História Small Doses (HIATUS) - Capítulo 18


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Categorias Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane, Lauren Jauregui, Normani, Troye Sivan
Personagens Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Troye Sivan
Tags Camila Cabello, Camren, Camren G!p, Dinah Jane, Fanfic, Fifth Harmony, História, Hot, Intersexualidade, Lauren G!p, Lauren Jauregui, Laurmila, Lgbt, Los Angeles, Policial, Romance
Visualizações 51
Palavras 11.623
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 18 - Erstwhile


Fanfic / Fanfiction Small Doses (HIATUS) - Capítulo 18 - Erstwhile

Departamento de Polícia - Los Angeles, Califórnia

A mulher de cabelos dourados cintilantes distribuía seu charme ao passear pelo corredor uma segunda vez em longas semanas as quais se privou de andar por ali e exercer muito de seu trabalho por estar resolvendo pendências familiares. Algumas transferências, outras cisões, e uma conversa séria com uma mulher de extrema importância a si acerca das questões de certeza que portava sobre a tal mudança tão árdua e em tantos aspectos de decisão.

Ninguém tecia dúvidas acerca de seu alicerce impecável de trabalho, mas a pessoa a qual pedira sua ajuda possuía peculiaridades importantes, então teve de interromper seu trabalho por um curto prazo. Também não podia negar que aproveitara aquele meio tempo de afastamento para trocar o mínimo de afeto com sua companheira que logo estaria em mais proximidade consigo.

Mas por agora, Dinah Jane tinha que retornar a seu posto de investigação, e, na verdade, ela já voltava com boas expectativas sobre o caso. Articulava perfeitamente as informações que sustentava em um tempo cada vez mais curto.

Passando pela porta de entrada jus a sala particular do homem que a contratara, Dinah Jane deslizou seu olhar por entre a posição incerta de Ricky acomodado em sua cadeira conjunto a mesa longa de vidro, ele se remexia entre papéis de ofícios que tinha de resolver diariamente.

— Deixou-me apreensivo, Jane. Não me deu mais notícias sobre algo de novo sobre o caso, esteve ocupada com algo a mais em todos esses meses? – Ricky pronunciou firme, sem que ousasse olhá-la diretamente. Aquilo a deixou de leve irritadiça, não admitia que a subjugassem de forma como quem não se comprometia seriamente em seus casos.

Dinah Jane se apossou do assento situado frente ao homem, sentando-se e puxando sua maleta para expô-la.

— Não convém a seu interesse. Apenas se cale e deixe-me fazer meu trabalho, tudo isso aqui depende de mim, não se esqueça. – A mulher pronunciou fogosa contra o impasse do outro em julgá-la como desinteressada ao que tinha de trabalhar.

Ricky permaneceu quieto desde então, pouco lhe dirigindo indiretamente o olhar ao notar a outra remexendo copiosa em sua maleta de trabalho, não demorou a puxar de lá um fichário no qual havia informações frescas que ligariam pontos futuros. Dinah repousou o objeto profissional sobre a mesa, cruzando as pernas cobertas por calças de linho e exigindo a atenção a qual rapidamente foi acatada pelos olhos castanhos alheios.

— Já ouviu falar de sicários, mercenários ou justiceiros atuando nos tempos atuais? – Jane indagou impregnada em nota autoritária.

— Infimamente. – Gesticulou estranhamente as sobrancelhas, não entendia por que a investigadora vinha a falar de um assunto levemente adverso.

Dinah tocou os próprios cabelos, retirando uma liga presa ao seu braço para que prendesse seus cachos com esta. Decerto havia perdido muito tempo, e sabia que era um fato de forte potencial em atraso, mas Jane estava relaxada, quem quer que fosse o assassino, homem ou mulher, que tanto causava alvoroço a polícia, não sairia da cidade por pura e simples vontade.

— Bom, vamos começar logo com isso. Estive infiltrada por dois meses em uma máfia que me deliberava gradativamente informações profundas acerca dessas pessoas. – Dinah expôs um papel imprimido na mesa de escritório do homem, o objeto carregava em escrito as informações que a investigadora havia obtido em seu processo de infiltração.

Ricky tomou o papel em suas próprias mãos, lendo rapidamente apenas por análise.

— São dados de base que consegui na medida em que estive introduzida na toca deles, contém teores primários de cada um. – Informou sobre o que estava impregnado no papel ainda sobre a mão do homem. — Tenho de saber primeiramente com o que estou lidando, é mais inteligente. – Dinah falava em primeira pessoa, referia-se a somente a si, tinha como estrutura um trabalho exercido por ela e somente ela. Ricky revidava internamente, estava tão impaciente e chegava a pensar que aquela agente não seria capaz de cumprir algo tão árduo.

— Prossiga. – Gesticulou com as mãos, indicando que estava acompanhando-a em sua explicativa.

Vistoriando seu relógio de pulso, Dinah continuou.

— Estes que citei são todos por parte verídicos, assassinos de aluguel foram os mais comentados por chefes de ocupação com peso alto. – Retirou outra folha com transcritos, esta contendo o intitulado assassinos de aluguel/sicários em negrito vívido.

“São em maioria quando falado em quantidade, e geralmente se fazem como prestantes de serviços ao tal Fornecedor Geral como fora citado pelo magnata há pouco no mesmo recinto que meu eu.

Este mesmo magnata citou-me que neste estado, conjunto a esta cidade, há números pequenos de fornecedores, cerca de duas mulheres e três homens, e antagonizando com este número ínfimo, há estimado, se houver arredondamentos, cinquenta sicários divididos sem exatos de homens e mulheres, todos presos em contratos de serviço prestado por anos.

[...]”

— É um bom conteúdo. – Elogiou com leve surpresa, apossando-se dos outros papéis que aplicavam outros tópicos de afiliações parecidas com a qual lia.

— O próximo passo é simples: investigarei cada um desses tópicos a fundo nas próximas semanas em consolidação do tempo que tenho a gastar com minha mulher e esse caso. Surpreendentemente, não tenho pressa aqui, porém logo na primeira semana de janeiro terei a certeza acerca com o que estou tratando. – Deu-lhe os informes necessários do andamento do processo. Seria um final de ano agitado para Dinah, tinha uma namorada desesperada por sua companhia e uma única e pequena parte de familiares que contavam com sua presença em festivos tradicionais.

Já quando especificamente havia terminado sua leitura centrada, Ricky estendeu de volta os papéis para que Dinah os guardassem, vendo que a mulher parecia um pouco impaciente com todo aumento de demora inesperada.

— Creio que irá continuar nesse método de envolvimento pacífico com máfias, é uma mulher e pode precisar de ajuda a mais, posso oferecer-lhe alguns de meus agentes para reforço. – A postura do homem se alinhou em pé enquanto ele promovia uma oferta de auxílio para a investigadora, que o olhou intimidante com a fala.

— Faço meu trabalho sozinha desde sempre e com este não será adverso. – Retrucou cortante ao homem de cargo solene. Levantou-se de prontidão do assento e puxou a maleta entre sua mão direita, usufruindo da outra para sustentar a palma aberta sobre o vidro da mesa, inclinando-se em proximidade. — Se está tendo qualquer tola aposta de que não sou capaz de solucionar algo que ninguém aqui fora capaz, sinto muito, irá decepcionar-se brevemente.

E daquele modo ela se retirou do compartimento do chefe daqueles que trabalhavam aos arredores dali, em seu estado mais glorioso de compenetração no que se fazia seu serviço, tanta confiança em si mesma que não haviam assombros de acasos que poderiam surgir, talvez estivesse preenchida de razão em aplicar tanta absoluta certeza em seu próprio negócio, talvez.

E estava lotada de razão, se não houvessem aparições de ocasos desagradáveis, Dinah Jane capturaria um por um dos quais traziam caos mortífero àquela região.

·

Oeste de El Segundo Beach - Los Angeles, Califórnia

Era tarde demais, já beirava meia-noite.

Levianamente, ela ainda se encontrava trêmula nos braços da latina, a qual não a desprendeu de si por qualquer instante, e a mesma emitiu um gesto para o homem a distância que permanecia a espera de seu sinal informativo de que o que ocorria ali estava sob seu controle. Tomando pesado respirar, Camila moveu suas mãos para tocar nos ombros da morena, puxando-a delicadamente para que se olhassem.

— Vamos entrar? – Indagou leve, alcançando o topo dos cabelos de Lauren e movendo sua mão por lá em carinho, enquanto a morena fechava os olhos descansando suas pálpebras em reação, assentiu lenta.

Camila tinha conhecimento de sua condição bêbada e débil de agora, e reconhecia que a mulher deveria ter algum motivo molesto para tal ação tão desesperada de se embebedar daquela maneira. Consolidaria suas respostas justificativas mais tarde, tinham muito a falar, mas se recusava a articular diálogos com Lauren em um estado tão frágil.

Observou o corpo de Lauren se afastar para dar-lhe passagem para entrar, ela o fez levando consigo sua mala e mochila, ouvindo seguidamente a porta atrás de si fechar. Assistiu novamente ela se mover, dessa vez cambaleante e de caminhar grogue, dando pouquíssimos passos com direção denominada a sala situada à sua esquerda com relação a porta de entrada, mas quando viu que a mesma quase caíra sob os próprios pés, largou as bolsas que sustentava e andou apressadamente na direção dela.

— Ei, vai com calma... – Chegou ao seu lado e tocou o braço direito dela, movendo-o para contornar seu ombro e instruir apoio físico.

Sentindo-se novamente em contanto com alguém verdadeiramente real, com Camila, a mulher mais velha aceitou a ajuda oferecida, curvando sua cabeça para o lado a fim de aproximar seu nariz dos cabelos bem perfumados e longos dela, absorvendo em desequilíbrio a fragrância envolvente que a latina trazia consigo direto de Cuba como novo aspecto seu.

— Está cheirosa... – Proferiu elogiosa em seu dizer lotado de rouquidão arrastada. Mas evitando investir tanta atenção em suas palavras desorientadas, Camila firmou seu braço na cintura de Lauren e instruiu um caminhar até o sofá, fazendo-a sentar no mesmo e observar seus olhos verdes avermelhados atentados a si.

Situou-se em pé de frente a Lauren, apertando os ombros por cima do moletom da mesma. Puxou uma dolorosa inspiração, seguidamente expirando.

— Há muito tempo que está desse modo? – Camila questionou com cuidado aplicado em suas palavras, sabia que em certas partes seria inevitavelmente doloroso dialogar com Lauren. A mulher acomodada no sofá pendeu seu corpo para trás, de modo que a fizesse esquecer que estava machucada para apoiar suas costas daquela maneira no móvel, é tanto que a latina cerrou a testa quando notou o semblante esquisito da outra.

— Acho...que sim. – Entrecortou sua resposta fechando os olhos ao se mover em busca de uma posição melhor, e quando enfim encontrou, reabriu suas pálpebras ardidas, focando com afinco investido em sua afetada visão distorcida pelo álcool, observando Camila se inclinar apoiando um joelho ao lado seu corpo. — Aposto que Sinuhe está triste por ter voltado, sua família deve odiar-me. – Deixou que escapasse uma preocupação tola, mas de camadas rigidamente sérias para si.

A latina pouco tratou de processar com vigor o que acabara de escutar, concentrou-se inteiramente em somente mover suas mãos de encontro a testa da mulher e seguidamente as laterais de seu pescoço, causando-a de imediato um respiro arfante por sentir mãos tão geladas devido sua febre alta, conjunto a um arrepio fulminante espalhando-se por todo seu corpo quando Camila continuou o caminho, dessa vez abrindo o zíper de seu casaco e apalpando sua pele perto da clavícula.

— Você queimando em febre, precisa de um banho. – Subiu o zíper do casaco e moveu suas mãos de forma que impulsionassem Lauren a levantar-se dali, e quando conseguiu, fez com que a morena retomasse a mesma posição de apoio em si como anteriormente.

Atrás do sofá havia uma parede que dividia o espaço entre um quarto e a sala, aquele era o primeiro dos dois aposentos a serem vistos quando se adentrava na residência, pois após dar alguns extensos passos chegaria no segundo quarto com lateral de visão ao mar, quarto o qual Camila supôs ser o de Lauren. Caminhando cuidadosamente, a latina buscava interruptores de luz para que as acendesse e tivesse mais facilidade em se mover por aquele lugar, até então, desconhecido.

Moveu a porta de correr moldada a madeira e adentrou o quarto, apertando a cintura de Lauren quando a sentiu ficar zonza com tanto caminhar, conseguiu reconhecer com seu toque pelas paredes um interruptor de luz, acendeu e obteve certa admiração com as luzes vindas não do teto, mas sim dos rodapés que cercavam o recinto. Não perdeu muito tempo em lisonjear, continuou a equilibrar parte do peso da mulher próxima a si até que avistou uma porta de direção ao banheiro, introduziu-se a entrar ali e logo fez com que a morena se apoiasse na pia.

— Não... Não é certo...ter voltado aqui. Devia ter tomado o que aconteceu como um aviso de que todos perto de mim terminam se afastando de forma...trágica, horrível, dolorosa... – E ela perdurou com seu falatório de cabeça curvada e com sua lombar apoiada na pia lhe sustentando, enquanto Camila tomava gradativamente uma leve irritação por tanto julgamento próprio que Lauren investia a si mesma.

— Cale essa boca, nem mais uma palavra. – Esqueceu por leve momento o fato de Lauren estar em uma situação tênue. Não suportou que ela se martirizasse de maneira tão ardilosa como aquela, simplesmente retrucou em repreensão às suas palavras proferidas, cruzando os braços e a olhando silenciosa. — Entre no box, ligue o chuveiro e só saia quando esse fedor de álcool não estiver mais em seu corpo, trago com uma muda de roupas para você.

Foi tudo o que pronunciou antes de comedir sua saída do local de banho, deixou-a em sua única presença e fez um caminho até estar de volta ao quarto de Lauren, deslizou seu mirar por ali e logo tomou longa olhadela em uma mala aberta e repousada no chão, usou de sua ousadia para se agachar e buscar roupas adequadas para a condição adoentada da mulher. Enfim suspirou ao encontrar o que procurava no mesmo compasso que foi capaz de ouvir o chuveiro sendo ligado.

Arredou novamente para adentro do banheiro e deixou uma calça moletom, uma regata feminina e peças íntimas sobre o mármore branco da pia, retirou-se de lá para que dessa respectiva privacidade a Lauren. Moveu delicada saindo do quarto, notando logo de frente uma característica que inconscientemente havia sentido falta, aquele instrumento musical que tanto havia lhe ajudado quando chegara para o convívio completo.

Era um repartimento livre de outras mobílias senão o piano de coloração negra e seus devidos assentos. Um recanto rodeado de duas paredes de vidro de vista para mar e praia, eram janelões de vidro temperado velados por cortinas internas que cortavam a entrada de luz solar pela manhã, mas que naquele horário não faziam diferença pela breu. E inevitavelmente um sorriso de lado brincou com os lábios de Camila, mas ela seguiu na direção onde havia uma outra parede - esta de condições normais - que separava aquela sala da cozinha.

Em meio aos seus passos, ela acendia luzes para que facilitasse seu vistoriar e o caminhar que traçava. À esquerda da porta de entrada, Camila observou a sala principal onde havia um extenso sofá-cama no centro, e sob este um tapete de textura felpuda cinza que pouco havia percebido quando entrara há poucos minutos, notou também uma televisão em funcionamento frente ao móvel de conforto. Do lado inverso daquele espaço havia a cozinha, e a latina introduziu-se na mesma logo em seguida, observando uma bancada que servia como mesa bem posicionada no meio do local.

Era uma casa simples, de somente dois quartos, uma sala de tamanho reduzido, cozinha o mais comum que se podia ter, e de mais especial aquele ambiente humilde com o piano em função central. Uma residência de tamanho desfavorável para alguns, sem muitos requintes exagerados ou coisa de arquétipo luxuoso.

Camila diria que duas pessoas viveriam ali com tamanha facilidade e em verdadeiro conforto.

Ela admirava a simplicidade por total.

E naquele processo pensante, percorreu lentamente e tão perdida que quase foi atingida pelo revés de pedaços pontudos de vidro estraçalhado sobre o chão, e sob aqueles ainda havia reconhecíveis manchas vermelhas, Camila cerrou seu cenho ao ligar as luzes dali e perceber que eram aparentes a resquícios de sangue respingado no piso amadeirado. Comprimiu seus lábios desgostosa, também havia cheiro de álcool ali, então ela logo deduziu que os vidros despedaçados largados eram de uma possível garrafa de conteúdo alcoólico.

Deixou aquela bagunça estática e atou a ideia de que já fora tempo suficiente para que a morena se banhasse devidamente. Não estava errada, mas parou seu caminhar de entrada ao assustar-se quando viu a silhueta de Lauren, já banhada e parcialmente vestida, sentada no chão ao lado do vaso sanitário. A regata, que deveria estar situada em seu corpo, era apertada por seus dedos, matinha os olhos verdes privados de se abrirem e recolhia os próprios braços para seu colo, por parecer estar dolosamente com frio.

— O que houve? – Moveu-se apressada com direção a morena, agachando-se ao seu lado e tocando sua testa e pescoço como havia feito anteriormente. Lauren forçou seus olhos a reabrirem para lidar com o perfil preocupado da latina lhe checando, lançou longa olhadela para seu rosto, era difícil crer em sua presença tão real.

— Vomitei. Acho que...não me fez bem. – Respondeu dificultosa em formar palavras pelo álcool e por estar compenetrada nas atitudes de Camila em cuidar de si.

A latina assentiu e tocou ela de forma que a mesma se levantasse corretamente, e assim que ela o fez, agradeceu num murmúrio abafado por sua confusão. Apoiou uma de suas mãos no mármore da pia e retomou a ideia de que tinha de vestir a regata em sua mão. Sem perceber, ela deu as costas a Camila e abriu a peça de roupa para que pudesse introduzi-la.

Então Camila viu a consequência dos cacos de vidro e os fragmentos de sangue da cozinha espelhados lancinantes na pele porcelana das costas de Lauren, diversas feridas de proporções medianas divididas por ali, e faziam jus exato aos pedaços pontudos pelo chão que avistara há pouco. Interrompeu o movimento que a maior fazia em vestir a regata, barrando com sua mão o braço dela e usufruindo da outra para que a tocasse na cintura.

— Está machucada...aqui também. – Camila proferiu angustiosa ao se aproximar e ver que filetes começavam escapar dos machucados. Lauren respirou intensa ao relembrar dificultosa de mais aquilo, desistiu em terminar vestir a regata, levando-a para sua palma e apertando-a contra.

— Estou. – Reafirmou a sentença que havia escutado e sentiu que os dedos de Camila se tornaram firmes em sua cintura, fazendo com logo estivesse face a face com a latina de cenho cuidadosamente franzido. — Uma garrafa de uísque. Fui pegá-la ontem... porém tudo que consegui foi quebra-la, tentei...limpar mas fiz a proeza de escorregar e cair de costas no vidro, consegui tirar boa parte dos cacos... não deve preocupar-se. – Notou Camila observando-lhe tão preocupada que não tardou de explicar-lhe corretamente, ainda sim com certos embaraços de bêbada e ofegos indesejados, mas irreversíveis por seu estado.

Camila renegou com a cabeça para sua fala interrupta e recitativa de que não devia ficar com apreensões, comprimindo os lábios e desviando seu mirar para que não lhe lançasse palavras duras a respeito de sua tolice.

— Temos que cuidar disso para que não evolua a uma infeção séria... Há algum kit de primeiros socorros por aqui? – Indagou delicada a Lauren, que assentiu e, com muitas controvérsias em suas palavras, afirmou que na cozinha havia algo do tipo. Camila não demandou a retornar, esteve ao seu lado o mais imediato capaz.

Assistiu a pose grogue de Lauren se sustentando firmemente com as duas palmas no material forte da pia. Camila se situou atrás de si, avisando com letras agoniadas que aquilo podia ser doloroso em algum momento, e ela simplesmente aceitou em bom consentimento. A latina molhou a gaze com água para limpar o local afetado e o fez, recebendo imediatamente os ruídos que denunciavam a dor de Lauren.

Já com o local bem limpo, Camila retirou os poucos resquícios de vidro que estavam ali, e teve de voltar a citar que o que viria a seguir lhe causaria mais dor que antes, aplicou em esguichadas o antisséptico adequado, pronunciando suas desculpas em tom baixinho ao perceber o corpo de Lauren se contorcer com o ardor causado. Por fim, contornou seu corpo com gaze de modo que aquele tecido estéril impedisse contato com ares ou objetos sujos que lhe podiam causar infecção.

— Está acabado. – Camila a virou para si, vendo que ela tinha o rosto levemente avermelhado. Acariciou com a ponta dos dedos sua cintura, percebendo duas esmeraldas fincadas em sua face.

— Obrigada. – Inspirou profundamente, notando que ainda estava sem vestes cobrindo seu busto, logo reabriu a peça de roupa para vestir-se, mas foi parada pela mão de Camila em seu braço, impedindo-a novamente.

— É melhor que fique sem. Não é bom abafar os machucados, e ainda tem uma febre muito elevada. – Proferiu um conselho delicado. Lauren assentiu de prontidão, sentindo a palma de Camila lhe apalpar novamente perto de sua clavícula.

Ao perceber que nada havia a fazer ali, Camila desceu seu toque pelo corpo da morena até chegar em sua mão e junta-la com a sua própria e guiando-a para fora do banheiro. Fez com que Lauren sentasse na mercê da cama e se moveu para circundar até chegar ao lado inverso da cama, em duas portas de vidro acobertadas por cortinas e que deslizavam. Afastou as cortinas e repuxou as portas, sentindo imediatamente uma brisa fria de vento atingir-lhe. Deixou-as ligeiramente abertas e caminhou novamente para a proximidade de Lauren, esta que sentia os efeitos do vento em dobro refletido no corpo.

Observou que a morena tinha os braços encolhidos para seu colo, tentando aquecer-se com seu próprio calor que não vinha. Camila se aconchegou ao seu lado. Absorvia com seus olhos a postura frágil que emitia, a cabeça curvada para baixo, os olhos tão perdidos como havia presenciado poucas vezes...

— Por que está assim, Lauren? É por... – Tentou iniciar um diálogo adequado com Lauren, não prevendo que a mesma interromperia.

— Não, não é por...ela. – Citou sua resposta de tom desregulado. — Não consegui engolir uma gota de álcool em luto por ela, as únicas vezes que chorei foi um dia após a morte dela e quando... – No momento em que deslocou suas mãos para seus olhos em contentamento de sua fragilidade, teve a fala interrupta por sua própria causa.

Camila se remexeu para mais perto da morena, tocando gentilmente a palma de Lauren sob a sua respectiva, estreitou seus dedos nos dela para livrar e dar-lhe uma visão de sua face avermelhada e com olhos tão bonitos e que não mereciam estar fechados em um aperto como aquele.

— Abra os olhos. – Ofereceu um pedido calmo a mulher quebradiça, aproximando-se cada vez mais, tocando ambas laterais de seu rosto, suas maçãs, e adquirindo a pouca distância que Lauren tanto precisava para que se convencesse de que tudo aquilo era verdadeiramente real.

Ela reabriu suas pálpebras e observou o perfil da latina cuidadosamente, segurou as mãos que lhe apalpavam no rosto e as retirou de lá, abaixando-as para que repousassem ambas palmas juntas em seu colo.

— Depois de sair do aeroporto, fui diretamente para casa e quando cheguei... – Ofegava. — Quando cheguei ela estava caída no chão, dificultosa para respirar... – Desviou ágil, acenando freneticamente com a cabeça para as recordações tão claras que lhe martirizava. — Tentei ligar para Troye, mas...

Não era a primeira vez que relatava para alguém aquela experiência traumatizante, já havia o feito com Taylor, mas as sensações que sentia não eram como as quais agora tocavam seu estado de espírito, com Camila era incompreensível ser diferente de tal forma que a fazia querer chorar.

— Todos diziam que era minha culpa, cada um deles... Ficavam recitando e recitando o quão irresponsável fui, que eu não conseguia retribuir o cuidado da pessoa que mais o fez comigo. E... e talvez eles estejam realmente certos, se há um culpado, esse sou eu. É tudo minha culpa. – Pairou para olhar Camila, dando-a a visão tomentosa de uma pressão prestes a ceder em seus olhos que se continha a não o fazer.

Trouxe novamente suas mãos para cobrir a face, apertava os dedos em seus olhos cerrados com dureza. Camila estava pronta para começar a falar, mas Lauren prosseguiu impetuosamente.

— E no funeral dela... nem consegui voltar àquela casa, não aguentaria vê-la...presa em uma caixa, decidi então que iria despedir-se dela para sempre somente no cemitério. E esta foi mais uma prova do quanto sou desprezível. Quando cheguei, um de meus tios me barrou logo na entrada, beirava a gritar furiosamente, eu... eu até tentei persuadir, mas ele parecia implacável e irritadiço ao extremo por não ter perdido a mãe, não me deixou entrar a qualquer custo. – Àquele ponto, seus olhos já vacilavam às gotas salgadas que se acumulavam por aquele espaço. — E talvez ele esteja certo mesmo, é tudo minha culpa de qualquer maneira. Droga! Sou tão estupidamente idiota! – Martirizou-se abafada.

Camila a observou rapidamente intensificar o aperto de suas mãos as quais lhe cobriam seu rosto, foi sua hora exata de agir.

— Não, não, não, Lauren... Você não é. – Investiu em se aproximar, mas foi indiscutivelmente renegada pelo ato de afastamento da morena. — Escute-me, não há culpado, quem poderia controlar isso? Ninguém. Por favor, escute-me. – Falava rapidamente, tentando reverter a situação em que Lauren se colocava. Moveu gentil para descobrir seu rosto mais uma vez, mas desta estava definitiva a não a deixar cobrir-se novamente.

E cumpriu com honra seu objetivo, trouxe o corpo de Lauren para mais próximo a si e sustentou seu rosto com firmeza total, atentando-se aos seus ombros que resfolegavam intensamente pelo arcado respirar dificultoso, seu rosto tão naturalmente belo que agora antagonizava com o perfil amedrontado e a coloração avermelhada refletida em seu esforço para não desabar em prantos.

— Acredite em mim, todos aqueles que te renegaram são os mais medíocres e não merecem sua presença tão encantadora, não merecem sequer um fio dela... – Deslizou seus dedos por sua face enquanto falava calma, com as sobrancelhas tensas a voz encurtada. — Mas nada disso é sua culpa, Lauren, nada disso... Aurora te amava e ainda te ama, e odiaria ter você desse jeito. Por favor, não ponha tanta culpa em sua mente, não faça isso...

Aquele foi o ponto final para que Lauren cedesse, sucumbiu a toda uma emotividade armazenada em sua essência há meses, um de seus lábios tremeu e suas sobrancelhas cerraram aos seus olhos, foi pouquíssimo para que o acúmulo transbordasse freneticamente abaixo, molhando os dedos de Camila por inteiros.

— Eu sinto tanta...tanta falta dela, Camila. – Citou uma meia súplica íntima entrecortada por um soluço lamuriento, movendo sua cabeça em uma negação desorientada.

— Eu sei que sim, sei que sente. – Desistiu de suas tentativas ingênuas de despistar as lágrimas que corriam urgentemente pela face de Lauren, era tarde demais, os soluços dela já ecoavam timidamente por todo o espaço do quarto, então todos os movimentos da latina foram resumidos em a envolver na nuca com suas mãos e braços, tomando tamanha cautela para não tocar nos pungentes machucados de suas costas. A morena não recuou daquela vez, aceitou seu acalento nobre e descansou sua cabeça no peito de Camila, dando a liberação a todo o choro antes acorrentado nas dilacerações de sua garganta que implorava em necessidade.

Apertava suas pálpebras em conjunto com seus dedos enroscados na blusa de Camila, e esta dava sensações de alento ao acaricia-la com a ponta do toque nos cabelos e em sua nuca ainda úmida pelo pós banho. Entregava-se por completo a sua rendição incondicional, e aspirava o cheiro novo da latina impregnado no tecido macio de sua veste, por vezes até sentindo a pele quente dela descoberta por botões livres do enlaçar. Era aquele o afago que recebia irrestritamente por um tato que pouco tinha conhecimento ou contato de antemão.

Inconscientemente, Lauren estava amando conhecê-lo em camadas tão profundas de carinho fraternal que aquela latina lotada a ousadia lhe proporcionava em real validez.

Suas lagrimas tão abafadas por seu rosto pressionado umedeciam a blusa de Camila, que pouco se importava com tal ato, apenas se concentrava na movimentação gentil de seus dedos no início da nuca da morena, tomando precaução atenta para não esbarrar na gaze envolta ali. Ouvia bem os soluços que Lauren tanto forçava a impedir, e aquilo só a fazia querer representar mais afeição pela mesma, deslizar a ponta do toque por seu ombro enquanto sentia sua vestimenta adquirir cada vez mais aquoso pelo constante e imbatível choro dela.

Considerava que o tempo que passaram daquele modo foi curto ou imperceptível, mas a realidade era que se consolidaram mais que quarenta minutos em nina-la até que sua angústia cessasse por um tempo. Camila curvou o olhar de modo que checasse se suas suspeitas eram verdadeiras de que a mulher de olhos belos havia enfim caído em sono, este que fosse profundo ou leve capaz de ser interrompido por um ínfimo maneio, Camila cuidaria delicadamente para que Lauren voltasse a calmaria de um descanso mais que merecido, limpou os últimos resquícios salgados de seu rosto e contemplou sobrancelhas ainda tensas, porem o antagônico de pálpebras bem relaxadas.

Firmou completa de cuidado a mão direita sobre a cintura de Lauren para que esta permanecesse junta a seu corpo, e com a outra esquerda livre procurou o colchão atrás de si, apalpando-o e deitando-se em moveres tremendamente calculados. Compenetrada na cautela que saudava, Camila libertou longo respiradouro ao se ter completamente deitada na cama e também ao sentir a morena acima de seu torso procurar inconscientemente abrigo a mais em seus braços.

Consolidou uns minutos de atenção nos gestos que Lauren praticava ao respirar, sua bochecha em contato com pele de sua clavícula e que por pouco resvalava no colar que a avó da mesma havia lhe presenteado um dia antes da ida, tão ironicamente perto de revelações escondidas em profundidades, encostava infimamente a ponta do nariz na pele do pescoço latino, onde arrancava exclusivamente para si a loção preenchida de tranquilizante natural.

Era o sedativo que tanto necessita e só neste instante é presenteada, e em quantidade de pôr a enriquecedora de carinho, este por agora.

Em tanto acompanha-la em velar seu sono, a latina quase cedeu ao próprio cansaço de viagens exaustivas, mas sentiu seu aparelho celular se manifestar em uma ligação, imediatamente soube quem era e quase riu conhecendo que provavelmente estaria em "problemas" se não acatasse a tal chamada. Puxou o dispositivo de seu bolso sem brusquidões e levou-o a orelha.

— Sim, mãe? – Atendeu como deveria fazer, e ouviu e o suspiro alto de alivio emitido ao outro lado, sentiu-se sim um pouco má por esquecer algo tão crucial como aquilo.

— Já estava prontificada a comprar passagens para Los Angeles, sabia? – Sinuhe tinha sua voz meio-termo, usufruía de tom brincalhão e ao mesmo em camadas sérias, fazendo Camila rir baixinho de qualquer maneira.

— Desculpe isso, mama. Cheguei ao aeroporto às 10pm e ainda tive que vir de carro até aqui, foi um pouco cansativo, mas estou bem. O motorista de Taylor foi amigável, deixou-me frente à casa de Lauren e esperou até que ela aparecesse. Estava prestes a cair no sono ainda agora, esqueci-me completamente de te ligar. – Camila se desculpou pelo impasse que havia cometido com a mãe, explicando de boa forma um pouco de sua viagem.

— E como ela está? – Sinuhe perguntou interessada sobre o bem-estar da mulher que trouxera sua filha de volta.

— Não muito bem, estava bêbada quando cheguei. – Camila suspirou pesado, olhando fixamente para a silhueta de Lauren adormecida logo acima de seu corpo. — Fiz ela tomar um banho e depois conversamos pouquíssimo, ela está realmente abalada... não somente com a morte de Aurora, também com a negação que sofreu de seus parentes em um dia importante, e como mais o luto que vinha acumulando em seu interior, é um todo muito doloroso...

— Ainda há esse bônus do tratamento que ela recebe dos próprios parentescos, é tão injusto... – A latina mais velha era verdadeiramente tocada com os impasses em que Lauren era sobreposta, sua fala ali soava como uma indignação de tom leve.

— Sim... mas ela ficará bem, tentarei fazê-la bem e estabilizada novamente, é pouco do que vou fazer em recompensa por tudo dela a mim, ela merece muito mais... – Falava com sua disposição inabalável, moldando juras inconscientes. Tocou os cabelos castanhos meio claros dela, carinhosamente.

Despediu-se de sua mãe longos minutos após, no exato quando Sinuhe a instruiu ir repousar e repor energias. Desejou-a uma boa noite e largou o celular pelo lado da cama, voltou a pôr sua atenciosa compenetração em olhar o movimento do diafragma da mulher de íris verdes, notou que sua pele arrepiava-se com a brisa mesmo que esta leve, ainda devido a febre, Camila constatou ao tocá-la na testa e sentir ainda sua temperatura alta emanar.

Havia tanta concentração investida que esta se aplicou quando Lauren se mexeu em diferença a pesadelos tormentosos lhe assombrando mentalmente, como em rotineira vinham praticando. Murmurava sílabas incompreensíveis, mas que pelo tom agoniado soavam como aflições internas, bem explanadas no ambiente externo, o qual a latina se encontrava bem situada e alarmada ao que podia ser.

Até que num movimento brusco, Lauren levantou o próprio tronco em confusão e susto, remexendo suas órbitas por todo espaço ao mesmo tempo que seu peito buscava ar em desespero.

— Ei... Calma, foi só um pesadelo. – A latina empurrou os dedos para sustentar a nuca de Lauren, fazendo com que ela se focasse exclusivamente em suas írises acastanhadas e escuras pelo breu. — Volte a dormir, venha...

A sicária se rendeu ao completo, cerrou os olhos em derrota e deixou que os dedos em seus cabelos a empurra-se para de volta a pele aquecida do peito de Camila, ainda desperta abrigou-se por ali mesmo. Não era preciso forçar seus olhos a permaneceram ligados, é tanto que Lauren não se atreveu a fechá-los mesmo quando sentiu seus cabelos serem remexidos em leveza afetiva vindo do tato da mulher sob si.

— Tenho frio... – Lauren citou um murmúrio ao reter sua pele eriçada com o vento forte que atravessou a brecha das portas.

Processando bem o que havia sido dito, Camila vistoriou de imediato um amontoado de três cobertores empilhados acima do travesseiro ao seu lado. Puxou o mais fino de lá, Lauren ainda perdurava com sua febre, consequentemente não seria bom que ficasse com o corpo tão abafado. Desembrulhou o lençol em uma pequena parte e o pôs sobre os ombros e braços dela, deixou as costas libertas para receberem ar.

— Não é bom que seu corpo fique abafado num tecido, pode ficar assim até que melhore o bastante? – Ela pergunta delicada e entre os mais gentis sussurros, tendo como resposta surpreendentemente o leve mover da mulher se aconchegando mais em si e em meio a acenos confirmativos, terminou com menos distância que começou, soltando alívio em ter uma essência tão Camila para seu nariz e testa próximo do pescoço desta.

Honestamente, a morena não levava a sério a importância do frio lhe torneando impetuosamente. Não quando sentia um alguém tão próximo e real, e fazia tanto tempo que seu contanto afetivo com qualquer um fora cessado que o simples ato lhe tornava desorientada a qualquer oblíquo revelador.

Eram quantidades insignificantes de interesse com qualquer ponto excruciante a seu eu enquanto estivesse sob as palmas quentes de Camila lhe aquecendo ao imediato.

·

Mesmo tarde, o cessar de seu carinho em moveres chegou.

O cansaço levou Camila quando a mesma já havia se certificado que a mulher junta a seu corpo também havia adormecido, e daquela vez por todo resto da noite. A febre de Lauren seguiu o mesmo caminho de ceder os bons cuidados que haviam sido investidos como antibióticos eficazes em determinada hora da madrugada, especificamente o fim dela.

Camila despertou por cerca das 8am, reutilizando da mesma cautela inteirada para retirar Lauren de cima de si e ajeita-la devidamente no colchão, cobrindo-a com um cobertor mais grosso devido ao frio de início do dia. Deslizou seus olhos mais calmos pelo local e obteve mais um descobrimento, na mesma parede que ligava a porta do banheiro, havia uma estrutura que abraçava uma lareira de frente com a cama, numa distância apropriada, o móvel de aquecer podia ser visto logo por quem estivesse à beira da porta deslizante para entrar no quarto.

Deixou enfim o corpo de Lauren só, seguiu em passos silenciosos para a cozinha enfatizada a limpar a bagunça de cacos pontudos. Limpou o local sem reclamações e logo se pôs a checar ousadamente os armários que contornavam o extenso cubículo. Eram pouquíssimas comidas, havia somente duas embalagens médias com cereal, na geladeira apenas água e uma caixa com resto de leite desnatado.

Lauren realmente não vinha se cuidando adequadamente, a latina constatou.

Deixou aquilo de lado por enquanto, resolveu mover sua pouca bagagem para o quarto anterior e ao lado do de Lauren, o recinto tinha o mesmo tamanho e a mesma organização do outro, era como se nada ou ninguém houvesse mexido ali por muito tempo. A cama era como a outra senão por sua posição adversa, pois a silhueta de quem repousasse naquele colchão era facilmente visível aos olhos posicionados na espreita da porta.

Usou do banheiro idêntico ao outro para tomar um banho copioso e demorado, saindo do chuveiro longos minutos posteriores. Vestiu-se com uma blusa social branca de seda e um jeans skinny confortável em suas pernas e coxas. Estava disposta a sair para comprar alimentos e dar uma rápida passada em qualquer biblioteca para alugar livros que precisava para se preparar em função do futuro teste seletivo.

Optou a deixar seus cabelos em liberdade de qualquer elástico de prender. Caminhou enquanto remexia em seus fios para onde Lauren ainda dormia profundamente, concluiu ao sentar na beirada do colchão e observa-la minunciosamente.

Queria deixa-la dormir até que fosse suficiente para o descanso completo de seu físico e mental, mas temia que ao despertar consolidasse perdição devido lembranças embaçadas em reflexão a ressaca que supostamente sentiria.

— Lauren... – Então por isso decidiu acorda-la com seu próprio toque no ombro e voz amena.

Não foi necessárias atitudes a mais, a mulher se remexeu em um despertar assustado, e que em um leve mover se tornou o ato brusco dela de sentar na cama em depressa, encontrando os olhos de Camila somente quando os dedos da mesma lhe sustentaram na bochecha.

— Está realmente aqui... – Proferiu em sua rouquidão matinal, tombando de leve a cabeça contra os dedos dela, respirando longamente e com dificuldade, apoiava ambos seus punhos no acochado.

— Bom dia... – Sussurrou pelo temor que um tom alto poderia causar pontadas dolorosas em Lauren. — Eu...vi que não tem comida na dispensa, você deve estar com fome também, posso pegar seu carro emprestado?

A morena deslizou os olhos em confusão, mas ainda permanecendo com Camila em sua vista periférica.

— Sabe dirigir? – Questionou-a ainda rouca. A latina deu de ombros para sua surpresa.

— Há muito que não sabe sobre mim. – Reclinou levemente seus lábios em sorrisos sugestivos. — De qualquer maneira... quer vir comigo? – Sugeriu ansiosamente para tira-la nem que por somente um momento das paredes daquela casa.

Lauren ainda se concretizava em processamento de tantas informações recentes, buscava mais ar gradativamente com seus lábios entreabertos, piscando pálpebras perdidas e apoiando suas pernas mais firmemente.

— Sente-se com dor? Posso ir comprar remédios para sua cabeça, deve estar em ressaca... – Deu-lhe opções. Mas Lauren continuava em demasiada irrealidade, deslizando por cada traço do rosto dela e torcendo angustiosamente para que aquela não esvaísse num final de sonho tão inacreditável.

— Não.... está tudo bem, posso ir com você, só preciso fazer minha higiene e de uma blusa, pode pegar uma para mim? – Prontificou-se a sair da cama e seguir até o banheiro, um pouco cambaleante pelas pontadas que a sola de seus pés sofriam.

Trancou-se no banheiro por um certo momento, pois logo antes de ouvir batidas na porta, já a tinha deixado parcialmente aberta. Ao terminar de escovar os dentes, ouviu a voz tranquila de Camila ecoando.

— Lauren? Aqui está... – A latina se pronunciou detrás da porta, empurrando-a levemente para estender sua mão com o traje, Lauren a abriu por completo de forma que toda sua postura aparecesse.

Ela percorria os olhos esmeralda por todo perfil de Camila mais uma vez, por certo momento até dando as expectativas de um lampejo brilhoso a mais nova. Estendeu a mão para tomar a vestimenta para si, e roçou propositalmente seus dedos na mão dela em busca de mais confirmações, e resfolegou com intensa realidade de um simples tato.

Não fechou a porta daquela vez, desdobrou a blusa e se pôs a vesti-la.

— Não tenho ressaca, mas se bebo da maneira que fiz...nos últimos dias é difícil que eu lembre perfeitamente do que houve... Foi você quem fez esse curativo? – Era verdade que depois de tanto álcool não conseguia raciocinar com firmeza as recordações, mas sabia que Camila havia tecido cuidados consigo na noite passada, só precisava de uma confirmação dela como a mais.

— Sim... Você me disse que havia caído no vidro, suas costas não aparentavam em bom estado, e você não parecia muito lúcida de que havia se machucado assim. Tive que fazê-lo ou isso poderia estar pior agora. – Explicou simples enquanto se equilibrava em um único ombro apoiado na lateral da porta, cruzando seus braços e observando os movimentos dela em terminar de se vestir.

Já vestida adequadamente, Lauren respirou fundo e a olhou na medida que tomava passos mais curtos de distância, carregando uma expressão mais sóbria e tranquila.

— Obrigada por fazer isso. – Agradeceu-lhe em honestidade, piscando lenta e perto de Camila, que apenas sorriu de sorrateiro.

— Vamos lá? – Relembrou-a que tinham de ir afora para fazer mínimas compras.

Havia certo alívio para Camila ao ver a mais velha já dando resquícios de estabilidade, mesmo que suspeitasse que sua mente ainda carregasse desvios angustiosos ao decorrer de tudo, mas era inegável que não fossem avanços ao ter a outra portando diálogos - embora estes curtíssimos - sobre sua surpresa ao saber que a latina sabia perfeitamente o manejo de um carro.

Decerto Lauren ainda portava aflições internas que não evitava transparecer, no trajeto de carro ela permaneceu em silêncio por demasiado, remexendo-se no assento devido ao desconforto de suas feridas e em momentos respectivos olhando para a concentração de Camila ao volante, seja até quando ela a olhasse de volta, pois sustentava o peso de seus verdes ainda sentindo-se corada com olhos castanhos lhe compenetrando, não desviava de modo algum pela insistência do alerta que sua profunda mente conduzia em reflexo da aflição de acordar solitária a qualquer desfilado instante.

— Ei, chegamos. – Camila a chamou quando chegou ao desfecho de estacionar o carro em muito árduo. Lauren deslizou seu mirar pelo arredor, logo franzindo a testa com o local. — Decidi que seria melhor virmos a uma cafeteria primeiro, você não comeu nada ontem e nem hoje, tem que se alimentar...

— Tudo bem. – Acenou em consentimento a sua fala, destravando a porta como Camila já havia feito com a sua própria.

A latina caminhou rapidamente a seu lado que esperava, liderou o caminho até a entrada de vidro do recinto, e sentiu um novo ambiente logo ao ouvir o sininho emitir a entrada de ambas, os azulejos do chão eram brancos com detalhes geométricos, as adjacências eram rústicas e aconchegantes, à esquerda única da porta de chegada podia se ver uma fileira de seis conjuntos de uma mesa e quatro assentos extensos, e à direita destas havia uma bancada com painéis de vidro que deixavam alimentos expostos, também contendo dois rapazes como atendentes.

A movimentação ali era média, e um pouco confusa sobre o que fazer, a morena sentiu seu lado ser ocupado mais intimamente por Camila.

— Venha... – Emitiu o chamamento ao ver a perdição nos olhos de Lauren.

Guiou-a até perto das vitrines e conseguiu alívio ao vê-la escolher refeições sem muita tensão, fez o mesmo e a observou sentar-se no longo assento de lado para a janela de vidro com vista para as vias já movimentadas àquela hora. Pegou sua bandeja com o café da manhã e seguiu para sentar-se ao lado dela. Maior tempo da refeição foi feita em silêncio, a latina investia num puxar gentil de diálogo, mas Lauren parecia tremendamente perdida em suas próprias divagações.

Era acerca as decisões de Camila em voltar para Los Angeles.

Tolamente, a sicária se fechava numa bolha de culpa, seus pensamentos iam longe ao se tratar da possível e fictícia hipótese do que a mãe, família, amigos da latina pensavam a respeito do ato em voltar tão brevemente para aquele ambiente que deveria ser traumatizante não só para ela, não queria que alguém a mais lhe odiasse por tirar Camila de seu lar. Lauren se precipitava tanto em paranoias que chegava a ser certo ponto agonizante.

— Okay, chega disso. Lauren, precisamos conversar sobre algumas coisas. – Precisando de explicações concretas do que tanto visivelmente atormentava a mulher ao seu lado, Camila repousou sua comida e virou seu tronco parcialmente buscando a atenção dela. — Provavelmente estou sendo um pouco rude, mas sei que há com certeza algo te atormentando sobre minha presença, então conte-me, o que é?

A mulher de íris verdes notou que a latina havia percebido nitidamente sua tensão, e desse modo, tornou-se no mesmo ato de se mexer de frente a ela, franzindo as sobrancelhas em anseio desgostoso de não fixar interinamente nos olhos dela.

— Você não deveria ter deixado sua mãe tão cedo, ela mais do que ninguém deve precisar de você... não deveria ter voltado... – Era parte ínfima do que guardava, e a pôs a citar em baixa voz. — Cada um deles... de sua família... devem odiar-me com todas as razões nesse momento, e eu não aguento mais ser receptora de tanto desgosto... você deveria ir. – Em meio a tanto padecimento, ela surpreendentemente proferia em calma com o desconsolo.

— Lauren, por favor... – Camila tentou, mas a outra continuou a prosseguir em ímpeto.

— E olhe para minha vida... tire diversos más exemplos dos desfechos das pessoas as quais perduram perto de mim, acabam se afastando de qualquer maneira, seja esta por vontade própria ou de forma...dolorosa. – Sempre em anexo com tranquila adversa de sua voz, Lauren não demonstrava resquícios de que estava prestes a desabar em lágrimas como na noite anterior, estava simplesmente conformada.

Adversamente de Camila que não a deixou proferir mais nenhuma sequer letra, repuxou o queixo de Lauren com seus próprios dedos firmes e determinados.

— Olhe para mim. Pelo amor de Deus, olhe para mim. – Demandou um ato de coloca-la em prontidão a seus olhos, deixando sua essência em liberdade para que Lauren pudesse observar bem o seu querer. — Minha mãe e eu compartilhamos uma conexão...surreal, acha que ela me deixaria voltar tão facilmente se não sentisse que tudo vai ficar bem? – Tranquilizou-a com palavras de posse verdadeira. — E eu, Camila Cabello, não vou sair de sua vida tão facilmente a menos que você queira, pode tecer suas dúvidas à vontade, mas eu não vou, Lauren. Não proferi promessas certeiras de que voltaria, mas quando disse que estaria aqui novamente para meu futuro, para meu recomeço, para algo com você, eu o fiz com toda gana que há em meu ser. – O fôlego de Lauren escapou por um amplo momento, pois ouvir tão bem de palavras tão verdadeiras foi seu cume para que imensas incertezas se rompessem. Exalou em árduo, procurando menos espaço entre a mão de Camila em sua pele.

— Sobretudo, pode não estar certa por agora, não quero que se arrependa num futuro próximo. – Renegava em acenos em função de suas dúvidas, e Camila as lidava livremente como havia citado, pois moveu agora a palma completa pela maçã de Lauren.

— Não sabe disso, mas existem pouquíssimas escolhas minhas as quais me arrependo, realmente pouquíssimas... – Sussurrou em afoito a última sentença sua total verdade. Observou os ombros de Lauren baixarem com a ida da tensão, a morena fechou as pálpebras em encerramento de visão para seus verdes e buscou apoiar sua testa no ombro de Camila quando se sentiu envolvida pelos braços da mesma em um abraço.

O cheirinho de café sendo pronto se fundiu com a essência do shampoo dos fios castanhos da Latina, a de olhos esmeralda podia ouvir passos em distância, porém sequer abriu as pálpebras. Aninhou-se mais no aperto quente dela. Era parte de uma irrealidade que temia.

— Pareço estúpida com todas essas divagações desequilibradas, não pareço? – Lauren pronunciou em espontâneo, perdurando na mesma posição de afago com a latina, a qual se mexeu para olhá-la em retilíneo.

As mínimas pessoas que rondavam o local pouco percebiam uma cena de tanto carinho quando Camila repousou suas mãos nas maçãs de Lauren, firmada com uma permanência de tempo que fosse o bastante.

— Em partes sim... pois talvez seja tolo pensar tanto ao invés de pôr afora tudo que há aqui. – Tocou o topo de seus cabelos castanhos, ditando em proximidade e cautela. — Porém em outras certas partes... é de extrema aceitação que pense tão ardilosamente, é efeito de todo o abalo que sofreu, mas estou prestes a mudar isso de uma forma boa. Então... decerto você é uma estúpida, mas uma estúpida de respeito. – Soltou-lhe de suas mãos, movendo-se para voltar a sua refeição matinal com um sorriso sorrateiro contido.

— Uma estúpida de respeito? – Indagou levemente divertida enquanto via Camila assentir em concentração única a sua comida. — Olhe... é novidade, nunca ouvi algo como isso. – Repetiu o ato dela de se virar corretamente e retornar a se alimentar, sentindo seus ombros com mais leveza com as palavras da latina ainda ressoando em seus ouvidos.

O desfecho das tensões de Camila repetiram o alívio percorrido na mulher ao seu lado, sentiu-a em processo de relaxar e se aconchegar em mais conforto. À medida que um tempo curto passava, uma fachada de luz solar entrava pela janela de vidro ao lado de Lauren, esta já satisfeita com sua alimentação e agora observando perdidamente a paisagem afora e sem conseguir sentir o queimar de acastanhados em seu semblante.

— E há outra coisa, todos aqueles que sabem do que passei nessa cidade nos últimos anos, simplesmente admiram você profundamente, vê? É claro que ficaram desanimados com minha volta, mas não duvidam que estarei mais que bem contigo. – Proferiu em barreira contra mais uma aflição de Lauren, que se sentiu um todo alívio a mais lhe tomar.

Enfim a latina a chamou para que pudessem sair dali. Lauren quase entrou em desespero, manifestava desculpas a todo momento e Camila teve de tranquiliza-la com inúmeras falas, mas como a morena insistia em temer que a atitude de não se recordar de levar dinheiro consigo fosse algo proposital, a latina se prontificou a “ameaça-la” de forma descontraída, o que em surpresa foi eficaz por partes temporárias.

O destino próximo foi um mercado, onde ambas fizeram compras do que era essencial e estava em falta nas dispensas de Lauren, que não relutou em mais uma vez se desculpar quando estavam no final das compras. Camila ainda podia notar que a morena tinha em si certa perdição, mas com o que havia falado na cafeteria, foi inegável dizer que haviam melhoras em seus atos.

Gradativamente, era assim que funcionaria.

Por segundo uma biblioteca, onde Camila teve ajuda de Lauren na seleção dos livros que precisaria para estudar. A latina também se aproveitou daquele momento para acatar as dúvidas da outra, já que esta não tinha as respostas para o que foi o imprevisto de adiamento da data de aplicação do teste.

— Ah não! Até em artes essa merda de matemática resolve aparecer! – Camila praguejou ao tomar o último livro da lista em suas mãos, Lauren ao seu lado se moveu.

— Não gosta de matemática? – Indagou equilibrando alguns livros em único braço para observar qual a latina sustentava.

— A questão aqui não é gostar, o problema é o meu desentendimento por essa...coisa. – Folheou entre seus dedos algumas páginas, sem conter uma careta engraçada. Lauren tombou levemente para o lado.

— Fiz um curso profissional de administração durante o ensino médio, envolvia muita matemática, posso ensinar-lhe se desejar. – Sugeriu uma oferta beneficente em ambas partes, Lauren teria algo para ocupar a mente, e Camila facilmente aprenderia os cálculos tão difíceis para si.

— Por favor. – Olhou-a seriamente, como se estivesse tratando da paz mundial apenas em um pedido. Mas sua expressão séria se desmanchou quando assistiu um meio-sorriso nascer nos lábios de Lauren, admirou-o por lentamente já que pouco a viu sorrir.

O tempo se demandou rapidamente, era final da tarde quando saíram enfim de uma farmácia e resolveram voltar. E de repente um dia como aquele era surpreendente para Lauren, um dia normal... em companhia daquela gentil mulher ao seu lado agora manejando o volante e pedindo-lhe instruções do caminho de volta para sua casa.

Sua casa... Antiga residência de seus pais e agora repassada a sua identidade de farsa feita há pouco por Will. Só morara ali até os três anos de idade e por uma curta temporada da juventude, contendo então, consequentemente, pouca afinidade com um local tão pouco abitado por si.

Porém logo e breve um lar. E como não? Na companhia dela era inevitável tamanha deferência.

Em uma bela sintonia confortável, elas preparam um jantar modesto e lotado de alguns descobrimentos sobre gostos culinários uma da outra, Camila apresentara a Lauren o sabor de receitas latinas e também conhecia as preferências da outra. Da mesma forma simples, elas compartilharam a companhia leviana ao acomodarem-se no sofá e focar-se no que passava.

— Deve estar cansada por tudo, ainda lhe acordei num período cedo, vá... – A latina instruiu que Lauren cedesse ao cansaço e fosse dormir, sobretudo ela aceitou quase pacificamente se não fosse pela ideia de que haviam louças sujas e não deixaria que Camila cuidasse disso sozinha, é claro que a mais nova ainda tentou convence-la da falta de problemas que aquilo averiguava, mas deixou que ela lavasse seu prato, talher, e uma ou duas panelas.

Quando ela enfim se distanciou, Camila desejou acompanhá-la, mas se segurou na ideia de que a morena provavelmente queria seu próprio espaço por aquela noite.

Aspirou em suas narinas profundamente, lembrou-se dos livros comprados ainda posicionados na mesa e não se conteve de entusiasmos ao folheá-los por um longo instante, antes de tomar decisão de posiciona-los em alguma prateleira ou desta forma. Recordou-se também de uma preocupação tola, precisava confirmar que Lauren estaria em consenso ao que se tratava dela se apossar do outro quarto.

Ditou passos apressados e desejosos de que não fosse tão tarde ao ponto de vê-la caída no sono, mas estranhou de imediato não ver o corpo de Lauren em repouso na cama um pouco desajeitada com um livro de matemática tomado para avaliações, mas desvendou sua dúvida logo quando notou um vislumbre de luz vindo do banheiro.

Portanto, tirou proveito da posição entreaberta da porta e tocou-a de modo que avisasse sua chegada.

— Lauren? – Interpretou o nome dela em sua fala, porém não foi necessário conseguintes dizeres. A latina atentou seu olhar castanho no perfil de costas nuas para si, vestindo somente uma calça moletom de pijama, Lauren segurava uma toalha em cobrimento de seus seios com uma mão enquanto tinha a outra para trás em tentativas da troca dos curativos, no entanto uma única mão para algo tão delicado se tornava ineficaz, é tanto que foi como certa parte alívio ver a silhueta de Camila adentrar aquele cômodo.

A sicária remexeu seu olhar entre o espelho que refletia a postura retaguarda de Camila e a sua própria mão que firmou mais apertado os dedos na toalha que lhe velava parte do corpo. Nutria pelo pós banho um cabelo úmido e já penteado, em conjunto a sua pele mais macia que o habitual para quem a tocasse.

— Quer ajuda? – Deixou seu próprio anseio para em breve, a fim de oferecer baixinho para a morena, que sorveu o ponto incômodo em sua garganta e acenou. Camila deu leves passos até que estivesse atrás de Lauren e gentilmente esticou o braço pra tomar em seus dedos um pedaço de gaze e molha-la na água, não demorando para aplica-lo em limpeza contra os machucados já em uma condição severamente mais sadia que anteriormente, foi inevitável não emitir sorrateiro curvar de sua boca em um sorriso aliviada.

— Ainda está com uma aparência ruim? – Reuniu forças para perguntar sobre o estado físico de seus ferimentos, emitindo entrecortadas feições de dor ao toque, mesmo que suave, de Camila.

— Não... Está bem melhor... na verdade. – Certificou-a calmamente ao terminar de limpar os machucados. Moveu-se novamente, agora esticando-se para capturar o antisséptico, aplicando-o em agilidade para que não causasse tanto desconforto. A latina maneou o novo pacote de gaze sobre o mármore, entornando-a no corpo dela sem conseguir conter que esbarrasse em sua pele morna do abdômen, tão obviamente macia... como a latina a toda a hora supusera, tantos toques fizeram que aperto de Lauren quase vacilar.

— Obrigada. – Não se esqueceu de distribuir um agradecimento rouco.

Num aperto firme e confortável, Camila deteve as palmas nas leves adiposidades da cintura da morena em uma carícia delicada e cheia de acalento, sorriu-lhe gentil em ver uma porção tensa relaxar em seu semblante, cuidadosamente ela deslizou a mão pelo ombro de Lauren, utilizando a livre para afastar os cabelos que deliberavam essência de shampoo, captou perfeitamente quando se inclinou nos pés e roçou minimamente sua anatomia por trás da dela e aproximou seu nariz da nuca surpreendentemente perfumada, e não se agarrou em impedimentos, tocou sua pele da nuca com os lábios em um beijo lotado de gentileza, afastando-se minimamente para repor mais abaixo do primeiro, arfando contra ela sem percepções.

— Disponha. – Emitiu um sussurro agradável, sorrindo contra a proximidade extrema com sua pele. — De qualquer maneira, só vim aqui para pedir sua permissão sobre me apossar do quarto ao lado, posso? – Voltou a dizer em proporções baixas, perdurando a pouca distância com seu corpo e mantendo um semblante descontraído quando Lauren curvou a face para olhá-la sobre o ombro.

— É todo seu. – Proferiu arrastada e com veracidade. Há bastante tempo havia consolidado a ideia de ter Camila dormindo no quarto ao lado, porém tinha compreensão na dúvida que supostamente a atormentava.

A latina então se distanciou, observando-a manter a mesma posição de atentar-se sobre o ombro. Juntou os dois braços nas costas e se moveu em passos para trás, sorrindo por mais outra vez e formulando somente com os lábios uma boa noite.

Ficou em sua própria companhia desde então, negando em acenos com a cabeça e um meio sorriso a florescer em suas curvas do rosto, sozinha com a companhia da certeza de que aquela latina lhe atormentaria da maneira mais deleitosa capaz, e faria ousadamente por um extenso tempo...

·

Em uma severa surpresa climática, os ventos arredores dali se fizeram mais eufóricos, mais robustos. Nuvens se transformaram em grandes cinzas que ameaçavam se despedaçar e não traíram suspeitas de gostas d'água tórridas pelas 11pm daquele breu.

A latina deslaçava os cabelos presos de quando prepara o jantar em companhia de Lauren há algumas curtas horas, a temperatura caía e ela sentia brisas de uma única janela ao lado de sua cama lhe causarem gélidas lufadas no pescoço, enlaçou botões a mais de sua camisa, tirando de qualquer vista o cordão que usava desde que chegara em Cuba, presente de Aurora.

Camila se concentrava hábil na primeira matéria decorativa que decidira estudar. Tão compreensível em sua animadora vontade de absorver informações estudantis para seu futuro, ela equilibrava um caderno de folhas brancas e o livro de História ambos em seu colo, até que terminou o primeiro e extenso capítulo número um com sua mente fascinada e duas folhas preenchidas com anotações importantes para revisar em tempos posteriores .

Em suma, quando a consciência de que era suficiente a preencheu, a bela latina se mexeu para guardar todos aqueles objetos junto com os outros adversos livros posicionados em uma prateleira ao lado de uma das duas televisões exclusivas que jaziam apenas naquele quarto e na sala.

Demandou poucos minutos para que resolvesse ir ao encontro dela, só queria sondar a confirmação de que estava tudo bem consigo, supôs que ela já estaria descansando em sono, visto que havia lhe desejado boa noite há mais de duas horas, em consequência seus passos se moldaram como silenciosos no piso frio ao se locomover.

Notou logo de espreita uma luz alaranjada vindo da entrada livre de trancas, a lareira estava em seu estado de combustão frágil... havia ventos a penetrar pela brecha mais aberta das portas transparentes de vista ao mar. A latina se estabeleceu respeitosamente na atalaia da porta, resvalando os castanhos pelos arredores até pairar sobre a postura desajeitada de Lauren, revestida por um moletom frouxo e uma calça pijama, sentada mediante ao colchão, com um joelho dobrado e outro esticado, em posição meio sentada e meio deitada, as costas machucadas repousadas sobre um travesseiro acostado na cabeceira, em sua expressão natural e passível, portando entre seus indicadores e polegares um papel dobrado em certa parte, a carta de sua avó.

Camila notava o amparo que aqueles verdes carregavam ao focar-se somente em um pedaço de papel, aquelas esmeraldas traziam falta de brilho intenso já havia tanto, porém naquele instante a latina levava mesmo em distância a percepção da reaparição do lampejo tão belo.

— Achei que já dormisse... – Anunciou sua presença em timbre doce, sem causar sustos ou parecidos, achegando-se em seus próprios braços quando um vento gelado a abraçou. A morena desviou trazendo consigo o brilho do fogo distante para metade de seu rosto. — Sem sono? – Caminhou em passos lentos, testando uma aproximação sem negações indiretas. Lauren não a negava, não emitia permissões por não ser necessário, simplesmente a observava quebrar a distância à medida que ouvia os respingos de chuva no teto e nas paredes.

— Quase esqueci o que esse dia representa. – Pronunciou com uma calmaria antagônica das reações que seriam suas apenas em relembrar infimamente de alguém tão solene, decerto nutria uma tranquilidade mais hábil conjunta a tristeza. Camila checou com o mirar o relógio digital no móvel ao lado da cabeceira. — Ela vangloriaria suas oito décadas de vida.

11:48pm; 06 de dezembro.

— Quer falar? – Questionou-a acerca de qualquer conversa de desabafamento, deslocando-se para sentar na beira do colchão, atentando-se somente as suas expressões que exaltaram um negar compreensível.

Dobrou o pedaço de folha e o largou de lado, posicionando-se melhor no travesseiro e mirando exclusivamente a lareira em distância adequada, sentiu que Camila rompeu mais espaço separador, também aproveitando-se da vista periférica para vê-la repetir seu ato de dirigir o olhar somente ao fogo.

Play Music* Hurt Nobody - Andrew Belle

Ela deu foco às suas profundas dúvidas, mas estas não agonizantes como costumavam ser, eram sim por nutro interesse curioso e necessário. Piscou apressada com o aumento estrondoso da chuva, dando vestígios sonoros até de trovões.

— Temos...algo a conversar. – Proferiu em sugestão, tinham de tratar algo passado.

Camila se remexeu, aconchegando em um curto espaço dela.

— Sobre o quê? – Indagou mesmo já suspeitando do que se tratava, os olhos acastanhados sendo iluminados lateralmente pelo laranja cintilante da lareira em luta com o vento entrando mais forte.

A morena umedeceu os lábios ansiosamente, ajeitando-se desjeitosa no travesseiro.

— Antes de voltar para sua casa... dava-me as suspeitas óbvias de que estava prestes a me tomar para si, mas sempre desviando de sorrateira hora, e então...beijou-me no aeroporto. Por quê? – Expôs o que não teve tempo ou concentração para pensar nos últimos meses, só agora processava profundamente, olhando-a do mesmo modo.

A latina voltou a tratar a distância compartilhada como algo ainda exagerado, agora apoiando um cotovelo para que ficasse mais aconchegada ao lado dela.

— Eu me estabilizei num nível saudável de alguns traumas incrivelmente rápido, as respostas que quer estão relacionadas ao retorno dos picos de meu âmago atrevido, sou assim... não me pergunte por que, nem mesmo eu sei. Mas há algo em você que me chama, inexplicavelmente. – Era inteiramente aquilo, talvez com algumas letras mais íntimas em falta, porém era o dizer perfeito para o mirar indecifrável de Lauren. — Acha-me louca, sim?

Daquela vez foi a outra parte a se aproximar.

— Em todas as maneiras. – Sussurrou sentindo seus lábios palpitarem com o desviar ousado da latina em sua boca, um vento mais eufórico desajeitou as mechas de Lauren, mas também causando desordem nas vestes de Camila de um modo que o cordão com pedra de coloração amistosa brotasse para fora do tecido da camisa. A morena franziu o cenho imediatamente, fazendo Camila notar facilmente, olhando para baixo e tomando o colar entre seus dedos. — Como... como conseguiu esse colar? Como? Quem...

— Aurora... ela me deu antes que eu voltasse para o Texas, disse que era um presente. – A simples citação do nome de sua avó foi estopim para que a mais vívida e antiga recordação do que aquele colar representava atingisse Lauren, seus olhos se moveram ansiosos em Camila. Não era possível... — Deve ser algo importante, herança familiar... disse que já foi seu, e...agora, provavelmente o quer de volta. Por que me olha assim?

A morena finalmente pairou seu mexer apressado, focando-se inteiramente admirada com a falta de conhecimento de Camila, sua avó havia arquitetado um belo ilustre colocando aquele cordão no pescoço da latina sem que a mesma soubesse nem pequena parte do real significado dele. Seus olhos esmeralda fincavam-se fervorosos em todo o perfil latino, ela era...

— Vou devolvê-lo, é com certeza algo familiar. – Tocou a pedrinha sem tristezas reais, se havia uma parte de Aurora ali, deveria pertencer somente a Lauren, e colocaria aquele utensílio no pescoço da morena com a maior vontade em seu ser.

— Não... – Mas ela a impediu, quando a latina ainda tocava o pingente, Lauren pôs seu toque sobre o dela, proferindo uma negação serena contemplada. Camila puxou seu rosto para encara-la, mantendo sua mão no mesmo lugar sentindo-se sob a da morena, agora tecendo um entendimento maior sobre o que se passava ali ao servir aos verdes fincados em suas órbitas alheias.

— O que é? – Perguntou atenta e sem desvios daqueles olhos frentes a si, em um sussurro extasiado por toda a louca tensão impregnada no clima acorrentado a uma chuva exterior insistente. Removeu sua mão sob a dela, deixando que somente o toque de Lauren fizesse presença ali sem outras barreiras, ela permaneceu.

— Tem que guarda-lo consigo, sempre... Com todo o afinco que tem, como se isso fosse a alma de uma pessoa. É algo seu, somente seu. Um dia saberá por que, saberá... – Não torneou o mirar sequer momento, ambas imbatíveis numa olhada extasiada. Camila respirou fundo sentindo Lauren mobilizar o objeto em seu pescoço entre um tato trêmulo, seu peito em dinâmicas ofegantes. Era um promessa, uma digna promessa enquanto moveu seus dedos mais atrevidamente para sob o tecido fino da vestimenta, tateando as irregularidades dos batimentos da latina.

Àquele ponto, onde suas esperanças de algo tão severas abandonado num passado longo voltavam agora com toda uma explosão eufórica, Lauren mantinha ofegos descontrolados escapando por seus lábios semiabertos, a latina não segurou que também portava sensações inexplicáveis como as que sentia neste momento, levou inconsciente sua testa para buscar apoio na da mulher ao seu lado.

Não entendia qual significado aquela joia portava, mas contava com a promessa indireta de que futuramente seria desvendada.

O fogo as deu brilho nos movimentos mais aprofundados, Lauren se mexeu para apalpar firme o rosto dela e sentir o entrosar sugestivo com sua boca, as pálpebras de ambas já descansadas. Camila tocou seu ombro no processo de reconhecimento com aqueles lábios chamativos, até que estiveram em perfeita harmonia da junção, selando completamente um beijo firme e cheio de proximidade com corpos se roçando em ignorância à limites naturais.

Sentia tocar as mechas do cabelo contra sua mão, ao mesmo conjunto em que entendia perfeitamente uma certeza tão divina no gosto dos lábios de Camila quando ela a tocou com a língua infimamente, a pressão charmosa contra sua boca tornou-se um mover lento, atraente, cheio de hálito de menta.

Parte do acolchoado ao seu lado afundou devido ao cotovelo que a latina apoiou na lateral de seu corpo, ficando em certa parte por cima dela para ganhar mais intimidade no beijo, e sentindo a mutues da morena ao tocá-la mais afundo nos cabelos e em sua cintura para impedi-la de muitas precipitações e certamente mais firmeza.

Impecável, a latina roubou gentilmente o lábio inferior da mulher em posição sob si pelos tantos moveres que havia feito, sugou-o sem exageros como encerramento por aquela noite, perdurando com os olhos fechados e com sua testa encostada na dela enquanto sentia seu rosto passar por carícias do dedo de Lauren que corava contra a luz alaranjada, com o palpitar do recente contato em sua boca, o corpo trêmulo.

Só reabriu os olhos esmeralda para confirmar que era de total realidade, e suspirou com a veracidade... Observou o colar sustentando pelo pescoço dela, sua expressão pacífica de olhos fechados insistentemente.

— Talvez ela esteja certa. – Murmurou apenas para sua consciência, atentando-se ao sorriso que brotou em Camila quando se deslocou para beija-la o pescoço e dedilhar a mandíbula distraidamente. Segurou por mais alguns segundos a pedra de cor mesclada, vendo-a brilhar a luz da lareira.

Era ela a mulher a qual outrora fora citada indiretamente, quando se despedaçou e rompeu esperanças de algo contrariado por certa mulher sábia...

E com um último selar sugestivo na estreita de sua boca, Camila se aplicou na posição na qual havia sido submetida há muito tempo.



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