História Siren - Capítulo 3


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Categorias Eden Hazard
Personagens Eden Hazard, Personagens Originais
Tags Chelsea, Eden Hazard, Futebol!
Visualizações 380
Palavras 3.977
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, oi!
- Eu sei que isso não é hora de ficar postando capítulo novo mas a insônia chegou com tudo.
- Um beijão para quem vem comentando! Vocês moram no meu coração e nem pagam aluguel huahua! 💘💗💖
- Como sempre, espero te ver lá embaixo! 💓

(♪ OG Heartthrob - Majid Jordan)

Capítulo 3 - OG Heartthrob


Fanfic / Fanfiction Siren - Capítulo 3 - OG Heartthrob

 

“O Efeito Hazard”.

Era essa a manchete de um dos jornais de maior circulação de toda a Inglaterra.

Logo abaixo das letras garrafais, havia a foto de Lena cobrindo o rosto com a mão que não segurava o microfone enquanto Eden olhava para ela com o seu famoso sorrisinho de canto. A legenda falava sobre como o craque havia deixado a jornalista espanhola “sem reação” e “constrangida” com nada além de sua mera presença. Lena não teve coragem de procurar, mas tinha certeza de que aquilo já havia chegado em revistas de fofoca da Espanha.

A transmissão não havia sido ao vivo, mas quando há dúzias de jornalistas observando cada respiração sua, era evidente que aquilo não passaria em branco.

O fato era que ela queria matar alguém. Talvez até a si própria. Assim não teria mais que ouvir as provocações e brincadeirinhas vindas de Don e de outras pessoas da redação.

Para completar a sua desgraça, a matéria online havia feito uma pesquisa aprofundada sobre a sua vida, mostrando fotos pessoais e informações irrelevantes, como o detalhe de ela já ter supostamente se envolvido com jogadores de futebol no passado. Era o cúmulo de sensacionalismo.

De qualquer forma, não havia tempo para lamúria. Era dia de estreia do Chelsea na Premier League, com uma partida contra o West Ham. Já que eram dois times de Londres, a cidade parecia mais agitada que o normal.

Os ambientes destinados aos jornalistas estavam caóticos. Os jogadores já haviam chegado, mas, como de costume, as entrevistas só seriam feitas no final.

Não havia nenhuma televisão para transmitir o jogo, até porque, no meio de tantos representantes de emissoras diferentes, seria complicado escolher um canal específico. Cada um se virava do jeito que podia com laptops, fones de ouvido e qualquer outro tipo de mídia. Para pessoas de fora, era no mínimo estranho estar no estádio em que ocorria a partida sem conseguir assisti-la ao vivo, mas fazia parte do trabalho.

— Certo, qual é o esquema para hoje? — Don perguntou enquanto digitava algo no Macbook em seu colo. Ele e Lena estavam sentados em um dos poucos lugares disponíveis na sala lotada de integrantes da imprensa.

O barulho ao redor vindo de outros jornalistas foi gradualmente abaixando, evidenciando o fato de que os jogadores já estavam entrando em campo.

— No fim, eu subo lá em cima e lido com o técnico. Você fala com os jogadores na zona mista... — Lena olhou para o seu parceiro quando não recebeu uma confirmação. — De acordo?

— Ah, sim, por mim, tudo bem... — ele voltou a atenção para a tela do seu laptop, colocando em uma transmissão da partida que estava prestes a começar há poucos metros de distância de onde estavam. — Só queria saber se isso tem algo a ver com você querer evitar um certo belga...

— O quê?! Quanta bobagem... — Lena deu de ombros, fingindo não estar plenamente consciente sobre quem ele estava falando. — Aliás, para a sua informação, vou almoçar com o Thibaut nesse domingo.

— Belga errado, não se faça de anta — Don colocou os fones de ouvido ao redor do pescoço, olhando para Lena com olhos desconfiados. — Estou falando do outro, o camisa 10, começa com “Ha” e termina com “zard”, aquele que te fez tremer na base, lembra?

— Não tremi em base alguma! — Lena defendeu-se.

— Ok, esquentadinha, mas bem que você queria tremer em cima daquela base dele, se é que me entendes...

A única resposta que Don recebeu foi a mão de Lena bruscamente tapando a sua boca.

Ela nem percebeu a falta de qualquer negação vinda de sua parte.

 

.

 

O jogo havia sido equilibrado. Em outras palavras, tenso.

Em apenas cinco minutos, Kanté levou um cartão amarelo, o que significou que ele caminharia sobre gelo fino pelo resto da partida. Mesmo com duas boas chances criadas pelo Chelsea, o primeiro tempo acabou sem gols para qualquer lado.

Logo na volta, após um pênalti incontestável sobre Azpilicueta, Hazard marcou o primeiro gol, diminuindo um pouco do peso nas costas do técnico italiano que estava em seu jogo de estreia na competição. Todavia, o adversário não parecia estar nem um pouco intimidado com o estádio lotado de torcedores vestindo azul e clamando vitória, conseguindo alcançar um empate pouco tempo depois.

Nos últimos minutos, porém, para a alegria da maior parte do público presente, Diego Costa consagrou a vitória dos anfitriões dentro do Stamford Bridge.

Com o fim do jogo, os jornalistas saíram em direção ao gramado e à zona mista.

Lena moveu-se pelo túnel que levava até o campo, passando por diversos jogadores de ambos times que voltavam para os seus respectivos vestiários. Contudo, os únicos que realmente pareciam se importar com a presença dela vinham do lado do Chelsea.

Primeiro foi David Luiz e seu cumprimento caloroso até demais, como se ele e Lena fossem velhos amigos mesmo que tenham interagido uma única vez, ao lado de um Willian que, logo ao ver ela, sorriu malandramente.

Talvez fosse o entusiasmo por terem ganhado, mas atrás veio Fàbregas, que não hesitou em ir até Lena.

— Querida conterrânea! Lembro de você! — ele falou em espanhol. — Veio entrevistar novamente o famoso Fàbregas?

— Hoje não, só tenho olhos para o Conte mesmo —  ela respondeu no mesmo tom brincalhão de Cesc.

— Não diga isso... — ele lamentou exageradamente. — O Eden já teve problemas com o último técnico, depois dessa vai criar atrito com o Antonio.

Ao não saber o que responder, Lena apenas deu uma risada sem graça.

Felizmente para ela, Diego Costa apareceu, ainda em um estado de euforia, e pulou nas costas do espanhol, fazendo Cesc andar em desequilíbrio para frente e seguir seu rumo juntamente com o companheiro de equipe.

Lena havia convencido a si mesma de que conseguiria acabar o dia sem se esbarrar uma única vez com Hazard, mas certas coisas eram inevitáveis.

Antes dela sequer pisar na grama e ir em direção ao técnico que já estava posicionando-se na frente do painel de patrocinadores, Eden passou por ela inocentemente.

Os seus olhares se cruzaram como um imã por uma fração de segundos, fazendo Eden dar uma piscadela e Lena retribuir com uma careta de indignação.

— Você é famosa — o operador de câmera comentou, inofensivo.

— Pelo visto...

 

.

 

— Sabe o que você realmente é? Dramática.

Don e Lena encontravam-se dentro do carro dele em uma parte reservada do estacionamento que estava praticamente deserta, sendo que grande parte da imprensa já havia ido embora do estádio. Ela tinha acabado de falar sobre o seu encontro peculiar com os jogadores no túnel.

— É óbvio que ele falou sobre você. Homens fofocam! — Don continuou enquanto colocava a chave na ignição sem ainda ligar o automóvel. — Você acha que eles só ficam discutindo estratégias de jogo dentro daquele vestiário? Me poupe. Além do mais, você é exótica e chama a atenção por onde passa — apesar das palavras, aquilo parecia mais um sermão do que um elogio.

— E eu lá tenho cara de especiaria para ser chamada de exótica?

A discussão foi interrompida assim que alguém bateu no vidro do lado do passageiro, fazendo Lena olhar para trás e se deparar com ninguém menos que Eden Hazard.

Assim que o vidro abaixou, Eden inclinou-se um pouco para frente e casualmente apoiou o braço na porta.

— E aí, cara, tudo bem? Me empresta ela por um minuto? — Eden cumprimentou Don e apontou para Lena com um movimento de sua cabeça sem sequer olhar para ela.

— O que...

— É toda sua! — Don interrompeu Lena, destrancando as portas do carro com um clique. — Não aceito devoluções.

Eden riu antes de dar um passo para trás e esperar por Lena, a qual apenas lançou um olhar obscuro para Don antes de sair do veículo.

Em um impulso instintivo, ela arrumou algumas mechas do seu coque que estava prestes a desmoronar e alisou a sua saia lápis assim que se pôs na frente do jogador, como se estivesse prestes a entrevistá-lo.

— Pois não?

Eden fez um som de deboche para o tom criterioso que ela havia acabado de usar.

— Bem, você vem ignorando as minhas mensagens... — ele deu de ombros, como se aquela afirmação fosse autoexplicativa o suficiente para a sua presença.

Lena soltou um riso sarcástico antes de dar um passo em direção a Eden, logo se arrependendo de tal ato, pois foi possível ela sentir o cheiro do seu perfume e perceber a pele dele sutilmente ruborizada devido ao esforço físico do jogo e ao fato dele ter acabado de sair do banho. Era uma visão irresistível.

— Olha, eu sei que você não deve estar acostumado com rejeições, mas quando uma mulher visualiza e não responde, geralmente significa que ela não quer nada com você.

— Pode até ser... Mas eu sei que essa mulher, em especial, só é um pouco teimosa e tem preconceito com a minha profissão — ele argumentou.

— Eu não sou teimosa e não tenho preconceitos! — ela cruzou os braços e bateu o salto no chão como forma de contestação.

— Então não teria problema algum em aceitar sair comigo — ele propôs com um sorriso desafiador.

Lena hesitou. Ela sabia que se envolver com ele de qualquer forma traria consequências mais para frente, mas também sabia que havia algo dentro dela que queria ignorar completamente todas as bandeiras vermelhas.

— É que... eu... já tenho planos com o...

Antes que ela pudesse terminar, o motor do carro foi ligado e o barulho acelerado dos pneus contra o asfalto foi a única despedida que ela recebeu de Don. Até a sua bolsa ele havia tido a consideração de deixar para trás.

— O que dizia? — Eden se voltou para ela enquanto tentava deter a sua gargalhada.

— Aquele filho da puta... — Lena amaldiçoou antes de ir recolher a sua bolsa abandonada. — Enfim... Mesmo se eu quisesse sair com você, eu não iria vestida assim. Pode esquecer.

Eden franziu um pouco o cenho em concentração e analisou Lena da cabeça aos pés, muito mais interessado em contemplar na forma como a saia valorizava as curvas da morena e no decote de sua blusa social branca do que julgar as suas roupas em si.

— Ah, eu gostei... — ele acenou com a cabeça, ainda com uma expressão pensativa. — Parece que você está prestes a me falar sobre a bolsa de valores ou, sei lá, a previsão do tempo. É bem sexy, na verdade.

— É sério isso, Hazard? — Lena zombou dele enquanto ria. — “Nuvens com 80% de chances de chuva no final da tarde”, é esse o seu fetiche?

— Ai, amor, não fala essas coisas em público... — Eden grunhiu em falso prazer e agarrou a parte da frente de sua calça. — Pelo menos espera a gente chegar no carro.

— Você não presta, sabia? — assim que ela deu um tapa no ombro dele, gotas de chuva começaram a cair lentamente sobre os dois, prevendo que a tendência era piorar em pouco tempo.

— Vamos, Magdalena... Já que você está vestida tão inapropriadamente assim, vamos lá para casa onde não tem regras de vestuário — Eden tirou a jaqueta, colocando a peça sobre a cabeça de Lena para protegê-la da chuva assim que ele notou ela tentando cobrir os vestígios de transparência de sua blusa. — Te arrumo toalhas sequinhas e pedimos algo para comer.

Lena foi para mais perto de Eden, até os seus corpos se encostarem e ela conseguir cobrir a cabeça dele também. Ele entendeu o que ela estava tentando fazer e segurou uma das pontas da jaqueta enquanto ela segurava a outra.

Seria um desastre o principal jogador do Chelsea aparecer com um resfriado logo no início da temporada. Pelo menos era esse o pretexto que ela estava usando para tentar justificar a sua aproximação do jogador.

— Tudo bem... Você me ganhou com o papo de pedir comida...

— Isso é porque você não ouviu a minha ideia de a gente colocar um filme e ficar agarradinhos debaixo das cobertas — Eden teve de segurar o riso ao ver Lena arregalar os olhos. Ele sabia que a sua provocação a deixaria constrangida.

— Escuta aqui, ninguém vai agarrar ninguém — ela apontou o dedo para ele, mas o seu rosto corado traía a sua tentativa de ser ameaçadora. — Eu já te disse que eu não me envolvo com jogadores. Você me leva de volta para o hotel antes da meia-noite.

— Beleza, Cinderela.

 

.

 

O trajeto havia passado rápido já que os dois engajaram em uma conversa que abrangeu desde assuntos mais sérios até peculiaridades bobas.

Lena apenas estranhou quando Eden adentrou a garagem subterrânea de um prédio na Grande Londres.

— Achei que você morasse em Cobham...

— Leu a minha página no Wikipédia? — Eden brincou. — Na verdade, eu tenho uma residência por lá também, só que... está em reforma.

Lena percebeu a hesitação nas últimas palavras, mas decidiu não fazer qualquer comentário.

— Então você tem duas moradias? Poxa, que crise... — ela zombou dele.

— Ah, eu não sou páreo para uma mulher do seu padrão que gosta desses caras de Madrid — ele desligou o motor após estacionar na vaga, virando-se para Lena com um sorriso debochado. — Mas sempre há a próxima janela de transferências, não é? Quem sabe ano que vem eu esteja vestindo branco e comprando uma casa na La Finca. Eu, você, um cachorro, e o Cristiano Ronaldo como nosso vizinho.

Ao não receber qualquer insulto sobre aquela insinuação dos dois como um casal ou sequer uma resposta, Eden desistiu de abrir a porta e olhou de volta para Lena, a qual estava com uma expressão perplexa.

— Porra, você chegou a ficar pálida — ele apertou a bochecha dela, tirando-a do estado de transe. — É brincadeira, viu? Se você não quer um cachorro, podemos adotar um gato.

— Você andou tendo contato com a diretoria do Real Madrid? — ela ignorou completamente as provocações dele.

Eden revirou os olhos antes de sair do automóvel e ser seguido por Lena.

— Prometo que eu te passo a informação em primeira mão se algum dia eu sair do Chelsea... Só vai demorar uns 4 anos e meio.

Os dois entraram no elevador em silêncio. Após Eden digitar a senha de acesso ao andar da penthouse, Lena limpou a garganta.

— Os caras de Madrid não são grandes coisas... — ela referiu-se ao que ele havia dito anteriormente, não sabendo o porquê de ela estar se justificando, mas parecia o certo a se dizer naquele momento.

Por estar olhando distraída para o chão, Lena perdeu de ver o sorriso genuíno no rosto de Eden.

Assim que o elevador apitou, abrindo as portas de metal em seguida, ele fez um gesto para que ela saísse primeiro. Lena apenas conseguiu dar um passo para frente antes de se deparar com um apartamento enorme e digno de estar nas capas de revistas de arquitetura e decoração.

Não deveria ser surpresa alguma, e mesmo tendo acabado de andar em um Audi de última geração, Lena realmente havia se esquecido que Eden, apesar do seu jeito despojado e mais casual do que seria o normal para alguém do seu nível, ainda era a estrela de um dos times mais ricos da Inglaterra.

— Sinta-se à vontade — ele posicionou as mãos sobre os ombros dela que estavam cobertos pela jaqueta dele, dando uma leve pressionada. — Eu já volto.

Lena observou ele sumir de vista e depois voltou a olhar em volta. A sala de estar era integrada à sala de jantar, o piso de madeira clara realçava os sofás e mesas pretos. O teto alto não permitia lustres exuberantes, mas não era necessário, pois o ambiente era completamente revestido por janelas que davam uma visão privilegiada do centro de Londres e da cúpula da St Paul’s Cathedral.

À direita, de frente para a escada que levava ao segundo andar da cobertura, havia acesso para uma área externa, com um sofá e uma lareira automática rodeados por um pequeno jardim.

Talvez o que tenha diminuído um pouco o choque de Lena foi encontrar um Playstation no rack da televisão, próximo de uma pilha de jogos desorganizados do console. Aos poucos, os resquícios de Eden foram aparecendo e ela foi ficando mais confortável.

Ela caminhou até uma cômoda com algumas fotografias, indo direto no porta-retrato que exibia uma foto de Eden ao lado do que pareciam ser três clones seus. Lena não conseguiu evitar o sorriso em seus lábios ao perceber que, devido a semelhança física, provavelmente eram os irmãos do jogador.

Não havia nenhuma foto dele recebendo prêmios ou qualquer coisa do tipo, eram somente fotografias mais pessoais e de valor sentimental. Algumas eram dele com os seus companheiros do Chelsea e do time da Bélgica, outras eram com amigos e família em festas, viagens e momentos de descontração.

Lena não pode deixar de notar a presença de uma figura que aparecia em diversas fotos. Uma mulher.

Ela era morena e possuía uma beleza mais natural, não aparentando usar tanta maquiagem quanto Lena usava. Seu estilo era mais casual também, dispensando salto alto e joias. Coisas que Lena geralmente usava. Além disso, tinha cara de ser inteligente e dotada de talentos. Lena mal sabia cozinhar arroz sem queimar o fundo da panela.

Ela não era capaz de dizer o porquê aquela mulher a estava incomodando tanto e muito menos o motivo dela estar se comparando com uma desconhecida, mas a maneira que Eden tinha o braço em volta dela em algumas das fotos denotava que ela não era parente dele. O contexto entre os dois era definitivamente outro.

A sua atenção foi desviada quando ela ouviu o seu nome ser chamado do andar de cima.

Lena encontrou Eden dentro do closet da suíte principal e, apesar de ainda ter algo em sua consciência a perturbando, ela decidiu ignorar as suas preocupações.

— Mas olha só... — ela deslizou a mão pelas roupas penduradas nos cabides. — Agora entendi porque você quer ir ser vizinho do Cristiano. Você é tão metrossexual quanto ele. Isso aqui é do tamanho da cozinha do meu apartamento na Espanha.

Eden apenas soltou uma gargalhada. Era obviamente um exagero sendo que grande parte dos armários pareciam estar vazios. Como se alguém tivesse se mudado recentemente.

Lena aceitou a toalha dele e levou até o cabelo solto e úmido da chuva. Ela notou que teria de devolver o casaco de Eden pois não havia mais motivo para ela estar o usando, mas também não queria se livrar do seu cheiro tão cedo.

— Você está com frio? — ele deve ter notado o dilema em que ela estava. — Posso te emprestar um moletom.

Ela balançou a cabeça em afirmação, como se fosse uma criança prestes a receber um doce.

 

.

 

Lena descobriu que Eden era o mais velho de quatro irmãos, o que comprovou as suas suspeitas em relação a primeira foto que ela havia visto. Todos já seguiam os seus passos para se tornarem jogadores de futebol renomados. Futebol, aliás, era algo que vinha desde o berço na família Hazard, pois tanto o pai quanto a mãe dele haviam sido jogadores quando eram mais jovens. Ela também soube que, apesar de viver em considerável luxo, Eden possuía gostos simples, passava horas jogando videogame com os amigos e o seu irmão, ia no mercado nos domingos de manhã e não trocava hambúrguer por filé.

Era nítido que ele possuía interesse em saber mais sobre Lena e, pela primeira vez em um bom tempo, ela conseguiu se abrir para alguém sem quaisquer segundas intenções. Contou sobre a faculdade e sua vida em Madrid e até um pouco sobre a sua família, mas não estendeu o último tópico. Eden pareceu entender através das entrelinhas que havia algo de delicado sobre o assunto, por isso não insistiu.

Apesar da enorme mesa de jantar, os dois haviam se instalado ao redor da mesa de centro da sala de estar, sentados em cima do tapete e de algumas almofadas. A televisão no fundo estava ligada no mudo em algum canal de notícias local.

Haviam pedido comida japonesa, algo prático e sem muita cerimônia, afinal de contas, eles estavam no chão e Lena estava descalça e vestindo um moletom grande demais para ela. Não havia espaço para muita formalidade.

— Ah, seu babaca — Lena riu em divertimento quando Eden pegou o último sushi do prato dela.

— Vem buscar — ele equilibrou o rolinho entre os lábios, arqueando as sobrancelhas em pura malícia.

Lena revirou os olhos, apenas esticando o braço e empurrando o sushi para dentro da boca de Eden com o polegar.

— Alguém assistiu A Dama e o Vagabundo demais quando era criança — ela sorriu para a careta de decepção estampada no rosto de Eden.

— Realmente... — ele ponderou por um segundo. — Na próxima, vamos a um restaurante italiano. Daí vai funcionar.

— E quem disse que vai ter uma próxima vez?

— Quem disse que não vai ter uma próxima vez? — ele rebateu.

Lena suspirou.

— Eu já te disse...

— Sim, sim, você não se envolve com jogadores, essas coisas... — Eden a interrompeu antes de encará-la fixamente. — Quem é ele, Magdalena?

— Ele quem? — ela perguntou, atônita.

— O tal do jogador que te deixou receosa desse jeito...

Após um silêncio se instaurar entre eles por um breve instante, Lena começou a rir alto e desafinadamente.

— Você é hilário, Hazard. Tudo bem... Eu tenho uma proposta.

Eden sentiu que ela estava apenas tentando mudar de assunto o mais rápido possível, mas mesmo assim acenou para que ela prosseguisse.

— Eu vou sair oficialmente com você quando você marcar um gol nessa Premier League.

— É isso? — ele olhou para ela em incredulidade. — Já está feito. Te pego que horas no sábado?

— Nossa, quanto excesso de confiança, você nem ouviu a minha condição... Pênalti não vale.

Ao ouvir aquilo, Eden ajeitou a postura, lançando um olhar de indignação para Lena, a qual não conseguiu segurar um sorriso perverso.

— Como assim “pênalti não vale”? — ele questionou em um tom quase ofendido. — Eu sou ótimo em cobrar pênaltis.

— Exatamente por isso.

 

.

 

Apesar das promessas, já havia passado da meia-noite quando Lena pediu para Eden levá-la de volta para o hotel.

Eles estavam esperando pelo elevador em um silêncio confortável, até que Eden passou o braço em volta da cintura de Lena, puxando-a para perto de si. Ela permitiu ser agarrada pelos braços do jogador em uma reação instantânea, como se estivesse esperando por aquele momento a noite toda.

Ele segurou o rosto dela com uma mão e inclinou a cabeça até chegar perto do seu ouvido.

— Deixa eu te beijar, Magdalena... — Eden sussurrou, roçando os lábios sobre o pescoço dela em seguida, a barba áspera intensificando o arrepio que estava percorrendo o corpo de Lena.

Ela sentiu as mãos formigarem sobre os ombros de Eden, tendo certeza de que se desequilibraria se não fosse pelos dedos dele segurando a sua cintura com força.

— E depois...? — ela envolveu o pescoço dele com os braços assim que ele levantou a cabeça e olhou nos olhos dela.

Depois a gente dá um jeito...

O elevador abriu-se de repente, e o barulho indicando a presença de alguém fez Lena dar um pulo quando olhou para trás, se deparando com um dos irmãos mais novos de Eden.

Kylian olhou para os dois, analisando a pose comprometedora, e deu uma tossida.

— Ah, perdão, eu volto mais tarde.

Lena não sabia dizer se a expressão assustada dele era devido ao fato de ter interrompido ou se era por ter sido pego no flagra pelo irmão mais velho enquanto voltava de uma festa em plena segunda-feira quando havia treino durante o resto da semana.

— Não, não, eu é que estou de saída — Lena o tranquilizou.

Após uma breve apresentação constrangedora, Lena puxou Eden para dentro do elevador, não conseguindo conter a sua risada assim que as portas se fecharam.

— Vamos, desfaça essa cara emburrada. Já assustou o garoto o suficiente.

— Eu preciso mesmo mudar a senha desse apartamento.

Lena se aproximou de Eden novamente, depositando um beijo demorado na bochecha do jogador e aliviando os traços no rosto dele.

— Bem... Quem disse que não vai ter uma próxima vez, não é mesmo?


Notas Finais


Na traveeeeee.
Mas calma, gente, daqui a pouco o tetra vem. Acompanhado de altas tretas.

Comentários, críticas construtivas, qual parte mais gostou, um simples "continua", enfim! Qualquer palavra sua me alegra muuuuito e ajuda no desenvolvimento da história! 💕💘💌 Beijos e até!


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