História Skyfall - Capítulo 2


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Notas do Autor


Arte do capítulo por KYOPAL no tumblr
O capítulo saiu mais cedo porque eu senti que deveria postá-lo, então eh isso
Bem, antes de tudo gostaria de explicar: essa fanfic é dividida em presente e passado. A formatação dos caps que retratam o passado é em itálico, mas caso vocês estejam com dificuldade em ler ou achando desgastante ler em itálico, me avisem nos comentários que eu mudo para a formatação normal. c:
Boa leitura!

Capítulo 2 - Cap. I - Um Legado


Fanfic / Fanfiction Skyfall - Capítulo 2 - Cap. I - Um Legado

“Eu juro que ouvi demônios gritando

Aquelas palavras loucas que soletravam

Disseram-me que eu já estava acabado”

(Ode To Sleep – twenty one pilots)

Percorrendo caminhos estreitos e pulando muros e cercas, de casa em casa, a criatura tentava despistar as mulheres que a seguiam, mesmo sabendo que seria em vão. A renascida tropeçou ao ver que uma sombra ágil e corpulenta a acompanhava, caiu em um beco sem saída e os ferimentos na sua pele suja mancharam a rua de sangue.

Estava condenada e sabia disso.

Ouviu o vento rugir à sua direita, estaria tudo certo se fosse apenas o frio noturno, entretanto sabia tão bem quanto qualquer ser da noite que apenas alguém podia fazer uma rajada tão forte como aquela. Maldita herdeira! Amaldiçoou mentalmente e, com os olhos totalmente escurecidos, procurou pela já conhecida figura esguia e alta nos céus.

— Parem de brincar e apareçam logo, anjos estúpidos! — Rosnou, estava em desvantagem, já que havia sido ferida anteriormente, mas não deixaria de lutar.

— Pouparia a saliva se fosse você, querida. — Finalmente pôde ver ela, pulando do telhado para o chão, tão leve e graciosa quanto uma pluma. — Últimas palavras? — Ergueu a palma aberta, o ar sibilando ao seu redor.

— Aonde está a criança que você cuida? — A renascida provocou, observando a outra hesitar um pouco. — Nós iremos matá-la, assim como matamos a mãe! Logo essa maldição vai acabar e os renascidos irão acabar com esses miseráveis que andam pela superfície terrestre. Vocês, herdeiros, irão fracassar novamente. — Riu de modo sádico, selara seu destino com essas frases, mas só de ver a herdeira irritada estava satisfeita.

— Péssima escolha de palavras. — Proferiu friamente e, tão rápida quanto os ares permitiam, avançou contra a criatura, erguendo-a pelo pescoço, não precisava fazer alguma força, pois dos seus braços ventos emergiam para enforcar o ser das trevas.

— Vai… Se foder. — Falava com dificuldade, engasgando, mas ainda contente. — Lembre-se, Pearl… Tente não… Falhar com a criança… — Os olhos da herdeira brilharam em um azul claro intenso, revelando sua raiva com as provocações. — Do mesmo jeito que falhou com Priyanka. — Essas foram as suas últimas palavras antes de perecer e desaparecer em cinzas levadas pelos ventos.

Pearl gritou com raiva e frustração, mesmo vencendo mais um, sentia-se derrotada por dentro, sabia que o demônio estava certo, ela falhara com Priyanka. Agora o dom — mais para uma maldição — estava nas mãos de uma criança que os herdeiros acolheram.

Connie não merecia esse fardo. Esse peso. E Pearl se culpava amargamente por isso.

Socou o muro, rachando-o e levantando um rastro de poeira.

— Não ligue para ela, você sabe que eram apenas provocações. — Outra voz chamou sua atenção, uma bem familiar dessa vez. Revirou os olhos.

— Ela está certa. — Respondeu com um suspiro pesaroso. — Aliás, bom te ver, Garnet. Muito obrigada pela ajuda. — Falou com um tom de ironia na voz.

— Bom te ver também. Você estava indo bem sozinha, preferi deixar essa pra você. — Garnet respondeu com um risada leve, recostando-se na mureta de uma casa. — Mas concorda que nós fizemos um bom trabalho? — Atiçou, nunca perdia uma oportunidade.

— “Nós” nada, Garnet. Você apenas a assustou e eu fiz a parte mais difícil. — Pearl revirou os olhos novamente, virando-se para fitar a outra herdeira, mas não sabia se a encarava de volta, já que mesma sempre usava nas caçadas uma faixa cobrindo os olhos, alegando que ajudava a melhorar seus outros sentidos. — Precisamos voltar. Connie sentirá nossa falta logo, logo. — Disse brevemente, agora encarando a lua pálida e cheia no meio do céu.

— Certo… Pearl, você sabe que logo teremos que começar a treiná-la para carregar a espada de Priyanka, não é? — Garnet arriscou dizer e recebeu um olhar frio da amiga, sabia que era um assunto delicado para ela. Desde do incidente há 7 anos, Pearl apenas desejava proteger a filha da sua antiga amiga.

— Eu sei. — Pearl disse, curta e grossa. — Vamos, por favor. — Chamou, porém sem esperá-la, a herdeira de olhos azuis utilizou-se dos ventos, que a guiaram para os céus.

▼▼▼

O Templo dos Cristais era tão majestoso quanto o seu nome, situando-se na base de uma colina em frente ao mar.

As paredes eram feitas de mármore, colunas grandiosas erguiam-se do chão para sustentar a abóbada que era o teto. Alguns tapetes macios e peludos espalhavam-se por vários locais do chalé, forrando o chão, também havia uma lareira espalhafatosa no centro, com uma chama que nunca apagava. Ademais, havia alguns outros poucos móveis confortáveis, pinturas feitas à mão que se estendiam do rodapé até o centro do teto e, claro, um portal que somente herdeiros podiam utilizar para se deslocar na superfície terrestre.

Sobre um tapete rosa, encontravam-se as únicas duas crianças do templo brincando de montar coroas de flores um para o outro, estas eram Connie, uma humana comum, e Steven, o único híbrido existente no universo. Ambos tinham idades próximas, sendo o menino apenas um ano mais velho que Connie — apesar de Steven envelhecer mais devagar que o normal por ser um híbrido.

Logo à frente, o portal tremulou, abrindo-se e revelando as duas herdeiras que haviam saído em mais uma missão secreta.

— Pearl! — A garota correu para abraçar as pernas da herdeira. Apesar da felicidade e empolgação característica, tinha uma triste história que a trouxera até o Templo dos Cristais.

— Olá, garotinha. Feliz aniversário. — Pearl sorriu, acariciando os cabelos da menina que agora fazia 11 anos.

Logo atrás das duas, Garnet pigarreou.

— Bem, nós temos algo pra você, querida. — Garnet fitou Pearl, os olhos heterocromáticos — um vermelho como o fogo e outro azul como o gelo — eram ilegíveis. O rosto da outra herdeira pareceu demonstrar cansaço.

— Acompanhe-nos, Connie. — Disse Pearl, segurando a mão pequena da criança, que acenou para o seu amigo Steven, o mesmo devolveu com um sorriso que dizia “Acredito no seu potencial”.

Garnet abriu o portal novamente e, juntas, as três atravessaram e saíram em uma colina, fazia frio e ventava muito no local e, mais a cima, havia apenas uma árvore solitária. Majestosa, grande e linda com suas flores rosas dançando ritmicamente com a brisa. Connie divagou se sua mãe já andou naquele mesmo lugar algum dia.

— Connie, sua mãe, Priyanka, desejava que você assumisse esta lâmina quando completasse 18 anos. — Garnet ditou cuidadosa e vagarosamente, segurando com suas duas palmas uma espada brilhante de metal.

O cabo da arma era castanho com pequenos círculos dourados, o pomo, um círculo marrom com uma estrela dourada no centro e o guarda mão também seguia o estilo dourado. As cores do nosso brasão, pensou Connie.

— Nós desejávamos o mesmo, entretanto os renascidos estão se multiplicando cada vez mais e indo para outras terras, ao contrario dos herdeiros… Precisamos que continue o legado da sua mãe, você entende? — Garnet encarou Connie que, apesar da carga de informações, não parecia abalada.

— Eu entendo, madame. — Respondeu por fim. A menina sempre esteve ciente que um dia precisaria assumir aquela lâmina.

— Garnet, eu assumo daqui. Volte para o templo. — Pearl, que manteve-se calada até então, disse com pesar.

A outra herdeira apenas acenou com a cabeça, entregando a espada nas mãos de Pearl e abrindo um portal de volta para o templo. Antes de ir, sorriu encorajadora para a garota, sabia que conseguiria, afinal era uma Maheswaran.

— Nunca achei que um dia teria que fazer isso… — Pearl pensou em voz alta, encarando a árvore. — Pelo menos, não com ela tão nova assim… — Terminou em um fio de voz, voltando-se para Connie que a encarava com uma expressão difícil de ler, mas aproximava-se de um “Eu entendo você”.

A herdeira do ar passou a espada para a jovem Maheswaran, ajudando-a a empunhá-la para frente.

— É como uma dança. Para acertar, você precisa entregar o seu corpo todo. Mas conhecendo você, eu sei que não preciso dizer isso. Você vai dominar em poucos dias. — Disse com um sorriso, abaixando-se para ficarem na mesma altura. — Postura ampla e joelhos flexionados. Saiba balancear seus passos com a lâmina. — Instruiu, Connie sorriu em resposta e não disse mais nada, apenas seguiu seus comandos, a cabeça da garota estava em outro lugar.

A espada parecia ser feita exatamente para ela, a empunhadura encaixava-se perfeitamente na sua mão e o peso era ideal mesmo para a sua idade. No reflexo do metal, jurou ver a silhueta da sua falecida mãe a encarando e ali, finalmente soube: ela não a deixara, estava ali o tempo todo e continuaria consigo até o fim.

Com determinação, Connie firmou seus dedos ao redor do cabo, olhando para frente — para o futuro. Ela não iria deixar o legado da sua mãe morrer.

Mesmo que ela precisasse morrer.


Notas Finais


Dúvidas? Críticas construtivas? Opiniões? Algum erro que não notei?
Próximo capítulo não vai demorar a sair!! Espero que estejam gostando. 💖
twitter: lapisstuff
tumblr: lapisstuff
edit: amo a capacidade do spirit de foder a formatação


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