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História Slave - Capítulo 22


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Notas do Autor


AHOY! Estou a ser levemente abandonada por vocês ;-; as leituras estão a cair desgraçosamente. Está algo de errado, algo não vos agrada? :3 Falai comigo gente, somos uma família!
Agora sobe ao palco a nossa nova acompanhante, KYRIA THE LAST ONE.
Kyria é uma das últimas sobreviventes do Clã dos mortos, um clã de mercenários cuja base rondava o vale dos reis.
O clã andava em guerra com um rei que os havia enganado e acabou por ser dizimado pelo exército do soberano.
A sua mãe fugiu com ela e com a sua irmã gêmea, Bahtaya, e refugiou-se numa vila que fora igualmente destruída, desta vez pelo pai de Atem, Faraó daquela época.
A mulher morreu a meio do tumulto, mas as suas crianças fugiram junto de um dos sobreviventes, Bakura, posteriormente rei dos ladrões.

Capítulo 22 - Humilhado e arrombado- Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Slave - Capítulo 22 - Humilhado e arrombado- Capítulo 6

 

 

 

 

 

 

 

-Magestade? – questionou a pequena Ahrin, espionando por detrás da porta, junto do seu irmão.

- Deixem-me entrar antes que os guardas me encontrem, por favor. – implorou, olhando novamente para os becos vazios e silenciosos que os cercavam.

Abrindo passagem, os dois irmãos permitiram que a figura real entrasse na sua casa. Eles não entendiam o porquê da sua visita, uma vez que sempre que precisava de alguma opinião, informação, ou até mesmo companhia, ela ia ter com eles ao jardim ou passeava com as suas aias de confiança. Estranhavam profundamente a falta da sua aia mais confiável que a seguia para tudo quanto era lado, June.

- Minha rainha, está tudo bem? – questionou Ali enquanto sinalizava à sua irmã para que os deixasse sozinhos, tendo um grunhido chateado como resposta.

- Eu não aguento mais viver ao lado dele! Ele é um monstro, um bárbaro, um-

- Hey, explica-me as coisas com calma e de maneira a que eu entenda o que se passou. – pediu o moreno, sinalizando-lhe que se sentasse. -  Do início.

Ali havia-se tornado um confidente desde que Iazu obteve o conhecimento de que ele tinha uma relação próxima com Elizabeth. Desde que fora designada como rainha que ela investigava tudo sobre a ladra escravizada, na tentativa de se aproximar daquele ser trancado que era o seu marido. Com o tempo foi gerando uma amizade com os irmãos, chegando ao ponto onde lhes confidenciava, poupando alguns detalhes à menor, os seus problemas.

Com o tempo, também foi percebendo que o seu marido tratava Ali como um irmão, chamando-o para beber um copo ou algumas caçadas mais informais. Uma amizade que a favorecia positivamente, dando-lhe a possibilidade de poder recorrer ao sucessor de Elizabeth na maestria de jardinagem, cada vez que algo de mal se passasse no seu casamento.

- Ele não é o homem doce e meigo que eu julgava ser! – Respondeu, arfando em pânico.

- Dizei-me o que aconteceu! – resmungou, levemente impaciente.

- Hoje de manhã ele sentenciou uma mulher à morte e degolou-a em pleno salão apenas porque ela foi apanhada a invadir o mercado de escravos para ir buscar a sua cria.

A expressão de Ali caiu de leve com a percepção de que o Faraó estava a voltar a ser o seu antigo eu, mas rapidamente se recompôs quando percebeu que a soberana não havia acabado por ali.

- Ele fez aquilo com tanta normalidade, com um sorriso tal que felicidade emanava do seu rosto. Aquilo que empunhava a espada não era um homem, era um louco! – exclamou. – Ainda na semana passada, numa conferência de guerra, um dos seus generais desrespeitou-o de leve e ele simplesmente o prendeu no chão e-

- E? – questionou Ali, angustiado com as inúmeras possibilidades.

- Ele submeteu-o a uma humilhação horrorosa. – informou. – Ele penetrou-o como se ele não fosse nada! E quando eu lhe pedi que parasse, que era demais até para um general de respeito, ele apenas se virou na minha direção e vociferou “Queres ser a próxima?!”

Uma expressão de confusão atravessou o rosto do moreno e o mesmo explicou:

- Isso é normal no quotidiano Egípcio.

Andando de um lado para o outro, a rainha vociferou:

- Eu não quero saber, nunca presenciei algo tão desumano na minha vida! Eu não aguento mais viver debaixo do mesmo teto daquele homem!

- Ele já te tocou, faltou ao respeito… algo do gênero?

- Não, nunca. Ele sempre foi meigo comigo e insistia que nunca faria nada que eu não quisesse, mas esta nova versão não bate com a imagem que ele me passou quando nos encontramos pela primeira vez! Ele é um homem violento e agressivo, frio e impiedoso, isso sim! – Exclamou. – Como é que a grande mestre das correntes, amada pela sua bondade e determinação em equilibrar a balança, conseguiu aguentá-lo? Em todos os arredores se conhece o amor que eles tinham um pelo outro, se tinha o conhecimento de um deus grego amável, preocupado e amado pelo seu povo. E do nada aparece-me este bárbaro?!

Ali questionou-se da ingenuidade da rainha durante algum tempo, até que se lembrou que ela veio de um reino onde os costumes são diferentes, as tradições questionáveis e a religião baseada no monoteísmo.

- Vossa alteza, no Egipto a submissividade é sinal de fraqueza. Humilhar um homem da maneira que haveis visto o Faraó fazer, é uma maneira de marcar a dominância. Para vós é algo desumano porque vindes de outra cultura, mas para os egípcios é uma humilhação como todas as outras. – Explicou o moreno. – Mas posso-lhe assegurar que é um ato que até o vosso marido deseja abolir. Ele raramente opta por tal coisa, apenas quando cruzam os limites do respeito de uma maneira perigosa. Acredito que o general tenha feito algo muito grave para o Faraó sentir uma ameaça ao seu poder.

- Mas eu não fiz nada para ele me responder daquela maneira quando o tentei parar!

- Ele estava de mau humor, e alguém questionar os atos de um rei não é algo muito agradável de se fazer, especialmente os atos do nosso Faraó. – explicou. – Ele não devia ter usado aquelas palavras, nem mesmo no pico da raiva, mas tal como todos os humanos, ele não é perfeito. Ele é mal humorado e impulsivo.

- É um bárbaro, isso sim! Tu não viste a maneira como ele matou aquele homem. – exclamou. – Ele tortura prisioneiros de guerra como se fosse a coisa mais maravilhosa da vida dele! Rancor algum justifica atos tão desumanos.

Um silêncio pairou sobre o cômodo enquanto Ali aguardava, pacientemente, que a soberana se acalmasse.

- Eu tenho medo do que ele me possa fazer quando eu me recusar a dar-lhe um herdeiro, ou recusar-lhe qualquer coisa que seja! – Soluçou a rainha enquanto tremia de medo a cada lembrança tenebrosa que tinha com o Faraó. – E se, e se ele me mata quando souber que-

- Acalma-te mulher! Ele não faz nada a quem não lhe faça nada. – Gritou-lhe Ali, rodando de tantas possibilidades que a morena cuspia. – Esse É o real Faraó de que tanto te falam! O mundo real não é um conto de fadas que te contam antes de ires dormir! Se querias um príncipe encantado como teu marido podes tirar os camelos da areia.

Iasu encolheu-se como o tom de voz que ele usou para a repreender. Raramente via o seu amigo assim, ele era conhecido por ter uma enorme preguiça, até mesmo para se dar ao trabalho de se chatear com alguém.

- Ele não era assim para ela. – resmungou a morena, cruzando os seus braços sobre o peito.

- Porque tantos ciúmes de um homem? Achei que preferisses as mulheres. – questionou o moreno, levemente confuso.

- Desde que cheguei a este país que sou considerada uma Elizabeth II! Sabes quantas vezes ele me chamou de Eli só porque eu estava na porcaria do jardim atrás daquele estúpido dragão? – questionou Iazu. – Eu não tenho nada a ver com ela nem nunca terei! Eu sou Iazu, primeira de meu nome e rainha do grandioso Egito, não uma substituta! É pedir demais desejar por um lugar que seja meu para ocupar?! Porque é que ele não pode ser para mim como era para ela? SOU EU A MULHER DELE!

- Achas que ele sempre foi assim desde o início? – questionou Ali, tentando acalmar a raiva da sua rainha. – Pelo amor de Rá ele queria decapitá-la!

Iazu sessou o seu ataque de fúria e encarou o ser à sua frente. A informação que ele lhe atirou para os braços não fazia sentido, mas ele não estava com cara de quem lhe mentia. Ela estava lá quando o Faraó interrompeu a purificação da amaldiçoada de Rá, quase que espancou todos os responsáveis enquanto eram levados em cativeiro e levou a albina nos seus braços cheio de pavor da sua morte. Aquele homem que ela viu pular num castigo brutal para salvar a sua amada moribunda não era nem de perto o homem com quem ela casou.

- Ele foi mais desumano com ela do que foi algum dia para ti! Ela era obrigada a presenciar todos os atos violentos a que ele submetia os seus prisioneiros. Tinha as suas vontades cortadas pelas correntes presas ao seu pescoço e pulsos. Teve a sua vida ameaçada quando desafiou o seu julgamento. – afirmou o moreno enquanto lágrimas escorriam dos seus olhos. Falar daquela que ele considerou sua irmã não era algo fácil na vida dele. – Mas ela viu a bondade e a docilidade que ele tinha quando foi chamada pela Rainha mãe numa das visitas do Faraó aos seus aposentos e determinou-se a mostrar-lhe as suas verdadeiras cores. A única coisa que a salvou do seu mau humor e “desumanidade” foi a sua paciência.

Iazu prendeu a sua respiração e virou o rosto para longe do alcance do moreno. Ela recusava-se a acreditar que o seu marido se arrependia dos seus atos, o sorriso estampado no seu rosto era a prova.

- Ele mudou muito. Posso te garantir que antigamente tudo o que ele respeitava era a sua mãe. – concluiu Ali com um bocejo. – Ele apenas está de mau humor e precisa de algo onde descarregar a sua raiva. Por mais calmo que ele seja, o orgulho inunda o seu corpo.

- Hum. – murmurou Iazu, não muito segura do que dizer a seguir.

- Leva as coisas com calma, basta seres sincera com ele e confidenciar-lhe o que te chateia.

- E digo-lhe o quê? “Olha sê menos troglodita e aceita que sou tua mulher!” ? – questionou a rainha, abanando os seus braços.

- Não consegues sequer ser sincera para ti mesma? Pelo amor de Rá, tu nem gostas de homens! Porque raio te haverias de interessar se ele te ama ou não? – argumentou Ruth. – Se queres ocupar o teu próprio lugar no palácio e no reino como Iazu, a primeira rainha, ao invés de uma Elizabeth II, falares com ele é a primeira coisa que deves fazer.

Iazu torceu o nariz e o assunto por ali ficou. Passou algumas horas com os dois irmãos e juntos foram para o palácio, mesmo que o moreno tenha discutido com ela por insistir em usar o maldito capuz negro que lhes deu grandes problemas para entrar no palácio.

- Não podemos deixar-vos entrar a não ser que vos reveleis. – informou um dos guardas que guardavam os portões do palácio, apontando-lhe a sua espada.

- Eu disse-te para deixares essa estúpida coisa em casa. – resmungou Ali, fuzilando a morena com o olhar.

- Ninguém me obriga a nada! – exclamou cheia de orgulho. – Agora saia do caminho antes que eu pegue nessa espada e a enfie onde o sol não brilha! Não estou de bom humor e ordeno que saia da minha frente.

Ali olhou para a rainha, perplexo com tanta agressividade. Nunca na sua vida havia visto uma soberana falar com língua tão afiada.

~|º.º.º|~

 

Por entre as sombras dos corredores desertos, Pablo e Ruth foram avançando cautelosa e silenciosamente, sinalizando, uma vez ou outra, quantos seriam os guardas no caminho.

- Entrar já entrámos, mas e agora? – Sussurrou Pablo, espreitando pela esquina da curva onde se escondiam. – Não me lembro de eles terem apertado assim tanto o cerco.

- Eu estou mais surpreso é terem reforçado a guarda tão cedo. Não passou nem um dia.

- Tiph sempre foi o filho mais impulsivo, acredito que isto seja mais exibicionismo do que outra coisa. – Comentou o ladrão.

Driblando mais alguns guardas e cruzando outros corredores, Ruth apercebeu-se de que algo não estava bem. Estava fácil demais para um palácio tão bem guardado.

- Ele é imprevisível de mais. Isto está demasiado fácil. – confinou o mercenário, olhando freneticamente pelas janelas.

- Também reparei.

~|º.º.º|~

Nervosismo engolia o corpo de Elizabeth à medida que avançava na direção indicada por Pahubo, o quarto de Kyria.

Quando chegou frente a frente com a entrada, decidiu espreitar pela beirada da porta. Sobre a luz de uma tocha, a ruiva dançava um punhal por entre as suas mãos. O punho era de ouro com uma espécie de couro negro para confortar a mão, na ponta do punho havia uma pedra bastante bem polida, presa entre as duas pontas de uma espécie de lua, quartzo de cristal, uma pedra de um branco transparente. Algo naquela arma lhe parecia familiar, porém ela não conseguia afirmar o quê.

Enquanto se esforçava para encontrar o que lhe causava tanta nostalgia, acabou por se esquecer que se tentava fazer passar despercebida:

- Lembras-te? – murmurou a morena, permanecendo o seu olhar na arma. – Este punhal era o teu tesouro. Nunca a largavas, fosse qual fosse a necessidade.

Vendo que fora descoberta, Elizabeth entrou no quarto e sentou-se no chão, ao lado da ruiva.

- Ela é-me familiar, mas não sei ao certo o que a faz tão nostálgica. – murmurou em resposta.

Passando-lhe o objeto para as mãos, Kyria respondeu:

- São as memórias que te estão a fazer tão nostálgica.

Da fivela de couro preto que tinha à cintura retirou outro punhal parecido, mas em vez do quartzo branco, um quartzo vermelho descansava no punho, na parte central do ouro.

- Foi a Bahtahya quem as fez. Deu-nos uma a cada uma de maneira a destacar o nosso vínculo no meio da família. – Continuou, manuseando a sua adaga entre os seus dedos.

-Foi aqui, foi neste quarto. – murmurou Elizabeth, tentando entender o conteúdo das suas memórias desfocadas.

- Foi no teu aniversário. – anunciou. – 25 de maio.

“- Feliz aniversário, Elizabeth! – anunciou Bahtaya, escancarando as cortinas que tapavam a entrada do pequeno e simples edifício. – Já são 19 os que te aturo.

- Ah, até parece que não gostas. – gargalhou Elizabeth, abanando o cabelo a modo de demonstrar o seu orgulho inabalável.

- Como se alguém gostasse. – respondeu Kyria, rolando os seus obres castanho amendoado de maneira divertida. – Eu só ando contigo para poder fazer festinhas nesta coisa boa. – a sua mão desceu sobre o corpo pequeno de Slyfer à medida que o mesmo atirava a sua cabeça para trás, pedindo-lhe que lhe coçasse o pescoço.

Pulando em cima da sua “irmã”, a albina começou a fazer-lhe um ataque de cócegas enquanto reclamava.

- Interesseira!

Batendo a sua palma direita contra a tua testa pela imaturidade das suas parceiras, Bahtaya não se deu conta que Slyfer se esgueirava por detrás da sua figura, roubando-lhe os objetos que ela escondia atrás das costas.

-Hey! – reclamou. – Isso não é teu! Vem cá seu ladrãozito!

Vendo o seu dragão correr na sua direção a toda a velocidade, Elizabeth largou Kyria e agachou-se.

- Aqui Slyfer! Aqui, aqui, aqui. – repetiu, enquanto via o corpo comprido da pequena criatura ondular como uma centopeia, à medida que acelerava para se desviar da figura irritada de Bahtaya.

Mal pousou os dois objetos em ambas as mãos da albina, Slyfer trepou pelo seu braço e não demorou para se esconder entre os seus fios de cabelo, deixando o seu fucinho à mostra enquanto soltava uma espécia de riso perante a cara da sua perseguidora.

- Duas… adagas? – questionou-se Elizabeth, desembainhando as duas armas.

- Sim, eu e a Kyria decidimos que mesmo que eu e ela sejamos irmãs gêmeas de sangue, tu podes sempre ser nossa irmã, basta que tenhamos algo que comprove o nosso vínculo. – murmurou Bahtaya, tentando recuperar o fôlego. – Como o nosso pai era ferreiro, decidimos criar uma adaga para cada uma. – finalizou, retirando uma adaga da bainha, exibindo a pedra de quartzo verde transparente que a destacava das outras duas.

- Acredito que essa seja a tua, floco de neve. – brincou Kyria enquanto apontava para a adaga com o cristal branco.

-Ah! Que piada.  Deixa que esse vermelho representa-te bem oh bêbeda.

-Duas canecas não fazem mal a ninguém.

- Duas são as que tu contas, agora o resto?

-Vai dar o cú.”                                                                                                                    

 

*#Fim do Capítulo 6#*


Notas Finais


Oh não! E agora?
Será que o Faraó voltou a ser o que era, ou Iazu está apenas a exagerar? O medo que ela tem pode ser compreensível pois, mesmo que a homossexualidade fosse normal no antigo Egito, aquele era o Faraó, um ser frio e intolerável.
Será que Ruth e Pablo não vão ser apanhados? Eles foram sem um plano ou ajuda.
Tudo será respondido no próximo Capítulo!
Não se esqueçam de comentar e/ou favoritar se gostaram!
Beijos de magia e tchau!


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