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História Sinner - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Capítulo 11


     – Você realmente acha que pode matar alguém segurando uma arma com um lenço? – Eric pronunciou as palavras com calma enquanto entrava no quarto, observando o sobrinho ao perceber que ele não lhe daria uma resposta verbal. O olhar de pouco caso que Brandon o direcionava era mais do que suficiente. – Se for fazer algo, ao menos faça direito. – O homem jogou o par de luvas de couro fino na direção alheia, acertando-o propositalmente no rosto. – Você sabe que não está seguro lá, eu não tenho influência nenhuma naquela cidade. Deveria sair de lá o quanto antes.

     – Frank, tio. Frank. – Brandon escorregou a mão esquerda dentro da luva, fechando e abrindo os dedos para se acostumar com a sensação. – Ainda não é hora de trazê-lo para cá. – Brandon vestiu a outra luva antes de pegar a arma outra vez, apontando-a na direção do rosto alheio, o que lhe arrancou uma risada sincera.

     – Por Deus, Brandon! Tudo o que você é, você deve a mim. Acha mesmo que consegue me intimidar? Pare de ser idiota e me diga, quando você vai concluir tudo? – O homem mais velho manteve a postura enquanto tateava o bolso interno do paletó em busca do maço de cigarros.

     – Logo. Dezembro, provavelmente. – Brandon abaixou o revólver enquanto o tio acendia o cigarro, jogando o maço quase vazio e o isqueiro na direção alheia. – Um imprevisto apareceu, mas eu vou cuidar disso. – O olhar presunçoso desceu até o revólver enquanto os dedos magros puxavam um cigarro para fora, segurando-o entre os lábios antes de acender. 

     – Ele te pertence, não esqueça disso. – Eric pronunciou as palavras em meio a fumaça densa, observando a expressão alheia se iluminar.

     – Eu sei. E nada vai mudar isso. Nada e nem ninguém. – Brandon jogou as costas contra o colchão macio, fechando os olhos enquanto deixava os lábios exibirem um sorriso sincero. 

     Acreditava cegamente naquilo e sentia-se grato ao tio por ter aberto seus olhos para o fato de que Frank havia nascido para ser seu, não importando o quanto tivesse que esperar. Eric tinha idade para ser seu pai e, praticamente, era como se fosse. Os progenitores nunca lhe deram muita atenção, sequer carinho ou cuidado, mas Eric fora diferente. A única forma de amor que havia conhecido dentro de sua família apareceu para ele quando tinha quinze anos, carregado com todo o domínio que tinha na cidade e mais dinheiro do que Brandon era capaz de imaginar.

     Sabia que seu tio continuava parado diante de si, mas não se importava. Era como se conseguisse sentir os olhos acinzentados pesando sobre si, tal como se o mais velho estivesse se perguntando se Brandon realmente era capaz de fazer aquilo sem acabar sendo pego. 

     Eric Roberts era um homem inteligente, aquele que havia ensinado Brandon como enganar a qualquer um para que suas verdadeiras intenções não fossem notadas. Carregava em si uma frieza que não parecia ser capaz de pertencer a um ser humano e isso era algo que nem mesmo seu sobrinho conseguia perceber. Na verdade, Brandon sequer notava que, para Eric, ele era apenas mais uma peça em seu jogo.

     Uma peça importante, mas descartável. 


                                           sin·ner


     Amar Frank era fácil, quase viciante. Gerard sabia que tudo acontecera rápido para os olhos alheios, mas não havia outra possibilidade para si; Jamais deixaria escapar a única chance que já teve de ser completamente feliz. 

     – Meu pai acha que não devemos ficar juntos. – O ruivo pronunciou num único fôlego enquanto ajudava Frank a dar o nó em sua gravata borboleta. Tê-lo tão próximo era algo que continuava a bagunçar seus pensamentos da forma mais doce possível, afinal, era difícil se concentrar sabendo que poderia lhe beijar a qualquer instante. 

     – E o que você acha? – Mesmo com o nó pronto, Frank não parou de observá-lo para ver no espelho como havia ficado. Sabia que a voz havia saído trêmula e que o outro notara isso, mas não seria capaz de esconder o quanto uma única frase lhe deixou nervoso. 

     Causar qualquer problema para Gerard era tudo o que não queria. 

     – Que ele deveria cuidar da vida dele. – Deu ombros antes de beijar os lábios alheios, segurando-o carinhosamente pelos braços antes de virar seu corpo lentamente na direção do espelho. – Estou impressionado que ainda me lembro como fazer isso. 

     – E sua família, Gerard? Seu emprego? – Frank sorriu por um instante, mas a preocupação era evidente em seu olhar. – Ficou ótimo, obrigado.

      – Qualquer um que realmente se preocupe comigo, vai querer a minha felicidade, Frank. E a minha felicidade tem o seu nome em cada detalhe. – Sorriu em um agradecimento mudo enquanto o outro lhe entregava o blazer do smoking. – Quanto ao emprego, eu consigo encontrar outro... Só não vou ser capaz de achar alguém que me complete como você faz. 

     O moreno lhe abraçou com cuidado para não amassar as roupas sociais, escondendo o rosto na curva do pescoço alheio. Um silêncio confortável envolvia os dois, mas Frank poderia jurar que era capaz de ouvir as batidas do próprio coração, que acelerava enquanto ele tentava não pensar que o amor dos dois era algo errado. 

                                           sin·ner


     
Frank tinha certeza que não seria uma cerimônia pequena, mas nem mesmo em seus sonhos conseguia imaginar algo tão descomunal simplesmente para celebrar a união de duas pessoas. A mãe dos irmãos Way estava sentada entre seu marido e o diácono, mas Frank não tinha não tinha coragem para o olhar, mesmo que de soslaio.

     Isso o fazia entender porque Gerard sofria tanto com a rejeição das pessoas que sequer lhe conheciam. O ser humano era falho, por isso ele acreditava tão cegamente no julgamento divino. E, obviamente, Frank também era humano e também poderia julgar a situação de forma errada. 

     Talvez estar ao lado de Gerard fosse o que ele queria, mas não o melhor para ele mesmo. No momento em que ele tentava se aproximar outra vez da família, o diácono não queria ser um problema.

     Os pensamentos dançavam em sua cabeça e isso o deixava nervoso. O medo de errar, de prejudicar alguém que tanto amava, o receio de não corresponder as expectativas alheias... Frank tentou se distrair com a cerimônia em sua frente, a linda quantidade de flores que decoravam aquele lugar que mais parecia um castelo ou o tamanho absurdo do lustre acima de si, mas nada parecia funcionar. Sentir o perfume de Gerard tão perto de si o trazia de volta para a batalha interna do quanto o amava e o fato que, se fosse o melhor para o ruivo, iria sair da vida dele.

     Poderia ser culpa do instinto materno ou, talvez, o nervosismo de Frank era fácil de perceber. O fato é que, no instante em que a mãe de Gerard segurou sua mão e a acariciou com o polegar, o moreno entendeu o que ela queria dizer.

     Você não está sozinho. 

     
Um sorriso sincero apareceu enquanto ele a observou, colocando a própria mão sobre a dela.

     – Obrigado. – Frank murmurou sabendo que ela entenderia e, como resposta, ela moveu a cabeça numa discreta afirmação, sendo elegante como sempre.

     Às vezes, antes de dormir, Frank pensava em como seria sua vida se não tivesse sido abandonado pelos pais.

     A cerimônia foi seguida por um jantar breve e teve, enfim, uma festa que mais parecia a oportunidade que todos esperavam para tratar de negócios. 

     – Pessoas ricas não dançam? – Frank sussurro ao mais velho, sorrindo com o riso bobo que arrancou dele.

     – Pessoas entediantes não. Você quer dançar? – A melodia lenta preenchia o salão amplo, mas todos permaneciam em suas mesas.

     – Não aqui, com todo mundo sentado.

     O ruivo pediu licença antes de se levantar e trazer o mais novo consigo. Caminharam entre as mesas até uma das portas de acesso à enorme sacada que, no segundo andar, tomava conta de toda a fachada. Estava deserta tal como ele imaginara, mas ainda conseguiam ouvir a música perfeitamente.

     Os braços do mais novo envolveram a cintura alheia enquanto sentia as mãos dele sobre seus ombros. Movimentavam os corpos no mesmo ritmo lento, por vezes selando os lábios de forma demorada.

     – Será que ainda iremos dançar dentro do salão em algum casamento? Porque essa já é a segunda vez que precisamos escapar para isso. – Frank brincou e um riso bobo surgiu entre os lábios alheios. 

     – No nosso casamento, todos irão dançar. – O ruivo ainda sorria, mas o tom de voz passava sinceridade.

     – Gerard... 

     – Hm?

     – Não brinque com algo sério. 

     – Não é brincadeira. Você acha que eu quero passar a vida sem você do meu lado? Nunca! Se você não quiser casar, tudo bem... Eu só não quero ficar sem você. 

     – Eu também não quero ficar sem você. – O tom foi tão baixo que as palavras quase foram abafadas pela música.

     – Então não fuja de mim. – Gerard deitou a cabeça no ombro alheio, deixando um beijo em seu pescoço. 

     – Para sempre, Gerard?

     – Para sempre. – Murmurou por conta da proximidade, beijando-o outra vez enquanto sentia os braços apertarem sua cintura de forma carinhosa.

     – Gerard?! – A mulher loira parou diante dos dois. As mãos delicadas repousavam na cintura e os olhos quase fechavam por conta do sorriso imenso diante da cena.

     – Stefani! – O ruivo sorriu, observando o diácono em seguida. – Stefani, Frank. Stefani, Frank. – Moveu a cabeça conforme lhes apresentava, puxando-a em um abraço desajeitado, já que continuava com uma das mãos no ombro do mais novo. – Frank, essa é Stefani. Nos conhecemos na faculdade, ela é a melhor advogada que você vai encontrar e, definitivamente, uma amiga de verdade. – A moça abraçou Frank, dessa vez, enquanto murmurava que era um prazer lhe conhecer. Quando o moreno pensou em se apresentar, Gerard foi mais rápido. – Frank é a pessoa mais incrível desse mundo e, também, meu namorado.

     O mais novo lhe observou com um sorriso bobo antes de observar a loira diante dos dois. 

    Gerard engatou uma conversa com a amiga enquanto mantinha o braço em torno da cintura do diácono que, por mais que fosse incluído na conversa em alguns momentos, só conseguia pensar em seu namorado.

     Quando ele se afastou para buscar algo para beber, Frank sentiu-se nervoso por um único segundo antes que Stefani iniciasse uma conversa. Ela era legal, autêntica. Sentia sinceridade nela e, o mais importante, que ela realmente apreciava Gerard como ele merecia.

    
                                        sin·ner    


     Enquanto seguiam no caminho para casa, pararam na primeira pizzaria que encontraram aberta e, em menos de quinze minutos, estavam sentados no chão com as costas contra o sofá, comendo pizza e trocando carinhos.

     – Achei que só eu estivesse com fome. – Frank segredou tímido, puxando outra fatia de pizza. 

     – Eles fecharam um contrato com uma revista de casamentos, então escolheram o menu mais... Fotogênico. Vão ter uma edição só sobre o casamento deles. – Gerard comentou como se fosse algo corriqueiro, mas o outro preferiu não falar nada. 

    Entendia que tinha uma vida diferente da qual o outro estava acostumado e que questionar isso não era justo. 

     – Amanhã vamos voltar... Não? – O moreno comentou com o olhar baixo, sem saber ao certo o que e como iria acontecer. 

     – Eu quero ficar com você. Se você quiser viver lá, tudo bem. Eu já estava trabalhando remotamente, vou precisar vir pra cá umas duas vezes por mês... Ou você vem morar comigo aqui. – O tom de voz lhe passava certeza. Gerard sentou-se de lado, apoiando o braço esquerdo no sofá enquanto usava a mão direita para acariciar a lateral do rosto alheio. O cabelo continuava penteado para trás e aquilo o fazia sorrir.

     – E o que eu vou fazer da minha vida aqui?

     – O que você quiser. – Deu ombros, arrastando as costas da mão na curva do pescoço dele. – Você é jovem demais para achar que não existem outras opções em seu futuro. 

     – Talvez uma tatuagem, um dia, quem sabe. 

     A informação fez Gerard rir, completamente apaixonado pela naturalidade do diácono. 

     – Aqui? – Beijou devagar a curva do pescoço alheio, sorrindo contra a pele macia ao sentí-lo estremecer.

     – Uhum... Talvez algo que você desenhe. – Ofegou ao ganhar um novo beijo, levando a mão aos fios vermelhos do mais velho. 

     Os dois sabiam que aquilo acabaria com ambos nus, ofegando abraçados e trocando promessas sobre como estariam juntos naquele momento e para sempre. O ruivo, mais uma vez, adormeceu tranquilo na proteção do abraço alheio.

     E, quando acordaram, prometeram que era o começo de uma nova parte na vida dos dois. Estavam felizes, sequer haviam trazido as roupas de Frank de volta, afinal, o plano era buscar suas coisas. Sabia que o moreno estava nervoso, observava-o de soslaio enquanto rezava no banco do passageiro, não ousando lhe interromper. 

     Depois de deixar sua avó em casa, dirigiu na direção da igreja, reduzindo a velocidade ao ver duas viaturas estacionadas. Algumas pessoas já estavam amontodas do outro lado da rua, cochichando sem conseguir esconder a curiosidade maldosa de saber o que estava acontecendo. 

     Gerard encontrou Jared em meio aos outros policiais, pedindo a Frank para ficar no carro enquanto iria verificar o que aconteceu. 

     Era claro que o diácono não obedeceria.

     Frank, na verdade, correu na frente de Gerard até alcançar Jared.

     – O que está acontecendo? – O investigador interrompeu os passos de forma abrupta, tentando não tropeçar no menor. 

     – Frank, eu preciso que você fique calmo. – Jared odiava que se metessem em seu trabalho, mas não conseguia deixar de lado o quanto se sensibilizava com o mais novo. – Por favor. 

     E, antes que o diácono conseguisse formular qualquer outra pergunta, viu Bob saindo algemado de dentro da casa, sendo escoltado pelo mesmo policial ruivo que sempre via em frente a delegacia e outro moreno. 

     – Eu não fiz nada! Eu juro por tudo o que há de sagrado nesse mundo, eu não fiz nada. – O tom de voz do loiro era alto, desesperado. A pele avermelhada do rosto estava úmida por conta do choro assustado e, no instante em que seus olhos azuis encontraram os de Frank, ele chorou ainda mais. – Frank, eu não fiz nada! 

     Gerard parou atrás de Frank, segurando-o pelos ombros para evitar que ele avançasse na direção de Bob. Sentia o moreno tremer e isso o fez querer somente tirá-lo dali o quanto antes. Ainda mais pessoas estavam aglomeradas do outro lado da rua e, por mais que um terceiro policial tentasse dispersar a situação, elas insistiam em ficar ali. 

     Bob foi colocado dentro do carro e uma das viaturas partiu rapidamente, passando pelo carro do jornal da cidade antes de virar em outra rua. 

     – Jared... 

     – Se você quiser ajudar, Gerard, arrume um advogado para ele. Um advogado bom, porque ele vai precisar. – Observou de soslaio o carro da imprensa estacionando, voltando a atenção ao ruivo. – Tire Frank daqui. Agora!

     A opção mais rápida que tinha era o levar para dentro da casa que, até então,  ele morava. E foi o que fez. Conduziu o diácono, em choque, para dentro da casa, sentando-o sobre o sofá. 

     – Respira, por favor. – Frank continuava tremendo, balbuciando palavras que não se conectavam totalmente enquanto tentava raciocinar o que havia acontecido. Bob era seu amigo desde que conseguia se lembrar de ter um amigo; O amava e acreditava na bondade dele, o que tornava ainda mais difícil entender que ele havia feito algo ruim. – Eu prometo que vai ficar tudo bem. – Se abaixou na frente dele, segurando suas mãos com firmeza para passar segurança antes de as beijar. – Eu vou pegar algo para você beber, Frankie. 

     Praticamente correu na direção de onde julgava ser a cozinha, abrindo as portas dos armários de madeira escura em busca de um copo. O desespero era tanto que, em um primeiro momento, sequer notou Brandon parado perto da janela, espiando a confusão de dois repórteres, fotógrafos, a polícia e os curiosos que continuavam por ali. O padre, que ainda sorria satisfeito, virou-se na direção daquele que sequer havia notado sua presença, falando alto o bastante para ele ouvir e baixo o suficiente para que suas palavras não escapassem daquele cômodo. 

     – Parece que Bob gosta de assassinar senhoras indefesas. – O sorriso cínico aumentou ao que assustou o ruivo, fazendo-o derrubar o copo no chão ao que virou o corpo na direção alheia. – Cuidado.  Sua avó está na faixa etária da vítima dele.

     Enquanto Brandon ria baixo, Gerard avançou movido pela raiva, parando a centímetros do mais velho.

     – Eu não sei o quê você armou, mas você vai ser pego, seu desgraçado. 

     – Eu? Nada. Encontraram DNA na área do crime. – Deu ombros, medindo o ruivo de cima a baixo. – Você que é um idiota paranoico que acha que eu sou uma pessoa ruim. – As mãos de Brandon encontraram o pescoço pálido de Gerard, testando como seria enforcá-lo. Antes que conseguisse fazer qualquer coisa, o punho do ruivo lhe atingiu certeiro na lateral do rosto, fazendo-o afastar as mãos sem mover o corpo. – Oh, Way... Eu ia te dar uma chance. Eu juro que ia. – O riso saiu soprado enquanto os dedos longos e finos tocavam a área atingida. Gerard estava pronto para se esquivar de qualquer coisa que ele pudesse usar contra si, mas tudo que Brandon fez desviar de seu corpo, andando para fora da cozinha enquanto sussurrava. – Frank me pertence. E eu vou tomar aquilo que é meu.



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