História (Sing You) Pretty Sounds - Capítulo 1


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Festa, Ficção Adolescente, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Então essa é a primeira fanfic depois de mais ou menos três anos sem conseguir fazer uma linha, e meu deus, eu não acredito que ainda estou por aqui.
Bem, aproveitem a leitura;

Capítulo 1 - Grêmio, Lay's e Divisão


Tyler.

Onde toda a história começou, se eu me lembro bem, foi durante o soar do sinal do colégio numa ensolarada tarde de outono, dois dias após o retorno das aulas.

Provavelmente, a maioria das histórias de adolescentes começa no colégio. Pois bem, é uma fase especial, como minha mãe gostava de enfatizar. Uma fase onde todos os problemas jovens se tornam maiores e insolucionáveis, mesmo que seus obstáculos se resumam em primeiras vezes, notas baixas e o curioso caso da carta de universidade.

Não que eu ache que há qualquer coisa que minha mãe deveria se queixar. Aliás, ela estufava o peito toda vez que se referia a mim para as amigas da igreja. Eu fui disciplinado, com um histórico escolar que poderia me levar à Yale.

Estudar na Columbia High School era, provavelmente, o meu único mérito de destaque — ao menos que considere meu alto “score” no ultrapassado Candy Crush —. Veja bem, Columbia é muito mais do que um colégio de mauricinhos da parte elitista de Nova Iorque. Havia uma imensa referência de professores e um peso enorme para ocupar de educação básica. E, sim, quando você vem de uma família, em falta de palavras melhores, não-elitista, a CHS provavelmente será o maior mérito para exibir por uns anos.

Em uma necessidade enorme de desmistificar a fama do colégio – e estereótipos de adolescentes nos incontáveis filmes do gênero — não posso reclamar de todo meu período escolar. Não há jovens afundando a cabeça dos outros em privadas ou derrubando materiais nos corredores. Porque, novamente, Columbia tem status. O que significaria que o narcisismo dos millenials é real a ponto de não se preocupar em sequer provocar outra pessoa, ou, na melhor das hipóteses, os alunos são extremamente aplicados e focados nas aulas que realmente a coisa toda de diminuir os outros ficou ultrapassada.
Era uma incógnita, pelo menos, para mim, que havia passado os últimos anos na mesma confortável bolha social.

Não era como se eu fosse um total novato. Já me apaixonei, me iludi e desiludi o suficiente por três anos. E nos últimos dois semestres do meu período colegial minhas preocupações seriam as últimas provas e continuar o ano despercebido até a formatura.

Então o último sinal tocou, fugido da aglomeração de estudantes se empurrando para sair o mais rápido possível dos portões, esperava no banheiro, escorado no batente de uma das pias, em uma incansável conversa com Brendon.

Veja bem, se por um lado, desejo quebrar os estereótipos que rodam sobre os jovens riquinhos, me contradigo por admitir que Brendon Urie parecia sair das telas de Meninas Malvadas. Ele conseguia manipular quem quisesse, usava sua passiva-agressividade como arma e beirava a superficialidade, formando um império com a sua imagem desde que era um calouro na Columbia.

Não entenda mal, ele era um dos meus melhores amigos desde o segundo ano. Talvez por ser tão contraposto a mim, foi o que gerou o ambíguo interesse em andarmos juntos, sendo praticamente complementares. Brendon era a parte mais aventureira que eu compartilhava e, bem, eu era o protótipo de garoto cristão que a sua família admirava, a sua mãe ainda achava que eu seria uma boa influencia.
 

Brendon, como a reencarnação de Narciso, estava dedilhando seus cabelos de todas as formas que conseguia, sem tirar sua atenção do espelho, começou:

— Então, estou apresentável?

— Como o Ken Humano. Podemos ir para o refeitório agora?

Brendon fingiu-se ofendido, continuou brincando com os fios.

— Não. Por causa da sua infame comparação, vou começar tudo de novo.

Patrick havia chegado logo depois, provavelmente foi engolido pela multidão de adolescentes enquanto saía da sua sala.
Ele era baixo, facilmente confundido com algum calouro do primeiro ano. Se Brendon e eu éramos extremos polares, Patrick Stump estava no meio, o garoto era um nerd, excelente em tudo que se propunha a fazer, o que impressionava era que, em contrapartida, tinha um longo histórico de fugir de casa e matar aulas, o que agora, havia se tornado um grande problema e tentava permanecer na linha.

Logo jogou sua mochila no chão e levou os óculos a uma das pias e começou a lavá-los.

— Ele ainda está se arrumando pro aluno novo? Eu quase cheguei atrasado à aula de história por causa dele.

— E eu vou chegar atrasado para conseguir o meu almoço. — Reclamei me apoiando no batente de um dos boxes. — Precisa mesmo de tudo isso?
 

Brendon finalmente virou contra o espelho, aparentemente satisfeito com sua imagem, mas nem um pouco satisfeito com o meu comentário. Ele soltou o ar pelo nariz e relaxou os ombros, exausto de repetir a mesma coisa. Era óbvio que nós sabíamos o que ele iria dizer, mas o fez mesmo assim.

— Essa espelunca não recebe alunos novos há dois anos. Não é como se nós pudéssemos deixar uma má impressão. A gente não sabe como ele é.

De fato, desde que chegamos ao ensino médio, convivíamos com as mesmas pessoas, e logo no primeiro dia, descobrimos que o Pete seria o monitor do novo aluno, que havia sido transferido não só de escola, mas de cidade.
Pete era do grêmio, o que significava que era o responsável por deixar os recém-chegados confortáveis e não significava, necessariamente, integrá-lo na nossa turma, ma Brendon fez questão que o garoto se sentasse conosco durante o almoço, ainda mais quando ouviu que dos boatos que ele havia sido expulso do seu último colégio depois de uma briga.

Bem, eu não escondi que estava desconfortável com a idéia.

— Não é como se ele fosse andar com a gente, de qualquer jeito.

— Talvez. Mas eu andei stalkeando ele no facebook e eu te garanto: Ele está na minha lista.

— Porque sua lista é um parâmetro de ótimos garotos, como o Ryan... — Murmurei. Patrick abafou o riso, encoberto com uma falsa tosse. Eu não tinha certeza se Brendon não ouviu ou fingiu que não ouviu, mas foi o suficiente para que ele desse a sua última checada no seu reflexo para que saíssemos do banheiro e caminhássemos para a cantina.

Então era o dia de conhecer o garoto, e eu, sendo extremamente sincero, estava agindo como uma criança, mas não me sentia arrependido, eu nunca lidei bem com mudanças, e se a mudança significasse que um arruaceiro estivesse almoçando conosco, então isso me dava nos nervos.

Brendon havia se prontificado para buscar o almoço, o que era sinônimo de escravizar a maquina de snacks para conseguir um pacote de Lay’s, barras de chocolates e uma lata de refrigerante para dividir entre quatro caras esfomeados. Puxei Patrick pela manga do seu suéter vermelho para a mesa vazia mais afastada, enquanto desviava das outras turmas.

Se eu disse que Patrick era extremamente bom em tudo o que fazia, esta foi a prova: Duas semanas antes das aulas voltarem, o cara devorou cinco livros da Agatha Christie, e agora estava sentindo um detetive à altura de Hercule Poirot. Assim que se sentou, de frente pra mim, franziu o cenho.

— Você dormiu de calça jeans na noite passada?

— Quê? — Perguntei, enquanto começava outra partida do meu jogo no celular.

— O seu humor está péssimo.  A sua cara também.

Nesse momento devolvi meu celular no bolso e o encarei de volta, incrédulo.

— Quê? — Perguntei de novo, eu havia ouvido e entendido muito bem, mas eu precisava de tempo para formular uma resposta para aquele projeto de insulto.

— É que estou custando acreditar que você está de cara amarrada por causa do aluno novo.

Cheque mate. Bingo. Tanto faz, não respondi. E ele sabiamente interpretou como uma confirmação.

— Ah, meu Deus.
Patrick bufou, porque ele não lidava muito bem com o meu lado dramático.

— Eu só gosto da nossa turma do jeito que ela está, agora. – E quando falei isso em voz alta, pela primeira vez, era como se a minha consciência finalmente estivesse se pronunciando.
Sua insegurança por abandono está aparecendo, querido. Imediatamente continuei: — Você ouviu o pessoal? Disseram que ele é violento, que a família teve que se mudar por causa do comportamento dele.

Então, Patrick, que antes estava com o rosto afundado nas mãos, abriu uma fresta entre os dedos para me fitar, então arrumou a sua postura.

— Tyler Robert Joseph, você agora acredita e espalha fofocas?
 

Meu rosto corou.

— Não! Quer dizer, não é fofoca...

— Como você mesmo disse, não é como se ele fosse andar com a gente. Espera só ele sair da lista do Brendon e tudo volta ao normal.

E quando se fala no diabo, ele aparece. Assim como o bendito apareceu com a bandeja logo após seu nome ser proferido.

— Acalmem-se, camponeses, o seu rei chegou para a satisfação de vocês. – Brendon fez sinal para que Patrick mudasse de lugar, e assim ocupou o assento, depositando aquela quantidade absurda de produtos industrializados prontos para ser consumidos naquela manhã.

— Então, o que volta ao normal?

— O tamanho da sua testa voltará ao normal. – Respondi, desviando o assunto o máximo que podia — Mas acho que o Patt não podia estar mais equivocado.

Brendon fingiu ofensa, Patrick revirou os olhos. E na minha tentativa de arrancar meu pacote de Lay’s da sua bandeja, ele o tomou de volta, puxando pra longe de mim.

— Mostre mais respeito, servo! – Ele proferiu — Você terá sua refeição quando pedir desculpas. Eu quero que você diga “Perdoe-me majestade Brendon Urie, eu prometo ser obediente”.

— Perdoe-me vossa majestade por ser amaldiçoado com uma cabeça tão grande e um cérebro minúsculo.

Na segunda tentativa de conseguir minhas batatas, me debrucei na mesa do refeitório, atacando a mão que segurava o pacote acima da sua cabeça.

— Pega, Patrick! – Brendon gritou.

Mas Patrick não pegou o pacote, nem sequer percebeu quando a embalagem amarela sobrevoou sua cabeça e pousou no chão. E antes que qualquer um tivesse o reflexo para pegá-la – ou para buscar a imagem em que Patt se concentrava, um tênis pisoteou e o som de todo meu almoço se partindo ecoou na mesa.

— Ele ‘tá tão fodido. — Disse Brendon, rindo, para ninguém especificamente

Então geralmente a cena presenciada poderia ser o motivo de vergonha. E, em qualquer outro momento eu estaria colocando um saco de papel sobre minha cabeça para poder me esconder. Por outro lado, esse fatídico dia, minha única reação foi sair da mesa e devagar voltar para meu assento. Olhei com pêsames para as minhas batatinhas esmagadas, antes de olhar para o assassino que havia chegado, sem certeza de quando o meu queixo havia caído.

— Merda! – Foi a primeira palavra que ouvi — Me desculpe, sério. Que droga, sinto muito!

Um rosto para combinar com o nome que estava me familiarizando nos últimos dois dias. Com certeza, aquele era o Joshua, igualmente como imaginávamos. Ele tinha alargadores, um piercing no nariz, cabelos vermelhos e definitivamente usava roupas da Hot Topic.

E eu nunca odiei tanto alguém quanto Joshua naquele momento.

Para minha surpresa, se esse era o punk-arruaceiro-vândalo que se especulava nos corredores, agora eu só conseguia comparar com um filhotinho. Eu tinha que admitir, ele foi o único que mostrou compaixão pela minha perda, porque atrás dele, Pete compartilhava um semblante com os outros, quase gritando “Rainha do Drama”.  Então ele deu um tapinha nas costas do aluno novo e convidou para sentar.

— Relaxa, cara! Tyler é só um fetichista por junk food. – Pete o tranqüilizou. — E esse é o Patrick, mas eu costumo chamá-lo de Patt, Pattycakes ou Lunchbox.

— E você pode não me chamar de nenhuma dessas coisas.

— E vocês podem me chamar só de Josh.

— Estamos dando apelidos agora? – Brendon se pronunciou enquanto arrumava sua postura, apoiando os cotovelos na mesa e as mãos segurando seu rosto — Você pode me chamar de majestade, sua alteza, príncipe Urie ou de amor.

Poupei meu fôlego uma vez que já havia sido apresentado, e Patrick fez uma oferta silenciosa para que eu pudesse pegar alguns dos seus Doritos. Aceitei, rezando internamente para que o horário acabasse mais cedo naquele dia.

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Acabou que Joshua se acomodou no grupo melhor do que eu esperava, e, bem, ele se acomodou no grupo melhor do que eu. Não que fosse admitir isso em voz alta.

Fui passos à frente, para prevenir meu atraso, já que meus amigos tinham um péssimo costume de rastejarem como caracóis toda vez que precisávamos voltar para a sala. Mrs. Roweland já não ia com a minha cara e eu precisava aprender trigonometria antes dos testes.

Eles não pareciam se importar, porque riam escandalosamente atrás de mim. E, muito provavelmente, as risadas eram só do Brendon e do Pete, mas parecia valer por pelo grupo inteiro. Parei em frente à porta 301, esperando que os outros passassem para que pudesse entrar.

— Eu vou levá-lo até a próxima sala, mas nos vemos na saída. – Pete avisou mais para o Patrick do que para qualquer outro, mas Brendon se adiantou em seu lado, com o braço em volta do pescoço do Joshua.

— Joshie, querido, me deixa ver seu horário. Nós podemos ter aulas em comum.
Então, sutil como só ele, puxou para mais perto o papel com a planilha de horários, focando na quarta-feira. E assim, logo se desvencilhou do garoto confuso.

— Como ousa? – Foi tudo que conseguiu proferir. Então viramos em direção dos dois, e antes que pudéssemos ver por nossa conta, ele continuou. — Você faz parte da banda?  

A última palavra foi proferida com desgosto, porque, como não poderia?

 Isso o deixou ainda mais confuso.

— Qual o problema? Pete também está nas aulas, não está?

 —– Pete está no coral também e isso não contribui para que seja algo bom. – Patrick começou. Ele odiava essa história. — Você iria descobrir em algum momento que a banda e o coral têm certa rivalidade.

— Certa rivalidade é a definição entre o teatro e os atletas. O nosso caso é sobre inimigos mortais declarados.

Josh havia piscado ao ouvir o discurso do Brendon.

— Mas isso é pra tanto?

— É, é pra tanto. – Respondi pela primeira vez. — Por causa da banda nós não participamos das finais no ano passado. Então, sim, nós somos inimigos declarados.         

Certo, ao final da minha frase, não sabia mais se relacionava contra nossas matérias ou eu mesmo contra Josh, e talvez nenhum de nós soubéssemos. Recebi os olhares questionadores dos outros três, porque, de fato, eu nunca me importei com a história toda.

— Então... – Ele começou, batendo o dedo indicador contra a alça da mochila. Nesse momento, a turma já havia entrado e nós éramos os únicos no corredor, mas eu havia perdido o interesse de entrar na sala. — Vocês estão me expulsando do grupo?

A pergunta saiu com um riso abafado, mas quase pressenti uma voz trêmula que temia a resposta.

— É claro que não, você será um ótimo espião contra eles. – Brendon apontou. — Você está do nosso lado, não está, Joshie?

— Bem, o que eu preciso fazer?

Então ele estava concordando.

— Antes de tudo, vamos nos reunir na minha casa. Isso tem que ser discutido em sigilo.

Eu quase podia ver as engrenagens rodar sobre sua cabeça do Brendon. Até então, não havia levado a sério a história de vingança contra a banda que havíamos tido no ano passado. Senti um leve calafrio percorrer minha espinha. Patrick recuou. Pete mordeu o lábio, imaginando o que estaria por vir.

 

— Isso não vai dar certo. – Proferi em silêncio, antes de entrar na sala de aula.


Notas Finais


Deixem-me saber o que acharam. Vamos conversar, sou extremamente carente e desesperada por atenção.


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