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História Sizzy - Me apaixonando por você - Hot - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura BB's 💛

Capítulo 4 - Heart fears


Fanfic / Fanfiction Sizzy - Me apaixonando por você - Hot - Capítulo 4 - Heart fears

Poderia ser uma fantasia profunda?

Poderia ser um segredo para guardar?

Você está esperando por algo?  (Imagine que éramos nós) Diga-me, você esperaria a noite toda?

Você está pensando sobre isso como eu, eu faço?

Eu esperaria a noite toda


— Jessie Ware, "Imagine It Was Us". 


POV :IZZY 


Acordei com a sensação de não saber onde estava, até me dar conta de que era o quarto do Heart On Fire. Como tinha o hábito de viajar muito, por causa da minha carreira de modelo, sempre tinha a sensação de não pertencer a lugar algum. Eu já devia ter me acostumado.


Para completar a manhã nada agradável, minha agente me mandou uma mensagem por WhatsApp surtando sobre o fato de eu ter saído de férias sem que ela soubesse. Eu havia deixado uma mensagem no Facebook, mas ela estava off-line; não era minha culpa. E outra, eu conhecia a minha agenda de cor, sabia que não tinha nenhum evento marcado para esse período, a não ser o desfile no Japão, que era só daqui a um mês e meio.


Olhei para o lado e vi Clary dormindo de bruços, ressonando na cama do meu quarto. 


Eu a havia alugado a noite toda, reclamando e filosofando sobre os homens e os problemas que nós arrumamos ao nos apaixonarmos. Agora, em plena luz do dia, parecia que tudo tinha sido um sonho, um pesadelo entre o prazer de me interessar por alguém e a angústia de precisar fugir. No entanto, por algum motivo, eu ainda conseguia sentir os lábios dele sobre os meus.


— Clary ? — chamei-a cautelosamente. Sabia que ela não era uma pessoa matinal. — Já amanheceu e eu quero comer alguma coisa e talvez curtir a piscina. Só vamos chegar ao Caribe amanhã.


Eu estava um pouco ansiosa para ver as praias incríveis que minha amiga me garantiu que existiam. Segundo ela, o cruzeiro Heart On Fire fazia questão de atracar o navio somente após a hora do almoço nos portos, pois sabia que a diversão ia até tarde da noite, diferente dos outros cruzeiros, que paravam de manhã cedo e partiam às seis da tarde.


Havia muita aventura pela frente.


— Vamos, Clary. Eu quero pegar uma cor.


— Me deixa dormir — ela pediu, choramingando. — Vai você curtir a piscina. Eu só quero a cama.


— É, né? O cara que você saiu ontem tirou toda a sua energia.


Clary tinha me contado sobre a experiência sobrenatural que tivera com um homem. Segundo ela, não estava apaixonada e nem perto disso, mas tinha sido uma noite inesquecível. Pelo que entendi, ele era holandês. De acordo com a minha melhor amiga, vinha gente dos quatro cantos do mundo para esse cruzeiro.


— Sim. E depois você me sugou por horas para reclamar do Trevo de Quatro Folhas que o destino jogou no seu colo.


Para mim, ele era o Zorro. Mas minha melhor amiga, que havia acreditado que o homem mascarado era um achado na humanidade, o apelidou de Trevo de Quatro Folhas.


— Esse apelido não faz sentido e eu não quero falar do Zorro.


— Você vai ter que decidir se vai na festa das máscaras essa noite, Izzy. Precisamos comprar uma lingerie na hora de voltarmos — desabafou Clary, suspirando com a voz sonolenta.


— Eu não vou — disse com a voz tremida, quase confessando em voz alta quão incerta estava sobre a minha decisão.


— Torre seus neurônios no sol e me deixe dormir por mais cinco vidas.


— Tudo bem, Clary — disse sorrindo. — Eu vou te deixar com os travesseiros.


Plantei um beijo em sua testa e a ouvi resmungar mais alguma coisa antes de pegar no sono novamente. Meu estômago protestou de fome e eu decidi pedir ao serviço do navio o café da manhã no quarto antes de sair.


Minha alimentação foi uma simples salada de frutas ao molho de laranja e leite. No final, troquei meu pijama por um biquíni azul-marinho com detalhes em dourado e coloquei óculos escuros, parecendo mais hostil que a Cruela Devil.


Sem as festas acontecendo e a iluminação baixa nos deques, o Heart On Fire parecia como qualquer outro cruzeiro. As paredes não eram tão intimidantes e sensuais, adornadas com luzes douradas e vermelhas, e os carpetes não pareciam puro veludo, enquanto eu caminhava por eles em meus simples chinelos. Era como se o navio perdesse o encanto poético e passasse a ser apenas mais um cruzeiro comum. As garotas circulavam em seus biquínis e vestidos em direção à parte externa e alguns homens — que se assemelhavam a criminosos na noite passada — estavam como meros turistas, trajando bermudas e sungas. 


Claro que as máscaras me impediram de guardar fisionomias e, como ontem foi apenas o primeiro dia, não havia reparado nos rostos dos passageiros. Era como se todos fossem estranhos e nunca tivessem se conhecido. Isso me fez questionar: as pessoas que se beijaram ontem se reconheceram hoje? Eu seria capaz de identificar os cabelos castanhos e os lábios vermelhos finos do meu Zorro? Inevitavelmente eu reconheceria o leve bico que ele faz com os lábios, que eu identifiquei ser um mania nas poucas horas em que ficamos juntos.


Foi inevitável sentir o coração acelerar na expectativa e ansiedade de vê-lo por ali. Também a sensação genuína de pavor se acabasse reconhecendo-o pelos poucos traços que a escassa iluminação da noite anterior me permitira ver. Na luz do dia, as coisas são completamente diferentes e também me dei conta de que, assim como eu, havia pelo menos seis garotas com os traços semelhantes aos meus. Talvez nem todas fossem naturais, com a estética a nosso favor, 

mas eram todas muito bonitas. Se o Zorro estivesse me procurando, seria incapaz de achar, e eu carregava essa certeza da mesma maneira que sabia que ele não cruzaria essa linha e não teria coragem suficiente para perguntar uma a uma quem era sua misteriosa Fada.


O sol bateu em minhas bochechas e acabei aceitando que uma das funcionárias do navio esguichasse no meu corpo o protetor solar em spray. A garota estava ali como uma estátua, carregando aquele produto com as duas mãos e um sorriso no rosto. Assim que passava um convidado, perguntava de modo delicado se queria se proteger dos raios UV .

Eu poderia reclamar o quanto quisesse, mas nenhum cruzeiro tinha o serviço que esse oferecia. Os funcionários eram extremamente discretos e serenos e as instalações, puro luxo. A área de uma das piscinas, a que eu estava, possuía inúmeras cadeiras para relaxamento e massagem ao ar livre.


Existiam dois rapazes fazendo coquetéis e um grupo ao vivo tocava um reggae suave. As pessoas estavam cantando e mergulhando, descendo pelo tobogã transparente com altura razoável. Eu sorri quando me inclinei em uma das cadeiras.


Estar em alto-mar era uma das sensações mais prazerosas e únicas. Eu podia ver algumas gaivotas sobrevoando o céu límpido, a bola de fogo redonda e bem alta nos aquecendo e o oceano azul sendo recepcionado por uma imensidão plana. O inquestionável pensamento de que eu era apenas uma gota em um lugar tão lindo quanto o planeta Terra foi inevitável e eu admiti quão pequenos eram os nossos problemas se comparados a todos os outros do universo.


Inspirei a brisa e deixei a sensação me envolver, o sol dourando a minha pele pálida e o tempo curando vagarosamente as dúvidas que essas últimas vinte e quatro horas haviam me trazido.


POV : SIMON. 


— Setenta e oito. Setenta e nove. Oitenta...


Jace estava me ajudando a contar o número de flexões com um braço que eu conseguia fazer. A série de cem consistia em passar o peso do corpo para o punho direito e descê-lo para depois erguê-lo e fazer o mesmo com o esquerdo. A terceira e última vez era com os dois braços até deixar o corpo em uma linha reta ao descer ao chão sem me soltar.

Quase podia beijar o colchonete e estava cansado.


— Não pode dar mole, Simon — exigiu Jace. — Oitenta e três. Você precisa disso. Oitenta e quatro. Precisa que seus braços e pernas sejam seus mecanismos. Oitenta e cinco. Você está indo bem. Depois, vamos fazer abdominais. Oitenta e seis.


Quando cheguei ao cem, rapidamente me virei de costas no chão. Bebi toda a garrafa de água gelada e ofeguei, fechando os olhos. Os exercícios faziam parte da minha rotina e já não eram mais uma questão de estética, mas de estilo de vida. Manter o corpo são deixava a minha alma e a minha mente sãs. Afinal, depois que a Fada me bagunçou, eu precisava de um tempo para me colocar novamente nos trilhos.


— Vamos fazer o abdominal suspenso em barra fixa — ordenou Jace. — Faremos juntos.


Além de organizado e responsável, Jace era completamente regrado com a rotina de exercícios.


Seu corpo era o mais preparado e forte de todos nós e ele passava cerca de duas horas diárias entre correr e malhar. Era meio louco observar como Jace podia ser tão determinado, mas não deixava de admirá-lo por correr atrás dos seus objetivos.


Levantei-me com o corpo quase detonado, ainda que tivesse energia suficiente para ir adiante se quisesse. A academia do cruzeiro era enorme e, com a exceção de nós dois, havia apenas mais duas garotas praticando aeróbica. Elas não vieram conversar conosco, preocupadas demais em suar na esteira. De qualquer forma, eu não estava a fim de conversar com qualquer pessoa, porque a maldita Fada acabou com o meu bom humor. 


Ainda que estivesse mais calmo depois de descontar toda a ansiedade nos músculos, sentia a inquietude correr nas veias como uma praga.


Insegurança, algo que nunca tive, agora era uma realidade.


Agarrei as barras de ferro, ficando com o corpo suspenso no ar, e flexionei os joelhos a ponto de sentir queimar a barriga. Jace começou a contagem e nós nos prolongamos em longos e tortuosos cem abdominais. No nonagésimo segundo, George apareceu com uma toalha no pescoço e bermuda, sorrindo maliciosamente.


— Vocês estão nisso ainda? — perguntou, erguendo as sobrancelhas em deboche. — Já fui à piscina, escorreguei num tobogã foda e ainda por cima beijei uma garota.


— É, você não dormiu a porra da noite toda e foi malhar às seis da manhã. Pelo menos, a gente vai aguentar ficar acordado para o baile de máscaras — ralhou Jace, descendo das barras e ficando em pé. Fiz o mesmo e, mais uma vez, bebi toda a água disponível.


— Claro que vou, caras. A primeira coisa que farei é dormir e me preparar para a festa.


— A donzela do Simon vai estar lá? —  Jace agora já sabia de todo o drama da noite anterior.


— A situação do Carter é pior do que a do príncipe virgem da Cinderela. Se bem que, sei lá, ele pelo menos tinha o sapatinho — provocou George, nos fazendo rir, embora eu estivesse realmente preocupado com a pouca informação que tinha sobre a Fada.


— Vai ser difícil achá-la — falei, desanimado, passando a toalha seca pelo suor do rosto, braços e barriga. — Mas não vou desistir. Como vocês disseram, ela deve ir a essa festa e eu vou encontrá-la.


— Tem umas dez morenas na área da piscina — contou George e eu prontamente neguei a ideia.


— Não quero descobrir quem é ela à luz do dia. Quero retirar a máscara de maneira especial e em um momento em que ela não possa fugir de mim como o Diabo foge da cruz. Preciso daquela Fada tão mergulhada em mim que não queira mais escapar.


George e Jace trocaram olhares preocupados.


— Você está obcecado por ela, cara — alertou George. — Toma cuidado, beleza?


Assenti, impossibilitado de responder a verdade. Não havia como tomar cuidado, eu já estava na zona de perigo.



POV : IZZY. 


Fiquei no sol até às quatro da tarde e tive o prazer de almoçar na beira da piscina um prato leve que envolvia carne assada, abacaxi e nozes. Para meu sossego, não tive nenhum sinal da minha melhor amiga, que provavelmente tagarelaria sobre o homem mascarado, tirando toda a minha paz de espírito. Imaginava que ela estaria dormindo até eu ir ao seu encontro, sinal de que a noite com o holandês tinha sido mesmo mágica.

Subi pelo elevador, que foi devagar como o meu coração tranquilo, e cheguei ao deque em que estava hospedada. Assim que abri a porta do meu quarto, tive um deslumbre da Clary envolvida com um conjunto de lingerie dourada e uma máscara gigante e repleta de penas envolvendo seu rosto fino e feminino.


— Pensei que estivesse dormindo — disse a ela, franzindo as sobrancelhas. — Posso saber que produção é essa?


— A festa começa às oito, amor. Eu estou apenas testando as possibilidades. E advinha? Como sei que você queria ficar tostada, fiz questão de passear pelas lojas do cruzeiro e comprar várias peças para você escolher. O que acha do amarelo? E do rosa?


Ela falou tão rápido que não tive tempo nem de piscar, puxando uma série de corpetes e calcinhas da cama.


— Eu não estou tostada.


— É, realmente — concordou Clary . — Mas se queimou um pouquinho, pelo menos. Conseguiu uma marca?


Puxei a alça do biquíni para o lado, mostrando a ela o feito que facilmente uma pessoa de pele clara conseguia conquistar. Eu tinha no corpo uma saia e nada mais além do biquíni, até porque todo mundo que saía da área externa sequer se preocupava em se cobrir.


— Bom, então acho que vai ficar bem com o conjunto preto. Bem femme fatale —  Clary disse, olhando-me de cima abaixo. — Eu comprei um especial, Izzy . Vou te mostrar.


No meio da bagunça, surgiu um sutiã liso drapeado com vários brilhos do tamanho de pequenas gotas d’água. Além disso, havia um laço pequeno, preto e brilhante no peito, que ressaltava o decote e dava à peça certa meiguice ousada. Acompanhando o sutiã, um tecido transparente descia, formando um corpete sensual que, pela nudez, deixava pouco para a imaginação. Para completar, tinha uma cinta-liga e uma calcinha rendada capaz de deixar qualquer corpo um espetáculo.


— Eu não vou usar isso — disse à Clary. — É ousado demais.


— Izzy, querida, você andou com um conjunto branco ontem que era quase totalmente transparente. Isso aqui é uma burca, se formos comparar.


— Eu não sei... Não sei se quero impressionar alguém.


— Você quer, Izzy. Acredite, eu te conheço tempo suficiente para saber que sua indecisão é apenas medo, e não falta de vontade. Como eu te disse ontem, você não vai se apaixonar e tenho certeza absoluta de que vai ter o melhor sexo da sua vida com esse cara. Então, não me julgue se só estou tentando te dar um bom momento.


— Eu sei, eu compreendo seu ponto de vista.


Clary suspirou e me trouxe uma máscara que tinha pontos brilhantes como a lingerie. Era preta e pomposa como a sua, trazendo no corte olhos de gato que cobriam boa parte do meu rosto.


— Você quer há tempos que alguém a abale e você finalmente encontrou essa pessoa. Agora, não fuja. Compreendido?


Encarei os olhos verdes da minha amiga e assenti, ouvindo meu coração ressoar nos tímpanos.


— Isso — elogiou. — Agora, vamos nos aprontar, pois temos apenas duas horas para o show e eu quero te deixar irresistível.


POV : SIMON. 


Segundo as regras do segundo baile de máscaras, ainda era pré-requisito os homens usarem smoking. Jace fez questão de comprar um conjunto novo para nós três, embora eu não visse problema em repetir a mesma porcaria de roupa. O azul-marinho aveludado da peça me fez rolar os olhos. 


George estava rindo da minha reação e Jace parecia implacável, arrumando a gravata vermelha no pescoço, obcecado com a própria aparência.


— Vamos logo — resmunguei. — Eu já esperei demais por essa noite.


George e Jace caminharam na frente, zanzando pelo deque em busca do local novo em que aconteceria a festa. Eu estava tão determinado que meus passos transmitiam segurança e a respiração tranquila e suave de um atirador de elite.


A máscara do Zorro envolvendo o rosto era apenas o lembrete constante de que, sem falta, essa noite eu revelaria quem eu era para a minha Fada. Não me sentia ansioso, mas envolvido por uma situação da qual eu não tinha saída. Queria vê-la, precisava tê-la, queria que soubesse quem eu era antes de decidir fugir. Evidente que eu não prometia nada para ela e nem para mim mesmo, pois não queria pensar sobre o que esse estranho desejo significava, mas uma noite... Só uma noite e nada mais. Isso eu podia prometer.


No instante em que George e Jace abriram as portas, fechei os olhos e inspirei fundo.


— Está preparado, cara? — Jace ofereceu seu apoio com a mão no meu ombro.


Abri um sorriso para ele, assistindo as luzes multicoloridas da pista pintarem o rosto do baterista da Rock Solid Panda .


— Como nunca estive antes.


Continua… 





Notas Finais


Obrigado pela leitura ❣️😉


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