História Sirius (Fillie) - Capítulo 16


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Palavras 6.387
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Apocalypse da banda Cigarettes After Sex será uma música essencial pro capítulo, então escutem quando for mencionada. É super importante e está na playlist de Sirius no Spotify.

Espero que gostem, fiz esse capítulo com todo o meu coração.

Boa leitura :)

*NOTAS FINAIS*
*NOTAS FINAIS*
*NOTAS FINAIS*

Capítulo 16 - Honestidade


Fanfic / Fanfiction Sirius (Fillie) - Capítulo 16 - Honestidade

Finn despediu de seus amigos naquele dia.

O rapaz seguiu para sua casa prometendo encontrar Millie um pouco mais tarde, na saída de emergência do prédio, como combinado. Então entrou em seu carro e seguiu seu caminho, os outros foram pro apartamento de Noah discutir sobre a festa.

Ele, com sua tranquilidade costumeira, atravessou o seu jardim agora repleto de flores, sendo acompanhado pelos olhares dos seguranças do casarão. Por intuição maior, ergueu a cabeça ao notar que um fosco carro luxuoso estava estacionado na garagem indicando que seus pais haviam voltado para casa mais cedo do que o habitual. O garoto seguiu seu caminho e atravessou a porta de entrada, encontrando a figura de Nick sentado ao sofá junto com os próprios na sala de estar.

Finn aproximou-se e colocou as chaves na mesa de centro os olhando de canto, estranhando sua família estar reunida daquele jeito.

— O que está acontecendo?

— Chegamos agora de Washington. — respondeu Mary docemente. Ela sorriu tocando na mão do filho, que ainda estava em pé ao seu lado. — Onde estava?

— Fui dar uma volta.

— Espero que não esteja andando com amigos iguais aqueles do Canadá. Eram todos más influências querendo corromper o que há de bom em você. — falou seu pai preenchendo o silêncio da sala. Eric Wolfhard era um bom homem e jamais aceitaria que um de seus filhos chegassem perto de alguma transgressão com a lei. Contanto que fossem advogados, ele dizia. Em seguida ele puxou as mangas de seu terno e encarou seu filho de forma intransigente. — Eu lembro dos tais.

Finn travou o maxilar ao ter seu passado vindo à tona por um segundo em sua mente.

— Não fale comigo como se eu estivesse em um tribunal.

Nick intercalou seu olhar entre os dois temendo alguma discussão, ele poderia ser o mais velho, porém nunca fora o membro mais corajoso da família.

— Eric, não estrague tudo. — repreendeu Mary olhando para seu marido da mesma forma que ele olhou para Finn segundos atrás. Em seguida ela voltou a atenção para o cacheado. — O que seu pai está querendo dizer é que não voltará a ter vínculo com pessoas que não acrescentam em sua vida, entende? E é por isso que estávamos o esperando, queremos dizer que pensamos muito e decidimos que você vai morar conosco.

Finn ficou quieto por uns instantes e franziu as sobrancelhas.

— Nick deixou na minha mão uma escolha.

— As coisas à respeito da nossa mudança tomaram um rumo diferente, então temos que nos apressar. — a mulher de cabelos escuros deu um pequeno sorriso confortador como se quisesse se desculpar por estar colocando seu filho contra a parede e procurou se realocar. — Contudo, seremos uma família mais unida e diligente. Sabemos que se ficar, você e Nick vão ter problemas para conviver um com o outro.

— Não teremos não.

Eric suspirou e levantou-se para pegar um copo raso de uísque ao perceber que seu filho estava contra aquela ideia, então decidiu que era a hora de pôr as cartas na mesa.

— Escute Finn, para começar. — iniciou em um tom calmo porém impassível. — Quando for para o Canadá estudará no melhor colégio da cidade junto com pessoas de bem que querem um futuro. A instituição tem um ótimo sistema de estudo, além do programa de verão, de férias, de acampamento. Sabemos muito bem da sua rebeldia repentina e isso vai ajudar. Você é inteligente então não jogue isso fora.

— Programa de verão? — repetiu Finn sorrindo levemente em um tom defensivo, sabendo que aquilo soava mais como um colégio interno e solitários dias em uma mansão de Vancouver. — Sinto muito, mas eu quero morar com o Nick. Não podem simplesmente me colocarem no melhor colégio da cidade e me empurrarem pra um programa de verão apenas porque não tem tempo pra sermos uma família. Se eu for embora com vocês, é a mesma coisa do que viver sozinho.

Mary permaneceu calada sem saber como argumentar, então seu marido tomou voz.

— O que há? — alfinetou Eric firmemente, enquanto observava Finn engolir em seco do outro lado da sala. — Não será a primeira vez e nem a última que iremos nos mudar, até porque você sempre gostou de estar viajando pelos lugares, principalmente sem a nossa permissão. Então como quiser, considere um castigo morar com sua família.

Finn desviou o olhar, sabendo que seu pai tinha escolhido muito bem as palavras para afetá-lo. Não era atoa que era bem sucedido em seu trabalho.

Porém Nick também tinha de quem herdar.

— Eu tenho uma firma de advocacia na costa, acho que é o suficiente pra mostrar minha responsabilidade. Eu poderia listar uma sequência de motivos para o Finn morar comigo e por mais que vocês não concordem ele está se saindo muito bem em casa, no colégio ele é um aluno realmente exemplar, temos um bom convívio e ele me dá todo o apoio que preciso como irmão. O único problema é que vocês não estão aqui pra ver e ficam o julgando.

O maior balançou a cabeça em negação, estava cansado daquilo.

Finn sentiu como se estivesse dentro de uma cúpula de agonia, conseguia ver os gestos deles com as mãos e ouvia as vozes um pouco abafadas falando sobre coisas que o garoto parecia estar distante demais para intervir. Dele mesmo, não saberia dizer se essa inconsciência durou segundos ou séculos, mas sua experiência de lapso de tempo afirma que durou apenas alguns minutos.

— Garanto que seu pai tem alguma coisa a falar sobre isso.

Foi a única coisa que ele ouviu de sua mãe, que passou a mão na lateral do cabelo preso e lançou um olhar intenso ao marido. Eric ainda estava no canto do cômodo com os dedos em volta do copo de bebida.

— Filho, você sabe que sou um pouco carrasco às vezes, mas é por preocupação. — usou as justificativas, aproximando-se de Finn com cautela. Sua mão repousou em seu ombro e naquele mês, aquela foi a maior aproximação entre pai e filho que ambos tiveram. — Ter trazido nossa família pra cá livrou você de coisas ruins e não me arrependo disso. Agora, se está um pouco atordoado com a notícia, significa que você tem problemas pendentes aqui em Nova Iorque. Então os resolva primeiro para não deixar nada para trás quando for conosco.

O garoto estava entre a cruz e a espada.

Encarando os olhos do seu pai notou que não conseguiria iniciar outra discussão sem que pensasse por bastante tempo antes. Aquela situação tinha o deixado desmotivado para qualquer conflito, nem que fosse mínimo. Ele queria apenas fechar os olhos e fingir que aquilo não estava acontecendo de novo como aconteceu antes de vir parar em Nova Iorque, quando teve que deixar pessoas importantes para trás.

Eric e Mary subiram as escadas e Nick levantou do sofá colocando as mãos nos bolsos, chegando perto de Finn com cautela.

— Eu preciso pensar em alguma coisa pra desviar desse problema, mas a falta de resposta me deixa agoniado. — disse o menor sinceramente. — O que você acha que eu devo fazer?

— Tenha calma, irmão. Tudo vai se resolver e eu vou ajudar você nessa.

Assim, Nick o deixou sozinho.
 

[...]

— Você estuda na sala de quem?

— Somos todos do mesmo ano, mas temos muitos desencontros de horários por causa das atividades extracurriculares. Na maioria das vezes eu tenho aulas com o Jack e a Millie, o resto de nós apenas nos vemos no refeitório.

Chloe fez careta de dó.

— Que injustiça.

— Eu sei. — um riso escapou adoravelmente de Chris, a fitando por longos segundos.

Chloe estava passando levemente o dedo por sua sobrancelha bem feita enquanto admirava-se no espelho, até que abaixou o mesmo do rosto e disse:

— Minha escola em Washington Heights tem filiação religiosa, condiz com minha personalidade.

A garota cruzou as pernas e sorriu para o loiro, enquanto Noah observava suas artimanhas de longe, ele segurou sua vontade de rir do balcão da cozinha enquanto Sadie e Jack conversavam sobre alguma coisa aleatória atrás dele. De repente, ficaram em silêncio. Ele estranhou virando-se para trás, para então perceber que os dois estavam fixados em alguma coisa.

Noah seguiu seus olhos verdes para a mesma direção, notando que Millie estava parada com o celular na mão usando um par de tênis brancos, um vestido vermelho de alças finas, combinando com o batom em seus lábios.

— Isso tudo é para seu passeio com Finn? — a ruiva perguntou segurando um sorriso.

— Ela quer roubar ele de mim.

— Jack, ele é todo seu. — garantiu Millie, trocando uma risada com o garoto e em seguida olhando para o centro da sala, vendo Chloe e Chris entre gargalhadas espalhafatosas um com o outro no sofá. No momento, ela teve certeza que ele contava suas piadas. — Eles se deram tão bem que é estranho.

— E você acha que eu não sei?— perguntou Noah querendo rir.

A porta foi aberta, desviando a atenção dos outros antes que pudessem comentar mais a respeito. Finn passou pela mesma segurando a chave do seu carro. Ele se aproximou passando a mão no cabelo cacheado. Seu perfume tinha alastrado no ambiente e seu sorrisinho de canto sempre estava lá, em seus lábios.

— Perdi muita coisa? 

— As amizades brotando.— respondeu Millie indicando os dois adolescentes no sofá, fazendo a atenção de Finn virar-se totalmente para ela e seu vestido vermelho. Ele ficou por uns segundos com o olhar fixado na menina, até que ela reparou. — O que foi?

— Você está linda.

Ele sorriu e segurou na mão da garota, a levantando para que desse uma volta, ela deu uma risada e arqueou as sobrancelhas para ele.

— Obrigado Wolfhard, mas você ainda continua sendo do Jack.

— Pelo menos tenho você, já que Chloe quer roubar Chris de mim. — brincou Grazer como sempre, tocando no ombro do cacheado. — Agora que você chegou, vamos começar.

Eles seguiram juntos para o centro da sala e Jack se jogou entre Chris e Chloe, que riram. Finn sentou-se em outro sofá olhando rapidamente em seu celular enquanto Millie acomodou-se ao seu lado. Ela estava com o rosto apoiado nas mãos pronta para ouvir os amigos em silêncio. Sadie e Noah juntaram-se a todos também, completando um círculo no meio do apartamento.

— Alguém tem ideia inicial? — perguntou Chris simplesmente.

— Sadie e Millie querem fazer uma lista. — disse Chloe.

— Eu posso gravar tudo na minha cabeça sem problemas. — murmurou Finn um pouco distraído enquanto estava em seu joguinho de celular.

Schnapp cerrou os olhos verdes ao ouvir aquilo.

— Por acaso você tem memória fotográfica?

Finn e Noah se entreolharam com provocação.

— Como assim? — perguntou Millie erguendo o olhar.

— Se chama memória eidética, uma capacidade da neuro-plasticidade cerebral que regenera os neurônios de forma avançada, fazendo você lembrar de imagens, textos e pessoas com precisão absoluta. É como se seu cérebro tirasse uma foto de algo que você sempre vai ter a oportunidade de consultar, é fascinante. Pouquíssima parte da população nasce assim. — explicou Jack, ainda com os olhares de todos voltados para ele por alguns segundos. — O que foi? Alguém precisava responder a pergunta.

Chloe olhou para o irmão.

— Seus amigos são estranhos. — a garota balançou a cabeça segurando um sorriso. — E extremamente inteligentes. Noah, você deveria ser assim.

Jack riu de modo contido, arrancando um olhar bravo do garoto.

— Desculpe, Schnapp. Força do hábito. — falou Grazer fazendo um sinal de zíper nos lábios. Em seguida, ele coçou a garganta decidindo que agora começaria a falar sério. — Mas enfim, tenho que fazer um comunicado importante.

Chris cruzou os braços, ajeitando-se em seu lugar.

— Começa, bonitão.

— Pra se fazer uma festa precisa-se de bebidas e todos somos da faixa de dezesseis e dezessete anos, não podemos comprar legalmente.

— Então como Jacob conseguia as bebidas? — perguntou Sadie levemente interessada.

— Os tios dele costumam entocar e os filhos deles levam pro Jacob, isso facilita tudo. — respondeu Chris dando de ombros, recebendo o olhar confuso de Chloe, pois ela nunca na vida tinha visto Jacob e muito menos sabia das festas que ele costumava fazer. — Temos que conseguir nossos próprios contatos. Nenhum adulto que conhecemos comprariam bebidas pra gente. Se eu pedisse pro meu irmão mais velho, ele cortava meu bem mais precioso.

Jack juntou as sobrancelhas.

— Aquela coisa que está entre suas pernas ou a internet?

— Minha mesada, pervertido. — respondeu Chris fazendo os outros rirem.

— Tudo bem, agora me escutem. Tenho uma sugestão mas não sei se todos estarão de acordo, porque sinceramente, acho que nem eu estou de acordo.

— Jack, por favor, sem loucuras.

— Então minha querida Millie, se prepara para essa. — o garoto começou sorrindo empolgado e virou a cabeça um pouco para o lado, temendo a reação dos amigos. — Podemos tentar contato com um daqueles caras que continuaram as gangues antigas da cidade, eles são montados em bebidas e drogas. O único problema é que eles pedem favores em troca ou dinheiro.

Noah arqueou as sobrancelhas.

— Drogas?

Sadie o encarou por uns segundos, enquanto o resto continuava quieto parecendo digerir a informação.

— Você ficou louco? O primeiro item da nossa lista é ficar vivo.

Jack gargalhou e deu de ombros inocentemente.

— Alguém precisava dar sugestão.

Chloe sorriu para ele.

— Adorei Pablo Escobar, mas isso aqui não é Narcos.

— Pelo o que sei, as gangues dos arredores estão abertas a negociações com quaisquer pessoas que tenham dinheiro pra pagar o que querem. — falou Jack despreocupadamente, fazendo os outros prestarem atenção calados. Ele tinha certeza que ninguém seria maluco para concordar com aquilo, mas era bom compartilhar. — Alguns se tornaram empreenderores e tomam conta de alguns pubs próximos.

Sadie estava um pouco horrorizada e Noah ficou calado, parecendo pensar.

— Como você sabe essas coisas?

— Eu sou um deles. — Jack sorriu ao responder a ruiva, que cerrou os olhos azuis, fazendo seu sorriso desfazer-se lentamente do rosto. — Na verdade, eu não sou um deles mas eu li muito sobre isso na biblioteca, uso a internet e ouço uns boatos. Não faz mal, é só oferta e demanda, uma negociação pra conseguir bebidas. Não estamos mais nos anos oitenta quando brigavam por território e os líderes pediam pra matarem as pessoas.

Eles se entreolharam parecendo um pouco desconfiados com aquilo, querendo concordar, mas não em voz alta.

— Mas é aí que está o problema, quem de nós conversaria com um gangster? — perguntou Chris em meio ao silêncio da sala. — Se vamos negociar de verdade precisamos de alguém que tenha boa lábia e seja esperto.

Noah pensou mais um pouco e olhou lentamente na direção de Finn, que ainda estava quieto e distraído em seu joguinho. Em seguida todos os olhares se voltaram para o garoto pálido.

— Nem pensar. — protestou Millie quando percebeu as intenções deles. O cacheado levantou a cabeça um pouco confuso observando a agitação dela. — Vocês não vão empurrar Wolfhard para um covil de malfeitores para conseguir bebidas apenas porque ele é maluco.

— Eu posso tentar.

— O quê?

— Quero contribuir.

Millie ficou o olhando emburrada.

— Não dêem ouvidos a ele.

— Ninguém vai empurrar o Finn pra morte ou coisa assim. — garantiu Noah em tom de brincadeira, lançando um sorrisinho divertido para os dois e deixou no ar. — Mas se ele quiser arriscar o pescoço...

— Não, ele não quer. — respondeu ela sorrindo meiga, virando-se para o rosto do cacheado novamente e desfazendo o sorriso. — Se você for eu mato você antes de qualquer gangster.

— Tenho uma grande apreciação por perigo, então não seja tão pessimista. — respondeu o rapaz achando engraçado o modo como Millie estava preocupada. Ela não podia acreditar que ele estava levando a sério tal sugestão. Em seguida Wolfhard olhou para os demais, ignorando o olhar dela de indignação. — Preciso de alguém astuto para se juntar a mim amanhã, se eu for sozinho não vou conseguir convencê-los.

— Eu vou com...

— Menos você. — ele interrompeu Millie com um risinho e fitou Jack no sofá da frente, que continuava observando Finn com atenção e um pouco de frustração, apesar de confiar na capacidade do amigo, temia por sua segurança e começava a se arrepender de ter dado a ideia. — Jack me ajudaria muito já que sabe bastante coisa, mas facilmente entra em pânico, principalmente depois do acidente. E eu quero vocês dois longe de perigo.

Wolfhard intercalou o olhar entre Millie e Jack.

— Então eu vou. — falou Noah dando de ombros e assentindo com a cabeça. — Posso muito bem fazer isso, sem problemas. Basta que o Jack me dê os nomes certos para que eu fique sabendo de tudo.

O cacheado ficou o olhando.

— Tem certeza disso?

— Noah. — murmurou Sadie de modo preocupado, lançando um olhar aflito a ele.

— Não vai ter erro. — ele respondeu docemente para a ruiva e virou-se para o cacheado querendo rir porque gostava de ser atrevido. — Só vamos negociar e voltar pra casa.

Chris deu um belo sorriso despreocupado e levantou-se indo até a sacada, para mexer nos girassóis de Millie.

— Estou feliz que conheci vocês antes de morrerem.
 

[...]

Caíra completamente a noite, fazendo pequeninas estrelas surgirem timidamente, salpicando sua beleza entre blocos de nuvens chuvosas assim que o vento soprava.

Por volta das oito horas e trinta e dois minutos, nenhum minuto a mais ou a menos. Millie e Finn despediram-se de seus amigos no apartamento e foram juntos desfrutar da beleza da luz do luar enquanto respiravam o ar gélido da noite. Eles estavam sentados no gramado do Highline Park. Conversavam sobre todos os assuntos do universo, sem ligar para as horas. Finn não mencionou nada, sequer, os acontecimentos desagradáveis daquele fim de tarde na sua casa. Ele sorria, mas seus olhos estavam entristecidos, Millie sabia disso, conseguia sentir.

A garota não quis cutucá-lo, então focou no fato de que, estavam bem e sem nenhum rastro de mágoa entre eles devido à discussão que tiveram. Então Millie mordeu o lábio inferior e lembrou-se de algo.

— Temos que ir.

— Para onde? — ele perguntou confuso e ela sorriu levemente como resposta.

— Para o lugar que prometi mostrar a você, esqueceu? — falou alegremente. Ele levantou, fazendo seus cachos se bagunçarem em seu rosto. Finn a observou de cima como uma figura pequena e frágil, cerrando levemente os olhos. — Até mesmo estou usando batom vermelho pra ocasião, pra você ver até que ponto cheguei.

Ele riu.

— Sua animação é bem evidente.

— Estamos comemorando a volta oficial da nossa amizade, merecemos. — confessou Millie sorrindo e olhando rapidamente para o céu e em seguida para o rapaz, esticando as mãos em sua direção para que ele a puxasse para cima. — Era pra termos ido mais cedo, mas não tem problema. As estrelas estão tão perfeitamente alinhadas hoje que eu me distraí com tamanha beleza.

Finn segurou as mãos de Millie a puxando. O corpo da menina chocou-se com o dele sem querer, fazendo a garota soltar um risinho sem graça. Ele inclinou-se um pouco em sua direção diminuindo a distância entre os dois e pegou sua jaqueta preta, que estava atrás dela.

— Eu entendo, também me distraio fácil.

Ela deu um pequeno sorrisinho, sabendo que estava ruborizada. Os dois se afastaram e seguiram caminho de volta para o carro de Finn, que estava estacionado debaixo do viaduto. Assim que seguiram caminho pelos iluminados prédios, ela foi dando as coordenadas certas até estacionarem no começo de uma rua escura com casarios pesados, arquiteturas de linhas medievais, como um belo cenário do século dezesseis. Eles desceram do automóvel e seguiram juntos pela calçada daquela rua vazia, um tanto tenebrosa.

No caminho, Finn atreveu-se a assustá-la e levou uma bronca, mas o garoto apenas riu e deleitou-se de ver Millie brava. Porém, minutos depois em relutância, ela acabou sorrindo.

— Eu sou a pessoa mais azarada do mundo.

— Eu sei, você mora com Noah.

— Wolfhard. — ela segurou o riso e indicou seus pés, dando um suspiro lamentável. — Eu justamente escolhi usar um tênis novo e branco hoje. Não que eu ligue para isso porque eu não ligo de verdade, mas são brancos.

Ele segurou o riso.

— Sei...

— Não zombe de mim. — defendeu-se achando divertido o modo como ele assentia com a cabeça freneticamente. — Esse é o único caminho para o lugar que quero chegar e você sabe muito bem que estou super disposta e engajada a levar você comigo.

Finn riu de leve olhando para ela e ficou uns segundos olhando para o hidrante que estava espalhando água para todos os lados, bloqueando o trajeto, deixando-as em poças com suas águas. Em seguida ele parou em frente à menina de costas.

— Sobe nas minhas costas.

— O quê?

— Prefere estragar seus tênis?

— E você quer estragar seus coturnos?

— Os tênis ou os meus coturnos?

— Tudo bem, os seus coturnos. — a garota deu um pequeno sorriso e deu-se por vencida, subindo nas costas do rapaz, entrelaçando suas pernas em sua cintura. Millie levou seus lábios para perto de seu ouvido. — Gosto da sensação de estar mais alta e além do mais, você está fazendo isso por um bem maior.

— Salvar seus tênis? Você está claramente equivocada. — falou Finn virando o rosto para olhá-la rapidamente com um sorriso adorável nos lábios. No mesmo momento Millie o olhou, querendo rir e sentiu as mãos dele em volta de seu tornozelo. — Agora, uma pergunta. Está preparada pra fazer essa festa?

— Não.

— Isso é encorajador, lady Brown.

Ela riu baixinho.

— Foi loucura minha ter aceitado. Eu tenho certeza que foi calor do momento, porque é claro que eu não teria permitido tal insanidade. Eu nem sequer sei por onde começar a organizar uma festa, nós somos do segundo ano, as pessoas que dão festas no nosso colégio geralmente são formandos. — garantiu Millie. Ela fez uma pausa e arqueou as sobrancelhas, mesmo que ele não pudesse ver. — Com exceção de Jacob, que é o único do nosso ano que faz isso.

— Então mude isso.

— Como assim?

— Você tem todos os requisitos para quebrar esse paradigma. — respondeu Finn, fazendo a menina ficar pensativa. Ele percebeu que Millie tinha ficado em silêncio e prosseguiu como se quisesse passar mais firmeza. — Não se preocupe com a festa, tudo vai dar certo. Temos um bom time ao nosso favor.

— Eu espero que sim.

Naquele momento, aquele assunto foi encerrado. Eles estavam parados em frente à uma grande casa nobre branca com uma cerca média da mesma cor, que protegia um gramado esverdeado, talvez a única coisa parecendo a mais viva e presente do lugar. Ela desceu das costas de Finn e ficou parada na calçada, levando a mão ao lado da cabeça para se certificar de que a flor branca que pegou no parque ainda estava em seu cabelo. As luzes do seu antigo lar estavam apagadas, fazendo-a sentir na pele a esfera sombria do lugar que parecia reflexar uma época distante.

Millie olhou para ele.

— Essa é a casa que minha mãe mencionou ontem no apartamento. — ela murmurou para Finn ao seu lado, que continuava a analisar a propriedade calado. — Nasci na Espanha, anos depois me mudei para a Inglaterra com meus pais e quando eles se separaram, eu e minha mãe viemos morar aqui. Quando ela viajava à trabalho eu ficava sozinha e Noah tinha acabado de ganhar o apartamento. Ele se sentia sozinho e como éramos melhores amigos, temia por minha segurança, então me chamou para morar com ele.

— Foi a coisa mais inteligente que ele fez.

Millie quis rir.

Ele observou a menina trilhar o caminho de pedra entre os gramados, até que chegassem na entrada. Com a chave na mão, Millie girou na maçaneta e a porta se abriu rangendo levemente a madeira. Ela esticou seu braço até alcançar o interruptor e ligar a luz, a escada larga ao lado surgiu, assim como a sala acendeu-se revelando a mobília coberta ainda com lençóis brancos.

— Minha mãe gosta de coisas rústicas.

— Eu notei. — respondeu ele um pouco vago enquanto ainda fitava os quadros renascentistas das paredes e em seguida olhando para os mais de vinte pássaros de madeira emoldurados em uma parede, por ordem de tamanho. — Há quanto tempo sua mãe coleciona essas coisas?

— Colecionava, até... — a garota hesitou por um segundo, deixando uma pequena mágoa transpassar sua voz. — Na verdade, ela diz que não tem mais tempo, mas sei que é porque sente falta dos meus irmãos.

— Ela deveria continuar, é muito bonito.

Millie sorriu de lado e seguiu em direção à cozinha ampla, trazendo Finn em seu encalço. Ele sentou-se em um dos banquinhos atrás do balcão calado, vendo-a abrir a geladeira para pegar um pote de sorvete. Ele parecia uma adorável criança boba tentando se comportar.

— Melhor pararmos de tristes conversas familiares, não é? — questionou ela fitando o garoto, que ainda a observava com atenção. Millie sorriu de canto e deu a volta na bancada para ficar em sua frente. Em seguida colocou o recipiente gelado em suas mãos, arrancando um riso dele. — Viemos até aqui para que eu mostre a você o lugar mais interessante dessa maravilhosa casa das trevas.

— Tudo bem, mas eu tenho uma pergunta importante antes. — ele franziu a testa vendo Millie segurar na manga da sua jaqueta de couro, o puxando gentilmente para subir as escadas. — Se não tem ninguém morando aqui, por quê teria sorvete de chocolate na geladeira?

— Sadie e Noah ficam por aqui às vezes.

A menina respondeu um pouco baixo como se alguém além dele pudesse ouvir e Finn sorriu divertidamente erguendo as sobrancelhas, assentindo com a cabeça. Possivelmente tinha entendido que a casa não servia apenas para moradia.

Segundos depois, ainda sendo guiado pela garota pelos corredores do andar de cima, eles pararam próximos a algumas portas entreabertas e com a ajuda de Finn, que era mais alto, Millie puxou uma estreita escada que levava ao sótão, aonde os dois subiram. E foi naquele lugar, que ela deixou que ele visse suas paixões particulares, seus livros empilhados em uma quantidade absurda, clips coloridos, caixas com fotografias, e uma varanda lajeada ao ar livre com uma visão para um extenso gramado, provavelmente atrás da casa. E um pouco mais adiante, os altos prédios de Nova Iorque que poderiam ser apenas prédios, mas com um pouco de imaginação se tornavam grandes riscos na vertical, em meio daquele vasto céu escuro.

Millie sentou-se no chão batendo a mão ao seu lado e Finn a obedeceu.

— Esse lugar é incrível mas... Espero que você não planeje me deixar preso aqui. Tive o pressentimento de que se tivéssemos andado mais um tempo por essa casa, iríamos ver algum espírito.

Millie gargalhou e ele sorriu brincalhão, pegando a colher que ela o oferecia.

— Não sabia que se assustava tão fácil, ainda mais com almas penadas, logo você...

— Você vai se impressionar com as coisas que tenho medo. — respondeu Wolfhard sussurrando, erguendo uma sobrancelha vendo-a pegar uma colherada. Assim que o vento soprou, seus cachos totalmente rebeldes se bagunçaram de modo adorável. — Uma delas é que você brigue comigo e a outra se chama palhaço.

Ela arregalou os olhos e riu.

— Também não sabia que era tão sensível.

— Está falando do palhaço? — Finn perguntou seriamente e ela cerrou os olhos. — Tudo bem, se está falando de você, você que é a sensível da história.

Millie estava boquiaberta, segurando a risada.

— E por quê?

— Você disse ontem que chorou por mim.

— Isso não é sensibilidade. — ela respondeu um pouco sem graça e fitando o rosto de Finn por alguns segundos, notando que ele possuía o negro brilho dos olhares zombeteiros e ao mesmo tempo maliciosos de meridional esperteza. Ela empurrou alguns fios para trás da orelha dando um pequeno sorrisinho. — Chorei porque sou uma pessoa sincera e de sentimentos, que não tem medo de assumir o que sente.

O rapaz respirou fundo, olhando fixamente nas íris castanhas dela por demorados segundos. A diversão da conversa de momentos antes tinha tomado um rumo melódico e decisivo, no entanto. Então sinceramente de todo o coração, ele quis saber:

— Então por quê ainda não resolveu seu problema com Jacob?

Millie desviou seu olhar.

— Você faz perguntas tão difíceis...

Finn devolveu o sorvete para ela, que segurou o recipiente como se fosse ser a solução para todos seus problemas. O cacheado passou uns segundos em silêncio, apenas fitando um escuro céu acima deles. Sentia seu corpo entrando em um modo mais agitado e corajoso, fazendo tais palavras escaparem de sua garganta.

— Se gosta dele, deveria assumir de uma vez o que sente e deixar os problemas de lado. Ele se desculpou, não há mais o que fazer.

Ela engoliu em seco, estranhando sua dureza no tom de voz.

— Você não defenderia o Jacob. — ela disse simples seguindo de um rápido sorriso sem vida e o olhando por longos segundos. — Por quê está fazendo isso agora?

Embora ambos fossem tão diferentes um do outro, ele era o amigo com quem ela podia ser uma completa idiota, assim como podia ser emocionalmente sincera, eles sempre sabiam quando havia alguma coisa errada. Bobagem era pensar que não existia um mundo particular apenas deles, porque existia, numa corrente harmoniosa de duas almas. O garoto levantou-se indo até a beira da sacada passando a mão na nuca notando o quanto estava tenso, ele sabia que Millie estava achando seu comportamento contraditório completamente confuso.

A garota ansiava por uma resposta. Apocalypse da banda Cigarettes After Sex, seria uma ótima escolha se aquilo fosse uma cena vista de fora.

Ele virou-se, encarando-a diretamente nos olhos castanhos. Em um minúsculo espaço de pensamento pôde verificar que hoje eles estavam mais escuros, mais brilhantes e ao mesmo tempo vazios. Millie ainda estava ali com o cabelo castanho bagunçado e uma expressão preocupada, parada em sua frente. Talvez aqueles adjetivos para definir a cor de suas íris fizessem jus ao que ele ia dizer a seguir.

You leapt from crumbling bridges watching cityscapes turn to dust.

— Eu quero que me escute, certo? — Finn disse sério.

— Tudo bem. — a garota respondeu, achando meio estranho a seriedade repentina do cacheado. — Estou ouvindo.

Filming helicopters crashing in the ocean from way above.

— Eu vou embora.

Got the music in you baby. Tell me why.

A garota ficou uns segundos quieta tentando entender por quais motivos aquelas três palavrinhas pareciam tão fortes. Sua expressão foi tomada por confusão.

— Do que está falando?

Got the music in you baby. Tell me why.

— Meus pais vão voltar para Vancouver em alguns meses e eu irei, por obrigação. Dizendo eles, para minha educação e para garantir que minha família se una, porém em nosso país de origem. Eu tinha resgatado um pouco das esperanças de reconstruí-la, como você sempre me orientou... até hoje. — explicou dando um longo suspiro. Ela calou-se sentindo o peso daquilo, sentindo as folhas da árvore de seu interior caírem uma por uma dentro de si. Ele continuava encarando-a em meio ao silêncio, desejando do fundo do peito que ela falasse algo. Até que por um momento, a mão do rapaz subiu pela bochecha de Millie.

You've been locked in here forever and you just can't say goodbye.

— Eu... 

— Por quê está chorando? — Finn questionou baixinho, afastando uma mecha de cabelo claro que voava em seu rosto.

— Você quer ir embora?

 Kisses on the foreheads of the lovers wrapped in your arms.

— Não...

— Por quê fez isso comigo? — ela respondeu com outra pergunta. Millie tinha a voz tão baixa quanto a dele, porém ela estava embargada e dolorida. Finn sentiu uma enorme dor tomar conta de seu coração e usou seu polegar para afastar a lágrima que escapou deslizando por seu rosto. — Você fez com que eu me sentisse feliz em muito tempo para depois ir embora como se... como se eu fosse apenas uma lembrança.

You've been hiding them in hollowed out pianos left in the dark.

— Apenas em pensar que vou me distanciar da felicidade que eu tenho aqui me machuca, mas eu apenas... — ele disse, fazendo-a suspirar pesado e fechar os olhos. Naquele momento Millie sentiu os lábios dele beijando sua pálpebra. — Eu não tenho o privilégio da escolha.

— Você tem sim. Você pode ficar aqui com nossos amigos, comigo. — ele sorriu de canto com a teimosia da garota, que ele aprendeu a conviver.

Got the music in you baby. Tell me why.

— Você não entende, não é tão fácil. — ele murmurou tristemente. — Quando cheguei do Canadá, passei o ano passado todo escondido para que não pudesse me apegar às pessoas, porque isso sempre termina de um jeito ruim e eu não queria que isso se repetisse. E eu cometi esse erro de novo.

Ela segurou na sua jaqueta escura.

— Olha pra mim. — ela pediu e contrariado, ele obedeceu olhando-a de cima maltratando a si mesmo. — Você não cometeu erro nenhum.

— Eu sei que sim.

— Por quê diz isso?

Got the music in you baby. Tell me why. 

Ele apertou os lábios.

— Eu cometi o erro de criar laços e a prova disso é que eu fico confuso perto de você, confuso... de um jeito bom. — confessou Finn sussurrando e segurando o queixo da menina, fitando seus lábios tão próximos. — Me desculpe por fazer você chorar.

Ele afastou-se para ir embora e sumiu do seu campo de vista, deixando o sótão para trás e deixando-a quieta em seu lugar. A garota limpou as lágrimas rapidamente e o seguiu, passando pelos corredores, descendo a escadaria e vendo que ele tinha acabado de fechar a porta principal. Millie apressou-se e o alcançou na frente da casa, sem saber o que dizer mas sentindo que deveria fazê-lo ficar.

  You've been locked in here forever and you just can't say goodbye.

— Wolfhard. — ela o chamou vendo o rapaz afastando-se pela trilha, até que ele parou no meio do caminho ainda de costas. Millie andou até ele com os olhos ainda lacrimejados e perguntou em um tom chateado. — Você vai simplesmente embora por quê não sabe o que está sentindo?

Finn virou-se sério para olhar em seu belo rosto, os cachos esvoaçando-se com a ventania fraca da noite.

— Eu sei exatamente o que sinto, mas você não.

Millie ficou uns segundos olhando em seus olhos escuros.

— Por quê você acha isso de mim? — perguntou na defensiva.

 Your lips. My lips. Apocalypse.

— Porque é o inevitável achar isso. — ele fez uma pausa olhando para o lado, dando um rápido sorriso. Ele voltou a observar o rosto calmo de Millie. — Você é confusa, eu não consigo entender o que sente. Talvez eu devesse ir embora porque sei que o seu coração pertence a outra pessoa. Você esteve amando Jacob por anos e agora pode tê-lo, não deixe isso passar por pouca coisa. Perdoe-o e decida de uma vez se quer tê-lo em sua vida porque pra mim, você é... Sempre vai ser a única pessoa a me prender a Nova Iorque, então por favor, não me torture mais. Me diga se eu devo ficar ou não.

Ela estava sem palavras.

  Your lips. My lips.

Finn tinha deixado naquela frase seu coração aberto para Millie, ele estava totalmente entregue, devoto e rendido aos seus sentimentos por aquela garota. Silêncio sepulcral levou o ambiente, fazendo uma poesia envolver o lugar da forma mais radiosa e boa como o sol, ou no caso, a lua.

— Eu vou perdoar o Jacob. — disse Millie baixinho, mas a fumaça branca de ar escapava pelos seus lábios, tão fria quanto suas palavras.

Apocalypse.  

Finn continuava calado a olhando nos olhos com imensa paixão mesmo que depois de sentir uma parte sua desmoronando, assim como na primeira e nas últimas vezes, sabendo que aquela era sua decisão final. O cacheado assentiu levemente com a cabeça e deu alguns passos para trás.

Go and sneak us through the rivers. Flood is rising up on your knees. 

— Obrigado por ser honesta comigo.

Oh please.

Ele colocou a mão nos bolsos da calça e virou-se para ir embora, sentindo o olhar da menina queimando em suas costas, mesmo que aquela noite tivesse se tornado uma pequena recordação do inverno.

— Finn. — ela o chamou novamente dessa vez pelo seu nome, o que era completamente estranho, fazendo-o parar no meio do caminho mais uma vez e virar-se para vê-la. — Eu esqueci de uma coisa.

Come out and haunt me. I know you want me. Come out and haunt me.

Millie aproximou-se e o encarou nos olhos, segurando o rosto pálido e gelado de Finn entre suas mãos pequenas, o surpreendendo com um beijo, com um toque de desculpas, de fato, naquele segundo oficializaram a volta daquela amizade. O garoto ficou imóvel sentindo a sensação dos lábios gelados da garota fazendo pressão contra os seus e afastou-se poucos centímetros, os dois ainda com os olhos fechados. Ele estava com o cenho levemente franzido tão próximo do rosto de Millie, que sentia a pontinha de seu nariz roçando-se no dela.

Sharing all your secrets with each other since you were kids. Sleeping soundly with the locket that she gave you clutched in your fist.  

— O que está fazendo? — Finn murmurou contra seus lábios.

— Você não me deixou terminar. — ela sussurrou enquanto o garoto sentia os dedos da menina passearem por seus cachos. — Eu disse que vou perdoar Jacob, mas não disse que vou ficar com ele.

Got the music in you baby. Tell me why.

Millie ainda estava com a vontade de ter os lábios avermelhados do rapaz tomando sua boca e aproximou-se o beijando novamente, fazendo-o retribuir com um rápido sorriso. Ele puxou sua cintura para mais perto amarrotando seu vestido vermelho com seus dedos e fazendo-a ficar na pontinha dos pés por conta da sua altura. Em poucos segundos o beijo tornou-se algo mais profundo, a língua dele buscou a sua em uma troca de carinho e vontade, que guardavam para si sempre que encaravam a boca um do outro secretamente.

  Got the music in you baby. Tell me why.

Finn mordeu levemente o lábio da menina, odiando-se a cada segundo por ser tão bom e os selou demoradamente pela última vez ainda com os olhos fechados.

You've been locked in here forever and you just can't say goodbye.

Ter tomado impulso para beijá-lo tinha sido a forma mais genuína de demonstrar sua afeição e sua paixão contida por Finn, que ainda não tinha sido proferida em alto e em bom som, por nenhum dos dois, ainda. Apenas nas entrelinhas mais uma vez, através de um beijo. Millie sempre seria leal à ele, como amiga, como confidente, como aventureira e do jeito que ele quisesse.

 When you're all alone. I will reach for you. When you're feeling low.

— Nunca mais me assuste desse jeito. 

 I will be there too.    

Ela riu envolvida em seus braços.  
 

 

 

 


Notas Finais


Misericórdia, finalmente. Fillie vivíssimo sim.

Queria dizer obrigado a todos que chegaram comigo até aqui, OBRIGADA POR TUDO. Estamos na beira dos 10K visualizações no wattpad e 4.2K aqui, além do apoio que recebo nas mensagens, ultimamente recebi bastante elogios sobre o desenvolvimento da Millie e do Finn juntos, isso me deixou super feliz.

A cena do tênis branco foi idéia da @millena_01, obrigado por enriquecer minha imaginação.

O próximo capítulo (risos empolgados) será um especial como comemoração aos dez mil, mas será surpresa. Vou viajar de férias na semana que vem pro Rio de Janeiro, mas vou levar o notebook pra atualizar então fiquem felizes, porque não consigo ficar longe do meu xodó. Então se eu brotar aqui, pelo menos estou viva.

Avisando que entrará um personagem novo em Sirius, uma pergunta, conseguem imaginar quem é?

O que acham que o Finn vai fazer pra ficar em Nova Iorque? Como será que o relacionamento dos dois vai se desenvolver? O que vai ser da negociação de bebidas? E a festa? Como o Jacob vai ficar agora? Deixam suas opiniões.

A playlist de Sirius está disponível no Spotify com músicas mencionadas/relacionadas com a história, procurem pelo nome da fanfic ou pelo link: https://open.spotify.com/user/22mwi5anyzwn3aanxewtnib5a/playlist/6AW5iaTptzFmI25CpL7Gpz?si=zUGMWJGCR9GMxvYYPHr4VQ

Até a próxima e mais uma vez pessoal, obrigado ❤


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