1. Spirit Fanfics >
  2. Sky Hunters - O Espírito do Demônio >
  3. Askerr

História Sky Hunters - O Espírito do Demônio - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - Askerr


Dormia sobre uma cama de palha, quando foi acordado pela luz do sol que lhe iluminava o rosto. Era tarde, a calor do sol estava forte, pois já era quase meio-dia, Askerr passou à noite em um quarto de prostíbulo, tinha ido para a cama com uma bela moça de longos cabelos castanhos e seios fartos, após ter ingerido vinho até não aguentar mais. Tinha realizado um trabalho em um pequeno vilarejo próximo da grande cidade de Ajravot, no reino de Ilsbar. Levantou-se e pegou um pano velho que estava pendurado na cabeceira da cama, molhou-o na bacia que estava em uma pequena mesa ao lado e passou no corpo, colocou sua armadura, era totalmente escura, negra com a noite, no peitoral havia a figura de um corvo esculpido, apertou seu cinto, pagou pela as bebidas e a noitada de prazer e saiu. Foi uma noite bastante agradável, mas agora precisava de um ferreiro para reparar suas lâminas. Pensou em ir até Hadúr, um famoso ferreiro da cidade, mas já era tarde e sua barriga estava doendo de fome, visto que não comera nada o dia inteiro, além do mais, não queria ouvir as reclamações daquele velho ranzinza. Então pegou Sleipnir, o seu cavalo, e foi até uma taberna que ficava próxima. Chegou rapidamente e, do mesmo modo, entrou, se sentou e chamou a filha do taberneiro que trabalhava atendendo as mesas. Ao olhar para o símbolo em sua armadura, a moça loira de grandes olhos verdes como esmeralda, logo o identificou como um assassino da Ordem dos Caçadores do Céu.  

- O que deseja? - falou educadamente a moça. 

- Uma sopa de carne com legumes e um copo de cerveja. 

- Entendido, logo trarei seu pedido. 

Muitos dos presentes no bar ficaram encarando Askerr, com um olhar de repugnação, era raro encontrar alguém de uma classe tão terrível quanto a dele. Não existia muitos assassinos em Ilsbar, mas eram exímios guerreiros, com um grande conhecimento em artes marciais e lâminas mortais. Mesmo assim, os assassinos não eram muito respeitados naquele reino. 

Pouco tempo depois a bela moça retorna com os pedidos do assassino, o serve e fala: 

- Não é comum de se ver pessoas da sua ordem por aqui. 

- Hum, existem muitos cavaleiros por aqui? 

- Sim – respondeu envergonhadamente a garçonete – Por quê? 

- Assassinos e cavaleiros não se dão muito bem. 

- Entendo. 

Mal terminou de falar e entrou um grupo de quatro cavaleiros na taverna, um deles era esbelto e usava uma armadura branca-acinzentada e dourada, com belos adornos e um longa capa branca. O elmo, também dourado, possuía assas na região auricular. Além disso, tinha uma bela espada de aço presa a cintura. Todo aquele equipamento deveria valer uma fortuna, mas não se tratava de qualquer cavaleiro, e sim de um cavaleiro real. Os outros três, não possuíam belas armaduras, provavelmente eram da guarda da cidade. 

Askerr comia tranquilamente quando os cavaleiros passaram por ele, mas o cavaleiro dourado parou dois passos à frente virou-se e disse: 

- Geralmente as tabernas são mal frequentadas, mas essa se superou. 

Askerr continuou calado. 

- Além de ser um lixo ainda se faz de surdo? - prosseguiu o cavaleiro real. 

- Não sou um lixo e muito menos surdo – falou calmamente o assassino. 

- E então? - retrucou o cavaleiro. 

- Apenas não gosto de falar com paus mandados reais – falou com um sorriso provocador. 

- Como ousa falar assim com um cavaleiro real, seu verme? – era possível ver o ódio no olhar do cavaleiro.  

- Ousando – disse sarcasticamente. 

- Pois bem. 

O cavaleiro real parecia dar as costas, mas, de repente, girou no mesmo eixo e tentou acertar a cara de Askerr. Entretanto, os reflexos do assassino, o livraram de ter um nariz quebrado. Antes que o soco lhe atingisse, cruzou os braços formando um “X”, mas não conseguiu evitar a queda. Caiu de costas e logo ficou sem ar, enquanto isso, o cavaleiro se aproximava. 

A pobre garçonete gritou desesperadamente: 

- Por favor, pare! Peço encarecidamente que não briguem no estabelecimento de meu pai - sua voz estava trêmula. 

- Já que a bela donzela pediu tão gentilmente, acatarei seu pedido. 

- Levem-no para fora – ordenou aos outros cavaleiros que o acompanhavam. 

Ainda estava recuperando o ar, quando o pegaram por debaixo dos braços e o jogaram para fora da taberna. 

Caiu de cara na terra. 

- Hoje provarei a todos o quão repugnante é a fraternidade dos assassinos. 

Em pouco tempo juntou-se um um grande número de pessoas para assistir o duelo. 

Levantando-se do chão e limpando a poeira de sua armadura, Askerr disse calmamente: 

- Não quero duelar com você. 

- Acho que você não entendeu direito, seu verme. Você vai duelar comigo não porque quer, mas porque eu quero. 

O assassino fez pouco caso e deu as costas e, rapidamente, foi empurrado para dentro do círculo que se formara pela multidão. 

- Se é assim, vou ter que lhe ensinar boas maneiras. 

O cavaleiro dourado começou a rir e o público o acompanhou na risada. 

- Pois bem, saque sua arma, sua merdinha. 

-Não será preciso, lutarei de mãos vazias, pois, de acordo com a minha Ordem, não devemos sujar nossas lâminas com paus mandados. 

Um ataque de fúria atingiu subitamente o cavaleiro, pela tamanha petulância do assassino.  

- Muito bem. – disse tentado manter a tranquilidade - também não sujarei minha lâmina com um monte de merda como você. Serei misericordioso e acabarei com você em um só golpe – falou virando-se de costa e pegando uma alabarda. 

Deu-se início ao combate, o cavaleiro real entrou em disparada para dar um estocada em Askerr, mas o assassino permanecia parado, posicionado lateralmente, com o pé direito à frente do esquerdo. Mas o cavaleiro, até então sem nome, não se importou com a tamanha falta de posicionamento e continuou avançado certo de que o assassino já tinha desistido da vida, pois não seria páreo para um cavaleiro real. 

Inicialmente o cavaleiro pensou em dá uma estocada no peito de Askerr, mas mudou de alvo, pois pensara que acertando-lhe a cabeça seria um espetáculo maior e assim o fez. 

Há alguns passos de Askerr, mirou-lhe a cabeça, tendo a orelha direita como ponto de referência. O assassino viu a ponta da alabarda vindo em sua direção e, com um sutil movimento, inclinou a cabeça para baixo. Já tinha calculado o tamanho da lâmina e, novamente com um movimento requintado, encostou o pescoço no cabo da alabarda. A partir daí, tudo aconteceu em questão de segundos, Askerr, ao encostar o pescoço no cabo, fez pressão para cima, enquanto com a mão esquerda, pegara a parte do cabo que passara abaixo de sua região occipital. A alabarda quebrou parecendo um simples graveto e agilmente ele passou o cabo com a lâmina para sua mão direita, girou abaixado para frente, ficando bem próximo do cavaleiro e desferiu um golpe de baixo para cima. O cavaleiro também tinha bom reflexos e conseguiu desviar a cabeça para trás, mas a lâmina atingiu o elmo, tirando-o de sua cabeça e jogando-o longe. 

Nem foi possível ver os belos cabelos ruivos que esvoaçaram do elmo, pois Askerr, ao desferir o golpe, girou novamente com uma velocidade impressionante, passando um rasteira no cavaleiro, que caiu de costas sem ar. Quando se deu por si, o assassino já estava em cima dele com a lâmina em seu pescoço. 

- Poderia lhe matar agora, mas seria um desperdício, nobre cavaleiro, ou melhor, nobre cavaleira. 

A inigualável beleza não engara ninguém. O cavaleiro real, na verdade, se tratava de Diana Dark. Era a capitã da Ordem das Amazonas, mas não só sua beleza chamava atenção, porque ela era conhecida como a mais mortal guerreira do reino de Ilsbar, temida tanto para homens quanto para mulheres. 

Askerr vacilou por um segundo olhando para os belos olhos azuis, a boca bem carnuda, o nariz pequeno e fino. Realmente era uma beleza surreal. Aproveitando a desatenção do assassino, Diana empurrou o braço de Askerr afastando a lâmina de seu pescoço, girou levemente o corpo e lhe acertou outro soco, dessa vez, bem no meio da cara. Ele caiu para trás como uma pedra. Mas se levantou logo após a amazona se levantar. 

- Você é bem resistente para um verme – disse Diana com um sorriso irônico. 

- E você é bem forte para uma mulher – falou Askerr limpando o sangramento do nariz. 

- Pode-se dizer que estamos quites. 

- Sim. 

- Suma da minha frente, não quero mais olhar para seu rosto ensanguentado. 

- Que pena, pois é muito prazeroso admirar sua beleza – deu um sorriso mostrando que a boca também estava ensanguentada. 

Diana corou o rosto, mas, rapidamente, deu as costas para que seu adversário não percebesse. 

“Idiota”, pensou ela. 

- Vamos homens, nosso trabalho aqui já terminou – ordenou a amazona aos cavaleiros que a acompanhara. 

Após a multidão se dissipar, Askerr gritou para a amazona: 

- Foi um prazer duelar com você, dama de ferro - apelido pelo o qual ela era conhecida. 

Ao reparar na orelha do assassino, Diana percebeu de quem se tratava.

- Igualmente, fantasma do deserto - riu discretamente.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...