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História Siren, sob o mar - Capítulo 2


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Notas do Autor


Cap betado pela @exobane, muito obrigada a ela! *-*
Boa leiturinha para vocês :D

Capítulo 2 - Sereia fora d'água


Fanfic / Fanfiction Siren, sob o mar - Capítulo 2 - Sereia fora d'água

Baekhyun não desistiu, mesmo com os outros sirens lhe dizendo que correr atrás do humano era errado. Subia até a superfície, todos os dias em horas distintas, caçava algo anormal pelo horizonte e queria que fosse o ruivo, porém, a princípio se frustrou, pois tudo o que via era a imensidão do mar de um lado e do outro uma grande extensão da ilha de Jeju.  

“Não seja teimoso!”

“Não corra atrás dele, é perigoso!”

“Baekhyun, não!”  

As palavras entravam por um ouvido e saíam por outro. Ele resolveu mudar de estratégia, contornou a grande extensão de terra para descobrir uma praia com um porto que no momento recebia uma grande movimentação de barcos, pequenos e médios. 

A cabeça do tritão saiu pela superfície, a água ficando na altura do seu nariz enquanto os olhos azuis cristalinos procuravam por Chanyeol. Não seria difícil, uma vez que alguém tão ruivo e com olhos verdes brilhantes como os dele dificilmente passaria despercebido pela multidão, mas Baekhyun teve novamente dificuldade, todos ali eram muito iguais, falavam alto, carregavam peso, bebiam e nenhum deles era Chanyeol. 

Mergulhou novamente, continuando a dar a volta, não seria possível que em uma ilha tão grande apenas um porto fosse o suficiente, embora aquele, com toda certeza, fora de onde o ruivo saiu da primeira vez. Nadou mais um pouco e em certa distância voltou a emergir. Os olhos curiosos buscando qualquer coisa que lembrasse ele. Abriu o sorriso cheio de dentes levemente pontiagudos quando viu o pequeno ponto vermelho em cima da grande rocha a vários metros de distância de si. 

Era ele.

Baekhyun tinha toda a certeza do mundo de que aquela pessoa observando a imensidão do mar era Chanyeol. Percebeu o ruivo vagar os olhos pelo horizonte, perdido em pensamentos. 

“É ele...”. Pensou o moreno, apenas juntando-se ao ruivo em divagações. 

O híbrido, em um momento rápido, ergueu-se levando os braços ao alto pra se espreguiçar. Ele parecia sonolento, embora Baekhyun não fizesse ideia de que horas eram, o sol ainda não estava a pino. Chanyeol baixou os braços longos, agarrando a barra da blusa para tirá-la, o que deixou o tritão logo abaixo um tanto surpreso. Baekhyun arregalou os olhos, mergulhando a cabeça pela vergonha que lhe abateu e de repente a água ao seu lado moveu-se bruscamente. 

Chanyeol havia pulado. 

O ruivo se recompôs e a primeira coisa que viu foi o par de olhos azuis e o cabelo negro, dançando sob a água, bem à sua frente. 

Baekhyun não sabia o que fazer, foi pego em flagrante. 

O corpo do outro era bem malhado, diferente do seu: pequeno com apenas alguns músculos salientes. O tritão podia jurar que a água em seu entorno borbulharia, pois estava em chamas. Chanyeol franziu o cenho, talvez percebendo que estava sendo vigiado e tratou de começar a nadar, mergulhando um tanto mais fundo e deixando o tritão para trás.

Baekhyun levou as mãos à face, tentando manter-se calmo e o seguiu. Se Chanyeol quisesse realmente distância teria nadado ainda mais rápido e o moreno sabia que ele era capaz de fazer isso.

“Espere!”

Chanyeol parou olhando para trás. Ele ainda não entendia como a voz do garoto tritão ecoava dentro da sua cabeça, não era algo que seu pai havia lhe contado antes de morrer. Ele moveu a cabeça, indicando a Baekhyun que eles deveriam ir para a superfície e então voltaram a subir novamente.

— Como consigo ouvir você dentro da minha cabeça? — perguntou de supetão, não dando muito tempo para o moreno pensar.

As cabeças estavam fora d’água, os fios de cabelo grudados nas testas. 

— Nós... Eu... — Baekhyun nunca falou fora d’água, estava sendo um tanto quanto rápido demais para ele, suas cordas vocais estavam deixando-o retraído. 

— Qual o problema? — Chanyeol era ansioso.

— É a minha primeira vez falando fora d’água. Por que não está surpreso?

O ruivo fechou a cara.

— Eu perguntei primeiro! — moveu os braços de um lado para o outro horizontalmente, se mantendo no lugar. 

O vento bateu, arrepiando os pelos da nuca dos dois, Baekhyun mordeu o lábio inferior e Chanyeol pregou os olhos nos movimentos dele, os dentinhos pontiagudos e estranhamente delicados. As mãos igualmente sutis com as membranas entre os dedos.

— Somos sirens, pelo visto — começou fitando os orbes verdes — Apenas a nossa espécie se comunica dessa forma, pelo que percebi você é um de nós... Ou deveria ser... — sua voz foi diminuindo, até se tornar um fio. 

O ruivo estalou a língua, afastando os olhos dos azuis alheios, não queria comentar sobre sua história com ninguém, mas pelo visto o tritão seria insistente, já que estava lhe vigiando.

— Pelo visto está curioso — nadou até estar mais próximo. Mesmo dentro d’água era perceptível a diferença corporal de ambos, porém Baekhyun conseguia ser maior que Chanyeol devido à grande cauda de siren que tinha. 

— Suas pernas, elas não se transformaram em caudas como a nossa.

Chanyeol sustentou um sorriso de canto, ainda se aproximando de Baekhyun, o deixando levemente corado e um pouco assustado.

— Eu sou... — sussurrou cortando a distância, no ouvido dele — Um híbrido — se afastou novamente, fitando os olhos azuis surpresos.

Hi-híbrido? — tombou a cabeça de lado — Sua mãe...?

— Meu pai é humano, minha mãe era uma sereia, assim como vocês — se afastou de vez, jogando-se para trás para boiar de barriga para cima.

O sol batia nos músculos trabalhados, Baekhyun nadou até seu lado, os olhos fitando cada gominho que se formava e a vontade crescente de tocar cada canto da pele do ruivo se fez presente. 

Chanyeol abriu os olhos que mal percebeu fechar para perceber que o tritão estava hipnotizado. Achou engraçadíssima a expressão que ele sustentava; parecia um misto de curiosidade e deslumbramento.

Assim que o moreno ergueu a mão para trocar seu abdômen ele voltou com o corpo para a água, o assustando. 

— Sou diferente dos da sua espécie? — perguntou, uma sobrancelha erguida e a expressão divertida nos lábios. 

Baekhyun piscou os olhos uma, duas, três vezes antes de responder.

— Aparentemente não, mas... 

— Mas? 

— Tem algo além das pernas que o torna... Curioso — nadou até ele, quebrando totalmente a distância de forma ágil.

Chanyeol olhou rapidamente para baixo, o tritão estava praticamente colado em si e sentia as escamas da cauda longa baterem em suas pernas e pés. Baekhyun levou novamente as mãos à face alheia, como fez da primeira vez. 

Aquele contato próximo, olho no olho, fez algo na barriga do ruivo revirar, uma sensação nova e estranha, e ele não gostou do que sentiu. As pontas do dedo formigaram e ele teve vontade de levar os dígitos a cintura alheia, sob a água, mas fez totalmente o contrário e se afastou bruscamente do corpo do tritão, indicando que iria embora.

— Estou indo e... Não me siga! — parecia desconcertado. Baekhyun fez que iria segui-lo, mas o ruivo insistiu.

— Me deixe ir junto!

— Não! — ele parou — Ficou louco? Ninguém pode saber que existimos de verdade!

Baekhyun franziu o cenho, magoado e entristecido, o nariz se encolhendo em uma careta. Era suficientemente inocente para não saber da maldade do mundo da superfície. 

— Como vou te achar? — a pergunta veio em tom de súplica.

— Não pareceu tão difícil hoje, não é mesmo? — aquele sorriso arteiro moldou-se nos lábios do outro — Vai me achar, tenho certeza disso. — deu as costas nadando até a margem, saindo dali.

Baekhyun ficou para trás, metade do rosto mergulhado, tímido e sem jeito. O bico chateado se fez presente e agradeceu que Chanyeol não poderia vê-lo. 

“Ele nem quis saber o meu nome!”

Pensou e saiu dali, mergulhando nas profundezas do mar, totalmente chateado e frustrado. Mas não tinha desistido.

 

-siren-

 

O moreno foi burro, burro em acreditar em Chanyeol. 

O ruivo praticamente desapareceu e o tritão ficou desesperado atrás dele. As praias de Jeju se tornaram sem graça, a movimentação dos barcos e navios eram mínimas e o tritão ficava cada vez mais frustrado todas as vezes em que ia até a superfície, na esperança de avistar a cabeleira ruiva. 

Os dias voltaram a passar e Baekhyun ficava cada vez mais entristecido. No fundo sabia que o ruivo estava em algum lugar, escondido dentre as árvores mais afastadas da parte praia, em cima das rochas que a contornavam, mas também não queria continuar se enganando. Estava sentindo falta dos olhos verdes, o cabelo ruivo voando contra o vento, da pele e dos músculos fartos, céus... Baekhyun o tinha visto durante pouco tempo, mas sentia uma ligação ferrenha com o híbrido, só não se convencia disso e a dúvida de se Chanyeol sentia o mesmo rondava sua mente a todo instante. 

O Park, por outro lado, estava fugindo. 

Fugia dele mesmo e das sensações que estava sentindo. Falou para o tritão que ele o encontraria, mas ao invés de continuar com os furtos, Chanyeol simplesmente passou a se esconder e observar o mar, tentando encontrar um pontinho preto que fosse para lhe indicar que Baekhyun ainda estava atrás de si. 

Estava sobre a grande rocha na beira do mar, se escondendo sob as árvores altas de copas abundantes. Aquele era o esconderijo perfeito, ele sabia que o tritão estava lá embaixo, com os orbes azuis o procurando e ao mesmo tempo em que ele queria se esconder, queria pular na água apenas para roubar o que precisava.

Não podia simplesmente esquecer da sua comunidade por causa de uma timidez como aquela. O que seu pai iria dizer?

Riu nasalado balançando a cabeça, provavelmente seu velho estaria chateado consigo. Primeiro por estar roubando e segundo por estar se escondendo de um siren. 

Andou até a beira, segurando com uma mão um cipó forte que caia da copa da árvore, inclinou o corpo se lançando para frente, deixando-o sobre a água, os pés firmes na beirada, pedaços de pedra se desprendendo e caindo lá embaixo.

Os olhos verdes sondaram a região com meticulosidade. Os navios voltariam a atracar no porto e ele voltaria a roubar muito em breve. O grande intervalo deu-se devido a uma tempestade, a força da natureza ainda era inevitável e por sorte ela não chegou próxima a ilha, mas navegar em mares turbulentos era sempre um risco a ser corrido e naquela época as pessoas evitavam aquilo. O clima, porém, estava agradável, o céu azul com poucas nuvens, pássaros voando e cantando. 

Fitou o céu sentindo a brisa tocar a pele, seus olhos captaram a embarcação ao longe e ele sorriu de canto. Estava com saudades de fazer seus ataques.  

Em uma fração de segundos agachou, soltando a mão do cipó e impulsionando o corpo para frente, em direção a água, a altura nunca fora um problema para o híbrido que descobriu que sua resistência a dor e ferimentos também era grande, talvez resultado da grande mistura que era.

Não queria pensar na hipótese de dar de cara com o tritão, nem poderia, estaria saqueando um barco e ele provavelmente iria lhe atrapalhar, Chanyeol não queria aquilo de maneira alguma.

 

-siren-

 

Baekhyun estava nadando dentre os corais coloridos e brilhantes quando sentiu algo atravessar seus sentidos; era como se uma ligação estivesse sendo feita. Parou de nadar sentindo uma carga elétrica passar pelo seu corpo e imediatamente pensou no ruivo.

“Baekhyun, aonde vai?!” 

Ouviu novamente seus companheiros gritarem, mas como sempre ignorou, nadando em direção a superfície, já sabendo onde deveria ir. Sua mente estava a mil, Chanyeol não iria fugir. Quando botou a cabeça fora d’água a única coisa que viu ao longe foi um corpo grande pular na água, tiros sendo dados e uma gritaria sem igual. 

— Ruivo miserável! — um dos homens em cima do navio berrou.

Baekhyun não entendeu o que estava acontecendo, mas definitivamente aquele era o híbrido que estava procurando. Voltou a mergulhar indo na direção da confusão, havia um corpo que nadava cada vez mais para baixo com um saco de pano amarrado à cintura, que parecia pesado. 

“Ei!”. Pensou indo atrás dele, o ruivo virou o rosto, mas não parou de nadar, tinha que estar o mais longe possível das balas que perfuravam a água acima de si.

“Não me siga!”. Baekhyun ouviu a resposta em sua mente, mas como sempre ignorou. “O que pensa que está fazendo? Vai acabar se matando!”

Continuou atrás dele, ainda mais fundo e escuro. 

“Espera!”

O ruivo parou daquela vez e Baekhyun continuou, acabando por passar a sua frente, mas a mão agarrou o pulso o impedindo de ir mais longe e de repente os corpos estavam colados.

“Imbecil! Não me atrapalhe nunca mais!”. O ruivo parecia levemente irritado.

“O que está fazendo?”. Baekhyun era muito inocente.

Os dois no meio daquela briga não perceberam quando a água que os rodeavam começou a brilhar, era uma característica que só quem poderia nadar até aquela profundidade descobriria. Havia muita luz no fundo do mar, e muita vida também. 

Os cardumes de peixe nadavam sem problema algum, eram bem coloridos e Chanyeol captou aquilo, com um breve olhar em sua volta. Haviam corais que acendiam e apagavam a todo instante, algas dançantes e coloridas também. 

“Estou roubando...”. Respondeu por fim, meio atônito com o lugar a sua volta, mas em seguida revirou os olhos, voltando os mesmos ao tritão. O moreno o olhou piscando em confusão.

“Roubando? Não me parece algo bom, estavam atirando em você.”

“Sabe o que são tiros, mas não sabe o que é roubar?”.  Arqueou as sobrancelhas, Baekhyun nadou em sua volta, a cauda cintilante quase na altura de seus olhos, a água fazendo bolhas engraçadas.

“Somos caçados por alguns idiotas que acham que podemos valer alguma coisa, sabemos o que são tiros. Conhecemos algumas armas.” Respondeu sustentando um sorrisinho tímido nos lábios, como se, com aquela resposta, ele pudesse portar mais do interesse do ruivo. 

Logo, o tritão parou novamente em frente a Chanyeol, olho no olho. 

Os braços do moreno se movimentavam sutilmente enquanto os fios de cabelo se agitavam. Chanyeol queria entender a sensação estranha que ficava alojada na boca do seu estômago, como se algo muito pequeno estivesse agitado, correndo de um lado para o outro. Quando seu pai lhe contava histórias sobre os sirens não se lembrava de ficar tão fascinado desse jeito e não haveria motivos para estar agora, justamente com o moreno.

Isso, o ruivo estava fascinado com a beleza do tritão a sua frente, ele tinha algo que o chamava, os sirens não eram interessantes, o moreno em si é que era.

“Chanyeol... Me chamo Chanyeol”. Ergueu o braço esperando ser correspondido, esperava que o moreno apertasse sua mão, ou algo assim. 

O tritão nadou até seu lado, as mãos indo de encontro com o ombro e o braço erguido do outro, agarrou os músculos ali, dedilhando cada um deles até segurar a mão de Chanyeol, esse que apenas ficou observando. 

Aqueles olhinhos azuis, tão impressionados com a sua pele e musculatura, o fato de Baekhyun o achar um tesouro perdido o deixava incomodado, era estranho.

“Seu nome?”. Tentou mais uma vez, o tritão o fitou.

“Baekhyun!”. Ele cortou a distância e pela terceira vez agarrou seu rosto, mas os dedos passaram curiosos sobre seus lábios. “Podemos ser companheiros?”. Ele esboçou um sorriso, ainda agarrado ao rosto alheio. Chanyeol bruscamente se afastou, afinal, o tritão parecia ter a leve mania de invadir seu pequeno espaço.

“Amigos... Preciso ir embora”. O menor pareceu se desesperar, Chanyeol se afastou rapidamente voltando a nadar e o ele passou a segui-lo. “Baekhyun...”. Parou olhando para trás, a mão no peito do moreno. “Você não pode ficar indo atrás de mim o tempo todo.”

“Mas eu não te vejo há dias!”. Emburrou-se ao perceber que Chanyeol queria evitá-lo. “Você desapareceu, eu fiquei... Eu fiquei preocupado!”

A expressão do ruivo amenizou. Tudo apontava que o tritão era realmente indiscreto e não iria desistir. Baekhyun se agarrou à ideia e não iria mais soltá-la. Se o Park pudesse, estaria bufando; como não poderia, soltou o ar pela boca fazendo bolhas e Baekhyun sustentou um bico nos lábios.

“Outro dia... Prometo não me esconder dessa vez.”

O respondeu e rapidamente saiu dali, deixando o moreno de olhos azuis para trás.

 

-siren-

 

— Roubou de novo?

— Não sei porque está me fazendo essa pergunta se já sabe a resposta — ele caminhou barranco abaixo, com o saco de moedas em mãos. Heejin lhe deu uma boa quantidade dessa vez pelo o que tinha pegado no barco. 

A ajumma de sempre lhe dava o sermão, mas nunca negou as moedas de ouro, todos ali precisavam comprar o que comer e vestir. 

Chanyeol olhou para cima, o grande pedaço de terra que flutuava quase milagrosamente se manteria intocado por séculos com a desculpa de que ali era o melhor lugar para se governar Jeju, de cima. Enquanto isso o povo na parte inferior teria que sofrer com as migalhas. 

— Vou entregar as moedas para as outras famílias, ajumma. Compre o que precise e não esqueça seus remédios.

A mão pequena e enrugada acariciou sua bochecha, o fazendo sorrir. 

E então ele passou de porta em porta entregando as moedas as famílias de sempre, e todos agradeciam com um sorriso e um abraço, era essa a recompensa que o híbrido recebia e isso lhe preenchia o peito, era o bastante para si.

Quando voltou para casa, já era noite.

Deitado na cama pequena, com os braços cruzados atrás da cabeça, ficava imaginando se seu pai, se não tivesse sido pego, estaria orgulhoso de saber que ainda roubava para ajudar a vila. 

Virou para um lado, suspirando e fechando os olhos, tentando descobrir quando isso se tornou um problema. As pessoas o avisavam, disso ele sabia, não era bobo para ignorar os perigos que existiam em sair por aí saqueando os navios que atracavam em Jeju. O problema era que Park Chanyeol não era alguém comum, os fios vermelhos, os olhos verdes, é claro que logo alguém começaria a se perguntar o que havia de tão diferente e especial no rapaz que saia, com facilidade, furtando os navios de grande porte que passavam por ali.

 

-siren-

 

— Eu ‘tô dizendo, chefe. Não pode ser mentira, nós mesmos já vimos algo assim enquanto estávamos navegando pelo mar. 

O capitão estava sentado em uma cadeira de madeira, rodeado pelos marujos, todos envoltos da pequena fogueira no acampamento.

— Sehun... — ele maneou a cabeça, os olhos delineados de preto — Sabe que é arriscado, estaríamos perdendo tempo só em tentar pegá-lo. 

— Não estaríamos, capitão. Ele furta todos os navios possíveis, se conseguimos estaríamos fazendo um bem a todo o nosso comércio, menos uma praga! — mordeu o pedaço de carne, os fios balançando contra o vento que vinha da praia. 

Não estavam tão longe do mar, o navio estava atracado junto com outros e a noite começava a ficar fria, se reunir daquela forma era a melhor coisa para se manter aquecido, dormir dentro do barco não era uma opção. 

— Suho, ele pode ter razão — outro chegou ao seu lado, se sentando no chão de terra e captando sua atenção — Pode ser a nossa chance, pegamos o ladrão e tiramos a dúvida. Não é possível para um ser humano normal nadar e respirar debaixo d’água como ele faz, só pode ser um tritão ou híbrido.

Baekhyun não queria, realmente não queria ter ouvido aquilo, mas sua teimosia o levou até ali sem pensar. Ouviu as risadas e o fogo tão próximo da água que resolver sair para averiguar. Era a primeira vez longe do mar e ao sentir a areia da praia em seus pés, o estômago revirou, achou que seria uma sensação boa, mas aquilo estava longe disso.

Subiu o pequeno morro de areia clara até chegar próximo das árvores, usando os troncos finos para se apoiar e se erguer. Seus olhos azuis procuravam por algo familiar, porque sua mente insistia em dizer que Chanyeol estaria em todos os lugares.

— Capturamos esse ruivo, o prendemos e enfiamos ele dentro de um tanque com água. Depois disso só esperamos, se ele sobreviver seria a nossa nova fonte de dinheiro, imagina o que o mundo pagaria para ver um híbrido de siren? Ainda quando ninguém acredita mais nessa história!

Sehun dizia com orgulho, emocionado. Seus olhos destacavam-se sob a luz fraca da fogueira.

— Depois disso apenas vamos atrás do restante da espécie — o outro marinheiro deu de ombros.

— Vocês são terríveis — Suho esbanjou um sorriso fraco, fazendo um pequeno bico enquanto falava — Mas eu adorei a ideia. Sehun, Jongdae, amanhã vamos elaborar melhor esse plano — ergueu-se do banco, batendo as mãos nas pernas — Vamos todos dormir, agora! — gritou. 

Baekhyun levou as mãos à boca, a surpresa o fez ficar estático ali, terminando de ver os homens entrando em suas barracas para dormir, o fogo ainda alto para espantar qualquer inseto ou animal. 

Saiu correndo pela beirada do precipício, por mais baixo que ele fosse, tropeçava em galhos secos e em pequenos arbustos colocando a prova o par de pernas que usava pela primeira vez, em sua cabeça a voz dos três ficava ecoando, e um aperto no peito começou a surgir.

Lançou-se da beirada da pequena pedra a sua frente para o mar, fazendo certo barulho, sua mente ainda turbulenta, lhe deixando meio tonto.

“Preciso contar ao Chanyeol! Preciso encontrá-lo!”. Pensou agoniado, enquanto voltava para casa.

Em terra firme, Suho saia de supetão da barraca, o som dos galhos o deixou em alerta, Sehun e Jongdae fizeram o mesmo.

— Tinha alguém nos bisbilhotando? — Sehun perguntou meio sonolento.

— Espero que não — Jongdae o respondeu.

Suho franziu o cenho, meio preocupado, meio desconfiado.

— Vamos dormir! — ele disse mais uma vez, voltando para dentro. 


Notas Finais


E é isso.
Agora o Chanyeol conhece melhor o Baekhyun, mas o tritão agora sabe de algo que pode colocar a vida do ruivo e perigo... vixi >///<

twitter @/Lasleth


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