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História Melizabeth - Sixteen Moons. - Capítulo 2


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Notas do Autor


Nossa senhora, faltei morrer de ansiedade para postar esse capítulo kkkk
gente, agora eu entendo porque pouquíssimas pessoas escrevem todos os capítulos para depois postar a fic. A afobação é muito grande, dá vontade de postar tudo de uma vez.

Mas, bem, aqui estamos, fui paciente...

Fiquem com o capítulo, bjs!

Capítulo 2 - Collision;


“Algumas pessoas nunca ficam loucas. Que vidas verdadeiramente horríveis elas devem viver. Pessoas chatas e condenadas por toda a terra, propagando pessoas ainda mais chatas e condenadas. Que show de horror. A Terra fervilhava com elas”

Minha voz cessa no silêncio de meu quarto. Dou uma última checada na capa, tendo a certeza do que estou lendo. Esse cara é um Deus. Também pesquisei Bukowski no google:

 “Não me sinto só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar”

Lemos porque nos identificamos, não? Se for assim, então tenho mais coisas em comum com Elizabeth do que imaginei. Algo lá no fundo continua a me persuadir, alegando que estou forçando a barra somente porque é uma Ravenwood. O mistério me chama, estou apenas respondendo.

Aproximo-me do grupo reunido perto do cercado. Recebi uma ligação de Arthur, dizendo que era para que eu corresse até Honey Hill.

“Algo maluco está rolando, cara!”

Talvez o “algo maluco” seja apenas a fanática genérica da sra. Miller, que grita e berra, apontando uma cruz para os céus. Um grupo de adultos e pais acompanham-na em suas preces.

- É o nome do Senhor que trás glória e salvação! – Ela prossegue com sua gritaria enquanto me estaco ao lado de Arthur. – É o nome do Senhor que nos proporciona autoridade para banir qualquer mau espírito!

- O que está acontecendo? – Sussurro em seu ouvido.

- Cara, finalmente! Aqui... – Ele me posiciona em um ponto especifico e aponta ao longe. – Espere...

Em um piscar de olhos, um estrondo braveja, seguido de um raio. O susto é inevitável, mas não deixo demonstrar em meu exterior.

- Está caindo no mesmo lugar toda noite!

- Desde quando? - Antes que ele pudesse responder, uma mão agarra meu ombro.

- Desde que Elizabeth Liones chegou na cidade. – É Diane, ela inclina-se em direção ao cercado, escorando-se ali para que pudesse me olhar diretamente nos olhos. Seus cabelos estão soltos, e mantém a postura destemida e mal-educada. – Minha mãe disse que ela veio de um hospício... e que matou um garoto o jogando nos trilhos de um trem em Atlanta.

- Wow... – Arthur exclama, dando um soquinho em meu ombro. – Isso é maneiro.

- Você é um idiota. – Diane provocou em direção ao ruivo, que apenas a mandou o dedo do meio, fazendo-a revirar os olhos incessante. – Minha mãe disse que a mãe dela matou o pai e fugiu da cidade.

- Cala essa boca, Diane!

Os olhares na roda voltam-se a mim. Desvio o olhar irritado, deveria apenas ter ignorado. Mas, não consegui evitar, escutei da própria Elizabeth a causa da morte de seus pais. Entre dar ouvidos a ela e dar ouvidos a rumores de uma cidade minúscula e fofoqueira, minha escolha é precisa.

- Meliodas Carter, posso falar com você... à sós? Tipo, agora? - Não consigo responder, logo sou puxado pela gola da jaqueta até um lugar mais afastado. Outro estrondo. O raio continua a cair no mesmo lugar.

- Qual é o seu problema? – Ela bate em meu peito.

- Acho que ando meio desligado das coisas mesmo...

- Não é isso, seu idiota! Estou falando da esquisita da Ravenwood. Repito: qual é o seu problema, Meliodas?

Diane se estende em minha frente com seus braços cruzados. Desvio o olhar para o raio insistente atrás da mesma. É quase como em meus sonhos, mas falta ela ali. Nada nunca está completo e isso, sim, é assustador.

- Meliodas!

Solto um suspiro, e faço questão de que ele seja audível, até mesmo abrangendo o irritadiço por estar preso naquela situação.

- Só estou cansado das pessoas desta cidade julgando alguém só porque não a conhecem.

Seu corpo vacila para trás incrédulo com minha resposta. A morena solta um riso nasalado, cerrando os olhos em minha direção.

- E por acaso você conhece Elizabeth Liones?

- Eu não...

- Eu sinto muito, mas não poderei ir ao cinema com você esta semana. – Seus dedos vêm de encontro ao meu rosto, agarrando minha bochecha. – Acho melhor darmos um tempo, docinho. Desculpe por fazê-lo sofrer.

Ela se encolhe em seu cardigan rosa, dando um meio sorriso prévio de despedida. Em poucos segundos ela já está longe e posso escutar a risada de Arthur, indicando que estávamos afastados, mas nem tanto para que ele fosse impedido de nos ouvir.

- Eu não disse isso a ela no fim do primeiro ano?

- Cara... algumas garotas são como cães raivosos. – Ele diz, rindo de soslaio. – Você pode correr... ou atirar.

Nego com a cabeça, tratando de enfiar minhas mãos nos bolsos de minha jaqueta. O raio mantinha seu show para todos nós, meros espectadores. Seria algo bonito de ver, porém minha cabeça está infestada com as gritarias da sra. Miller.

Quando abri a porta para a aula de Inglês, ainda estava pensando em tudo. Meu "tudo" é vasto, sempre estou pensando em muita coisa. Espero ansiosamente para ver Elizabeth estrando na sala. Talvez, alguma hora do dia, não sei, eu poderia puxar assunto.

"Hey, Elizabeth, venho lido Bukowski nos últimos dias"

Não, eu soaria idiota demais. Sempre pareço idiota demais quando estou ao seu redor. Mas, pensando bem...

Talvez seja o jeito no qual usa tênis surrados como se ainda estivéssemos no verão... ou o jeito como usa jeans ou vestido, dando a impressão que sairá correndo a qualquer minuto. Não é sensato culpar um homem por ficar tonto perto dela.

- Meliodas, bom dia... – Ao erguer o olhar, posso ver Diane ali. Pensei que eu tivesse levado um fora. – Quero que saiba que ainda me importo com você como sua amiga. E rezo todas as noites para que você não vá direto para o inferno.

Era como se ela sugasse o ar para fora da sala. Alguns caras começaram a rir, eles pensaram que ela estava brincando, mas eu poderia dizer que não estava.

- Oh, que fofa, mas eu não vou direto para o inferno. – Solto um riso baixo diante de sua expressão. – Quero dar uma parada em Nova York antes.

Ela revira os olhos, sentando-se na carteira ao meu lado. A essa hora, sr. Hester já havia começado seu monólogo de 2 horas. Movo meus olhos às primeiras cadeiras da classe, encontrando-a ali.

Seu eu me inclinar levemente para o lado, posso ver suas mãos amostra. O número no dorso havia mudado: 98. Não é uma tatuagem. Tatuagens não mudam e antes era exibido ali um 106. Minha memória não é de falhar.

- Parece que alguém tem fixação em encarar aberração. – Diane diz e ao menos olha para mim. Isso foi uma disputa territorial. Ela pode ter me largado, mas certamente não queria ver a sobrinha do velho Ravenwood perto de mim.

- Vocês devem ter lido isto durante o verão. - O professor ergue em suas mãos uma edição de To a Mockingbird, de Harper Lee. - Vamos começar discutindo o personagem de Boo Radley, o misterioso morador com um passado duvidoso.

- O senhor quis dizer... Denzel Ravenwood? – Elaine interrompe, sendo repreendida pelo professor instantes depois.

- Com licença, professor... – Diane levanta um de seus braços. – Uh... minha mãe disse que eu não deveria estar lendo este tipo de livro, é um dos livros proibidos.

 - Bem, eu tive permissão da escola para aborda-lo este semestre, srta. Martin.

- Eu não irei ler nada banido pela nossa igreja, professor.

 - Eu também não. – Elaine a seguiu em tal decisão, sorrindo inocentemente para o sr. Hester. - Minha mãe também disse... que eu não deveria estar na mesma classe que uma Ravenwood.

Um silêncio incômodo alastra-se entre as carteiras, e ao menos o professor ousa dizer alguma coisa. Elizabeth olhou para as linhas de seu caderno, mas não disse uma palavra.

- Cale a boca. - Eu sussurrei, um pouco alto demais.

- Não é certo que ela estude na mesma classe que nós, meros jovens cristãos!

- A família toda é satanista! Minha mãe disse que rezam pelados para satanás. - Elaine responde em minha direção.

- É o bastante... – O professor tenta.

- Senhor...

- Senhor...

As duas dão as mãos, fechando seus olhos.

- Há forças maléficas entre nós, Senhor!

- Parem com isso. – O professor tenta uma outra vez. – Não podem rezar em sala de aula!

- Rezamos agora para que nos protege de tais mais, Senhor...

- Não sei o que pensam que conseguirão com isso, mas as mandarei para sala do diretor se não pararem...

Um rangido começou de repente. Olhei ao redor, perguntando-me se apenas eu quem estava o ouvindo. Estava ficando mais alto e começou a soar mais como lascas.

- Senhor, apenas tu tens glória contra estes demônios que nos cercam...

Elizabeth olhava para frente, mas sua mandíbula estava cerrada e ela estava concentrada de maneira não natural em um ponto na frente da sala, como se não pudesse ver nada além daquele local. Está tentando ignora-las. A sala parecia estar ficando menor, fechando.

- Parem com isso! – O professor continuava...

 Eu ainda podia ouvir o barulho. Lascas? Não sei, eram mais como ruídos.

- Salve-nos, salve-nos, salve-nos destas forças malignas...

Foi a última prece de Diane, até que o vidro voou, estilhaçando-se no ar, quando a janela se partiu do nada. A janela do outro lado da nossa fila na sala de aula, bem ao lado de onde Elizabeth estava. Bem ao lado de Elaine, Diane e eu. Todos gritaram e mergulharam em seus lugares.

Foi quando percebi o que aquele som rangente tinha sido. Pressão. Pequenas rachaduras no vidro, espalhando-se como dedos, até a janela desabar para dentro como se tivesse sido puxada por um fio.

Foi um caos. As meninas estavam gritando. Todo mundo na classe estava saindo de seus lugares. Até eu pulei.

- Não entrem em pânico. Todos estão bem? – Sr. Haster disse, tentando recuperar o controle.

Segui até a carteira de Elizabeth, queria ter certeza de que estava bem. Ela não estava, parecia em pânico. Seu rosto estava ainda mais pálido do que o habitual, seus olhos ainda maiores e mais azuis.

- Elizabeth... – Digo. De prontidão, a mesma pega sua bolsa, saindo correndo da sala, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa.

- Você viu aquilo, cara? Ela quebrou a janela! – Arthur bateu em meu ombro.

- Ela tentou me matar! – Diane berrava. - Ela é louca, assim como o tio!

Pareciam um bando de gatos bravos do beco, gritando um sobre o outro. Sr. Hester tentou restaurar a ordem, mas isso estava pedindo o impossível.

- Todo mundo se acalme. Não há motivo para entrar em pânico. Acidentes acontecem. Provavelmente não foi nada que não possa ser explicado por uma janela antiga e pelo vento.

Ninguém acreditaria que isso pudesse ser explicado por uma janela antiga e pelo vento. Era mais entretenimento se culpássemos a sobrinha de um velho recluso e assombrado. A tempestade de cabelos prateados que acabou de chegar à cidade. 

Quando olhei para Elaine e Diane, seus rostos estavam arranhados, enquanto seus braços eram banhados com o sangue que escorrera de seus cortes. Eram as únicas que haviam sido feridas pelo vidro estilhaçado.

Fomos liberados mais cedo por conta do que ocorreu em nossa classe. Eu sabia o que deveria fazer, ou para onde deveria ir.

Hesitante, coloquei minha mão no ferro mutilado. O portão se abriu. E então, nada aconteceu. Sem raios, sem combustão, sem tempestades. Não sei o que estava esperando, mas se eu já tinha aprendido alguma coisa sobre Elizabeth até agora, seria que sempre devemos esperar o inesperado e prosseguir com cautela.

Não estou dizendo que estou com medo de Denzel Ravenwood, porque essa não é exatamente a palavra para isso. Fiquei com medo quando a polícia chegou à porta na noite em que minha mãe morreu. Fiquei com medo quando era criança e descobri que as bonequinhas que Amma fazia não eram brinquedos. Eu não tinha medo de Ravenwood, mesmo que fosse tão assustador quanto parecia.

O inexplicável era uma espécie de dado no sul; toda cidade tem uma casa mal-assombrada, e se você perguntasse à maioria das pessoas, pelo menos um terço delas juraria ter visto um ou dois fantasmas em sua vida.

Além disso, eu morava com Amma, cujas crenças incluíam pintar nossas persianas de azul para manter os espíritos afastados e cujos encantos eram feitos de bolsas de crina e sujeira. Então, eu estava acostumado ao incomum. Mas, o velho Ravenwood, isso era outra coisa.

Respirei fundo e subi, passando pelo jardim bem cuidado, dois passos de cada vez. Peguei o anel de bronze suspenso da boca de um leão que servia de aldrava e bati. Bati de novo e de novo. Nenhuma resposta, talvez ninguém estivesse em casa.

Recuo da varanda, virando-me para olhar a parede de pedra em ruínas mais afastada, mais conhecido na cidade como o terreno de Greenbrier. Era irônico de certa maneira, as duas estruturas mais assombrosas de Gatlin ficavam uma ao lado da outra. Mal conseguia distinguir o topo das árvores além do muro, cujo era de pedra, gasto em alguns lugares e completamente quebrado em outros.

- Elizabeth? – Chamo-a ao me aproximar. Encolhida na grama, ao perceber a presença de uma outra pessoa, ela endireitou sua postura.

- O que pensa que está fazendo aqui? – Seus dedos voam ao seu resto, limpando abaixo dos olhos.

- Queria ter certeza de que você estava bem. - Sentei-me ao seu lado. O chão era surpreendentemente duro. Passei a mão por baixo de mim e descobri que estava sentado em uma laje lisa de pedra plana, escondida pela vegetação lamacenta. – Você está bem?

- Estou ótima, não vê? – Ela tira com a unha as lascas do seu esmalte preto no dedo indicador, evitando contato visual. – Você já pode ir agora.

- Não...

- Vá embora, sabem o que dizem sobre quem pisa em Ravenwood...

- Não.

- Vai!

- Não.

- Você é um idiota. – Seus olhos viram-se aos meus em um instante. Ela tem um mínimo sorriso, mas nega com a cabeça incessantemente.

- Me desculpe pelo o que ocorreu na aula hoje. Aquilo foi ridículo.

- Não precisa se desculpar em nome delas. – Depois de um suspiro e umedecer de lábios, ela responde simples, balançando os ombros. – Já estou acostumado, não se preocupe. Em todo lugar que vou, me tratam desse jeito.

- Por que você se importa? São todos idiotas...

Seus lábios se entortam em uma expressão incomodada. Ter qualquer tipo de discussão com Elizabeth parece perigoso, mas abrangente.

- Nunca teve que se encaixar, não é? - Olhei-a pelo canto do olho, mesmo que ainda fugisse de mim. - Não consegue evitar. Você... se encaixa em qualquer lugar, todos o amam.

- Nunca sei quando está me xingando ou me elogiando.

- Você transborda charme por onde passa.

Sua fala me pega de surpresa, e talvez esse seja o motivo de não conseguir reprimir o sorriso mordaz crescendo em meu rosto.

- Me acha charmoso? – Provoco.

- Acho você idiota. – Um risinho baixo corta sua frase. – Talvez... só um pouquinho arrumadinho.

- Ah, arrumadinho?

- Sim. – Ela gargalha alto e é como se minha missão houvesse sido concluída.

- Deixe-me ver se lembro, é Bukowski... – Limpo a garganta enquanto seu olhar de expectativa recai sobre mim. – “Alguns perdem toda a alma. Alguns perdem a cabeça... e tornam-se alma, insana. Alguns perdem tudo... mente..." – Digo. - Cara, passei a noite inteira tentando memorizar isso para impressionar você!

- E ao menos funcionou... – Ela sorri preguiçosamente, os olhos se estreitando em duas semi-luas, que se fecham quase que por completo.

Me pergunto como alguém consegue não gostar da mesma.

- Ok, você não pode reclamar que não tem amigos... e depois fazer um cara dar um duro danado para ser seu amigo.

- Desculpe... - Sua voz é baixa, enquanto seus dedos arrancam algumas folhas da grama levemente, em um ato de pura tensão. - Ainda acho que só está esperando o momento certo para correr e contar para seus amigos sobre a aberração.

- Acha que sou esse tipo de cara?

Ficamos em silêncio novamente, apenas fitando um ao outro. Chego à conclusão que este tipo de brincadeira me deixa nervoso, mas nunca admitiria em voz alta.

- Não. Não acho.

- Isso é bom. - Vejo-a levantando-se com uma delicadeza invejável, virando-se, pronta para ir embora.

Sigo-a, e logo atrevo colocar minha mão em seu ombro. Está quente e sol já começava a desaparecer. Eu podia sentir o osso sob sua blusa, e naquele momento ela parecia uma coisa frágil, como em meus sonhos.

- Deveríamos ser amigos.

Finalmente ela cede e vira-se para mim. Seus dedos finos vão ao meu rosto, segurando-o com cuidado. Logo, um beijo fora depositado em minha bochecha.

- Posso pensar... mas, não se anime muito.

---


Notas Finais


Eita, o que será que fez o vidro quebrar?
Até segunda, galera!


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