher, optando por uma cortina de tom claro com listras em degradê, Maggie virou-se para Lena e abriu uma pequena caixinha preta. Uma que havia um anel.

Lena tentou manter a calma ao perceber o que havia ali e optou por fazer o que sabia melhor quando estava nervosa.

— Olha, Sawyer eu gosto de você, mas não desse jeito — brincou, sentindo as bochechas queimarem.

— Engraçadinha — a morena rolou os olhos — esse é o motivo pelo qual estou nervosa.

— Vai propor casamento para a  Alex — disse o óbvio. Maggie assentiu com a cabeça e suspirou. O que Lena deveria dizer naquela hora? Ninguém nunca tinha lhe contado que pediria alguém namoro quanto mais em casamento.

— Certo — tossiu nervosa — e porque está assim? Acha mesmo que ela não vai aceitar?

— Você acha que ela aceitaria?

— Acredito que sim — confessou — sendo sincera, sequer passou pela minha cabeça a opção dela dizer não.

— Okay, você é inteligente e sabe dessas coisas de probabilidade — Maggie divagou — talvez você tenha feito algum cálculo matemático nessa sua cabeça cheia de neurônios. Mas okay, você tem um ponto.

A Luthor arqueou a sobrancelha, sem compreender o que a outra disse, mas aceitou em silêncio. Era novo aquilo, receber uma confissão daquela. Pelo o que pode perceber, certamente que nem Kara sabia que Maggie iria propor, então ela era a primeira a saber.

Ao parar para pensar nisso, ela começou a entrar num pequeno estado de pânico. E se Alex dissesse não? E se Maggie a culpasse por isso? E se Kara achasse ruim o fato dela saber primeiro, sendo que ela nem é da família e provavelmente nem seria convidada para o evento? Talvez, Lena pensou consigo, talvez ela devesse ter pedido a opinião da melhor amiga antes de aceitar o convite de ajudar Sawyer com as cortinas ou talvez ela deveria contar para Kara sobre o pedido de casamento.

— Consigo ouvir seus neurônios trabalharem — Maggie tirou Lena de seus devaneios — respira, não é como se eu não conhecesse minha namorada. Eu apenas estou nervosa com a situação em si.

— Por que?

— Porque a mãe da Alex chega em alguns dias e eu pretendo fazer isso com ela presente.

Claro, Maggie não iria simplesmente contar o real motivo disso assustá-la tanto. Sua amizade com a CEO estava ainda começando a engatinhar e ela não queria que Lena a olhasse com pena. Pena da sua situação familiar, pena por ter sido abandonada quando seus pais descobriram que ela gostava de garotas, pena porque certamente ninguém da sua família iria comparecer a qualquer coisa relacionada ao casamento — isso se Alex aceitasse, o que ela preferia acreditar que sim.

Ao contrário do que esperava, Lena não a forçou a contar mais nada. A Luthor entendia bem sobre erguer muros ao redor de si para se proteger, afinal quando não se tem ninguém ao seu lado, você mesma tem que aprender a se resguardar. Ela podia ver que havia algo mais nos olhos castanhos intensos da latina, mas preferiu não se intrometer ou continuar insistindo. Caso Sawyer quisesse lhe contar, ela contaria. Um parte de si queria acreditar que o motivo era apenas algo simples — como falta de coragem —, mas outra parte de si ficava repetindo em sua cabeça que Maggie jamais confiaria em uma Luthor. Não totalmente.

— Vai ficar tudo bem — foi o que conseguiu dizer — pelo o que Kara me conta, Eliza é uma pessoa maravilhosa.

— Você tem razão — ambas terminaram as compras e saíram da loja — obrigada por hoje, pequena Luthor. A gente se vê na próxima noite de jogos ou quem sabe no jantar para a Eliza — Lena arregalou os olhos.

— O quê?

— Não está achando que Kara não vai te convidar para conhecer a mãe dela, está? — a empresária não soube o que responder, de repente, era muita informação para ela processar — sua cara de espanto é impagável — riu — fique tranquila, não é como se você fosse ser apresentada como namorada da pequena Danvers, a não ser que queira — Maggie piscou divertida e Lena quase engasgou com a própria saliva depois dessa — obrigada de novo.

Talvez Lena Luthor estivesse tendo outro ataque de pânico.

***

Kara estava quase dormindo em sua mesa, já havia perdido as contas de quantas vezes Snapper ou James tinham chamado sua atenção. Mas estava quase impossível se manter acordada. Provavelmente ela tinha se superestimado ao pensar que podia ficar dias sem dormir e vendo o sol nascer de cima do prédio de sua melhor amiga. Talvez ela devesse descansar. No entanto, ao lembrar-se do fato de que Lena tinha pesadelos que a assustava, Kara desistia de dormir. Não deixaria sua amiga sozinha e nem deixaria que outros sonhos ruins a impedissem de ter uma noite tranquila. Lena precisava dela e ela iria fazer o possível para ajudá-la.

Naquela tarde ela passou o tempo todo na rua, lutando com bandidos tanto humanos quanto aliens. Era difícil para ela processar a quantidade de gente querendo fazer o mal, qual era o problema deles?

Kara, preste atenção! Ele pode…

Antes que a Supergirl conseguisse terminar de ouvir, seu peito recebeu o impacto de um tiro. Claro, não havia machucado, mas fez seu corpo ser lançado para trás e bater num muro de concreto. Ela se levantou ainda desnorteada e repetiu mentalmente para manter os olhos aberto. No entanto, o sono a estava dominando e a estava fazendo perder o foco. Decidida a vencer aquele alien, Kara levantou voo e tentou enxergar tudo de cima, pensando em como podia reagir sem machucar as pessoas ao redor ou quebrar tudo.

Supergirl, porque está demorando tanto?

— Eu estava só pensando — respondeu para Winn no comunicador.

O que está acontecendo com você? Você não é lenta desse jeito. Eu vou chamar a Alex.

— Não! — gritou e ouvir Winn resmungar do outro lado — desculpe por gritar. Eu vou dar um jeito, não se preocupe. Peça para Alex tirar os civis daqui.

***

Faziam alguns minutos que Kara estava recebendo uma enorme bronca de sua irmã. Com certeza toda DEO já sabia que a Supergirl não era nada perto de uma agente nervosa e coberta de razão. Certo, talvez a loira não admitisse que Alex tinha um ponto sobre o quão distraída ela estava.

Mais uma vez ela estava na ala médica e a ruiva verificava os arranhões que tinha levado. O problema nem era esse, Kara tinha se esquecido sobre o outro machucado e que Lena havia trocado o curativo. Rezou internamente à Rao para que sua irmã não notasse, mas aparentemente não funcionou.

— Não foi esse o curativo que fiz ontem — Alex apontou para o machucado já 100% cicatrizado.

— Olha, já sumiu! — Kara apalpou sua lateral e tentou não entrar naquele assunto.

— Kara Danvers, onde arranjou esse curativo? — as bochechas da loira coraram fortemente. O que ela diria? Como explicaria que estava na casa da Lena ontem tarde da noite e que tinha ficado acordada a madrugada inteira velando o sono da sua melhor amiga?

— Eu… er… eu… — a loira viu Schott passar pela porta de vidro e disse a primeira coisa que pensou — Winn! Ele! Ele quem trocou para mim e… e fez isso.

— Eu o que? — Winn deu meia volta ao ouvir seu nome — não foi culpa minha — se defendeu sem saber do que se tratava.

— Kara, o Winn trocou se curativo? — a ruiva segurou para não rir — esse Winn? O nosso Winn? — apontou para o garoto, que continuava sem saber o que estava acontecendo. Ele franziu o cenho e encarou a amiga que quase pedia por socorro silenciosamente.

— Foi — Kara tentou não fazer sua voz tremer, mas a verdade é que ela era uma péssima mentirosa.

— Eu vou fingir que acredito — a agente bufou — e você pode pelo menos me dizer porque estava tão distraída? Você está acabada.

— Uau, obrigada pela parte que me toca — a loira suspirou — eu… eu estou, er… tendo insônia. É isso, eu não tenho conseguido dormir.

— Kryptonianos tem insônia? — Winn questionou e Kara quis acertar um soco no amigo. Ele não estava ajudando.

— Me diga você — Alex encarou a irmã e sabia que ela estava mentindo descaradamente — você é o nerd aqui. Okay, estou indo, preciso voltar para a CatCo e finalizar o meu artigo — mentiu.

— Kara, já acabou seu expediente — a agente Danvers apontou para o céu escuro do lado de fora da janela.

— Eu, er… eu disse CatCo? Uh, eu… eu quis dizer casa — ela sentia seu rosto queimar de vergonha — enfim… eu… preciso ir.

Usando sua super velocidade, Kara se retirou o mais depressa da DEO e voou para seu apartamento. Isso se ela conseguisse acertar o caminho, o que não aconteceu logo de primeiro, pois ela cochilava enquanto sobrevoava National City.

***

Lena terminava de ajeitar suas coisas, já estava tarde e ela queria poder chegar logo no seu apartamento. Ao parar para pensar que ela havia começado a querer voltar para casa, Lena percebeu o quão singular esse desejo era. Desde quando ela tinha vontade de ir para seu apartamento ou para o seu quarto? Isso nunca havia acontecido antes, principalmente depois que começou a ter pesadelos novamente. Ao se lembrar do real motivo, suas bochechas coraram.

Kara Danvers. Esse são nome e sobrenome da sua razão para querer sair da L-Corp mais cedo que o habitual — que já não era tão cedo assim. Não que ela gostasse de incomodar sua amiga, na verdade ela detestava o fato de fazê-la sair da cama no meio da madrugada e ir socorrê-la por conta de algo tão estúpido quanto um sonho ruim. No fundo, no fundo, algo lhe dizia que a Supergirl estava sobrevoando seu prédio no meio da noite e então não tinha nem como ela convencer Kara a não sair do apartamento, uma vez que ela já estava do lado de fora.

Em seu coração, ela queria poder aproveitar aquele momento a sós das duas. Era raro quando elas podiam conversar sem ser interrompidas ou passar o tempo apenas na companhia uma da outra, sem se importar com reuniões, encontros inusitados e trabalho. Lena gostava de tê-la ali ao seu lado, cantando  e mexendo em seu cabelo. O mais complicado era lembrar que Kara estava ali apenas como amiga, que fazia aquilo por amigos são para isso. Não são?

Lena podia saber e entender muitas coisas, como cálculo de integral e artigos científicos. Mas ela nunca conseguiu entender a dinâmica de uma amizade.

I could stay awake, just to hear you breathin’ — ela cantarolava baixinho enquanto recolhia seus papéis da mesa.

— Senhorita Luthor…

— Meu deus! — a morena saltou no lugar — você me assustou — Jess arqueou a sobrancelha. Aquilo era novo, Lena raramente se assustava, mesmo quanto estava muito concentrada no que fazia.

— Me perdoe — falou ainda incerta — vim apenas lhe entregar a agenda.

— Certo, obrigada.

— Que música estava cantando? — perguntou curiosa e viu o rosto de sua chefe corar num vermelho vivo.

— Co-como? Eu não estava cantando — mentiu. Sua secretária apenas segurou o riso.

— Aerosmith é uma ótima banda — comentou, ignorando a mentira de Lena — tenha uma ótima noite, senhorita Luthor.

Antes que a mulher pudesse sair, Lena pensou rapidamente numa pergunta idiota. Idiota na opinião de quem ouve, porque na opinião dela a pergunta era muito pertinente e ela precisava saber a resposta.

— Jess, espere — a morena se virou para ela — pode… pode me responder uma pergunta? É bem estúpida…

— Se eu souber como responder.

— Certo — suspirou nervosa — é normal um amigo ajudar o outro… er, quando se tem pesadelos?

Jess franziu o cenho sem entender nada do que a outra queria dizer. Porém, ela se esforçou e parou para pensar naquela pergunta. Obviamente que a resposta seria não, mas dependendo do caso sim. Como ela responderia a isso?

— Ok, eu entendi a pergunta, mas não sei em qual sentido a senhorita está se referindo.

— Vamos supor que você tenha pesadelos uma noite e uma… um amigo — mudou o gênero rapidamente, com medo de ser julgada ou mal compreendida. Ela não precisava se assumir logo para sua secretária — e ele te ajuda com isso.

— De que forma?

— Er… deitando com você e… lendo — ela não diria “cantando”. Isso soava tão infantil quanto dizer que alguém lia para você dormir.

— Bom, eu diria que isso não é normal — respondeu sincera — tem que haver muita intimidade entre as duas pessoas e talvez até um sentimento mais forte que amizade, acredito eu — aquilo pegou Lena de surpresa. O que Jess queria dizer com “sentimento mais forte?” — talvez em outra circunstância eu até diria que um amigo pode ajudar o outro sim, mas raramente vejo isso acontecer.

— Okay — bufou mais nervosa ainda.

— Algum problema, senhorita Luthor? Posso ajudar em mais alguma coisa?

— Não — sorriu — obrigada, Jess. Tenha uma ótima noite e um bom final de semana — mesmo vendo a preocupação nos olhos de sua secretária, ela jamais diria o que estava acontecendo, muito menos no que estava pensando.

— Igualmente.

***

Lena tentava se mover, porém seu corpo não lhe obedecia. A morena conseguia enxergar sua mãe se aproximando de uma Supergirl desacordada e fraca. Lilian vestia um traje preto e em sua mão uma arma brilhava um verde fluorescente. Kryptonita. Seu coração batia em desespero enquanto ela gritava para sua amiga acordar e se levantar. Nada adiantava, nada parecia fazer Kara abrir os olhos e isso fazia Lena se sentir sufocada de medo.

Lágrimas escorriam em seu rosto ao mesmo tempo em que assistia sua própria mãe se agachar e acariciar o rosto desacordado da pessoa que Lena mais amava no mundo. A morena podia ver o corpo da loira se contorcer na presença da luz esverdeada e nem conseguia imaginar a dor que isso causava em sua amiga. De repente, Lilian se levantou e olhou diretamente nos olhos vermelhos de sua filha. Seu sorriso era maquiavélico.

Lilian levantou o pequeno punhal brilhante e se voltou-se para a Supergirl. Lena gritou com todas as suas forças, mas sua mãe tinha cravado a lâmina no coração de Kara.

***

A CEO acordou extremamente assustada e com o rosto banhado em lágrimas. Mais uma vez sua mãe a vinha visitar no seu subconsciente. Ela tentou regularizar a respiração, contando até dez mentalmente diversas vezes, até que ouviu a porta da sacada ser aberta. Agradeceu aos céus por estar escuro, a última coisa que queria era ver os olhos desesperados de sua amiga quando percebesse que ela estava chorando.

Mas Kara a conhecia o suficiente para notar isso mesmo no breu em que estava aquele quarto.

— Lena! — Kara se aproximou velozmente da cama — ei, está tudo bem… eu estou aqui — a loira sussurrou para a amiga e a puxou para seus braços.

— Eu…

— Shhh — sussurrou novamente, dessa vez beijando os cabelos negros da outra — foi apenas um pesadelo, ok? Você está no seu quarto e eu estou aqui contigo.

Lena assentiu concordando, afinal isso era verdade. Seu coração parecia ter corrido uma maratona em vinte minutos, sua respiração estava se amenizando, mas o medo ainda era palpável. Lilian não estava mais viva, não tinha como ela machucar a Supergirl ou ressuscitar a Cadmus. Mesmo assim, os dias de terror ainda assombravam a Luthor e a fazia reviver cada agonia e ansiedade que ela sofreu quando soube que sua mãe tinha capturado sua amiga. Porém, estava acabado. Lilian Luthor havia morrido no último ataque e Lex estava num coma profundo que tinha lhe ocorrido também naquele fatídico dia.

A CEO jamais se esqueceria do momento em que descobriu que Lilian e seu irmão fugitivo eram os responsáveis pelo desaparecimento repentino da Supergirl. Foi aterrorizante.

Ela voltou seu rosto para o da loira e pode notar o quão cansada ela estava. Havia uma pequena bolsa negra embaixo dos seus olhos, seu azul sempre tão vívido e brilhante estava opaco. Kara nunca lhe pareceu tão exausta. Isso a fez sentir-se culpada, mesmo não entendendo muito do porquê sua amiga estaria dessa forma. Na sua mente, ela pensava que a loira voltava para casa depois de vir ajudá-la, no entanto, aparentemente, estava acontecendo outra coisa.

E Lena sabia que se perguntasse, Kara iria desconversar e mudar de assunto. Ou seja, ela teria que descobrir sozinha.

— Se sente melhor? — a loira perguntou ao ouvir o coração da morena bater mais próximo do normal.

— Sim — suspirou — você não deveria vir, precisa descansar.

— Por favor, não vamos discutir isso de novo — choramingou — eu quis vir e quero estar aqui para te ajudar.

— São apenas pesadelos, Kara — reafirmou.

— Pesadelos que fazem seu coração bater que nem um tambor, Lena — ela não pode deixar de sorrir com a comparação. Era impossível não se sentir cuidada ao ouvir a súplica contida nas entrelinhas de cada palavra que a loira dizia e isso fazia com que a empresária sentisse aquele calor de sempre, aquele que a fazia sentir-se segura. Que a fazia sentir-se amada.

Amor. Lena tremia apenas ao pensar naquela palavra. Kara não podia amá-la, isso não poderia acontecer. Isso nunca aconteceria. Ninguém era capaz de amar uma Luthor, principalmente uma cuja família tinha tentado matar todos os Supers. Sua própria mãe tinha ferido sua amiga e isso já era motivo suficiente para Lena aceitar que Kara Danvers jamais a amaria. Elas eram amigas porque a loira tinha um coração incrivelmente bondoso e porque insistia em acreditar que a morena era diferente do resto da sua família.

— Vem, deixar eu ajeitar a cama para você — Kara estendeu a mão para ela e a ajudou a se levantar. Quando Lena encarou aquela figura vestida no traje azul com uma capa vermelha, ela percebeu algo estranho, para não dizer engraçado.

Kara tinha colocado sua bota em lados contrários, o pé esquerdo calçava o lado direito e o direito calçava o esquerdo. Foi então que ela percebeu que a icônica saia vermelha estava ao avesso. Ou seja, todo o traje da Supergirl estava do lado avesso. Lena se concentrou muito para não rir e perguntar por qual motivo aquilo teria acontecido. Mas ela tinha uma ideia do porque e teve que controlar para não começar a dar uma enorme bronca naquela loira teimosa.

Todavia, ao pensar que sua amiga não estava dormindo por se preocupar com ela, seu coração ancorou fortemente naquele sentimento. Um sentimento que ela não compreendia e que a assustava. Por enquanto, Lena preferiu ignorar aquele comichão em seu peito e aquela sensação que a fazia pensar que talvez amigos não fizessem o que Kara fazia por ela.

— Pronto — sorriu para Lena — escolhi uma música especial.

— Estou curiosa — ela deitou sobre o colo da loira e seus cabelos se esparramaram, sendo logo acariciados pela mão quente de Kara.

— Feche os olhos — a morena obedeceu — não pense em nada, Lena. Eu não estou em perigo e você também não está. Estou aqui para te proteger, ninguém vai te machucar…

Lena sentiu a urgência de suas lágrimas, mas não deixou elas escorrerem. Mal sabia Kara que na verdade a CEO queria ter a certeza de que sua amiga estava segura e não ela mesma. Seu corpo inteiro reagiu quando uma das mãos da loira passou a acariciar seu ombro enquanto a outra continuava em seus cabelos. Ela nunca havia se sentido assim e tinha pavor do que tudo aquilo podia significar. Não porque era sua amiga, bom talvez fosse um pouco, mas porque ela tinha certeza que Kara jamais sentiria o mesmo. A kryptoniana era boa demais para se apaixonar por uma Luthor.

— Lena, relaxe — novamente, ela escutou o coração desesperado da amiga. A Danvers então começou a murmurar uma melodia — There's a song that's inside of my soul, It's the one that I've tried to write over and over again…

— Como você?

— Shhh — Kara não respondeu e nem responderia àquela pergunta — I'm awake in the infinite cold, but you sing to me over and over again.

A verdade era que a loira sabia que essa era uma das músicas favoritas de Lena. Ela sabia porque ouviu a amiga cantarolar uma vez enquanto preparava o jantar que elas faziam na noite de filme. Depois disso, Kara encontrou uma playlist no celular da morena e ali estavam todas as músicas que ela amava. A pequena Danvers então anotou todas elas e tratou de aprender cada uma, decorando tanto a letra quanto a melodia. Nunca chegou a contar para a amiga sobre isso.

So I lay my head back down and I lift my hands and pray to be only yours — suspirou ao pensar naquela letra — I pray to be only yours… I know now you're my only hope.

Sing to me the song of the stars

Cante pra mim a canção das estrelas

Of your galaxy dancing and laughing and laughing again

Da sua galáxia,dançando e rindo e rindo de novo

When it feels like my dreams are so far

Quando sentir que meus sonhos estão tão distantes

Sing to me of the plans that you have for me over again

Cante pra mim os planos que você tem outra vez

Kara colocava todo seu coração no que dizia e aquela música significava algo a mais para a loira. Desde que havia chegado a Terra, sua vida raramente encontrava algum sentindo e ela chegava muito próximo de desistir de tentar se ajustar a tudo e a todos. Foi muito mais fácil depois que Alex a aceitou como irmã, mesmo depois de quase um ano de rejeição. Kara não culpava a irmã, era mais complicado ainda para a ruiva e ela entendia seus motivos. Mas nada se comparava com a forma como Lena a aceitou sem nem sequer pestanejar.

I give you my apathy…

I'm giving you all of me

Eu estou dando tudo de mim

I want your symphony

Eu quero a sua sinfonia

Singing in all that I am

Cantando tudo o que eu sou

Tudo o que ela queria era pertencer a algum lugar ou a alguém, e Lena lhe dava essa sensação. A sensação de que finalmente ela era aceita não em parte, mas completamente. Houve tempos em que tudo o que Kara fazia era contemplar as estrelas, pensar nas milhões de galáxias que existiam, nos milhões de planetas que continuavam vivos e no fato de que nenhum deles era o seu. Inclusive a Terra. Porém, depois que conheceu sua melhor amiga, contemplar o céu deixou de ser uma necessidade e passou a ser um prazer. Ela ainda sentia falta dos pais, sentia falta do seu povo, do seu planeta. No entanto, tinha plena certeza de que caso Krypton ainda existisse, ela jamais teria coragem de abandonar Lena e ir embora.

Lena era a sua casa e isso ela não conseguia compreender ainda. Mas podia sentir no âmago da sua alma.

And I lay my head back down and I lift my hands and pray to be only yours — a loira tomou o último fôlego e sussurrou a última parte — I pray to be only yours…

Beijando novamente os cabelos de sua amiga, Kara se esquivou da cama e caminhou para a sacada, se preparando novamente para virar  mais uma noite. Era bom ver o sol nascer, porém era ruim assistir a esse espetáculo sozinha. Ela queria poder mostrar para Lena o quão bonito era ver as primeiras luzes cortarem o manto escuro do céu. Com esse pensamento na cabeça, a Supergirl sentou no chão da pequena varanda e respirou fundo, se concentrando para não cair no sono. O que foi ridiculamente impossível.

De repente, ela ouviu a porta de vidro se abrir. Não sabia se tinha cochilado horas ou apenas cinco segundos. Kara olhou para cima e encontrou aquele familiar par de olhos esmeraldas.

— Venha — Lena estendeu a mão e a loira sentiu as bochechas corarem. Ficou com medo do que a amiga diria por ela ainda estar ali sentada no chão.

A Supergirl acompanhou a Luthor de volta para o quarto e a observou trancar a porta. Lena nada disse, apenas estendeu um pijama limpo e apontou para o banheiro. Kara, não querendo discutir, correu para se trocar e, quando voltou, a morena estava já sentada sobre a cama e encostada na cabeceira.

— Eu…

— Vamos dormir — a Luthor afastou os lençóis e indicou o lugar ao seu lado.

Kara sentiu o corpo ferver de nervosismo e vergonha. O que a amiga pensaria dela agora? Lena estava mesmo a chamando para deitar com ela? Não que fosse algo incomum, elas já tinham adormecido juntas no sofá, mas tinha sido sem querer e tinha sido embaraçoso também. Porém, ela ignorou toda aquela confusão em sua cabeça e se enfiou embaixo do cobertor, tomando cuidado para não respirar demais e acabar com aquele momento inusitado.

— Como sabia? — Kara murmurou no escuro e ela conseguia perfeitamente escutar a respiração da mulher ao seu lado.

— Vários motivos, mas o único que importa é que eu conheço você — murmurou de volta.

Silêncio.

— Me desculpe — a loira finalmente falou — eu… eu só… acho que fiquei com medo de não chegar a tempo, sabe? Caso você tivesse outro pesadelo… — suspirou envergonhada demais para sequer olhar para Lena.

— Não precisa disso — comentou baixinho, mas ela não queria admitir para si mesma que realmente precisava da melhor amiga ali, que sua companhia realmente a fazia dormir melhor.

— Eu sei — confessou —, mas eu queria estar aqui…

— Vamos dormir, já está tarde — sussurrou.

— E se acontecer de novo? — se referiu aos pesadelos. Lena ficou pensativa por breves segundos.

Kara então sentiu a outra se mover e em seguida sentiu os dedos frios da Luthor encontrarem os seus e se entrelaçarem. Lena tinha juntado suas mãos e agora seus corpos estavam mais próximos. Um leve arrepio percorreu sua espinha e a loira tentou não respirar pesado demais. Caso isso acontecesse, Kara seria capaz de soltar um jato de brisa fria dos seus lábios e essa era a última coisa que ela queria fazer.

— Eu estou aqui do seu lado e já estou segurando em sua mão — sussurrou novamente — boa noite, Kara.

A loira virou-se para a CEO e ficou com seu rosto tão próximo ao dela que podia sentir sua respiração quente. Aquilo não parecia real.

— Boa noite, Lena.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! ouçam as musicas da fanfic na playlist https://open.spotify.com/user/i_nerdgamer/playlist/4bUWswqv0iHN4b0D6TBphM?si=CiWUsqoSTbyre_ZYND5hDw
a musica desse cap se chama Only Hope da bandoa Switchfoot

até a proxima!


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