História Sleepwalking - Capítulo 9


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
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Palavras 2.582
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Drogas
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Por baixo do Baú


Fanfic / Fanfiction Sleepwalking - Capítulo 9 - Por baixo do Baú

Amélia Blook

   
Emilly acabou cedendo e comendo o que tinha na panela, talvez pudéssemos convencer os garotos a fazer umas compras quando voltassem do trabalho, ou na melhor das hipóteses voltaríamos para casa antes de precisarmos fazer a próxima refeição. 
   Não tínhamos muitas opções do que fazer naquela casa, os meninos encheriam o saco se algo estivesse fora do lugar, principalmente o Léo. 
   - Acho que podemos fazer uma faxina. - Emy sugeriu se sentando no braço do sofá. 
   - Faxina? Sério? Quer dizer, nós não fazemos isso nem em casa... 
   - Ficar parada está me deixando ansiosa. - Ela me olhou e pressionou os lábios. - Se fizermos isso já vamos nos livrar de uma possível rinite no meio da noite. 
   - Sei, pode ser. 
   - Além disso, é um jeito de fuçarmos nas coisas com uma boa desculpa. - Vi um sorriso malicioso em seu rosto.
   - Ahá! Sabia que tinha um motivo enrustido nisso. - Me levantei do sofá e comecei a andar me arrastando pela casa. - Onde ficam as coisas? Você viu alguma vassoura perdida por ai? 
   - Não, mas deve ficar no banheiro, ou no quintal né? 
   Emilly foi até o banheiro e voltou de mãos abanando, seguimos para o lado de fora da casa e encontramos baldes, panos, uma vassoura e algo que parecia sabão. 
   - Não tem desinfetante? - Ela perguntou, fuçando nos armários. 
   - Não faço a menor ideia... Usa o sabão, isso é sabão né? - Peguei a caixa nas mãos e tentei ler alguma coisa, não consegui entender nada, então abri a caixa. - Hum, parece sabão em pó sim. 
   - Vai fazer muita espuma. 
   - Mas só temos isso, colocamos só um pouquinho... - Respondi com um sorrisinho e chacoalhei a caixa. 
   - Seja o que Deus quiser!  - Emy pegou a caixa e despejou um pouquinho do pó dentro do balde, foi até o tanque e colocou mais da metade dele de água. - Mel, acho que vamos acabar fazendo bagunça... 
   - Se sair do controle damos conta de arrumar antes deles voltarem, está cedo mesmo. - Imitei o que ela havia feito com o balde e depois de encher, deixei no chão. 
   - Tá bom. - Ela concordou e levou o balde para a sala. - Eu fico com a parte de baixo, pode ser? 
   - Por que eu sinto que fiquei com a parte maior? - Perguntei enquanto levava o balde cheio atrás dela. 
   - Quer trocar? - Ela olhou pra mim e balancei a cabeça negativamente. Tinha algo no quarto do Léo que havia me deixado intrigada, seria ótimo dar uma olhada. - Então não reclama né. 
   - Estou sem academia nesse fim de mundo, então assim consigo me exercitar um pouco. - Ergui o balde e fui subindo as escadas. - Como a gente faz? Esfrega com uma vassoura e depois passa um pano com água? - Deixei o balde no andar de cima e desci para buscar a vassoura, o rodo e o pano. 
   - É, acho que assim funcionaria bem... Mas acho que vou passar um pano com a água de sabão e depois outro só com água, mas pode fazer como preferir! 
   Só havia uma vassoura, mas por sorte três rodos, peguei quatro panos e fui levando para a sala, andando igual a um pinguim com as coisas empilhadas.
   - Aqui Emy. - Deixei um rodo e dois panos encostados na parede que dava para as escadas. 
   - Obrigada! - Ela pegou o pano e molhou no balde, enquanto eu fui para o andar de cima. 
   Haviam 10 portas naquele corredor, ia começar de trás pra frente. Deixei o balde no meio do corredor, molhei a vassoura e fui até a décima porta, girei a maçaneta mas estava trancada. 
   - Ué?! - Franzi a testa e tentei a nona porta, girei a maçaneta mas também estava trancada. - Assim vai ficar mais fácil. - Dei de ombros e fui para o oitavo quarto, esse eu sabia que estaria aberto. Era o quarto da Kristen, onde Emilly e eu estávamos dormindo, abri a porta e vi que as camas ainda estavam bagunçadas. Levantei o colchão do chão e o deixei de lado, na frente da parede, dobrei as cobertas e deixei por cima da cama. Tirei os sapatos do chão, olhei para os meus pés e fiz careta ao perceber que estavam pretos. - Agora já foi né. - Dei de ombros e deixei eles de lado. 
   Comecei a esfregar o chão, cantarolando uma música da Britney Spears. O chão não estava tão sujo a ponto de ser lavado, um pano já resolveria, mas continuei a esfregar. Acabei esbarrando em uma escultura que estava em cima da cômoda, arregalei os olhos e me virei pra trás quando ouvi o barulho do objeto ao cair no chão. 
   - Ui, que merda. - Deixei a vassoura de lado e me abaixei para pegar do chão. - O que é esse negócio? - Ergui uma sobrancelha analisando, havia se partido em duas partes, era algo similar a uma bailarina. - Ainda bem que ela está sumida. - Limpei a estátua na blusa, abri a primeira gaveta da cômoda e guardei ali dentro. Reparei que haviam algumas fotografias, alguns cadernos, talvez fossem diários. Peguei uma das fotografias na mão e vi o Adrian junto de uma garota e mais um homem, eles até que tinham alguma semelhança, me perguntei se eram irmãos, mas acabei guardando a foto e optando por não fuxicar tanto naquele momento, ainda tinha muita coisa para fazer. 
   Abri a janela e sai pelo corredor com a vassoura, deixando-a encostada na parede e pegando o pano, fui até o banheiro, molhei e torci. Voltei ao quarto e passei com cuidado, removendo o sabão e deixando o chão brilhando. 
   - Hum, deu certo então. - Sorri satisfeita e encostei a porta do quarto de Kristen, peguei a vassoura, molhei no balde e fui para o sétimo. Girei a maçaneta e a porta se abriu. 
   O quarto estava escuro, acendi a luz e vi a bagunça. Cama desarrumada, roupas espalhadas pelo chão e papéis amassados fora da latinha de lixo. Uma das paredes era preta, haviam desenhos e símbolos espalhados por ela. Cheguei mais perto para observar, pareciam ter sido feitos por pessoas diferentes, alguns traços eram mais finos, outros mais curvos.
   - Interessante, de quem será esse quarto peculiar?! - Me perguntei e deixei a vassoura de lado. Comecei a arrumação pela cama, dobrando as cobertas e alinhando o lençol. Abri as janelas e retirei as roupas do chão, imaginei que estivessem todas sujas, então deixei pra fora do quarto. Joguei as bolinhas de papel amassadas no lixo e comecei a esfregar o chão, não demorei tanto para limpar, logo passei o pano úmido para tirar o sabão, apaguei a luz e encostei a porta, me dirigindo para o próximo quarto. 
   Cada quarto tinha sua peculiaridade, no sexto quarto encontrei paredes claras, pesos de musculação, um guarda-roupa pequeno e uma beliche.  Não tinha muita coisa espalhada, apenas os pesos e a cama que também estava desarrumada. Terminei de limpar e arrumar rapidamente, fui para o próximo quarto e segui a mesma ordem de arrumação e limpeza até que cheguei ao terceiro quarto.
    Depois de dobrar as cobertas, tentei abrir a janela que estava enganchada, desisti. O quarto tinha um tom claro, a cama estava arrumada, não havia bagunça espalhada, mas o que me intrigava desde o dia anterior era baú que estava em cima de uma portinha no chão. Me abaixei e arrastei o baú, tentei abrir a porta mas estava trancada. 
   - O que esse garoto esconde ai? - Puxei o baú de volta para o seu lugar e busquei a vassoura para esfregar o quarto. - EMY??? TÁ ACABANDO AI? - Perguntei, já querendo mostrar pra ela o alçapão no meio do quarto. 
   - ESTOU TERMINANDO, POR QUE?
   - PRECISO DE VOCÊ UM MINUTO, CORRE AQUI!!! - Cruzei os braços e puxei o baú para o lado novamente. - Se eu vou ficar curiosa, ela também vai. - Falei para mim mesma e fiquei esperando até que ela subisse. 
   Emy chegou ao quarto ofegante, olhou pra mim e respirou fundo. 
   - Fala?! - Seus olhos encontraram com o alçapão antes que eu respondesse, ela ergueu as sobrancelhas e abriu a boca. - Uou, o que tem ai? 
   - Não sei, está trancado! - Respondi e me agachei para tentar abrir de novo. 
   - Eita, de quem é esse quarto? - Ela se aproximou para ver melhor. 
   - Bom, ontem vi o Léo aqui... Acredito que seja dele. - Olhei de canto pra ela. - Mas ele estava escondendo a porta, colocou o baú por cima pra esconder. 
   - E você estava bisbilhotando por que? 
   - Eu só estava passando e acabei vendo sem querer. - Fiz cara de inocente e ela riu. 
   - É melhor deixar como estava, você não encontrou nenhuma chave? 
   - Não, será que ele deixa em alguma das gavetas? - Dei um meio sorriso e me levantei para procurar, fui até o guarda-roupa e abri as portas. - Me ajuda Emy! 
   - Acho melhor a gente não mexer ai, vai que ele guarda o corpo das vítimas, ai descobre que estamos mexendo e seremos as próximas. - Ela se aproximou do guarda-roupa rindo, mas ao ouvir aquilo senti um calafrio. 
   - Credo! Eu sei que ele tem bem cara de maniaco, mas não fala isso. Estamos na casa dele, vai que é um louco, melhor sabermos logo pra nos mandarmos daqui. - Respondi e continuei me enfiando no guarda-roupa, olhando de cima a baixo, procurando por alguma chave. - Nada. Será que ele leva com ele? Seria mais inteligente né? 
   - Sei lá, Mel. - Emy se abaixou para procurar nas gavetas.
   Neste momento ouvimos a porta se abrindo no andar de baixo, arregalei os olhos e corri para colocar o baú de volta no lugar. Emy fechou a gaveta e as portas do guarda-roupa, olhou pra mim e saiu rápido do quarto. 
   - CHEGAMOS! - Ethan anunciou. 
  Peguei a vassoura, molhei no balde e fui esfregar o chão, torcendo para que o Léo não subisse até eu terminar e sair dali. Esfreguei bem mais ou menos, passei o pano molhado, apaguei a luz, encostei a porta e sai dali. 
   Respirei aliviada quando passei para o quinto quarto, acendi a luz e vi que não estava zoneado. A cama estava arrumada, não haviam roupas espalhadas. Era só esfregar, passar pano e sair. Abri as janelas e ouvi passos atrás de mim. 
   - Nossa, não precisavam fazer isso. - Ethan estava parado atrás de mim, me virei pra ele tentando não parecer culpada. 
   - Estávamos entediadas e vocês... Acolheram a gente né? Veja isso como um agradecimento. - Sorri contendo o nervoso. 
   Ethan assentiu com um sorriso no rosto. Ele não era o tipo de pessoa que eu imaginaria escondendo alguma coisa terrível, se o Léo fazia algo de errado os meninos não deviam saber, Ethan parecia tão simpático ou será que era só faxada e na verdade ele era um psicopata também? 
   - O que foi? - Ele franziu a testa pra mim. Acho que o encarei por tempo demais. 
   - Nada! Acho que cansei... - Ri sem graça e cocei o queixo.  
  Ethan balançou a cabeça negativamente, deu uma batidinha na porta e saiu. - Vê se termina logo, o Léo odeia invasão de privacidade. 
   Léo odiava a invasão de privacidade ou não queria que ninguém descobrisse seus esquemas malignos? De qualquer forma, tentei ser o mais rápida que conseguia, quando finalmente terminei senti um alivio instantâneo. 
   Apaguei a luz, encostei a porta e fui para a frente da sétima porta para recolher as roupas sujas que havia deixado lá. Vi a quarta porta aberta e Adrian largado na cama. 
   - Ei Mellanie, não precisava ter arrumado meu quarto, deixasse bagunçado que eu me virava. - Ele sorriu e fez um joia pra mim. - Mas obrigado!
   - É Amélia! - Esclareci meu nome e estralei os dedos. - Ótimo, a casa de vocês é bem grande, cansei.  
   - Por isso a Kristen colocava todo mundo pra ajudar. - Ele riu olhando para o teto. 
   - A Kristen é sua irmã? - Acabei entrando no quarto e Adrian assentiu me olhando. 
   - Quem te contou? - Sua testa franziu.
   - Ninguém... - Não queria dizer que estava fuçando nas coisas dela, seria indelicado.  
   - Somos gêmeos, mas ela sempre foi mais próxima do Luke. 
   - O Luke também é seu irmão? - Me lembrei do garoto mais alto na foto. 
   - Sim, é o mais velho. 
   - E o Léo? - Perguntei curiosa. 
   - Não, o Léo não tem nada a ver. Tipo, somos família por criação. 
   - Ah entendi. 
   - Por que? - Adrian se sentou na cama e continuou me olhando. 
   - Nada, Thomas me disse que nem todos eram parentes de sangue, fiquei curiosa. - Dei de ombros como se fosse indiferente. - Vou descer, tenho que levar as coisas lá pra fora! 
   - Beleza. - Adrian se deitou de novo e eu sai do quarto. 
   Recolhi as roupas sujas e deixei na ponta da escada. Não conseguiria descer com tudo, precisaria fazer duas viagens. Coloquei o pano dentro do balde, peguei o rodo e desci com os dois. 
   - Tá tão trabalhadora essa menina! - Emy falou rindo. Estava sentada no sofá ao lado do Thomas e do Léo. 
   - Não fuçou em nada? - Léo perguntou rispidamente. 
   - Só limpei as coisas, não fiquei fuxicando. - Respondi parecendo ofendida e fui levar as coisas para o quintal. 
   Thomas estava dormindo no sofá ou havia sido impressão minha? Será que ele havia ficado o dia inteiro com sono? Bom, a culpa não havia sido minha. Só tomei uma hora de sono dele. 
   Deixei o balde e o rodo perto do tanque e voltei para a sala. Emilly e Léo estavam conversando, fiquei me perguntando se ela estava maluca de conversar com um psicopata ou se eu estava sendo muito paranoica. Esperava do fundo do coração que fosse a segunda opção. 
   Subi as escadas, peguei a vassoura e as roupas do chão, desci novamente e Léo estreitou os olhos pra mim. 
   - Vai lavar nossas roupas também? - Ele perguntou. 
   - São suas? - Ergui as sobrancelhas, as roupas estavam num quarto diferente do dele. 
   - Não. 
   "Então por que está reclamando?" Me perguntei e o ignorei, seguindo pra cozinha. Minha vontade era largar as roupas no tanque, mas também não queria voltar para a sala e conversar com eles. Separei as roupas, eram três camisetas e uma calça. Lavei, enxaguei, torci e procurei o varal para pendurar. 
   - Estou uma verdadeira dona de casa. Se eu contasse para a minha mãe ela não acreditaria! 
  Pendurei as roupas e voltei para dentro de casa, quando cheguei na sala o Léo já tinha subido para os quartos. 
   - Que cara chato. - Falei baixinho para a Emy.
   - Ah, acho que ele só é quieto. 
   - Sério? Você não acha que tem alguma coisa errada com ele? 
   - Não, você sabe que eu falei que ele podia esconder corpos lá dentro, brincando né? - Ela riu e apontou para o Thomas. - Você viu isso? 
   Thomas estava dormindo sentado, sua cabeça tombava para trás. Ele até que era fofo, não sabia se deixava ele dormindo no sofá ou se o acordava para ir para a cama.



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