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História Sintonia (Vkook - Taekook) - Capítulo 24


Escrita por:


Notas do Autor


Olaaaaaaaá, meus amores. Tudo bom com vocês? Eu espero que sim.

Babys, queria primeiramente me desculpar porque hoje fazem 1 mês e 2 dias que eu não posto nada. Não, eu não morri. Só que o tempo andava meio corrido, agora tem o tal do coronavírus que atrapalhou minhas aulas na facul, enfim... Uma sequência de merdas aconteceram e eu não pude postar. Realmente peço desculpas pela enorme demora.

BOMMMM, QUERO QUE APRECIEM A CAPA NOVA QUE FOI FEITA PELA @Mirnamora, quem quiser capas boas assim, só falar com ela (mas não garanto que fará de todo mundo, afinal ela é minha designer particular gajska)

Gente, só aviasando que o capítulo vai ser enorme, então leiam quando não estiverem com preguiça.
Outro motivo por eu não ter postando antes e a INSATISFAÇÃO, tipo, eu lia e relia, mas não me sentia satisfeita, até que comecei a mudar umas coisinhas aqui, outras ali e agora o cap tem 11k, perdão ajsjaka.

Amores, é isso. Comentem muito e divulguem nossa fic, quero ver ela com pelo menos 500 fav até final do ano. Me sigam no tt (@MTjikook) e usem a tag #SintoniaVK, postem as coisas ou me mandem mensagens na Adm, juro que respondo todas.

OK, chega de falar. Vamos lerrrr, uhuuuu

>>> informação nas notas finais <<<

Capítulo 24 - Corações partidos


Fanfic / Fanfiction Sintonia (Vkook - Taekook) - Capítulo 24 - Corações partidos

Yoongi estava completamente destruído, seu coração estava se rasgando e doía tanto a ponto dele precisar amassar a região para que o sentimento ruim passasse, mas não adiantava muito, e isso não o surpreendia, pois coisas ruins o cercavam o tempo inteiro, então o que estava acontecendo neste momento entre ele e Hoseok era apenas mais uma prova de que seu pai sempre esteve certo.

O sentimento de inutilidade era tão forte que Yoongi fraquejou e quis chorar algumas vezes, pensando em ligar para Hoseok, sobretudo contia-se, já que pensava que sua dor agora era apenas problema seu, e que Hoseok não tinha mais nada a ver com ela. Dentro do baixinho havia um vazio tão grande que chegava a ser tenebroso até mesmo para ele próprio, porém era inevitável não sentí-lo. Parecia que tudo nele fora quebrado em mil pedacinhos, impossibilitando-o de conseguir juntar os caquinhos, mesmo que fosse um a um; e tudo por mais uma vez se decepcionar consigo mesmo, dado que por seus pensamentos se passavam apenas que ele não fora capaz de fazer Hoseok amá-lo como amara Edward, decretando que está ali com ele não valia a pena, ou melhor, não valeu...pois talvez Hoseok nunca amasse-o como amou seu primeiro amor. Então, para que continuar pensando e insistindo em algo que não nasceu para dar certo? E qual era o certo? Para Yoongi, sinceramente, o certo era nada disso nunca ter existido.

Talvez a pior parte disso nem tenha sido apenas o fato de Hobi ter sentido algum sentimento pelo seu primeiro amor, mas sim o fato d'ele não está se esforçando nem um pouco para reverter a situação de tensão e tristeza que pairava dentro daquele carro, que chegava a ser tão intensa a nível sufocava-los. Hoseok manteve-se calado o tempo inteiro, fazendo Yoongi sentir-se indiferente e muito desconfortável, pois ele acreditava que estava atrapalhando Hoseok e isso o fazia se abominar internamente. Ninguém falava nada. Ambos apenas olhavam para frente e controlavam suas expressões, como se Yoongi fosse um mero passageiro e Hoseok apenas um motorista.

Depois de quase dez minutos naquela situação terrível, Hobi estacionou e Yoon desceu do carro, batendo a porta, mas no fundo ele estava tão esperançoso que Hoseok fosse descer e abraçá-lo, dizendo que superariam isso juntos e que nada do que aconteceu iria interferir no sentimento que parecia ser tão recíproco da parte dele...porém, não. Hoseok nem mesmo pode lhe desejar "boa noite, tome cuidado", ele apenas fechou os vidros e arrancou dali rapidamente, sem hesitar, pelo contrário.

Já era bem tarde e Yoongi estava envergonhado de bater na porta da casa de Seokjin aquele horário, então deu meia volta e começou a caminhar até sua casa, que era bem longe dali por sinal, mas ele não tinha escolha, por isso seguiu para lá de maneira tão cabisbaixa e tristonha que mal conseguia dar passos firmes, porém lutava com todas as suas forças para tentar ao menos manter-se de pé. Contudo, dessa vez, estava bem difícil.

Yoongi não conseguia chorar, nem ao menos tinha vontade. Seu sentimento maior era de inutilidade, óbice, fracasso, pois seu pensamento de que Hoseok estava consigo apenas por saber que ele estava apaixonado ficava ainda mais intenso e reforçado, fazendo-o constatar que tudo fora uma ilusão. Tudo fora porque Jung Hoseok teve pena dele e agora que seu verdadeiro amor estava de volta, ele não precisava de mais Yoongi. Não tinha por que ficarem juntos.

A hora passava e ele ainda estava bem longe de sua casa, seus pés doíam muito e seu coração também, mas Yoon seguia perseverante, mesmo que suas forças estivessem por um fio. Alguns minutos se passaram e o baixinho já estava um tanto mais perto, talvez mais uns dois ou três quilômetros e finalmente chegaria. Porém, de repente, um carro branco com detalhes pink parou ao seu lado, mas ele continuou andando, por mais que o medo tenha invadido seus pensamentos, e, para completar, o carro seguia lentamente, basicamente ao seu lado.

Logo, ele parou, e Yoongi se preparou para correr, contudo o garoto sabia que não daria mais de dez passos, e rapidamente o vidro baixou, deixando o coração de Yoongi acelerado, até que ficou surpreso ao ver que lá dentro estava uma garota, que sorriu simpaticamente e saiu do carro, apoiando o cotovelo direito na porta, encarando Yoongi de maneira não proposital.

– É... Oi? – dizia ela, meio sem jeito.

– Oi? – a voz de Yoongi entoava assustada.

– Olha, eu quero te oferecer uma carona, mas preciso saber se você não é nenhum estuprador ou outro tipo de delinquente? Sei que se fosse, não me diria, mas, pó, estou tentando fazer uma coisa boa, então se for sincero, eu agradeço – ela disse, tentando sorrir.

– Você sempre faz essas coisas? – Yoongi franziu o cenho.

– Não diariamente, afinal ninguém vaga pelas ruas de Seoul uma hora dessas a não ser que seja uma assombração...espera! Você é alguma assombração? – ela arregalou os olhos, ficando boquiaberta.

– Não, não sou. Sou apenas um garoto que tenta chegar em casa vivo e com pés inteiros – ele permanecia sério, com sua voz meio rasgada.

– Ah, ufa! Eu tava começando a ficar preocupada. Vem, posso levar você, isso se aceitar, claro...

Yoongi não hesitou, aceitou imediatamente, pois viu que ela estava realmente tentando ajudar, e que a mesma parecia uma boa pessoa. Ela adentrou novamente e ele fez o mesmo, suspirando aliviado quando pode sentar-se e encostar as costas no estofado macio daquele carro extremamente luxuoso; seus pés estavam adormecidos, mas logo se puseram a pulsar freneticamente, começando a provocar latejos e dores intensas, principalmente na região do calcanhar e fáscia plantar.

– Onde você mora? – ela perguntou, ligando o carro novamente.

– Rua dos Andes, sabe onde é?

– Claro, um amigo do meu pai mora lá.

– Hum... Qual seu nome? Você não disse... – ele indagou.

– Ah, desculpe, que mal educada eu sou. Meu nome é Jennie, Kim Jennie... Acho que já ouviu falar – dizia, nada orgulhosa.

– Sinceramente, não. Nunca ouvi falar de você – Yoongi disse, sincero.

– Graças a Deus, do contrário faria uma reverência vergonhosa, tenho certeza. Todos fazem.

– Nossa, você é tão importante assim? – ele a olhou diretamente.

– Não, mas as pessoas acreditam que sim. Hum... Você é aluno de Persona? – indagou ela.

– Como sabe? – ele hesitou.

– No seu uniforme diz: University Persona.

– Ah, é. Eu ainda tô usando o uniforme... E, sim, sou aluno daquela droga.

– "Daquela droga", nossa... Eu sempre quis escutar nela, mas meu pai acha que sou um desastre ambulante, então tenho que estudar à distância. Infelizmente – ela suspirou.

– Desastre? E ainda dirige? – ele sorriu, e Jennie também.

– Hum, vejo que tem senso de humor – ela lhe deu uma olhada rápida.

– Na verdade, não... Mas tentei ser legal.

– Ei, você não me disse seu nome. Qual seu nome?

– Yoongi, Min Yoongi, mas você nunca ouviu falar de mim e também não precisa fazer reverência – ela deu outro sorriso, e Yoongi também tentou.

– Engraçadinho. Olha, chegamos na sua rua... Qual sua casa?

– É...obrigado pela carona – ele desviou o olhar.

– Tudo bem, eu entendi – ela sorriu, olhando-o.

Yoongi retirou o cinto e abriu a porta, sorrindo para ela antes de sair. Jennie também sorriu virando a cabeça pro lado, deixando-a fofinha; logo, ela pôs o motor para funcionar novamente e deu meia volta, voltando a dirigir pela via principal.

Yoon sentia seus pés gritarem por socorro a cada passo que dava, e nada amenizava aquela insuportável dor, porém ele seguia quase firmemente até sua casa.

Assim que chegou bem na frente, logo tocou a campainha desesperadamente, sendo atendido por ninguém mais ninguém menos que seu próprio pai, que olhou-o com tanto desdém que fez Yoongi se arrepender amargamente de ter pensado em voltar para casa.

– O que faz aqui essa hora? Está bêbado? Drogado?

– Pai, eu não estou legal. Só quero um lugar pra dormir – Yoongi adentrou a força, passando por baixo do braço do pai.

– Acha que pode chegar a hora que quiser e fazer o que quiser? Essa casa não é só sua.

– Pai, esquece que eu existo. Finge que não sou seu filho e me deixa em paz, afinal o senhor é bom nisso. Eu só quero dormir – Yoongi virou de costa.

– Fingir que não é meu filho? Impossível. Esse castigo eu vou levar pra vida inteira – ele bateu a porta, com força.

Yoongi estava de costas e subia as escadas, mas assim que ouviu tal coisa de seu pai, parou imediatamente e não conseguiu evitar que as lágrimas caíssem por seu rosto, uma mais sangrenta e ácida que a outra.

– B-boa noite, pai.

Yoon continuou subindo e foi direito para seu quarto, abrindo a porta e logo se jogando no chão, apoiando a cabeça no mesmo enquanto cerrava os punhos e batia com força no piso com a mão esquerda, deixando que as lágrimas dolorosas lavassem uma parte da sua alma.

Tudo o que lhe aconteceu todos esses anos veio passando por sua cabeça: seu pai lhe dizendo que era um zero à esquerda, que ele era um ninguém e que nunca seria feliz o suficiente, pois sempre algo ruim iria acontecer e isso traria a infelicidade, tudo por culpa dele mesmo; pensara em todas às vezes que fora xingado e discriminado por ser diferenciado, por ver o mundo de uma outra forma e ser julgado friamente por aquele quem ele deveria amar extraordinariamente: sua figura paterna. Em sua cabeça, se passavam várias outras lembranças ruins sobre seu passado tortuoso, pois seu pai sempre fora alguém terrivelmente rígido, e que nunca aceitou-o do jeito que ele realmente é, mas agora dizer que tê-lo como filho é um castigo, aí já muita falta de sensibilidade.

Yoongi sentia-se dilacerado, nada iria fazê-lo melhorar, nem mesmo aquele que era a solução de seus problemas sempre que algo ruim lhe acontecia. Dessa vez, ele não iria poder olhar Hoseok jogando basquete e sorrindo, ou tomando um milk-shake de chocolate todas as tardes no fim da aula. Pela primeira vez, sua solução tornou-se uma parte dos seus problemas, só que nada comparado a ser negado pelo próprio pai. Agora ele estava no chão, sem sapatos e meias, apenas deitado e olhando o assoalho úmido por suas lágrimas, mas alguém muito importante ouviu ou sentiu que ele não estava nada bem, e se esforçou ao máximo para ir até o quarto dele, que estava com a porta semi-aberta.

– Yoongi? – uma voz doce e amena entoou.

Yoon arregalou os olhos e tentou levantar-se o mais rápido que conseguia, olhando incrédulo para a pessoa parada li... Bem na sua frente.

– M-mãe... Mãezinha, mãe... – os olhos de Yoongi tornaram a pingar.

Ele correu de joelhos até onde ela estava, e como a mesma se esforçou para sentar em cima das panturrilhas, Yoongi pode agarrá-la pela cintura e abraçá-la fortemente, não evitando deixar as lágrimas caírem o tanto que queriam.

– T-tudo bem, meu amorzinho, mamãe está com você – a voz da srª Min soava cansada e ofegante, além de seu coração bater muito forte. – Não chora, meu floquinho de neve, mamãe não gostar de ver você chorar.

– D-des-desculpa, mãe...mas-s, eu não aguento mais... – ela afagava delicadamente seus dedos no cabelo dele, massagendo-os. – Q-quando eu penso que finalmente vou ser feliz, a infelicidade vem... Por quê? Eu fiz uma coisa muito ruim? Eu sei que o Criador não gosta do que eu escolhi, mas será eu fiz algo tão mau assim? Eu mereço mesmo tudo isso? Se sim, me desculpa por desapontar você, o papai e até mesmo o Criador. – Ele soluçava intensamente, o que partia o coração de sua mãe.

– Oh, meu amor, isso não é por que você é o que é, isso é apenas coisa da vida. Deus não te ama menos por você ser sodomita, pois o que importa é sua crença nele, filho. Deus não está te punindo, ele deve está te provando, apenas... Nós não sabemos e não prevemos o que acontece, Ele não tem culpa de nada. A culpa parte dos seres humanos que somos ou nos tornamos, mas você é a pessoa com o maior coração que conheço, filho... Você passou por tantas coisas e eu nunca pude fazer tudo para te ajudar. Eu te peço mil desculpas, meu bebê – ela começou a derramar algumas lágrimas também.

– V-você sempre fez o que estava ao se alcance. Eu sempre ouvia os grandes líderes religiosos dizerem que escolham ruins eram pecado, e que esse tipo de escolha, especificamente, tinha punições severas e um caminho difícil, mas eu não sabia que era tão difícil assim, mãezinha... Se for uma provação, eu quero que ela acabe logo, ou que acabe comigo de uma vez.

– Nunca mais diga isso, meu filho – ela o abraça com mais força –, as provações são necessárias para fazer você crescer. Não se pode fugir delas e muito menos esperar que elas acabem, mas pode se passar por cima delas e lutar contra elas, frente a frente. Tenho certeza que isso não é uma punição de Deus como achas, pelo contrário.

– E meu pai? Ele me odeia mesmo tanto assim? Se Deus, um cara que é muito mais poderoso e importante me aceita, por que meu próprio pai não pode? É tão difícil assim pra ele? Eu sou são abominável assim?

– Claro que não, amor...! Seu pai não odeia você, ele apenas não consegue aceitar que homens podem sim gostar de homens... Ele foi criado dessa forma, entende? É difícil pra el-e...

– Mãe, o que foi?

Yoongi levantou-se desesperado e viu que o rosto de sua mãe estava empalidecido, seu lábio sem cor, sua respiração acelerou e ele gritou pela enfermeira que estava dormindo no mesmo quarto que ela estava sendo cuidada. Rapidamente, com a movimentação toda que Yoongi fizera, até seu pai apareceu, e olhou-o com tanta raiva ao ver que sua mulher estava desfalecendo nos braços do filho que quis matá-lo, porém o ignorou e a apanhou em seus braços, carregando-a até o quarto e pondo o aparelho respiratório nela, exigindo que a enfermeira medisse a pressão e acompanhasse os batimentos cardíacos de sua esposa. Felizmente, depois de cinco minutos a srª Min parecia estável, o que despreocupou a todos.

– Tudo bem, agora ela precisa descansar – a enfermeira sorriu, gentil.

– E você fala isso numa tranquilidade dessas? Faça seu trabalho direito e cuide da minha mulher. Se ela sair da cama novamente e ter outro problema, vou relatar sua incompetência a empresa para qual trabalha.

– S-sim, senhor – ela desfez o sorriso, abaixando a cabeça.

O sr. Min agarrou o braço do filho e o arrastou até seu quarto bruscamente, empurrando-o com força para dentro do mesmo e provocando um desequilíbrio que terminou na queda de Yoongi.

– O que pensa que estava fazendo, Yoongi? Sua mãe não pode ficar mais de quinze minutos sem o aparelho respiratório!

– E-eu, eu não sabia... Ela só apareceu e nós conversamos.

– Olha, sua mãe é a pessoa mais importante na minha vida, se alguma coisa acontecer com ela eu-... – ele respira fundo, prendendo o choro –, se quer fazer alguma coisa que preste na sua vida, Yoongi, se case.

– O-o quê? Me casar?

– É. O tratamento da sua mãe é muito caro, e nós não temos tanta verba assim, ainda mais agora que a empresa está passando por problemas... Porém se você se casar, o acionista vai investir e em menos de duas semanas nós podemos fazer a operação. Não seja egoísta. Pense na sua mãe.

O mundo de Yoongi desabou por inteiro agora. Não tinha mais jeito, não havia outra solução a não ser essa: casar-se com uma garota e passar o resto da vida infeliz; porém a infelicidade era mais que seu amiga, era sua irmã, então se isso iria ajudar a salvar sua mãe, seria um bônus mais que merecido. Sobretudo, ele ainda estava hesitante em dizer que aceitaria, então preferiu pensar mais um pouco, pois todos sabíamos que, na verdade, Yoongi estava esperando Hoseok vir procurá-lo e acertar as coisas novamente, mas suas esperanças estavam acabando assim que viu o sol nascendo por sua janela.

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Taehyung e Jungkook haviam saído do pequeno bosque que ficava nas extremidades de Seoul. A noite estava linda, as luzes da cidade ainda estavam bem acesas e Tae adorava olhar para todas elas, afinal Seoul sempre fora chamada de "a cidade iluminada", e não era por acaso. Jungkook não dirigia desenfreadamente como de costume, pois Tae ainda tinha um pouco de medo e a palavra SEGURANÇA prevalecia mais que tudo.

Jeon deu uma celerada enquanto Tae estava distraído e empinou a moto, levando um baita tapa dele quando a pôs inteiramente no chão, mas ainda assim sorria bobamente por ter levado aquele tapa nada delicado. Quando eles passaram da via principal e adentraram a rodovia mais deserta, um carro saiu de uma rua bem íngreme e escura, porém os meninos não se importaram, já que aquilo era completamente normal. No entanto, o carro preto esportivo parecia está bem atrás deles, como se tivesse os seguindo, e felizmente Jungkook notara isso a tempo.

– Tae, segure-se bem firme! – gritava jungkook, sendo ouvido com dificuldade.

Taehyung apertou fortemente a cintura dele e encostou a cabeça nas costa de Jungkook, tendo as bochechas amassadas pela pressão que fazia rente a jaqueta de coro do outro. Jungkook segurou firme no acelerador e o pressionou, arrancando velozmente pela vai vazia. O carro pareceu acelerar também, e cada vez mais rápido ele se aproximava da parte de trás da moto, o que deixava-os muito preocupados, porém rapidamente, Jungkook dobrou numa pequena rua desestruturada mas que, na verdade, era um belo atalho até Persona, porém poucos sabiam disso. A rua não era apta a receber carros, nem mesmo moto, só que, felizmente, como motos são menores e mais fáceis de se desviar de lamas, buracos e etc, muitas delas conseguiam trafegar por ali "tranquilamente", mas com um pouco dificuldades, claro. Com isso, o carro foi obrigado a dar meia volta e seguir caminho por outro lado, fazendo os meninos darem um suspiro de alívio assim que avistaram à faculdade.

Jungkook estacionou a moto e Taehyung desceu, atordoado e olhando para todos os lados sem parar.

– Ei, tá tudo bem. Eu tô com você – Jungkook segurou o rosto dele e o fez olhar em seus olhos, dando um leve sorriso meigo. – Melhorou?

– S-sim... O que foi aquilo, Jungkook? Parecia que ele estava nos seguindo, sei lá.

– É, eu também achei – Jeon ficou pensativo –, mas acho que foi impressão nossa.

– Espero que sim. Há... Você já vai, né?

– Ér, eu preciso ir. Vai ficar bem indo sozinho?

– Acho que sim, qualquer coisa eu grito.

– Então... Boa noite?

– Boa noite.

Os meninos ficaram se olhando, tímidos e sem saber como fariam para se despedir; Jungkook pensava que se o puxasse para um simples selar, séria falta de senso e, provavelmente, Tae poderia pensar mal daquela atitude; já Taehyung pensava que se fizesse algum movimento brusco poderia fazer a moto explodir e matar Jungkook sem ter tempo de demonstrar que está gostando mesmo dele. Conclusão: ambos apenas sorriram torto um para o outro e seguiram seus rumos: Tae adentrou na residência; Jungkook deu partida na moto. Fim.

[…]

Depois de Taehyung ter andando cabreiro pelas residências, finalmente ele pôde chegar em sua casa e relaxar os pés, mas, quando viu que a fechadura estava semi-aberta, seus membros congelaram e não soube o que deveria fazer, muito menos como deveria agir dali em diante. Várias hipóteses passaram pela cabeça dele em cinco segundos de raciocínio, porém todas elas tinham o mesmo final: morte ou sofrimento.

Quando ele conseguiu reunir um pouco de coragem, inflou o peito com toda a determinação que conseguiu e empurrou a porta, arregalando os olhos de tal maneira que chegou a ser assustador.

– Ai, menino, que susto! – Shuhua estava com uma tolha na cabeça, camisão folgado, cueca do Tae e pintava as unhas do pé.

– Shuhua, eu vou te atirar pela janela. Sério – os olhos de Taehyung estava pressionados e ele respirava bem fundo, segurado a maçaneta com força.

– Eu fiz almôndegas – sorriu ela, desconfiada.

– OK, talvez eu te perdoe.

Taehyung foi em direção a panela e colocou algumas almôndegas no prato que retirara do armário, depois pegou um garfo e começou a comê-las, indo sentar-se perto de Shuhua, que agora serrava as unhas das mãos.

– Onde estava até essa hora? Eu estava ficando impaciente.

– Típico, não é mesmo?

– Ha-ha-ha, muito engraçado. Então, onde estava? – dizia ela, apontando a serrinha de unha pra ele.

– Saí com Jungkook. Fomos ver pirilampos.

– Você quis dizer vagalumes, né?

– Mesma coisa. Enfim. Nós saímos e agora estou em casa.

– Hum.

– Hum?

– É. Hum.

– Mas só "hum"?

– Queria o quê? Que eu te xingasse e depois dissesse que não te quero mais perto de Jungkook?

– Claro.

– Olha, Taehyung, por mais que eu diga que não gosto do Jungkook; que não quero ver você perto dele; tome cuidado; você está se empolgando demais e isso pode ser ruim; você precisa rever mais o que está ao seu redor; existe alguém, Jackson, que é bem melhor que ele – ela gesticulava com a serrinha –, você nunca me ouviria.

– Por que acha o Jackson melhor que Jungkook?

– Ele não é melhor. É só menos pior.

– Por quê? O que Jackson fez pra ganhar um pouco da sua simpatia?

– Quer mesmo a verdade?

– Por favor.

– Ele-...

A campainha tocou quando Shuhua disse a primeira palavra, então Taehyung foi abrigado a atender a porta e deixar que o assunto fosse cortado na melhor parte, se bem que ainda estava no início. Ele a atendeu e se surpreendeu com um entregador de flores, que também segurava uma chocolate na mão esquerda. Tae lhe entregou algumas moedas, apanhando desajeitadamente as entregas. Shuhua, toda curiosa, foi ver o que era exatamente todas aquelas coisas e acabou ajudando o amigo a colocá-las em cima da mesa.

– O que significa isso? – indagava ela, analisando tudo como se fosse um cão farejador.

– Boa pergunta.

Taehyung abriu a caixa de chocolate que possuía um cartão colado bem rente a tampa, o abriu e leu que aqueles recebidos era de Jackson Wang. Shuhua deu um sorrisinho diabólico e roubou descaradamente um bombom, saboreando-o com intensidade.

– Como ele sabia que meus bombons preferidos são avelã e morango? E por que ele trouxesse essas flores tão exóticas? – Taehyung olhou Shuhua de soslaio e ela enfiou outro bombom na boca, dando um sorriso tenso e cheio de chocolate.

– Isso é coisa sua, não é?

– M-minha? – dizia, com a boca cheia. – Claro que não! Eu apenas disse seu doce favorito e que gostava de plantas exóticas. Sua sorte que ele mandou flores, porque se fosse eu, te daria um planta carnívora com um laço roxo.

– Ótima amiga, você.

Taehyung pôs as flores na água e comeu dois bombons, indo mandar uma mensagem a Jackson para agradecer os presentes, e dizer para ele não fazer isso novamente, pois era constrangedor. Após isso, foi tomar banho e Shuhua ficou na sala, certificando-se que ele estivesse mesmo no banheiro para ela poder fazer uma rápida ligação.

– Alô? Sim, sou eu. / – Oh, então você já tem o que eu pedir? Maravilha. / – Quando posso pegar? / – Hum, amanhã após as aulas? Certo. / – Tchau. Boa noite.

– Com que estava falando? – Tae sai do banheiro, inesperadamente rápido.

– É...é, minha mãe. Disse que tenho que buscar uns livros amanhã depois da aula.

– Oh, certo. Falando nela, o que ela queria com você hoje?

– Nada, minha mãe nem liga pra mim, você sabe.

– Mas a Dill disse que você tinha dito que sua mãe ligou e que precisava ir até ela.

– A-ah, é...mas, não foi minha mãe, foi minha vó. Os médicos do asilo disseram que ela estava chamando por mim, então eu fui vê-la.

– Hum, entendi. Fez mais sentindo, sabe? Sua mãe quase nunca liga pra você. Achei bem estranho.

– Eu também. Acredite. Tipo, agora que ela ligou, mesmo. Foi bem mais estranho.

– Sei, sei. Bem, vamos dormir? Me sinto exausto.

– Claro. Tô morta.

Taehyung passou o braço por cima do ombro da amiga e seguiu com ela até a cama, deitando-se do lado esquerdo enquanto Shuhua passava o braço por cima de seu abdômen, segurando-o ao meio.

– Faz tanto tempo que não dormimos juntos... Senti falta – disse ela, aconchegando-se.

– É, eu também. Boa noite.

– Boa.

[…]

Enquanto Taehyung dormia plenamente em seu apartamento, em segurança e com uma guarda-costas que botava medo em qualquer um, Jungkook estava prestes a chegar na casa de seu pai, que era bem longe de Persona e, principalmente, das residências. Porém, o garoto de jaqueta preta seguia corajosamente por aquelas ruas que não estavam tão movimentadas como de costume, mas podia-se ver quatro ou cinco carros de vez em quando. Jungkook dobrou a rua que dava acesso ao condomínio de casas de luxo no qual obrigatoriamente morava e notou que havia um carro preto com os faróis desligados que estava parado bem mais à frente, porém esse impedida que Jeon pudesse seguir em frente, então ele teve que parar a moto, esperando que o motorista dobrasse ou adentrasse na garagem de alguma casa, mas, não, ele parecia não querer fazer isso.

De repente, o carro preto acendeu seus faróis e pareceu ligar o moto, acelerando duas vezes, sem sair do lugar. O coração de Jungkook apertou, sua respiração ficou tensa e ele sentiu medo, pois era bem óbvio o que aquele carro iria fazer.

Não havia muitas opções para ele, e as que tinham eram meio idiotas e suicidas, contudo ele sabia que eram as únicas: Jungkook teria de acelerar e saltar da moto quando o carro finalmente o batesse; ou, desceria da moto e sairia correndo, o que não era a praia dele. Sendo assim, Jeon, a todo custo, buscou uma nova saída, mas essa parecia não está vindo. Então, rapidamente, seu celular tocou e era de um número desconhecido, e mesmo não querendo, atendeu desesperado e elevou o aparelho até o ouvido direito.

– Olá, Jeon Jungkook. Está com medo? Você vai dizer que não, mas eu posso sentir – a voz era meio robótica, como se a pessoa do outro lado da linha quisesse esconder sua identidade, e de fato queria.

– Quem é você? Esse carro na minha frente é obra sua, não é?

– Talvez, mas isso que estou fazendo é apenas um aviso. Não quero machucá-lo de verdade, você é meu preferido.

– Preferido? O que está dizendo?

– Saberá quem eu sou se vier me procurar, e eu vou está aqui para recebê-lo pessoalmente. Então, vou pedir que siga sem medo, ninguém o fará mal – o carro à frente de Jungkook dobrou na rua oposta, que dava saída pela avenida principal.

– O que você realmente quer?

– Que pare de competir, e se quiser continuar, venha para o meu time... Muitos querem você, Jungkook, ou melhor, a sua cabeça, mas eu quero apenas suas habilidades de corredor.

– Escute bem porque não vou repetir: não vou correr pra você, e não tenho medo de suas ameaças. Boa noite. – Jungkook desligou o celular e acelerou, não demorando muito para chegar em sua casa.

Assim que passou pelos portões e estacionou a moto, seu pai já estava na porta da mansão, usando roupão e pijama por baixo, seguido de largas pantufas azuis.

– Onde você estava, Jungkook? – Joong o abraçou fortemente, deixando Jungkook surpreso e desconfortável.

– É... Você tá bem? – Jungkook o afastou com delicadeza, ou quase.

– Recebemos uma carta dizendo que você não voltaria vivo pra casa – Jungkook segurou o riso que estava quase saíndo por sua garganta, mas conteve-se o máximo que conseguiu. Eunha também apareceu e o abraçou fortemente, como se estivesse com muita saudade.

– Que bom que está bem, Kookie. Eu fiquei preocupada.

– Quando receberam essa carta? – indagou ele, confuso.

– Eunha estava voltando da escola e um carro preto esportivo, aqueles bem caros e velozes, parou ao lado dela e entregou, dizendo que deveria ler e entregar a você.

– Você viu o rosto de alguém, Eun? – ela sacudiu a cabeça, negando. – Certo, isso foi apenas para nos amedrontar. Vamos entrar, hum?

Eles assentiram e entraram, olhando várias vezes para trás e certificando-se que todos os seguranças estavam a postos do lado de fora. Jungkook, pela primeira vez, viu que o pai parecia realmente preocupado, e aquilo deixou-o tão contente, pois à relação deles não era uma das melhores e nenhum expressava o que sentia um pelo outro.

Por mais que Joong tenha feito e falado suas besteiras, no fundo ele se importava com seu primogênito, de uma maneira diferente e insensata, claro.

Eunha abraçou novamente Jungkook e dobrou em outra direção para ir até seu quarto, enquanto Joong ainda seguiu para o quarto junto ao filho. Jeon olhou seu pai de soslaio e pensava em como diria para ele ir embora e deixá-lo seguir sozinho até o quarto, só que todas as palavras soariam rudes, e não era como se isso realmente importasse, mas ele ainda tinha educação.

– Hã... Amanhã temos trabalho – disse seu pai.

– Tá, mas, eu tenho gincana amanhã, lembra? Vale uma parte da nota e tals.

– Que horas começa essa tal gincana?

– Pouco depois do meio-dia, eu acho...

– Certo. Então antes do meio-dia você sai da empresa, e...tenho uma outra pergunta.

– Sim? – Jungkook segurava a maçaneta da porta.

– É amigo do filho de Aisha?

– Sou-u – Jeon deu uma gaguejada.

– Oh, certo... Era somente isso. Boa noite.

Jungkook entrou em seu quarto e, assim que trancou a porta, respirou fundo umas cinco vezes e pôs a mão no coração, indo para o banheiro e fincando as mãos apoiadas na pia, olhando sério para o espelho.

– Eu deveria ter dito? Deveria. Deveria deixar claro o que sinto? Deveria. Porém não consigo. Não dá. Desculpa, Taehyung.

[…]

O dia amanheceu e Jungkook mandou logo cedo uma mensagem a Tae, explicando que iria trabalhar pela parte da manhã, mas que chegaria a tempo para participa das gincanas, desejando-lhe um bom dia assim que terminou a mensagem.

Taehyung já estava acordado e viu quando a mensagem chegou, sorrindo largo ao ver que era Jungkook quem havia mandado-a, então ele respondeu carinhosamente enquanto tomava o café delicioso que Shuhua preparava.

[Bom dia, Jungkook-ah. Bom trabalho a você] – respondeu ele.

Shuhua terminava de frita os ovos e olhava o rosto todo feliz de Taehyung, e como ela era amarga e sem amor a vida, se incomodou e quis saber o porquê de toda aquela felicidade alheia.

– Por que está sorrindo desse jeito?

– Ah, por nada.

– Uhum, sei. Até parece que você rir olhando o pano da mesa, Taehyung, por favor, né.

– Você é insuportável, meu Deus. Vamos tomar café na paz, hum?

Shuhua revirou os olhos e sentou-se, tomando um gole de café e comendo seus ovos, e como a gincana era perto do meio-dia, não havia necessidade de irem tão cedo à escola.

[...] Estava perto das 11h da manhã, eles terminaram de se arrumar e pouco mais de 11:47 seguiram até a escola no carro de Taehyung, pois Shuhua disse que o seu estava no conserto e demoraria alguns dias para tirá-lo de lá. Sendo assim, eles seguiram rumo à faculdade e Tae orava com todas as suas forças para que não houvesse nenhuma gincana hoje, porém, quando eles chegaram na frente da escola, notaram que havia um banner enorme avisando que hoje era o grande dia das gincanas em Persona, ou seja, a oração dele não adiantou muito.

Vários alunos e visitantes chegam à escola, e para o desespero de Taehyung, ele não conhecia ninguém, ou a maioria. Shuhua desceu e ele foi estacionar, mas as primeiras vagas estavam todas lotadas então foi obrigado a ir para a última fileira, tendo que voltar andando até a entrada da universidade.

Ele estacionou rapidamente e ativou o alarme, guardando as chaves em seu bolso e seguindo tranquilamente até a entrada, respirando fundo e equilibrando seu equilíbrio, coisa que só Kim Taehyung consegue fazer, provavelmente.

Quando ele passou da primeira fileira de carros, teve a sensação de estar sendo vigiado, então tentou acelerar os passos com cautela, buscando não demonstrar que estava se importando, mas quando passou da segunda fileira, Cho, seu pior pesadelo, saiu da terceira fileira mais à frente e cruzou os braços, parando bem no meio da pista.

Taehyung olhou para trás, esperançoso que houvesse uma saída, entretanto haviam dois amigos de Cho parados na primeira fileira, deixando-o intimidado e com um certo medo. Mesmo receoso e amedrontado, Tae continuou andando na mesma direção onde Cho estava, ficando nervoso ao notar que estava se aproximando demais, contudo continuava seguindo, até não ter mais para onde andar, então dobrou, desviando-se de Cho, mas sendo impedido com um aperto braço do mesmo.

– Aonde pensa que vai, boneca?

– T-tenho-o provas a cumprir.

– Hum, e desde quando você é gago, Tae?

– O que você quer comigo, Cho? Por que tem tanta raiva de mim? – a voz de Taehyung soava trêmula, mas firme.

– É, ér... – Cho parecia confuso, e irritado com a pergunta, então puxou Taehyung para perto e olhou firme em seus olhos, suspirando. – Você é só uma bichinha cheia não me toque, tudo que eu odeio numa pessoa.

Cho arremessou Taehyung para trás com um empurrão, mas seus amigos estavam próximos e logo seguraram os braços dele, deixando-o quase imóvel, pois Tae ainda tentava se soltar e fazia tudo para o largarem.

– Para com isso, por favor! – Tae implorava, se debatendo.

– E por que eu deveria? Eu lembro que você gosta de toques masculinos. Não gosta dos nossos? – ele sorriu, psicótico.

– O que você está dizendo? Solte-me!

Cho se aproximou lentamente, desferindo a Tae um olhar sádico, psicótico, chegando bem perto do rosto dele e continuando a encará-lo, vendo que os lindos olhinhos lacrimejantes de Taehyung suplicavam para ele não fazer nada.

– Eu gosto dos seus olhinhos desse jeito, sabia? Eles me deixam excitado.

– Cho, pega leve, tá? – disse um dos seus amigos.

Cho acenou com a cabeça, assentindo. Logo, segurou as bochechas de Tae e levantou agressivamente o rosto dele, cheirando fortemente seu pescoço e parecendo se deleitar com o que fazia. Algumas lágrimas quiseram cair dos olhos de Taehyung, mas ele as segurava firmemente, buscando forças de onde não tinha para suporta tudo aquilo.

– Huumm...! Seu cheiro é bom, Kim. De verdade.

– P-para, por favor, C-Cho.

Cho desfez a gravata de Taehyung e abriu bruscamente a camisa dele, analisando o peitoral e passando a mão lentamente, fazendo Tae olhar fixamente em seus olhos, deixando uma lágrima escorrer pelo canto do olho esquerdo. Os amigos de Cho o olharam confusos, se perguntando onde ele iria chegar com aquilo, foi então que retirou do bolso uma garrafinha prateada que há muitos anos era usada por ricaços para guarda suas bebidas caras no bolso do paletó, também conhecida com cantil de bolso; ele a abriu, tomando um gole enquanto não deixava de olhar para Taehyung.

– O quê? Você quer também? – Tae sacudiu a cabeça freneticamente, retorcendo os pés para tentar se afastar como podia, mas estava bem difícil. – É bom. Acredite em mim. Vamos, abra a boquinha, boneca.

Taehyung contraiu os lábios para dentro com toda a força que conseguiu, só que Cho forçava a garrafa de uma tal maneira que infelizmente foi inevitável não engolir um pouco de bebida barata e composta puramente pelo álcool mais forte que existia.

A bebida caiu pelo corpo de Taehyung, molhando seu peitoral inteiro e um pouco da sua calça escolar; ele cuspiu o que conseguiu e notou que seu lábio inferior e superior havia ferido, pois a força que Cho fez acabou machucando-o, fazendo seu lábio sangrar e se misturar com o gosto horrível de álcool puro, ficando ainda mais difícil de suportar.

Os meninos ouviram um barulho de carro, em seguida de moto e então se entreolharam, mexendo suas cabeças como se fosse um sinal, largando Tae e correndo. Cho terminou de derramar nele a bebia e se ajoelhou até onde ele estava, puxando novamente a bochecha de Taehyung, mas dessa vez não disse nada, apenas o beijou agressivamente, limpando com a língua os vestígios de bebida e sangue que ficaram na boca dele.

– CHO, VAMOS LOGO! – gritou um dos seus amigos, distante.

– Hum, até que você beija bem, boneca.

O barulho de carro e moto ficaram mais nítidos, então Cho empurrou o rosto de Taehyung e saiu em disparado atrás de seus amigos que já pareciam está bem longe, todos com medo de serem pegos.

Taehyung tentou levantar e sair dali, mas suas pernas estavam trêmulas, ele estava sujo e em choque por não acreditar que aquilo realmente havia acontecido, de novo e na mesma data: 17.

Ele olhou para si e viu seu corpo todo sujo e melado, tendo nojo de si mesmo e vomitando no chão tudo o que comeu no café da manhã, retirando também de seu intestino o álcool que Cho o obrigou a ingerir, puxando com força os lábios por ter sido beijado por Cho.

O carro que os meninos ouviram se aproximar era de Jackson, e a moto de Jungkook. Ambos chegaram praticamente no mesmo momento, só que Jackson conseguiu chegar primeiro, porém Jungkook foi mais rápido em desenvolver a ação.

Jackson arregalou os olhos ao ver Taehyung naquele estado, então parou o carro imediatamente e retirou o cinto de segurança, mas Jungkook percebeu quem era de longe, então acelerou o máximo que sua moto conseguia e parou um pouco à frente do Wang, jogou a moto no chão e correu rapidamente para ajudar Taehyung, não acreditando na cena que estava vendo. Jackson saiu do carro e também correu, surpreendendo-se com aquilo.

– Tae, tudo bem, ei, eu to aqui... Não se preocupe, eu vou te ajudar – Jungkook estava desesperado ao ver Tae com o lábio sangrando, cheirando a álcool puro e perto de um vomito muito nojento. Ele tentou tocá-lo, mas o mesmo não deixou, se afastando ligeiramente e esbarrando com a barra da calça no vomito; Taehyung estava em choque, ao mesmo tempo que seu corpo estava reagindo de maneira defensiva, seu cérebro não conseguia processar muita coisa por causa do TOC e do trauma, então seu corpo reagia de maneira involuntária, mas seu cérebro não. A única coisa que se passava por ele eram as duas piores cenas na sua vida, tendo o mesmo vilão como protagonista principal.

– Jungkook, ele não vai deixar você tocar nele. Tae está em choque e não pode assimilar as coisas com clareza! – Jackson o puxou.

– Então o que eu faço? Me diz, Jackson! O que eu faço pra ele me ouvir e saber que tá tudo bem, que eu posso cuidar dele e que eu nunca mais vou deixar nada de errado acontecer... O que eu faço, por favor, o que eu faço?! – Jungkook não perceberá, mas estava tão desesperado com a situação que deixou algumas lágrimas serem derramadas, fazendo Jackson engolir em seco, não acreditando no que estava vendo, pois nunca havia presenciado a vulnerabilidade de Jungkook tão de perto.

– Só converse com ele, Jungkook... Olhe em seus olhos e faça-o encontrar você – Jackson dizia aquelas palavras com tanta dor, que doía em qualquer um ao ver aquela expressão dolorosa.

Jungkook sentou em cima das panturrilhas e chamou Tae duas vezes, não conseguindo a atenção dele logo de imediato, porém não desistiu e continuou tentando, até que finalmente conseguira fazê-lo olhar-lhe firmemente, ficando de coração partido ao perceber que ele o olhava como um simples estranho.

– Ei, tá tudo bem, tá? Eu, Jungkook, vou cuidar de você e prometo nunca mais te deixar sozinho. Taehyung, vem comigo, por favor. Eu tô aqui, juro que está tudo bem. Vem comigo, vem?

Taehyung ficou olhando-o por alguns minutos e virou a cabeça para lado direito, pois em em seus pensamentos passavam vários flash's com a imagem de Jeon, então aos poucos ele foi entendendo com clareza o que havia acontecido, e que com Jungkook ali, ele estava realmente seguro.

– Me-me a-juda, Jungkook – ele estava com a cabeça baixa, assimilando tudo rapidamente, e ficando desesperado ao notar sua situação.

– Claro, eu vou cuidar de você, tá? Tudo vai dar certo. Tá tudo bem, você confia em mim, não é? – Taehyung balançou a cabeça. – Vem, eu ajudo você.

Jungkook esticou a mão para tocá-lo, mas Tae se afastou bruscamente e não permitiu, levantando-se sozinho, com muito dificuldade, e tentando não tocar em si mesmo, mas isso não era exatamente possível.

– Tome, Jungkook – Jackson esticava a mão –, leve meu carro, é seguro e confortável no estado em que ele está. Não se preocupe com a sujeira, eu mando limpar depois.

– Obrigado.

Tae olhou Jackson e balançou a cabeça, tentando agradecer pelo ato, porém havia outras coisas para ele se preocupe naquele momento.

– Eu não faço isso por você – a voz de Jackson entoou duvidosa.

Jungkook pegou as chaves da mão dele e lhe entregou a chave de sua moto, dando um sorriso imensamente agradecido pelo o que estava fazendo. Jackson apanhou as chaves e sorriu acenando com a cabeça, dando de ombros e indo levantar a moto, depois seguiu para o portão de entrada da universidade, tendo que assistir as gincanas.

Jeon abriu a porta do carro para Tae entrar, e assim ele o fez, sentando-se na parte de trás e evitando encostar em Jungkook ou até mesmo ter um contato visual com ele, tudo porque se considerava um imundo, literalmente e internamente, pois achava que no fundo a culpa era sua, culpa de ser alguém que não consegue se defender e lidar com os próprios problemas. Um ser humano fraco.

Jungkook pôs-se a dirigir o mais rápido que pode, porém o transito do quarteirão estava péssimo, então ele não conseguia acelerar o tanto que queria. Taehyung estava com o vidro aberto, olhando para fora e com braços bem longe do corpo, ele olhava tudo e não dizia nada, apenas parecia viajar para um lugar bem distante, olhando coisas aleatórias. O peito de Jeon palpitava de uma maneira inexplicável, como se sentisse algum tipo de frustração por não poder ter conseguido ajudá-lo, assim como a primeira vez. Depois que eles passaram pelo amontoado de carros, Taehyung viu seu apartamento e tentou sorrir, mas parecia uma tarefa tão difícil, então apenas gesticulou com os olhos, parecendo feliz.

Jungkook logo chegou na frente do prédio de arquitetura e estacionou, abrindo a porta para Tae sair e seguí-lo. Haviam outras pessoas no prédio e todas o olhavam estranho, como se ele fosse um mendigo sujo e desprezível, deixando-o bastante desconfortável pelo olhares, porém Jungkook retirou sua jaqueta preta de sempre e envoltou por cima dos ombros de  Taehyung, cobrindo-o e passando a mão por cima dos ombros dele, segurando-os com força.

– Tá tudo bem, eu tô aqui – Taehyung balançou a cabeça devagar, assentindo.

Eles pegaram o elevador junto com mais duas pessoas que se afastaram descaradamente deles, enojando-os de maneira mais que perceptível. Jungkook as olhava com cara feia quando ficavam encarando fixamente, então elas viravam o rosto e desviavam o olhar, envergonhadas. Depois de uns dois minutos dentro daquele elevador, os meninos chegaram na frente do apartamento e Jungkook logo abriu a porta, desbloqueando-a com a senha de número; Tae adentrou lentamente e seguiu direto para o quarto, mas Jungkook foi atrás dele e o segurou um pouco brusco, porém deu certo.

– Eu só preciso de um banho. Tá tudo bem – Tae parecia sério, como robô que programou todas as suas palavras.

– Fico feliz que esteja "tudo bem", mas não vou te deixar sozinho. Você não vai passar por isso novamente sem saber que eu estava lá. Me deixe te ajudar, Taehyung.

– Não posso, Jungkook. Eu agradeço que você tenha vindo aqui e me ajudado, mas agora eu não consigo sentir nada agradável, nem mesmo por você.

Aquelas palavras quebraram o coração de Jungkook em pedacinhos, então ele soltou o braço de Taehyung, abaixando a cabeça, refletindo por alguns segundos, contudo logo levantou o rosto, olhando profundamente nos olhos de Tae e puxando-o inesperadamente para um abraço apertado, surpreendendo-o.

– Jungkook, por favor... – a voz de Tae falhou e seu nariz dilatou.

– Eu tô aqui. Eu tô com você – Jungkook segurou a parte de trás a cabeça dele e o beijou na testa, lentamente.

Taehyung levantou os braços trêmulo, envoltando a cintura de Jungkook e colocando a cabeça entre o pescoço e o ombro dele, deixando algumas lágrimas dolorosas escorrerem, sem hesitar ou se conter. Foi então que, naquele momento, ele chorou tudo aquilo que não pode chorar durante todos esses anos, lembrando-se do que acontecera naquele maldito dia, de todas às vezes que tentou superar seus traumas e acabou fracassando, dos olhares frustrados de seus pais em saber que o filho possuía problemas e que nenhum médico ou especialista podia curá-lo ou até mesmo ajudá-lo um poco... Taehyung sentia um fracasso mútuo, dilacerando uma parte de seu ser interior.

– D-desculpa, Jung-kook... Eu não consegui me defender, agi como um bebê chorão e aceitei o que iriam fazer comigo. E-e-eu sou um-m fraco, pode falar – ele o apertou mais, afagando o rosto intensamente na blusa de Jungkook, que estava começando a molhar.

– Você não é fraco, Tae, mas ainda não está pronto para enfrentar seu maior demônio. Porém, você deve tentar lutar contra ele, mesmo que seja difícil e doloroso temos que tentar, aí, um dia, quando você menos esperar, acaba ganhando a batalha e está se preparando novamente pra guerra.

– M-mas e se eu perder? Como sempre...

– Você levanta – Jungkook o afastou, limpando as lágrimas que caíam pelo rosto dele –, se recompõe, toma um banho – Tae sorriu –, e depois busca uma forma de continuar lutando.

– Então eu acho que vou tomar um banho – sorriu torto, mas sorriu.

– É isso aí.

Taehyung retirou a jaqueta e pôs em seu cesto de roupa suja, depois foi ao banheiro e pediu para Jungkook pegar uma toalha e levar para ele, já que estava sujo e não queria tocar nas coisas, então logo entrou no banheiro. Jungkook abriu o armário e pegou duas toalhas, abrindo os botões de sua blusa e tirando sua calça casualmente, como se estivesse acostumado a fazer aquilo; em seguida, viu que a porta estava aberta e entrou, usando só uma cueca boxer. Tae arregalou os olhos e pegou imediatamente uma das toalha, cobrindo seu corpo e dando alguns passos para trás.

– Por que está vestido assim? Quer dizer, por não está vestido? – ele ficou assustado.

– Vou tomar banho com você, tá? – Jungkook pendurava a toalha.

– Não, Jungkook! É vergonhoso!

– Tae, acima de tudo somos homens, o que eu tenho você tem, embora o seu pareça ser bem maiooor – Jungkook olhava para a região abaixo da pélvis de Taehyung.

Tae cobriu a região do peitoral e esqueceu que também usava uma cueca, então foi inevitável Jungkook não olhar.

– OK – ele respirou fundo –, eu já passei por coisas piores e uma delas foi agora pouco, tomar banho com você não é nada demais.

Taehyung também pendurou a tolha e apertou os olhos, indo para trás do box e ligando o chuveiro. Jungkook sorriu sacudindo a cabeça e evitou tirar a cueca para não deixar Tae constrangido, ou mais constrangido.

Jungkook seguiu para o chuveiro, fechando o box e evitando olhar muito para Taehyung, pois assim talvez ele se sentisse mais confortável, porém parecia difícil. Tae passava por trás do mais novo sem encostar nele, depois pegava seus produtos e, como estava bastante nervoso, acabou pegando mais do que suas mãos poderiam segurar, então acidentalmente deixou cair seu sabonete líquido, só que Jeon tinha reflexos invejáveis, por isso virou-se rapidamente e agarrou o vidro de sabonete, segurando no ombro se Taehyung para se apoiar.

– Opa! Acho que salvei você de novo... – sorriu Jungkook, olhando nos olhos de Taehyung.

– Não foi nada demais, dessa vez eu poderia ter me virado sozinho.

– Tem certeza? O sabonete parecia perigoso – ele revirou os olhos, mas Jungkook esticou rapidamente o rosto e lhe roubou um celinho, colando as mãos na parede, um pouco acima dos ombros de Tae.

– Ei! Você não pode fazer essas coisas sem pedir! – disse ele, com a testa franzida, parecendo bem melhor.

– Ah, mas se eu pedir você não vai deixar.

– Você não tem certeza.

– Eu posso beijar você?

– Não!

– Viu, você é um chato – Jungkook retirou as mãos da parede e as pôs atrás, esticando o rosto e fazendo biquinho.

– Eu não vou beijar você, Jungkook... Não assim.

– Nem um beijinho? – Tae sacode a cabeça, negando.

– Tá, vamos tomar banho.

Jungkook pegou o sabonete e começou a ensaboar seu corpo bruscamente, como se quisesse arrancar a pele do lugar. Taehyung observava assustado, se esfregando com a ducha, delicadamente.

– É...não dói? – perguntava Tae, baixinho.

– Hum?

– Tipo, você se esfregar sempre assim?

– É... E, como eu me esfrego?

– Você põe muita força, sabe – Tae se aproximou e começou a esfregar com a ducha o braço esquerdo de Jungkook –, isso não se faz com força, sabia? Não precisa de tudo isso pra ser limpo.

Jungkook não disse nada, apenas sorriu ao ver Tae esfregando delicadamente seus braços, não se importando e nem ficando com vergonha, então Jungkook também tentou lavá-lo, mas ele hesitou e se afastou, segurando a mão de Jungkook e impedindo-o de tocá-lo.

– O que foi? – perguntou Jungkook, franzindo o cenho.

– Ninguém nunca tocou em mim, Jungkook, de nenhuma forma – ele ficou tímido.

– Oh, então acho que terei que ser o primeiro, não? – Jungkook sorriu.

– Mas assim, tão rápido? – Tae parecia estar com medo, pois seus olhos piscavam absurdas vezes.

– Olha, se você não quiser que eu te toque, não te toco, ok? Você não é obrigado a se sentir desconfortável por minha causa.

– Ah, mas aí se eu for sempre assim, você vai me achar um chato e uma hora vai embora – disse ele, sério e meio triste.

– Ei – Jungkook segurou seu rosto, acariciando sua bochecha–, não importa o tempo que demore, eu sempre vou te respeitar... Pelo menos, às vezes – sorriu.

– Eu odeio quando você é assim, tão adorável e compreensivo! – Tae falou alto, pondo a mão no rosto e tapando os olhos.

Jungkook sorriu franzindo o nariz, abaixando os olhos rapidamente, mas logo eles seguiram em direção a boca de Taehyung, que estava fechada e tinha um formato tão lindo e atraente que ele não resistiu, esticou o rosto e colou seus lábios, encaixando-os lentamente nos de Tae, contraindo o inferior e puxando carinhosamente o do garoto, provocando um estalo delicioso. Jungkook inclinou um pouco mais o corpo para frente e aos poucos foi encostando no de Taehyung, segurando no quadril do mesmo, até involuntariamente começar a abaixar a mão, chegando bem perto da nádega dele e amassando-a levemente, sem muita brutalidade. Tae deu um leve arfada quando Jungkook o apertou e levantou um pouco os pés, retirando a mão de seus olhos e encarando Jeon, angustiado e decidido. Tae encostou seu corpo no dele sentiu a intensidade do calor que seu corpo parecia emanar, então abaixou a mão e a levou até perto do cós da cueca de Jungkook, acariciando com seus dedos de veludo aquela região entre a pélvis e o umbigo, até que foi subindo, tocando o peitoral inteiro dele e sentindo alguma coisa formigar entre suas pernas, ficando um pouco dolorido. Jungkook suspirou e segurou a mão de Taehyung, abrindo os olhos e sorrindo, tenso e com muito desejo em suas expressões.

– Acho que não precisa ser agora, não é? – dizia ele, com a respiração acelerada.

– É...claro... Não precisa – disse Tae, sentindo uma mistura de frustração e alívio.

– Tá, então, eu vou por uma roupa e sair dessa quentura.

– Vai na frente, eu preciso passar uns dois produtos ainda.

Jungkook saiu apressado e respirou fundo, pegando a tolha e abrindo ligeiramente a porta, fechando-a rapidamente também. Tae tentava se conter e batia delicadamente em seu membro, pois ele estava um tanto enrijecido e nada do que fizesse fazia aquilo voltar ao normal, além de ter um incomodo de dor que parecia ficar cada vez mais intenso, até que teve a ideia de massagear, mesmo sabendo no que iria dar, afinal ele não era leigo, por mais nunca tivesse feito tal coisa.

Depois de alguns minutos, Tae descobriu que massagear a coisa, não era tão ruim assim, e enquanto fazia aqueles movimentos repetitivos, descobriu que podia esquecer seus problemas por alguns minutos, sentindo-se feliz e aliviado... Muito aliviado.

Ele pôs a mão na boca quando acelerou os movimentos de sua mão, logo sentindo um líquido branco e nojento sair de dentro de si e escorrer pela sua mão, então suspirou profundamente, apertando os olhos, sentindo uma satisfação que nunca sentiu, mas que assemelhava-se a comer sua comida preferida ou algo novo que era muito, ou melhor extremamente saboroso.

Assim que estava tudo terminado, Tae levou as mãos por quase cinco minutos e não parava de dizer o quanto aquilo, que seu sêmen era nojento, reclamando que poderiam existir formas mais higiênicas e menos nojentas de se sentir prazer, então pensou se mulheres também soltavam nata de leite gosmenta quando se sentiam satisfeitas, mas achou muito estranho e repulsivo pensar sobre isso, portanto desligou o chuveiro e apanhou a toalha, saindo do banheiro assim que terminou tudo.

Jungkook estava sentado no sofá, usava uma das roupas de velho e grandes que Taehyung tinha, e parecia está refletindo sobre as coisinhas que poderiam ter acontecido naquele banheiro. Poderia ter sido bom? Poderia. Poderia dar errado? Poderia. E quando eles iam ter outra oportunidade daquelas? Ninguém sabia.

No fundo, mas não tão fundo assim, Jungkook estava arrependido de não ter ido até o fim, porém sua consciência estava limpa e ele sentia-se quase bem consigo mesmo pela atitude executada, então se ajustou pela décima vez no sofá e apoiou os cotovelos nas coxas, entrelaçado os dedos e apoiando o queixo neles.

– Conte pra ele, Jungkook, esse é o certo... Vai dar tudo certo.

Jeon não tinha indo até o fim com Taehyung porque ainda não se sentia digno, muito menos merecedor de algum sentimento bonito, e tudo porque ele ainda não havia encontrado uma forma de dizer a verdade. Ademais, o coelho se sentia inexperiente com relação a homens, e também não se sentia preparado, mas não gostava da de admitir isso.

– Jungkook-ah, quer comer alguma coisa? – perguntava Tae, saindo do quarto usando roupas extremamente confortáveis e secando os cabelos.

– Estou bem, e-eu acho. Hã, já ligou pra sua mãe?

– Não... Vou falar com ela pessoalmente. É melhor.

– Você que sabe.

– É... Você tá bem, mesmo? – Tae parecia inconformado, pois, para ele, Jungkook estava tenso.

– Sim, por que não estaria?

– Hum, então tá. Vou pedir pizza e guardo uns pedaços pra você.

Taehyung deixou para lá adentrou em seu quarto novamente, pondo a toalha pra secar e pegando o telefone, ligando para um de seus infinitos cartõesinhos de comida delivery.

Coincidentemente, o celular de Jungkook também tocou, fazendo-o estranhar a ligação. A princípio, ele teve esperanças de que fosse Jin, seu amigo, quem tivesse ligado, porém o número era privado, então ele hesitou.

– Não vai atender? – perguntava Taehyung, pondo as luvas e saindo do quarto.

– É privado, não atendo números assim.

– Então deixa que eu atendo – Tae puxou o celular da mão de Jungkook e analisou o número, atendendo sem hesitar. Jungkook quis contestar, mas não deu muito certo.

– Alô?

– Oi, Coelho da Playboy. Tudo bem?

– É... Quem está falando?

– Hum, eu não sabia que esquecia das pessoas tão rápido. Porém, você só me viu uma vez, então vou te dar um desconto.

– Tá, mas quem é você? – Tae parecia está se irritando, ainda mais por ser uma voz sexy de mulher, que provavelmente também era sexy.

– Jennie, idiota. Então, quando vamos sair pra apostar outra corrida?

– Nun-ca! Entendeu? Ele saiu dessa vida de racha e perigo. Sendo assim, agradeço se você não ligar mais.

Jungkook estava com seus olhos arregalados vendo a atitude de Tae, parecia que nem era mais o garoto fofo e adorável que ele conhecera acidentalmente no primeiro dia de aula. Taehyung bufou e revirou os olhos, jogando o celular em cima de Jungkook e pegando o controle da TV, sentando-se no mesmo sofá, porém na outra ponta. Jungkook pegou o celular e colocou em cima da mesinha, olhando Tae com certo receio.

– Então... Queria saber se eu morro ao perguntar quem era – sorriu torto.

– Não disse o nome – Tae permanência sério, olhando a TV.

– Hum, então, você não sabe quem é?

– Era uma mulher, Jungkook. Pronto! Satisfeito? – Tae o olhou com irritação. – Ela quer saber quando vocês vão correr juntos de novo. E eu também adoraria saber. Pois é, Jeon Jungkook, quando vocês vão correr JUNTOS de novo?

– É... Ér... Espera! Você tá com ciúme?

O rosto de Tae queimava e sua vontade era de esganar Jungkook até fazê-lo convulsionar, fazendo xixi nas calças, mas Taehyung ainda era sensato e equilibrado até certo nível para saber que matar Jeon não era lucrativo, e o bônus seria prisão e sentença à morte, certamente.

– Eu-não-estou-com-ciúmes. Essa palavra é feia e não sei encaixa no meu dicionário.

– Aham, sei – Jungkook sorriu e se aproximou dele, caminhando de joelhos pelo sofá, na famosa posição de quatro.

– Se você chegar mais perto, eu juro que te dou um soco, Jungkook.

A campainha tocou e Taehyung olhou para a fechadura e para Jungkook, indicando com o olhar que ele deveria atender a porta. Jeon revirou os olhos e seguiu, desbloqueando a mesma e dando de cara um rapaz que usava chapéu verde com um emblema de pizza, avental xadrez e segurava duas caixas de redondas médias, sorrindo amigável quando o viu.

– Foi aqui que pediram uma pizza?

– Obviamente, né, já que foi esse o endereço que eu dei – disse Tae, amargo.

– Não liga pra ele, é que a TPM veio atacada esse mês.

– O QUÊ VOCÊ DISSE? – ele gritou.

– Aqui sua entrega. Boa noite – disse o entregador, sorrindo assustado.

Jungkook recolheu as pizzas e entregador deu meia volta, saindo rapidamente antes que Taehyung lhe tocasse fogo. Jeon as pusera em cima do balcão e olhou Tae, que parecia inconformado com algo. O coelho sentou-se no sofá e aos pouco arrastava sua bunda para mais perto dele, que se tivesse um raio-laser, teria incinerado o pobre Jungkook num piscar de olhos.

– É, vejo que vai ser impossível conversar com você. Por outro lado, você é obrigado a me ouvir.

– Hum – Tae o olhou com deboche, fazendo bico.

– Você não tem motivos pra ficar zangado, Tae. Era só uma parceira de corrida que queria apostar.

– Igual a parceira que você estava anteontem? Aquela que foi flagrada com você? A socialite que se acha a dona do velozes e furiosos?

– Aquilo foi acidental. Eu ganhei a corrida e ela veio tirar satisfações. Você não acredita em mim?

– Eu quero acreditar, mas você nunca me conta nada. Parece que é você quem não confia em mim.

– Tá. Então vá em frente, pergunte o que quiser saber.

– Assim não, Jungkook. Parece que estou te forçando a algo, como se fosse uma obrigação. Você não é obrigado a me dizer nada se não quiser, mas se for pra ser assim, eu prefiro terminar as coisas antes que elas realmente comecem.

Jungkook arregalou os olhos e não disse anda, apenas abaixou a cabeça e apanhou o celular, pegando as chaves do carro e levantando-se. Tae não esperava aquela reação e se sentiu um pouco mal, pensando que tinha pegado pesado.

– Jungko-...

– Você tá certo, Tae. Desculpe e boa noite.

Ver Jungkook sair por aquela porta, daquela maneira, fez o corpo inteiro de Taehyung esmorecer, deixando-o triste e trazendo à tona todos os sentimentos ruins dos acontecimentos mais cedo, então ele encolheu as pernas e limpou uma lágrima que escorria pelo canto de seu olho, sentindo-se uma pessoa infantil e ingrata.

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Hoseok não pregou os olhos noite passada, pois em sua cabeça só se passava algo que acontecera há dez anos atrás. Ele havia ficado feliz. Na verdade, ele ficou imensamente feliz em saber que Yoongi era o seu amor de infância, o seu primeiro amor. Jimin passara à noite com ele, mas dormiu assim que escovou os dentes, logo depois de tomar duas taças de vinho. Hoseok olhava o colar de sol que ganhara de Yoongi no dia do pedido de namoro, e também a outra metade da medalhinha que o mesmo lhe entregou há dez anos. Tudo parecia diferente dentro dele, era uma mistura de felicidade com preocupação e tristeza... Hobi, dessa vez, não sabia como consertar as coisas, pois Yoongi não era como Harry ou até mesmo Edward, que ganhava um presente caro, uma transa e depois ficavam de boa, fingindo que nada tinha acontecido, então era meio difícil ele pensar em fazer algo, mas não iria descansar até conseguir.

A hora passava e Jimin permanecia falecido, então Hoseok comprou o café da manhã e o pôs em cima da mesa, deixando uma mensagem dizendo que tinha saído, mas que tinha comprado comida e não deveria haver estresse. Ele pegou as chaves de seu carro e saiu, indo procurar um jeito de saber onde Yoongi morava, se bem que, essa nem era a parte mais difícil, pois difícil mesmo seria fazer Yoongi lhe ouvir pelo menos por cinco míseros minutos.

Hobi pensou em passar numa floricultura e depois em uma loja para comprar chocolates, porém refletiu seriamente no assunto, já que seu namorado não parecia ser uma pessoa romântica, e como ele ainda deveria está arrasado, era capaz de Yoongi fazer Hoseok engolir aquela caixa de bombons e mastigar cem vezes no mínimo as flores, por isso ele achou melhor não.

Hobi estava com fome e decidiu parar numa lanchonete de padrão bem alto, pensando que assim não iria correr o risco de esbarrar em quem ele não deveria, então estacionou o carro e adentrou, sorrindo gentilmente para o segurança e lhe desejando bom dia. Hoseok pegou a primeira mesa que encontrou e pediu um capuccino bem trabalhado, então, repentinamente, olhou para frente, vendo Edward sentado à mesa com um rapaz, e ambos pareciam muito próximos.

Hobi sentiu uma queimação no estômago, abaixando a cabeça para não ser notado, mas o garçom infeliz disse em tom normal seu nome, chamando a atenção de Edward rapidamente. Hoseok revirou os olhos e soltou um "puta que pariu" ao ver o outro levantar-se, porém o rapaz que estava com ele parecia querer impedido-lo, só que Edward sussurrou alguma coisa, então o outro apenas virou o rosto, deixando-o ir. Edward se aproximou normalmente da mesa de Hoseok, sorriu e sentou-se, sem a permissão dele.

– Bom dia, Hobi.

– O que você quer? – perguntava Hoseok, sério.

– Não seja tão grosso, Hoseok. Você não é assim.

– Bom dia, Ed – Hoseok arregalou os olhos e pareceu frustrado consigo mesmo.

– Ed? Nossa, isso me deixou feliz.

– Não se empolgue, isso foi apenas força do hábito. Enfim, diga logo o que quer na minha mesa. Eu quero tomar meu café em paz.

– Eu só queria conversar com você, querido. Tenho tanto a dizer, mas você não me dá chance, aí fica difícil.

– Você não tem nada a me dizer, Edward. E o que tinha, me disse há anos atrás.

– Justamente por isso... Eu quero te falar muita coisa, explicar o que estava acontecendo de verdade e... O que eu disse naquela noite -...

– Já chega.

– Hoseok, por favor, me ouça. Naquela noite eu disse a verdade, mas eu não sabia que seu pai me obrigaria a ir embora. Eu fui a uma clínica de reabilitação e hoje estou aqui, bem. Os médicos disseram que aquele meu vício foi causado por trauma quando mais novo, então eu resolvi melhorar para encontar você novamente... Mas cheguei tarde demais. Sobretudo, eu não preciso destruir a sua vida novamente, na verdade, eu me abominaria se fizesse tal coisa, a única coisa que eu quero é ser ao menos seu amigo. Quero chegar perto de você e ser tratado bem, como antes.

– Sinceramente, Edward, acho que as coisas nunca vão ser como antes. É quase impossível eu tentar perdoa e esquecer de tudo, não dá.

– É por que ainda gosta de mim, não é? Tá, você dirá que não, mas... Mas eu sinto, Hoseok. Você não consegue mentir pra mim. Por exemplo: sei que você gosta muito do seu novo namorado, mas seu coração ainda acelera quando me ver, seu estômago queima e seu corpo fica tenso. Eu te conheço melhor que ninguém, my Hope. Você sabe.

– É, você pode está certo, mas nunca serei seu novamente.

– Não precisa, apenas me tenha como amigo quando precisar.

Edward pegou o celular de Hoseok e o desbloqueou, digitando seu número de celular e o endereço de onde estava morando.

– Hum, vejo que não alterou a senha – Hoseok puxou o celular e o fitou com estranheza.

– O que significa isso?

– Meu número e endereço, quando precisar de mim, eu estarei lá.

– Não vou precisar – Hoseok deixou o dinheiro em cima da mesa e deu de ombros, bloqueado o celular e enfiando novamente no bolso. Edward continuou sentado e sorria de canto, dizendo baixinho "veremos, Hobi".

Hoseok foi até seu carro e suspirou profundamente, pondo as mãos no volante e dando uma última olhada para a lanchonete, se perguntando quando iria ter paz novamente para tomar um simples cafezinho da manhã. Ele ligou o carro e, assim que deu a primeira partida seu celular tocou, então revirou os olhos, indignado e estressado. Quando atendeu, notou que era seu pai e que não tinha escolha a não ser realmente falar com ele, pois Dom era mais antipático que Noa quando ignorado.

— Oi, pa-

– Onde você está, Hoseok? Fui à residência e Jimin disse que você tinha saído.

– Eu vim em uma lanchonete tomar café, já vou voltar.

– Venha pra casa. Estou em Seoul.

– Mas, pai, estou indo resolver uns assuntos importantes, mais tarde vou pra casa.

– Esses assuntos são mais importante que seu pai? Ótimo, bom saber.

– Pai, não é isso... Pai? Ah, minha nossa.

Hoseok não tinha escolha a não ser fazer o retorno e seguir diretamente a sua casa no condomínio, pois se vocês acham que Noa era dramático, é por que ainda não tiveram o prazer ou o desprazer em conhecer Dom. Sendo assim, Hobi não poderia executar seu plano de ir à casa de Yoongi e arrumar uma forma de explicar tudo para eles se resolverem e não brigarem durante um tempinho. Só que, infelizmente, a conversa teria que esperar.

[…]

Do outro lado da cidade estava Yoongi, que acordara pouco mais de meio-dia e não conseguia mexer os pés com precisão. Seu pai provavelmente estava no trabalho e sua mãe em estado de semi-coma. Foi difícil levantar, foi difícil andar e principalmente pensar, pois seu primeiro pensamento fora Hoseok, e em como as coisas terminaram na noite passada. Yoongi não admitia, mas estava esperançoso que Hoseok ligasse, ou aparecesse com flores e chocolate na sua porta, porém ele sabia que sua vida não era um conto de fadas, então nada disso iria mesmo acontecer.

O restante de seu dia seria normal, provavelmente. A empregada lhe levou comida e a enfermeira se ofereceu para cuidar dos calos estourados que tinham em seus pés.

Volta e meia ele olhava o celular, a porta e até mesmo o correio, mas nenhum sinal de nada e nem ninguém.

Quando seus pés pareciam estar melhores, ele seguiu até o quarto de sua mãe, sentou-se na beira da cama e acariciou o rosto dela, sentindo um forte aperto no peito.

– Não se preocupe, mãe, você vai sair dessa. Eu prometo que dessa vez farei algo de útil. Me desculpe por tudo. Eu amo você. 


Notas Finais


É isso.

QUEROOO LER COMENTÁRIOS, VIU? PLEASE, EU AMO OS COMENTÁRIOS DE VOCÊS!!!!

Gente, esperem aí e leiam isso:

Agora Sintonia tá no watt como >>> Sintonia VK<<< e quem quiser ir lá e dar uma votadinha nos caps eu agradeço, pois assim me ajuda muito, e se quiserem comentar alguma coisa, abram o parêntese e ponham "vim do spirit", que aí eu vou pedir o endereço de cada um pra dar um beijo em vocês hakakak. É isso, meus amores.

Eu amo muito vocês. Beijo na bunda todo mundooo 💜💜💜💜🌻🌻🌻

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Twitter: @MTjikook
Tag: #SintoniaVK


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