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História Sleeping at last - Capítulo 2


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Notas do Autor


Dedico esse capítulo assim como toda a fanfic ao meu raio de sol Karol. (Eu não esqueci de vc, lindinha)
Desculpem-me se deixei de responder alguns comentários no capítulo anterior, eu não estou tão motivada a falar ultimamente. Mas continuem comentando porque eu leio tudo e fico muito feliz. Enfim, relevem os erros de ortografia pq meu notebook não quer me mostrar as palavras erradas e eu não mais possuo a minha querida revisadora.
Boa leitura!
Ps: lavem as mãos e bebam água!

Capítulo 2 - Atlas: two


Paola acordou com alguém cutucando seu ombro. Ela abriu os olhos, mas recusou se mover. A mulher sempre odiou o paralelo entre dormir e acordar. Ela preferia fingir que o mundo não existia por mais alguns momentos. Mais cedo do que ela gostaria, a consciência retornou e ela percebeu que não estava em sua cama. Na verdade, a chef estava sentada numa poltrona macia e seu pescoço doía.

- Acorda, acorda. - Ouviu Francesca, a voz da garotinha vindo de muito longe até chegar em seus ouvidos.

Ela sentiu frio lembrando da noite anterior na qual passou bebendo vinho no jardim, embora estivesse quente em seu quarto. O calor, é claro, irradiava do corpo em que Paola se inclinava para abraçar, ou seja, o de sua filha.

Jason havia viajado no dia anterior. As lembranças da noite passada atingiram Paola de uma só vez. Ela se lembrou de como o líquido descia pela sua garganta e como as memórias invadiam sua cabeça como raios de sol invadindo o seu quarto. Era tudo tão dramático e infeliz. Ela também se lembrou do vômito que veio após a segunda garrafa de vinho branco. Ah, merda! Como sua cabeça doía. A chef finalmente levantou a cabeça, já sabendo com quem estava prestes a enfrentar.

- Bom dia, mama! - Sussurrou a menina de cabelos loiros com um pequeno sorriso tímido em seus lábios, uma mão ainda no ombro da mãe, o outro braço em volta da cintura.

A posição estava desconfortável, a dor no pescoço estava insuportável, mas ao ver sua filha feliz fez com que Paola abrisse um sorriso terno.

- Bom dia, meu bem! - Sussurrou no mesmo tom de Francesca.

- Panquecas antes da escola? - A loirinha entrelaçou as mãos uma na outra, fazendo uma cara de cachorro pidão. Era o tipo de expressão que fazia o coração de Paola aquecer e derreter.

- Panquecas antes da escola. - A afirmação chegou num tom eufórico arrancando risadas da menina.

De aventais e mãos lavadas, mãe e filha estavam na cozinha, fazendo estripulias e panquecas para o café da manhã. Paola prezava pela boa relação com sua filha. Elas passavam pouco tempo juntas por conta do trabalho, então a cozinheira fazia questão de fazer cada segundo valer a pena ao lado de sua filha. A chef sempre se questionava sobre o que sentia por Jason, mas ela nunca negaria que Francesca foi a melhor coisa que ele havia lhe dado.

Após deixar Fran na escola, o caminho de Paola era para o tão sonhado estúdio da Band. Borboletas batiam asas em seu estômago, as mãos suando em excitação. Não seria nada fácil, porém ela já estava acostumada com coisas complexas porque sua vida era complexa.

Dentro do carro, Paola estava em transe pelos seus próprios pensamentos. Ela sempre gostou de ter tudo organizado. Família, trabalho, vida pessoal - sempre sabia o que esperar. Ela estava preparada para quase tudo. Mas então sua mente viajou para o dia que seu mundo desmoronou quando olhou pela primeira vez nos olhos do homem de seus pesadelos.

A chef simplesmente não estava preparada.

Ela não estava preparada para o sorriso dele, para a sua gentileza, sua honestidade, sua voz rouca.

Apaixonar-se por ele era tão fácil. Era a coisa mais natural a se fazer. O sol estava brilhando e ela estava apaixonada. E por um breve momento egoísta, ela se permitiu sonhar. Mas não demorou muito para perceber que ela estava errada. Que suas esperanças eram apenas sonhos infantis e impossíveis. Apaixonar-se por ele foi um erro.

Após fechar o Júlia, ela dedicou toda a atenção ao seu novo projeto de trabalho. Era mais fácil assim e depois de algum tempo, Paola conseguiu se convencer de que ele não significava nada para ela.

O tempo estava passando rápido e a cozinheira aceitou o pensamento de que não o veria novamente. Ela estava errada.

E novamente, ela não estava preparada.

Ela estacionou o carro em um lugar qualquer e se dirigiu para dentro dos estúdios bandeirantes. Quando ouviu passos, não sabia quem era, pois estava andando rápido, focando o olhar em seus saltos. Seus olhos se encheram de lágrimas, os flashs das passagens de tempo rolavam em sua mente, a sensação era insuportável.

2010, França

Eles estavam na França em um de seus dias de folga. Caminhando pelas ruas mais conhecidas de Paris, os dois viram o concerto que estava no local tocando a música favorita dela. De repente, ele parou e estendeu a mão para ela, sorrindo docemente.

- Dance comigo, amor.

A mulher riu, mas agradeceu. E foi assim que eles acabaram dançando lentamente ao som de Lana Del Rey, enquanto o cheiro de fumaça do cigarro e baunilha da colônia dele se misturava no ar ao seu redor.

Você ainda irá me amar

Quando eu não for mais jovem e bonita?

Você ainda irá me amar

Quando eu não tiver nada além de uma alma dolorosa?

Eu sei que você irá, eu sei que você irá

Eu sei que você irá

A música soava doce e calma. Estar ali com ele era um paraíso.

A chef percebeu que não havia mais ninguém no mundo com quem ela preferiria estar, a qualquer momento, do que ele. Ele era gentil, doce, atencioso, corajoso e tão, tão bonito.

Ela estava se apaixonando, e de alguma forma, ela não se importava.

- Eu irei te amar quando você não for mais jovem e bonita. - Sussurrou baixinho no ouvido dela.

           Dias atuais

Se desvencilhou de seu transe quando sentiu uma forte dor de cabeça por ter batido com a cabeça na testa de alguém. E esse alguém era ninguém menos que Henrique Fogaça.

- Desculpe, desculpe. - A mulher se lamentou e olhou fixamente para ele. Aqueles olhos escuros era uma espécie de gatilho no qual ela temia cair. Os dois se encarando silenciosamente estava gerando um incômodo visível para ambos.

- Você precisa de uma bolsa de gelo ou algo assim? Isso vai parecer ruim daqui a alguns minutos. Como inchado ruim. - Eles ouviram uma voz distante e olharam para trás automaticamente. Uma mulher baixa, bonita e risonha cruzou o caminho dos dois.

Ela se aproximou o suficiente do homem machucado, sorrindo brevemente para Paola. A mulher cutucou o rosto do chef, fazendo Fogaça recuar com um assobio.

- É apenas um machucado que você possui diversas vezes quando é criança. - Deu de ombros. - A propósito, eu sou o Henrique, e você provavelmente é Ana Paula padrão, certo?

- Sim. Parece que a coletiva de impressa já fez o digníssimo papel de me apresentar a você. - Brincou. Ela percebeu que o hematoma estava inchando, virando uma cor escura desagradável. - Você tem certeza de que seu machucado não dói?

- Já sofri machucados piores. - Ele sorriu. Paola parecia não existir naquele momento, ela agradeceu por isso já que não sabia o que poderia dizer para aquele homem.

- Paola Carosella, não é? - Os momentos confortáveis de Paola haviam acabado.

- Ah, sim? - Sorriu forçadamente tentado ao máximo ser gentil. O ar estava ficando abafado, o chão parecia desmoronar sob seus pés. Ela olhou para os dedos para mascarar sua feição envergonhada.

Ana Paula estendeu a mão para que Paola a cumprimentasse. As mãos foram tocadas por um segundo, sendo separadas com um sorriso caloroso vindo de Ana e um sorriso tímido vindo de Paola.

- Vamos para a reunião com o diretor do programa, ele já nos espera.

Assentindo, os dois seguiram silenciosamente a pequena mulher tagarela. No instante em que seus olhos se conectaram, o mundo ao seu redor desapareceu. Tudo o que ele estava sentindo se refletia nos olhos dela. Eles eram brilhantes, suas pupilas bem abertas, suas pálpebras tremulando levemente. Mas havia algo, algo que ela não conseguia ler. Era quase um desespero silencioso, uma escuridão insondável que Paola nunca tinha visto lá antes, uma que ela nunca quis ver.

O olhar durou um segundo, mas isso não importava. Paola, naquele momento, estava queimando com olhar dele em sua mente. Isso sempre acontecia com ela; desde que começou a tomar consciência que durante os primeiros meses eles trabalhariam juntos. A mulher ficava em um claro desconforto ao lembra disso. Ela se questionou se poderia aguentar o tempo necessário de gravação do programa ao lado do homem de seu passado. Iria doer vê-lo todos os dias, iria doer lembrar de tudo, mas nada poderia doer mais do que saber que ele não lembrava de nada.

O dia já havia começado difícil para Paola, ela já deveria se acostumar já que isso se tornaria sua rotina diária.


Notas Finais


"Will you still love me when I'm no longer young and beautiful?"
https://youtu.be/uXCh2teS-y8


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