História Skip Beat! - Entre o Passado e o Presente - Capítulo 51


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Categorias Skip Beat
Tags Atuação, Fuwa Shou, Kyoko Mogami, Romance, Shoujo, Skip Beat, Tsuruga Ren
Visualizações 7
Palavras 4.025
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, gente voltei depois de todo esse tempo. Desculpem o atraso (de novo), mas eu voltei. Esse capítulo foi dificil de fazer porque pensei bastante em como queria a história do drama, por isso todo esse tempo sumida. Logo vou postar a história de Realeza e Escravidão completa, então tudo vai ficar mais claro. Só quero esclarecer uma coisa: apesar de eu ter citado um período histórico, me permiti criar a minha versão sobre esse plano de fundo, com algumas inconsistências históricas. Se alguém se incomoda com isso, por favor ignorem o fato de eu ter citado um período. Era apenas o começo da história e eu ainda não tinha pensado muito nisso.
Bem, além disso, espero que gostem desse capítulo! Sem mais delongas, boa leitura...

Capítulo 51 - Mina-hime


Fanfic / Fanfiction Skip Beat! - Entre o Passado e o Presente - Capítulo 51 - Mina-hime

 

 

 

 

 

Por outro lado, Humbert assistia sua dama de longe, não tirando seus olhos dela nem por um momento. Parecia tão fascinado que ninguém pensaria que, apenas semanas antes estava na mesma posição com a maior inimiga do objeto de sua devoção.

Para ele, cada mudança de expressão era captada, seus olhos brilhantes como se estudasse algo fascinante. Quando finalmente chegou a hora em que precisariam de sua ajuda, ele foi obrigado a tirá-la de seu campo de visão, porém seus pensamentos ainda estavam encantados em escutar sua voz.  Rígido apesar de ágil, o homem ajudou a produção com um breve cenário para a cena: uma poltrona de veludo e uma falsa cerejeira em flor, ambas ideia dele. O objetivo seria simples: mostrar a relação da protagonista com cada um dos personagens e sua personalidade peculiar.

Estavam ali vários personagens secundários, claro, porém não estariam naquelas cenas. Como fora improvisado, Humbert trabalhou com o que tinha, tornando as cenas o mais prático possível.

- Podemos começar? – perguntou ele aos atores.

Mesmo estando longe, pôde senti-los respirando fundo ao assentir. Acenando com a cabeça como resposta, ele encarou Ritsuka como se pedisse permissão para se aproximar. A menina, preocupada, apenas assentiu brevemente mais uma vez.

- Senhorita – disse ao se aproximar – quando acabar, vá até o camarim. Podemos fazer alguma coisa com sua aparência anes de cantar para que fique diferente da cena.

Seu tom era tão educado que mais parecia uma súplica, mesmo que ele fosse o diretor ali. Ele não esperava resposta dela, porém se arriscou em pegar sua mão e pôr sobre a dela.

- Boa sorte. – disse com um sorriso tênue.

A menina lhe sorriu. – Obrigada.

Quando ele sentiu que as luzes do lugar levemente perdiam o brilho – um pedido dele para a produção a fim de garantir um ar misterioso – todos sabiam que era hora de começar. Nesse momento, a mão da menina deslizou sob a dele, deixando um rastro de frio no lugar que deixara.

Ele encarou as contas no penteado de Kyoko com um brilho pesaroso nos olhos, a mente confusa. Observando seu interior, podia jurar que queria abraçá-la alguns momentos antes. Isso era algo extremamente infame para um serviçal, desejar seu amo, e definitivamente era uma regra que ele não queria quebrar.

Tentando acalmar seu coração dentro do peito, ele tentou focar-se na cena á sua frente. Mesmo assim, ele ainda podia sentir que algo espreitava do outro lado do muro que ele criou.

                                                  *********************************

Ao se observar a cena como um estranho...

Sob a doce paisagem de uma cerejeira, um homem observava as flores com uma expressão seria e pensativa. Pareia ter sérias dúvidas em seu interior, lutando o peso do mundo sobre seus ombros. Ao fundo, uma suave música tocava, evocando o tênue flutuar das pétalas rodeadas pelo vento. Era quase possível se escutar suspiros das pessoas ao redor, imergindo-se na calmaria.

De repente, uma figura caminha até o homem de ar pensativo. Era doce e calma sob uma sombrinha de papel, porém seus olhos brilhavam com um certo ar atuto. Sua roupa, como se apoiasse essa resolução, possuía cores suaves apesar do desenho provocante. Ela sorriu quando o homem a percebeu, cumprimentando levemente com a cabeça.

- Como está, Segundo Tio Imperial? – disse a menina com uma voz gentil.

O homem torce seus lábios em um sorriso. Era como se ele não estivesse acostumado a fazê-lo.

- Mina-chan... Você não deveria estar em aulas nesse momento? – ele parecia perguntar por dever de responsabilidade, não porque realmente se importava.

- Eu... – seu sorriso ganha uma fagulha de travessura, apesar de ainda ser calmo – Consegui uma dispensa por tempo indetermidado. – ela piscou seus olhos com grandes cílios de boneca – Mas o que o Segundo Tio Imperal faz aqui? Alguma coisa aconteceu no palácio que o aborreceu?

Ele riu em silencio. Parecia achar a garota adorável, quase como uma criança apesar de terem aparentemente quase a mesma altura.

-  Não, Mina-chan, nada aconteceu. Eu só... queria dar um passeio para me distrair pouco. – um brilho de tristeza assumiu seus olhos.

Vendo isso, o sorriso da menina se apagou lentamente. De forma tradicionalmente atrevida, a garota tocou o ombro do homem.

- Sei que perder Sua Majestade foi uma enorme lástima para você, Segundo Tio Imperial. Principalmente agora com essa competição desenfreada pelo trono...- ela o olha nos olhos – Sei que sou apenas uma humilde princesa considerada uma desgraça para o reino, mas... – ela morde envergonhadamente o lábio inferior – Pode confiar em mim para o que precisar, Segundo Tio Imperial. Somos uma família apesar de tudo.

Encarando-a sem expressão, os olhos do homem brilhavam como se estivesse dividido entre o céu e a terra. Parecendo não aguentar mais, ele tocou o rosto da menina com um olhar pesaroso e acariciou suas bochechas macias e coradas. Parecia amá-la de uma forma confusa, uma mistura de carinho de parentesco e... algo mais.

A menina, por outro lado, abaixou os olhos, suas bochechas se tingindo de um vermelho brilhante. Suas mãos, que estavam agarradas no cabo da sombrinha até ali gentilmente, aumentaram a força de seu aperto. Ela parecia tão inocente e meiga...

- Segundo Tio Imperial, você... Pretende ser o imperador? – ela parecia não se aguentar mais e perguntou.

O olhar do homem se escureceu e ele deixou cair sua mão.

- Sim. – sua resposta foi breve, porém carregada de significado.

O semblante da menina ganhou um mais de força com isso, aparecendo estar feliz com a resposta.

- Fico feliz que o Segundo Tio Imperial tenha tomado essa decisão. Será um grande imperador, sem dúvida. –disse com uma certeza que poderia convencer qualquer um de sua opnião.

O homem parecia surpreso com a resposta da garota e a olhou estupefato com uma expressão engraçada. A garota riu diante da cena.

- O que foi, Segundo Tio Imperial? Parece nem acreditar o senhor mesmo que será um bom governante... – ela sorri com o mesmo traço travesso de antes – Meu Terceiro Irmão Imperial provavelmente estará bem desgostoso com essa realidade, porém fico feliz pelo Segundo Tio Imperial. Espero que consiga o que deseja, já que não há outro melhor para assumir o cargo.

Ele despertou com uma expressão radiante, bem mais fluida que a que levava até ali. Com um apreço transbordando dos olhos dourados, ele tocou a bochecha corada da garota com todo o cuidado do mundo. Parecia ter medo que quebrasse.

- Fico feliz em saber que Mina-chan acha isto. – ele recolhe a mão dela com a sua livre – Se... Se um dia este Tio Imperial consegue chegar à glória, Mina-chan estaria ao meu lado?

A mão dele desliza até o queixo da garota, levantando seu rosto para olhá-la nos olhos. Com um olhar profundo, calmamente esperou que a garota respondesse. Hipnotizado, seu olhar foi até seus lábios rosados, que franziram levemente.

- Eu... – ela parecia temerosa - ... não sei se mesmo se quisesse poderia fazer isso.

As palavras da garota pareciam ter acionado um gatilho violento, fazendo com que ele ansiosamente enredasse seus braços ao redor de seu corpo delgado. Com os olhos fechados, ele parecia alguém que ansiava demais por algo e finalmente recebia.Sua respiração, que roçava levemente nas contas do penteado da garota, estava claramente como prova disso, sendo empurradas levemente de forma descompassada.

-...Tio? – pergunto a menina, surpresa.

- Eu... – a voz soava ao lado de seu ouvido, sendo que podia sentir a respiração quente - ...Prometo que farei com que seja ´possível e, quando chegar o momento, farei essa pergunta novamente. Pode esperar até esse momento, Mina-chan?

A menina parecia confusa enquanto assentia, mas relaxou encostada no corpo do homem. Aparentemente, aquele era seu recém descoberto refúgio.

Isso tudo ditou o fim da cena, onde os atores pareciam não querer se desvencilhar. Com uma sorrisa cumplice ao invés de apaixonada, os dois assentiram antes de deixar a área de apresentação. Isso fez com que os jornais e revistas de fofoca, emocionados, anotassem frenéticamente suas interpretações fantasiosas e românticas sobre o casal de irmãos.

Ou foi isso que aconteceu até um outro ator entrar em cena. O mais esperado da noite parecia calmo como sempre, caminhando até a poltrona de forma digna e altiva. Com olhos frios, sentou-se e acunou-se de uma forma estranhamente infantil, colocando um maço de papeis envelhecidos. Parecia extremamente entediado, como se seus olhos fossem fechar a qualquer momento.

Depois de alguns intantes, porém, seus olhos frios se encheram de uma luz primaveril. Parecia simplesmente extasiado, como uma criança que recebe a visita do adulto que mais a mima.

- Como você está, Natsume-chan? – pergunta a mesma voz feminina de antes, agora um pouco mais divertida.

O homem cruza os braços e desvia o olhar, tentando esconder o sorriso. Enquanto isso, a menina se aproxima dele, um pequeno pacote enrolado em um pano em suas mãos.

- Você está atrasada, Onee-chan! – os espectadores podiam sentir seus queixos caíres com o tom do ator, mimado e levemente irritado. Era incrivelmente fofo, palavra a qual nunca pensaram que usariam para descrever um homem como Tsuruga Ren. – Eu estou esperando há horas! Estava quase morrendo de tédio!

Ela ri de leve uma sorrisa comedida, seus dedos apertando de leve o nariz de seu “irmão”.

- Você é um garotinho mimado, isso sim! Estou atrasada só meia hora; pare de drama.... – ela aproxima o pacote que trouxe ao nariz agora vermelho do homem – Ou será que você não quer esses daifuku maravilhosos que sua linda irmã mais velha passou esse tempo todo fazendo para você... – ela o balança levemente e os olhos dele não podem evitar ser atraídos até ali, brilhando – Se não quiser, tudo bem. Eu como sozi...

Antes que ela pudesse terminar a frase, já havia uma mão enorme enganchada em sua cintura e puxando-a para perto. Com um sorriso vencedor, ela caiu em um colo macio, já abrindo o pacote em suas mãos. Olhando para o irmão, ela sacou dois palitos negros de madeira de dentro da caixa que agora estava em seu colo.

- Sabia que responderia isso. – ela se volta para a caixa mais uma vez e estende os palitos para ele, mas o homem nem se mexe – O que foi?

A menina o encara com interrogação, sendo que ele apenas responde abrindo seus lábios e a encarando fixamente.

- Você está achando que eu sou sua criada, é, pequeno? – era uma cena engraçada, uma menina tão delicada chamando um guarda-roupa de músculos de “pequeno”  – Mas você não toma jeito mesmo, não é? – ela protesta levemente, mas acaba obedecendo ao pedido.

Parecendo plenamente habituada a cenas como aquela, ela estende a sobremesa, bolinho por bolinho, ao alcance da mordida voraz e deleitosa do “homem-menino” naquela situação. Quano finalmente terminaram, o menino se recostou na poltrona, parecendo satisfeito, e a menina voltou a sorrir.

- Ficou bom? – ela já sabia a reposta, porém seu orgulho precisava ouvir aquilo. Parecia que tinha certeza de que só ela poderia deleitar o “irmão” daquele jeito.

Nesse momento, os olhos do homem recebem um vulto de malícia, finalmente mostrando traços familiares da forma como todos ali viam o ator que estava em cena. Seus dedos, serpentes travessas, se enredaram mais uma vez na cintura da menina, trazendo-a para mais perto.

- Por que não experimenta você mesma, Onee-chan? – ele juntou suas bocas com violência, como se fosse uma competição e ele tivesse certeza de que iria vencer dessa vez.

A menina, porém, não tinha nem traço da timidez gentil de antes e agora estava rapidamente tratando de recuperar o controle da situação para si mesma. Primeiro, estava surpresa, como se não esperasse aquela ação naquele momento, mas logo fechou seus olhos e começou a se deixar levar por seus aparentes instintos.

Intensificando o beijo, a menina se levantou da cadeira ainda com seus lábios colados, apenas para se posicionar entre suas pernas, onde claramente a altura dos dois os fazia mais confortáveis para seguir com aquilo. Pareciam totalmente calmos apesar de exasperados, como se aquilo fosse apenas uma brincadeira habitual.

A plateia apenas podia olhar, hipnotizada, os dois em suas nuances e pequenas ações. Tudo pareciam exprimir um detalhe do personagem: o braço forte do homem na cintura parecia não ter medo de machuca-la apesar de ser aparentemente frágil, apertando-a de uma forma que aparentava ser até mesmo dolorosa para garota; da mesma força, ela parecia extremamente divertida quando ocasionalmente abria os olhos, como se aquele garoto, apesar de possuir evidentemente mais força, ainda não era páreo para ela.

Quando finalmente se liberaram, ficou claro que quem o fez foi ela. Era como se, apesar de estar ganhando, sua força não a permitisse mais continuar apesar do sorriso malicioso em seus lábios. Todos ali ficaram surpresos ao ver isso, nunca esperavam que Kyoko Mogami pudesse sim se parecer com uma intoxicante femme fatale.

- Vejo que meu irmãozinho ainda não sabe admitir sua derrota, hã? – ela pisca para ele de forma lemente arrogante, expressão para qual ele ri abertamente uma risada travessa.

- Não fui eu que parei, não é, Onee-chan? Como se pode vencer uma batalha quando não se terminou de jogá-la? – como suas mãos ainda estavam em sua cintura, ele aproveita para deixar as pequenas serpentes de seus dedos descerem em direção ao quadril, provocando-a – Eu ainda não me rendi, onee-chan. Não deveríamos continuar? Posso fazer isso por muito tempo ainda?

Os olhos dela pareciam realmente pesarosos enquanto proferia as próximas palavras.

- Infelizmente, irmãozinho – diz endireitando sua postura e desvencilhando as mão dele de seu quadril – tenho que ir agora. Nossa digníssima avó impérial deve estar desesperada para me dar mais de suas “lições” hoje... – ela parecia realmente irritada e receosa de voltar.

 Apesar de sua respiração estar um pouco descompassada e suas bochechas rosadas, a menina ainda parecia comedida e completamente respeitável. Já o garoto, evidentemente em desalinho, deixou de olhar os lábios inchados de sua “irmã” para deixar seu rosto se contorcer em uma expressão irritada.

- Essa bruxa velha... – ele cruza os braços – Não basta me tirar a mãe, tem que me tirar a única coisa que me resta... – ele a encara, que estava pacientemente recolhendo a caixa de antes, que caíra no chão – Ela... ela ainda continua fazendo aquilo?

O olhar do garoto desceu para as costas da garota, parecendo apreensivo. Aquilo deixou claro para todos que tipo de relação tinha a menina com a suposta “avó”.

- De vez enquando, quando acorda de mal humor. – ela sorri de forma amarga – Mas agora contece com menos frequência; ela está mais que alegre dos inúmeros inúmeros enviados por nosso tio todos os dias. Riquezas, joias, produtos medicinais... acho que agradeço a Deus por não ter puxado a dissimulação e a cobiça daquela mulher. – seus olhos até ali doces se escureceram – É tão... deplorável e digno de desprezo que ás vezes nem posso ver a sombra de uma rainha.

Se seus olhos eram a morte, os do homem eram o inverno, incendiando tudo o que via.

- Espere mais um pouco, Onee-chan. Vou te dar o mundo para que você se divirta quando eu for o imperador. – ele a olha nos olhos; era uma promessa – Quando esse dia chegar, ninguém vai poder te intimidar mais. Eu vou te proteger para sempre.

Ela parecia meio desacredita e meio incômoda com a promessa, como se não concordasse com ela, mas assentiu e sorriu mesmo assim. De forma tênue, a menina saiu da área de encenação comgraça, seguida com os olhos pelo homem na cadeira.

Enquanto a observava, Yashiro, o agente de Ren, sorriu. Parecia rir da “excessiva sinceridade” que aquelas cenas continham.

                                            **********************************

Enquanto a próxima cena se desenrolava, Kyoko se apressou até a sala que combinara com Humbert. Era realmente uma cena de luta, empolgante e hipnotizante, tanto que nem a viram desaparecer do evento.

- Olá Ritsuka. Vocês esteve perfeita lá na frente. – disse Humbert com um enorme sorriso assim que ela entrou na sala.

Ela cora. – Acha mesmo?

- Claro. Você foi ótima, exatamente como ensaiamos. – ele puxa uma cadeira em frente à uma penteadeira para ela – Ainda bem que eu lembrei de trazer um lanche; aqueles daifukus ficaram perfeitos naquele momento.

Ela aceita e se senta em frente a um enorme espelho. Com rapidez e agilidade, o mordomo começa a trabalhar imediatamente depois que ela se ajeita confortavelmente. A menina, por outro lado, cora ainda mais ao lembrar do gosto doce que sua boca ainda tinha.

- Estavam muito bons. Obrigada. – ela deviou o olhar enquanto falava; sabia que na verdade o maigo tinha feito aquilo para ela, mas teve de usá-lo no último minuto.

Ele lhe dança um sorriso condescendente. – Fico feliz que aprecie, Ritsuka.

As mãos calejadas de Humbert eram surpreendentemente agradáveis ao toque, percebeu Kyoko. Seu couro cabeludo estava quase que adormecido enquanto ele movia seus dedos ágeis por seus cabelos, alisando-os com uma chapinha quente que apareceu praticamente do nada. Era sinal de que agora era mais uma vez algo novo no visual.

- Sakaki, acha dá pra usarmos esse daqui? – perguntou uma voz que irrompia na sala.

O “cabelereiro” assente com a cabeça enquanto sorri de aprovação. Parecia ter visto algo bom.

- É perfeito, obrigada. – ele termina de alisar mais uma mecha de cabelo – Acho que um estilo mais suave e sombrio vai combinar bem com a música. Concorda comigo, Fuwa-san?

Um Sho pensativo aparece para Kyoko no espelho, analisando-a. A menina apenas o fulminou com o olhar como reposta:

- Claro. Vai servir. – ele se senta em uma das cadeiras que havia ali perto – Até que você convence como atriz, Kyoko. Você nem parecia a mesma naquele momento.

Ela lhe lança um sorriso frio, quase como apenas um mostrar de dentes. Estava claro que aquilo era mais um desafio do que um elogio.

- Eu não era mesmo, Shotaro. – ela nem se preocupou em agradecer, sua cortesia habitual, o que fez com que um Humbert silencioso arqueasse as sobrancelhas – Já está tudo pronto com a equipe de som? – ela estava contando que apenas iriam colocar a melodia sem a letra para ela.

- Ah, querida, infelizmente não temos equipe de som. Você não sabia? – o tom era cortante, mas havia uma certa apreensão no fundo – Vou tocar no piano para acompanhar. Não vai ficar tão bom, mas não há o que fazer.

Ela fica em silêncio por alguns instantes, encarando as mãos de Humbert em seus cabelos. Não demorou para que o homem terminasse o serviço, passando a alisar as mechas com um pente para organizá-los.

Ela realmente não sabia que não tinham equipe de som. Parecia que estava ficando cada vez mais acostumada a ter toda a tecnologia disponível desde que passou a viver com Lowen. Para seu alívio, porém, logo percebeu que uma cena com o piano ficaria ainda mais dramática;

- Vão levar o piano para lá? – perguntou.

- Não, imagina. Vou tocar e ele vai seguir sua voz flutuando. – ele lhe deu uma sorriso sarcástico – Já deve estar lá agora. A única coisa que falta é esse seu “assistente” terminar o serviço.

Sendo finalmente lembrado e vendo a agressividade nos olhos azuis do cantor, foi a vez de Humbert de lhe dar um sorriso frio.

- A beleza leva tempo, Fuwa-san. – repreendeu em voz calma.

O cantor olhou estupefato por alguns momentos para o mordomo, parecendo sentir a aura assassina que ele exalava. Mesmo quando Ren, Lowen ou Christopher queria proteger Kyoko de suas ofensas antes, nunca havia visto uma aura tão opressora antes. Era como um cão de guarda que apenas esperava em silencio até que seu dono permitisse estraçalha-lo.

- Acabamos, Ritsuka. – ele oferece a mão para ajuda-la a se levantar da cadeira e ela aceita, apesar de não exatamente precisar – Gosta daquele vestido? Pedi para Fuwa-san procurar no estúdio para ver se achava algo diferente para você usar...

Ela sorriu para ele docemente, bem diferente da aura dura de segundos antes.

- Está ótimo, Humbert-san. – ela encara Sho novamente, seus olhos escurecendo – Acha que o digníssimo Fuwa Sho poderia dar licença para que eu possa me trocar ou vou ter que pedir para que o retirem?

Ele a olha com raiva por alguns segundos, a boca aberta para responder algo grosseiro. Porém, seus olhos não aguentaram a tentação de percorrê-la, a mente claramente imaginando coisas indevidas, e as bochechas do ator coraram violentamente.

- Eu vou te esperar lá no hall de apresentação. – ele cobre seu rosto com uma mão e se apressa para sair – Não demore.

Os olhos de Humbert brilharam. Aquele tom não era irônico, mas comedido, como se estivesse tentando esconder um desejo. Ele reconheceu de cara a relação entre o homem e sua senhorita.

Como passaram todos esses dias juntos e, mesmo que Lowen tivesse atribuído outro quarto para ele, Humbert ainda ficava com ela a maioria do tempo em sua intimidade, os dois estabeleceram um grande grau de confiança entre os dois. Na verdade, quase se tratavam como irmãos, muito mais do que um servo e uma criada.

- Pode me ajudar com zíper, Humbert-san? – ela estava lutando com o pequeno zíper quase transparente em suas costas.

- Claro. – ele apenas fez o que ela pediu, se virando de costas para que ela pudesse ter um pouco mais de liberdade.

Apesar de tratar aquilo como um trabalho, ainda era um homem e não podia evitar admirar sua senhorita. No pouco tempo que ficaram juntos, eles haviam conseguido mais liberdade entre os dois, tanto que ele tinha quase certeza de que ela teria deixado vê-la naquele momento. No íntimo de Humbert, porém, seu coração ainda batia forte no peito, assim como suas mãos suavam dentro de suas mangas quando cruzou os braços. Ele podia sentir que, cada vez mais, a servidão se tornava difícil de se manter apenas no nível de admiração que imaginava.

- Hum... – a voz dela soou depois de alguns segundos, um pouco desconcertada – Humbert, acho que vou precisar da sua ajuda para colocar isso. Eu não consigo amarrar essa coisa...

O chamado interrompeu os pensamentos do homem, trazendo-o de novo a realidade com um sorriso. Aquela sua senhorita era, no mínimo, impossível de manter as pessoas a sua volta entediadas ou pensativas por muito tempo.

                                                                *************************

Sho já estava ficando desesperado quando finalmente a atriz voltou a aparecer. Ele estava sentado ao piano revisando as partituras que estavam ali por azar nervosamente quando, de repente, um pigarreio leve foi ouvido em um microfone.

- Podemos começar. – disse a voz tímida ao mesmo tempo que seda negra entrava na linha de visão de Sho.

Todos os olhos se voltaram para a menina que entrava tímida, segurando o microfone com as duas mãos enquanto caminhava até o centro do lugar. Seus pés estavam descalços, fazendo com que o único ruído fosse o de sua saia revolteando enquanto andava, passo após passo os dedos brancos aparecendo sob a fina camada de tecido. Não usava joias ou adornos, apenas um vestido preto de seda que servia apenas para cobrir o corpo, com um profundo decote nas costas até o começo do quadril. As alças eram finas e presas ao pescoço em tiras finas que funcionavam como gargantilha.

Levando o microfone à boca, parecia confusa do que dizer, abaixando os olhos e fanzendo com que duas mechas da franja lisa deslizem para emoldurar seu rosto, sendo que o resto dela estava presa com uma fita de cetim.

- Boa noite. – disse antes de finalmente levantar o rosto novamente e olhar para Sho.

O cantor estava admirando-a e só quando viu que ela o encarava foi que começou a tocar. Eles já haviam ensaiado do mesmo jeito antes, então logo as ações de ambos caíram na comodidade. Todos os escutavam e, quando encaravam o pianista sereno ao piano, ficaram surpresos ao não achar no rosto do arrogante Fuwa Sho algum sinal hostil. Ele realmente parecia estar habituado e cômodo com aquilo.

Na surdina, os olhos de Humbert e Christopher se encontram, silenciosos. O ruivo saía com o amigo, que havia terminado seu pequeno “embate” coreografado com Tsuruga Ren e agora parecia cansado, querendo sua cama. Discreto enquanto o acompanhava, o rosto de Humbert brilhava ao perceber um joinha na mão de seu mestre.


Notas Finais


1. Daifuku é o bolinho de arroz glutinoso recheado com pasta doce de feijão da capa.
E aí, pessoal, o que acharam? Eu admito que adorei imaginar esses personagens nessas situações. Principalmente o Ren, finalmente agindo como um garoto mimado que admito que pode ser (lembram do mangá, quando ele estava tomando banho na banheira? Bem, me inspirei nesse momento KKKK). Muitos momentos indecentes e fofos que acho que atiçam todos os personagens de certa maneira.
Aliás, sobre a reação tão calma de Humbert de até mesmo elogiá-la com um sorriso, deve estar claro que ele não viu as cenas, né? Ele se corroeria de ciúmes e fúria se tivesse visto. Para ele, sua senhorita é mais que sagrada, é uma deusa pura que deve ser venerada e preservada, somente podendo olhá-la (como, aliás, ele faz). Devo admitir que o vestuário extremamente provocante que ele oferece para ela é reflexo disso, é um pouco do próprio desejo dele de não poder tê-la, quase como uma fantasia (se eu não a tenho e a desejo, farei com que todos se vejam na mesma situação).
Então é isso, pessoal. Comentem o que acharam e eu espero vê-los da próxima vez. Beijos com gloss de abacaxi!


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