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História Six Months Of Happiness - Capítulo 22


Escrita por:


Capítulo 22 - Katarina


22/03/2016
Terça-feira 
12:07
P.O.V Tom Holland
Paixões... Sentimentos perigosos mas ainda sim, bastante comuns. É um simples efeito colateral da vida, o sentimento correspondido não é algo extremamente comum mas acontece normalmente repetidas vezes antes de você encontrar a “pessoa certa”. Eu poderia afirmar com total certeza de que não estava me apaixonando por Julia? Não, e se eu afirmasse seria mentira. 
Fiz uma promessa, mas como se cumpre uma promessa dessas? Somos humanos, não controlamos como e quando sentimos. O que eu deveria fazer? Dizer como me sinto e deixar as coisas estranhas? Continuar com o relacionamento e fingir? Eu não queria perder a conexão com Julia, mas estaria sendo um escroto se mentisse daquele jeito. 
O problema era que eu não tinha certeza... Meu coração palpitava toda vez que a via sorrir, me sentia feliz toda vez que ela dava risada, não me sentia bem com alguém daquele jeito havia algum tempo. Seria melhor guardar isso para mim por algum tempo, até ter certeza. 
Não era só sexo, as conversas que tínhamos... Nós nos conhecemos de verdade e só tínhamos mais pela frente, eu adorava as manias dela mesmo que me irritassem, eu adorava que nós conseguíamos brincar com tudo. E quando ela olhou nos meus olhos e me contou sobre as coisas que havia passado, tudo o que eu quis fazer foi protegê-la da dor e do sofrimento, porque eu sabia que ela não merecia aquilo, mesmo sendo bastante irritante e grossa às vezes. Eu ainda não sabia porquê ela estava se fechando para os sentimentos mas não queria presumir nada, eu sabia o quanto ela odiava quando eu presumia coisas sobre ela. 
Havíamos terminado de coreografar a música que ela tinha sorteado, sexta-feira eu iria com ela para o curso e apresentaria. A coreografia tinha ficado bastante legal em minha opinião, Julia fez a maior parte do trabalho mas também estava bastante orgulhoso de mim mesmo.
Gabriela e Julia estavam no curso, mas meus irmãos estavam como sempre vagabundando assistindo televisão.
- Quando vocês preguiçosos vão arrumar um emprego? – questionei enquanto sentava no sofá e Harry respondeu primeiro:
- Você sabe que trabalhávamos meio-período. 
- Não precisamos trabalhar, você vai ficar rico e nos sustentar pelo resto dos dias. – Sam justificou e eu espremi meus lábios. 
- Não conte com isso. 
- Estamos planejando futuros projetos. – Harry tomou uma postura séria e eu concordei com a cabeça. 
- Só estou enchendo o saco. – fiz pouco caso e eles continuaram prestando atenção na televisão, onde passava Dirty Dancing. – Julia gosta desse filme. 
- O que disse? – Sam perguntou e Harry me olhou estranho. 
- Nada... Esquece. – respondi um pouco absorto e Harry continuou me olhando. 
- Você tá tipo, gostando da Julia? – Harry questionou sério e eu neguei com a cabeça, convincentemente. 
- Não, somos amigos. 
- Você está estranho, está sorrindo pelos cantos e prestando extrema atenção quando Julia faz algo. Você pode nos contar, desde quando guardamos segredos? – Harry deu o sermão e eu suspirei. 
- Desde quando você namora a Gabriela, ela é próxima da Julia. 
- Voce acabou de confessar. – Sam apontou e eu franzi o cenho. 
- Não, não... Olha, eu não sei. – respondi dessa vez sinceramente e Sam e Harry concordaram com a cabeça. 
- Eu te entendo. – Sam respirou profundamente em drama e eu arqueei as sobrancelhas. 
- Você tá gostando dela? 
- Não, mas consigo ver porque você gostaria. 
- Como assim? O que quer dizer? – perguntei confuso e Harry deu uma risadinha. 
- Ele está dizendo que você gosta do físico dela. – explicou e eu rapidamente neguei. 
- Ela é muito mais do que o corpo dela, ela é engraçada e sabe como viver, mesmo que às vezes seja bastante imprudente. 
- Você diz como se a conhecesse profundamente. – Sam semicerrou os olhos e eu dei uma risada falsa. 
- Eu sou bastante observador. 
- Na verdade você não é, nem um pouco. – Harry respondeu e o telefone tocou, me salvando do assunto. Fui atender agradecendo aos céus.
- Residência dos Holland.
- Olá, estou ligando para falar com Julia Hoffmann. 
- Ela não está no momento, quer deixar recado? 
- Meu nome é Charles Williams, sou representante do departamento de A&R da gravadora London Records. – por um momento pensei que era algum trote, mas ele sabia o nome de Julia, então paralisei. 
- Você... Você tem interesse nela? 
- Estamos caçando novos talentos, conheci sua voz pela internet, me interessei e encontrei o bar onde ela trabalha. Assisti várias performances e realmente... Deixarei meu número, peça para que ela retorne por favor. – me informou o número que anotei e se despediu, então arregalei os olhos percebendo o quanto aquilo era incrível. 
- Quem era? – Harry se levantou e eu sorri largo. 
- Um representante de uma gravadora, ele está interessado em Julia. – quase gritei e Sam também levantou.
- Está falando sério? – gritou também e eu concordei com a cabeça. 
- Ela também vai ficar famosa! Os dois vão nos sustentar. – se virou para Harry e disse, me fazendo revirar os olhos.
- Ninguém vai sustentar vocês, a não ser se Paddy fique milionário e tenha pena. – respondi sorrindo e ele mostrou a língua.
- Não seja mal criado. – Harry advertiu e Sam deu um soco em seu braço.
P.O.V Julia Hoffmann 
14:51
Extremamente cansada era uma boa definição, o pior era que hoje eu teria que trabalhar e era ótimo pensar no dinheiro extra que eu estava ganhando, mas eu só queria dormir e eu já tinha faltado muitas vezes. 
Thomas estava um pouco estranho mas as coisas estavam ótimas entre nós, estávamos virando amigos e nunca dormíamos na mesma cama, quando fazíamos eu saía de fininho enquanto ele dormia. Algo um pouco imaturo talvez, já que eu particularmente não acreditava que dormir na mesma cama fizesse alguma diferença no que sentíamos um pelo outro, mesmo assim não queria dar esperanças. 
Meu celular vibrou me assustando e eu atendi enquanto subia as escadas.
- Hallo? – atendi falando em alemão, eu não reconhecia o número mas o DDD era da Alemanha. 
- Tochter! – a voz alta da minha mãe gritou e eu paralisei na escada. 
- Katarina... – respondi tentando parecer entusiasmada e continuei o caminho até meu quarto. 
- Como você está minha filha? – questionou e eu demorei para achar sentido na pergunta. 
- Eu pensei que você estivesse internada. – respondi sem pensar muito claramente e Katarina suspirou profundamente. 
- Fui liberada e estou me sentindo nova. Tudo vai ser diferente dessa vez gata, eu te prometo. – discursou e eu apertei meus olhos para não chorar. 
- É o que você sempre diz. – respondi um pouco direta, tinha aprendido a ser assim com minha mãe... Desde os 8 anos de idade. 
- Não fale assim com a sua mãe. 
- Você me pariu Katarina, mas não tem o direito de usar essa frase, porque não esteve lá por mim quando precisei e isso é justamente o que uma mãe faz. 
- Você só sabe reclamar Julia. Só pensa no que eu não fiz e não no que eu já sacrifiquei por você e por Charles. 
- Não me compare com você! O que você já sacrificou por essa família?
- Você sabe que você e seu irmão ocuparam e tomaram toda minha vida depois do parto. 
- Mas é claro que você tem que jogar a culpa nos seus filhos. Essa não cola. 
- Eu tentei, já te disse que foi a depressão pós parto que me fez voltar a ser usuário. 
- Katarina! Você sempre foi e sempre será uma usuária de drogas, não pense que vou me culpar por seus deslizes! 
- Não filha, você tem razão. Me desculpe, eu sinto muito, dessa vez tudo será diferente...
- Sim, dessa vez não vou acreditar em você. – expliquei desligando e respirando profundamente. Por que tinha que ser sempre assim? 
Me sentei no chão lentamente e senti como se meu peito tivesse se enchido de ar, como se meu corpo tivesse esquecido como se respirava ou como continuava a funcionar, eu parei para puxar o ar e tentei fazê-lo múltiplas vezes enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu me agarrava a cama tentando me lembrar de como voltava ao normal, toda vez que eu puxava o ar não funcionava e estava ficando cada vez mais alto. Eu não sabia o que era, se era um ataque de pânico ou outra coisa parecida, mas naquele momento só pensava se iria conseguir puxar o ar para meus pulmões novamente. 
Coloquei a mão aberta entre meus seios com uma mão e bati em meu peito com desespero, sentindo um vazio assustador me devastar aos poucos... Enquanto meu corpo era barulhento porquê tentava recuperar meu fôlego, dentro de mim tudo estava amortecido pela dor.
A porta do meu quarto se abriu bruscamente e o som me assustou me fazendo ficar pior, não me virei mas quando Thomas se sentou e tocou em mim pude vê-lo com o rosto bastante preocupado... Eu ainda respirava bem mal então achei melhor não falar nada. 
- O que aconteceu?! – perguntou como se eu pudesse respondê-lo e eu virei meu rosto para que ele não pudesse me olhar. – Olhe para mim... Julia... Julia, olhe para mim. – com sua voz extremamente lenta, virei meu rosto. 
- Conte até 4, inspire e respire... – disse calmamente e eu continuei desesperada enquanto ele me mostrava o que queria que eu fizesse. – Por favor... Assim: 1... 2... 3... 4. 
Comecei a tentar fazer aquilo e consegui um pouco, tremendo e respirando lentamente enquanto Thomas respirava comigo. Depois de algum tempo consegui respirar em um ritmo constante e tudo o que fiz foi deixar que as lágrimas caíssem de meu rosto. Abracei Thomas pela cintura e apoiei minha cabeça em seu peito enquanto ele acariciava meus cabelos.
- O que aconteceu? – perguntou novamente e eu fechei os olhos, tremendo bastante. 
- Eu realmente não quero falar sobre isso. – balancei a cabeça e Thomas me apertou com carinho. 
- Vai ficar tudo bem, eu prometo que vou te ajudar. – disse de um jeito doce e eu me aconcheguei em seus braços. 
Ficamos em silêncio por vários e vários minutos mas senti pouco o tempo passar, Thomas recebeu uma ligação e então eu mandei ele ir embora para resolver o que ele precisava resolver. Eu me sentia muito mal mas teria que agradecer Thomas por ter me ajudado, era o certo a se fazer.
Fui até o quarto de Gabriela depois de lavar o rosto e encontrei a mesma assistindo um filme em sua cama com Harry, fechei a porta e sentei na cama me aconchegando. 
- O que vocês estão assistindo? 
- Um dia. – Harry respondeu e eu olhei para a tela, reconhecendo Anne Hathaway. 
- Eu tenho esse livro, ela morre no final. – revelei logo recebendo os olhares indignados dos dois. 
- Julia! – exclamaram ao mesmo tempo e eu me encolhi. 
- Desculpa, desculpa. 
- Você sempre faz isso, dá spoiler do final, fica colada na gente. Talvez você deveria dar um tempo. – Harry pareceu bastante chateado e eu levantei da cama também triste. 
- Harry... – Gabriela o repreendeu baixinho e eu neguei com a cabeça. 
- Não, tudo bem. Me desculpe. – sai do quarto e voltei ao meu. Thomas estava deitado na cama mas não reclamei, apenas deitei também e acomodei meu corpo ao lado do seu. 
- Você realmente não quer falar sobre isso? – ele perguntou e eu o olhei tentando ficar calma. 
- Tenho. Preciso me distrair. – olhei para o teto sabendo que não estava no clima para sexo. 
- Que tal assistirmos um filme? – por um momento lembrei do que Harry disse, mas logo sorri. 
- Que tal... How I Live Now? – ciente de que ele sabia da minha pesquisa sobre ele, sugeri o filme e e ele riu de volta. 
- Você tem certeza de que não está apaixonada por mim? – questionou e eu revirei os olhos exageradamente. 
- Vamos ver, eu quero ver alguma perfomance sua! – respondi entusiasmada e ele concordou. Achamos o filme online já que não era tão recente e demos o play. O filme passou um pouco e Thomas apareceu na tela, bem diferente e mais novo. 
- Meu Deus, como você era fofo! – não consegui segurar e Thomas não agradeceu. 
- Eu tinha 16 anos. – revelou um pouco inseguro e eu arregalei os olhos não segurando a risada. 
- Ok, ok. Não importa, você era muito fofo. – beijei sua bochecha logo prestando atenção no filme novamente. Ele foi passando e se tornando interessante, até que Isaac, o personagem de Thomas foi morto.
- Você está chorando? – Thomas perguntou sorrindo e eu neguei com a cabeça indignada. 
- Por que você morreu?! Thomas! – bati em seu peito fungando e ele deu uma risada baixa. 
- Você percebe que é um personagem, não é? Não sou eu de verdade. – disse enquanto eu limpava meu rosto e eu virei birrenta. 
- O Isaac era o personagem mais legal do filme. – admiti e ele agradeceu. Decidi mudar de assunto: – Você conheceu Saoirse Ronan, isso é impressionante. 
- Ela é incrível mas não somos tão próximos. – explicou e eu assenti. 
- Você é muito chato pra ser amigo dela. – provoquei e ele tocou minha cintura de um jeito que me fez rir, então continuou para me punir. 
- Eu sou chato? É mesmo? – perguntou enquanto eu me contorcia em seus braços e ria.
- Você é, insuportável. – falei dentre as risadas e ele parou passando o braço na minha cintura fazendo com que ficássemos meio abraçados. – Obrigada Thomas...
- Pelo que? – questionou confuso e eu o olhei tentando me manter calma.
- Por me ajudar hoje e me fazer rir. Você tinha razão não é mais só sexo, somos amigos. – sorri sinceramente e ele sorriu de volta, me deixando um pouco melhor apesar do dia que tive. 
- Posso fazer uma pergunta? – disse sério e eu franzi o cenho.
- Pode. – assenti curiosa. 
- Eu aparento ter quantos anos ali? – questionou mostrando que era brincadeira e eu me segurei para não rir. 
- 13... Talvez 14. – dei de ombros e ele arqueou as sobrancelhas. 
- Você ainda me acha fofo? – perguntou convencido e eu toquei a ponta de seu nariz com meu dedo. 
- Você é fofo Thomas Stanley. – admiti e ele sorriu comprovando o fato. 
- Você também consegue ser. Quando deixa essa postura de bad girl. – explicou e eu semicerrei os olhos. 
- Eu não tenho postura de “bad girl”. – fiz aspas com os dedos e ele riu. 
- Claro que tem! 
- Ok, talvez um pouco. Mas que menina não quer ser “bad girl”? Nós faz parecer poderosas e fortes. – revelei sorrindo e ele tirou uma mecha de cabelo que caía sobre meu rosto. 
- Você não precisa disso para ser poderosa ou forte, nenhuma garota precisa. Você pode chorar assistindo Titanic e mesmo assim ser tudo isso. – deu de ombros e eu fiz biquinho diante de seu exemplo.
- Nunca gostei de Titanic. – estraguei o momento e Thomas fez uma careta engraçada. 
- Eu deveria ter previsto essa. 
- Que bom que já me conhece por inteira, Billy. 
- Vai começar?
- Não Isaac, não vou. – brinquei provocando e ele revirou os olhos. 
- São papéis, eu sou extremamente profissional. 
- Espere até seu papel como Peter Parker sair nas telinhas. Eu vou te encher tanto o saco... – prometi e ele suspirou.
- Você nunca dá um tempo. 
- Nós meros mortais não temos tempo, meu caro Stanley. – dei um selinho rápido para melhorar seu humor e ele não mudou a expressão.
- Você tem uma obsessão estranha por apelidos. – observou e logo achou uma forma de me provocar também. – Hoffmann.
- Touché Billy. 
- Por que você não gosta quando eu falo seu sobrenome? – de repente perguntou sério e eu dei de ombros. – Eu pronuncio de forma errada? 
- Não é isso, eu simplesmente acho muito arrogante o jeito como você diz. Como se eu fosse má ou algo assim. 
- Mas você é um pouco má. – respondeu e eu ri batendo em seu ombro. 
- Só com quem merece. 
- Eu só gosto quando é má comigo quando estamos na cama. – revelou aéreo e eu franzi o cenho. 
- Quem diria, você não parece o tipo de cara que tem fantasias sexuais desse tipo.
- Eu odeio quando você faz isso. 
- O que?
- Eu sou mais que a minha fofura, sabia?
- É disso mesmo que estou falando! Quem fala a palavra “fofura” quando estamos conversando sobre fantasias sexuais? 
- Eu sou único. – justificou dando de ombros e eu falei um pouco baixo:
- Se não fosse bom de cama seria um caso perdido. 
- Não diga isso! – riu apertando minhas bochechas e eu resmunguei. 
- Billy! Isso não favorece meu rosto! – comecei a rir junto e ele soltou meu rosto.
- Você já fumou? 
- Tipo o que?
- Como maconha. 
- Já. É bom mas gosto muito dos meus neurônios para queimá-los. Talvez em ocasiões especiais. 
- Eu nunca fumei nada. 
- Sério?
- Sério.
- Isso não me surpreende na verdade, qualquer dia se achar maconha quero que me chame. 
- Eu adoraria ficar chapado com você. – brincou dizendo de um jeito meloso e eu bufei. 
- Provavelmente acabaríamos pelados. – refleti e Thomas deu uma risadinha. 
- E o que tem de ruim nisso? – literalmente deu de ombros e eu ri. – Voltando a esse assunto, qual é a sua fantasia sexual? Nunca conversamos sobre isso. 
- Dominar... Entre outras coisas, se eu te contar vai perder a graça e não poderei fazer com você. Quais são as suas? 
- Encenar personagens, provavelmente é porquê eu sou um ator, e talvez isso seja bastante clichê e sem criatividade mas particularmente acho a ideia bem sexy. – explicou e eu concordei com a cabeça. 
- Já fez isso antes? 
- Não. 
- Entendo. – tentei não transparecer relevância para o assunto, mas pensei sobre.
- Qual foi o acidente mais grave que já sofreu? – Thomas de repente puxou o tópico e eu olhei para o teto para pensar. 
- Eu era muito cuidadosa e tinha medo de vários esportes, me machuquei poucas vezes na vida. O mais grave talvez seja... Quando eu torci meu pescoço. 
- Você torceu seu pescoço? 
- Sim, eu tinha 8 ou 9 anos... Por aí. – presumi e Thomas fez uma feição como se aquilo fosse importante. 
- Como aconteceu? 
- Eu dei uma cambalhota em um sofá e meu pescoço deu mal jeito. – expliquei dando de ombros e Thomas pareceu querer gargalhar. 
- Você está falando sério? 
- Ei! Não haja como se fosse impossível, ok? Ele é um pouco zoado até hoje! – protestei batendo em seu peito e ele mostrou as mãos como se fosse inocente. 
- Eu sei uma pergunta interessante! – se entusiasmou repentinamente e eu apenas franzi o cenho para que ele continuasse. – Que música você estava escutando no dia em que nos conhecemos?
- Ah... Você tinha que trazer isso à tona? – perguntei batendo em minha testa. 
- Diga logo. 
- Umbrella, da Rihanna. 
- A música que te assombrará para sempre. 
- Não pense que você é tão importante assim. 
- Mas eu sou. 
- Esquecerei dessa música em quatro meses, não se preocupe. 
- Como você esqueceria de um rosto fofo como esse? – me fez olhar para seu rosto e eu fiz uma careta. 
- Esses dias não dá nem para elogiar um cara que o ego dele já sobe até o céu. 
- O céu não é o limite, Hoffmann. Nunca se esqueça.
- Você é louco. 
- Por você. 
- Ewww. – ri enquanto caçoava e ele também sorriu. 
- Não me peça em casamento ainda. 
- Você bem que queria, Billy. 
- Acho que o apelido está começando a ficar sonoro para mim. 
- Não! O ponto é te irritar! 
- Será que tem coisa melhor do que não ser atingido por Julia Hoffmann?
- Tem. – fingi pensar e subi em seu colo, ficando de frente para seu rosto. – Transar com Julia Hoffmann. 
- Mais um jogo de provocações? Isso está ficando velho. – não respondi e apenas me aproximei lentamente beijando seu pescoço sem pressa. – Não é melhor se trancarmos a porta?
- Seus pais não estão em casa e Sam saiu, Harry e Gabriela estão assistindo um filme. – expliquei ainda próxima de seu pescoço e ele buscou meu rosto para me beijar. – Você quer experimentar coisas novas? 
- Como o que? – perguntou interessado e eu mordi meu lábio. 
- Prazer, meu nome é Natalia. Qual é o seu? – construi o jogo lembrando de sua fantasia sexual e seu sorriso foi imediato. 
- Meu nome é Dante, é realmente um prazer conhecê-la. – se arqueou em surpresa quando coloquei minhas mãos por baixo de sua camiseta e eu ri baixinho.
- Diga-me Dante, com quantos anos você perdeu sua virgindade? – o ponto da fantasia era não sermos nós mesmos, então esperava que Thomas não respondesse a verdade. 
- Eu sou virgem. – sorriu dizendo e eu quase ri acabando com a brincadeira. Beijei seu peito acariciando sua pele e ele colocou as mãos em minha cintura.
- Qual parte do meu corpo você gosta mais? – questionei me afastando um pouco para que ele olhasse.
- Tem tantas roupas no caminho que não consigo ver. – disse ameaçando tirar minha blusa e eu levantei os braços, um convite silencioso para que ele tirasse logo. Ele tirou minha blusa e minha camiseta, mas eu ainda estava de sutiã e calça moletom. 
- Não acha que estamos indo rápido demais? – perguntei em brincadeira e ele concordou com a cabeça. 
- Você tem razão. Você tem toda a razão. 
- O que você faz da vida? 
- Sou um artista, canto por bares e vivo a vida intensamente. – pendeu a cabeça pro lado e eu belisquei sua barriga. – Ai.
- Me desculpe, me distrai. – balancei um pouco sorrindo e ele devolveu o sorriso. 
- O que você faz da vida, Natalia?
- Ah, eu atuo. – dei de ombros o provocando e ele mordeu meu pescoço de leve. 
- Você bem que me parecia familiar. 
- Não zombe da minha paixão e eu não zombarei da sua. – respondi afastando sua boca do meu pescoço e ele protestou, mas logo mudou sua feição. – O que foi?
- Meu Deus, eu quase me esqueci! – pareceu estar bravo com si mesmo e eu franzi o cenho. 
- O que foi, Thomas? Pelo amor de Deus, diga algo que faça sentido. 
- Um representante do departamento de... – pareceu esquecer a palavra e eu continuei prestando atenção. – A... A alguma coisa, ele ligou procurando por você.
- A&R? – perguntei surpresa e ele concordou com a cabeça freneticamente. – Tem certeza de que não era trote? Ele disse o nome da gravadora? 
- London Records. – revelou e eu abri a boca em surpresa. 
- Machst du Witze? Das ist unglaublich! – na hora da emoção falei em alemão e Thomas apenas sorriu. 
- Ele deixou o número dele. – acrescentou e pelo impulso pulei em Thomas para abraçá-lo. 
- Cadê? – me separei dele tremendo e pegamos o papel onde ele havia escrito o número. – Eu... Preciso ligar para ele, né?
- Sim. – disse sorrindo e eu peguei meu celular bastante ansiosa, discando o número e suspirando.
P.O.V Gabriela Gianniotti 
16:24
Só hoje haviam sido 6 chamadas de Giovanni que eu tinha recusado, ele era insuportável mas minha mãe me proibia de bloqueá-lo e eu como boa idiota não o fazia. Minha mãe amava ele e o motivo aparente era que ele era perfeito aos olhos dela, eu não tinha contado sobre a traição para ela, mas mesmo se contasse eu tinha quase certeza de que ela iria defendê-lo. 
Se eu o bloqueasse minha mãe surtaria e se eu contasse para ela sobre as coisas que ele fez ela também surtaria, então achava melhor apenas continuar ignorando e seguindo com meu intercâmbio. Harry havia ido tomar banho e só por aquele motivo nos separamos, parecia que vivíamos 24 horas juntos desde que havíamos começado a namorar. Alguém da casa bateu na porta do meu quarto e eu apenas gritei para que entrasse, sem disposição para levantar e abrir a porta eu mesma. 
- Gabriela! – Julia entrou toda animada em meu quarto e eu esperei uma explicação. 
- O que aconteceu? 
- Eu tenho uma reunião marcada com um representante da London Records! Eu só sei a hora e o lugar e o dia, mas o que eu vou usar e o que eu vou dizer e ele avisou pros meninos da banda ou eu vou ter que avisar? Estou tão confusa, eu sonhava com isso mas não pensava que ia acontecer tão cedo. Será que isso está mesmo acontecendo? Será que tudo vai dar certo? Eu sinceramente acho que alguma coisa está errada... – nunca havia visto Julia falar tanto de uma vez e era aparente a felicidade dela mas o nervosismo transbordava. 
- Fique calma! Respire fundo. Tudo vai dar certo Julia, você é talentosa demais. – tentei a tranquilizar sorrindo e ela franziu o cenho. 
- Sou talentosa para um bar, mas para uma gravadora? A London Records? – tentou parar suas mãos na perna mas logo desistiu, se mostrando muito ansiosa. 
- Você é boa o suficiente para London Records, você já viu quantas pessoas menos talentosas que você já assinaram contratos com gravadoras enormes? Tudo depende do gosto para música de cada pessoa. Eu aposto que você pode ir longe. – expliquei e ela sorriu com nervosismo. – Sábado vamos no shopping e compraremos algo para você usar, ok?
- Ok... Eu tenho que mandar mensagem para os garotos. – pegou seu celular do bolso e eu concordei enquanto ela se sentava em minha cama.
- Tudo vai dar certo. – encorajei e ela assentiu com a cabeça.



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