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História Sinuca de Bico - Capítulo 2


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Notas do Autor


OIEEEEEEE

Capítulo 2 - Lado B


Taehyung assistia muitos filmes, gostava de tudo. Em um deles, do qual não conseguia lembrar o nome, ouviu uma colocação muito interessante:

“Você está desbotando”

A primeira pessoa para quem pensou em ligar foi Namjoon, mas com medo de desbotá-lo mais, não o fez. Na sexta-feira, quando chegou ao trabalho, encontrou o amigo apoiado no balcão, olhando para o horizonte; não bem para o horizonte, era só para o corredor que levava àquela mesa.

– Boa tarde, bonitão! – Tae disse ao entrar.

– E aí, cara? Boa tarde – respondeu Namjoon, sem fingir entusiasmo.

– Eles já estão aí?

– Não, hoje não. E o Sanghun disse pra gente fechar mais cedo hoje, viu? Lá pras sete.

– Que estranho… não que eu ache ruim, né, mas ele nunca fez isso. Vai fazer o que mais tarde?

– Nada de muito interessante, o final da novela tá uma bosta.

– A gente podia ir comer alguma coisa, beber na conveniência, conversar um pouquinho. Faz tanto tempo que a gente não sai junto, né?

– É. Pode ser. Vou ver se te encaixo na minha agenda.

 

Como esperado, o encontro foi esquisito no começo, com Taehyung tagarelando e Namjoon apenas balançando a cabeça. O álcool fez com que ele se soltasse um pouquinho mais, e o ramen com molho de kimchi aqueceu seu coração de tal forma que ele ficou nostálgico do nada, lembrando de coisas que nem Tae conseguia mais.

– E você nunca teve paciência, eu afim de pedalar perto do rio Han e você dizendo “ah, mas contemplação é chato!” Agora fica aí vendo filme do Wes Anderson!

– Eu não fui criado pra esse tipo de coisa, Nam! A gente não vem pra capital achando que vai encontrar gente doida!

Namjoon deu risada.

– Ai, época boa. Agora quem apita é um cara que tem sei lá quantos hectares de tabaco em Cuba e anda com um relógio que vale mais que a minha avó.

– E sua avó é muito preciosa.

– Eu bem sei!

Taehyung riu em meio à tristeza que sentiu na voz do amigo. Chorar naquele momento não adiantaria nada, só assustaria Namjoon ainda mais e jogaria fora o progresso que fez com ele; por isto, tomou a sábia decisão de calar a boca com uma dose de soju.

 

▲▼▲

 

A casa de Choi Eunjeong ficava em uma colina altíssima, e Jimin se lembrou de da mansão dos Park em “Parasita” quando viu a altura que teria de subir. Veio à sua cabeça o mantra “Jessica, we-dong-ddal / Illinois Chicago / Kwa-sun-bae-neun Kim Jinmo / gue-neun-ni-sa-chon” e ele começou a recitar o versinho enquanto não estava muito ofegante.

Ele ajeitou os cabelos como pode antes de pressionar o interfone, e quem o atendeu foi uma voz bem jovem, pedindo que ele entrasse e aguardasse no jardim, até que ela fosse apanhá-lo. A governanta parecia ter trinta e poucos anos, os cabelos perfeitamente tingidos de castanho, sem sinais de crescimento da raiz ou manchas, e as roupas bem alinhadas. Era uma aeromoça da década de 1960, sem tirar nem por.

– Meu nome é Kim Jieun, a Sra. Choi pediu que eu conduzisse o senhor até o segundo andar. Precisa de ajuda com a maleta?

– Não, amiga, imagina!

Jieun levantou a sobrancelha ao ser chamada de “amiga” e virou-se, como um sinal para que ele a seguisse. Jimin riu baixinho da primeira vergonha do dia e acompanhou os passos da mulher, distraído pelos sons que o sapato dela faziam em contato com o chão de mármore. Ele nem notou quando eles chegaram a um corredor muito longo, com paredes cobertas por um mosaico de pedras e portas verde-escuras.

– Sra. Choi?

– Mande-o entrar, Jieun! – disse uma voz animada de dentro do quarto.

A governanta deu espaço para que ele mesmo abrisse a porta. Ele agradeceu, chamando-a de “amiga” novamente, e adentrou o maior quarto que já vira na vida. De uma forma estranha, a decoração minimalista e as grandes janelas faziam com que o lugar lembrasse um… necrotério? Foi o que Jimin pensou, pelo menos. Credo, Jimin!

Eunjeong, enfiada em um roupão de seda e com os cabelos cheios de bobes, levantou-se da penteadeira para cumprimentá-lo com um beijinho em cada bochecha.

– Bom dia, querido! Como passou desde a última vez que nos vimos?

– Muito bem, obrigado. E vossa majestade? Está radiante!

– Estou mesmo? Deve ser felicidade, imagine que eu peguei o melhor papel do drama: a vilã! Só um momentinho e já continuamos!

Ela foi até o banheiro para lavar e hidratar o rosto, e Jimin aproveitou para separar os produtos que utilizaria. Tentou espiar, através de frestas nas gavetas, se ela tinha algum cosmético além dos usados para cuidar da pele, e não encontrou nenhum, nem sequer um esmalte. Agachou-se, abriu sua maleta e começou a tirar mil e uma necessaires de dentro dela.

– Prontinho! Pode fazer sua mágica!

A atriz se sentou na cadeira em um salto, como se fosse uma criança, e impulsionou o corpo para girar. Jimin sorriu, pegou um pincel e abriu uma das bolsinhas, onde haviam, no mínimo, dez tons de base.

– Onde você geralmente testa a cor da sua base? – ele perguntou, tirando alguns vidrinhos da bolsa.

– Costumava testar no rosto mesmo. Sabe, eu não compro maquiagem há anos, meu marido não gosta.

– É só ele não usar!

– Não é isso! – ela riu, inocentemente – Ele acha que eu sou bonita assim, ao natural, que não preciso de nada. Estou linda pra ele, e isso é muito importante pra mim.

O alerta vermelho de Jimin começou a piscar, devagarinho.

– Antes de se casar com ele, como é que você se sentia bonita?

– Ah, nem me lembro! Eu gosto de cara limpa, mas as cores são tão boas. É por isso que você tá aqui, não é?

– Exatamente!

Ele pediu licença para ela e testou a primeira cor na base de seu pescoço. Escura demais.

– Sabe, eu gosto de pensar em maquiagem como uma Drag Queen faria – ele começou, tentando se manter calmo – Elas não usam apenas luz e sombra, afundam isso, valorizam aquilo… elas SÃO aquele rosto. Maquiagem é um elemento pra montar o personagem, seja ele quem você queira ser no dia.

Tentou outra cor. Essa, sim, deu certo.

– É interessante pensar nisso. Eu nunca vi uma Drag Queen de perto.

– Sério? Eu tenho vários amigos que se montam, foi por conta deles que decidi ser maquiador.

– Vou agradecê-los pessoalmente quando puder.

Jimin colocou um pouco da base escolhida no dorso da mão e usou uma esponjinha para aplicá-la no rosto da mulher. Era um trabalho muito delicado para que o efeito fosse natural, mesmo em uma pele sem cicatrizes ou olheiras como era a de Eunjeong.

Ele terminou a aplicação, e quando foi pousar a esponja na mesa para pegar a paleta de sombras, assustou-se com a violência com que a atriz pulou na cadeira e acabou jogando o objeto em qualquer lugar.

– O que foi isso?

– Jieun disse que tínhamos visita – disse uma voz calma vinda da porta. Era um homem de estatura média, braços fortes e os cabelos penteados com gel.

– Oi, amor! – ela disse, com a voz esganiçada – Jimin, este é meu marido, Sanghun. O Jimin veio me maquiar, nos conhecemos na Fashion Week!

– Aquele lugar só tem gente que não presta. Eu preferiria que não frequentasse, mas você é teimosa, não é mesmo, Jimin?

– Se o senhor não se incomoda, está interferindo na iluminação – respondeu Jimin, sem pensar.

O tal Sanghun encarou Jimin como se ele tivesse cometido um crime e disse:

– Foi um prazer ter conhecido você.

– Digo o mesmo.

E saiu vagaosamente, fechando a porta com cuidado. Eunjeong segurava os braços da cadeira com força, e quando pousou-os de volta no colo, Jimin pode ver as marcas que suas unhas fizeram ali. O alerta vermelho passou de luzes de natal a sirene de ambulância.

 

▲▼▲

 

Jungkook sempre se sentava na mesma mesa próxima à vidraça quando ia ao DoReMi, pois o ângulo era perfeito para observar a tal barista e não parecer um esquisitão. Ele não precisava de ajuda pra isso.

O cartunista pediu um macchiato de caramelo, mas, além dele, recebeu dois cookies com gotas de chocolate. Ficou intrigado e pensou em ir reclamar, mas como era coió, teve vergonha de não parecer muito indignado e comeu tudo, com muito gosto. Na hora do pagamento, para o seu azar, a moça que ele costumava observar foi quem o atendeu.

– Gostou dos cookies?

– Ah, gostei, uhum, tava muito bom. Mas não fui eu quem pedi, não, vocês devem ter se enganado. Alguém ficou sem cookie!

A moça o encarou e baixou os olhos para separar o troco.

– Ninguém ficou sem cookie, aqueles foram por conta da casa. Minha conta.

– Mas gente…

– Acha que eu não sei o que você faz, entendi. Como ator você é um bom ilustrador. Desenha há quanto tempo?

– Ah, bicho, nem sei. Profissionalmente, há cinco anos, mas desde criança eu gosto de rabiscar!

– E tá satisfeito com o seu trabalho?

– Não, né, nunca me deixaram publicar nada, por isso fico de colorista. É importante, mas não é exatamente o que eu queria.

– Então faz o favor de melhorar essa cara e não desistir. Qual é seu nome?

– Jungkook.

– Bacana, Jungkook, agora eu posso pagar minha conta? – perguntou uma moça na fila do caixa.

– Ih, olha só, valeu pelo conselho, viu? Nunca mais te encho o saco!

– Não prometa o que não pode cumprir.

– Falou! – ele fez pequenas reverências enquanto guardava o troco – Valeu mesmo, você é demais! Como você se chama?

– Wheein!

– Wheein… tá, Wheein, até!

O rapaz saiu, com seu andar desconcertado, e a garota da fila perguntou:

– Mas o seu nome não tá no crachá?

Wheein só levantou os ombros e recolheu o dinheiro do próximo cliente.

 

▲▼▲

 

Era a primeira vez que Taehyung ficava para o turno da madrugada, e, por sorte, Byul ficaria por ali. Era o horário em que ele sentia mais medo, e ela estava sempre muito serena, fazendo piadas e atendendo os clientes mais sinistros.

– Puxa, acho que o mentolado da Zest acabou. Quer que eu pegue lá no estoque ou você vai?

– Pode deixar comigo, Byul.

– Tá certo.

Tae saiu de trás do balcão e seguiu pelo corredor de madeira até chegar a uma cortina de veludo escuro, que escondia uma escada. Desceu, e enquanto procurava pelos pacotes do cigarro, ouviu o soar do sininho que anunciava a entrada de clientes. Seu coração disparou, mas ele não podia deixar sua mente se enevoar e se concentrou na sua tarefa. Ao subir, deu de cara com um sujeito magro, de quase 1,90 de altura, que foi em direção à mesa privada seguido por Sanghun, outros homens tão mal-encarados quanto ele, e meia-dúzia de moças muito novas, que tinham sorrisos no rosto e olhares desesperados.

O rapaz voltou para o balcão, horrorizado.

– Nunca viu isso, né? – perguntou Byul.

– N… não, eles sempre vem sozinhos, elas são muito novas, a gente tem que fazer alguma coisa…

– Pega seu telefone e tira a senha.

– Tá.

Tae obedeceu, enquanto ela escrevia um bilhete recomendando que as meninas ligassem para a polícia.

– Eu vou colocar isso no banheiro feminino e você vai ficar aqui, me dando cobertura. Caso eles me abordem, sai daqui e chama o primeiro guarda municipal que você encontrar.

– É perigoso pra caralho.

– Não dá pra esperar a próxima chance. Pronto?

Ele lhe entregou o celular e ela se dirigiu ao banheiro, com a desculpa de repor papel higiênico. Na volta, ela olhou para uma das meninas de soslaio, e ficou aliviada ao ver duas delas, poucos minutos depois, se levantando da mesa.

Byul e Tae só não contavam que elas demorariam tanto e chamariam a atenção dos caras. Um deles bateu à porta do banheiro e as chamou para irem embora, pois eles se complicariam se a polícia visse adolescentes na rua às 2h54min da manhã. Elas tiveram que sair e evitaram olhar para os atendentes ao passar pelo balcão.

– Caralho! – xingou Byul.

– Bando de porco filho da puta! Sabe lá Deus o que vai acontecer com elas agora!

– Eu não gosto nem de imaginar.

Byul tratou de tirar o avental, e disse, exausta:

– Vou conferir se elas jogaram o bilhete fora e já volto pra gente bater o ponto. Hoje a gente não atende mais ninguém.

 

▲▼▲

 

Alguns dias se passaram desde o primeiro contato real com Wheein, e Jungkook já se sentia menos perturbado. Agora ela até sorria pra ele (às vezes. Quando ele não estava olhando.) e dizia alguma coisa quando o via trabalhando no tablet.

No período em que fez tocaia, ele notou uma mania estranha nela: sempre que anotava alguma coisa, jogava fora logo depois na lixeira da calçada, mesmo havendo cestos dentro do café. Ela tinha caneta e um bloco de post-its só pra isso, e Jungkook só achou aquilo suspeito quando a adrenalina de observá-la escondido passou.

Certo dia, ele não foi tomar café no DoReMi. Preparou um chá-preto e torradas com geleia e saiu de casa ignorando a revoada, o sol laranja e o vento dolorido. Chegou perto do estabelecimento, e sem se importar em parecer esquisito, abriu a tampa da lixeira e fuçou, tirando de lá três dos post-its coloridos de Wheein. Eram tirinhas feitas com caneta hidrográfica de ponta bem fina, e Jungkook poderia jurar pela mãe mortinha atrás da porta que era a que ela usava. Ele guardou tudo na mochila e saiu dali o mais rápido possível.

Os desenhos de Wheein tinham traços elegantes, quase como se feitos com materiais de geometria, e havia algo neles que lhe era familiar. Pensou em colori-los manualmente, mas não! Jamais alteraria o estado daquelas pequenas obras de arte! Sua felicidade de encontrar uma artista de estilo único foi tamanha que ele fuçou o almoxarifado da editora até encontrar um Ziploc, guardou os desenhos nele e os escondeu em sua mochila, para que eles se conservassem do jeitinho que eram quando ele os encontrou.

 

▲▼▲

 

Fazer a coreografia de “Birthday” da SOMI, por incrível que pareça, não faz a faxina render – mesmo que Taehyung tenha tentado provar o contrário. Enquanto Jimin varria a casa, Tae passava pano no chão e Jungkook lavava o banheiro.

– Posso limpar seu quarto já? – perguntou Jimin a Jungkook.

– Não, deixa daquele jeito mesmo!

– Creio em Deus Pai.

Jimin entrou no quarto de Jungkook, colocou o tapete na janela e começou a varrer. Os desenhos nos post-its chamaram sua atenção, porque ele pensou já tê-los visto antes pelo menos uma vez. Foi até o banheiro novamente.

– Kookie!

– Oi!

– De onde você tirou aqueles desenhos que estão na sua mesa? Digo os feitos no POST-IT, não as menininhas de anime!

– Ah, eu achei no lixo, lá perto do DoReMi. Foi a barista que fez!

– Que? Eu não acredito que você pegou coisa do lixo só porque ela fez! Abre essa porta agora, Jungkook!

O rapaz obedeceu.

– Meu bem, isso não é normal não!

– Deixa eu te explicar: eu sempre via ela desenhando e jogando no lixo, desenhando e jogando no lixo, até que um dia eu fiquei curioso pra ver o porque ela não guardava os papeizinhos e achei aqueles desenhos. Só guardei porque eles me pareceram familiares demais.

– Pra mim também.

– Hã?

– Eu vi uns desenhos muito parecidos com aqueles na casa da Eunjeong. “Parecidos” o cacete, eram iguais, principalmente o do post-it azul.

Jungkook saiu do banheiro correndo, com os pés molhados e tudo, e foi para seu quarto. Pegou o notebook, digitou algo no Google Imagens e mostrou a Jimin.

– Se parecem com estes também?

O maquiador se aproximou, apertou os olhos e fez que “sim” com a cabeça.

– Meu Deus do céu, Jimin…

– Você tá bem? TAEHYUNG, PELO AMOR DE DEUS, ACODE! O JUNGKOOK DEU TETO PRETO!

 

▲▼▲

 

Era o terceiro turno seguido que Namjoon faltava. Taehyung perguntou à Byul se ela sabia de alguma coisa, ligou inúmeras vezes para o amigo e nada, só dava “caixa postal”. Ele morava sozinho, portanto Taehyung ficou com medo de algo mais grave ter acontecido e resolveu tomar medidas invasivas: foi até a casa dele e chamou, bateu palmas, apertou a campainha e absolutamente ninguém apareceu. Ele, então, pulou o muro e verificou, através dos vidros das janelas, se não havia algo estranho dentro da casa ou algum cheiro muito forte. Nada. O filho da puta tinha sumido.

– E agora eu tô doido, e se ele foi raptado? E se morreu? Eu tenho responsabilidade nisso, vi que ele não tava legal e não fiz nada…

– Cara, a televisão fica o dia todo ligado lá na editora, e ninguém foi dado como desaparecido por esses dias. – disse Jungkook – Alguém daria falta de um cara gigante daqueles, algum amigo, a família, sei lá!

– Família! – disse Jimin, estalando os dedos – Você tem o número da irmã dele, não tem?

– Mas faz tanto tempo, ela já deve ter trocado.

– Taehyung, vai cair seu braço se você tentar?

 

– Geongmin? Oi, sou eu, Taehyung! Lembra de mim, aquele de Daegu!

– Lembro. Tudo bem?

– Tudo ótimo, maravilha!

– Hmm, que bom.

– É… cadê seu irmão, hein? Ele sumiu faz uns dias, tô ficando preocupado já.

– Ele tá bem, a gente anda vendo ele. Só que ele se demitiu da tabacaria.

– Oi?

– E não te falou nada, pelo jeito.

– Não, eu não tava sabendo. Ele tá bem?

– Está ótimo, maravilha, igual a você.

Taehyung respirou fundo.

– Olha, Geongmin, eu tô achando que ele anda muito esquisito. Por favor, fala a verdade pra mim.

– Aqui, eu não tô afim de gente apontando o dedo pra mim não, falou? Eu disse o que eu sei, pare de me importunar. Até.

Ela bateu o telefone na cara de Tae, deixando-o sem chão. Agora as coisas ficaram muito piores: ele morreu e a família tava ocultado o cadáver.

– Satisfeito?

 

▲▼▲

 

Jungkook saiu do trabalho, comprou alguns bombons de uma vendedora ambulante, uma revistinha de caça-palavras e foi pegar o trem. No trajeto, percebeu que sua cabeça não parava de pensar, era uma coisa atrás da outra e ele estava à beira de uma crise de ansiedade. Sentiu o ar faltar e se apoiou em um dos canos de ferro, tentando manter a respiração constante para que seu coração diminuísse a velocidade dos batimentos. Começou a contar quantas pessoas usavam cachecol; quantas tinham cabelos tingidos; quantas pareciam felizes; quantas das que pareciam felizes ouviam música; quantas ouviam música no geral. Até que chegou em sua estação e ficou aliviado por poder descontar a tensão andando, ainda que suas coxas doessem por causa do nervosismo.

Mais do que nunca, observar a paisagem a sua volta foi importante naquele dia, e ele se distraiu com os táxis laranja e o arco-íris que a luz do sol insistia em formar nos prédios espelhados. Naquele horário, não havia muita gente no DoReMi, e ele quase pode contar que Wheein não estaria ali. Ela nunca estava.

– Jungkook? É esse seu nome mesmo?

Nossa, ela estava, o que rolou?

– Acertou, olha só. Tudo bem?

– Tudo! Hyejin, ele é aquele esquisitão com quem eu fiz amizade esses dias!

Hyejin, a namorada de Wheein, era uma mulher de cabelos pretos e longos e pele caramelada. Ela sorriu para Jungkook e passou o braço pelos ombros de Wheein quando ela saiu do café.

– Você disse que ele era mó estranho, ele parece o sonho de toda sogra. Alguém já te chamou de fofo hoje, Jungkook?

– Não, só de incompetente.

– Eu falei pra você se demitir – disse Wheein.

– Que mentira, você me falou pra continuar tentando!

– Sem condições! – disse Hyejin – Onde você trabalha?

– Em uma editora de quadrinhos, eu sou colorista.

– Que bacana, um artista! Eu adoro artista, sabe?

Hyejin olhou para Wheein como um cachorrinho abandonado e a barista balançou a cabeça em negação.

– Até hoje eu nunca entendi por que você faz isto, Wheein!

– Porque agora não é a hora!

– Fica fria. – interrompeu Jungkook – Eu te conheço.


Notas Finais




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