História Sky Sword - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.780
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Luta, Magia, Shoujo (Romântico), Shounen, Steampunk, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Reunião de Família


MIRIAN


Após tudo aquilo Sol me levou até o quarto onde meu pai estava, ele de fato ainda estava respirando e parecia bem. Era quase como se estivesse apenas dormindo

Gostaria de compreender melhor a natureza da cura que havia aplicado nele, minha certeza é de que não era nada simples e razoável

- Você disse que quando me encontraram eu não estava respirando... então como exatamente estou viva ? - Aquela pergunta não foi necessariamente direcionada a Sol, na verdade era apenas um questionamento meu, um pensamento dito em voz alta

Não era como o imperador, se alguém checasse seu pulso ou tentasse ouvir sua respiração logo perceberia que o corpo dele não está vivo. Mas eu... claramente estava viva

- Meu mestre disse que você estava sobrecarregada. Tinha uma enorme pressão mágica em seu corpo - respondeu a serva - Eu particularmente nunca vi nada igual

Pensando bem, isso devia ser resultado da minha transformação. Converter o próprio corpo em um círculo mágico devia ter consequências no mínimo estranhas

- Mas... e ele ? - meus olhos se voltaram para o corpo inconsciente do general. Era um pouco triste vê-lo assim, eu nem sabia se podia fazê-lo acordar

Mas eu tinha traçado meu próprio objetivo. Eu iria até a biblioteca principal na capital, era lotada de guardas e servos do imperador mas eu poderia lidar com isso. Pelo que eu sabia, lá era onde ele guardava suas preciosas anotações e documentos e onde estava reunido todo o conhecimento sobre magia desse mundo. Eu poderia facilmente achar respostas ali, quem sabe até, conhecer melhor os planos do imperador

Quando deixamos a oficina, Aurioro me disse que estávamos longe da capital, na verdade a taverna ficava próxima a divisa do nosso território com o território de Yuméllia. Eu demoraria a prestar essa visita

- Você parece pensativa - Sol era extremamente perceptiva, ontem a noite antes de dormir, percebi que eu teria que ser cautelosa ao falar com ela. Podia facilmente detectar mentiras ou descobrir o que eu estava pensando - Está com algum plano em mente

- Nada que eu possa fazer agora - essa foi minha resposta. Após isso abandonei o quarto. Aurioro ficou na oficina consertando a carruagem então tive que cuidar de arrumar a taverna e preparar para abrir, ele me passou a lista de preços e todas as instruções necessárias

Consegui cuidar de tudo. Durou de fato o dia todo Quando a noite chegou, Sol me ajudou a fechar o lugar, Aurioro voltou após concluir seu trabalho na oficina e disse que podíamos partir

Movemos o corpo inconsciente do meu pai para a carruagem e após trancarmos devidamente o local partimos seguindo o rastro da Estrela Guia

A viagem levaria a noite toda e um pouco mais e seria um tédio com certeza. No interior da carruagem estavam duas caixas enormes que provavelmente guardavam os tesouros sagrados deles e Aurioro havia improvisado uma prateleira para as suas bebidas

- Pra onde está nos levando exatamente ? - perguntou o Drauken. Os controles ficavam do lado de fora mas ele de alguma maneira fazia a carruagem se mexer dali de dentro e sem nenhuma espécie de controle

- Para a minha casa primeiro - respondi - Quero ir buscar minha mãe e meu amigo, dali vamos seguir para Mellia, que é onde as outros estão

Aurioro não questionou minha parada em casa, claramente preferia ir direto mas respeitou minha decisão

Foi a primeira noite de viagem, tivemos algums problemas com algumas criaturas que viviam entre as estradas e em boa parte desses acontecimentos, Aurioro literalmente fazia ensopado com os monstros

Nunca achei que um dia chegaria a provar algo assim, muito menos que o gosto fosse bom. Quando amanheceu finalmente estávamos na entrada da grande mansão

A casa dada pelo imperador aos meus pais como presente por seus longos anos de trabalho, depoisque Teriel tentou assassinar o imperador, pedi a Rittori que ficasse ali cuidando da casa e voltei aos meus estudos no palácio

- É uma casa bem pequena - disse Aurioro enquanto abandonava a carruagem logo atrás de mim

A trilha seguia até a varanda onde ficava a enorme entrada. Estava lotada de guardas, iam e vinham a todo momento caminhando pelo jardim

- É bem menor do que parece - respondi enquanto estendia a mão sobre o caminho a frente. Fechei meus olhos naquele instante e me concentrei em cada corpo ali presente, consegui confirmar que minha mãe e o nosso Zastiel estava ali e assim que o fiz, coloquei pra dormir todos os guardas ali presentes. Meu corpo emitia aquele calor estranho e minha cabeça começou a doer. Pude sentir as marcas e gravuras sumirem do meu corpo, deixando leves queimaduras onde estavam

- Você é uma garota estranha... - murmurou Sol enquanto se juntava a nós

Ignorei comentário, até porque, vindo de uma boneca de corda isso é relativamente pouco

- Vamos indo ! - disse isso e comecei a correr até entrada, eles me seguiram por entre os corpos adormecidos no jardim. Empurramos as portas e começamos a vasculhar a casa, cômodo por cômodo

- Você tem uma boa casa, Mirian - comentou Aurioro enquanto olhava a volta no corredor. Tudo ali era enfeitado em mármore e os lustres tinham pequenas pedras de cristal presas a metal foleado a ouro, essas se ascendiam magicamente. Tudo ali havia sido projetado por operários do imperador, arquitetos de primeira por assim dizer, a segurança em si era uma bela duma porcaria mas a casa era de fato confortável e bela, uma pena pra mim, que passo a maior parte do tempo na biblioteca empoeirada daquele maldito Palácio

- Bom, podemos admirar a arquitetura depois que...

Fui interrompida pelo grito de surpresa no fim do corredor

- Mirian ! - a mulher alta e de longos cabelos castanhos havia abrido a porta e literalmente saltado para fora. Me prendeu em um abraço bem apertado e foi se afastando devagar, a expressão dela era de surpresa, alivio e felicidade

Essa é Elonah, minha mãe e é também uma médica excepcional

- Mãe ! - retribui o abraço enquanto Rittori surgia por de trás da mesma porta, o jovem Zastiel de cabelos prateados parou logo atrás de nós e ficou olhando para Aurioro e Sol

- E quem são eles ? - perguntou

- Me chamo Aurioro e esta é minha assistente, Sol - apresentou o Drauken

- São membros das doze chaves também - completei

- O que houve na capital ? - perguntou minha mãe - Onde está seu pai ?

- Está bem - respondi - Conto tudo a vocês mas não aqui e não agora. Vamos, precisamos partir

Conseguimos deixar a mansão, tudo durou bem pouco e logo estávamos de volta naquela carruagem, Rittori decidiu voar ao redor dela por um tempo pra servir de escolta

Minha mãe ficou ao lado do espaço onde meu pai estava, ficou ali passando a mão sobre o cabelo do general ainda inconsciente

- O que houve com ele exatamente ? - ela me perguntou. Eu queria essa resposta tanto quanto ela

- Elric... ele tentou parar o imperador mas foi derrotado - foi um pouco difícil falar sobre, mesmo tudo estando bem agora, lembrar de como ele caiu no chão, de como seu sangue se espalhou tingindo de vermelho a neve... aquilo me dava calafrios - Eu interferi e... consegui tira-lo de lá mas não sei se está tudo bem. Não sei o que há com ele

Ela disse pra mim que faria os estudos devidos sobre isso e tentaria achar uma solução. Fizemos pausas pra dormir e comer, tudo durou muito tempo mas logo havíamos cruzado boa parte do caminho

A capital de Mellia ainda estava longe, mas podíamos ver claramente o enorme pilar no horizonte. Passamos por diversos campos de batalha e até chegamos a ver companhias marchando, provavelmente voltando de suas batalhas

O território melliniano era belo e assustador ao mesmo tempo, seu pôr do sol era bem mais vermelho que o comum e o céu era deprimente. Passamos muito tempo sobre aquela paisagem

Uma de nossas paradas foi em um enorme jardim de flores brancas próximo a um lago, havia também um vilarejo um pouco mais a frente

Enquanto todos estavam sentados próximos a carruagem arrisquei colher pra mim algumas daquelas flores, porém, Rittori apareceu de repente e me segurou o pulso no caminho

- Não sugiro que faça isso - disse o Zastiel

Fechei a cara em uma expressão forçada e ri baixo

- E porque não deveria ?

A expressão do Zastiel era bem séria, ele apenas me lançou um olhar de "Você ja sabe" o que me fez pensar sobre o que seria. Lembrei de ter lido algo sobre dedicarem jardins à deusa Lirah nessa região. Desrespeitar isso era punido com o pior tipo de azar

- Ahh sim... é isso - disse isso e desisti da idéia, parei ali de braços cruzados ao lado do meu amigo de asas de prata. Ficamos algum tempo encarando a paisagem a frente

- Não seria mais fácil ter ido com ele de início ? - perguntou o Zastiel

- Andar com o Herc, aquela Zastiel exibida e dois assassinos ? - fiz que não com a cabeça - Eu passo ! - e comecei a rir baixo - Quem diria que aquele pirralho mimado ia se tornar uma das doze chaves

- Acho que não tem muito o que você possa dizer sobre mimos, Mirian - rebateu Rittori

De fato minha vida como filha de um dos mais importantes membros do exército imperial era cheia de mimos, mas eu sempre estive no Palácio estudando e tentando ser útil de alguma forma. Mesmo sendo um pouquinho arrogante sempre quis fazer o meu melhor

- Bem, essa é minha vida agora e eu... - mais uma vez fui interrompida, dessa vez pelo som das cordas de engrenagens de nossa dama da alvorada. Olhei para a minha esquerda onde, abaixada sobre a grama estava a imagem de Sol segurando uma inocente flor branca recém removida, sua expressão era neutra e vazia - ...bem, acho que estamos bem ferrados - conclui

Rittori apenas deu de ombros e voltou para a carruagem onde Aurioro havia improvisado uma mesa de jantar

- Venha Mirian - chamava a minha mãe - Precisa se alimentar antes de continuar !

Aparentemente, era noite de festa na capital. Fogos de artifício enfeitavam o céu enquanto fazíamos nosso banquete perto do Jardim sagrado, a brisa veraneia da terra triste e sangrenta era bem mais agradável do que imaginei, bem mais que o frio deprimente da capital imperial

Bom... acho que é isso que aquele pirralho idiota busca sempre que sai em viagens

 Aventuras podem ser divertidas afinal



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