História Slenderman: Uma História não Contada (Livro 2) - Capítulo 4


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Palavras 3.980
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Obrigada por aguardarem.
Foi difícil escrever esse capítulo devido a semana de prova.
Chamo a atenção de vocês para que dêem uma olhada no capítulo " Nova Aparição "do livro 1, em destaque durante os momentos na floresta. Estou passando a revisão aos poucos para que a história fique um pouco mais séria. 😉
Espero que gostem. Beijos trevosos 😘

Capítulo 4 - Desconhecido


Fanfic / Fanfiction Slenderman: Uma História não Contada (Livro 2) - Capítulo 4 - Desconhecido

Diante da porta de aço, aguardava impaciente o elevador que parecia nunca subir. Quando em fim chegou, entrei apertando o botão do término de uma vez. Descendo desde o décimo terceiro andar, fiquei me encarando pelo espelho que ali continha. Respirava fundo, tentando adivinhar quem era o desconhecido misterioso, e ele me vinha como uma ameaça. E caso fosse, não iria colocar todas as cartas na mesa. Não estava disposta a cair numa chantagem, mas não arriscaria revelar minha verdadeira identidade logo de cara. Ajustei o paletó de veludo preto no corpo preparando para o que viesse. Respirei fundo. Seja quem fosse, adivinhava que nada de bom viria da nossa conversa.

Saindo do elevador, comecei a descer lentamente a escadaria de mármore branco que dava até o hall, que por vez estava com algumas pessoas por aqui e ali. Deslizando a mão pela madeira lixada do seu encosto, olhava diretamente para uma ala reservada para espera, possuindo sofás e poltronas luxuosas de total conforto. Procurei por alguém suspeito em meio às outras pessoas e avistei um homem diferente socialmente usando um sobretudo marrom, calça escura e sapatos engraxados. Estando de costas, não pude ter ainda ideia do seu rosto, mas vi que tinha cabelos loiros escurecidos que pareciam macios ao reluzirem a luz do lustre. Ouvindo o tatear dos meus saltos, se virou para mim revelando seu ser. Meus olhos se depararam com suas avelãs e imediatamente reconheci o homem. Desci o restante dos degraus com um sorriso na boca ironizando sua audácia. Aproximei com os braços cruzados por impaciência, e ainda sim perguntei com calma:

- Não tem mais bêbados para expulsar daquele bar, guardinha? Ou veio cobrar gorjeta?

- Não – coçou o queixo abrindo um sorriso malicioso ao pegar algo do bolso – , mas é melhor a senhorita tomar mais cuidado com o que fala.

Ele mostrou então seu distintivo federal. Mantive a dureza em respeito a sua posição, mas por dentro meu coração batia forte bombeando o sangue quente pelas veias.

- O que você quer?

- É melhor irmos para um local mais reservado. Creio eu que senhorita gosta de se esconder - disse seriamente indicando para a saída.

- É por que devia? Vou ser presa?

- A não ser que queira... Garanto que será do seu interesse – levou sua mão até minhas costas.

Fiquei irritada com sua prudência, mas não tive outra escolha a não ser aceitar, e em seguida ser obrigada a sair do hotel.

Ainda sob a sua atenção, atravessei a rua com ele por indicação. Lado a lado, manteve com firmeza a sua mão a minha cintura para garantir que não fugiria. Fiquei insatisfeita, ainda mais ao perceber que seria obrigada a entrar naquele bar velho novamente. O guardinha tentou ser cavaleiro ao abrir passagem para mim quando abriu a porta, mas eu o respondi com desdém, o que acabou fazendo-o achar graça da situação. Me levou para sentar numa mesa escondida no fim do estabelecimento. Fomos recebidos por um dos garçons mas não tive vontade de tomar nada, ao contrário do guarda que escolheu uma cerveja. Ficamos em silêncio até que ele recebesse seu pedido, enquanto isso eu ficava certificando que não havia ninguém por perto. Batendo os dedos na mesa, esperava impaciente olhando fixamente para ele. Então vi um sorriso se formar no seu rosto:

- Você não consegue ficar longe de problemas por muito tempo, não é senhorita?

- Depende do que você refere, guardinha – firmei na mesa encarando-o.

- Que tal sobre a denuncia desta manhã sobre o corpo de um jovem morto encontrado às margens da floresta? – Sobrepôs na madeira alguns retratos escondidos num bolso.

Lentamente inclinei para ver as imagens postas sobre a mesa e o sintomas do enjoo vieram a revirar o estômago. Afastei sentindo náuseas virando todas aquelas figuras horrendas para baixo engolindo algo seco na garganta.

- Não conheço o rapaz. E não sei do que está falando.

- Tem certeza? Sejamos francos, não precisa mentir. Eu sei exatamente quem é você. Estou de olho em você a muito tempo – disse lentamente pós engoli pouco mais da bebida.

- Sério? – Franzi com sarcasmo. – Se sabe sobre mim, então por que não diz o motivo que me levou a está causa?

- Eu não sei, diga-me você... Como vai a sua Tia Eliza? Soube que está doente. Aposto que Jörg tem cuidado bem dela....

- Quem é você para falar sobre eles?

- Eu disse. Sei tudo sobre você.

- Jura? Então veio me chantagear por alguma coisa? Saiba que eu posso processa-lo.

- Acredito que não será necessário, senhorita – guardou as fotografias devolvendo ao bolso por dentro do sobretudo. – Além disso, não estou lhe acusando de nada.

- Então qual é razão de tanto mistério? Ou apenas quis me enrolar com esse papinho de detetive?

- Você é bem atrevida – novamente me olhou com malícia. – Soube que está seguindo o ramo da advocacia. Aposto que sua vida mudou muito depois de tudo o que passou. Também, deve ser difícil suportar a dor de abandonar os únicos que te acolheram após perder os próprios pais... Foi por isso que decidiu ficar sozinha?

- E isso não lhe diz respeito - respondi pensar. – Não importa o que você acha que sabe sobre mim, mas não lhe devo satisfações da minha vida pessoal, mesmo sendo um "federal".

- Você não tem noção, não é?

- Então responda de uma vez, guardinha. Não me faça perder tempo.

Ordenei com ferocidade mas não obtive resposta a não ser seu silêncio e um olhar que carregava algo inexplicável junto.

Compartilhei do mesmo estado pacífico observando cada detalhe do seu rosto a fim de desvendar sua trama. Tinha uma face deverás atraente ao meu gosto: nariz proporcional ao queixo, maçãs modeladas, boca carnuda e olhos que se destacavam em meio aquela pele que parecia tão firme quanto o maxilar. Nada me vinha a recordar dele. Nem se quer sabia seu nome, ao contrário dele que demonstrava ter noção de quem eu era e de quem já fui.

Ouvimos um bipe. Deduzi (em razão já que deixara o próprio carregando no hotel) que o som vinha do humilde celular da minha “companhia" que, após verificar o alerta aparentemente importante, apenas bebericou os últimos milímetros da bebida para em seguida se levantar da mesa dizendo:

- Talvez algum outro dia... Tenho assuntos alarmantes à resolver. Um psicopata andam por entre nós e é melhor estarmos mais atentos com as pessoas ao nosso redor. Tenha uma boa noite – ajustou suas vestes e prosseguiu para a saída, mas segundos depois voltou entregando um pequeno cartão. – Se vê mais alguma coisa suspeita por ai, não hesite em me ligar. Tome cuidado, senhorita Wilson.

E finalizou com um sorriso gentil nos lábios.

Persuadida, apenas assenti vendo-o ir embora. Encostei no banco para analisar seu cartão que se encontrava junto ao número de telefone o nome escrito de "L. Taylor". Foi então que, ao reconhecer seu nome, uma vaga lembrança dele me veio em mente deixando tudo a entender e fazer sentido. Abri um sorriso nervoso ao retornar frenética para o hotel com a cabeça fresca dos pensamentos.

A cada dia que ficava naquele lugar mais aparições me vinham. Nunca imaginava encontrar Leon novamente. Comecei portanto a pensar no seu parceiro, Sebastian, e no seu último segundo de vida. Eu não gostava nada de lembrar da sua morte. Lembrava bem do quanto odiava aquele homem, mas depois passei a respeitá-lo a partir do momento em que deu sua vida para me salvar. Era lamentável pensar que tudo poderia ter sido evitado se não tivéssemos sido tão carregados de ego.

Esgotada, soltei um ar preso por cansaço ao trancar a porta do quarto e prosseguir para a cama onde deitei com prazer glorificando a maciez do colchão. Minha cabeça de repente começou a dilatar. Segurei a testa como se tivesse prevendo que algo ruim aconteceria depois do encontro com o detetive. Eu deveria ir embora o quanto antes. Não arriscaria ficar presa naquele lugar novamente e agora pensava que deveria ir no dia seguinte depois de despedir dos meus tios. Mas já descartava a ideia de que seria uma tarefa fácil. Eliza não iria aceitar, muito menos Jörg. De qualquer forma, com a aprovação deles ou não, voltaria para Londres antes que alguma coisa acontecesse. Mordi os lábios até que sangrassem enquanto me obrigava a ficar de olhos fechados.

" Parada enfrente ao espelho do meu quarto, penteava meus cabelos longos que chegavam até a minha cintura. Cantarolava uma canção diferente que costumava a ouvir antes de dormir ao soar da bela voz de minha mãe. Não conseguia me ver muito bem no reflexo. Meu quarto mal estava iluminado pela única janela nas extremidades e assim com que o canto da penteadeira e da cama estavam escuros. Todavia, não importava. Terminei de alisar os fios e finalizei colocando um pingente de lua envolta do pescoço, foi quando o som de arranhar em metal me chamou atenção junto a paços rápidos perto da porta. Portanto, levantei da cadeira para sair do quarto e depois caminhar descalça pelo longo corredor arrastando os dedos pelas paredes acidentadas cheirando a tinta fresca, guiando meus passos já que não havia qualquer iluminação que não fosse da lua. Sem funcionários hospitalares ou pacientes além de mim que costumavam a habitar a instalação, estava sozinha.

No final do corredor avistei a área de serviço debaixo da escada interditada. Estranhei o fato da porta parecer se abrir ficando entreaberta. Aproximei segurando a respiração, então vi um cesto de roupas sujas e notei uma fraca movimentação entre os tecidos parecendo uma respiração. Entrei para conferir e encontrei um pequeno bebê de pele extremamente clara, quase azulada. Talvez fosse recém nascido por estar enrolado numa fronha ensanguentada. Seus olhos estavam pregados e a boca praticamente colada. O peguei por instinto e ele pareceu gostar do meu aconchego ficando quieto. Acariciei sua barriga e assim ele segurou com força as pontas dos meus dedos revelando a etiqueta sem identificação amarrada no pulso. Não me parecia uma criança saudável, muito menos que sofreu um parto seguro. Em receio a situação, fiquei decidida a leva-lo para o meu quarto onde poderia lhe dar os cuidados necessários.

Saí do área de serviço olhando para todos os cantos certificando de que não continha ninguém por perto. Acelerei os passos para chegar no quarto o mais rápido que conseguisse e só tranquilizei estando a poucos metros de distância, mas antes mesmo que pudesse entrar ouvi um grito furioso de mulher. Olhei na direção e vi uma usando vestes brancas ensopadas de sangue. Sua aparência era demoníaca. Ela gritava para que eu soltasse o seu filho. Hesitei por não me parecer uma boa ideia.

A mulher ligeiramente ficou diante de mim segurando a região mais sensível do braço. Recusei empurrando-a para se afastar e no intervalo de tempo tive a oportunidade de entrar no meu quarto e trancar a porta imediatamente, batendo-a na cara da mulher que quase conseguiu impediu. Ficou batendo em punho na madeira gritando "Jaime" a todo momento. Eu tinha certeza de que ela não conseguiria entrar, portanto procurei ficar mais calma, até perceber que a criança não estava mais nos meus braços. Assim, vi uma enorme sobra surgir perto da minha. Virei para ver e dei de cara com a criança, só que mais crescida. No meio da escuridão, não pude ver seu rosto, mas vi o pior: seus membros se alongaram estendendo mais do que o dobro do tamanho e se transformando a criança num monstro macabro como a morte..."

Acordada desde às cinco da manhã, estava a todo vapor juntando as roupas e pertences guardando de volta na mala. Frenética por causa do maldito pesadelo, não pensava em outra. Não costumava ter qualquer um que fosse. Houve uma época em que nem sequer sonhava. Não sabia direito se era a influência das lembranças daquele lugar mas julguei como mais um dos motivos que levavam a sair daquele país. Em pouco tempo estava de bagagem pronta, banho tomado e chaves nas mãos. Desci até o hall e paguei a hospedagem sem conferir o valor total. Nem fiz questão de pegar o troco. Saí para as ruas a procura do carro que tinha alugado e nisso percebi o quão o tempo estava triste e fechado para chuva. Logo no fim de semana. Entrei no carro já ligando o motor comecei a dirigir com pressa, e brevemente estava na casa dos meus tios.

Estacionei o carro em qualquer lugar perto da residência. Após sair do veículo seguir para o portão e fiquei esperando minutos para ser atendida. Subi para o chalé controlando a respiração abafada. Fazia o planejamento das palavras com precisão. Na entrada da casa fui recebida por Jörg que veio me saudar com um abraço, porém acolhi com frieza.

- Jennifer? Você está bem? – Perguntou me colocando para dentro.

- Estou. Só vim me despedir.

- Se despedir? Como assim? Vai embora?

- Vou, hoje à noite.

- Por que vai embora? Você devia ficar mais com a sua família.

- É melhor que não...

- Mas por que? Não diga que é por causa de ontem.

- Se quer saber, é sim...

- Jörg, não insista – ouvimos a voz do Colin que se encontrava de pé na sala de estar. – Ela nem queria ter vindo, não é mesmo?

- Colin, não se meta, por favor.

- Não tio, ele tem razão. Ainda mais agora vendo que não sou bem-vinda nesta casa – lancei um olhar furioso para Colin que correspondeu.

- Não diga isso! Você acabou de chegar e desde então Eliza tem melhorado por causa disso. Você não pensa nela?

- Acredite em mim, é melhor eu ir para casa. Para o bem de todos e estou decida – respondi tentando manter a paciência indo para a escada e nisso espantei ao ouvir alguém gritar.

Jörg, Colin e eu trocamos olhares preocupados e assim subimos desesperados para o próximo andar.

Não demoramos muito para desvendar a causa. Assim que batemos o olho no quarto dos meus tios vimos Eliza caída a beira da cama com Ester ao seu lado em choque com a cena.

- Eliza! – Jörg gritou correndo até ela. – Colin! Ela não está respirando!

- Droga! – Colin se aproximou para deitar Eliza no chão e fazer uma massagem cardíaca. – Chamem a ambulância! É uma emergência! Ela teve uma parada respiratória! Vai! - Ordenou a Ester que saiu do quarto para fazer a ligação.

Eu por vez fiquei paralisada sem saber o que fazer.

Meus sentimentos se misturam em algo indefinido e tive vontade de chorar. Ver Eliza caída no chão com a vida em risco me doía de todas as formas possíveis. Colin fazia de tudo para fazer o processo reanimação, mas não parecia funcionar. Comecei a temer pela vida dela e assim meu coração partiu ao meio.

***

Horas depois de Eliza ter sido levada pela a ambulância, aguardava impaciente no chalé junto a Ester que perguntava por notícias de algum dos homens a cada segundo. Passamos o dia inteiro assim. Com um copo de água em mãos, eu andava de um lado para o outro rezando para que todo o procedimento ocorresse bem. Pelo que soube ela teria de fazer uma cirurgia. Queria estar lá, contudo tive que ficar no chalé com a Ester para ajudar a tomar conta das crianças, e dela. Principalmente já que ela não parava de beber vinho. Ninguém poderia dizer que eu não havia tentado impedi-la, mas a mesma quase me obrigou a acompanha-la. Mas fui forte em esperar por Colin voltar para eu pudesse vê-la. Na troca, não dizemos nada um para o outro, mas em um certo momento nos olhamos e tanto ele quanto eu sentíamos da mesma dor.

Após dirigir com o pé fundo no acelerador cheguei em menos de trinta minutos no hospital. Durante o período nem parei para pensar que estava quase na hora do meu voo, mas achei melhor deixar de lado. Do lado de fora evitei olhar para aquele lugar lembrando da última vez que estive nele. Só pensei em entrar. Pegando as informações na recepção, andei célebre até o quarto em que Eliza se encontrava no terceiro andar. Saindo do elevador olhei para todos os lados a procura do meu tio e o vi enfrente ao quarto. Fui vista estando nas proximidades e ele se manteve pleno s para não chorar. Seus olhos estavam tão marejados que o azul dos seus olhos ficou esverdeado. Nos envolvemos num abraço apertado.

- Como ela está? O que o doutor disse? – Segurei seus ombros.

- Ainda não podemos vê-la. Felizmente deu tudo certo – respirou fundo e eu fiz o mesmo sentindo mais aliviada. – Porém a cirurgia foi longa e ela está muito fraca.

- Pelo menos não houve complicações – apoiei na extensa janela do quarto e por uma pequena brecha vi Eliza entubada na cama. Sem cor, nem parecia ela. Continuei com a voz fraca – Creio que sua recuperação será breve. Ela é forte demais para desistir agora.

- Sim. Ela é a pessoa mais forte que conheço... Depois de você.

Jörg me olhou e senti remorso quando suas palavras vieram aos meus ouvidos. Mesmo com o coração apertado, não pude deixar de mudar a ideia.

- Jörg... – murmurei voltando ao estado alarmante. – Eu não posso ficar...

- Diga-me então o porquê. Eliza precisa de você. Ela precisava te ver quando acordar. Ela te ama, Margot – pegou na minha mão e alisou a superfície com o polegar – e eu também.

- Eu amo vocês também. É por isso que devo partir. Tenho medo de estragar suas vidas outra vez – me virei para que ele não visse minha cara de tristeza.

- Você não tem noção do que fala. Você nunca atrapalhou. Peço que pare de se culpar – pegou em meus ombros. – E se eu prometi aos seus pais que a protegeria, assim farei até o fim dos meus dias – disse me olhando com carinho e dando um beijo na minha testa.

- Não, meu tio. Agora eu é que tenho que proteger vocês... – suspirei sem dizer mais nada.

Jörg, ao ver que não me convenceria, afastou de mim para sentar numa das cadeiras de espera que tinham pelo corredor.

Permanecemos quietos sem dizer mais nada até o fim do horário de visitas. Sendo um dos regulamentos do hospital, apenas um membro da família poderia passar a noite no quarto da paciente, e na causa meu tio ficou. Foi de meu desagrado nossa despedida. Ele mal me olhou ou disse alguma coisa. Eu entendia bem suas razões, então nem insisti em iludi-lo com a mentira que voltaria para ver como iria a recuperação de Eliza. Mas por um lado talvez fosse verdade. E eu teria de ter um algum contato com eles de qualquer forma.

Fora do hospital, acendi um cigarro para acalmar os nervos enquanto observava a rua e os prédios vizinhos. Faltando duas horas para o voo que partiria a uma da manhã, não preocupei tanto com o horário já que estando em Friburgo chegaria em minutos no aeroporto. Olhava meu reflexo através da janela do passageiro e não gostava da mulher que tinha me tornado. Era tão diferente do que imaginava quando era garota. Costumava me ver no futuro a essa altura do campeonato alguém que teria uma vida feliz. Embora tivesse conquistado a meta de ter um bom rendimento financeiro, não possuía ninguém que poderia gastar compartilhar dos custos escolares ou contas que se acumulariam sem que percebêssemos, mas ao olhar para algum metal no dedo anelar saberia que tudo valia a pena e que não estava sozinha. Era lamentável ver que minha trilha desviou dessa ilusão.

Com a chegada da hora, parei de fumar com o cigarro pela metade. Estava começando a enjoar daquele vício perverso. Levando em conta a minha saúde, pensei que seria uma boa revisar meus péssimos hábitos e riscar tudo de uma vez. Margot odiaria me ver dessa forma. Puxei o ar para dentro do pulmão e soltei no ritmo em que sentia o coração bater. Passei a mão pelos cabelo deixando-o desarrumado. Destravei o carro ao estar pronta para ir, mas segundos antes ouvi gritos de alguém que pedia por socorro. Não tive como distinguir se era de homem ou mulher, mas não estava longe. Sem pensar duas vezes fui em busca da pessoa, e esta parecia se encontrar do outro lado do quarteirão. A altura dos gritos diminuiu até não que pude mais ouvi-los claramente. Com receio de perigo, pisei levemente na calçada evitando fazer o mínimo de barulho possível e chegando perto de um beco suspeito senti um cheiro forte de ferrugem, e no encosto da parede pude ouvir o som de algo sendo cerrado. Olhei bem para meio daquele beco sem iluminação e pude ver algo escondido atrás de uma caçamba de lixo. Estava quieto e não se mexia.

Sem saber de onde a coragem veio, infiltrei no local para ver melhor o que era aquela coisa e assim descobri que era uma jovem mulher usando roupas extravagantes e com a maquiagem exagerada borrada no rosto. Melhor definindo, uma prostituta. Estava em pleno sono pesado com o coração seminu apoiado na caçamba. Vendo sua situação achava que tinha sofrido alguma violência, então cutuquei para conferir se ela estava bem e no ato saltei para trás ao ver ela cair morta na minha frente revelando o corte na garganta e o sorriso de orelha a orelha. A adrenalina começou a percorrer minhas veias e o coração batia forte. Assustada, não pensei duas vezes antes de pegar o celular junto com o cartão do Detetive Taylor que ainda estava guardado no bolso do sobretudo. Disquei seu número de telefone e esperei rezando para que atendesse, contudo não havia sido daquela vez. Então decidi deixar um recado antes de fazer denuncia:

- Taylor, é a Jennifer! Encontrei outro corpo. É de uma mulher que teve o pescoço cortado. Tem hematomas por todo corpo e o sangue ainda está fresco. Vou ligar para a emergência, mas por favor venha junto. Estou a uma quadra do hospital local, na rua... – de repente uma mão surgiu tampando minha bica abafando minha voz.

Olhei para trás e vi um homem que surgiu do nada no meio daquela escuridão.

Em minha defesa, imediatamente reagi dando cotoveladas na seu torço fazendo com o agressor me soltasse. Ele persistiu em segurar de forma covarde meu cabelo pegando justamente na raiz, então debati conseguindo derruba-lo ao dar uma joelhada na sua virilha, no entanto ele foi rápido em cravar algo na minha perna que me fez senti uma dor violenta. Logo estávamos nos rolando no chão. Ele por ser mais forte prendeu meus pulsos ficando por cima do meu tórax, e logo tampou minha boca e nariz deixando-me com dificuldade para respirar. Sem entregar os pontos quis empurra-lo de qualquer maneira, sobretudo algo frio foi pressionado contra a minha garganta. Senti uma respiração quente sobre o meu rosto. Levantei a visão e deparei com um par de olhos negros. Foi a última coisa que vi antes de tudo ficar completamente escuro.

Tempo depois despertei de alguma forma. Tonta, não tinha ideia do que havia acontecido. Abri os olhos e só via borrões. Procurei me mexer mas estava impedida. Somente ao recuperar a visão me vi amordaçada numa cama velha dentro de um quarto decadente coberto de pó, teias e móveis velhos. Entrei em desespero contorcendo para livrar as juntas daquelas cordas apertadas. Levei tempo para notar que não estava sozinha. Vi o maldito mascarado que me atacara antes sentado numa cadeira me observando com um punhal nas mãos. Suas roupas escuras o camuflavam na escuridão, destacando apenas o branco do sorriso da caveira e o entorno dos seus olhos. Percebendo que estava acordada, degustou da cena de seu prazer rindo seco:

- Olá, verme...



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