História Sinners - Capítulo 3


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Categorias The Thundermans
Personagens Max Thunderman, Personagens Originais, Phoebe Thunderman
Tags Mabe, Max Thunderman, Phoebe Thunderman
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Palavras 2.687
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - .olhares.


Fanfic / Fanfiction Sinners - Capítulo 3 - .olhares.

Narrado por Phoebe Thunderman

Os olhos são a janela da alma. Isso é um termo um tanto romantizado nos dias atuais. Através dos olhos você pode enxergar fundo e talvez, com muita perspicácia e atenção, descobrir o que uma pessoa pensa ou sente em determinado momento.

Eu gostava disso. Amava, para ser sincera.

Sabia exatamente quando minhas amigas mentiam, quando estavam apaixonadas e quando tinham algo as incomodando. Pelo olhar.

E quando usava isso com Max, na maioria das vezes era para saber onde ele havia escondido meu sapato ou que tipo de pegadinha havia feito no meu quarto.

No entando, no instante que desci as escadas e olhei para ele, eu vi uma coisa em seus olhos.

Estava zangada – furiosa! – por ele ter me forçado a sair quando tudo que queria era ficar deitada e refletir.

Mas quando o vi se levantar, pronto para reclamar da minha demora, e parar no meio da frase enquanto me via descendo, eu vi algo diferente. E senti algo diferente.

Olhei para ele e vi seus olhos cintilarem. Sua boca se entreabriu um pouco e tive de abrir um sorriso. Ia considerar aquilo um elogio.

Max me olhou de alto abaixo e quando cheguei na ponta da escadas e andei até ele, piscou várias vezes tentando tirar os olhos dos meus. Eu mesma não facilitava. De certa forma, era muito bom ver meu irmão sem fala e tão vulnerável.

Sorri de lado.

– Pronto, maninho? – perguntei levantando uma sobrancelha. 

Max limpou a garganta e desviou o olhar para os nossos pais, reassumindo sua postura confiante de sempre.

– Estamos saindo – avisou Max.

Mamãe e papai não desviaram os olhos da televisão.

– Tá, tá meus amores, se divirtam – disse mamãe com um aceno da mão para o que ela pensou ser nossa direção. Suspirei e segui Max para a porta dos fundos, ele abriu e me permitiu passar a sua frente e saiu fechando a porta atrás de nós.

– E onde nós vamos? – perguntei enquanto Max jogava as chaves para cima e agarrava no ar. Entramos na Thundervan e estava colocando o cinto quando Max respondeu.

– Tem um bar no centro – respondeu ele – Vai ter um daqueles shows ao vivo. Algum cantor amador.

– Não estou com ânimo pra festas, Max – resmunguei enquanto o motor rugia e ele arrancava.

– Não vamos a nenhuma festa – ele deu de ombros – Acredite em mim, ninguém vai lá a não ser uns casaizinhos que não querem ser descobertos, idosos jogando pocker e nerds que querem beber sem riscos de fazer loucuras.

– E nos enquadramos com os nerds? – perguntei olhando pela janela, tudo estava calmo demais para uma sexta feira.

– Nos enquadramos no grupo "irmãos entendiados saindo pra desfrutar da companhia um do outro" – me virei para ele que me olhou lançando um sorrisinho antes de voltar a encarar a estrada.

– Eu não queria sair – disse desenhando um coração partido invisível no vidro.

– Eu sei – disse Max virando em uma esquina – Mas, como uma boa irmã, você vai se divertir comigo hoje. Deveria agradecer, tem a chance que muitas garotas matariam para ter: uma noite todinha com Max Thunderman.

Revirei os olhos. O ego dele ainda estava intacto. 

●------■------●

O lugar ficava realmente no centro, cerca de vinte minutos da nossa casa. Assim que Max estacionou em uma vaga do outro lado da rua e bati os olhos na construção, percebi o tipo se bar que era aquele e fiquei um tanto aliviada.

Era um prédio antigo, e tinha um ar retrô já na fachada.

Desci do carro e logo vi Max parar ao meu lado. Ele sorriu me olhando com o canto dos olhos. A rua estava deserta e eu diria o mesmo do bar de tão silenciosa que a noite parecia.

– Vamos logo, eu estou com fome – disse ele. 

Caminhei ao seu lado e Max abriu a grande porta de grades francesas para que eu passasse. Olhei para ele desconfiada, ele nunca abria portas para mim. Na verdade estava acostumada com ele deixando que elas batessem na minha cara.

Mas resolvi não dar motivos pra discutir com alguma piadinha e estragar o bom humor dele, então apenas entrei.

Era perfeito. Me senti entrando em um barzinho em Paris, podia sentir o cheiro de algo delicioso no ar, ouvia o som suave de um violão. As luzes eram fracas e deixavam tudo...romântico.

Porque Max me levaria ali?

Era exatamente o tipo de local que ele poderia levar Allison. Com certeza ela cairia aos pés dele no instante que cruzasse a porta.

– Com licença – uma mulher interrompeu meus pensamentos se aproximando de nós com um sorriso cordial – Mesa para dois?

– Sim, na varanda – disse Max.

Franzi a testa e olhei para ele que apenas ignorou.

– Me sigam – disse a recepcionista. Nós o fizemos, e Max ainda seguia ingorando meus olhares duvidosos. Seguimos a mulher até uma escada de metal estreita no fundo do bar e subimos.

Haviam cerca de quatro lances de escada, já estava exausta quando chegamos finalmente diante de outra porta com grades francesas. Ela abriu e deu passagem.

– Vou pedir que um garçom venha atendê-los – disse a mulher.

– Obrigada – agradeci diante do silêncio do meu irmão. Max sinalizou para a porta e passei a frente dele, ainda desconfiada.

Mas assim que me vi na varanda no alto daquele prédio antigo, eu entendi completamente.

– Max... – sussurrei maravilhada com a visão. Não conseguia tirar os olhos. Era alto suficiente para ver por cima de quase todos os prédios do centro. Avistar a praça, as luzes nas ruas e os carros nas avenidas. O parque de diversões a alguns quilômetros, cintilando como um pedaço qualquer de Las Vegas. A varanda era rodeada por uma grade preta, onde roseiras se agarravam as forrando com folhagens verdes e flores vermelhas. 

Por fim, haviam algumas mesas vazias, com um candelabro antigo sobre cada uma.

– Eu te disse que ia ganhar o que qualquer garota mataria para ter, irmãzinha – Max disse enquanto se direcionava a mesa mais afastada, quase encostada nas grades de proteção.

Puxou uma cadeira e sacudiu a cabeça na direção dela. Sorri impressionada e me sentei, ele deu a volta e se sentou a minha frente.

– Eu nunca tinha visto esse lugar – confessei olhando na direção do parque. A visão ainda me deixava completamente extasiada.

– É – eu olhei para ele que deu de ombros – Eu descobri andando por aí.

– Veio aqui com a Allison, não veio? – peguntei com uma pontada de ciúme na voz. Não era segredo nenhum que eu tinha ciúmes dela com meu irmão. Afinal ela tirava muita atenção que ele deveria direcionar a mim. Qual é! Eu dividi o útero com ele, ela só trocava saliva.

– Nunca trouxe ela aqui – Max suspirou admirando a vista. Ele me olhou com um sorrisinho sugestivo que indicava que sabia do meu ciúme não tão secreto – Sempre vinha sozinho quando precisava pensar sobre alguma coisa. Ninguém vem aqui na varanda em dias de semana. Então eu me sentava e olhava para a cidade por quanto tempo precisasse pra colocar os pensamentos no lugar.

Suspirei. Max tinha razão em escolher aquele lugar. Era perfeito demais, nem conseguia acreditar que realmente estávamos em um bar em Hiddenville e não em um restaurante chic na França ou Holanda. 

– Porque me trouxe aqui? – perguntei de repente. Max me olhou. Mais uma vez o mesmo brilho estranho naqueles olhos castanhos que pensava conhecer tão bem. Ele me analisou como se a resposta estivesse em meu rosto. Senti um formigamento estranho e fui forçada a desviar o olhar.

– Eu não sei... – sussurrou parecendo confuso. Olhei para ele e Max franziu a testa – Eu só trouxe... acho que precisava compartilhar isso com alguém.

Tive de sorrir. Phoebe 1, Allison vadia 0.

– Então obrigada por me escolher – respondi. Ele sorriu, e no mesmo instante um garçom abriu a porta chamando nossa atenção. Parecia ter a nossa idade, carregando um bloquinho de notas em uma mão e uma bandeja com duas taças de água na outra. Um cabelo longo preso baixo e um cavanhaque mal cortado. Hippie, com certeza.

Ele abriu um sorriso cúmplice para Max enquanto me examinava dos pés a cabeça.

– Max Thunderman, se deu bem – disse ele colocando as taças sobre a mesa. Ótimo, estava sedenta. Max revirou os olhos e me olhou por breves segundos antes de sorrir para o rapaz.

– Trevor, a quanto tempo? Fazem dois meses que não te vejo, pensei que tinha sido demitido – Max comentou. Ele respirou fundo. Bebi um gole da minha água apenas acompanhando o diálogo.

– Tive que fazer uma cirurgia. Rins, sabe como são. Em um momento estão funcionando perfeitamente e no outro...puff, pifam – comentou Trevor, toda sua falação estava me deixando tonta. Lembrava muito a Cherry. Levei a taça a boca para mais um gole – Mas porque não me apresenta sua namorada?

Engasguei e senti a água sair pelo meu nariz e coloquei a taça de volta na mesa. Tossi, em meio ao que pareceu uma crise de riso. Olhei para Max esperando que me ajudasse com aquilo, mas ele não tirava o olhar desconfiado de Trevor.

– Max e eu? Nós...

– Essa é Phoebe – disse Max me interrompendo. Me olhou com súplica, quase implorando para ajudá-lo a sustentar a mentira que ele estava prestes a contar. E eu já temia ela Amor, lembra do Trevor? O cara que te falei?

Levantei as sobrancelhas involuntariamente. Muito bem, de todas as mentiras que Max já havia contado, aquela estava entrando para a lista das que eu jamais esqueceria bem no topo da lista, deixando para trás o "eu ainda sou virgem" que contou para mamãe no mês passado.

– Ahnn... Oi, Trevor? – gaguejei forçando um dos sorrisos mais nervosos que já tinha dado – Max fala muito de você.

– Engraçado que ele nunca me falou de você – disse Trevor pensativo – Mas enfim, devem eatar em seu primeiro encontro e eu odiaria estragar isso, porque uma vez um amigo meu...

– Trevor – Max cortou o falatório e o garoto pareceu perceber que estava a trabalho e egueu o bloquinho de notas.

– Ah sim, claro – disse ele – O que vão querer?

– O que tem pro jantar hoje? – perguntou Max.

– Macarronada, sopa de legumes e um strogonoff maravilhoso – disse Trevor. Max me olhou e eu levei alguns segundos para responder.

– Ah, strogonoff – disse. 

– O mesmo pra mim – disse Max – E um vinho do bom, hoje dinheiro não é problema.

Trevor sorriu maliciosamente intercalando o olhar entre Max e eu e deu um tapinha no ombro do meu irmão antes de se afastar e sumir na portinha da varanda.

– Você ficou maluco? Que papo foi esse? – sussurrei fingindo estar furiosa. Mas na verdade aquilo nem havia me atigido.

– Olha só, eu conheço Trevor a uns três anos – disse Max – O cara é implacável, ia ficar flertando com você a noite toda e mandando bilhetinhos, esse tipo de coisa. Assim, agora ele vai nos deixar em paz.

– Espero que aqui ninguém nos conheça – falei afundando na cadeira – Seria bizarro.

Suspirei. Um silêncio estranho se instalou no local a ponto de conseguir ouvir o vento batendo nas flores suavemente. A chama das velas dançavam em uma harmonia estranha.

– Você não fala da Allison? – perguntei, já não conseguindo conter a curiosidade. Max me olhou confuso com a pergunta e resolvi esclarecer – Trevor disse que nunca falou de mim. Se falasse da Allison ele provavelmente teria assimilado pensando que eu fosse ela. Em casa você fala dela o tempo todo, pensei que fosse assim em qualquer lugar.

Max suspirou. Ele olhou em volta, encarou a mesa, as velas, as flores e o parque ao longe, incapaz de olhar em meus olhos.

– Allison não é... – ele fez uma longa pausa. Seus lábios formaram o que pareceu o rascunho de alguma palavra que jamais seria repetida. Quando se deu conta do que diria pareceu em choque e ergueu os olhos assustado, talvez esperando que eu não tivesse notado. Eu estava na expectativa – Esquece.

– Allison não é o quê? Você não vai me deixar morrendo de curiosidade, Max Thunderman! – ralhei – Pode abrir esse bico!

Max olhou em volta visivelmente nervoso.

– Olha...só, esquece – repetiu ele.

– Que droga, Max! É só dizer! – eu estava impaciente, e isso pareceu acabar com a paciência dele.

– Allison não é ela! – disse ele em um tom mais alto do que pretendia provavelmente. Ele fechou os olhos e respirou fundo se recompondo, em seguida os abriu, encarando a toalha de mesa branca.

Ela quem? – perguntei mais curiosa que nunca. Max me olhou de soslaio. Eu estreitei os olhos, tentando examinar os dele. Mas Max não me olhava. Era como se soubesse que no instante que me olhasse nos olhos eu saberia todos os seus segredos. Sabendo disso, resolvi forçá-lo a me olhar – Oh, meu Deus! Você tem uma amante?

Ele levantou a cabeça e me olhou como se eu tivesse acabado de desejar a morte do Papa. 

– Pelo amor de Deus, Phoebe! Não! – disse Max – Eu sei que não sou lá um exemplo de pureza e boa conduta, mas eu não faria isso.

– Então o quê? – perguntei.

– Eu só... – ele respirou fundo – Eu só acho que Allison não é a garota certa. 

– Eu não pensei que o grande pegador Max Thunderman ligasse pra algo além de peitos enormes e uma facilidade imensa pra fornicar – admiti em tom de provocação. Max me fuzilou com um olhar que dizia que não era o momento para aquilo. Peguei a taça de água e bebi um gole longo.

– Por incrível que pareça, Phoebe, eu tenho um coração – disse ele – E acredito que não pertença a Allison.

– Termina com ela ué! – dei de ombros.

– Não posso – disse Max.

– E porque não?

– Porque eu vi o seu estado quando Link disse que não sentia nada por você – Max confessou fazendo meu estômago embrulhar com o olhar que me lançou – E eu quis matar ele por isso. Faltava isso aqui – ele mostrou o polegar e o indicador quase juntos, com um espaço menor que um grão de arroz entre eles – Pra eu socar o Link até ver ele mortinho.

Engoli seco.

– E eu se eu não desejo isso pra você, não quero que qualquer outra garota sofra a mesma coisa – disse ele cabisbaixo.

Suspirei. Ele estava realmente lutando com isso. 

Talvez tivesse ido ali aquela noite para pôr os pensamentos em ordem, como disse que fazia sempre. Mas pelo visto não estava conseguindo.

Ver Max tão aflito causava certa agonia, e eu tinha vontade de me levantar e abraçá-lo até todos os problemas desaparecerem. 

Ele ergueu os olhos e pela primeira vez naquela noite, me encarou sem inibição ou medo. Seus olhos nos meus, com o brilho das velas refletidos no castanho imenso. Max parecia tranquilo agora enquanto me olhava, e eu senti mais uma vez o mesmo formigamento. Mas meu maior erro foi não desviar o olhar dessa vez.

Me senti novamente como no corredor da escola quando disse que eu devia ter sido a melhor coisa na vida do Link. Quando me deu um beijo na bochecha. Um beijo que demorou bem mais do que o normal.

Entreabri os lábios e só então notei que estava ofegante. Mas porque? 

Max estava causando algo em mim, algo bem diferente do que estava acostumada – normalmente era raiva, irritação, repúdio e dezenas de outras coisas – mas nunca aquela coisa que ardia de dentro para fora.

– Não pode se prender a ela, Max – sussurrei sem pensar – Não a engane. Diga de uma vez antes que mais pessoas se machuquem por conta disso.

– Que outras pessoas se machucariam?

Fiquei quieta. Não sabia responder àquela pergunta.

– Não sei – respondi.

– Somos dois fracassados no amor – ele riu com humor – Oh, Pheebs. Isso é trágico.

Eu sorri brevemente.

Porque meus ouvidos foram invadidos por uma risada. Uma risada irritante, estridente e muito familiar.Ah não! Ali não, não naquele momento!

Logo depois uma risada masculina. Não podia ser.

Me levantei por instinto, ao mesmo tempo que Max, pois devia ter ouvido a mesma coisa. 

Nos agarramos as grades e senti um espinho pinicar minha mão, mas sequer fiz menção de afastar quando tive o vislumbre.

Max e eu, paralisados ali mesmo, sem conseguir desviar o olhar de Link e Allison, rindo e se beijando, bem do outro lado da rua.


Notas Finais


Gostandoo?❤


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