História SL7 (Limantha) - Capítulo 37


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Categorias Malhação: Viva a Diferença
Personagens Heloísa Gutierrez (Lica), Samantha Lambertini
Tags Lica, Limantha, Malhação, Samantha, Viva A Diferença
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Palavras 5.560
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Já é quarta, né?

Espero que vocês gostem... Podem ler sem medo! kk

Capítulo 37 - LG10 - Capítulo 1


Eu só não consigo fazer direito.

A imagem que eu tinha na minha cabeça não era traduzida na tela do aparelho no meu colo. Cada vez que eu tentava desenhar o que eu imaginava na minha cabeça, eu falhava de algum jeito. Minhas mãos estavam um pouco trêmulas por toda cafeína no meu sistema, mas eu estava acostumada com isso. Basicamente vivo de café, então a bebida quente não poderiam ser a razão pela minha incapacidade de desenhar.

Suspirei alto, deixei o lápis que eu segurava cair e me joguei pra trás na grande poltrona. Comecei a olhar ao redor da pequena cafeteria. Talvez eu precisasse de um pouco de ar e focar em algo. Além do mais, esse era o meu horário de almoço e eu não deveria estar trabalhando. Mesmo assim, eu ficava louca quando eu tinha uma ideia e não conseguia colocar no papel.

Eu ainda era nova na prestigiosa empresa de arquitetura e queria fazer meu nome sozinha. Ser a novata não me atraía nem um pouco. Ninguém esperava muito de mim, o que me incomodava muito. Por que eles me contrataram então? Claro, eu estava trabalhando há apenas alguns meses, mas minha ambição não vacilou, apesar de eu ter parado de jogar futebol profissionalmente. Ter uma posição de líder tinha sido meu papel por muito tempo e eu não estava acostumada a ser inferior na cadeia alimentar.

Era estranho, mas eu raramente pensava sobre meu passado como atleta profissional. Provavelmente porque eu não tinha tempo, me lembrava internamente. Eu estava trabalhando muito, mas eu gostava disso. Olhei para o meu relógio, eu tinha que voltar para o escritório em poucos minutos.

Dei uma outra olhada pela cafeteria e notei uma pequena garota no balcão. Ela estava de costas pra mim e eu notei uma grande mochila escolar que parecia ser extremamente maior em comparação a ela. Não pude esconder um pequeno sorriso assim que ela se virou. Reconheci a garota imediatamente e meu coração errou uma batida: era Luísa.

Só agora notei que ela estava segurando a mão de alguém. Meus olhos se moveram rapidamente e era Felipe que estava com ela. Mesmo sabendo que Felipe também morava em Nova York, eu não tinha encontrado com ele desde que me mudei para a cidade grande. Fiquei completamente em choque até escutar uma voz familiar, uma voz muito alta:

- Panquecas?

Os olhos cor de avelã estavam apertados, mas olhando diretamente para mim, ao ouvi-la me chamar assim, me lembrei da tatuagem que ainda estava no meu quadril. Eu não podia fugir agora, podia? Além do mais, senti um inesperado entusiasmo por todo meu corpo assim que Luísa soltou a mão de seu pai e veio em minha direção. Deus, ela estava bem maior do que da última vez que a vi. Fazendo os cálculos rapidamente, ela tinha seis anos agora.

Minha mente ficou em branco assim que ela me alcançou.

- Oi. — falei docemente e abri meus braços. - Eu ganho um abraço?

Luísa sorriu abertamente e não parecia desconfortável, mesmo estando há muito tempo sem me ver. Sentei na ponta da cadeira, mas era na altura perfeita para abraçá-la. Ela não estava tão baixa quanto costumava ser e quase me senti mal por um momento por não tê-la visto crescer. Qualquer sentimento negativo foi imediatamente afastado quando escutei a pequena risada dela antes de se afastar do nosso abraço.

- Como você está? – perguntei com um grande sorriso.

- Bem. Papai veio comprar meu almoço. — Luísa explicou e vi Felipe se aproximar de nós lentamente. Comparado com a menina de seis anos, ele estava claramente desconfortável, mas nos deixou conversar.

- Isso é ótimo. Vejo que já está na escola. — apontei para a mochila escolar e ela assentiu ligeiramente.

- Sim, é divertido. — ela deu de ombros indiferente e eu sorri por sua resposta casual. - Eu estava na casa do papai no final de semana, mas mamãe vai vim me buscar agora.

Lá estava. Samantha estava vindo?! Meu coração acelerou e eu engoli em seco. Eu sabia que ela estava em Nova York também, porque ela havia assinado um contrato com Western New York Flash. Não mantivemos contato, mas isso não significa que eu não estava informada sobre o que ela fazia. Coincidentemente acabamos na mesma cidade de novo, mas até o momento ainda não havíamos nos encontrado. E eu não tinha certeza se estava preparada para isso agora.

Tudo aconteceu tão rápido que eu só tive tempo de abaixar o meu caderno de desenhos antes da minha ex-namorada de repente parar próxima a Felipe. Deus, meu coração estava prestes a explodir no meu peito. Eu não esperava uma reação tão pesada, mas encontrar os seus olhos castanhos familiares me causou uma mistura de emoções.

Samantha parecia tão surpresa quanto eu, mas se recuperou mais rápido do choque inicial. Ela sorriu calorosamente e se aproximou de Luísa.

- Ei, olha quem temos aqui. — a outra morena falou suavemente e acariciou o cabelo claro de Luísa ternamente antes de focar em mim.

- Oi. — consegui dizer.

- Oi. — a mais nova sorriu abertamente e aparentemente percebeu meu choque. - Você está bem? — ela quase riu.

- Uh, sim. — ri nervosamente e finalmente me levantei da cadeira. - Desculpa, fiquei surpresa. Como você está? — assim que me levantei, percebi os olhos de Samantha observarem minha roupa com as sobrancelhas levantadas. Ela estava me examinando?

- Estou ótima, obrigada. — os olhos castanhos pararam nos meus de novo. - Como você está? Você parece tão... crescida.

- Não tenho certeza se isso é um elogio ou um insulto. — sorri.

- Um elogio. — Samantha afirmou. - O terno... combina com você. — ela riu.

Era uma situação estranha, já que Felipe e eu estávamos vestidos tão formalmente e Samantha vestia seu agasalho do time. Presumindo que Felipe ainda trabalhasse no banco, ele vestindo um terno não me surpreendia. Eu vestia uma saia cintura alta preta, uma simples blusa branca combinando com o blazer e salto alto. E aparentemente Samantha não esperava me ver assim, mas me lembro dela falando que gostava quando me via vestindo roupas mais femininas. Esses pensamentos foram imediatamente banidos.

- Obrigada. — falei educadamente, mas me senti mais constrangida com as órbitas de avelã olhando profundamente para mim. - Acho que tenho que voltar ao trabalho.

- Oh, isso é ruim. — Samantha respondeu e olhei pra Luísa para desviar dos olhos da mãe dela - Por que não nos encontramos depois para conversarmos?

Eu estava surpresa novamente pela sua oferta, mas me senti disposta a aceitar imediatamente.

- Uh... claro, por que não? — respondi sem pensar muito. Antes que eu percebesse já estávamos trocando números de telefone e decidimos fazer planos para o jantar na Sexta. Eu realmente só tinha tempo depois do trabalho. Jantar parecia tão... "tipo um encontro", mas era o que pessoas crescidas faziam, não é? Não significava que era um encontro.

- Ótimo, te mando mensagem com os detalhes. — Samantha sorriu e eu assenti com a cabeça concordando.

- Tudo bem. Foi ótimo ver vocês. — falei enquanto olhava para Samantha e Luísa antes de pegar minhas coisas. - Preciso correr agora. — acrescentei porque não queria chegar atrasada no trabalho.

- Claro. — a jogadora assentiu agora e acariciei o cabelo de Luísa me despedindo, acidentalmente acariciei a mão de Samantha que ainda estava no cabelo da menina também. Meus olhos arregalaram de novo e trocamos sorrisos nervosos.

- Desculpa. — murmurei.

- Tchau, Lica. — a menina de seis anos acenou rapidamente e escutar ela dizer meu nome me causou outra mistura de emoções. Eu não sei porque eu estava surpresa por ela ter lembrado meu nome, mas eu estava.

- Tchau. — retribui e encarei Samantha e Felipe como se tivesse direcionando para todos eles minha despedida. Ainda bem que Felipe não tinha feito uma cena e fiquei aliviada por eles estarem se dando bem e os dois se envolvendo na vida de Luísa.

Saí da cafeteria, respirei fundo e caminhei para o trabalho apressadamente. Apenas agora pensei sobre as consequências de concordar imediatamente em me encontrar com Samantha. Foi, definitivamente, uma conversa que poderia mudar as coisas.

[...]

Larguei a chave, tirei meus saltos e estava extremamente exausta depois de um longo dia de trabalho. Entrar no apartamento em Manhattan era uma benção. A única coisa que eu queria fazer era relaxar. Joguei meu blazer em algum lugar do sofá enquanto caminhava em direção a cozinha. O cheiro bom de comida era inegável.

Quando entrei na cozinha, um par de olhos verdes encontraram os meus.

- Ora, ora. Olha quem decidiu vim pra casa finalmente. — Emily riu baixinho e continuou mexendo algo no fogão.

- Desculpa, mas não pude sair mais cedo. — me desculpei enquanto me aproximava da minha namorada.

- É isso o que você diz toda noite. — a loira fez biquinho levemente e fez com que a minha consciência pesada me chutasse.

- Eu sei. — admiti, mas parei mais próxima até que ficasse atrás dela. Enlacei meus braços ao redor de sua cintura e ela suspirou em prazer enquanto eu beijava seu ombro suavemente. - Me desculpa mesmo, mas vou te compensar, prometo.

- Tudo bem. Entendo que você tenha que trabalhar duro no início. — a modelo sempre me entendia. Dei outro beijo no pescoço dela antes de me afastar e ficar ao seu lado.

- Provavelmente irá acalmar quando eu tiver uma boa ideia. — presumi.

- Não se preocupe, baby. — ela sorriu encorajadoramente. - Você vai conseguir quando for o momento. Não dúvido disso nem por um minuto.

- Você é muito boa pra mim.  — falei enquanto retribuía seu sorriso.

- Nunca se esqueça disso. — brincou. - Mas, como foi o seu dia?

Congelei. Eu deveria contá-la agora? Ou esperaria para depois do jantar? Quando era a hora certa para dizer a sua namorada que fez planos de jantar com sua ex-namorada? Provavelmente nunca!

- Lica?

- Hm?

- Você está bem? – Emily pareceu divertida com minha distração.

- Sim, só tem uma coisa que aconteceu. — cocei minha cabeça.

- Uma coisa que aconteceu... — a mais velha repetiu confusa.

- Bom, foi uma coincidência engraçada. — tentei soar indiferente, mas falhei miseravelmente. - Talvez não necessariamente engraçada em um senso de comédia, mas estranho, você sabe-

- Lica. — ela interrompeu.

- Sim?

- Você está divagando.

- Eu sei. — suspirei, e senti a outra garota começar a ficar desconfiada por causa do meu comportamento estranho. - Não é nada importante, mas eu estava na cafeteria para almoçar e notei essa garotinha. Acontece que essa garota era Luísa. Então ela se aproximou, porque me reconheceu. Samantha veio também e conversamos por algum tempo e antes que eu percebesse o que estava acontecendo, fizemos planos para conversarmos em um jantar. Mas então deixei o café e pensei sobre você e o que você pensaria-

- Lica. — ela me interrompeu mais uma vez e então eu percebi que estava ofegante. - Respira. — Emily riu.

- Ok. — respirei fundo.

- Então, você encontrou Samantha e quer jantar com ela? — ela tentou entender as coisas.

- Não é como se fosse um encontro ou algo parecido. — disparei em pânico.

- Espero que não. — Emily riu e eu fiquei confusa. Ela estava chateada ou divertida?

- Claro que não! E não vou se você se sentir desconfortável de algum jeito, mas juro que não é realmente nada desse tipo. — pressionei.

- Olha, eu sei que vocês duas tiveram muitas histórias, mas... — ela respirou fundo e encontrou meu olhar. - Eu confio em você. E se você quer jantar com uma velha amiga que aconteceu de ter namorado no passado, então acho que você deveria ir.

- Sério?

- Não vejo nenhum motivo para não confiar em você. Eu tenho?

- Não. — falei rapidamente, mas ainda espantada pela reação dela.

- Ok, então você pode jantar com a Samantha desde que tenha um jantar comigo essa noite. — respondeu em um tom relaxado.

- E você está bem com isso mesmo? Porque não quero trazer problemas. — falei honestamente.

- Não é um problema. Quando você vai vê-la?

- Provavelmente na sexta. — revelei.

- Tenho que trabalhar em algo na sexta de qualquer jeito, então tá tudo bem. — Emily respondeu.

- Você é a melhor, sério. — falei admirada por ela ser compreensiva o tempo todo.

- Como eu disse, nunca se esqueça disso. — ela sorriu dessa vez e eu me senti incrivelmente aliviada.

- Não esquecerei, prometo. — respondi e me inclinei para um beijo. Os lábios dela tinham sabor de morango desde quando a conhecia. O sabor era constante e acredito que estava mais doce.

[...]

Era sexta a noite e eu deveria encontrar Samantha em meia hora no restaurante. Claro, tive que trabalhar até tarde de novo, mas isso não era um problema. Eu não tinha planejado ir em casa antes de encontrar a outra morena. Mas eu havia esquecido meu celular e agora estava dividida em ir pegá-lo ou não.

E se Emily me ligasse ou mandasse mensagem? Ela poderia ter uma ideia errada se eu não respondesse. Então decidir ir ao meu apartamento, nosso apartamento, e pegar meu celular apenas no caso disso acontecer. Eu poderia mandar uma mensagem para Samantha e avisar que eu chegaria um pouco atrasada.

Eu não tinha certeza de onde tinha deixado meu celular. Assim que entrei no apartamento tentei recriar meus últimos passos dessa manhã, mas ainda não fazia ideia de onde o aparelho podia estar. Mas então notei algo estranho: botas que não eram minhas e nem de Emily. Porém, os sapatos de Emily também estavam na entrada. Ela não tinha trabalho a fazer?

Meu coração começou a acelerar quando meus passos ficaram mais silenciosos e consciente. Vi meu celular no balcão da cozinha, mas isso não me interessava mais agora. Em vez disso, fui em direção ao quarto. Cada passo aumentava minha pulsação e tentei me preparar para o que poderia estar acontecendo, mas ainda assim eu não estava preparada para o que vi.

Abri a porta do meu quarto e imediatamente avistei minha namorada com outra garota na cama, na nossa cama.

O barulho da porta sendo aberta fez com que os dois corpos entrelaçados se afastassem e toda a cor desaparecesse do rosto de Emily. Eu estava paralisada. Senti meu coração ser destruído pela milésima vez. Só que agora foi mais inesperado.

- Lica. — Emily arfou enquanto a outra garota se cobria com o lençol.

Reconheci ela como uma das amigas modelos de Emily. Neguei com a cabeça, meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu não queria chorar em frente delas, então saí.

- Espera! — ouvi a mulher, que morava comigo por meses, agora gritar. Eu não tinha intenção de esperar, mas senti ela agarrar meu pulso, me puxando de volta. - Por favor, espera. — sua voz trêmula quando me virou, segurando meu pulso com muita força.

- Não quero ouvir as merdas das suas desculpas. — sussurrei, agora encarando-a.

- Você tem que me deixar explicar. — ela chorava com várias lágrimas caindo no seu rosto. Me machucava vê-la assim, mas eu estava muito mais machucada para me acalmar.

- Não preciso de nenhuma explicação. — puxei meu braço do seu aperto. - Esse é o trabalho que você tinha que fazer, não é? Tinha que foder a sua amiga modelo!

- Me desculpa. — a mais velha, que tinha colocado um robe, se desculpava enquanto eu tentava sair dali. Mas ela agarrou minha novamente. - Por favor, não vá.

- Me solta. — minha voz tremeu em um misto de raiva e angústia.

- Você tem que me deixar consertar isso, Lica. Por favor, estou te implorando. — a súplica dela parecia mais desesperada, mas eu não queria escutá-la.

- Você não pode! — gritei com toda minha força e até ela parecia surpresa. - É por isso que você confia tanto em mim? Porque você sabe que eu nunca faria isso com você. Mas estava fodendo outra pessoa todo esse tempo?

- Isso não é verdade. Eu confio em você porque te amo. — ela soluçou, mas eu ri amargamente.

- Você tem um jeito engraçado de demostrar isso. — zombei claramente irritada.

- Cometi um erro, mas eu te amo. Realmente amo. — ela tentava dizer, mas eu estrava machucada demais para tentar acreditar nela.

- Bom, eu não te amo mais. — falei cheia de ressentimento.

- Você não pode parar de amar alguém. — ela argumentou.

- Sim, eu posso e estou fazendo isso agora mesmo. — tirei a mão dela da minha mais uma vez. - Estou decidindo nesse exato momento que não te amo mais.

- Lica, por favor não faça isso...

- Você fez essa merda! E agora vai ter que viver com isso! — minha voz falhou no final, mas finalmente consegui ir embora.

Dessa vez ela não me parou, mesmo que eu tenha escutado ela me chamar depois que eu, praticamente, corri e saí do prédio. Completamente sem fôlego, eu estava do lado de fora quando percebi que acabei de perder minha casa. Onde eu dormiria agora? Eu definitivamente não voltaria lá. Ainda assim, eu não conseguia parar de pensar em tudo que tinha acontecido. Não parecia real.

De repente, me lembrei de Samantha e que a encontraria. Eu não estava em um bom estado de espírito para um jantar casual com alguém agora. Mas, claro, meu celular ainda estava no apartamento e eu não tinha como cancelar. Suspirei profundamente, limpei as lágrimas no meu rosto e decidi pegar um táxi para o restaurante. Lá eu explicaria a minha ex-companheira de time que deveríamos remarcar. Eu esperava que ela entendesse.

[...]

Eu estava definitivamente atrasada quando saí do táxi e encontrei Samantha do lado de fora do restaurante. Minha cabeça ainda estava girando. As imagens vívidas da minha namorada me traindo não despareciam. Quando me aproximei da outra morena, o rosto dela mudou de feliz para preocupado no mesmo instante.

- Você está bem? — ela perguntou antes que eu pudesse falar algo.

- Sim. Bom... não. — respondi confusa e vi uma verdadeira preocupação em seu rosto.

- Você parece aflita. O que aconteceu? — Samantha aparentemente me conhecia melhor do que eu achava.

- Isso não é importante. Desculpa, mas eu não posso ficar. — falei com cuidado, enquanto passava minha mão pelo cabelo.

- Tudo bem. — ela respondeu. - Mas eu estou um pouco preocupada, para ser honesta. Tem algo que você precisa ou....?

- Está tudo bem. Só preciso encontrar um hotel para passar a noite. — disparei e vi os olhos dela arregalarem em surpresa.

- Por que?

- Eu não quero te incomodar com meu drama. — suspirei e olhei ao redor freneticamente até sentir sua mão tocar suavemente na minha. Meus olhos estavam agitados, mas focaram em seus olhos castanhos cheios de ternura.

- Heloísa, parece que você está prestes a ter um ataque cardíaco. — ela sorriu calorosamente e não pude evitar de rir suavemente com as palavras dela. Eu sabia que ela estava preocupada, mas por alguma razão comecei a me acalmar.

- Desculpa... é só uma noite horrível e não acho que conseguirei jantar agora. — me desculpei sinceramente.

- Você não precisa se desculpar. Se quiser falar sobre o que aconteceu, eu estou aqui. Mas podemos também remarcar. — Samantha ofereceu e soltou minha mão.

- Não tenho certeza se estou preparada para falar sobre isso. — respondi honestamente e ela assentiu. - Acho que preciso deitar e dormir.

- Ok, isso pode parecer estranho, mas por que você não fica na minha casa essa noite? — a mais nova sugeriu e eu senti minha pulsação aumentar. Ela realmente disse isso? Samantha riu nervosamente com a minha reação. - Não me olhe assim. Você parece um cachorrinho perdido agora e eu não quero que você fique sozinha.

- Essa é uma oferta muito generosa, mas não quero te incomodar. Você deveria ir pra casa e aproveitar o resto da sua noite com Luísa...

- Ugh, por que você é sempre tão teimosa? — a atleta sorriu. - Você não me incomoda. Temos um quarto extra e tenho certeza que Luísa iria amar ver você. É só por essa noite, Heloísa.

Pensar em ficar sozinha em um quarto de hotel era, sem dúvidas, menos atraente do que a ideia de passar a noite com Samantha e Luísa. Eu, provavelmente, ficaria louca se ficasse sozinha. A companhia das duas parecia a melhor opção a cada segundo que passava.

- Tem certeza que não vou... — comecei a perguntar, mas ela revirou os olhos divertida. - Tudo bem, se você não se importa. Então eu adoraria não ficar sozinha essa noite, para ser honesta.

- Vamos, então. — a garota de olhos castanhos falou.

- Não precisamos pegar um táxi? — perguntei desconcertada, mas Samantha negou com a cabeça.

– Eu moro do outro lado da rua. — ela riu. - Não gosto de ficar longe da Luísa... caso algo aconteça. Foi por isso que escolhi esse restaurante.

Não pude evitar de lembrar como Samantha era uma ótima mãe. Claro que isso não mudou. As prioridades dela ainda eram as mesmas e eu a admirava por isso. Antes que eu pudesse ir a uma viagem pela estrada da memória, atravessamos a rua e entramos em um dos muitos apartamentos.

Meu coração estava disparado enquanto eu seguia Samantha para o andar de cima. Ainda assim, a minha cabeça estava uma bagunça e tudo estava acontecendo tão rápido que que era difícil processar. De repente, eu já estava na casa de Samantha. O apartamento era grande e definitivamente significava que ela ainda estava fazendo um bom dinheiro com o futebol. Isso não era uma surpresa já que ela era uma das melhores, se não a melhor jogadora no momento.

Inconscientemente, escaneei a sala e ela tinha feito um bom trabalho. Parecia muito mais confortável e acolhedor do que o seu apartamento em Boston.

Mas mal entrei pela porta quando ouvi passos se aproximando rapidamente.

- Panquecas! — Luísa gritou e correu em minha direção como sempre fazia no passado. - Mamãe! Você está de volta! — a pequena garota pulava de alegria e não pude evitar de rir. Alguém estava realmente animada.

Meus olhos levantaram quando percebi uma loira, adolescente, andando atrás de Luísa.

- Sim, estou em casa. — ouvi Samantha atrás de mim, antes de se aproximar da loira. - Acho que não vou precisar de uma babá essa noite.

- Tudo bem. — a adolescente encolheu o ombro com um sorriso.

- Te pagarei mesmo assim e você pode aproveitar sua sexta a noite.

- Não precisa fazer isso. — a babá balançou a cabeça, mas Samantha já estava entregando o dinheiro. - Não é necessário, sério.

- Sim, é. Vá e divirta-se. — a jovem mãe piscou e dessa vez a loira não protestou e ceitou o dinheiro. Fui distraída por alguém puxando meu casaco.

- Lica, você quer assistir um filme comigo? — a voz suave de Luísa perguntou quase timidamente. - Madison e eu já fizemos pipoca.

- Eu adoraria, pequena. — falei e a garota de seis anos já estava sorrindo abertamente.

- Querida, por que você não pega seu filme favorito e nos espera lá? — Samantha interrompeu. Luísa assentiu rapidamente antes de correr. - Você pode ir para o quarto de visitas e relaxar se quiser, não precisa assistir ao filme. Ela entenderá.

- Não, está tudo bem. Acho que será bom ter um pouco de distração. — a assegurei e tirei meu blazer.

- Você quer roupas confortáveis? — a outra morena perguntou quando percebeu minha roupa de negócios. - Quero dizer, você não vai dormir de terno, né? — ela sorriu de lado.

- Não, não vou. E seria ótimo algumas roupas. — admiti.

- Acho que já sei do que você precisa. — Samantha falou misteriosamente e me direcionou ao quarto de visitas onde eu poderia me trocar. Olhei ao redor por um momento antes dela retornar com um sorriso grande, segurando um short de moletom e um grande agasalho do Boston Breakers.

Até que me mostrou a parte de trás do agasalho e meu coração saltou inesperadamente no meu peito. As iniciais "LG10" estavam escritos em letras brancas no agasalho azul. Olhei para os olhos dela por um momento, ela parecia nervosa.

- Mandei fazer isso há um tempo atrás para te dar de presente. — Samantha revelou com uma risadinha. - Mas sempre esqueci de te dar e comecei a usá-lo e então guardei. É muito confortável.

- Então eu fico com ele, já que deveria ser presente? — ri quando peguei as roupas de suas mãos.

- Se você quiser... — as bochechas da mais nova ficaram mais vermelhas. - Mas, na verdade... Eu adoraria continuar com ele, se você não se importar.

Sua voz parecia suave e claramente envergonhada por estar querendo o agasalho. Eu não estava achando que isso tinha a ver comigo, eu estava pensando no motivo de ela estar corando tanto.

- Eu estava brincando. — falei. - Claro que você pode ficar. Já é seu.

- Bom, não por essa noite. — ela limpou a garganta e começou a sair do quarto. — Também vou me trocar, mas te vejo em alguns minutos.

- Ok, obrigada de novo. — a vi dar um pequeno sorriso antes de fechar a porta.

Olhei para o agasalho com minhas iniciais e meu antigo número de uniforme, eu estava surpresa por ela ter guardado por todo esse tempo. "LG10", sussurrei para mim mesma com um pequeno sorriso. A vida que eu tinha como atleta profissional e a vida que eu estava começando a construir agora pareciam completamente diferentes, mas ainda havia um fator comum: Samantha voltando para a minha vida.

[...]

Dois filmes da Disney depois, eu estava sentada no sofá sozinha, já que Samantha tinha carregado Luísa para a cama. A criança acabou dormindo no final do segundo filme. Até agora, eu não tive muita chance de processar o que estava acontecendo. Eu estava no apartamento de Samantha. Ela estava morando em Nova York, assim como eu.

Minha mente continuou voltando para o que eu tinha visto mais cedo. Não conseguia acreditar que tinha pego Emily com outra garota. Era quase irônico como uma pessoa, que tinha me ajudado a superar meus problemas de confiança, estava agora fortalecendo isso. De todas as pessoas no mundo, eu nunca esperei que ela acabasse me traindo.

- Heloísa? — a voz baixa de Samantha me tirou dos meus pensamentos. - Luísa está dormindo e você provavelmente está cansada também. Há algo que você precise?

- Não, estou bem. — respondi enquanto ela sentava ao meu lado no sofá.

- Não achei que Luísa duraria dois filmes seguidos. Não tivemos tempo para conversar. — sorriu timidamente. Ela estava certa. Mesmo que tivéssemos passado algumas horas uma com a outra, mal conversamos.

- O jantar foi cancelado, mas sempre terá o café da manhã. — respondi sorrindo de volta.

- Café da manhã com Panquecas? — Samantha estava sorrindo de orelha a orelha.

- Exato. — ri gentilmente.

- Você ainda tem aquilo? Digo... a tatuagem. — ela perguntou e mordeu o lábio inferior por um segundo.

- Uh sim, tenho sim. — confessei não ter removido.

- Você fez outra nesse meio tempo?

- Não, acho que estou bem assim. — respondi calmamente. Nossos olhares se encontraram por um momento e sentir uma conexão inegável entre nós duas. Mesmo após todo esse tempo que passamos separadas, não havia um pingo de desconforto.

Pela primeira vez na noite, olhei para ela - realmente olhei para ela. - Eu estava tão presa no meu drama e só agora que pensei nisso. A primeira vista, ela pareceu ser a mesma. Porém, vi mudanças sutis em suas expressões faciais que pareciam mais maduras. Claro que ela ainda era jovem, mas estava um pouco mais crescida. A profundeza daqueles castanhos me encarando de volta era a mesma. Eu sabia que a pessoa que eu estive loucamente apaixonada em um momento ainda estava ali.

E eu me assustava muito por estar pensando nisso depois de trocar apenas algumas palavras com ela.

- Eu sei que você disse que não queria me incomodar com seu drama, e não quero me intrometer, mas você está melhor agora?  — a voz sensitiva me tirou dos meus pensamentos.

- Absolutamente. — respondi convicta.

- É... coisa de família? — Samantha perguntou cuidadosamente.

- Não. É uh... coisa de namorada. — relevei também cuidadosamente.

- Oh. — ela falou em um tom que era indecifrável para mim. - Tenho certeza que vocês vão resolver isso.

- Acho que não. Digo, eu não quero resolver. — ri sem vontade.

- Foi tão ruim assim?

- Peguei ela com outra garota na nossa cama, antes de encontrar você no restaurante. — finalmente falei a razão para meu comportamento estranho de antes.

- Sinto muito, Heloísa. — ela soou verdadeira.

- Eu nunca esperei isso dela. Era a Emily. — me senti mais aliviada por falar com Samantha e suspirei fundo. - Estávamos morando juntas há alguns meses e eu não fazia ideia que isso estava acontecendo. Eu provavelmente deveria, porque sempre falam que há sinais, mas eu honestamente não vi.

- Bom, não acho que doeria menos se já tivesse tido uma ideia. Pelo menos eu não tinha quando soube na primeira vez que Felipe me traiu naquela época. — ela compartilhou a sua experiência com uma voz calma.

- Mas você voltou com ele.

- Pensei que ele tinha mudado e eu estava com medo de ficar sozinha com Luísa.

- Não acho que posso voltar. — balancei a cabeça.

- Você tem que saber se você é capaz de perdoá-la e confiar nela novamente. — ela disse diplomaticamente.

- Mesmo se eu pudesse. — respirei fundo. - Eu não quero.

- Essa é provavelmente a raiva falando agora. Leve seu tempo e veja onde as coisas vão. — ela respondeu gentilmente.

- E você? — de repente me ouvir perguntando sem pensar. - Está saindo com alguém?

- Não e não saio com ninguém desde que nós... — Samantha foi a primeira a mencionar nosso passado e trocamos rápidos olhares antes dela continuar falando. - Luísa se apega muito fácil. E não vou mentir, quando terminamos, ela ficou muito triste. Acho que estou mais cuidadosa agora.

- Com o coração da Luísa ou o seu?

Que merda? Eu realmente perguntei isso? Meu coração estava acelerado e ela segurou meu olhar, mordendo o lábio inferior nervosa.

- Provavelmente os dois. — sussurrou e fez meu coração acelerar mais. Engoli em seco, mas tive que desviar meu olhar do dela.

- Talvez eu não devesse ficar aqui. — falei começando a ter dúvidas depois do que Samantha tinha dito sobre Luísa se apegar rápido.

- Não. — ela interferiu rápido. - Não é o que eu quis dizer. Ela está tão feliz por você ter voltado. Desculpa. Não queria te deixar mal. Se eu não achasse que estava tudo bem, eu não teria te convidado para ficar.

- Ok, então eu fico. — sorri.

- A não ser que você esteja planejando mudar de cidade amanhã. — a garota de olhos castanhos brincou.

- Ainda não. Na verdade, estou gostando de morar em Nova York. — falei honestamente.

- É engraçado que acabamos na cidade onde nós... – a voz da Samantha parou bruscamente e eu notei o quão envergonhada ela estava. Os olhos arregalados e bochechas ficando vermelhas. Isso foi fofo.

- Onde nós dormimos juntas pela primeira vez. — finalizei a sentença dela, mas sorri suavemente para que ela não se sentisse ainda mais envergonhada.

- Oh meu Deus, não sei por que falei isso alto. — a mais nova enterrou o rosto nas mãos.

- Acho que foi memorável. — a provoquei, mas senti um travesseiro bater na minha cara no segundo depois que falei. - Ai!

- Para, ou eu vou ter que te lembrar que você foi uma grande idiota naquele dia? — ela comentou e assenti, embora nós duas estivéssemos sorrindo.

- Não vou argumentar com você sobre isso. — não tive problema em admitir que fui mesmo uma idiota.

- Tudo bem, então. — ela sorriu de lado antes de tentar evitar um bocejo. - Vamos, você está cansada e eu deveria ir pra cama também. — não discuti dessa vez e assim nos levantamos. - Meu quarto é do lado do de Luísa, caso você precise de algo.

- Eu ficarei bem. — falei agradecida. - Mas, obrigada de novo por me deixar ficar.

- Não precisa agradecer. — ela respondeu. - Boa noite.

- Boa noite, Samantha. — falei suavemente quando a vi andar em direção ao seu quarto. Ela já estava quase dentro quando minha boca foi mais rápida do que o meu cérebro mais uma vez. - Samantha?

- Sim? — ela se virou.

- Foi memorável. — ela levantou as sobrancelhas e eu quis me bater internamente. - Quero dizer, foi memorável para mim também.

Puta merda, que diabos eu estava falando? Samantha parecia atônita ou apenas confusa. Eu não fazia ideia do que ela estava pensando, para ser honesta. A única coisa que eu sabia era que eu não deveria ter dito isso. Se ela se sentisse mal por eu ter dito algo, eu me sentiria dez vezes pior. O que era que tinha nela que me fazia fazer e falar coisas assim as vezes?

- Eu sei. — ela respondeu de repente e notei um sorriso suave em seus lábios. - Boa noite, Heloísa.

E com isso, ela fechou a porta, me deixando mais confusa do que quando cheguei aqui.

Mas se tem uma coisa que eu tenho certeza nessa vida, é que minha garota fantasia sempre me causará um turbilhão de emoções – não importa quanto tempo passe.


Notas Finais


E aí, o que acharam? Continuo???

Não terá dramas desnecessários aqui, ok? Fiquem tranquilos.

Até sábado!


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